Sunday, April 12, 2020

Quarentena SIM ou NÃO


                         Quarentena -  Sim ou Não
                                                                                                                                               E. J. Daros
                   Infelizmente, políticos adeptos da velha filosofia religiosa maniqueísta continuam ocupando o poder e conseguem tumultuar o trabalho de profissionais que lutam na defesa de nossa saúde ameaçada pelo COVID-19 com a falsa opção: SIM ou NÃO, referindo-se à quarentena.
                            
                          A velocidade de contaminação deste novo coronavirus é tal que extrapola os recursos hospitalares disponíveis para tratamento. O que nos chama a atenção é que a luta contra o novo coronavírus em nosso País está concentrada somente nos setores de saúde das três esferas de governo, sendo encarregado da sua coordenação o médico ortopedista e ex-deputado federal, Luiz Mandetta, atual Ministro da Saúde.

                     A reduzida participação  de outros setores que dispõem de experiência e conhecimento para colaborar na redução dos custos dessa luta monumental é inacreditável. O mínimo que nós esperamos agora do governo é eficácia e eficiência no combate da pandemia que nos assola. Basta-nos lembrar da frustração generalizada da população brasileira com o desempenho de nossa economia e do alto nível de desemprego prevalecente, justamente no início da epidemia em nosso País para entender essa condição. Eficácia e eficiência é mais do que um desejo. É condição que se evitem sofrimentos futuros decorrentes de prejuízos estruturais econômicos, financeiros com reflexo negativo na já elevada taxa de desemprego.O lema infantil de pessoas alienadas que "não há custo que não possa ser pago por uma vida salva" não merece comentário. Portanto, buscar a integração de atividades de outros setores visando garantir mais eficácia e eficiência na luta contra a pandemia deve ser também um objetivo a ser perseguido

                  Pensando nesse assunto, fica-se impressionado, por exemplo, achar-se que o movimento humano em espaços públicos urbanos, forte gerador de contaminação, seja somente assunto de medicina. A própria quarentena em áreas urbanas, como freio ao crescimento acelerado da contaminação visando garantir tempo para a ampliação de leitos e serviços hospitalares compatíveis com a crescente demanda, também implica análise de alternativas com uso de matemática e de estatística aplicada. Infelizmente, tudo indica que até agora, não foram utilizados os recursos da logística amplamente aplicada em construção, montagens e compras em geral.

                            Amenizar os  efeitos negativos no nível de emprego e nas atividades de produção, comércio e consumo é um objetivo secundário, porém muito importante. Um exemplo típico de ineficácia é a ausência do serviço público de fiscalização do respeito às regras impostas pela quarentena; na India se utiliza o chicote; na Europa, multa-se e prende-se; e, no Brasil, filmam-se os desobedientes! A prisão domiciliar preventiva com uso de tornozeleira serve como uma luva em nosso País. Em São Paulo, o Governador Dória continua ameaçando usar formas coercitivas.

                              Os brasileiros, que não conseguem entender a importância da quarentena que envolve matemática, estatística e avaliação de cenários de probabilidade, estressados pelo desemprego e perdas de toda ordem dela decorrentes, dividiram-se em vários grupos. Os que não gostam da quarentena, mas têm consciência que sem sucesso dela estaremos repetindo o ciclo desesperador da Itália e por isso a toleram; os que nunca a aceitaram e continuam circulando nas vias públicas a pé e de automóvel, por interesses e razões diversas. E, finalmente, o grupo político liderado pelo Presidente que desrespeita em suas andanças em Brasília as normas que ele mesmo aprovou.  
   
                       É surpreendente o silêncio que prevalece na mídia sobre a possibilidade de se produzirem no Brasil máscaras, luvas, aparelhos de teste, respiradores, desinfetantes gerais e álcool-70 e outros produtos essenciais de uso hospitalar, seja para reduzir preços e especulações, ou para evitar custos e atrasos frequentes nas importações. Não se tem notícias sobre entidades de saúde ou dos setores industrial, de engenharia de produção e de centros de pesquisas de universidades, avaliando possibilidades de colaboração. É possível que melhor coordenação e integração desses setores possam ajudar a fornecer o que se necessita. Tomei conhecimento, por exemplo, que uma unidade “StartUp” em Curitiba vai produzir testadores e que pesquisa realizada na Escola Politécnica da USP já possui um protótipo de respirador.                                            
                                      O objetivo deste texto é chamar a atenção e mostrar que, nesta luta, estamos necessitando de outras atividades e setores complementares ao da saúde que possam colaborar na luta contra o CODI-19. A situação de doentes morrerem por falta de respiradores ou o número de contaminados aumentar por ausência de fiscalização, de testadores e de monitoramento, são exemplos de situações inaceitáveis. Pior ainda, médicos, enfermeiros, enfermeiras, e demais pessoas que estão na frente da batalha em contato direto com os contaminados, sem a proteção adequada, correndo o risco de se contaminar e até mesmo falecer.
                                      Não se trata de uma guerra entre inimigos. Mas de ações ou omissões de nós seres humanos. Na China foram os detentores do poder estatal que, por razões desconhecidas,  não reconheceram o alerta de cientista que identificou o vírus e, posteriormente, morreu em decorrência de sua contaminação. Confirmado o alerta, porém, as autoridades omissas, apavoradas com a rapidez da contaminação e das mortes causadas, agiram com rigor, respaldando as ações necessárias propostas pelos cientistas que então conseguiram controlar a crise na China. De exportadora do vírus, passa agora a se defender de eventual importação desse mesmo vírus com medidas severas de controle de entrada no país, pois ainda não se tem uma vacina específica que evite novas crises. A ordem atualmente é manter-se em guarda.
                                    Da China, o vírus se espalhou celeremente por todo o mundo, tornando o ser humano, esteja onde estiver em nosso planeta, em potencial vítima de contaminação. Contudo, a nossa sobrevivência, novamente, está ligada à eficácia das medidas adotadas pelo poder estatal no local em que habitamos.  Não obstante a triste consequência da omissão havida na China cujas autoridades ignoraram o cientista que a teria evitado, agora, alguns poderosos nos novos países e regiões afetados repetiram o erro. Muitos, porém, agiram com rapidez, buscando reduzir os danos com a quarentena que lhes permitiu ampliar a capacidade hospitalar e reduzir substancialmente o número de mortes. A Alemanha, até por sua grande capacidade hospitalar inicial, expandiu-a e conseguiu controlar a crise, apresentando um índice baixo de mortos em relação a sua população. Ao contrário, outros países europeus e os Estados Unidos que desprezaram a rapidez da propagação da contaminação e tentaram buscar soluções menos radicais como a quarentena sofreram e, ainda estão sofrendo com o elevado número de contaminados e mortos.
                                       No início, Presidente Trump  não poupava palavras para afirmar que os Estados Unidos estavam preparados a enfrentar a presença do vírus. Poderoso, mas atento ao que estava acontecendo, especialmente no Estado de Nova Iorque cujo Governador foi reticente e lutou contra a quarentena rigorosa mas acabou aceitando-a posteriormente. Nos Estados Unidos em que o poder dos Estados frente ao Governo Federal é bem maior que aqui no Brasil torna-se difícil impor medidas severas em todo seu território. Nesse país, uma de suas principais características, a alta mobilidade da população, favorece a contaminação.  Sua grande diferença em relação ao Brasil é a extraordinária disponibilidade de recursos e capacidade técnica de atender a demanda crescente  de serviços hospitalares rapidamente e de meios alternativos para contornar dificuldades encontradas.. Outro exemplo de reação tardia aconteceu no norte da Itália. Lá, dois agravantes tornaram a crise italiana uma verdadeira tragédia para uma população de 60 milhões de habitantes vivendo em território menor que o Estado de São Paulo: capacidade hospitalar pequena e população idosa expressiva. Esses dois países ocupam os primeiros lugares em número de mortos. acima da China
                                     Nosso país caminha para uma situação difícil de ser prevista como o que está acontecendo indica. É necessário que cada um de nós, razoavelmente saudáveis e lúcidos, não só respeitemos as normas de quarentena, como busquemos apoiar com o conhecimento e o poder que dispomos para que a quarentena não seja desrespeitada acintosamente como tem ocorrido. E, ainda, que não entremos no jogo político de nosso Presidente. A luta contra o COVID-19 é vital, prioritária e deve continuar com afinco e capacidade para se reduzir ao mínimo possível as suas consequências nefastas que já são enormes e poderão ser piores ainda. Quanto mais eficiente e eficaz for nosso trabalho em menos tempo estaremos preparados para conviver com esse danoso vírus até que a almejada vacina nos traga a desejada tranquilidade. 
                                  Nossas recomendações finais de leigo no assunto após constatar a necessidade urgente do Ministério da Saúde acionar outros ministérios para indicarem profissionais competentes e, acima de tudo experientes, são de que o Ministro de Economia designe o IPEA, afeito a estudos macroeconômicos e conhecedores das áreas que garantem a estabilidade e o crescimento da economia brasileira para monitorar projetos de quarentena e de proibição de circulação a fim de evitar danos ao produto e a renda, alertando e participando de soluções e busca de alternativas que garantam o mínimo de perdas no combate ao CODI-19 à economia. Além disso solicitar profissionais especialistas e experientes em operação de trânsito urbano e interurbano para proporem medidas para se garantir o cumprimento de normas da quarentena, bem como de todas as medidas relativas à proibição e facilitação de trânsito em rodovias e em vias públicas urbanas. Finalmente, apelar a entidades privadas interessadas em reduzir ao mínimo possível os danos à organização e estruturação da economia brasileira que participem financeiramente na contratação de consultores de alto nível, brasileiros ou estrangeiros, experientes neste trabalho de luta contra o CODI-19. Atendendo, obviamente, solicitações do Ministério de Saúde, responsável pela Coordenação das atividades de combate ao CODI-19 a nível federal.
                                                       FIM

