Delúbio e o Dilúvio
Inicialmente, peço perdão ao Sr. Delúbio por associar o seu nome ao Dilúvio que está sendo gerado pela sua readmissão no PT. Todos sabem que ela se deve à gratidão pelo seu silêncio e lealdade ao partido e à Lula, fartamente demonstrados no processo do Mensalão. Ao falar em dilúvio, portanto, refiro-me à explicação “oficial” dada à população pelo Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, sobre sua readmissão. É arrasadora. É uma cabeça dágua rolando do morro como "tsumani" contra o Estado de Direito e a Constituição de nosso País que embasam nossas instituições democráticas. O título da reportagem do Estadão (3/5), “Se Delúbio voltar a errar será punido de novo, avisa ministro” é a síntese de que vivemos em dois Estados: o PT, que julgou e puniu Delúbio por ter exagerado no cumprimento de sua missão e recebe, como membro da família petista, a advertência de que se “errar” de novo será punido; e o Estado brasileiro, que ainda não o julgou e, obviamente, somente o punirá após esse julgamento. O Ministro Carvalho usurpou a função do chefe de fato do PT, Lula, ao explicar as razões da readmissão de Delúbio Soares e o fim, segundo ele, da exagerada pena que lhe foi imposta pelo partido. Ao fazer isso, ele simplesmente ignorou o STF, instituição do Estado brasileiro responsável pelo julgamento do processo do Mensalão em que Delúbio é um dos quarenta réus e demonstra publicamente qual o seu pensamento e do PT sobre o assunto; e ainda dá um recado da Presidência aos Ministros do STF na qualidade de Chefe da Secretaria Geral.
Friday, May 06, 2011
Monday, May 02, 2011
OXI-BINLADEN
As duas notícias vieram juntas no Estadão (2/5): a morte do promotor do terrorismo bombástico contra o poder dos Estados democráticos ricos da civilização ocidental, simbolizado pela destruição das torres gêmeas em Nova Iorque, Osama Bin Laden, e a entrada na cidade de São Paulo da droga alucinógena OXI cujo vício mata em um ano. Iniciamos este milênio com a força do que poderíamos chamar do complexo destruidor OXI-BINLADEN, ainda justapostos e atuando isoladamente. Os americanos, iludidos, comemoram o “fim do terrorismo” e os brasileiros, fantasiosos, acreditam que a pedrinha assassina de R$ 2,00 cada estará sob controle por meio de discursos e ações dos “meus governos”. O combate à droga terá de merecer uma abordagem sistêmica e imediata, com objetivos de curto, médio e longo prazo, em que traficantes e todos os que facilitam seu trabalho sejam encarados como inimigos número um da nação e de sua segurança. E os brasileiros viciados como vítimas a serem resgatadas da morte imediatamente por meio de métodos e instrumentos eficazes, ortodoxos ou não. Trata-se de um desafio amplo que envolve não só o combate da pobreza e da miséria material, mas também a moral e espiritual que estão intrincadas nos valores e no comportamento de nosso povo. Estas, isto é, as misérias moral e espiritual atingem quase todos nós, sendo exemplo notório disso, mas não exclusivo, grande parte dos membros da elite política que nos governa.
As duas notícias vieram juntas no Estadão (2/5): a morte do promotor do terrorismo bombástico contra o poder dos Estados democráticos ricos da civilização ocidental, simbolizado pela destruição das torres gêmeas em Nova Iorque, Osama Bin Laden, e a entrada na cidade de São Paulo da droga alucinógena OXI cujo vício mata em um ano. Iniciamos este milênio com a força do que poderíamos chamar do complexo destruidor OXI-BINLADEN, ainda justapostos e atuando isoladamente. Os americanos, iludidos, comemoram o “fim do terrorismo” e os brasileiros, fantasiosos, acreditam que a pedrinha assassina de R$ 2,00 cada estará sob controle por meio de discursos e ações dos “meus governos”. O combate à droga terá de merecer uma abordagem sistêmica e imediata, com objetivos de curto, médio e longo prazo, em que traficantes e todos os que facilitam seu trabalho sejam encarados como inimigos número um da nação e de sua segurança. E os brasileiros viciados como vítimas a serem resgatadas da morte imediatamente por meio de métodos e instrumentos eficazes, ortodoxos ou não. Trata-se de um desafio amplo que envolve não só o combate da pobreza e da miséria material, mas também a moral e espiritual que estão intrincadas nos valores e no comportamento de nosso povo. Estas, isto é, as misérias moral e espiritual atingem quase todos nós, sendo exemplo notório disso, mas não exclusivo, grande parte dos membros da elite política que nos governa.
Monday, April 18, 2011
TREM-BALA
Já divulguei neste BLOG duas cartas recomendando que o projeto de Trem-Bala fosse postergado. Ele surgiu no final da administração de Lula e foi incorporado ao discurso da candidata, hoje presidente, Dilma Rousseff. A data de licitação, inicialmente prevista para o final de 2.010, foi alterada várias vezes. Atualmente, prevê-se para julho deste ano. Ao contrário de outras vezes, que ninguém se manifestou a respeito de cartas minhas enviadas a seção de Cartas do Leitor do Estadão, desta feita recebi comentário e o respondi. Veio a tréplica e eu também respondi. Finalmente, meu interlocutor definiu sua posição em relação ao assunto e encerramos a discussão. Achei interessante que o material de nosso diálogo fosse incorporado a meu BLOG como exemplo de discussão civilizada que o sistema de internet permite que se faça de maneira eficiente e eficaz.
I- Carta em O Estadão de 7/4/2011 por daros@transporte.org.br
ROGAI POR NÓS
Li no Estadão de ontem duas notícias estupefacientes: o trem-bala vai sair do papel e absorver recursos, materiais e humanos, que poderiam ser empregados na ampliação e melhoria do transporte público; e a Linha Norte-Sul do metrô da cidade de São Paulo está saturada. O trem interurbano rápido será, antes de tudo, uma bala na cabeça dos que acreditam que esse projeto poderia ser postergado e na dos pobres inocentes que dependem e sofrem as consequências da falta de transporte público decente em nossas cidades. E são os que se dizem de esquerda e preocupados com a população pobre de nosso país os defensores dessa prioridade indefensável. Só nos resta pedir à Santa Maria que rogue por nós.
II- Em 8/4/2001, Marc escreveu:
Senhor Eduardo
A considerar-se assim, o governo federal tem que investir também nos vários metrôs das diversas capitais estaduais do país. E por que não nas marginais dos rios Tietê e Pinheiros? E porque não investir no re-asfaltamento das ruas da minha cidade.
As obras do Metrô são da responsabilidade dos governos estaduais, primeiramente. Por isso, eles é que devem explicações do porquê do fracasso de suas gestões no quesito infra-estrutura.
Marc
III- Em 8/4/2011 15:37, Eduardo Daros escreveu:
Meu caro Marc
como seu e-mail, ao contrário de muitos outros, é educado e tem argumentos sólidos, vou tentar responder a seu questionamento. E peço-lhe licença para usar sua pergunta e nossa resposta em meu BLOG, pois se trata de dúvida válida que deve ter acometido outros leitores.
Você deve ter notado em nossa carta que falamos em recursos e explicamos "humanos e materiais" para que não pairasse dúvida sobre o que estávamos falando. Como nas economias de mercado a mobilização de recursos reais - isto é, os verdadeiros recursos que constroem e operam nossas atividades - é feita por meio de dinheiro, chamado de recursos financeiros, muitas vezes perdemos a noção de realidade. Quando o país tem sua economia aquecida, como agora, os recursos reais - mão de obra qualificada, equipamentos e insumos (cimento, aço, madeira, alumínio, etc..) começam a escassear e seus preços sobem. A forma de desaquecê-la é reduzir o volume e a circulação de dinheiro, e títulos que servem como tal, disponíveis no mercado. Os juros sobem, os prazos de financiamento diminuem, e tudo mais que se tornou conhecido de todos durante a administração de Lula que conseguiu manter a inflação controlada por meio da política monetária mantida com mão de ferro e com grande credibilidade pelo presidente do Banco Central. A política fiscal, que é o outro instrumento importante no processo de evitar inflacão, sem prejudicar os investimentos privados e públicos necessários, é reduzir o nível de gastos públicos. Sobre isso pouco se falou e pouco se praticou de efetivo durante os oito anos de Lula. Até agora, falou-se, mas não se praticou, em redução dos gastos públicos federais. Todos reconhecem que nossa economia está crescendo e deve manter um ritmo adequado para garantir o melhor nível de emprego possível, sem ESTIMULAR O PROCESSO INFLACIONÁRIO QUE REAPARECE COMO UMA FEBREZINHA EM PACIENTE QUE SE CONSIDERAVA CURADO. Como explicar a pessoas como eu e você que num período em que deve haver estrito controle sobre investimentos e gastos públicos para não haver demanda de recursos humanos qualificados e materiais acima da possibilidade de oferta e, por isso, estimular a inflaçào, que ora se insinua, o Governo Federal decidiu iniciar o projeto de trem bala, cujos benefícios se concentram no transporte interurbano de passageiros? Pergunto-lhe se é realmente dificil viajar-se, hoje, entre o Rio e S. Paulo? Os que não têm necessidade de viajar a velocidades mais rápidas por terra dispõem de ônibus confortáveis, e se a viagem não é mais rápida e "macia" como deveria ser é porque não se consegue eliminar os congestionamentos no Rio e em São Paulo, de onde os ônibus partem e chegam. S. Paulo, por exemplo, que delegou a empresas privadas a cobrança de pedágios das rodovias para financiar a sua melhoria, dispõe de uma rede bem conservada e ônibus "macios" e muito confortáveis para viagens interurbanas de passageiros. O trem-bala traria como único benefício a reduçào de tempo na viagem entre Rio e S. Paulo POR TERRA, servindo somente aqueles que estivessem dispostos a pagar uns R$ 200,00 a mais pelo tempo poupado. Ora, nesse caso, o tempo e a tarifa de avião seriam altamente competitivos com o trem-bala se os aeroportos fossem mais bem aparelhados, reduzindo o tempo de embarque e desembarque ao mínimo possível e as tarifas entre Rio-S. Paulo não fossem utilizadas pelas empresas para cobrir deficits em linhas obrigatórias para o sistema de atendimento de voos em áreas com pouco passageiros que exigem o transporte aéreo. Em outras palavras, se pudessem ser mais competitivas no trecho considerado.
Concluindo, o trem-bala não é projeto prioritário, pois a demanda por transporte de passageiros entre Rio e S. Paulo está sendo plenamente atendida; e se a qualidade não é melhor, deve-se aos aeroportos e estações rodoviárias pessimamente estruturadas - concentração exagerada da rodoviária em determinado local, por exemplo, de péssima aparência e desconfortáveis; e os aeroportos sobrecarregados com filas de espera para embarcar e tempo no ar esperando para descer. E se deve, principalmente ao transporte público urbano de passageiros de baixa qualidade. O Governo Federal não precisa DOAR recursos aos Estados e Municípios. Ele simplesmente, poderia financiar os projetos por meio do BNDES estimulando os Estados e Municípios a investir mais e melhor na melhoria dos transportes públicos.
Grato esclarecido meu ponto de vista. Grato pela sua atenção.
Eduardo José Daros
IV- Em 16/4/2011 01:48, Marc escreveu:
Senhor Eduardo
Não entrarei no mérito de suas considerações, que são abrangentes. Várias corretas.
