TELEBRÁS
Em excelente artigo (Folha 26/02), o Dep. Eduardo Gomes argumenta ser desnecessária a reativação da Estatal Telebrás para implementar a política de universalização do acesso à internet via banda larga no Brasil e aponta com clareza e objetividade as inconveniências dessa medida cogitada pelo Governo Federal. Depois de ler esse artigo, confesso que manifestação do Presidente Lula de que o papel do governo no processo produtivo é "regular, fiscalizar e induzir", era somente para inglês ler. Salvo, se ele está implantando modelo de competição entre o Estado e empresas privadas, conforme outra manifestação sua na mesma entrevista (Estadão 19/2): “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer se vocês não forem eu vou, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”. Seria interessante que o Governo Federal nos esclarecesse o que está realmente acontecendo no setor: estatização, pura e simples, ou se trata da política “se vocês não forem eu vou”. Afinal, foi assim que os Estados mais antigos e os modernos descobriram novas terras “em mares nunca dantes navegados” e foram para o espaço, também nunca antes navegado. Contudo, é bom lembrar do discurso do General Eisenhower (Farewell Speech, 1961), (http://www.youtube.com/watch?v=8y06NSBBRtY) chamando a atenção para o risco da democracia norte americana diante do complexo industrial-militar que se estruturou naquele País. Ou da fala de nosso Brigadeiro Eduardo Gomes, homônimo ou quem sabe parente do ilustre deputado acima citado, quando afirmava que o preço da democracia é a eterna vigilância. A estatização desnecessária ou a articulação da produção privada com o Estado por meio de mecanismos “por fora do mercado” são modelos certos para o enrijecimento das instituições democráticas e do processo produtivo, trazendo ineficiência generalizada e estimulando intervenções políticas arbitrárias que pioram a situação econômica e social da nação.
Friday, February 26, 2010
Sunday, February 21, 2010
Tarifa de Celular no Brasil- A segunda mais alta do mundo
Se não fossem as denúncias de nossa mídia, o escalpelamento dos consumidores brasileiros pelas grandes empresas seria completo. Os representantes eleitos pelo povo para criar leis e fiscalizar as ações do executivo somente se preocupam com a gangorra do poder, deixando-nos completamente indefesos. Executivo e legislativo não exigem da ANATEL que se estruture com pessoas altamente qualificadas nas áreas técnica e econômica e cumpra suas funções na defesa de competição saudável. Ao contrário, sua omissão estimula a inoperância que acaba reforçando a proposta do retorno da Telebrás. O presidente Lula usa e abusa da ignorância e infantilidade de nosso povo, gerando contradições entre o que diz e o que faz. Em entrevista dada a O Estado de São Paulo (19/2) brincou, dizendo que Estadão, somente o jornal, referindo-se à pergunta sobre “Por que mais Estado na economia“, tese do PT e de Dilma. E afirmou, em seguida, com todas as letras, que o papel do governo é regular, fiscalizar e induzir. Por que então ele não aplica sua receita, solicitando que a ANATEL regule, fiscalize e auxilie seu Governo na viabilização de projetos não-rentáveis e socialmente desejáveis sem necessidade do Estado ser empreendedor e gerenciador direto de serviços? Como conciliar a sua idéia sobre o papel do Estado com a ressurreição da Telebrás e a criação de uma “mega empresa de energia’? A resposta é dada por ele mesmo ao afirmar: “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer SE VOCES NÃO FOREM, EU VOU, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”, ou seja, o Estado não regula, não fiscaliza e não induz, como afirmou acima. Age diretamente como empreendedor e realizador de obras, como diz depois. Numa simples frase transborda toda a filosofia sua, do PT e da candidata Dilma: Se vocês (empresários e investidores) não forem, nós vamos. É o fim da economia de mercado regulado, fiscalizado e induzido, já que o “mercado diabólico”, totalmente livre para escalpelar os consumidores é resultado da inoperância dos poderes executivo e legislativo em cobrar da ANATEL o cumprimento das funções para as quais foi criada. Entrega-se o mercado ao diabo, para exterminá-lo em seguida
Se não fossem as denúncias de nossa mídia, o escalpelamento dos consumidores brasileiros pelas grandes empresas seria completo. Os representantes eleitos pelo povo para criar leis e fiscalizar as ações do executivo somente se preocupam com a gangorra do poder, deixando-nos completamente indefesos. Executivo e legislativo não exigem da ANATEL que se estruture com pessoas altamente qualificadas nas áreas técnica e econômica e cumpra suas funções na defesa de competição saudável. Ao contrário, sua omissão estimula a inoperância que acaba reforçando a proposta do retorno da Telebrás. O presidente Lula usa e abusa da ignorância e infantilidade de nosso povo, gerando contradições entre o que diz e o que faz. Em entrevista dada a O Estado de São Paulo (19/2) brincou, dizendo que Estadão, somente o jornal, referindo-se à pergunta sobre “Por que mais Estado na economia“, tese do PT e de Dilma. E afirmou, em seguida, com todas as letras, que o papel do governo é regular, fiscalizar e induzir. Por que então ele não aplica sua receita, solicitando que a ANATEL regule, fiscalize e auxilie seu Governo na viabilização de projetos não-rentáveis e socialmente desejáveis sem necessidade do Estado ser empreendedor e gerenciador direto de serviços? Como conciliar a sua idéia sobre o papel do Estado com a ressurreição da Telebrás e a criação de uma “mega empresa de energia’? A resposta é dada por ele mesmo ao afirmar: “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer SE VOCES NÃO FOREM, EU VOU, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”, ou seja, o Estado não regula, não fiscaliza e não induz, como afirmou acima. Age diretamente como empreendedor e realizador de obras, como diz depois. Numa simples frase transborda toda a filosofia sua, do PT e da candidata Dilma: Se vocês (empresários e investidores) não forem, nós vamos. É o fim da economia de mercado regulado, fiscalizado e induzido, já que o “mercado diabólico”, totalmente livre para escalpelar os consumidores é resultado da inoperância dos poderes executivo e legislativo em cobrar da ANATEL o cumprimento das funções para as quais foi criada. Entrega-se o mercado ao diabo, para exterminá-lo em seguida
Thursday, February 18, 2010
Temas da Campanha Presidencial
É surpreendente o descolamento da classe política das reais necessidades de nosso povo. Ninguém se sente seguro em nosso país. Pobres ou ricos, vivemos assustados e buscando nos proteger contra tudo e todos. A droga está tomando nosso povo de assalto, especialmente o CRACK que endoidece e mata, até os mendigos em farrapos que perambulam como zumbis pelas nossas ruas. O ensino fundamental continua péssimo. Estudantes que concluem o ensino médio, especialmente em escolas públicas, não conseguem trabalhar com números, porcentagens, juros, medidas de volume, de áreas e até mesmo lineares. Ler e entender o que leu, somente com muita dificuldade. Escrevem textos que são de fazer os pais, alfabetizados em outras épocas, chorarem de desgosto. O saneamento, a saúde pública, em que a nutrição e os esportes são fundamentais, caminham se arrastando, com prioridades mal fixadas e mal executadas. O transporte, particularmente de passageiros em áreas urbanas, continua péssimo e deve piorar ainda mais com congestionamentos e vícios de uso do espaço público pelos automóveis, cuja frota cresce assustadoramente e sem rumo. Habitação e uso do solo estão mal estruturados. Não obstante esses poucos exemplos de problemas atuais e urgentes, a pauta dos candidatos, tudo indica, irá se referir ao passado que foi palco das realizações feitas nas administrações de FHC e de Lula e que jamais serão alteradas ou contestadas em sua essência pelos atuais candidatos, como sejam, por exemplo, a manutençào do poder aquisitivo da moeda e a transferência de renda para os que não tem emprego ou que não têm condições de sobreviver sem ajuda pública (bolsa família, seguro desemprego, etc). Que tal, senhores candidatos, começar a discutir soluções objetivas para a segurança, educação, saúde, saneamento e habitação? E deixar a inflação e a transferência de renda como conquistas que podem e devem ser aprimoradas, por qualquer candidato? Comparar as administrações de FHC e Lula, como tema da campanha, seria uma forma de ilusionismo e mistificação própria de políticos alienados ou safados que não querem enfrentar o debate dos problemas de nosso dia-a-dia que nos avilta e maltrata. Afinal, a disputa eleitoral não é de FHC com Lula, hoje com popularidade imbatível. É entre sua afilhada política Dilma, que recentemente entrou no PT e somente agora começa a falar sem monitoramento, e José Serra, ex-ministro de FHC que já é conhecido pelos eleitores de longa data. Por último, afirmo que o candidato que merecerá meu voto será aquele que mostrar qualificação, motivação e condições de usar o inflado poder do executivo nacional na liderança de reformas políticas e no judiciário que afastem, de vez, a politicagem e a prática de desvios de recursos públicos. Nós, brasileiros que pagamos impostos, bem como os que não pagam porque o País não lhes ofereceu oportunidades de sair da miséria e pobreza, não aguentamos mais ver sorrisos de trambiqueiros em nossa mídia. A náusea que isso nos causa parece não ter fim: mensaleiros, propineiros e trambiqueiros juntos com políticos corrompidos e com fornecedores sem ética que os alimentam com dinheiro público resultante de sobrepreços, devem pagar pelos crimes. E somente serem absolvidos quando devolverem até o último tostão que roubaram. Não basta cumprir pena e sair rico da cadeia.