Tuesday, March 24, 2020

Estratégia contra o Coronavirus


                                                                                                                                   E. J. Daros
Estou “de castigo”, enclausurado, não por minha falecida mãe por peraltices infantis, mas pela obrigação moral de todos nós de não colocar em risco nossas famílias. Vamos ao que nos interessa:

 I - Sem dúvida nenhuma, há indivíduos competentes em todos os cantos de nosso País, que estão pensando e agindo para nos tirar dessa verdadeira tragédia em que estamos metidos;

II - Felizes os países, porém, que estão em guerra somente com o vírus;

III - Apesar de sermos o sexto país em população, vivendo em saudável território, não conseguimos ser ainda uma nação integrada por pessoas com valores, costumes e comportamentos civilizados que nos garantam um clima de paz e segurança, e, acima de tudo, de solidariedade e fraternidade;

IV - A ignorância e a falta de ética, estão presentes em todas as nações. Contudo ,vicejaram e cresceram em nossa sociedade a ponto de se impregnarem em nossas vidas e derrotar-nos na busca de uma felicidade e harmonia fraternas entre nós brasileiros;

V - É nesse ambiente que está surgindo com força extraordinária: a vontade de mudar para melhor, tendo se manifestado claramente no combate à corrupção e no acesso à educação, em particular ao conhecimento científico;

VI - O Estado, instituição que abriga autoridades governantes em instituições públicas para assistirem a nação constituída por nós cidadãos na busca de um Brasil mais fraterno e igualitário, encontra-se num período crítico de adaptação à nova realidade cujos contornos ficam cada vez mais claros;

VII - É nesse cadinho de efervescência que acabamos de ser atingidos pelo coronavírus, trazendo à tona situações que exigem conhecimento científico, acima de tudo, e, principalmente de políticos com elevada capacidade de raciocínio e conhecimento científico básico, pelo menos, capaz de liderar a mobilização e coordenação das forças necessárias a resolver o desafio criado pela presença desse vírus no Brasil.

Não pude deixar de pensar, vendo os programas de televisão e lendo jornal, que ainda não encontramos o caminho de saída dessa tragédia, não obstante muitos participantes em entrevistas e comissões e comitês governamentais indicarem soluções e trazerem conhecimento e práticas adotadas em outros países que teriam sido vitoriosas.  

Hoje, porém, cansado de ouvir repetições e mais repetições de dados  de mortos e contaminados, assim como soluções piegas, sem pé e nem cabeça, para a questão assustadora do efeito desse vírus e de suas consequências num pais de pobres desempregados, resolvi ouvir a CNN e lá tive  a satisfação de escutar o Governador do Estado de Nova Iorque apresentar suas ponderações e proposta de solução. Fiquei entusiasmado com sua manifestação. Em resumo seria a seguinte;

1.     O Coronavirus  tem de ser derrotado sem trazer sofrimento e mais mortes, tanto no período de luta como depois dela;

2.     E é isso, infelizmente, que vai acontecer, pela falsa estratégia de se dissociar saúde pública e economia pública;

3.     O recolhimento imposto ao povo em suas residências e a interrupção da produção e consumo da sociedade além de um período curto, vai produzir mais mortes e sofrimento, pois os recolhidos mais pobres sofrerão por falta de atendimento de suas necessidades de tratamento e carência de recursos para enfrentar não só suas doenças crônicas como alimentação adequada;

4.     Os dois insumos básicos para garantir menos mortes são os TESTES e o RESPIRADOR. Tão necessários para o período mais crítico, como depois, pois a vacina não estará disponível a curto prazo;

5.     Sua proposta é manter os idosos em quarentena e liberar os outros, utilizando o período de quarentena para intervenção na indústria de TESTES e de RESPIRADORES para produção em massa obrigando-se o Governo a comprar e distribuir a produção no período de intensa produção;
   
      6.    Os mais velhos poderão ser segregados em sua próprias casas, reformadas, se necessário com financiamento público, ou em outros locais adequados;           os jovens seriam mantidos em seu empregos e, os desempregados seriam           recrutados para as atividades necessárias à ampliação maciça e rápida (tipo         três turnos) dos equipamentos e instalações de aumento de oferta hospitalar;
   
      7.  O Governador de Nova Iorque diz que as mortes e sofrimentos serão bem          menores dos causados no processo de desarticulação do processo de                    produção , consumo e investimento resultante de recolhimento prolongado.