Aprendi em alguns cursos feitos (Adesg, por exemplo) que no Brasil tudo, por enquanto, é precário e prioritário. Há muitas causas: formação genética, culturais, sociais, políticas... Os sucessivos governos gastam mal aqui e ali. É de se reconhecer que há muitos acertos por parte deles. Temos acentuada carência de poupança interna. Que está melhorando bastante nos últimos tempos. O país começa a sair da mesmice. Com acertos e erros. Estamos abandonando a "teoria da dependência" da lavra de um dos maiores "intelectuais" e que ele tentou levar a cabo durante os seus governos?
Para encerrar, lanço questões para que possa meditar: porque os países mais desenvolvidos, que contam com excelentes estradas rodoviárias, bons aeroportos, veículos modernos, se utilizam de trens ultra-rápidos? Porque temos que ter esse complexo "vira-lata"?
Marc
V-Em 16/4/2011 20:03, Eduardo Daros escreveu:
Meu caro Marc,
li com atenção sua tréplica e me permito completar agora o raciocínio que iniciei em meu texto anterior, tentando esclarecer três questões básicas levantadas por você:
1. No Brasil tudo, por enquanto, é precário e prioritário; 2. Temos acentuada carência de poupança interna, que está melhorando bastante nos últimos tempos; e 3. Por que os países mais desenvolvidos, que contam .... se utilizam de trens ultra-rápidos? Porque temos que ter esse complexo "vira-lata"?
1. Sem dúvida não temos e nunca teremos recursos suficientes para saírmos da precariedade para a abundância, se continuarmos escravos do consumismo e do crescimento do PIB, orientado para satisfazer NECESSIDADES moral e eticamente duvidosas, mas que APARENTEMENTE tornam felizes os povos chamados civilizados. Se observarmos atentamente a disponibilidade de recursos que o nosso País apresenta, o único termo que se aplica é ABUNDÂNCIA. Terra, água, sol, minérios (minerais que podem ser explorados economicamente) são exemplos. Por outro lado, nossa população tem um potencial de trabalho, criatividade, liderança, solidariedade e, acima de tudo, desejo de viver e se desenvolver como ser humano afetivo, igual ou até maior do que se observa em muitas partes do mundo. As famílias, por mais desagregadas que estejam, num país em que as mais carentes apresentam percentual altissimo de órfãs de pai, em que a história de Lula é exemplo notório, elas conseguem manter coesão interna impossível de ser imaginada, tal o abandono economico e sociocultural em que vivem. Essa esperança, que nada mais é que o agarrar-se a uma réstia de luz que entra em seus lares materializada como OPORTUNIDADES de trabalhar e aprender, demonstra que nosso País apesar de estar longe, muito longe, de oferecer a todos seus cidadãos igualdade de oportunidades, tem um POTENCIAL enorme, mais que o da nossa abundância de recursos naturais. Basta o Estado organizado avançar nessa direção. Para isso, além de se garantir alimentação para que não sejamos despojados de saúde antes e logo depois do nascimento, devem ser asseguradas condições de serviços de SAÚDE PÚBLICA, SANEAMENTO, EDUCAÇÃO, TREINAMENTO PROFISSIONAL E SEGURANÇA CONTRA OS QUE AMEAÇAM NOSSA SANIDADE E NOSSA PROPRIA VIDA são as prioridades do Estado brasileiro que até hoje continua a buscar saídas apressadas para nosso subdesenvolvimento, via uma elite privilegiada constituída de elementos contraditórios, principalmente em política, onde o populismo e a corrupção de nossa elite política se irmanam para travar o desenvolvimento potencial de nossa população. A Educaçào foi aqui colocada separadamente do Treinamento profissional para evitar o confronto de duas correntes, aparentemente antagônicas: os que favorecem a preparação de nossa populaçào para o exercício de sua profissào com competência e eficiência, permitindo-lhe avançar economica e socialmente com rapidez, e a que julga ser o principal papel da Educaçào desenvolver valores e habilitar nossa populaçào a raciocinar com base em conhecimentos que o tornem cidadào competente e eficiente para sobreviver com dignidade e participar ativamente na busca de um destino melhor para si e para todos nós brasileiros Há muito tempo temos afirmado que o maior desafio para nosso sistema educacional é realmente o da Educação que leve nossos descendentes a hábitos e costumes mais saudáveis para si e para os demais cidadãos com quem eles interagirão durante suas vidas. Também é primordial que nosso futuro cidadào seja treinado numa profissào que possa alavancar seu desenvolvimento material, sem torná-lo escravo do que aprendeu de "orelha" na prática do dia-a-dia, tornando-o despreparado para inovações por ausência de conhecimentos básicos para seu contínuo aprimoramento E todos sabemos que o desenvolvimento tecnológico rápido exige contínuas mudanças nas práticas profissionais que somente os mais bem preparados podem assimilar com a rapidez que a competição profissional exige em todos os níveis. A informática e o uso da língua inglesa, por exemplo, tornaram-se instrumentos de avanços técnicos a serem continuamente incorporados ao saber de nossos profissionais. Para mim, o Trem-Bala não passa de um capricho do atual governo do PT de se colocar ombro a ombro com países já desenvolvidos com recursos e prioridades distintos do nosso, até porque o consumismo é a marca registrada desses países, e que jamais deveria ser a nossa. A China, cuja maioria da população vive longe da economia de mercado, a não ser a das grandes cidades, e não garante liberdade política para os miseráveis que vegetam em suas províncias mais pobres se manifestarem, o Trem-Bala é um capricho da ditadura que vai rodar com poucos passageiros, tornando os serviços altamente deficitários. É bom lembrar que já estão diminuindo a velocidade para baixar seus custos!;
2. Nossa poupança interna é muito baixa para um país como o nosso que necessita de investimentos vultosos em várias áreas de nosso desenvolvimento. Enquanto ela se cristaliza em torno de 20% do PIB, divulga-se que na China,chega a 50%. Aqui reside o problema. Numa economia de mercado livre e aberta, compatível com o exercício pleno das liberdades políticas, a poupança está necessariamento ligada à perspectiva de futuro de cada um de nós consumidores, bem como do comportamento dos Governos que administram o Estado brasileiro. No passado grandes investimentos públicos foram feitos, estimulando também investimentos privados -exemplo JK - gerando um processo inflácionário que os ricos dele se defendiam, ganhando mais com especulações de toda ordem na economia, ou entào, durante a ditadura militar, por meio de arrocho salarial e execução de investimentos estatais por meio de recursos poupados,ou seja, Receita menos Despesa Pública Corrente com saldos vultosos para investimentos. É o que a China faz, ignorando a miséria da populaçào mantida políticiamente controlada por meios que dificilmente se recomendariam em nosso País. Como o governo arrecada mais de um terço do PIB no Brasil seria de se esperar que dispusesse de recursos para investimentos. Isso não acontece porque há uma tendência de gastar muito em funcionários e serviços que funcionam mal e somente amparam "os amigos do poder". Em nenhum momento notamos uma sinalizaçào clara e segura de que se encaminha nosso País à busca de seu grande tesouro: a população brasileira, que durante séculos sofre pela ausência de igualdade de oportunidades. Basta lembrar-se do resultado da Lei do Ventre Livre que permitiu aos fazendeiros, simplesmente, por todos os escravos que ainda mantinham na fazenda no olho da rua. Livrando-se de dar-lhes abrigo, comida e "adestramento", semelhante ao dado aos animais, por meio da chibata e do condicionamento. Imagine-se o sofrimento desses escravos competindo entre si por empregos, esmola, comida e abrigo. Seus descendentes sofrem pela falta de igualdade de oportunidades dadas à população negra, bem como aos mais pobres em geral. Ao invés de uma política universal no sentido de oferecer igualdade de oportunidades aos mais pobres, gerou-se um sistema mal engembrado que até hoje gira em termos de benesses do tipo financiamento, admissào privilegiada em universidades e outras medidas de caráter afirmativo de pouco efeito prático. Enquanto a igualdade de oportunidades juntamente com a substancial melhoria no ensino fundamental e médio, associado à formação técnica-profissional intermediária também de qualidade, que lhes permitiriam, se quisessem, apoiados nos conhecimentos e habilidades desenvolvidos a disputar vagas em regime de igualdade com os demais brasileiros, continua um sonho quimérico.
3. Na realidade ao se imitar o que fazem outros países, uns mais e outros menos interessados em impressionar sua população, como na época da conquista do espaço sideral, julgo que o Brasil ao invés de se livrar do complexo de "vira-lata", que nós mesmos nos atribuimos para conseguir apoio a gestos e atitudes megalomaníacas que nos envergonham, estamos confirmando esse complexo. Quem não tem complexo age de forma independente e consciente, buscando abrir caminho para que se realizem suas potencialidades, pisoteadas até hoje. Bastaria se implantarem programas e políticas bem formulados e integrados nas áreas de Educação , Treinamento Profissional, Saúde Pública, Saneamento e Segurança Pública para que nossa população carente saia da valeta em que nossa elite a jogou de longa data. Até mesmo a fome ainda merece muita atenção. Pois sua completa extinção está ligada ao desenvolvimento dos setores acima enumerados. Comer para não morrer de fome, e, ao final, morrer de disenteria e de outras doenças causadas por falta de saneamento, ou por bala perdida, ou por exposição ao crack, maconha, ácool e as guerrilhas do crime organizado que daí brotam, seguramente não é o caminho. Seria uma política capenga, ilusionista e cruel, que se imporia a nossa população miserável: a de continuar sonhando com o amanhã alvissareiro que nunca chega.
Conclusão: Espero ter completado meu pensamento com este texto longo para que não haja dúvidas das razões que me levaram a considerar a postergação do projeto de Trem-Bala um desvio do caminho que penso ser o melhor para nosso País. Não espero, nem pretendo convencê-lo, de que o trem-bala nào é prioritário nesse momento histórico em que nos encontramos. Da minha parte, encerro aqui minha intervenção sem inibi-lo de apresentar sua visão final. De qualquer forma, peço-lhe autorizaçào para publicar o nosso diálogo sobre o Trem-Bala. Se assim desejar, posso omitir seu nome. Grato, Daros.
VI - 17 de abril de 2011 21:33
Caro Eduardo
Interessante! Eu também gosto, às vezes, de reproduzir em um dos meus blogs (tenho quatro) diálogos de bom nível como é o caso do presente. Fique à vontade. Pode citar o meu nome e endereço eletrônico. Só me diga o local onde irá inserí-lo.
Concordo plenamente com as suas análises dos vários aspectos da vida nacional. São complexos e de difícil solução. Se fosse fácil, até o Tiririca daria jeito, não é?
Só faço um reparo à sua frase, que transcrevo: "Como o governo arrecada mais de um terço do PIB no Brasil seria de se esperar que dispusesse de recursos para investimentos". Como todos, sou favorável à coleta de dados, levantamentos e pesquisas, análises, estatísticas, etc. Tenho a convicção de que, no Brasil, em muitos casos, trabalha-se com dados totalmente irreais. Sem entrar no mérito, sabemos que a sonegação é elevadíssima. Afirma-se que é da ordem de até 60%. Os recursos financeiros ilícitos de brasileiros mantidos no exterior são calculados em US$ 300 bilhões! Só posso concluir que é falacioso afirmar-se que o governo arrecada 1/3 da riqueza nacional. Já andei escrevendo por aí, inclusive tive oportunidade de expressar pessoalmente ao sr. Afif Domingos a sugestão de que mandasse colocar ao lado do famoso painel "Impostômetro" um outro denominado de "Sonegômetro" para registrar a safadeza dos nossos contribuintes. Nem todos o são, é verdade!