É surpreendente o descolamento da classe política das reais necessidades de nosso povo. Ninguém se sente seguro em nosso país. Pobres ou ricos, vivemos assustados e buscando nos proteger contra tudo e todos. A droga está tomando nosso povo de assalto, especialmente o CRACK que endoidece e mata, até os mendigos em farrapos que perambulam como zumbis pelas nossas ruas. O ensino fundamental continua péssimo. Estudantes que concluem o ensino médio, especialmente em escolas públicas, não conseguem trabalhar com números, porcentagens, juros, medidas de volume, de áreas e até mesmo lineares. Ler e entender o que leu, somente com muita dificuldade. Escrevem textos que são de fazer os pais, alfabetizados em outras épocas, chorarem de desgosto. O saneamento, a saúde pública, em que a nutrição e os esportes são fundamentais, caminham se arrastando, com prioridades mal fixadas e mal executadas. O transporte, particularmente de passageiros em áreas urbanas, continua péssimo e deve piorar ainda mais com congestionamentos e vícios de uso do espaço público pelos automóveis, cuja frota cresce assustadoramente e sem rumo. Habitação e uso do solo estão mal estruturados. Não obstante esses poucos exemplos de problemas atuais e urgentes, a pauta dos candidatos, tudo indica, irá se referir ao passado que foi palco das realizações feitas nas administrações de FHC e de Lula e que jamais serão alteradas ou contestadas em sua essência pelos atuais candidatos, como sejam, por exemplo, a manutençào do poder aquisitivo da moeda e a transferência de renda para os que não tem emprego ou que não têm condições de sobreviver sem ajuda pública (bolsa família, seguro desemprego, etc). Que tal, senhores candidatos, começar a discutir soluções objetivas para a segurança, educação, saúde, saneamento e habitação? E deixar a inflação e a transferência de renda como conquistas que podem e devem ser aprimoradas, por qualquer candidato? Comparar as administrações de FHC e Lula, como tema da campanha, seria uma forma de ilusionismo e mistificação própria de políticos alienados ou safados que não querem enfrentar o debate dos problemas de nosso dia-a-dia que nos avilta e maltrata. Afinal, a disputa eleitoral não é de FHC com Lula, hoje com popularidade imbatível. É entre sua afilhada política Dilma, que recentemente entrou no PT e somente agora começa a falar sem monitoramento, e José Serra, ex-ministro de FHC que já é conhecido pelos eleitores de longa data. Por último, afirmo que o candidato que merecerá meu voto será aquele que mostrar qualificação, motivação e condições de usar o inflado poder do executivo nacional na liderança de reformas políticas e no judiciário que afastem, de vez, a politicagem e a prática de desvios de recursos públicos. Nós, brasileiros que pagamos impostos, bem como os que não pagam porque o País não lhes ofereceu oportunidades de sair da miséria e pobreza, não aguentamos mais ver sorrisos de trambiqueiros em nossa mídia. A náusea que isso nos causa parece não ter fim: mensaleiros, propineiros e trambiqueiros juntos com políticos corrompidos e com fornecedores sem ética que os alimentam com dinheiro público resultante de sobrepreços, devem pagar pelos crimes. E somente serem absolvidos quando devolverem até o último tostão que roubaram. Não basta cumprir pena e sair rico da cadeia.
Monday, February 15, 2010
VENEZUELA
O discurso do PT para convencer uma oposição despreparada a aprovar a entrada desse País no MERCOSU foi de que os governos passam e os países ficam. Na Rússia, passaram-se 74 anos entre Lênin e Gobarchev; em Cuba, já se foram quase 50 anos e o socialismo continua; e na Venezuela, a implantação do socialismo bolivariano, com citação tropicalizada da “mais valia” de Marx, começou agora sob a batuta de Chávez e ninguém sabe quanto tempo isso vai durar. Não teria sido mais prudente esperar? Quem sabe o Senado paraguaio tenha mais juízo e não aprove, ainda, a entrada da Venezuela com sua economia regulada pelo arbítrio de Hugo Chávez que seguramente implodirá o moribundo MERCOSUL.
Saturday, February 13, 2010
Arruda
"Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos", foi assim que o atual Governador do DF, Roberto Arruda, então senador eleito pelo PP de Roriz, em 94, e embarcado, em 1.995, como novo membro do PSDB no trem da vitória de FHC, despediu-se de seus colegas, em 2.001, para não correr o risco de ser cassado por falta de decoro parlamentar. Sua participação na espionagem praticada por ACM no painel eletrônico do Senado tornou-se pública, depois dele ter negado veementemente seu envolvimento, obrigando-o a admiti-la em discurso de despedida. Fui um dos expectadores de sua atuação dramática, lacrimosa, intensa e emocionante. Graças às lágrimas, ou à falta de memória e ignorância dos eleitores, ou ao reatamento de sua “amizade” com Roriz, ele foi eleito deputado federal pelo DEM, já em 2.002, sendo o mais votado entre os demais representantes do Distrito Federal no Congresso Nacional. Em 2.006, ele se elege governador do DF, e Paulo Otávio, seu vice, para felicidade e gáudio do DEM. Com as pesadas e bem documentadas acusações da PF sobre desvio de recursos públicos e recebimento de propinas, pergunto-me se a dose dupla se repetirá: primeiro, nega, o que já aconteceu; depois, admite o crime com choro e vela e renuncia ao cargo para evitar o “impeachment”, garantindo sua eleição para Deputado Federal no próximo ano. Se isso acontecer, sua célebre frase será mais curta e incisiva: “Não matei”. Aliás, esse novo bordão deveria ser escrito em medalha de condecoração a ser ostentada no peito varonil dos demais mensaleiros e propineiros que infestam mortalmente nossas instituições democráticas. Afinal, nosso País não é uma republiqueta e pode se orgulhar de não ter assassinos em seus quadros políticos e nos altos escalões da administração pública. Quanto aos demais desvios de caráter e conduta são herança cultural e histórica que somente se extinguirão quando se proceder profunda reforma política e substituição maciça de políticos “viciados” que emporcalham os partidos políticos, sendo que muitos deles deveriam simplesmente ser extintos.
"Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos", foi assim que o atual Governador do DF, Roberto Arruda, então senador eleito pelo PP de Roriz, em 94, e embarcado, em 1.995, como novo membro do PSDB no trem da vitória de FHC, despediu-se de seus colegas, em 2.001, para não correr o risco de ser cassado por falta de decoro parlamentar. Sua participação na espionagem praticada por ACM no painel eletrônico do Senado tornou-se pública, depois dele ter negado veementemente seu envolvimento, obrigando-o a admiti-la em discurso de despedida. Fui um dos expectadores de sua atuação dramática, lacrimosa, intensa e emocionante. Graças às lágrimas, ou à falta de memória e ignorância dos eleitores, ou ao reatamento de sua “amizade” com Roriz, ele foi eleito deputado federal pelo DEM, já em 2.002, sendo o mais votado entre os demais representantes do Distrito Federal no Congresso Nacional. Em 2.006, ele se elege governador do DF, e Paulo Otávio, seu vice, para felicidade e gáudio do DEM. Com as pesadas e bem documentadas acusações da PF sobre desvio de recursos públicos e recebimento de propinas, pergunto-me se a dose dupla se repetirá: primeiro, nega, o que já aconteceu; depois, admite o crime com choro e vela e renuncia ao cargo para evitar o “impeachment”, garantindo sua eleição para Deputado Federal no próximo ano. Se isso acontecer, sua célebre frase será mais curta e incisiva: “Não matei”. Aliás, esse novo bordão deveria ser escrito em medalha de condecoração a ser ostentada no peito varonil dos demais mensaleiros e propineiros que infestam mortalmente nossas instituições democráticas. Afinal, nosso País não é uma republiqueta e pode se orgulhar de não ter assassinos em seus quadros políticos e nos altos escalões da administração pública. Quanto aos demais desvios de caráter e conduta são herança cultural e histórica que somente se extinguirão quando se proceder profunda reforma política e substituição maciça de políticos “viciados” que emporcalham os partidos políticos, sendo que muitos deles deveriam simplesmente ser extintos.