Minha opinião é que em nosso caso, o número de mortos e o sofrimento dos doentes pertencentes à classe pobre,  e dos menos pobres com baixa renda e desempregados, será assustador. Os idosos nessas classes serão simplesmente dizimados nesse processo.
                                                                  FIM

PS A presença de políticos desinteressados pelos outros, vaidosos ou ladrões, não conseguem esconder o que são, de verdade, nesses debates e reuniões informais ou formais. Basta compará-los com o Ministro da Saúde, envolvido e vivendo com intensidade suas propostas e trabalhos, para se identificar o “caroneiro” do evento. O uso da televisão para fins político- eleitorais, em que “ele” ou “ela” aparecem com esse objetivo, inclusive jornalistas fazendo perguntas sem nenhum nexo e seriedade com o combate ao vírus, CAUSAM-ME NÁUSEA!                        

Wednesday, March 11, 2020

Expansão do Coronavirus


        Medidas de Proteção Contra  a Expansão do Coronavirus

Observação: Esta proposta somente será válida se a  premissa de que o plástico nos protege da presença de coronavírus  em nossa roupa e corpo.

1. Providenciar uma capa relativamente folgada com duas aberturas para a passagem dos braços e movimentação das mãos. Uma capa de plástico de chuva transparente e não descartável serviria, em parte, pois a ventilação é precária e o capuz não avança sobre o rosto. O capuz de defesa contra o vírus da capa a ser adotada deveria cobrir o rosto sem tocá-lo. A folga deveria permitir uma ventilação adequada à respiração, dispensando as máscaras cirúrgicas extremamente desconfortáveis. 
Na capa projetada, especialmente para a defesa da presença do vírus, não haveria nenhuma abertura salvo a inferior que permitiria o andar natural da pessoa coberta. Em lugar das aberturas da capa (estilo das capas gaúchas) estariam disponíveis antebraços e mãos de plástico para serem vestidos com facilidade por dentro, permitindo a liberdade de movimentos fora da capa protetora para pegar coisas com facilidade, como apoio em corrimões, sem que a pessoa toque em qualquer coisa externa ao ambiente interno da capa.

2.  Os fumantes e os ansiosos em colocar coisas na boca estariam impedidos de fazê-lo, podendo, porém tocar o rosto por dentro da capa. Antes de tirá-la, porém, ao chegar a seu destino a pessoa abrigada contra o coronavírus  deve submeter a capa e demais proteções utilizadas a uma ducha externa de desinfecção com água e sabão. 

3. A solução de emergência, a ser iniciada já, seria usar uma capa transparente de chuva, utilizando o capuz, máscara e luvas; encomendando à costureira, em seguida, uma quantia razoável de capas feitas sob medida ao  estilo  citado no item 1 para a família. Usar botas disponíveis no mercado para trabalhadores que atuam em locais lamacentos, como bombeiros e operários empregados em obras  no setor de água e esgoto, aumentaria o isolamento;

Finalmente, instalar já um chuveiro externo para lavar a capa, as botas, e tudo mais que teve contato externo. com sabão e deixar o material disponível secando para a próxima saída, se necessária.
                                                                                          E. J. Daros
                                                                                                               12/03/2020
                                                                                                             


Thursday, February 27, 2020

MOBILIDADE DO CORONA


                            Mobilidade do Carona “Corona”

                                                                                                                                E.J.DAROS




Por que os brasileiros vindos da China ficaram 14 dias de quarentena e, agora, os passageiros do avião chegado da Itália desceram livremente?  Um deles, brasileiro, foi ao hospital Albert Einstein e de lá saiu para sua residência como o primeiro cidadão de nosso País oficialmente infectado.

Ações imediatas recomendadas ao Governador Dória:

I-Acionar as indústrias fabricantes de máscaras e de álcool-gel para produzirem a todo vapor, pagando à vista o excedente que o mercado não absorver para venda e distribuição gratuita posterior;

II-Exigir, também, às empresas de ônibus atuais que estabeleçam um processo de controle eletrônico de entradas e saídas dos veículos para garantir um teto de número de passageiros embarcados;

III-Alugar ou desapropriar barracões adaptáveis para “moradias hospitalares’, bem como contratar e treinar pessoal capacitado a manter os pacientes portadores do "Virus Caroneiro" adequadamente para que possam voltar ao convívio familiar e social sem transmitir a doença. Nenhum hospital privado está ou estará preparado para a quantia enorme de pessoas a serem recolhidas. E o SUS deve ser poupado para o papel que ainda não exerce totalmente de curar doentes tradicionais que morrem em fila de espera.

No Brasil morreram 160 pessoas em motim de policiais que continuam agindo à margem da Lei; bem como morrem milhares de pessoas todos os anos vítimas de acidentes e crimes, bem como vírus e bactérias perfeitamente curáveis e evitáveis.

A grande diferença do novo Vírus é que ele é um caroneiro infernal que ninguém consegue eliminá-lo e que adora a mobilidade  a duras penas conseguidas por nós humanos. E por ação da sede inesgotável de notícias ruins que circulam livre e rapidamente  pelo espaço no mundo digital, nós mesmos transformamo-nos em semi-analfabetos, lunáticos caroneiros desse sistema, elegendo o frágil vírus CORONA  como o maior inimigo da humanidade. Para conforto dos jovens e crianças contagiadas, até agora a probabilidade de morte é baixíssima. Somos nós, os idosos, os mais vulneráveis; normalmente aposentados com tempo de se resguardar e evitar doidices.    

                                                                   FIM


Wednesday, October 30, 2019

CUSTO DE ACIDENTE RODOVIÁRIO

                               Custo de Acidente Rodoviário
                                                                                                    E. J. Daros
É possível se calcular o custo de um acidente rodoviário? É óbvio que sim! Ao contrário de produtos e serviços produzidos no mercado desejados e comprados pela sua utilidade, o custo do acidente é execrado por todos nós por se tratar de prejuízo, muitas vezes acima da possibilidade de ser pago pelos responsáveis por sua ocorrência. Se houver feridos e mortos, ou mesmo prejuízos materiais elevados, a proporção dos custos pagos pelos envolvidos é irrisória. Parte significativa da conta é nossa; paga indiretamente por meio de impostos e, também, quando transitamos em demorados congestionamentos e longos desvios causados pelo acidente. Em outras palavras, grande parte, ou até mesmo a totalidade dos custos dos serviços públicos prestados em decorrência do acidente com ambulâncias, hospitais, policiais, controles de trânsito, delegacias e registros de ocorrências, limpezas e reparos na infraestrutura viária, e até mesmo o envolvimento dos acidentados na dispendiosa justiça brasileira, é o governo que paga. É mais do que hora de calcular o custo de acidente rodoviário e cobrar de quem deve pagá-lo. Garanto que o número de acidentes rodoviários vai diminuir, inclusive com a melhoria das pistas e da sinalização de responsabilidade do próprio governo ou de empresa concessionária. Dinheiro público para cobrir custos de acidentes rodoviários ao invés de financiar educação fundamental gratuita de comprovada qualidade para nossa população pobre é injustiça social e traição às leis de mercado livre.
PS Esta opinião foi encaminhada ao Estadão. Provavelmente, não foi publicada, Nós continuamos a trilhar o caminho de não apropriar os custos privados de transporte rodoviário envolvidos no trânsito de veículos motorizados nas vias públicas urbanas e interurbanas. Nada justifica os elevados custos de construção, manutenção, recuperação, operação e fiscalização de vias públicas no meio urbano e interurbano. Muito menos, manter o pagamento de taxas e impostos que não levem em conta o peso, o volume e as distâncias percorridas por diferentes tipos de veículos.