Quanto à implantação do veículo de alta velocidade (trem bala) deixo claro que não o julgo indispensável, porém e certamente, acrescentará conhecimentos tecnológicos, geração industrial e de empregos, conforto, alternativa. São como os eventos Copa Mundial de Futebol e as Olimpíadas. São extremamente necessárias? Claro que não, contudo, são eventos geradores de melhorias nos vários setores do país. Tanto que a disputa da realização deles por parte dos países é renhida.
Se tiver interesse e disposição acesse http://ofilhodoprofeta.blogspot.com (para assuntos gerais). Tenho outros: (http://pintousujeira.wordpress.com/) este dirigido a maracutais. Como resido em Itapira, irei colocar vários artigos abordando a atuação dos nossos políticos locais e, inclusive, sobre o mais destacado deles que é o atual presidente da ALESP, Barros Munhoz. Há cada sujeira que merece comentários. Se puder colaborar com artigos de sua autoria posso inserí-los. Se aprová-los (os blogs), favor divulgá-los entre os seus amigos
Por ora é só.
abçs
Marc
FIM
Já divulguei neste BLOG duas cartas recomendando que o projeto de Trem-Bala fosse postergado. Ele surgiu no final da administração de Lula e foi incorporado ao discurso da candidata, hoje presidente, Dilma Rousseff. A data de licitação, inicialmente prevista para o final de 2.010, foi alterada várias vezes. Atualmente, prevê-se para julho deste ano. Ao contrário de outras vezes, que ninguém se manifestou a respeito de cartas minhas enviadas a seção de Cartas do Leitor do Estadão, desta feita recebi comentário e o respondi. Veio a tréplica e eu também respondi. Finalmente, meu interlocutor definiu sua posição em relação ao assunto e encerramos a discussão. Achei interessante que o material de nosso diálogo fosse incorporado a meu BLOG como exemplo de discussão civilizada que o sistema de internet permite que se faça de maneira eficiente e eficaz.
I- Carta em O Estadão de 7/4/2011 por daros@transporte.org.br
ROGAI POR NÓS
Li no Estadão de ontem duas notícias estupefacientes: o trem-bala vai sair do papel e absorver recursos, materiais e humanos, que poderiam ser empregados na ampliação e melhoria do transporte público; e a Linha Norte-Sul do metrô da cidade de São Paulo está saturada. O trem interurbano rápido será, antes de tudo, uma bala na cabeça dos que acreditam que esse projeto poderia ser postergado e na dos pobres inocentes que dependem e sofrem as consequências da falta de transporte público decente em nossas cidades. E são os que se dizem de esquerda e preocupados com a população pobre de nosso país os defensores dessa prioridade indefensável. Só nos resta pedir à Santa Maria que rogue por nós.
II- Em 8/4/2001, Marc
Senhor Eduardo
A considerar-se assim, o governo federal tem que investir também nos vários metrôs das diversas capitais estaduais do país. E por que não nas marginais dos rios Tietê e Pinheiros? E porque não investir no re-asfaltamento das ruas da minha cidade.
As obras do Metrô são da responsabilidade dos governos estaduais, primeiramente. Por isso, eles é que devem explicações do porquê do fracasso de suas gestões no quesito infra-estrutura.
Marc
III- Em 8/4/2011 15:37, Eduardo Daros
Meu caro Marc
como seu e-mail, ao contrário de muitos outros, é educado e tem argumentos sólidos, vou tentar responder a seu questionamento. E peço-lhe licença para usar sua pergunta e nossa resposta em meu BLOG, pois se trata de dúvida válida que deve ter acometido outros leitores.
Você deve ter notado em nossa carta que falamos em recursos e explicamos "humanos e materiais" para que não pairasse dúvida sobre o que estávamos falando. Como nas economias de mercado a mobilização de recursos reais - isto é, os verdadeiros recursos que constroem e operam nossas atividades - é feita por meio de dinheiro, chamado de recursos financeiros, muitas vezes perdemos a noção de realidade. Quando o país tem sua economia aquecida, como agora, os recursos reais - mão de obra qualificada, equipamentos e insumos (cimento, aço, madeira, alumínio, etc..) começam a escassear e seus preços sobem. A forma de desaquecê-la é reduzir o volume e a circulação de dinheiro, e títulos que servem como tal, disponíveis no mercado. Os juros sobem, os prazos de financiamento diminuem, e tudo mais que se tornou conhecido de todos durante a administração de Lula que conseguiu manter a inflação controlada por meio da política monetária mantida com mão de ferro e com grande credibilidade pelo presidente do Banco Central. A política fiscal, que é o outro instrumento importante no processo de evitar inflacão, sem prejudicar os investimentos privados e públicos necessários, é reduzir o nível de gastos públicos. Sobre isso pouco se falou e pouco se praticou de efetivo durante os oito anos de Lula. Até agora, falou-se, mas não se praticou, em redução dos gastos públicos federais. Todos reconhecem que nossa economia está crescendo e deve manter um ritmo adequado para garantir o melhor nível de emprego possível, sem ESTIMULAR O PROCESSO INFLACIONÁRIO QUE REAPARECE COMO UMA FEBREZINHA EM PACIENTE QUE SE CONSIDERAVA CURADO. Como explicar a pessoas como eu e você que num período em que deve haver estrito controle sobre investimentos e gastos públicos para não haver demanda de recursos humanos qualificados e materiais acima da possibilidade de oferta e, por isso, estimular a inflaçào, que ora se insinua, o Governo Federal decidiu iniciar o projeto de trem bala, cujos benefícios se concentram no transporte interurbano de passageiros? Pergunto-lhe se é realmente dificil viajar-se, hoje, entre o Rio e S. Paulo? Os que não têm necessidade de viajar a velocidades mais rápidas por terra dispõem de ônibus confortáveis, e se a viagem não é mais rápida e "macia" como deveria ser é porque não se consegue eliminar os congestionamentos no Rio e em São Paulo, de onde os ônibus partem e chegam. S. Paulo, por exemplo, que delegou a empresas privadas a cobrança de pedágios das rodovias para financiar a sua melhoria, dispõe de uma rede bem conservada e ônibus "macios" e muito confortáveis para viagens interurbanas de passageiros. O trem-bala traria como único benefício a reduçào de tempo na viagem entre Rio e S. Paulo POR TERRA, servindo somente aqueles que estivessem dispostos a pagar uns R$ 200,00 a mais pelo tempo poupado. Ora, nesse caso, o tempo e a tarifa de avião seriam altamente competitivos com o trem-bala se os aeroportos fossem mais bem aparelhados, reduzindo o tempo de embarque e desembarque ao mínimo possível e as tarifas entre Rio-S. Paulo não fossem utilizadas pelas empresas para cobrir deficits em linhas obrigatórias para o sistema de atendimento de voos em áreas com pouco passageiros que exigem o transporte aéreo. Em outras palavras, se pudessem ser mais competitivas no trecho considerado.
Concluindo, o trem-bala não é projeto prioritário, pois a demanda por transporte de passageiros entre Rio e S. Paulo está sendo plenamente atendida; e se a qualidade não é melhor, deve-se aos aeroportos e estações rodoviárias pessimamente estruturadas - concentração exagerada da rodoviária em determinado local, por exemplo, de péssima aparência e desconfortáveis; e os aeroportos sobrecarregados com filas de espera para embarcar e tempo no ar esperando para descer. E se deve, principalmente ao transporte público urbano de passageiros de baixa qualidade. O Governo Federal não precisa DOAR recursos aos Estados e Municípios. Ele simplesmente, poderia financiar os projetos por meio do BNDES estimulando os Estados e Municípios a investir mais e melhor na melhoria dos transportes públicos.
Grato esclarecido meu ponto de vista. Grato pela sua atenção.
Eduardo José Daros
IV- Em 16/4/2011 01:48, Marc
Senhor Eduardo
Não entrarei no mérito de suas considerações, que são abrangentes. Várias corretas.
Aprendi em alguns cursos feitos (Adesg, por exemplo) que no Brasil tudo, por enquanto, é precário e prioritário. Há muitas causas: formação genética, culturais, sociais, políticas... Os sucessivos governos gastam mal aqui e ali. É de se reconhecer que há muitos acertos por parte deles. Temos acentuada carência de poupança interna. Que está melhorando bastante nos últimos tempos. O país começa a sair da mesmice. Com acertos e erros. Estamos abandonando a "teoria da dependência" da lavra de um dos maiores "intelectuais" e que ele tentou levar a cabo durante os seus governos?
Para encerrar, lanço questões para que possa meditar: porque os países mais desenvolvidos, que contam com excelentes estradas rodoviárias, bons aeroportos, veículos modernos, se utilizam de trens ultra-rápidos? Porque temos que ter esse complexo "vira-lata"?
Marc
V-Em 16/4/2011 20:03, Eduardo Daros
Meu caro Marc,
li com atenção sua tréplica e me permito completar agora o raciocínio que iniciei em meu texto anterior, tentando esclarecer três questões básicas levantadas por você:
1. No Brasil tudo, por enquanto, é precário e prioritário; 2. Temos acentuada carência de poupança interna, que está melhorando bastante nos últimos tempos; e 3. Por que os países mais desenvolvidos, que contam .... se utilizam de trens ultra-rápidos? Porque temos que ter esse complexo "vira-lata"?