Monday, February 08, 2010
Brasil no Conselho de Segurança da ONU
Finalmente, alguém foi franco e direto sobre a escolha já feita dos caças Rafale da França. Em resposta à pergunta de Samy Adghirni (Folha, 8/2) ao Embaixador Francês no Brasil, Yves Saint-Geours, como ele reagira “ao relatório de avaliação técnica da FAB que colocou o Rafale na última colocação entre os concorrentes”, ele disse que se tratava de informações da imprensa e que não se deixou levar por isso, afirmando: “É claro que o assunto foi muito comentado do lado francês, mas nem por isso peguei minha bengala e meu chapéu para ir cobrar explicações (sic) do governo brasileiro”. Mais adiante, em resposta a outra pergunta explicou: “Os críticos dizem que nessa parceria um ganha, enquanto o outro desembolsa. Isso não é verdade... Os dois lados ganham. Além disso, essa parceria tem um custo para a França.” “Que custo?”, perguntou o repórter. A resposta foi direta: “Seria muito mais fácil para nós se disséssemos que apoiamos o ingresso de um país latino-americano como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU sem dizer quem é nosso candidato”, referindo-se, obviamente, ao Brasil. Trocando em miúdos (ou em graúdos), gastaremos dezenas de bilhões de reais a mais na compra de navios, submarino nuclear e caças, sem esquecer a escolha, sem licitação, da empresa empreiteira Odebrecht como parceira, feita por empresa estatal francesa para participar de construções e montagens no Brasil. O objetivo estratégico perseguido por Lula, Garcia e Amorim é a França apoiar, explicitamente, nosso ingresso no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, nossas autoridades continuam postergando a decisão final da compra dos caças Rafale, já acertada com a França. Qualquer semelhança com as manobras de nossas novelas é mera coincidência. Recomendo ao Embaixador Saint-Geours que tenha paciência e aguarde o final feliz. Enquanto isso, por mera precaução, deixe sua bengala e chapéu à vista.
Finalmente, alguém foi franco e direto sobre a escolha já feita dos caças Rafale da França. Em resposta à pergunta de Samy Adghirni (Folha, 8/2) ao Embaixador Francês no Brasil, Yves Saint-Geours, como ele reagira “ao relatório de avaliação técnica da FAB que colocou o Rafale na última colocação entre os concorrentes”, ele disse que se tratava de informações da imprensa e que não se deixou levar por isso, afirmando: “É claro que o assunto foi muito comentado do lado francês, mas nem por isso peguei minha bengala e meu chapéu para ir cobrar explicações (sic) do governo brasileiro”. Mais adiante, em resposta a outra pergunta explicou: “Os críticos dizem que nessa parceria um ganha, enquanto o outro desembolsa. Isso não é verdade... Os dois lados ganham. Além disso, essa parceria tem um custo para a França.” “Que custo?”, perguntou o repórter. A resposta foi direta: “Seria muito mais fácil para nós se disséssemos que apoiamos o ingresso de um país latino-americano como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU sem dizer quem é nosso candidato”, referindo-se, obviamente, ao Brasil. Trocando em miúdos (ou em graúdos), gastaremos dezenas de bilhões de reais a mais na compra de navios, submarino nuclear e caças, sem esquecer a escolha, sem licitação, da empresa empreiteira Odebrecht como parceira, feita por empresa estatal francesa para participar de construções e montagens no Brasil. O objetivo estratégico perseguido por Lula, Garcia e Amorim é a França apoiar, explicitamente, nosso ingresso no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, nossas autoridades continuam postergando a decisão final da compra dos caças Rafale, já acertada com a França. Qualquer semelhança com as manobras de nossas novelas é mera coincidência. Recomendo ao Embaixador Saint-Geours que tenha paciência e aguarde o final feliz. Enquanto isso, por mera precaução, deixe sua bengala e chapéu à vista.
Saturday, February 06, 2010
BRASIL SA
"Não queremos estatizar por estatizar. As empresas privadas não fizeram sua parte e o governo vai mostrar que tem bala na agulha, porque senão ninguém quer fazer nada para pobre neste país." Foi isso que Lula disse na inauguração de fábrica estatal de semicondutores, CEITEC S A, ontem, em Porto Alegre. São duas afirmações com críticas implícitas que merecem respostas: a primeira, que a iniciativa privada se omitiu ao não fabricar semicondutores em nosso País;e, a segunda que se não estiver com “bala na agulha” para substituir a empresa privada na produção “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Com relação ao uso de um “balaço na agulha” de R$ 400 milhões na CEITEC SA, cabe às entidades que congregam empresários e investidores privados responder por que o setor privado se omitiu. Sobre o segundo questionamento, o presidente Lula está cansado de saber que pobre sem dinheiro, por definição, não pode comprar nada daquilo que necessita. Nesse caso, cabe ao setor público, que se apropria de 40% do PIB nacional por meio de impostos, prover o mínimo para a sobrevivência de nosso povo, seja em serviços públicos universais gratuitos e de boa qualidade (saúde, segurança, educação, saneamento), seja em dinheiro, como já é feito pelo Bolsa Família. Albergues e outras instituições públicas e privadas assumem, também, a guarda da pessoa necessitada, oferecendo-lhe abrigo, alimentos, roupas e outros produtos e serviços diretamente. Imagino que Lula se refere a estes dois casos quando diz que “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Realmente, nossa elite poderia ser mais caridosa. Principalmente, quando ela envolve políticos, servidores e fornecedores privados, organizados em quadrilha, para desviar dinheiro público por meio de mutretas milionárias. Quando o fazem, não demonstram dó ou piedade dos mais pobres, não devolvem o dinheiro roubado e permanecem impunes. A prioridade, perdoe-me o Presidente Lula, não é o governo ficar com “bala na agulha” para substituir empresas privadas na produção de petróleo do pré-sal, na construção e operação direta de aeroportos, no subsídio a Trem de Alta Velocidade, por exemplo. A “bala na agulha” deveria ser usada contra os que desviam recursos públicos para debaixo de suas roupas íntimas. ou para fins lícitos, porém, de baixa prioridade econômica e social. Ninguém deve ou deveria morrer de fome ou por falta de serviços públicos decentes. E ninguém, tampouco, deve ou deveria sobreviver e passar a vida como pessoa ignorante e desprovida de conhecimento suficiente para exercer uma profissão com eficácia e dignidade, por falta de boa educação pública. Termino esta nota como um vizinho meu costuma responder a críticas que lhe fazem: “cuide de sua casa, que da minha cuido eu!”
"Não queremos estatizar por estatizar. As empresas privadas não fizeram sua parte e o governo vai mostrar que tem bala na agulha, porque senão ninguém quer fazer nada para pobre neste país." Foi isso que Lula disse na inauguração de fábrica estatal de semicondutores, CEITEC S A, ontem, em Porto Alegre. São duas afirmações com críticas implícitas que merecem respostas: a primeira, que a iniciativa privada se omitiu ao não fabricar semicondutores em nosso País;e, a segunda que se não estiver com “bala na agulha” para substituir a empresa privada na produção “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Com relação ao uso de um “balaço na agulha” de R$ 400 milhões na CEITEC SA, cabe às entidades que congregam empresários e investidores privados responder por que o setor privado se omitiu. Sobre o segundo questionamento, o presidente Lula está cansado de saber que pobre sem dinheiro, por definição, não pode comprar nada daquilo que necessita. Nesse caso, cabe ao setor público, que se apropria de 40% do PIB nacional por meio de impostos, prover o mínimo para a sobrevivência de nosso povo, seja em serviços públicos universais gratuitos e de boa qualidade (saúde, segurança, educação, saneamento), seja em dinheiro, como já é feito pelo Bolsa Família. Albergues e outras instituições públicas e privadas assumem, também, a guarda da pessoa necessitada, oferecendo-lhe abrigo, alimentos, roupas e outros produtos e serviços diretamente. Imagino que Lula se refere a estes dois casos quando diz que “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Realmente, nossa elite poderia ser mais caridosa. Principalmente, quando ela envolve políticos, servidores e fornecedores privados, organizados em quadrilha, para desviar dinheiro público por meio de mutretas milionárias. Quando o fazem, não demonstram dó ou piedade dos mais pobres, não devolvem o dinheiro roubado e permanecem impunes. A prioridade, perdoe-me o Presidente Lula, não é o governo ficar com “bala na agulha” para substituir empresas privadas na produção de petróleo do pré-sal, na construção e operação direta de aeroportos, no subsídio a Trem de Alta Velocidade, por exemplo. A “bala na agulha” deveria ser usada contra os que desviam recursos públicos para debaixo de suas roupas íntimas. ou para fins lícitos, porém, de baixa prioridade econômica e social. Ninguém deve ou deveria morrer de fome ou por falta de serviços públicos decentes. E ninguém, tampouco, deve ou deveria sobreviver e passar a vida como pessoa ignorante e desprovida de conhecimento suficiente para exercer uma profissão com eficácia e dignidade, por falta de boa educação pública. Termino esta nota como um vizinho meu costuma responder a críticas que lhe fazem: “cuide de sua casa, que da minha cuido eu!”