Sunday, June 16, 2019

Apelo a Moro

Prezado Leitor,
ofereço-lhes em primeira mão texto que enviei ao Estadão. Caso concorde com o que proponho, distribua aos que possam ter preocupação com a descontinuidade do combate da corrupção que deverá ocorrer caso o Juiz Moro insista em permanecer no Governo Bolsonaro. Uma das saídas a ter de voltar para casa sem emprego e coberto de ameaças e injúrias a sua pessoa, seria liderar uma Fundação contra a corrupção. Agradeço sua ajuda, distribuindo esta proposta a pessoas interessadas nesse assunto. Eduardo. 


Elio Gaspari em seu artigo de hoje tem razão. Hanna Arendt capta a essência da encruzilhada maldita em que se encontram os políticos corruptos de nosso País. Estão no limite de serem consumidos pelo fogo do inferno que os destruirá em seu papel de enganadores autoenganados que afirmam continuamente: "somos inocentes e cumprimos todas as leis", sempre que sofrem alguma denúncia. Acreditam, piamente, que nós eleitores acreditamos nessa mentira. Saia desse meio Moro, e já! Fale do coração com aqueles que o admiram até hoje. Seja juiz de si próprio e fuja dessa armadilha política que o está maculando com negações suas de eventuais desvios de condutas de juiz que foi. Saia da arena imunda e mal cheirosa em que os políticos mais puros se debatem para dela saírem incólumes. Peça para deixar o Governo Bolsonaro que o obrigou ao ridículo de comparecer com ele a um estádio de futebol e vestir publicamente camisa de torcedor de futebol ao estilo de político que não é, tornando-se escravo de seu governo. Estou disposto a doar R$ 1.000,00 à Fundação Anticorrupção do Brasil – FAB- a ser criada por nós onde possa, livremente, falar, ajudar, educar e tudo mais necessário ao brasileiro para agir com ética e competência em sua profissão, especialmente aos advogados e políticos.  A imprevidência gerou a presente crise na Previdência Social. Mas somente a ética poderá eliminar novas crises em outros setores. Renuncie já, Moro, e nos ajude. Saia da armadilha dos inescrupulosos que ainda vivem vinte quatro horas por dia numa arena em que a flor da ética não sobrevive. Ao permanecer no governo, espere o pior para si e para nós brasileiros; tristemente, encalhados na lama!"

                                   FIM                                               

Tuesday, June 11, 2019

Como Carregar Seu Bebê na Rua

Caro e raro leitor de meu Blog. 
trarei - se tiver tempo, obviamente - assuntos do dia a dia para seu conhecimento e, se for o caso, discuti-los no âmbito familiar e em roda de seus amigos sem sobrecarregá-los com leituras de mensagens e fotos que entopem nossas redes sociais. Emiti opinião de leigo sobre acidentes e riscos de mães de bebês que os carregam presos ao seu corpo na frente. Fiquei preocupado, em sendo idoso e respeitado, que estivesse errado em recomendar-lhe carregar seu bebê preso em suas costas. Obviamente, disse-lhe que era mera opinião baseada na experiência do dia-a-dia de que o pedestre cai para frente. Contudo, que seguisse a prática em que ela acredita, buscando, porém, mais informações sobre o assunto. Abaixo, indagação minha feita a recomendações do BLOG https://www.carrego-no-pano.com/contato/

Prezada senhora, 
Na qualidade de Presidente e  Fundador da Associação Brasileira de Pedestres-ABRASPE  recomendei, ontem,  a mãe que carregava bebê na frente que utilizasse o estilo oriental e africano de carregá-lo atrás, pois nossas calçadas e caminhos exigem contínua atenção para não cairmos ou tropeçarmos, produzindo movimentos bruscos e apoio dos braços em paredes, ou até mesmo no chão, para protegermos nosso corpo e especialmente a cabeça. Não dispomos ainda de estatísticas de como esses aparentemente pequenos acidentes possam afetar os bebês. Vi uma foto em seu BLOG de mãe segurando o bebê de lado o que lhe deixa um braço livre e o outro abraçando o assento, aumentando a segurança do bebê. Faço-lhe uma pergunta, porém:-  por que não se usar o carrinho de bebê e somente utilizar essas variadas formas de carregá-lo junto ao corpo da mãe em casos muito especiais, num país em que nosso espaço público está cheio de obstáculos e surpresas em que ambos podem ser feridos. Lembremo-nos que pernas e braços livres e olhos ágeis e atentos já não são suficientes para nos proteger de acidentes em nosso País!.  Atenciosamente, E. J. Daros 

Friday, May 10, 2019

Feminista ou Antifeminista


Prezado leitor, 
em assuntos culturais, envolvendo hábitos e comportamento entremeados com ciências humanas e biológicas, torna-se recomendável dar-se tempo ao tempo, para se evitarem retrocessos ou radicalismos que levem a conflitos perfeitamente evitáveis. A questão do relacionamento entre homens e mulheres vem se alterando rapidamente na direção certa de libertar a mulher de preconceitos e sofrimentos decorrentes de comportamentos e hábitos herdados do passado. Contudo, o exagero em relação a desconsideração de diferenças entre sexos, tornando-as simplesmente uma livre escolha do indivíduo tem-nos levado a situações e experiências desregradas e perigosas ainda que possíveis. Li a entrevista abaixo. Gostei muito do texto - obviamente porque traduz minha posição a respeito do assunto. Daí, tê-la colocado em meu BLOG. No final constam cinco esclarecimentos, e somente uma opinião contrária sobre os objetivos das empresas.  

ENTREVISTA COM CAMILLE PAGLIA

Camille Paglia, a mais antifeminista entre as feministas, aposta na revalorização do lado maternal da mulher como chave para um reencontro afetivo entre os sexos.Para a ensaísta, enquanto a mulher de qualidade maternal exerce poder sobre os homens ao ter "pena de suas fraquezas", a mulher de perfil profissional exige deles, em casa, a perfeição do mundo dos escritórios.Em entrevista à Folha, Paglia se declara transexual, critica a produção da arte contemporânea e diz que Madonna deve parar de competir com as mulheres mais jovens. Leia abaixo a entrevista na íntegra.

Folha - Você é feminista ou antifeminista?