1. Sem dúvida não temos e nunca teremos recursos suficientes para saírmos da precariedade para a abundância, se continuarmos escravos do consumismo e do crescimento do PIB, orientado para satisfazer NECESSIDADES moral e eticamente duvidosas, mas que APARENTEMENTE tornam felizes os povos chamados civilizados. Se observarmos atentamente a disponibilidade de recursos que o nosso País apresenta, o único termo que se aplica é ABUNDÂNCIA. Terra, água, sol, minérios (minerais que podem ser explorados economicamente) são exemplos. Por outro lado, nossa população tem um potencial de trabalho, criatividade, liderança, solidariedade e, acima de tudo, desejo de viver e se desenvolver como ser humano afetivo, igual ou até maior do que se observa em muitas partes do mundo. As famílias, por mais desagregadas que estejam, num país em que as mais carentes apresentam percentual altissimo de órfãs de pai, em que a história de Lula é exemplo notório, elas conseguem manter coesão interna impossível de ser imaginada, tal o abandono economico e sociocultural em que vivem. Essa esperança, que nada mais é que o agarrar-se a uma réstia de luz que entra em seus lares materializada como OPORTUNIDADES de trabalhar e aprender, demonstra que nosso País apesar de estar longe, muito longe, de oferecer a todos seus cidadãos igualdade de oportunidades, tem um POTENCIAL enorme, mais que o da nossa abundância de recursos naturais. Basta o Estado organizado avançar nessa direção. Para isso, além de se garantir alimentação para que não sejamos despojados de saúde antes e logo depois do nascimento, devem ser asseguradas condições de serviços de SAÚDE PÚBLICA, SANEAMENTO, EDUCAÇÃO, TREINAMENTO PROFISSIONAL E SEGURANÇA CONTRA OS QUE AMEAÇAM NOSSA SANIDADE E NOSSA PROPRIA VIDA são as prioridades do Estado brasileiro que até hoje continua a buscar saídas apressadas para nosso subdesenvolvimento, via uma elite privilegiada constituída de elementos contraditórios, principalmente em política, onde o populismo e a corrupção de nossa elite política se irmanam para travar o desenvolvimento potencial de nossa população. A Educaçào foi aqui colocada separadamente do Treinamento profissional para evitar o confronto de duas correntes, aparentemente antagônicas: os que favorecem a preparação de nossa populaçào para o exercício de sua profissào com competência e eficiência, permitindo-lhe avançar economica e socialmente com rapidez, e a que julga ser o principal papel da Educaçào desenvolver valores e habilitar nossa populaçào a raciocinar com base em conhecimentos que o tornem cidadào competente e eficiente para sobreviver com dignidade e participar ativamente na busca de um destino melhor para si e para todos nós brasileiros Há muito tempo temos afirmado que o maior desafio para nosso sistema educacional é realmente o da Educação que leve nossos descendentes a hábitos e costumes mais saudáveis para si e para os demais cidadãos com quem eles interagirão durante suas vidas. Também é primordial que nosso futuro cidadào seja treinado numa profissào que possa alavancar seu desenvolvimento material, sem torná-lo escravo do que aprendeu de "orelha" na prática do dia-a-dia, tornando-o despreparado para inovações por ausência de conhecimentos básicos para seu contínuo aprimoramento E todos sabemos que o desenvolvimento tecnológico rápido exige contínuas mudanças nas práticas profissionais que somente os mais bem preparados podem assimilar com a rapidez que a competição profissional exige em todos os níveis. A informática e o uso da língua inglesa, por exemplo, tornaram-se instrumentos de avanços técnicos a serem continuamente incorporados ao saber de nossos profissionais. Para mim, o Trem-Bala não passa de um capricho do atual governo do PT de se colocar ombro a ombro com países já desenvolvidos com recursos e prioridades distintos do nosso, até porque o consumismo é a marca registrada desses países, e que jamais deveria ser a nossa. A China, cuja maioria da população vive longe da economia de mercado, a não ser a das grandes cidades, e não garante liberdade política para os miseráveis que vegetam em suas províncias mais pobres se manifestarem, o Trem-Bala é um capricho da ditadura que vai rodar com poucos passageiros, tornando os serviços altamente deficitários. É bom lembrar que já estão diminuindo a velocidade para baixar seus custos!;
2. Nossa poupança interna é muito baixa para um país como o nosso que necessita de investimentos vultosos em várias áreas de nosso desenvolvimento. Enquanto ela se cristaliza em torno de 20% do PIB, divulga-se que na China,chega a 50%. Aqui reside o problema. Numa economia de mercado livre e aberta, compatível com o exercício pleno das liberdades políticas, a poupança está necessariamento ligada à perspectiva de futuro de cada um de nós consumidores, bem como do comportamento dos Governos que administram o Estado brasileiro. No passado grandes investimentos públicos foram feitos, estimulando também investimentos privados -exemplo JK - gerando um processo inflácionário que os ricos dele se defendiam, ganhando mais com especulações de toda ordem na economia, ou entào, durante a ditadura militar, por meio de arrocho salarial e execução de investimentos estatais por meio de recursos poupados,ou seja, Receita menos Despesa Pública Corrente com saldos vultosos para investimentos. É o que a China faz, ignorando a miséria da populaçào mantida políticiamente controlada por meios que dificilmente se recomendariam em nosso País. Como o governo arrecada mais de um terço do PIB no Brasil seria de se esperar que dispusesse de recursos para investimentos. Isso não acontece porque há uma tendência de gastar muito em funcionários e serviços que funcionam mal e somente amparam "os amigos do poder". Em nenhum momento notamos uma sinalizaçào clara e segura de que se encaminha nosso País à busca de seu grande tesouro: a população brasileira, que durante séculos sofre pela ausência de igualdade de oportunidades. Basta lembrar-se do resultado da Lei do Ventre Livre que permitiu aos fazendeiros, simplesmente, por todos os escravos que ainda mantinham na fazenda no olho da rua. Livrando-se de dar-lhes abrigo, comida e "adestramento", semelhante ao dado aos animais, por meio da chibata e do condicionamento. Imagine-se o sofrimento desses escravos competindo entre si por empregos, esmola, comida e abrigo. Seus descendentes sofrem pela falta de igualdade de oportunidades dadas à população negra, bem como aos mais pobres em geral. Ao invés de uma política universal no sentido de oferecer igualdade de oportunidades aos mais pobres, gerou-se um sistema mal engembrado que até hoje gira em termos de benesses do tipo financiamento, admissào privilegiada em universidades e outras medidas de caráter afirmativo de pouco efeito prático. Enquanto a igualdade de oportunidades juntamente com a substancial melhoria no ensino fundamental e médio, associado à formação técnica-profissional intermediária também de qualidade, que lhes permitiriam, se quisessem, apoiados nos conhecimentos e habilidades desenvolvidos a disputar vagas em regime de igualdade com os demais brasileiros, continua um sonho quimérico.
3. Na realidade ao se imitar o que fazem outros países, uns mais e outros menos interessados em impressionar sua população, como na época da conquista do espaço sideral, julgo que o Brasil ao invés de se livrar do complexo de "vira-lata", que nós mesmos nos atribuimos para conseguir apoio a gestos e atitudes megalomaníacas que nos envergonham, estamos confirmando esse complexo. Quem não tem complexo age de forma independente e consciente, buscando abrir caminho para que se realizem suas potencialidades, pisoteadas até hoje. Bastaria se implantarem programas e políticas bem formulados e integrados nas áreas de Educação , Treinamento Profissional, Saúde Pública, Saneamento e Segurança Pública para que nossa população carente saia da valeta em que nossa elite a jogou de longa data. Até mesmo a fome ainda merece muita atenção. Pois sua completa extinção está ligada ao desenvolvimento dos setores acima enumerados. Comer para não morrer de fome, e, ao final, morrer de disenteria e de outras doenças causadas por falta de saneamento, ou por bala perdida, ou por exposição ao crack, maconha, ácool e as guerrilhas do crime organizado que daí brotam, seguramente não é o caminho. Seria uma política capenga, ilusionista e cruel, que se imporia a nossa população miserável: a de continuar sonhando com o amanhã alvissareiro que nunca chega.
Conclusão: Espero ter completado meu pensamento com este texto longo para que não haja dúvidas das razões que me levaram a considerar a postergação do projeto de Trem-Bala um desvio do caminho que penso ser o melhor para nosso País. Não espero, nem pretendo convencê-lo, de que o trem-bala nào é prioritário nesse momento histórico em que nos encontramos. Da minha parte, encerro aqui minha intervenção sem inibi-lo de apresentar sua visão final. De qualquer forma, peço-lhe autorizaçào para publicar o nosso diálogo sobre o Trem-Bala. Se assim desejar, posso omitir seu nome. Grato, Daros.
VI - 17 de abril de 2011 21:33
Caro Eduardo
Interessante! Eu também gosto, às vezes, de reproduzir em um dos meus blogs (tenho quatro) diálogos de bom nível como é o caso do presente. Fique à vontade. Pode citar o meu nome e endereço eletrônico. Só me diga o local onde irá inserí-lo.
Concordo plenamente com as suas análises dos vários aspectos da vida nacional. São complexos e de difícil solução. Se fosse fácil, até o Tiririca daria jeito, não é?
Só faço um reparo à sua frase, que transcrevo: "Como o governo arrecada mais de um terço do PIB no Brasil seria de se esperar que dispusesse de recursos para investimentos". Como todos, sou favorável à coleta de dados, levantamentos e pesquisas, análises, estatísticas, etc. Tenho a convicção de que, no Brasil, em muitos casos, trabalha-se com dados totalmente irreais. Sem entrar no mérito, sabemos que a sonegação é elevadíssima. Afirma-se que é da ordem de até 60%. Os recursos financeiros ilícitos de brasileiros mantidos no exterior são calculados em US$ 300 bilhões! Só posso concluir que é falacioso afirmar-se que o governo arrecada 1/3 da riqueza nacional. Já andei escrevendo por aí, inclusive tive oportunidade de expressar pessoalmente ao sr. Afif Domingos a sugestão de que mandasse colocar ao lado do famoso painel "Impostômetro" um outro denominado de "Sonegômetro" para registrar a safadeza dos nossos contribuintes. Nem todos o são, é verdade!
Quanto à implantação do veículo de alta velocidade (trem bala) deixo claro que não o julgo indispensável, porém e certamente, acrescentará conhecimentos tecnológicos, geração industrial e de empregos, conforto, alternativa. São como os eventos Copa Mundial de Futebol e as Olimpíadas. São extremamente necessárias? Claro que não, contudo, são eventos geradores de melhorias nos vários setores do país. Tanto que a disputa da realização deles por parte dos países é renhida.
Se tiver interesse e disposição acesse http://ofilhodoprofeta.blogspot.com (para assuntos gerais). Tenho outros: (http://pintousujeira.wordpress.com/) este dirigido a maracutais. Como resido em Itapira, irei colocar vários artigos abordando a atuação dos nossos políticos locais e, inclusive, sobre o mais destacado deles que é o atual presidente da ALESP, Barros Munhoz. Há cada sujeira que merece comentários. Se puder colaborar com artigos de sua autoria posso inserí-los. Se aprová-los (os blogs), favor divulgá-los entre os seus amigos
Por ora é só.
abçs
Marc
FIM
Sunday, April 10, 2011
ANIMAL ASSASSINO
Wellington Menezes de Oliveira tinha nome, endereço, família, sofria de esquizofrenia e freqüentou a Escola Pública de Realengo quando criança e adolescente. Era um brasileiro, como todos nós, nascido na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, portanto, um cidadão carioca, também. Em ato de violência, que somente um psicopata poderia praticar, matou 11 “colegas inimigos seus”, selecionando 10 meninas e 1 menino,feriu, também, mais de uma dezena, e poupou um “gordinho”, que sua mente insana e alucinada conseguiu transformá-lo em colega sofredor de chacotas e agressões discriminatórias, como ele sofreu naquele exato lugar. Calculadamente, suicidou-se para não ser morto e sofrer linchamento antes ou depois na prisão. Afinal, o próprio Governador do Estado, onde ele nasceu, chamou-o de animal, em ato irrefletido de repúdio. Infelizmente, no Brasil, ainda costumamos oscilar entre dois extremos que mistificam os ambientes humanos em que homens e mulheres vivem: o indivíduo, da fantasia de Robinson Crusoé, ou a sociedade, sem cara. Nem ele, Wellington, foi um animal, tampouco a sociedade brasileira, ou a carioca, é um zoológico que o gerou em seu seio. É a partir do entendimento correto desses extremos, sobrecarregados de ideologias escapistas, que poderemos evitar novas violências que acometem todas as aglomerações humanas modernas, exageradamente anônimas e individualistas e excessivamente concentradas espacialmente. E sistemas de educação, especialmente o brasileiro, tão ou mais escapistas que o animal gerado na mente de Sérgio Cabral.