Tuesday, January 26, 2010
França-Brasil-Estados Unidos
Artigo da redação da Folha (26/01) sobre ato de Hugo Chávez contra a liberdade de imprensa informa que “o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, voltou a criticar a suspensão dos canais, o que também foi feito pela SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e pelo governo francês.” E, logo adiante, a opinião de Dilma Rousseff: "Não cabe a mim criticar ou não. Se ele [Chávez] faz isso, é em função da problemática dele. O governo Lula jamais pensou em controlar a mídia", Deixando de lado o fato de que a problemática não é “dele” e sim do povo venezuelano, pensávamos que a Aliança Estratégica com a França, tão citada para justificar o mega negócio de compra de materiais e equipamentos militares naquele País, contemplasse, também, o relacionamento do Brasil com seus vizinhos. O que parece, no entanto, é que ela não existe ou, na realidade, é um subproduto de aliança estratégica de fato da França com os Estados Unidos que vem desde a sua independência, até hoje, na luta pela liberdade. Se a nossa defesa também é pela liberdade de nosso País porque não comprar os caças recomendados pelo Comando da Aeronáutica que são os mais baratos? E com os recursos da diferença de preços entre os caças franceses e os suecos acelerar os investimentos federais em saneamento, libertando nosso povo da miséria e das doenças?
Artigo da redação da Folha (26/01) sobre ato de Hugo Chávez contra a liberdade de imprensa informa que “o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, voltou a criticar a suspensão dos canais, o que também foi feito pela SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e pelo governo francês.” E, logo adiante, a opinião de Dilma Rousseff: "Não cabe a mim criticar ou não. Se ele [Chávez] faz isso, é em função da problemática dele. O governo Lula jamais pensou em controlar a mídia", Deixando de lado o fato de que a problemática não é “dele” e sim do povo venezuelano, pensávamos que a Aliança Estratégica com a França, tão citada para justificar o mega negócio de compra de materiais e equipamentos militares naquele País, contemplasse, também, o relacionamento do Brasil com seus vizinhos. O que parece, no entanto, é que ela não existe ou, na realidade, é um subproduto de aliança estratégica de fato da França com os Estados Unidos que vem desde a sua independência, até hoje, na luta pela liberdade. Se a nossa defesa também é pela liberdade de nosso País porque não comprar os caças recomendados pelo Comando da Aeronáutica que são os mais baratos? E com os recursos da diferença de preços entre os caças franceses e os suecos acelerar os investimentos federais em saneamento, libertando nosso povo da miséria e das doenças?
Sunday, January 24, 2010
MAÇÃ DE TEMER
Segundo reportagem de Simionato (Folha de 24/01), Michel Temer, ao discursar em comício de Rio Claro, SP, fez referência a uma passagem bíblica para elogiar Dilma:"Ela já nos levou ao paraíso administrativamente e agora nos levará politicamente ao paraíso". "A mulher não nos expulsou do paraíso, ela nos levou ao paraíso." Espero que não seja extraída do Gênesis em que a mulher orientada pela serpente comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo levado o homem a fazer o mesmo e obrigando a Deus a expulsá-los do Eden. Realmente, ela não nos expulsou do paraíso. Tampouco, ela nos levou ou nos levará ao paraíso, seja administrativa ou políticamente. Qual a relação do PAC com o paraíso? PACTANTABAJULAÇÃO, deputado Temer? Deixe a Bíblia fora da eleição. Sua vaga para vice na chapa de Dilma já está garantida.
Segundo reportagem de Simionato (Folha de 24/01), Michel Temer, ao discursar em comício de Rio Claro, SP, fez referência a uma passagem bíblica para elogiar Dilma:"Ela já nos levou ao paraíso administrativamente e agora nos levará politicamente ao paraíso". "A mulher não nos expulsou do paraíso, ela nos levou ao paraíso." Espero que não seja extraída do Gênesis em que a mulher orientada pela serpente comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo levado o homem a fazer o mesmo e obrigando a Deus a expulsá-los do Eden. Realmente, ela não nos expulsou do paraíso. Tampouco, ela nos levou ou nos levará ao paraíso, seja administrativa ou políticamente. Qual a relação do PAC com o paraíso? PACTANTABAJULAÇÃO, deputado Temer? Deixe a Bíblia fora da eleição. Sua vaga para vice na chapa de Dilma já está garantida.
POMO DE ADAMS
Entalou no meu gogó a opinião manifestada pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está antecipando a disputa eleitoral prevista para iniciar em meados deste ano. O apoio dele à Dilma Rousseff, de forma aberta, insistente e, até chata, desde 2.008, quando a escolheu para ser sua sucessora, não perdendo uma oportunidade sequer para provocar seus prováveis adversários e enaltecer as qualidades de Dilma para dar continuidade a suas políticas, é considerado normal pelo Dr. Adams. Posso afirmar, contudo, que nas dez eleições democráticas que presenciei nos últimos 65 anos, “nunca antes neste País” houve tamanha antecipação do processo eleitoral e tanta “energia” nele gasta, a ponto de gerar um verdadeiro tornado que suga e destrói indagações e interpretações apartidárias e sérias sobre o futuro desejado pelo nosso povo. Tudo hoje está contido nos limites da disputa eleitoral entre Dilma e seu futuro adversário. Todavia, mais do que grandes obras e prestígio no cenário internacional, necessitamos, também, superar a crise ética e moral na qual sempre estivemos imersos. Somente estadistas, hoje asfixiados pelo oportunismo e pela demagogia prevalecentes, podem liderar uma discussão apartidária de políticas e programas de longo prazo destinados a aprimorar valores que dêem sustentação a novos hábitos e costumes civilizados em nosso País. Ao contrário, nesse clima de “já ganhei”, temos recebido fortes estímulos para degradar, ainda mais, nossos valores, por meio de exemplos de políticos mensaleiros e propineiros que operam em quadrilhas ao estilo do crime organizado. Corruptos e corruptores conseguem se apropriar de recursos públicos, quase sempre impunemente. A maneira chula e insidiosa como isso tem acontecido ultrapassou a nossa imaginação de cidadão responsável. A indignação de nossos eleitores, porém, é limitada, seja porque os escândalos se sucedem a ponto de tornar-nos indiferentes, seja porque a maioria dos que votam é constituída de analfabetos funcionais e ignorantes que não conseguem acompanhar e interpretar corretamente as notícias veiculadas pela mídia. Sem falar naqueles que vendem seus votos para tirar algum proveito pessoal das eleições, já que política para eles é sinônimo de ladroagem.
Entalou no meu gogó a opinião manifestada pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está antecipando a disputa eleitoral prevista para iniciar em meados deste ano. O apoio dele à Dilma Rousseff, de forma aberta, insistente e, até chata, desde 2.008, quando a escolheu para ser sua sucessora, não perdendo uma oportunidade sequer para provocar seus prováveis adversários e enaltecer as qualidades de Dilma para dar continuidade a suas políticas, é considerado normal pelo Dr. Adams. Posso afirmar, contudo, que nas dez eleições democráticas que presenciei nos últimos 65 anos, “nunca antes neste País” houve tamanha antecipação do processo eleitoral e tanta “energia” nele gasta, a ponto de gerar um verdadeiro tornado que suga e destrói indagações e interpretações apartidárias e sérias sobre o futuro desejado pelo nosso povo. Tudo hoje está contido nos limites da disputa eleitoral entre Dilma e seu futuro adversário. Todavia, mais do que grandes obras e prestígio no cenário internacional, necessitamos, também, superar a crise ética e moral na qual sempre estivemos imersos. Somente estadistas, hoje asfixiados pelo oportunismo e pela demagogia prevalecentes, podem liderar uma discussão apartidária de políticas e programas de longo prazo destinados a aprimorar valores que dêem sustentação a novos hábitos e costumes civilizados em nosso País. Ao contrário, nesse clima de “já ganhei”, temos recebido fortes estímulos para degradar, ainda mais, nossos valores, por meio de exemplos de políticos mensaleiros e propineiros que operam em quadrilhas ao estilo do crime organizado. Corruptos e corruptores conseguem se apropriar de recursos públicos, quase sempre impunemente. A maneira chula e insidiosa como isso tem acontecido ultrapassou a nossa imaginação de cidadão responsável. A indignação de nossos eleitores, porém, é limitada, seja porque os escândalos se sucedem a ponto de tornar-nos indiferentes, seja porque a maioria dos que votam é constituída de analfabetos funcionais e ignorantes que não conseguem acompanhar e interpretar corretamente as notícias veiculadas pela mídia. Sem falar naqueles que vendem seus votos para tirar algum proveito pessoal das eleições, já que política para eles é sinônimo de ladroagem.