Camille Paglia - 

Eu certamente sou uma feminista. 100%. Os motivos pelos quais eu discordo de boa parte das feministas de hoje é que minha militância começou no início dos anos 60, antes da reviravolta que o movimento teve no final daquela década.

Eu dei uma aula na semana passada na qual eu falava sobre o filme "Núpcias de Escândalo", com Katharine Hepburn. A mãe da atriz era uma das líderes da campanha pelo sufrágio das mulheres, e a própria atriz, antes da Segunda Guerra Mundial, estava participando das manifestações de sufragistas. Eu estava obcecada também por Amelia Earhart, pioneira da aviação e uma dessas mulheres emancipadas dos anos 20 e 30.Eu admiro demais essa geração de mulheres. Porque elas não atacavam os homens, não insultavam os homens e não apontavam os homens como fonte de todos os problemas das mulheres. O que elas pediam era igualdade de condições no âmbito da carreira e da política e queriam demonstrar que podiam obter as mesmas conquistas dos homens. Era como dizer: somos como os homens, admiramos os homens, amamos os homens.Hoje em dia, as feministas culpam os homens por tudo! Elas exigem que os homens mudem, querem que eles pensem e ajam como mulheres, almejam que o protagonismo dos homens seja reduzido. Esse é o terrível problema do feminismo contemporâneo, porque, em última instância, isso está fazendo as mulheres retrocederem e as está enfraquecendo.As mulheres de hoje não são tão fortes como as grandes mulheres dos anos 20 e 30. Então as pessoas me chamam de antifeminista. Mas não: eu sou contrária à ideologia feminista do presente, que é doente, indiscriminada e neurótica. E, mais do que tudo, não permite à mulher ser feliz.As mulheres precisam se responsabilizar por suas vidas e parar de culpar os homens por seus problemas, que têm mais a ver com questões e estruturas sociais, e não são fruto de uma conspiração masculina.

Se os homens se parecessem mais com as mulheres, como você diz desejarem as feministas de hoje, o que aconteceria?

As mulheres querem que os homens se comuniquem como elas. Mas, em toda a história da humanidade, as mulheres viveram entre si e os homens viveram entre si. Eram dois mundos separados. A mulheres cuidavam das crianças, da casa, da alimentação, e os homens caçavam e faziam o trabalho pesado. Sei disso porque todos os meus quatro avós eram agricultores italianos, e meus pais nasceram neste ambiente. Sou a primeira geração que cresceu fora dessa estrutura.O problema hoje é que as mulheres, educadas e ambiciosas, querem entrar no novo mundo burguês do trabalho em escritórios, que são parte do legado da Revolução Industrial. Então temos um novo mundo em que homens e mulheres trabalham lado a lado nos escritórios, em que a divisão do trabalho entre homens e mulheres não existe. Portanto, ambos têm de mudar suas personalidades para se encaixar nessa realidade porque ambos são uma unidade de trabalho, são a mesma coisa.É muito frustrante para os dois porque, neste ambiente neutro, em que as mulheres ganharam muito poder, a sexualidade do homem ficou neutralizada. E essas mulheres querem se casar com um homem com quem seja fácil se comunicar. E fora do ambiente de trabalho, qualquer homem que se comporte como homem provoca reações negativas.Eu vejo grande infelicidade entre mulheres profissionais porque elas querem que suas vidas amorosas tenham a comunicação maravilhosa que elas têm com outras mulheres. A mulher profissional casa com o homem profissional e espera que, ao chegar em casa de noite, ele se comunique com ela como suas amigas ou seus amigos gays. E os homens heterossexuais jamais serão capazes na arte da análise emocional. Não dá para cobrar perfeição dos homens, como se estivéssemos no escritório.Homem e mulher têm de convergir numa unidade de trabalho. Há uma terrível desconexão para as mulheres entre suas vidas profissionais e amorosas. Para os homens não é tão difícil porque eles encontram sexo mais facilmente. Eles não precisam casar com uma mulher para fazer sexo com ela. Para mulheres, é um período terrível de infelicidade, porque elas têm muita dificuldade em ajustar a mulher do trabalho, que tem poder e conquistas, com a mulher emocional, uma arena na qual as habilidades exercidas no escritório não funcionam.Para os homens é frustrante porque, se o trabalho que eles fazem pode também ser feito por uma mulher, no que consiste sua masculinidade, afinal? Se antes o homem tinha o trabalho pesado, braçal, hoje, eles estão se perguntando quem são.Como essa crise masculina se manifesta?Tenho me preocupado muito com a epidemia do jihadismo (1) no mundo, que é um chamado da masculinidade e está atraindo jovens homens do mundo inteiro. É uma ideia de que ali, finalmente, homens podem ser homens e ter aventuras como homens costumavam ter.A ideologia do jihad emerge numa era de vácuo da masculinidade, graças ao sucesso do mundo das carreiras. O Estado Islâmico, por exemplo, usa vídeos para projetar esse romance, esse sonho de que os jovens podem abandonar suas casas, integrar a irmandade e se lançar numa aventura masculina por meses, na qual correm risco de morte. Antes, havia muitas oportunidades de aventuras para homens jovens. Hoje, suas vidas são como as de prisioneiros: presos nos escritórios, sem oportunidade para ação física e aventura.O sistema de carreiras ocidental se tornou tão elaborado e aprisionado, que está produzindo, como no Império Romano, bandos de vândalos. É difícil para a classe média entender o fascínio do risco e da morte, de fazer parte de uma irmandade.Eu estou muito preocupada politicamente com a forma como as elites não sabem responder a esse movimento. E parte disso é uma revolta dos homens e uma busca dos homens por sentido para eles enquanto homens. O mundo ocidental se tornou tão materialista, e todos estão pensando no próximo apartamento, próximo carro ou próximo emprego, que somos lentos para entender e responder a esse tipo de fenômeno.

Como reverter o desencontro entre homens e mulheres hoje?

O feminismo cometeu um grande erro ao difamar a maternidade. Quando a segunda onda do feminismo começou no final dos anos 60 e início dos anos 70 e foi piorada pelas ideias de Gloria Steinem, que pregou a desvalorização da mulher como esposa e mãe, e a valorização da mulher profissional como aquela que é realmente livre e admirável.Betty Friedan (1921-2006), que eu admiro, começou a segunda onda do feminismo ao co-fundar a Organização Nacional para as Mulheres, em 1967. Ela era casada e tinha filhos, e queria que o feminismo fosse uma grande tenda que incluísse e acolhesse a todos. Mas Gloria Steinem era parte de um grupo que só se casou no final da vida e não teve filhos, e havia um tom de insulto ao tratar da maternidade.Minha análise das relações sexuais, no livro "Personas Sexuais", é que a imagem da mãe é extremamente poderosa e que é o motivo pelo qual conexões entre os sexos é instável. Toda pessoa emerge do corpo feminino, do útero, e o feminismo cometeu um erro ao tentar apagar a importância disso, tornando o nascimento um processo mecânico. A imagem mitológica da mãe é muito poderosa para os homens no nível psicológico. Todo menino precisa se livrar da sua mãe. E todo heterossexual que penetra uma mulher retorna ao útero.Há uma ansiedade e um perigo no ato sexual entre homem e mulher. O homem se sente em risco ao colocar seu pênis no que considera uma potencial armadilha. Por isso há e sempre haverá uma ambivalência na relação sexual entre homens e mulheres. Ele deseja a mulher, ele quer ser nutrido por ela, e quer se livrar dela ao mesmo tempo porque tem receio de ser preso novamente no útero.Muitos dos comportamentos machistas, arrogantes e estúpidos, são formas tortas de o homem dizer que não está sob o poder da mulher, que não é mais um bebê. São parte do medo do poder da mulher, do útero e da criação. Qualquer pessoa que tentar racionalizar isso, não irá pelo caminho certo.