Wellington Menezes de Oliveira tinha nome, endereço, família, sofria de esquizofrenia e freqüentou a Escola Pública de Realengo quando criança e adolescente. Era um brasileiro, como todos nós, nascido na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, portanto, um cidadão carioca, também. Em ato de violência, que somente um psicopata poderia praticar, matou 11 “colegas inimigos seus”, selecionando 10 meninas e 1 menino,feriu, também, mais de uma dezena, e poupou um “gordinho”, que sua mente insana e alucinada conseguiu transformá-lo em colega sofredor de chacotas e agressões discriminatórias, como ele sofreu naquele exato lugar. Calculadamente, suicidou-se para não ser morto e sofrer linchamento antes ou depois na prisão. Afinal, o próprio Governador do Estado, onde ele nasceu, chamou-o de animal, em ato irrefletido de repúdio. Infelizmente, no Brasil, ainda costumamos oscilar entre dois extremos que mistificam os ambientes humanos em que homens e mulheres vivem: o indivíduo, da fantasia de Robinson Crusoé, ou a sociedade, sem cara. Nem ele, Wellington, foi um animal, tampouco a sociedade brasileira, ou a carioca, é um zoológico que o gerou em seu seio. É a partir do entendimento correto desses extremos, sobrecarregados de ideologias escapistas, que poderemos evitar novas violências que acometem todas as aglomerações humanas modernas, exageradamente anônimas e individualistas e excessivamente concentradas espacialmente. E sistemas de educação, especialmente o brasileiro, tão ou mais escapistas que o animal gerado na mente de Sérgio Cabral.
Friday, February 11, 2011
TREM-BALA
FIM
Thursday, January 20, 2011
DESGRAÇA ESTATIZADA
É incrível que pessoas criativas, inteligentes e empreendedoras continuem, ainda, engessadas por valores e cultura de origem cartorial cultivados durante os períodos colonial e imperial. Após mais de um século da proclamação da República, particularmente a partir de Vargas, o Brasil industrializou-se e modernizou-se, sem perder, porém, o viés estatal e cartorial. Não são poucos os empresários e empresas que permanecem avessos à economia de mercado livre. Graças ao Plano Real e à posição de Lula de não reestatizar a economia, avançamos no desenvolvimento de um mercado mais livre e competitivo. Rezamos para que Dilma não marche para trás. A falta de imaginação do governador do Estado do Rio e dos prefeitos dos municípios assolados pela recente catástrofe é um indicador de que eles ainda estão presos mentalmente à velha cultura do Estado todo-poderoso. Se conseguirem unir os três níveis - municipal, estadual e federal - em torno de um plano estatal, pensam tornar-se infalíveis. Enquanto isso, deixam de lado os verdadeiros agentes responsáveis pelo nosso desenvolvimento e bem-estar: os empresários competitivos e as forças de mercado. Mais do que isso, muitos bambambãs do mais alto escalão do poder público brasileiro execram os mecanismos de oferta e de demanda que mobilizam forças incomensuravelmente mais eficazes que a ação de burocratas. Um exemplo claro do abandono dos mecanismos de mercado para resolver o problema de abastecimento da população flagelada é o galão de água ser vendido por R$ 45, conforme notícias recentemente divulgadas. Se há gente que paga esse preço absurdo, é porque a demanda está muito alta e a oferta muito baixa. Ao invés de perguntar por que não se aumenta a oferta para reduzir os preços, devem-se perseguir e prender os que vendem caro o produto? Bastaria o governador Cabral reunir-se com prefeitos e empresários para brotarem medidas eficazes visando a aumentar a oferta de água potável na região flagelada. Liberar as ruas para o comércio de água e outros bens escassos, por exemplo, até que a situação se normalize, seria uma ideia a ser discutida. Em São Paulo e no Rio existem dezenas ou mesmo centenas de empresas fornecedoras capazes de vender água potável e mineral de boa qualidade a preços competitivos. Os próprios supermercados tradicionais podem se interessar por esse tipo de distribuição e comercialização em caminhões e contêineres e entrar na disputa. O preço baixaria da noite para o dia e as doações de água e outros bens poderiam ser orientadas somente para atender às necessidades dos mais pobres. Os demais encontrariam esses bens em contêineres e caminhões a bons preços.
É incrível que pessoas criativas, inteligentes e empreendedoras continuem, ainda, engessadas por valores e cultura de origem cartorial cultivados durante os períodos colonial e imperial. Após mais de um século da proclamação da República, particularmente a partir de Vargas, o Brasil industrializou-se e modernizou-se, sem perder, porém, o viés estatal e cartorial. Não são poucos os empresários e empresas que permanecem avessos à economia de mercado livre. Graças ao Plano Real e à posição de Lula de não reestatizar a economia, avançamos no desenvolvimento de um mercado mais livre e competitivo. Rezamos para que Dilma não marche para trás. A falta de imaginação do governador do Estado do Rio e dos prefeitos dos municípios assolados pela recente catástrofe é um indicador de que eles ainda estão presos mentalmente à velha cultura do Estado todo-poderoso. Se conseguirem unir os três níveis - municipal, estadual e federal - em torno de um plano estatal, pensam tornar-se infalíveis. Enquanto isso, deixam de lado os verdadeiros agentes responsáveis pelo nosso desenvolvimento e bem-estar: os empresários competitivos e as forças de mercado. Mais do que isso, muitos bambambãs do mais alto escalão do poder público brasileiro execram os mecanismos de oferta e de demanda que mobilizam forças incomensuravelmente mais eficazes que a ação de burocratas. Um exemplo claro do abandono dos mecanismos de mercado para resolver o problema de abastecimento da população flagelada é o galão de água ser vendido por R$ 45, conforme notícias recentemente divulgadas. Se há gente que paga esse preço absurdo, é porque a demanda está muito alta e a oferta muito baixa. Ao invés de perguntar por que não se aumenta a oferta para reduzir os preços, devem-se perseguir e prender os que vendem caro o produto? Bastaria o governador Cabral reunir-se com prefeitos e empresários para brotarem medidas eficazes visando a aumentar a oferta de água potável na região flagelada. Liberar as ruas para o comércio de água e outros bens escassos, por exemplo, até que a situação se normalize, seria uma ideia a ser discutida. Em São Paulo e no Rio existem dezenas ou mesmo centenas de empresas fornecedoras capazes de vender água potável e mineral de boa qualidade a preços competitivos. Os próprios supermercados tradicionais podem se interessar por esse tipo de distribuição e comercialização em caminhões e contêineres e entrar na disputa. O preço baixaria da noite para o dia e as doações de água e outros bens poderiam ser orientadas somente para atender às necessidades dos mais pobres. Os demais encontrariam esses bens em contêineres e caminhões a bons preços.
FIM
Monday, January 17, 2011
Fogo de Artifício
Julgamos precipitada a posição de O Estadão em relação ao plano de redução dos limites de velocidade na Cidade de São Paulo(leia texto completo abaixo).
A cidade de Nova Iorque possui três limites: 40 km/h (25 mi) para zonas residenciais; 56 km/h (35mi) para as outras; e 88 km/h (55mi) para as vias expressas. Coincidentemente, o Código de Trânsito Brasileiro CTB estabelece limites semelhantes (Art. 61): 30 km/h, nas locais; 40 km/h, nas coletoras; 60 km/h, nas arteriais; e, nas vias de trânsito rápido, 80 km/h. Na maioria das cidades européias o limite nas arteriais é de 50 km/h. A velocidade excessiva e o consumo de álcool por motoristas e pedestres são os fatores mais relevantes a serem considerados em qualquer plano sério de redução de mortes e da gravidade dos ferimentos causados em acidentes de trânsito. A Associação Brasileira de Pedestres – ABRASPE, tendo em vista que pesquisas demonstram que a probabilidade de morte em atropelamento cresce exponencialmente com a velocidade do impacto – 5% para 32 km/h, 85% para 64 km/h e morte certa para velocidades acima de 80 km/h – apóia qualquer medida que venha limitar e, acima de tudo, garantir o respeito aos limites de velocidade estabelecidos no CTB cuja fiscalização se afrouxou nos últimos anos. Basta citar a Resolução 204 do CONTRAN, teimosamente mantida pelo ex-ministro das cidades, que obrigou as entidades de trânsito a indicarem e tornarem bem visíveis as câmaras de controle fotográfico de excesso de velocidade. Por outro lado, há uma falta de sinalização que informe claramente o motorista se ele está transitando em via arterial ou local. Muitas vezes, observam-se velocidades menores nas arteriais, quase sempre congestionadas, e maiores nas locais, onde o motorista busca “compensar sua perda de tempo no congestionamento”. O assunto merece mais discussão, como já vem acontecendo faz alguns anos no Conselho Estadual de Diminuição de Acidentes de Trânsito e Transportes – CEDATT – do qual a ABRASPE participa.
FIM
Nota: Carta enviada ao Fórum do Leitor no mesmo dia em que apareceu o texto abaixo
FOGO DE ARTIFÍCIO (Publicado em O Estado de S.Paulo de 15 jan 2011 na Seção Opinião)
O plano de redução da velocidade máxima de circulação em importantes vias da cidade, que a Prefeitura de São Paulo vem aplicando aos poucos, há quase dois anos, é daquelas medidas que causam excelente impressão aos menos atentos - porque sugere cuidado com a segurança do trânsito -, mas não resistem a um exame mais rigoroso. Está muito mais para fogo de artifício do que para providência séria e consistente destinada - como afirma a Secretaria Municipal de Transportes - a ajudar a diminuir o risco de acidentes e a sua gravidade, quando ocorrem.
"A ideia é que haja o menor número de velocidades máximas dentro da cidade. Então, grandes corredores, como as Marginais, terão uma determinada velocidade e corredores de uma segunda categoria, como a 23 de Maio, terão uma segunda velocidade", afirma o secretário Marcelo Branco. A mudança começou, de acordo com essa orientação, em 2009, quando foi reduzida de 80 km/h para 70 km/h a velocidade máxima nas Avenidas 23 de Maio e Rubem Berta. Depois foi a vez - numa terceira categoria - das Avenidas Indianópolis, Jabaquara, Domingos de Moraes e Noé de Azevedo e Ruas Sena Madureira e Vergueiro, com redução de 70 km/h para 60 km/h. As próximas serão as Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima e a Radial Leste, com redução também de 70 km/h para 60 km/h.
A explicação do secretário é curiosa: "O foco principal é que as pessoas saibam de forma mais intuitiva quais são as velocidades permitidas na cidade. E, portanto, respeitem os limites de forma mais intuitiva e não apenas dependendo da sinalização do local". Talvez seja melhor deixar de lado as suas obscuras considerações sobre intuição e sinalização e a relação de ambas com a diminuição da velocidade. Mais importante é assinalar aquilo que sugere o senso comum, isto é, que se deve aproveitar vias como essas - numa cidade de trânsito travado - para desenvolver velocidades maiores. Até porque velocidades de 80 km/h e 70 km/h não são exageradas.
Outra observação importante a ser feita é que, ao que se sabe, tal providência não acarretou nenhuma diminuição do risco de acidente nas vias em que ela foi adotada nem os acidentes ocorridos desde então têm sido de menor gravidade. Se por acaso a Prefeitura dispõe de dados, que não divulgou, indicando que isso passou a ocorrer, restará provar então que tal fato tem alguma relação com a redução da velocidade, o que não parece nada fácil.
Em vez de perder tempo com medidas desse tipo que, na melhor das hipóteses, não mudam nada e, na pior - e muito mais provável -, atrapalham ainda mais o trânsito, a Prefeitura deveria concentrar sua atenção em outras que de fato podem ajudá-la a atingir a meta de reduzir em 10%, este ano, o número de mortos em acidentes de trânsito, que de acordo com as estimativas - o número exato ainda não foi tabulado - foi de 1,3 mil em 2010.