Monday, January 18, 2010
CIMEIRA OU CIUMEIRA
A urgência do salvamento de vidas no Haiti salta à vista. Todas as autoridades brasileiras envolvidas diretamente no projeto de pacificação do Haiti estavam seriamente preocupadas pela falta de coordenação da ajuda internacional. Os EUA entraram com tudo para participar dessa tarefa humanitária. O Brasil e a França, em sua Aliança Estratégica de gabinete, que ainda não foi revelada para nossa população, manifestaram-se ao estilo de seus líderes: Sarkozy, pedindo uma reunião de cúpula; e Amorim, denunciando risco de assistencialismo unilateral na ação americana. Sem realizar plebiscito no Haiti, consigo ouvir o clamor dos sobreviventes: “Sem cimeira e ciumeira! Brasil e EUA unam-se e nos salvem da morte e da miséria!”. Finalmente, uniram-se. Aí está a Aliança Estratégica que os povos da América Latina e África, inclusive o nosso, estão aguardando. Mais tranquilos, enquanto se faz de tudo para resgatar vidas, podemos esperar as conclusões da reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar da tragédia haitiana. São fatos que se articulam em cenários de longo prazo que dão origem a alianças estratégicas. E não elucubrações ideológicas sobre a realidade que levam a confrontos desnecessários.
A urgência do salvamento de vidas no Haiti salta à vista. Todas as autoridades brasileiras envolvidas diretamente no projeto de pacificação do Haiti estavam seriamente preocupadas pela falta de coordenação da ajuda internacional. Os EUA entraram com tudo para participar dessa tarefa humanitária. O Brasil e a França, em sua Aliança Estratégica de gabinete, que ainda não foi revelada para nossa população, manifestaram-se ao estilo de seus líderes: Sarkozy, pedindo uma reunião de cúpula; e Amorim, denunciando risco de assistencialismo unilateral na ação americana. Sem realizar plebiscito no Haiti, consigo ouvir o clamor dos sobreviventes: “Sem cimeira e ciumeira! Brasil e EUA unam-se e nos salvem da morte e da miséria!”. Finalmente, uniram-se. Aí está a Aliança Estratégica que os povos da América Latina e África, inclusive o nosso, estão aguardando. Mais tranquilos, enquanto se faz de tudo para resgatar vidas, podemos esperar as conclusões da reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar da tragédia haitiana. São fatos que se articulam em cenários de longo prazo que dão origem a alianças estratégicas. E não elucubrações ideológicas sobre a realidade que levam a confrontos desnecessários.
Saturday, January 09, 2010
Aliança Estratégica?
A entidade mais qualificada para se manifestar sobre a importação de caças para a defesa de nosso país, o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, depois de detalhada avaliação comparativa entre as propostas americana, francesa e sueca, optou pela oferta dos suecos. O Presidente Lula, muito antes dessa conclusão, antecipou publicamente sua preferência pelos caças franceses porque a França e o Brasil estão unidos em Aliança Estratégica. No início, Lula justificava sua opção com o argumento da transferência irrestrita de tecnologia de produção a ponto do Brasil poder dividir o mercado mundial com a empresa Dassault, fabricante dos caças, podendo exportá-los para a América Latina. Na realidade iria dividir um mercado que não existe, pois a Dassault não foi capaz, ainda, de exportar seus caças Rafale projetados faz vinte anos (Andrei Netto em Estadão de 7/9). Por outro lado, a oferta dos Suecos mesmo sob esse aspecto é melhor e conta com o apoio e a experiência da EMBRAER que teve sucesso na exportação de aviões de caça desenvolvidos e fabricados em consórcio com empresa italiana: os célebres AMX ou A-1 que prestam serviços desde meados da década dos 80. Permanece, porém, como fator decisivo a tal Aliança Estratégica que já nos impôs a escolha, sem licitação, da empreiteira Odebrecht feita por empresa estatal francesa para construírem juntas (joint venture) um estaleiro no Estado do Rio e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear. Agora, com o objetivo de buscar apoio político à sua escolha dos caças Rafale o Presidente Lula pretende recorrer ao Congresso Nacional que, seguramente, fará valer sua escolha soberana e não a da Aeronáutica. Nós, simples cidadãos, gostaríamos de saber mais sobre essa tão falada Aliança Estratégica com a França que nos custará bilhões de reais a mais. Afinal, não fica bem para dois países importantes como o Brasil e a França se envolverem numa transação bilionária, de 20 anos de duração, que possa alimentar dúvidas na opinião pública de ambos os países sobre o desenvolvimento de equipamentos para defesa nacional mais dispendiosos do que o necessário. Na prática isso representaria um desvio de recursos que poderiam ser empregados no combate à fome e à miséria e, principalmente, na melhoria estratégica da qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante que libertarão nossa população pobre dos grilhões da ignorância.
A entidade mais qualificada para se manifestar sobre a importação de caças para a defesa de nosso país, o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, depois de detalhada avaliação comparativa entre as propostas americana, francesa e sueca, optou pela oferta dos suecos. O Presidente Lula, muito antes dessa conclusão, antecipou publicamente sua preferência pelos caças franceses porque a França e o Brasil estão unidos em Aliança Estratégica. No início, Lula justificava sua opção com o argumento da transferência irrestrita de tecnologia de produção a ponto do Brasil poder dividir o mercado mundial com a empresa Dassault, fabricante dos caças, podendo exportá-los para a América Latina. Na realidade iria dividir um mercado que não existe, pois a Dassault não foi capaz, ainda, de exportar seus caças Rafale projetados faz vinte anos (Andrei Netto em Estadão de 7/9). Por outro lado, a oferta dos Suecos mesmo sob esse aspecto é melhor e conta com o apoio e a experiência da EMBRAER que teve sucesso na exportação de aviões de caça desenvolvidos e fabricados em consórcio com empresa italiana: os célebres AMX ou A-1 que prestam serviços desde meados da década dos 80. Permanece, porém, como fator decisivo a tal Aliança Estratégica que já nos impôs a escolha, sem licitação, da empreiteira Odebrecht feita por empresa estatal francesa para construírem juntas (joint venture) um estaleiro no Estado do Rio e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear. Agora, com o objetivo de buscar apoio político à sua escolha dos caças Rafale o Presidente Lula pretende recorrer ao Congresso Nacional que, seguramente, fará valer sua escolha soberana e não a da Aeronáutica. Nós, simples cidadãos, gostaríamos de saber mais sobre essa tão falada Aliança Estratégica com a França que nos custará bilhões de reais a mais. Afinal, não fica bem para dois países importantes como o Brasil e a França se envolverem numa transação bilionária, de 20 anos de duração, que possa alimentar dúvidas na opinião pública de ambos os países sobre o desenvolvimento de equipamentos para defesa nacional mais dispendiosos do que o necessário. Na prática isso representaria um desvio de recursos que poderiam ser empregados no combate à fome e à miséria e, principalmente, na melhoria estratégica da qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante que libertarão nossa população pobre dos grilhões da ignorância.
Tuesday, December 29, 2009
“Caiu o Sistema”
Há poucas décadas atrás, ninguém sabia do que se tratava essa queda. Era comum se falar em queda de raio, de chuva, de árvores, de pontes, mas de sistema, ninguém ouvira falar. Pior, ainda hoje, sabemos pouco a respeito dele. Ansiosos e angustiados esperamos que o sistema se restabeleça logo. Muitas vezes, a empresa nos informa, gentilmente, quando ele voltará. Quase ninguém tem interesse em saber se é um problema da empresa ou de um serviço utilizado por ela. Por outro lado, nenhuma organização deseja esclarecer o problema havido e assumir a responsabilidade por falha em seu sistema operacional. É melhor deixar a coisa no ar, como se fosse um “diabo ex-machina” da tragédia moderna que surge do nada para punir os usuários do sistema que caiu. Sempre pergunto às jovens atendentes de grandes empresas, como bancos e telefonia celular, por exemplo, se o sistema “caiu” devido a falhas internas. Elas atônitas me olham como se eu fosse um extraterrestre, e respondem como papagaios treinados: “o sistema caiu; nada podemos fazer enquanto ele não voltar”. Seria interessante que as agências governamentais, supervisoras de serviços de bancos, de empresas de telefonia celular, e outros de grande uso pela população, criassem indicadores de tempo de interrupção de seus sistemas operacionais, como já se adotam no setor de energia elétrica, a fim de o consumidor compará-los entre si antes de contratar seus serviços. Não sei se sou azarado, ou se realmente as empresas de telefonia celular possuem péssimos sistemas operacionais: sempre “caem” e mesmo quando estão funcionando, costumam interromper quando se está no meio de escolhas entre múltiplos caminhos, apertando número e mais número escolhidos em diversas séries que se sucedem, na esperança de se obter alguma orientação ou resposta gravada. O processo cansativo e tenso, muitas vezes não se completa, ou porque não identificamos o número correto, ou simplesmente porque se interrompe com o som de linha ocupada. A “via crucis” parece terminar quando finalmente ouvimos a frase salvadora (muitas empresas já eliminaram esse alívio): “aperte o número tal para falar com uma de nossas atendentes”. Nesse momento, a paranóia pode se desencadear em nossa mente com a nítida impressão que existe uma conspiração particular contra a gente: é quando, depois de muitos e muitos minutos de espera da voz humana, a ligação cai e temos de repetir todo o processo. Se as Agências reguladoras não conseguirem nos entender e nos ajudar, ainda resta a esperança que um “deus ex-machina” surja e afaste o “diabo” que perverteu nossos sistemas, deixando-os cair.