E é isso o que o feminismo está fazendo, na sua opinião?

Sim. O feminismo é muito racionalista. Está tentando consertar a mecanismos sociais, consertar a sociedade, passando leis contra a discriminação e a favor de cotas para as mulheres. Eu concordo que precisamos de igualdade de condições, mas isso não vai resolver os problemas entre os sexos porque o que existe aí é uma consequência direta da biologia, que não tem sido considerada.Há todas essas pessoas com ideias estúpidas, que derivam de Michel Foucault (1926-1984), negando a existência dos gêneros. Dizem que o gênero é algo imposto pela sociedade, que não há base biológica para a ideia de gênero. Essas pessoas estão malucas? Elas não sabem que toda e qualquer pessoa que está na face da Terra nasceu do corpo feminino?As mulheres têm um poder tremendo sobre os homens. Se as feministas não querem esse poder, e querem apenas ser iguais aos homens, ok. O que eu vejo como observadora e como professora é que os homens são muito frágeis psicologicamente em relação às mulheres. E quando as mulheres renunciam ao poder da maternidade, como aconteceu na segunda onda do feminismo, elas perderam uma parte enorme de seu poder sobre os homens.As mulheres que entenderam seu poder sobre os homens são mais felizes. As mulheres que pedem que os homens mudem e se aproximem delas são mais nervosas, são brutais. Elas não têm confiança no seu poder como mulheres.As mulheres que têm sucesso com os homens são aquelas que mantém uma certa qualidade maternal e entendem as fraquezas dos homens. E têm pena deles por isso. Elas tratam homens com humor e conseguem entender as necessidades dos homens e nutri-los de certa forma.

De que maneira o adiamento da maternidade das últimas gerações de mulheres é produto desse tipo de pensamento da segunda onda do feminismo?

Gloria Steinem é responsável por isso. Ela e seus problemas psicológicos. Ela teve uma infância terrível. Seu pai era negligente, abandonou a mãe, a mãe teve problemas psiquiátricos.Steinem, então, mantinha aquele sorriso como se tivesse a resposta para tudo. E ela dizia: a mulher pode ter tudo. E dizia também: uma mulher precisa de um homem tanto quando um peixe de uma bicicleta. Mas em todas as festas que ela frequentava em Nova York ela tinha um homem nos braços.Ela pregava que a mulher cuidasse de sua carreira e deixasse a maternidade para mais tarde. Só a completa ignorância da biologia permitiu isso, porque sabemos que a fertilidade feminina é maior quanto mais nova ela é, e que a gravidez é mais segura antes dos 35 anos. E há gerações inteiras de mulheres que foram convencidas de mentiras. O que eu digo é que a verdade sobre a biologia precisa ser dita para as meninas cedo.

A mulher tem de escolher entre carreira e maternidade?

Sem dúvida. O mecanismo da educação-treinamento será sacrificado de alguma maneira para as mulheres que escolherem ter filhos. Elas provavelmente podem alcançar sucesso profissional mais tarde, mas tem um grande valor em ter filhos mais cedo.Por exemplo, eu nasci quando meus pais tinham 21 anos. Não tínhamos grana, mas eles tinham muita energia e eram otimistas. Catorze anos depois, minha irmã nasceu, e meus pais estavam com 35 anos, eles tinham uma casa e uma vida estável, com emprego e tudo mais. Os pais que eu tive foram completamente diferentes dos pais que minha irmã teve. Então minha irmã é muito diferente de mim. Ela tem modos (risos).(2)Então, mulheres que acham que vão ter filhos aos 45 anos terão energia para correr atrás de uma criança como os pais de 20 e tantos anos. Educação tem que se adaptar a essa realidade da biologia.As universidades têm que ser mais flexíveis na oferta de cursos para mulheres e de berçários nos campi para que elas deixassem seus filhos por algum tempo. Deveria ser possível para uma mulher jovem decidir ter filhos cedo e continuar a estudar meio período ou fazendo uma disciplina por vez, levando mais tempo para se formar.As universidades se beneficiariam muito pela presença de estudantes casados e com filhos. Muitas das besteiras que são ditas sobre gênero seriam melhor debatidas se houvessem jovens pais nas salas de aula.Como essa flexibilidade para jovens mães poderia ser aplicada ao mundo do trabalho?As empresas não existem para serem agentes de mudanças sociais. Elas existem para obter lucro.(3) Aquelas criadas por investidores progressistas, como muitas firmas na Califórnia, disponibilizam berçários, mas é tudo muito caro. E mais: certos benefícios fazem com que funcionários que não têm filhos reclamem.Então, isso precisa ser visto com cuidado porque precisa haver igualdade entre os profissionais. A verdade é que maternidade é uma escolha e você precisa aceitar que isso implica numa certa troca.Há muitas dificuldades na carreira no início, mas não depois. Minha geração de mulheres, cuja maioria focava na carreira e nos salários, está quase se aposentando. De repente, a realidade vai bater: no momento em que deixarem seus empregos, elas não terão nada e serão rapidamente esquecidas. Poderão ter uma aposentadoria financeiramente confortável, mas é só. Enquanto as classes mais populares terão as crianças já crescidas e os netos e os bisnetos. E isso traz um novo sentido à vida.Precisamos de um discurso melhor sobre o sentido da vida, que não é apenas algo materialista.

Você adotou um menino. Como se vê enquanto mãe?.

Sempre deixei claro que eu sou sua “parente”, mas não sua mãe. Ele tem uma única mãe, que é sua mãe biológica, que é minha ex-companheira, que vive aqui perto e nós temos uma ótima relação centrada na criação dele. Eu estava lá no consultório médico quando ele foi concebido, no hospital quando ele nasceu, tenho sido parte da sua vida desde sempre.Todas as minhas observações sobre meninos e homens têm sido confirmadas na experiência de ter um filho e de ter adentrado o mundo das mães. E vi com meus próprios olhos que as mulheres comandam a vida das crianças, da casa e do mundo emocional da família. E o marido, que antes era o número um, passa a ser mais um no sistema da mulher. A mulher cria toda a rotina e o homem executa o que ela diz.

Na contramão do discurso que nega os gêneros, há o debate sobre os transgêneros. De que maneira o feminismo pode incluir essas pessoas?