Uma delas é melhorar o estado em que se encontra a grande maioria das vias da capital. Em ruas e avenidas esburacadas ou mal pavimentadas, cheias de ondulações, e com sinalização precária, o risco de acidentes é muito elevado. As operações tapa-buraco, mesmo quando atingem seus objetivos, são um mero expediente de emergência. O que resolve mesmo o problema é o programa de recapeamento periódico das vias, que está sempre atrasado.
Outra são campanhas permanentes de educação dos motoristas. Elas são indispensáveis, porque as multas de trânsito não têm função educativa desde que se transformaram numa "indústria". O aumento constante do número de multas é uma prova do malogro da ação da Prefeitura nesse caso.
Finalmente, o Programa de Revitalização Semafórica, lançado em 2007, está longe de atingir o objetivo que se propôs e está expresso em seu título. A reforma e modernização dos semáforos é importante para dar maior fluidez e segurança ao trânsito.
Como se vê, a Prefeitura sabe muito bem o que fazer para ajudar a reduzir os acidentes de trânsito. Resta fazer.
FIM
Julgamos precipitada a posição de O Estadão em relação ao plano de redução dos limites de velocidade na Cidade de São Paulo(leia texto completo abaixo).
A cidade de Nova Iorque possui três limites: 40 km/h (25 mi) para zonas residenciais; 56 km/h (35mi) para as outras; e 88 km/h (55mi) para as vias expressas. Coincidentemente, o Código de Trânsito Brasileiro CTB estabelece limites semelhantes (Art. 61): 30 km/h, nas locais; 40 km/h, nas coletoras; 60 km/h, nas arteriais; e, nas vias de trânsito rápido, 80 km/h. Na maioria das cidades européias o limite nas arteriais é de 50 km/h. A velocidade excessiva e o consumo de álcool por motoristas e pedestres são os fatores mais relevantes a serem considerados em qualquer plano sério de redução de mortes e da gravidade dos ferimentos causados em acidentes de trânsito. A Associação Brasileira de Pedestres – ABRASPE, tendo em vista que pesquisas demonstram que a probabilidade de morte em atropelamento cresce exponencialmente com a velocidade do impacto – 5% para 32 km/h, 85% para 64 km/h e morte certa para velocidades acima de 80 km/h – apóia qualquer medida que venha limitar e, acima de tudo, garantir o respeito aos limites de velocidade estabelecidos no CTB cuja fiscalização se afrouxou nos últimos anos. Basta citar a Resolução 204 do CONTRAN, teimosamente mantida pelo ex-ministro das cidades, que obrigou as entidades de trânsito a indicarem e tornarem bem visíveis as câmaras de controle fotográfico de excesso de velocidade. Por outro lado, há uma falta de sinalização que informe claramente o motorista se ele está transitando em via arterial ou local. Muitas vezes, observam-se velocidades menores nas arteriais, quase sempre congestionadas, e maiores nas locais, onde o motorista busca “compensar sua perda de tempo no congestionamento”. O assunto merece mais discussão, como já vem acontecendo faz alguns anos no Conselho Estadual de Diminuição de Acidentes de Trânsito e Transportes – CEDATT – do qual a ABRASPE participa.
FIM
Nota: Carta enviada ao Fórum do Leitor no mesmo dia em que apareceu o texto abaixo
FOGO DE ARTIFÍCIO (Publicado em O Estado de S.Paulo de 15 jan 2011 na Seção Opinião)
O plano de redução da velocidade máxima de circulação em importantes vias da cidade, que a Prefeitura de São Paulo vem aplicando aos poucos, há quase dois anos, é daquelas medidas que causam excelente impressão aos menos atentos - porque sugere cuidado com a segurança do trânsito -, mas não resistem a um exame mais rigoroso. Está muito mais para fogo de artifício do que para providência séria e consistente destinada - como afirma a Secretaria Municipal de Transportes - a ajudar a diminuir o risco de acidentes e a sua gravidade, quando ocorrem.
"A ideia é que haja o menor número de velocidades máximas dentro da cidade. Então, grandes corredores, como as Marginais, terão uma determinada velocidade e corredores de uma segunda categoria, como a 23 de Maio, terão uma segunda velocidade", afirma o secretário Marcelo Branco. A mudança começou, de acordo com essa orientação, em 2009, quando foi reduzida de 80 km/h para 70 km/h a velocidade máxima nas Avenidas 23 de Maio e Rubem Berta. Depois foi a vez - numa terceira categoria - das Avenidas Indianópolis, Jabaquara, Domingos de Moraes e Noé de Azevedo e Ruas Sena Madureira e Vergueiro, com redução de 70 km/h para 60 km/h. As próximas serão as Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima e a Radial Leste, com redução também de 70 km/h para 60 km/h.
A explicação do secretário é curiosa: "O foco principal é que as pessoas saibam de forma mais intuitiva quais são as velocidades permitidas na cidade. E, portanto, respeitem os limites de forma mais intuitiva e não apenas dependendo da sinalização do local". Talvez seja melhor deixar de lado as suas obscuras considerações sobre intuição e sinalização e a relação de ambas com a diminuição da velocidade. Mais importante é assinalar aquilo que sugere o senso comum, isto é, que se deve aproveitar vias como essas - numa cidade de trânsito travado - para desenvolver velocidades maiores. Até porque velocidades de 80 km/h e 70 km/h não são exageradas.
Outra observação importante a ser feita é que, ao que se sabe, tal providência não acarretou nenhuma diminuição do risco de acidente nas vias em que ela foi adotada nem os acidentes ocorridos desde então têm sido de menor gravidade. Se por acaso a Prefeitura dispõe de dados, que não divulgou, indicando que isso passou a ocorrer, restará provar então que tal fato tem alguma relação com a redução da velocidade, o que não parece nada fácil.
Em vez de perder tempo com medidas desse tipo que, na melhor das hipóteses, não mudam nada e, na pior - e muito mais provável -, atrapalham ainda mais o trânsito, a Prefeitura deveria concentrar sua atenção em outras que de fato podem ajudá-la a atingir a meta de reduzir em 10%, este ano, o número de mortos em acidentes de trânsito, que de acordo com as estimativas - o número exato ainda não foi tabulado - foi de 1,3 mil em 2010.
Uma delas é melhorar o estado em que se encontra a grande maioria das vias da capital. Em ruas e avenidas esburacadas ou mal pavimentadas, cheias de ondulações, e com sinalização precária, o risco de acidentes é muito elevado. As operações tapa-buraco, mesmo quando atingem seus objetivos, são um mero expediente de emergência. O que resolve mesmo o problema é o programa de recapeamento periódico das vias, que está sempre atrasado.
Outra são campanhas permanentes de educação dos motoristas. Elas são indispensáveis, porque as multas de trânsito não têm função educativa desde que se transformaram numa "indústria". O aumento constante do número de multas é uma prova do malogro da ação da Prefeitura nesse caso.
Finalmente, o Programa de Revitalização Semafórica, lançado em 2007, está longe de atingir o objetivo que se propôs e está expresso em seu título. A reforma e modernização dos semáforos é importante para dar maior fluidez e segurança ao trânsito.
Como se vê, a Prefeitura sabe muito bem o que fazer para ajudar a reduzir os acidentes de trânsito. Resta fazer.
FIM
Wednesday, December 22, 2010
Greve?
Assim respondeu o procurador Lopes do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre a possibilidade de greve de aeroviários e aeronautas na antevéspera do Natal: “mas há o compromisso dos trabalhadores de que a paralisação, assegurada constitucionalmente, ocorrerá dentro da normalidade". Muitos cantarão comigo a quintilha abaixo da Balada do Louco (Rita Lee/Arnaldo Baptista):
Assim respondeu o procurador Lopes do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre a possibilidade de greve de aeroviários e aeronautas na antevéspera do Natal: “mas há o compromisso dos trabalhadores de que a paralisação, assegurada constitucionalmente, ocorrerá dentro da normalidade". Muitos cantarão comigo a quintilha abaixo da Balada do Louco (Rita Lee/Arnaldo Baptista):
“Se eu posso pensar que Deus sou euNo Brasil, o Estado não regula, não controla e nem fiscaliza. Pois seria ridículo fazê-lo, pois Ele, o Estado, prevê e provê com perfeição as obras e os serviços necessários em nossos aeroportos. Tudo dentro da normalidade.
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz”
Monday, December 13, 2010
Gripen versus Rafale
Se alguém tem alguma dúvida sobre a importação de tecnologia para fabricação de caças visando a nossa defesa aérea e a nosso papel de potência no hemisfério sul, particularmente na América do Sul, deve ouvir a entrevista de Günther Rudzit na TV Estadão. O bom senso indica que a associação da EMBRAER-GRIPEN será a solução mais adequada para nosso País. A França é uma potência mundial que, na prática, nos manterá dela dependente tecnologicamente numa área em que a extensão territorial do Brasil oferece oportunidades no mercado interno de se desenvolverem tecnologias próprias de transporte aéreo militar e civil. Isso já aconteceu com os atuais caças AMX fabricados pela EMBRAER. O caminho foi aberto e deu certo.
Se alguém tem alguma dúvida sobre a importação de tecnologia para fabricação de caças visando a nossa defesa aérea e a nosso papel de potência no hemisfério sul, particularmente na América do Sul, deve ouvir a entrevista de Günther Rudzit na TV Estadão. O bom senso indica que a associação da EMBRAER-GRIPEN será a solução mais adequada para nosso País. A França é uma potência mundial que, na prática, nos manterá dela dependente tecnologicamente numa área em que a extensão territorial do Brasil oferece oportunidades no mercado interno de se desenvolverem tecnologias próprias de transporte aéreo militar e civil. Isso já aconteceu com os atuais caças AMX fabricados pela EMBRAER. O caminho foi aberto e deu certo.
Wednesday, December 08, 2010
Que Deus nos Acuda
Como idoso e aposentado tenho sido muito beneficiado pelo programa de medicamentos genéricos. Confesso ter certas dúvidas e desconfianças quando a empresa produtora não é conhecida e seus preços são muito inferiores aos praticados no mercado. Se for brasileira, então, a desconfiança aumenta na medida em que eu não confie na capacidade técnica e administrativa, e principalmente na independência de nosso Banco Central da Saúde, conhecido como ANVISA, de fiscalizar a qualidade de produção desses medicamentos. Li que o cargo de seu Diretor está sendo loteado em disputas politiqueiras. Infelizmente, sou obrigado a dizer adeus aos produtores nacionais de genéricos. Não posso arriscar minha vida nessa falta de rumo e seriedade de nosso País justamente em questões vitais como essa. Punto e basta! That’s enough! Chega!
Como idoso e aposentado tenho sido muito beneficiado pelo programa de medicamentos genéricos. Confesso ter certas dúvidas e desconfianças quando a empresa produtora não é conhecida e seus preços são muito inferiores aos praticados no mercado. Se for brasileira, então, a desconfiança aumenta na medida em que eu não confie na capacidade técnica e administrativa, e principalmente na independência de nosso Banco Central da Saúde, conhecido como ANVISA, de fiscalizar a qualidade de produção desses medicamentos. Li que o cargo de seu Diretor está sendo loteado em disputas politiqueiras. Infelizmente, sou obrigado a dizer adeus aos produtores nacionais de genéricos. Não posso arriscar minha vida nessa falta de rumo e seriedade de nosso País justamente em questões vitais como essa. Punto e basta! That’s enough! Chega!