Há poucas décadas atrás, ninguém sabia do que se tratava essa queda. Era comum se falar em queda de raio, de chuva, de árvores, de pontes, mas de sistema, ninguém ouvira falar. Pior, ainda hoje, sabemos pouco a respeito dele. Ansiosos e angustiados esperamos que o sistema se restabeleça logo. Muitas vezes, a empresa nos informa, gentilmente, quando ele voltará. Quase ninguém tem interesse em saber se é um problema da empresa ou de um serviço utilizado por ela. Por outro lado, nenhuma organização deseja esclarecer o problema havido e assumir a responsabilidade por falha em seu sistema operacional. É melhor deixar a coisa no ar, como se fosse um “diabo ex-machina” da tragédia moderna que surge do nada para punir os usuários do sistema que caiu. Sempre pergunto às jovens atendentes de grandes empresas, como bancos e telefonia celular, por exemplo, se o sistema “caiu” devido a falhas internas. Elas atônitas me olham como se eu fosse um extraterrestre, e respondem como papagaios treinados: “o sistema caiu; nada podemos fazer enquanto ele não voltar”. Seria interessante que as agências governamentais, supervisoras de serviços de bancos, de empresas de telefonia celular, e outros de grande uso pela população, criassem indicadores de tempo de interrupção de seus sistemas operacionais, como já se adotam no setor de energia elétrica, a fim de o consumidor compará-los entre si antes de contratar seus serviços. Não sei se sou azarado, ou se realmente as empresas de telefonia celular possuem péssimos sistemas operacionais: sempre “caem” e mesmo quando estão funcionando, costumam interromper quando se está no meio de escolhas entre múltiplos caminhos, apertando número e mais número escolhidos em diversas séries que se sucedem, na esperança de se obter alguma orientação ou resposta gravada. O processo cansativo e tenso, muitas vezes não se completa, ou porque não identificamos o número correto, ou simplesmente porque se interrompe com o som de linha ocupada. A “via crucis” parece terminar quando finalmente ouvimos a frase salvadora (muitas empresas já eliminaram esse alívio): “aperte o número tal para falar com uma de nossas atendentes”. Nesse momento, a paranóia pode se desencadear em nossa mente com a nítida impressão que existe uma conspiração particular contra a gente: é quando, depois de muitos e muitos minutos de espera da voz humana, a ligação cai e temos de repetir todo o processo. Se as Agências reguladoras não conseguirem nos entender e nos ajudar, ainda resta a esperança que um “deus ex-machina” surja e afaste o “diabo” que perverteu nossos sistemas, deixando-os cair.
Sunday, December 27, 2009
DILMA ROUSSEFF
Como raramente se apresenta sem Lula ao lado, para conhecê-la, resta-nos a imaginação. Para mim é a tecnocrata dos números e da lógica marxista enraizada na luta de classes. Ao contrário dos políticos que mentem e mistificam por cultura e tradição, e logo adiante mudam suas versões, ela aprendeu a mentir na dureza da ditadura militar, usando vários nomes e utilizando todas as diatribes possíveis e impossíveis para não ser descoberta pelos militares e sofrer na carne as conseqüências disso. Suas mentiras são definitivas e doloridas. Também, ao contrário dos políticos, ela aprendeu a não perdoar a traição, pois sua integridade física estava em jogo. Para Lula, a grande empresa é o ambiente de grandes jogadas entre trabalhadores e dirigentes, em que aqueles buscam maximizar seus salários, sem por em risco seu emprego e a sobrevivência da empresa em que trabalham. A negociação é a coluna de sustentação do sindicalismo de Lula. A eliminação da expansão do capital privado, especialmente estrangeiro, e sua substituição pela estatização dos investimentos formam a coluna mestra de Dilma, que não comia pizza, não tomava cerveja e tampouco andava de automóvel durante a ditadura, nos privilegiados municípios do ABC. Ao contrário de um Lula da paz e amor que diz e se desdiz, rindo com simpatia e olhar de quem está de bem com a vida, teremos uma Dilma ao estilo de Margaret Thacher, ainda que ideologicamente ao avesso. Pouco riso, muito trabalho e pressão violenta para conseguir seus objetivos. Não é por acaso que aquela se identificou com a imagem da Dama de Ferro ao conseguir liberalizar a economia inglesa engessada pelo estatismo do Partido dos Trabalhadores. E Dilma deseja percorrer o caminho inverso: ser lembrada como a que resgatou as bandeiras nacionalista de Brizola e socialista do PT, conseguindo engessar nossa economia, de novo, com pesadas e poderosas empresas estatais. Vamos ver como nosso País reagirá à verdadeira Dilma que Lula insiste em esconder com o bordão de “Mãe do PAC”. Do brasileiro, obviamente, já que o PAC italiano, de Césare Battisti, Proletários Armados pelo Comunismo, seria um desastre eleitoral para Dilma. O sistema de bancos privados merecerá a “atenção especial” dela no primeiro mandato, se eleita. No segundo, se houver, caso Lula não seja resgatado pelos bancos, será a vez da indústria que ainda mama no governo, particularmente as empreiteiras de grandes obras. Espero que este texto seja mera fantasia de quem somente conhece Dilma Vana Rousseff como “mãe do PAC” e filha política de Lula.
Como raramente se apresenta sem Lula ao lado, para conhecê-la, resta-nos a imaginação. Para mim é a tecnocrata dos números e da lógica marxista enraizada na luta de classes. Ao contrário dos políticos que mentem e mistificam por cultura e tradição, e logo adiante mudam suas versões, ela aprendeu a mentir na dureza da ditadura militar, usando vários nomes e utilizando todas as diatribes possíveis e impossíveis para não ser descoberta pelos militares e sofrer na carne as conseqüências disso. Suas mentiras são definitivas e doloridas. Também, ao contrário dos políticos, ela aprendeu a não perdoar a traição, pois sua integridade física estava em jogo. Para Lula, a grande empresa é o ambiente de grandes jogadas entre trabalhadores e dirigentes, em que aqueles buscam maximizar seus salários, sem por em risco seu emprego e a sobrevivência da empresa em que trabalham. A negociação é a coluna de sustentação do sindicalismo de Lula. A eliminação da expansão do capital privado, especialmente estrangeiro, e sua substituição pela estatização dos investimentos formam a coluna mestra de Dilma, que não comia pizza, não tomava cerveja e tampouco andava de automóvel durante a ditadura, nos privilegiados municípios do ABC. Ao contrário de um Lula da paz e amor que diz e se desdiz, rindo com simpatia e olhar de quem está de bem com a vida, teremos uma Dilma ao estilo de Margaret Thacher, ainda que ideologicamente ao avesso. Pouco riso, muito trabalho e pressão violenta para conseguir seus objetivos. Não é por acaso que aquela se identificou com a imagem da Dama de Ferro ao conseguir liberalizar a economia inglesa engessada pelo estatismo do Partido dos Trabalhadores. E Dilma deseja percorrer o caminho inverso: ser lembrada como a que resgatou as bandeiras nacionalista de Brizola e socialista do PT, conseguindo engessar nossa economia, de novo, com pesadas e poderosas empresas estatais. Vamos ver como nosso País reagirá à verdadeira Dilma que Lula insiste em esconder com o bordão de “Mãe do PAC”. Do brasileiro, obviamente, já que o PAC italiano, de Césare Battisti, Proletários Armados pelo Comunismo, seria um desastre eleitoral para Dilma. O sistema de bancos privados merecerá a “atenção especial” dela no primeiro mandato, se eleita. No segundo, se houver, caso Lula não seja resgatado pelos bancos, será a vez da indústria que ainda mama no governo, particularmente as empreiteiras de grandes obras. Espero que este texto seja mera fantasia de quem somente conhece Dilma Vana Rousseff como “mãe do PAC” e filha política de Lula.
Saturday, December 26, 2009
FUTEBOL E POLÍTICA
É triste se constatar que a maioria de políticos e de analistas da mídia brasileira não consiga ir além de chavões e bordões, e, especialmente, de metáforas futebolísticas para se comunicar com nossa população. Como filho desta amada natureza brasileira, pergunto-me se além dela, tão exuberante e bela, existe vida inteligente em nosso país, que não o papagaio de Maria Braga. A resposta é óbvia que sim. Ainda que frustrada, esquecida e rarefeita neste imenso Brasil. São políticos e jornalistas sem conhecimento e competência para identificar e debater assunto relevante para nosso desenvolvimento político, cultural, social, econômico e ambiental que insistem em se comportar como animadores de torcidas, passando o tempo todo a comparar números e porcentagens de pesquisas eleitorais. E ao fazer prognósticos sobre os resultados da futura eleição presidencial agem como se estivéssemos diante de um campeonato de futebol, esquecendo-se do eleitorado feminino, que também vota e normalmente não entende bem, ou não gosta, da linguagem da bola. Pobre democracia brasileira que não consegue ir muito além do primeiro passo (ou seria, passe?): a votação periódica em urnas eletrônicas de avançada tecnologia.