Vou dizer algo controverso, mas real: eu me identifico como transgênero. Quando era mais nova, esse termo não existia. Mas estava muito claro que eu era muito inibida em relação ao meu gênero biológico desde sempre. Eu demonstrava isso, ainda criança, no Halloween. Eu sempre escolhia um personagem masculino. Fui um soldado romano, fui Napoleão, fui Hamlet... E nenhuma menina se fantasiava assim. Eu me sentia alienada em ser uma menina.Eu estou muito preocupada com essa tendência cirúrgica para mudança do corpo. Isso está por toda parte nos EUA. Dizem que a criança nasceu no corpo errado e já começam com hormônios até chegar à intervenção cirúrgica. Se essa ideia estivesse no ar quando eu era jovem, eu teria me tornado obcecada com isso. Eu teria sido convencida de que essa seria a resposta para todos os meus problemas com a sociedade contemporânea e sua rigidez sexual. E eu teria cometido um engano terrível.

Por quê?

Transformar o corpo cirurgicamente é uma ilusão. Há um número muito pequeno de pessoas realmente intersexuais. É uma anormalidade congênita. A maioria dos casos não é assim. Intervir no corpo, removendo o pênis ou os seios, é uma ilusão porque todas as células do seu corpo permanecem sendo o que elas sempre foram. Simplesmente não é verdade que você mudou de gênero.Eu acredito que é preciso respeitar o desejo das pessoas de transformar seus corpos, seja por motivos cosméticos, médicos ou de gênero. Cada um tem poder sobre o próprio corpo e eu sou uma libertária neste sentido. Por outro lado, ninguém vai me convencer de que a Chaz Bono, a filha transgênero da atriz Cher (4), é um homem. Ele precisa tomar uma injeção de hormônios todos os dias para ser o que é, um transgênero, nunca um homem. Cada célula daquele corpo é uma célula feminina.As pessoas que olham para esse debate e pensam que estamos caminhando para um futuro progressista estão enganadas. Nós vivemos em um período em que os gêneros são fluidos e ninguém se identifica com os papeis de cada um dos gêneros no passado. Mas a ideia de que isso é um sintoma de saúde social está errada. É o caos.Estamos numa fase tardia da cultura, como ocorreu com outras civilizações, em que as definições dos sexos começam a se borrar e a se dissolver e surgem todos os tipos de androginia e de brincadeiras com trocas de papéis entre feminino e masculino. Eu adoro tudo isso, mas acho que não pode ser confundido com um sintoma de saúde e de progresso. Sinto muito. É um sintoma de declínio histórico da nossa cultura. E deveríamos nos preocupar porque isso indica ansiedade e algo errado.Eu não noto, a propósito, nenhum avanço no campo das artes. Ninguém está em um período especialmente fértil. Pelo contrário, todos estão obcecados consigo próprios. O ego se tornou um trabalho artístico. As pessoas têm dez conceitos diferentes sobre o que elas são. Acho que a obsessão com gênero e com orientação sexual se tornou uma doença.Eu sou ateia, mas acredito no poder da religião e de sua visão do universo. Vivemos essa transição da perspectiva religiosa para essa horrível perspectiva centrada no indivíduo, com o apoio da mídia. Isso não são os anos 60, quando se pregou o poder do indivíduo contra a autoridade, mas a destruição dessa ideia cósmica do lugar de cada um no universo. E isso tudo convergiu para a obsessão por gênero e orientação sexual. Isso virou uma loucura. É o novo narcisismo.


Há formas menos obsessivas de olhar para essas questões?

Eu apoio a união civil, mas nunca apoiei o casamento gay, por exemplo. Não acho que o governo deve se envolver em casamento, um termo circunscrito à Igreja. Perante a lei, deve haver igualdade de gêneros e orientações sexuais. Mas deve haver mais respeito por religião. Se você quer se casar, vá a uma igreja que aceite casá-lo. Mas a insistência de que o governo deve intervir neste sentido é muito juvenil.As pessoas têm de assumir responsabilidade por sua identidade e estar preparadas para desaprovação e rejeição. Os liberais ofereceram a arte como substituto para religião, mas não vejo nenhuma criatividade relevante, mas um mundo de trivialidades. As pessoas hoje estão neste sonho, alucinando ao pensar que o mundo ocidental é eterno. Todos os grandes impérios caíram. Não somos diferentes.

Qual é a consequência do narcisismo nas artes?

Não vejo nada tão profundo sendo produzido hoje se compararmos àquilo produzido em culturas mais repressivas. Tennessee Williams, que eu admiro muito, era um artista gay quando isso não era fashion, e produziu trabalhos incríveis como "Um Bonde Chamado Desejo" e "Gata em Teto de Zinco Quente". Quem é o grande escritor gay neste mundo tão permissivo? Parece que a repressão é um estímulo para a arte (risos).

O que você acha dos protestos topless, como a Marcha das Vadias e as ações do grupo Femen (5)?

Eu adoro qualquer performance de rua, qualquer provocação pública, sejam manifestações ou brincadeiras. Adoro a ideia de pequenos grupos desafiando os poderes constituídos. Sempre participei de muitas delas até que fui disciplinada na universidade porque me colocaram em condicional por um semestre de tanto que eu aprontava.No entanto, essas meninas são totalmente incoerentes ideologicamente. Femen não faz o menor sentido, é algo fabricado que não tem nenhum sentido político. Uma mulher bonita, com belos seios e palavras desenhadas pelo corpo deveria estar apoiando a indústria do sexo, a prostituição e a pornografia, e não protestando contra a indústria do sexo. É ridículo e demonstra o nível de insanidade do feminismo radical atual.Como você vai expor seu corpo para protestar contra a indústria do sexo se o que você está fazendo é gerar excitação sexual? É maluco. Eu mostrei para meus alunos o vídeo em que uma maluca do Femen agarrou o menino Jesus no presépio do Vaticano e a polícia a agarrou e ela ficou gritando (risos). Achei tudo muito divertido, mas fiquei com pena dos fiéis que estavam lá porque aquilo é profanação para eles.A Marcha das Vadias é outra incoerência das meninas burguesas e universitárias de hoje. Fui uma das feministas que levantou a bandeira pró-sexo nos anos 90, mas essas manifestações estão equivocadas. Madonna expunha seu corpo ao mesmo tempo em que assumia a responsabilidade de se defender. Você tem o direito de se vestir como Madonna nas ruas às 3h da manhã e faz parte do comportamento da mulher liberada fazer isso. Só que essa mulher tem que saber se defender.Se você vai provocar e usar roupas para demonstrar que está disponível sexualmente, porque é isso o que você está fazendo. Está dizendo: sou uma mulher que gosta de sexo e estou pronta para receber ofertas. Mesmo que as mulheres demandem o controle masculino, sempre vai haver um psicótico ou um criminoso que será impossível controlar. Não dá pra pedir para a sociedade a proteger o tempo todo. Se você é uma mulher livre, você tem que aceitar que, toda vez que se vestir de modo convidativo, está enviando uma mensagem e tem de se defender se for necessário.E é claro que ninguém tem o direito de fazer nada com você, mas só uma idiota acha que vai para as ruas de vestimentas provocativas sem correr o risco de ser atacada, culpando o Estado por isso.Uma pesquisa no Brasil apontou que 25% dos brasileiros concordam que uma mulher vestida de forma provocativa merecia ser atacada.Ninguém merece ser atacada. Isso está totalmente errado. Ninguém tem o direito de colocar as mãos no seu corpo sem permissão. O que essas pessoas devem estar dizendo é que a vestimenta comunica uma mensagem e indica um nível de disponibilidade sexual.Eu também acredito que roupas comunicam algo sobre você naquele momento. Roupas são uma linguagem. As mulheres não entendem como os homens as enxergam com determinadas roupas. Elas acham que estão se vestindo para elas mesmas, mas precisam saber que há um perigo em se vestir de certas formas.Eu adoro exibição sexual, mas precisam saber que estão comunicando para uma certa audiência. E não necessariamente se pode culpar os homens por entenderem uma mensagem que, talvez inconscientemente, as mulheres estão enviando. Por isso chamo o meu feminismo de safo ("street smart").