Saturday, December 04, 2010
Democracia Brasileira
Políticos brasileiros são como “la piuma al vento”. Ao invés de completa sintonia com a sociedade que representam, procuram agradar o Presidente para conseguir cargos, sempre para tirar vantagens, até mesmo ilícitas, como nossa história tem demonstrado. No primeiro sinal de tempestade que possa abalar o Poder do Presidente e atingi-los, voam em bando para o Congresso onde reavaliam para onde os ventos os levarão. Antes de eleições, o índice de popularidade do presidente funciona como biruta: indica para onde os ventos vão soprar. Se ele for impopular, fogem e se escondem dele. Nesse vai e vem, o Congresso como instituição se transforma em território de fuga e de passagem de políticos na conquista de poder no executivo em que nossos votos são simples estrelas em seus passaportes. Nossa democracia é formada pelo Executivo Todo Poderoso e Monstruoso que conduz junto a seus pés, despudoradamente, os Poderes Anões: Legislativo e Judiciário.
Políticos brasileiros são como “la piuma al vento”. Ao invés de completa sintonia com a sociedade que representam, procuram agradar o Presidente para conseguir cargos, sempre para tirar vantagens, até mesmo ilícitas, como nossa história tem demonstrado. No primeiro sinal de tempestade que possa abalar o Poder do Presidente e atingi-los, voam em bando para o Congresso onde reavaliam para onde os ventos os levarão. Antes de eleições, o índice de popularidade do presidente funciona como biruta: indica para onde os ventos vão soprar. Se ele for impopular, fogem e se escondem dele. Nesse vai e vem, o Congresso como instituição se transforma em território de fuga e de passagem de políticos na conquista de poder no executivo em que nossos votos são simples estrelas em seus passaportes. Nossa democracia é formada pelo Executivo Todo Poderoso e Monstruoso que conduz junto a seus pés, despudoradamente, os Poderes Anões: Legislativo e Judiciário.
Wednesday, November 24, 2010
Lei do Silêncio
Tristeza é o que muitos engenheiros e economistas de transportes sérios e competentes devem sentir ao ler as notícias sobre essa aventura chamada trem-bala. Infelizmente, nossas universidades, entidades de classe, pesquisadores com PHD e profissionais autônomos, sem falar de entidades públicas sérias que deveriam ter vez e voz nesse assunto, calam-se como se estivessem sujeitos à lei do silêncio, tão bem identificada pelo mote popular: "na muda, passarinho não canta". Isso tudo me lembra a frase de um ex-ministro com referência à política de transportes logo depois de assumir a pasta. “Deixem os técnicos cuidarem dela. Dos projetos, cuido eu”.
Tristeza é o que muitos engenheiros e economistas de transportes sérios e competentes devem sentir ao ler as notícias sobre essa aventura chamada trem-bala. Infelizmente, nossas universidades, entidades de classe, pesquisadores com PHD e profissionais autônomos, sem falar de entidades públicas sérias que deveriam ter vez e voz nesse assunto, calam-se como se estivessem sujeitos à lei do silêncio, tão bem identificada pelo mote popular: "na muda, passarinho não canta". Isso tudo me lembra a frase de um ex-ministro com referência à política de transportes logo depois de assumir a pasta. “Deixem os técnicos cuidarem dela. Dos projetos, cuido eu”.
Monday, November 01, 2010
Ignorância e Alienação
135,8 milhões de eleitores representarão 193 milhões de habitantes na escolha do novo presidente do Brasil. Com características fortes de ignorante, de boa índole, de sofredor, de infantil e de alienado, nós brasileiros, aos trancos e barrancos, estamos conseguindo consolidar o sistema democrático. Essas características surgem em todos os estratos sociais e econômicos e estão presentes nos eleitores dos dois candidatos. O novo presidente, seja Dilma ou Serra, terá de ser o presidente de todos os brasileiros para não gerar situações que possam levar-nos à instabilidade política e social, tão dificilmente preservada até hoje. Felizmente, há consenso de que o brasileiro deve sofrer menos e deixar de ser ignorante, bem como, de que precisa amadurecer. Infelizmente, ainda não tomamos consciência que a alienação e a boa índole nos impedem de equilibrar nossos pensamentos e decisões entre as forças da razão e do coração, deixando-nos vulneráveis à exploração de políticos e marqueteiros imorais. Que Deus nos ajude a livrar-nos um dia desse lixo
135,8 milhões de eleitores representarão 193 milhões de habitantes na escolha do novo presidente do Brasil. Com características fortes de ignorante, de boa índole, de sofredor, de infantil e de alienado, nós brasileiros, aos trancos e barrancos, estamos conseguindo consolidar o sistema democrático. Essas características surgem em todos os estratos sociais e econômicos e estão presentes nos eleitores dos dois candidatos. O novo presidente, seja Dilma ou Serra, terá de ser o presidente de todos os brasileiros para não gerar situações que possam levar-nos à instabilidade política e social, tão dificilmente preservada até hoje. Felizmente, há consenso de que o brasileiro deve sofrer menos e deixar de ser ignorante, bem como, de que precisa amadurecer. Infelizmente, ainda não tomamos consciência que a alienação e a boa índole nos impedem de equilibrar nossos pensamentos e decisões entre as forças da razão e do coração, deixando-nos vulneráveis à exploração de políticos e marqueteiros imorais. Que Deus nos ajude a livrar-nos um dia desse lixo
Sunday, October 17, 2010
Viva o PV!
Neste clima eleitoral poluído de mentiras e de aguçamento de divisões da sociedade brasileira entre pobres e ricos, o PV traz uma brisa regeneradora à sucessão presidencial, impondo publicamente à disputa entre Serra e Dilma condições para contar com seu apoio, destacando-se a ética e a sustentabilidade. Entre outras, citamos as seguintes condições: sustar todos os leilões de geração de energia elétrica gerada por meio de diesel e carvão; limitar o crescimento do gasto público federal a 50% do crescimento do PIB com o objetivo de aumentar os investimentos e reduzir a taxa de juros sem comprometer o controle da inflação; introduzir a avaliação técnica-profissional na seleção dos futuros ocupantes de cargos em comissão, bem como reduzir seu número, hoje excessivo; realizar reformas básicas como, por exemplo, a política e a tributária; combater e punir os corruptos doa a quem doer; estabelecer o limite zero de queimadas de matas em fase de regeneração em biomas críticos e veto a partes do novo código florestal em votação contrárias à preservação de nosso meio ambiente, como a de anistia ampla e irrestrita a crimes ambientais praticados no passado. E que o processo administrativo seja transparente para que o PV monitore os compromissos públicos assumidos pelos candidatos. Se não houvesse segundo turno, como Lula queria e lutou para que não acontecesse por meio de um engajamento na candidatura de Dilma simplesmente vergonhoso para nosso Estado Democrático de Direito, ficaríamos a mercê de marqueteiros que somente pensam na maquiagem física e verbal dos dois candidatos e de Lula que usa e abusa da ignorância de nosso povo, dizendo o que lhe vem à cabeça para agradá-lo.
Neste clima eleitoral poluído de mentiras e de aguçamento de divisões da sociedade brasileira entre pobres e ricos, o PV traz uma brisa regeneradora à sucessão presidencial, impondo publicamente à disputa entre Serra e Dilma condições para contar com seu apoio, destacando-se a ética e a sustentabilidade. Entre outras, citamos as seguintes condições: sustar todos os leilões de geração de energia elétrica gerada por meio de diesel e carvão; limitar o crescimento do gasto público federal a 50% do crescimento do PIB com o objetivo de aumentar os investimentos e reduzir a taxa de juros sem comprometer o controle da inflação; introduzir a avaliação técnica-profissional na seleção dos futuros ocupantes de cargos em comissão, bem como reduzir seu número, hoje excessivo; realizar reformas básicas como, por exemplo, a política e a tributária; combater e punir os corruptos doa a quem doer; estabelecer o limite zero de queimadas de matas em fase de regeneração em biomas críticos e veto a partes do novo código florestal em votação contrárias à preservação de nosso meio ambiente, como a de anistia ampla e irrestrita a crimes ambientais praticados no passado. E que o processo administrativo seja transparente para que o PV monitore os compromissos públicos assumidos pelos candidatos. Se não houvesse segundo turno, como Lula queria e lutou para que não acontecesse por meio de um engajamento na candidatura de Dilma simplesmente vergonhoso para nosso Estado Democrático de Direito, ficaríamos a mercê de marqueteiros que somente pensam na maquiagem física e verbal dos dois candidatos e de Lula que usa e abusa da ignorância de nosso povo, dizendo o que lhe vem à cabeça para agradá-lo.
Friday, October 08, 2010
DILMA versus DILMA
Ao contrário de análises superficiais sobre como será o segundo turno, o que realmente estará em jogo é se a Dilma Eletrônica, apoiada literalmente pela ventriloquia de Lula e pela construção marqueteira de imagem, consegue se encarnar na Dilma real, permitindo-lhe andar com as próprias pernas fora do "chiqueirinho", como esperam ansiosos a mídia e seu eleitorado. O resto depende de menos confusão na chamada base aliada de Serra que terá de descer do muro e oferecer uma visão clara do que pretende fazer de diferente do projeto "ludilma". E isso não será fácil, pois a metamorfose já contagiou Dilma no caso do aborto e não seria de se surpreender com uma Dilma Eletrônica 2 com aparelhos sofisticados de controle e orientação. Os robôs não são mais ficção! É bom se lembrar da controvérsia sobre Bush ter usado dispositivos eletrônicos escondidos sob o paletó para receber ajuda de seus assessores em três debates havidos com Al Gore durante sua disputadíssima eleição como sucessor de Clinton.
FIM
FIM
Monday, September 27, 2010
Federação Brasileira
Li os artigos dos dois principais candidatos a governador do Paraná: Roberto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) (Folha, 27/09). É reconfortante a leitura das sínteses que apresentaram do que farão se eleitos. Cansados com a propaganda eleitoral na disputa pela Presidência da República em que somente Marina expõe sua proposta com transparência e avalia o passado dos governos de FHC e Lula de forma clara e honesta, e sem medo, é muito bom lembrar que ainda somos uma federação. Mais de que um novo Presidente da República, precisamos restabelecer o poder econômico-financeiro dos Estados para que o Brasil não se afunde sob lideranças improvisadas no Governo Federal. O melhor exemplo de desperdício de recursos é o projeto populista de Dilma de um trem-bala que, depois de condenado pelo BNDES e pelo Banco Mundial, sequer foi discutido fora do âmbito do Governo Federal por técnicos e profissionais independentes de notória competência. A nação brasileira é grande demais para ser administrada e governada de forma centralizada e improvisada. Se eleitos Richa, Alckmin e Anastasia, o Brasil formará um eixo robusto de gestão pública da melhor qualidade que poderá construir, pelo exemplo, uma ponte entre o Brasil desenvolvido e o atrasado.