É triste se constatar que a maioria de políticos e de analistas da mídia brasileira não consiga ir além de chavões e bordões, e, especialmente, de metáforas futebolísticas para se comunicar com nossa população. Como filho desta amada natureza brasileira, pergunto-me se além dela, tão exuberante e bela, existe vida inteligente em nosso país, que não o papagaio de Maria Braga. A resposta é óbvia que sim. Ainda que frustrada, esquecida e rarefeita neste imenso Brasil. São políticos e jornalistas sem conhecimento e competência para identificar e debater assunto relevante para nosso desenvolvimento político, cultural, social, econômico e ambiental que insistem em se comportar como animadores de torcidas, passando o tempo todo a comparar números e porcentagens de pesquisas eleitorais. E ao fazer prognósticos sobre os resultados da futura eleição presidencial agem como se estivéssemos diante de um campeonato de futebol, esquecendo-se do eleitorado feminino, que também vota e normalmente não entende bem, ou não gosta, da linguagem da bola. Pobre democracia brasileira que não consegue ir muito além do primeiro passo (ou seria, passe?): a votação periódica em urnas eletrônicas de avançada tecnologia.
Tuesday, December 15, 2009
Cansei
Cansei,digo eu! Em carta do leitor (13/12), sob esse título, é feita uma crítica contundente à real incapacidade dos partidos de oposição “mobilizar quem quer que seja” para manifestações populares como as que acontecem agora contra os mensaleiros de Arruda no Distrito Federal. Essa crítica responde a outra que pergunta por que não se fez o mesmo contra os mensaleiros liderados por José Dirceu. Ou seja, de acordo com essa resposta, não se trata de combater a corrupção como tal, surja onde surgir. Primeiro, responde-se se ela é de aliados do governo ou não. Identificada de que lado aconteceu a imoralidade, cada grupo partidário que se vire na mobilização de protestos de rua. Essa partidarização, até da imoralidade, está gerando situações perigosas para o Estado brasileiro, pois tende a se alastrar para outros temas, também, como já se pode verificar em manifestações recentes de duas instituições, tradicionalmente despartidarizadas como o Itamaraty e o STF: a intervenção aberta na crise de Honduras e a manutenção da censura ao Estadão. O Brasil, sua cultura e seus princípios podem não ser permanentes, porém mudam muito lentamente. Além disso, determinadas políticas para surtirem os efeitos esperados têm de ser mantidas por prazos longos, normalmente bem acima dos mandatos dos governos eleitos. O Brasil não deve ter sua identidade estruturada ao longo de séculos de existência, desvirtuada por ações irrefletidas de curto prazo que possam gerar dúvidas sobre seus valores e princípios, especialmente na mente dos próprios brasileiros
Cansei,digo eu! Em carta do leitor (13/12), sob esse título, é feita uma crítica contundente à real incapacidade dos partidos de oposição “mobilizar quem quer que seja” para manifestações populares como as que acontecem agora contra os mensaleiros de Arruda no Distrito Federal. Essa crítica responde a outra que pergunta por que não se fez o mesmo contra os mensaleiros liderados por José Dirceu. Ou seja, de acordo com essa resposta, não se trata de combater a corrupção como tal, surja onde surgir. Primeiro, responde-se se ela é de aliados do governo ou não. Identificada de que lado aconteceu a imoralidade, cada grupo partidário que se vire na mobilização de protestos de rua. Essa partidarização, até da imoralidade, está gerando situações perigosas para o Estado brasileiro, pois tende a se alastrar para outros temas, também, como já se pode verificar em manifestações recentes de duas instituições, tradicionalmente despartidarizadas como o Itamaraty e o STF: a intervenção aberta na crise de Honduras e a manutenção da censura ao Estadão. O Brasil, sua cultura e seus princípios podem não ser permanentes, porém mudam muito lentamente. Além disso, determinadas políticas para surtirem os efeitos esperados têm de ser mantidas por prazos longos, normalmente bem acima dos mandatos dos governos eleitos. O Brasil não deve ter sua identidade estruturada ao longo de séculos de existência, desvirtuada por ações irrefletidas de curto prazo que possam gerar dúvidas sobre seus valores e princípios, especialmente na mente dos próprios brasileiros
Friday, December 11, 2009
Lula X FHC
O PT, na propaganda eleitoral obrigatória, apresentou dados sobre o Brasil nos períodos de FHC e Lula na presidência, dando a nítida impressão de que a disputa, no próximo ano, será entre os dois e que o desempenho da economia brasileira depende somente do Presidente da República em exercício. Apesar da oposição destrutiva do PT, chegando ao extremo de empunhar faixas com o célebre bordão “FORA FHC”, em seu governo foram feitas profundas reformas na área fiscal, bancária e monetária; na de telecomunicações se processou uma revolução pacífica; na de petróleo, rompeu-se o monopólio de produção da Petrobrás, sem afetar o monopólio estatal, por meio de concessões; na área social, foram criados instrumentos e programas para aliviar a miséria, destacando-se o programa bolsa-escola, somente para citar alguns exemplos. Resultados colhidos por Lula: seguindo à risca o controle fiscal, monetário e bancário, estruturado no período FHC, e contando com Palocci, Mantega e Meirelles, este último, ex-presidente do Bank of Boston, na presidência do BC, o Brasil conseguiu desenvolvimento sem inflação e, mais recentemente, suportou a recente crise financeira global galhardamente; a satisfação da população e a explosão de telecomunicações que se processou no País graças às reformas introduzidas pelo Ministro Sérgio Motta, tão vilipendiado pelo PT, dispensa comentários; o extraordinário crescimento da produção de petróleo se deveu, em grande parte, ao sistema de concessão, demagogicamente identificado pelo PT como quebra do monopólio do Estado, mesmo sabendo que era somente o da empresa Petrobrás; a transformação e a criação de novos instrumentos de combate à fome e à miséria, destacando-se o bolsa-família com a incorporação do bolsa-escola. Não é necessário se dizer que Lula, em sua administração, também criou novas políticas e aperfeiçoou outras, bem como gerou programas e projetos novos que terão efeitos nos próximos anos. O que o PT não pode é renegar o passado e, além disso, apresentar Lula como filho único do Brasil. Se ele e o PT ainda não sabem, é bom lembrar o seguinte: a disputa eleitoral será, provavelmente, entre Serra e Dilma, duas personalidades marcantes na vida política brasileira que necessitam se apresentar por inteiro à população para disputar a Presidência da República, pois no momento do voto, passado, presente e futuro se fundem num só nome; e os presidentes, durante seus mandatos, não são onipotentes. O Brasil depende do comportamento de seus outros filhos que hoje somam 192 milhões, trabalhando e lutando para sobreviver, na maioria das vezes, em condições extremamente precárias e adversas. E o que dizer da influência dos políticos e partidos que dão sustentação ao governo eleito, bem como da maneira como a Câmara de Deputados, o Senado, o Judiciário e o Executivo funcionam? O que acontece no País também é resultado do que ocorre no resto do mundo e, principalmente, em nosso planeta cuja natureza começa a responder com violência às agressões do homem, inclusive no Brasil. Conclamo o PT a colocar em sua política partidária a eliminação de indivíduos imorais e ineptos que solapam nossa frágil democracia, não esquecendo, também, que nessa categoria se inclui aqueles que usam a mistificação para explorar a ignorância de nossos irmãos filhos do Brasil.