Por que você foi tão crítica ao ensaio fotográfico recente em que Madonna aparece com os seios à mostra?

Madonna é uma das figuras mais importantes da cultura pop e da cultura contemporânea. Ela mudou o mundo com sua atitude. Até hoje seus vídeos antigos são grandes obras de arte. Ela tornou possível para as mulheres assumirem o comando de suas sexualidades. Ela nunca foi uma vítima. Ela sempre controlou a transação entre homem e mulher. Ela era extremamente sexy, mas estava no controle da situação.Mas acho que esse ensaio ficou feio, acho que ela está se repetindo. Nós já vimos seu corpo no auge da forma e era magnífico. O que ela está fazendo agora? Por que expor o corpo na sua idade em fotografias horrorosas? Sinto muito, mas foi uma desgraça artística. Madonna não deveria estar competindo com mulheres jovens, cujos corpos são belos. Marlene Dietrich, que é um modelo para Madonna, nunca fez isso.

Você acha que mulheres mais maduras não devem mostrar o corpo?

Se você o mostra de um modo belo e sexy, ok. Mas aquelas fotos da Madonna eram revoltantes. Era embaraçoso. Hediondo. Ela parecia uma prostituta decadente que não sabe que está na sarjeta.Madonna é uma estrela global e não deveria se expor assim. Se você quer seduzir, há outras formas de transmitir isso. Jeanne Moreau é sexy na idade dela sem mostrar nada, e Catherine Deneuve, apesar de ter ganhado peso, continua sexy. Não é digno de uma mulher de tantas conquistas se mostrar assim.As mulheres têm que superar o envelhecimento. Não dá para dizer que o corpo de uma mulher de idade é tão bonito como o de uma jovem mulher. Não é! Os hormônios não permitem, a pele fica fina, desidratada, etc. Temos de parar de tentar glamurizar a beleza da mulher madura.
O que precisamos é deixar as mulheres jovens dominarem o mundo da beleza e buscar novos papéis para as mulheres mais velhas. Aquelas que são mães ganham poder à medida que a idade avança e encontram novas colocações para si. Precisamos aprender a mudar para o próximo estágio da vida. O que precisamos é criar uma persona para as mulheres na cultura de hoje, e isso tem a ver com desapegar de algo. Senão, elas só têm a perder. Como não há como congelar o processo de envelhecimento, quanto mais as mulheres lutarem contra ele, mais infelizes serão.                                                                                                   Fonte: Folha de São Paulo                              
                                                                                                           

(2) modos – trata-se de um termo que ouvia muito quando criança. “Você não tem modos” quando senta, come, diz palavrões, etc.... , ou seja, você não é um ser “bem comportado”.
(3) Lucro- Conceito ignorante do que seja o objetivo de uma empresa. Comparando se diria que o único objetivo do ser humano é respirar. É óbvio que se trata da vida. E a vida da empresa termina quando ela tem prejuízos. Claro que o ser humano morre em alguns segundos. E a empresa demora mais. Mas a empresa, como o homem, buscam sobreviver o máximo de tempo que puderem: aquela, buscando lucro incessantemente; e este, o oxigênio que o mantém vivo. Ambos porém tem outros objetivos na vida. A diferença é que o oxigênio ainda é abundante e o lucro faz parte da organização correta da empresa mercadologicamente e administrativamente no mercado.

Saturday, December 22, 2018

A Liminar de Marco Aurélio

Caros amigos:
Tenho o máximo cuidado de selecionar articulistas da Folha de São Paulo e de outros veículos responsáveis, competentes e equilibrados emocionalmente para confrontar meu pensamento e opinião sobre fatos relevantes  para evitar cair na "malha grossa" das redes sociais por onde circulam mentiras, distorções da realidade e tudo mais que se possa imaginar. Acabo de receber a gravação de um rapaz irresponsável convocando a população em nome de seu partido MBL para ir às ruas contra o "GOLPE DOS CARAS (SIC) DO STF" contra o Brasil. Senti-me na obrigação de divulgar a opinião de Hélio Schwartsman, que coincide com a minha, publicada na Folha de SP de ontem. Ela merece ser conhecida.

"A liminar de Marco Aurélio por Hélio Schwartsman 

O que motivou ministro foi mais a vontade de aparecer do que a de alterar situação jurídica


É mais a psicologia do que as ciências jurídicas que explica a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, de suspender a prisão de condenados em segunda instância.
O mais contramajoritário dos magistrados aproveitou a chegada do recesso para dar um caráter ainda mais bombástico à sua liminar, ignorando que já havia sido marcada uma data para o julgamento da questão pelo plenário e desafiando a decisão colegiada sobre a matéria que está em vigor, apesar de não ser definitiva.
De resto, Marco Aurélio tem suficientes anos de casa para desconfiar que sua liminar seria cassada pela presidência do STF, como de fato aconteceu, de onde se conclui que foi mais a vontade de aparecer do que a de alterar a situação jurídica de milhares de presos que o motivou. Marco Aurélio é reincidente nesse tipo de espetáculo, mas não é o único magistrado a estrelar solos na corte.
No que diz respeito ao mérito da prisão em segunda instância, há bons argumentos jurídicos tanto para defendê-la como para exigir que o encarceramento só ocorra após o trânsito em julgado. Tudo depende da perspectiva filosófica que se adota em relação ao direito.
Os mais principistas tendem a abraçar a tese de Marco Aurélio. A presunção de inocência é uma garantia fundamental, devendo, portanto, ser preservada em grau máximo. Já aqueles com pendores consequencialistas, grupo no qual me incluo, buscam, tanto quanto possível, compatibilizar o respeito a princípios com os resultados práticos das interpretações que se dão à Carta e às leis.
Eu não teria muito a objetar na leitura mais garantista, se nossas cortes fossem capazes de produzir sentenças definitivas em prazos de, digamos, dois ou três anos. Como muitas vezes levam mais de uma década, insistir no trânsito em julgado acaba se tornando um estímulo aos recursos infinitos de olho na prescrição. A Justiça fica mais lenta e há mais impunidade." 
   Fonte: Texto publicado pela Folha de São Paulo  ( 21/12/2018)
                                                    FIM