Li os artigos dos dois principais candidatos a governador do Paraná: Roberto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) (Folha, 27/09). É reconfortante a leitura das sínteses que apresentaram do que farão se eleitos. Cansados com a propaganda eleitoral na disputa pela Presidência da República em que somente Marina expõe sua proposta com transparência e avalia o passado dos governos de FHC e Lula de forma clara e honesta, e sem medo, é muito bom lembrar que ainda somos uma federação. Mais de que um novo Presidente da República, precisamos restabelecer o poder econômico-financeiro dos Estados para que o Brasil não se afunde sob lideranças improvisadas no Governo Federal. O melhor exemplo de desperdício de recursos é o projeto populista de Dilma de um trem-bala que, depois de condenado pelo BNDES e pelo Banco Mundial, sequer foi discutido fora do âmbito do Governo Federal por técnicos e profissionais independentes de notória competência. A nação brasileira é grande demais para ser administrada e governada de forma centralizada e improvisada. Se eleitos Richa, Alckmin e Anastasia, o Brasil formará um eixo robusto de gestão pública da melhor qualidade que poderá construir, pelo exemplo, uma ponte entre o Brasil desenvolvido e o atrasado.
Sunday, September 26, 2010
Liberdade
Discutir respeito à liberdade em expressão artística com conteúdo político anarquista à luz do direito, enquanto os políticos fazem suas artes e seus espetáculos mentindo, botoxiando, mascarando, ventriloquando, tapeando, maquiando, enganando, marqueteando, transformando-nos em pobres expectadores de teatro mambembe, é fugir da responsabilidade social e política da OAB zelar pelo respeito às leis e preceitos constitucionais em nossas eleições quadrienais. Deixe aos artistas autênticos a responsabilidade e a autoridade em suas eleições bienais de se organizarem e de mostrarem ao público suas obras. E aos organizadores da mostra, a crítica a eventuais controles públicos de entrada de menores de idade em salas com conteúdo inadequado a essa faixa de idade.
Discutir respeito à liberdade em expressão artística com conteúdo político anarquista à luz do direito, enquanto os políticos fazem suas artes e seus espetáculos mentindo, botoxiando, mascarando, ventriloquando, tapeando, maquiando, enganando, marqueteando, transformando-nos em pobres expectadores de teatro mambembe, é fugir da responsabilidade social e política da OAB zelar pelo respeito às leis e preceitos constitucionais em nossas eleições quadrienais. Deixe aos artistas autênticos a responsabilidade e a autoridade em suas eleições bienais de se organizarem e de mostrarem ao público suas obras. E aos organizadores da mostra, a crítica a eventuais controles públicos de entrada de menores de idade em salas com conteúdo inadequado a essa faixa de idade.
Saturday, September 25, 2010
Nepotismo Eleitoral
Todo brasileiro sabe o que é nepotismo no preenchimento de cargos públicos. Felizmente, isso somente acontece em cargos que não exigem concurso público. No nepotismo eleitoral ele não pode simplesmente nomear seus protegidos, pois todos os cargos requerem eleição. Seria uma espécie de concurso público em que o candidato tem que se impor com seus próprios méritos a seus futuros eleitores. Correto? Não, não e não! No concurso público o padrinho não pode soprar no ouvido de seu afilhado político as respostas certas dos testes e tampouco comparecer a entrevistas, tomando seu lugar. Em eleições, o padrinho pode moldar seu protegido sem limites, chegando ao ponto extremo de transformá-lo em produto desejado pela população, utilizando dispendiosos serviços de marqueteiros, estilistas, cirurgiões plásticos, esteticistas, e tudo mais que o dinheiro compra. E pode até falar em seu lugar, sem ter de fazer o esforço do ventríloquo. Roriz, impressionado com o sucesso de Lula em relação a sua afilhada política Dilma, resolveu sair de uma enrascada, em que é o candidato preferido, mas não pode se eleger, e lançar em seu lugar como candidata sua esposa Weslian. Será que há tempo para mais uma mistificação? Estou seguro que tanto Dilma como Weslian são pessoas que merecem nossa consideração e respeito. Porém, não nossos votos da forma como suas candidaturas surgiram e se desenvolvem sob a batuta de seus padrinhos.
Todo brasileiro sabe o que é nepotismo no preenchimento de cargos públicos. Felizmente, isso somente acontece em cargos que não exigem concurso público. No nepotismo eleitoral ele não pode simplesmente nomear seus protegidos, pois todos os cargos requerem eleição. Seria uma espécie de concurso público em que o candidato tem que se impor com seus próprios méritos a seus futuros eleitores. Correto? Não, não e não! No concurso público o padrinho não pode soprar no ouvido de seu afilhado político as respostas certas dos testes e tampouco comparecer a entrevistas, tomando seu lugar. Em eleições, o padrinho pode moldar seu protegido sem limites, chegando ao ponto extremo de transformá-lo em produto desejado pela população, utilizando dispendiosos serviços de marqueteiros, estilistas, cirurgiões plásticos, esteticistas, e tudo mais que o dinheiro compra. E pode até falar em seu lugar, sem ter de fazer o esforço do ventríloquo. Roriz, impressionado com o sucesso de Lula em relação a sua afilhada política Dilma, resolveu sair de uma enrascada, em que é o candidato preferido, mas não pode se eleger, e lançar em seu lugar como candidata sua esposa Weslian. Será que há tempo para mais uma mistificação? Estou seguro que tanto Dilma como Weslian são pessoas que merecem nossa consideração e respeito. Porém, não nossos votos da forma como suas candidaturas surgiram e se desenvolvem sob a batuta de seus padrinhos.
Sunday, September 19, 2010
Presidenta da República
É incrível que nós brasileiros tenhamos de responder à Erenice Guerra sua pergunta: "Depois que uma pessoa passa a exercer um cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos?" Se o cargo de Ministra Chefe da Casa Civil fosse de pouca importância, como por exemplo a de Chefe de Almoxarifado da Prefeitura de Piripiri, no Piauí, seria aceitável responder sua pergunta e dar-lhe algumas dicas a respeito. O que não pode acontecer, e está acontecendo, é que Erenice Guerra e Dilma Rousseff não são marinheiras e sim almirantas de primeira viagem, nomeadas por Lula que, no passado, apesar de ser marinheiro de muitas viagens, passou por algo semelhante e ainda não aprendeu, ou não quer aprender como se tornar almirante. Para quê se já conseguiu ter tanto sucesso como marinheiro? Afinal, os eleitores brasileiros não ligam para maracutaias e bagunças administrativas e institucionais. Quem sabe até gostem de sofrer, diria Freud. Não o segurança de Lula (http://www.escandalodomensalao.com.br/cap05.php ), mas o Sigismundo. Se isso já não bastasse, estamos sendo ameaçados, novamente, pela quase nova presidenta do Brasil, escolhida por Lula para "navegar em mares nunca dantes navegados", Dilma Rousseff, que aprendeu a lição mais importante de seu chefe durante o escândalo do mensalão, ao afirmar: “Não sabia de nada! Minha relação com Erenice era estritamente profissional!” E procura sair da enrascada em que se meteu com a seguinte frase “Tenho clareza que sou uma servidora pública" Imagine se o Papa Bento XVI, perguntado na recente visita que fez ao Reino Unido sobre os crimes de pedofilia cometidos por padres da Igreja Católica em que é Sumo Pontífice, se saísse com a seguinte resposta: “Tenho clareza que sou um servidor de Cristo”.
É incrível que nós brasileiros tenhamos de responder à Erenice Guerra sua pergunta: "Depois que uma pessoa passa a exercer um cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos?" Se o cargo de Ministra Chefe da Casa Civil fosse de pouca importância, como por exemplo a de Chefe de Almoxarifado da Prefeitura de Piripiri, no Piauí, seria aceitável responder sua pergunta e dar-lhe algumas dicas a respeito. O que não pode acontecer, e está acontecendo, é que Erenice Guerra e Dilma Rousseff não são marinheiras e sim almirantas de primeira viagem, nomeadas por Lula que, no passado, apesar de ser marinheiro de muitas viagens, passou por algo semelhante e ainda não aprendeu, ou não quer aprender como se tornar almirante. Para quê se já conseguiu ter tanto sucesso como marinheiro? Afinal, os eleitores brasileiros não ligam para maracutaias e bagunças administrativas e institucionais. Quem sabe até gostem de sofrer, diria Freud. Não o segurança de Lula (http://www.escandalodomensalao.com.br/cap05.php ), mas o Sigismundo. Se isso já não bastasse, estamos sendo ameaçados, novamente, pela quase nova presidenta do Brasil, escolhida por Lula para "navegar em mares nunca dantes navegados", Dilma Rousseff, que aprendeu a lição mais importante de seu chefe durante o escândalo do mensalão, ao afirmar: “Não sabia de nada! Minha relação com Erenice era estritamente profissional!” E procura sair da enrascada em que se meteu com a seguinte frase “Tenho clareza que sou uma servidora pública" Imagine se o Papa Bento XVI, perguntado na recente visita que fez ao Reino Unido sobre os crimes de pedofilia cometidos por padres da Igreja Católica em que é Sumo Pontífice, se saísse com a seguinte resposta: “Tenho clareza que sou um servidor de Cristo”.
Saturday, September 11, 2010
Cabo Lula
A atitude de Lula ao deixar a Presidência vacante para se tornar Cabo Eleitoral de Dilma foi bem até agora, graças à omissão da justiça eleitoral. Daqui para frente ele poderá por tudo a perder. É inadmissível que um Presidente peça votos em programa eleitoral de um ex-governador e candidato a senador que seja preso, no dia seguinte, pela Polícia Federal por corrupção das brabas; antes, também, em programa de Dilma, manifeste-se contrariado com a oposição pelo uso eleitoral dos crimes de quebra do sigilo fiscal da filha do candidato Serra e de dirigentes do PSDB, realizados a pedido de membros do PT. Lula esqueceu-se do cargo de Presidente de todos brasileiros para o qual foi eleito e não se dirigiu à nação para tranqüilizá-la, dando-lhe garantia que seriam adotadas medidas corretivas para que esses crimes não se repetissem e pedindo desculpas às vítimas pelo ocorrido. Ao contrário, surge agora a denúncia de que a própria Corregedoria da Receita Federal incide em crime ao ‘legalizar‘ outros acessos ilegais com procurações assinadas depois das violações havidas. Será que o Leão, feroz com os contribuintes, é lambedor de funcionários falsários e corruptos? Da. Dilma abra o olho ou a festa pode acabar com o célebre cartaz na porta do salão de entrada: “Fechado para Faxina”.
A atitude de Lula ao deixar a Presidência vacante para se tornar Cabo Eleitoral de Dilma foi bem até agora, graças à omissão da justiça eleitoral. Daqui para frente ele poderá por tudo a perder. É inadmissível que um Presidente peça votos em programa eleitoral de um ex-governador e candidato a senador que seja preso, no dia seguinte, pela Polícia Federal por corrupção das brabas; antes, também, em programa de Dilma, manifeste-se contrariado com a oposição pelo uso eleitoral dos crimes de quebra do sigilo fiscal da filha do candidato Serra e de dirigentes do PSDB, realizados a pedido de membros do PT. Lula esqueceu-se do cargo de Presidente de todos brasileiros para o qual foi eleito e não se dirigiu à nação para tranqüilizá-la, dando-lhe garantia que seriam adotadas medidas corretivas para que esses crimes não se repetissem e pedindo desculpas às vítimas pelo ocorrido. Ao contrário, surge agora a denúncia de que a própria Corregedoria da Receita Federal incide em crime ao ‘legalizar‘ outros acessos ilegais com procurações assinadas depois das violações havidas. Será que o Leão, feroz com os contribuintes, é lambedor de funcionários falsários e corruptos? Da. Dilma abra o olho ou a festa pode acabar com o célebre cartaz na porta do salão de entrada: “Fechado para Faxina”.
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