O PT, na propaganda eleitoral obrigatória, apresentou dados sobre o Brasil nos períodos de FHC e Lula na presidência, dando a nítida impressão de que a disputa, no próximo ano, será entre os dois e que o desempenho da economia brasileira depende somente do Presidente da República em exercício. Apesar da oposição destrutiva do PT, chegando ao extremo de empunhar faixas com o célebre bordão “FORA FHC”, em seu governo foram feitas profundas reformas na área fiscal, bancária e monetária; na de telecomunicações se processou uma revolução pacífica; na de petróleo, rompeu-se o monopólio de produção da Petrobrás, sem afetar o monopólio estatal, por meio de concessões; na área social, foram criados instrumentos e programas para aliviar a miséria, destacando-se o programa bolsa-escola, somente para citar alguns exemplos. Resultados colhidos por Lula: seguindo à risca o controle fiscal, monetário e bancário, estruturado no período FHC, e contando com Palocci, Mantega e Meirelles, este último, ex-presidente do Bank of Boston, na presidência do BC, o Brasil conseguiu desenvolvimento sem inflação e, mais recentemente, suportou a recente crise financeira global galhardamente; a satisfação da população e a explosão de telecomunicações que se processou no País graças às reformas introduzidas pelo Ministro Sérgio Motta, tão vilipendiado pelo PT, dispensa comentários; o extraordinário crescimento da produção de petróleo se deveu, em grande parte, ao sistema de concessão, demagogicamente identificado pelo PT como quebra do monopólio do Estado, mesmo sabendo que era somente o da empresa Petrobrás; a transformação e a criação de novos instrumentos de combate à fome e à miséria, destacando-se o bolsa-família com a incorporação do bolsa-escola. Não é necessário se dizer que Lula, em sua administração, também criou novas políticas e aperfeiçoou outras, bem como gerou programas e projetos novos que terão efeitos nos próximos anos. O que o PT não pode é renegar o passado e, além disso, apresentar Lula como filho único do Brasil. Se ele e o PT ainda não sabem, é bom lembrar o seguinte: a disputa eleitoral será, provavelmente, entre Serra e Dilma, duas personalidades marcantes na vida política brasileira que necessitam se apresentar por inteiro à população para disputar a Presidência da República, pois no momento do voto, passado, presente e futuro se fundem num só nome; e os presidentes, durante seus mandatos, não são onipotentes. O Brasil depende do comportamento de seus outros filhos que hoje somam 192 milhões, trabalhando e lutando para sobreviver, na maioria das vezes, em condições extremamente precárias e adversas. E o que dizer da influência dos políticos e partidos que dão sustentação ao governo eleito, bem como da maneira como a Câmara de Deputados, o Senado, o Judiciário e o Executivo funcionam? O que acontece no País também é resultado do que ocorre no resto do mundo e, principalmente, em nosso planeta cuja natureza começa a responder com violência às agressões do homem, inclusive no Brasil. Conclamo o PT a colocar em sua política partidária a eliminação de indivíduos imorais e ineptos que solapam nossa frágil democracia, não esquecendo, também, que nessa categoria se inclui aqueles que usam a mistificação para explorar a ignorância de nossos irmãos filhos do Brasil.
Tuesday, December 08, 2009
Zelaya e seu time
No decorrer destes sete anos de mandato do Presidente Lula, nossa diplomacia, tão bem simbolizada pelo Itamaraty, está deixando de ser instrumento de Estado para se tornar aparelho de execução de política externa estabelecida pelo triarquia formada por Lula, Garcia e Amorim. Sempre houve conflito entre linguagem de diplomata e de Presidente. Este, normalmente, com personalidade afirmativa e autoritária, busca realizar os objetivos políticos de seu governo e aquele, sempre aberto ao diálogo e à negociação, tendo em vista os interesses de Estado. O resultado disso está registrado em excelente artigo de Eliane Cantanhêde – Encantados, mas Críticos (Folha, 8/12),transcrito abaixo. Dos casos por ela citados, destacamos a crise hondurenha que todos acompanharam. A linguagem dura de Lula começou com o bordão “não negocio com golpistas” e se mantém na resposta dada ao novo Presidente, já eleito, que deseja vir ao Brasil para conversar com ele: “não reconheço a eleição havida sem Zelaya”. Nós, cidadãos contribuintes, ainda não sabemos se nossa embaixada em Honduras se transformou em hotel, onde ele se hospeda com seu time de 60 membros, ou se é “refúgio, de onde não tem data para sair”, segundo afirma Amorim em entrevista (Folha, 8/10). Na realidade, porém, a embaixada foi transformada em bastião da democracia onde Zelaya mobilizava seus seguidores visando sua volta à presidência para supervisionar o processo eleitoral. Se permanecer na “trincheira brasileira”, pode-se interpretar que seu objetivo agora é tumultuar o restabelecimento do processo democrático em curso naquele País. Como afirmou Amorim na citada entrevista "Se o Brasil não tivesse dado abrigo ao Zelaya, talvez estivesse tudo parado". Nesse caso, usando o linguajar futebolístico, está na hora do Brasil parar o jogo e tirar o time de Zelaya de campo. Seria recomendável, também, que a conta com as despesas feitas até as 12 horas do dia de sua saída com a numerosa equipe fosse entregue por Amorim, pessoalmente, a Chávez para reembolsá-las.
ELIANE CANTANHÊDE - Transcrito da Folha de São Paulo
Encantados, mas críticos
BRASÍLIA - Conversando daqui e dali com diplomatas estrangeiros em Brasília, confirma-se que, sim, os países ricos, pobres e mais ou menos estão encantados com Lula, mas também acham que ele tenta dar passos maiores do que as pernas na política externa.
No caso de Honduras, o mundo todo condenou o golpe, mas o Brasil se coloca como um herói isolado, o bastião da democracia, e agora se recusa a apoiar o resultado das eleições só para testar forças com os EUA na OEA. Soa infantojuvenil.
Em vez de agarrar-se à defesa de um princípio, a democracia, e de um país, Honduras, o Brasil agarra-se a um personagem: Zelaya. Não quer fechar uma página e abrir outra, acatando Porfírio Lobo e arrancando dele compromissos de um governo de pacificação e respeito ao presidente deposto.
No caso do Irã, as opiniões se dividiram entre os que simplesmente rechaçaram o encontro Lula-Ahmadinejad em Brasília e os que entendem a necessidade de integrar o regime iraniano às normas de convivência internacional. Mas ninguém engoliu o Brasil lavar as mãos no voto de censura da ONU ao Irã por causa da questão nuclear, principalmente depois de Lula dizer que a reação dos opositores em Teerã era chororô de "derrotados".
Além disso, a diplomacia instalada em Brasília vê Lula querendo ser o líder sempre, em toda a parte -hoje, na reunião sul-americana em Montevidéu; depois, na Conferência do Clima em Copenhague. Há um exagero, que gera ciúmes e ironias: "Por que ele não se ocupa mais em combater a corrupção no Brasil?", perguntaram-me ontem.
Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala para a mais pura chacota.
No decorrer destes sete anos de mandato do Presidente Lula, nossa diplomacia, tão bem simbolizada pelo Itamaraty, está deixando de ser instrumento de Estado para se tornar aparelho de execução de política externa estabelecida pelo triarquia formada por Lula, Garcia e Amorim. Sempre houve conflito entre linguagem de diplomata e de Presidente. Este, normalmente, com personalidade afirmativa e autoritária, busca realizar os objetivos políticos de seu governo e aquele, sempre aberto ao diálogo e à negociação, tendo em vista os interesses de Estado. O resultado disso está registrado em excelente artigo de Eliane Cantanhêde – Encantados, mas Críticos (Folha, 8/12),transcrito abaixo. Dos casos por ela citados, destacamos a crise hondurenha que todos acompanharam. A linguagem dura de Lula começou com o bordão “não negocio com golpistas” e se mantém na resposta dada ao novo Presidente, já eleito, que deseja vir ao Brasil para conversar com ele: “não reconheço a eleição havida sem Zelaya”. Nós, cidadãos contribuintes, ainda não sabemos se nossa embaixada em Honduras se transformou em hotel, onde ele se hospeda com seu time de 60 membros, ou se é “refúgio, de onde não tem data para sair”, segundo afirma Amorim em entrevista (Folha, 8/10). Na realidade, porém, a embaixada foi transformada em bastião da democracia onde Zelaya mobilizava seus seguidores visando sua volta à presidência para supervisionar o processo eleitoral. Se permanecer na “trincheira brasileira”, pode-se interpretar que seu objetivo agora é tumultuar o restabelecimento do processo democrático em curso naquele País. Como afirmou Amorim na citada entrevista "Se o Brasil não tivesse dado abrigo ao Zelaya, talvez estivesse tudo parado". Nesse caso, usando o linguajar futebolístico, está na hora do Brasil parar o jogo e tirar o time de Zelaya de campo. Seria recomendável, também, que a conta com as despesas feitas até as 12 horas do dia de sua saída com a numerosa equipe fosse entregue por Amorim, pessoalmente, a Chávez para reembolsá-las.
ELIANE CANTANHÊDE - Transcrito da Folha de São Paulo
Encantados, mas críticos
BRASÍLIA - Conversando daqui e dali com diplomatas estrangeiros em Brasília, confirma-se que, sim, os países ricos, pobres e mais ou menos estão encantados com Lula, mas também acham que ele tenta dar passos maiores do que as pernas na política externa.
No caso de Honduras, o mundo todo condenou o golpe, mas o Brasil se coloca como um herói isolado, o bastião da democracia, e agora se recusa a apoiar o resultado das eleições só para testar forças com os EUA na OEA. Soa infantojuvenil.
Em vez de agarrar-se à defesa de um princípio, a democracia, e de um país, Honduras, o Brasil agarra-se a um personagem: Zelaya. Não quer fechar uma página e abrir outra, acatando Porfírio Lobo e arrancando dele compromissos de um governo de pacificação e respeito ao presidente deposto.
No caso do Irã, as opiniões se dividiram entre os que simplesmente rechaçaram o encontro Lula-Ahmadinejad em Brasília e os que entendem a necessidade de integrar o regime iraniano às normas de convivência internacional. Mas ninguém engoliu o Brasil lavar as mãos no voto de censura da ONU ao Irã por causa da questão nuclear, principalmente depois de Lula dizer que a reação dos opositores em Teerã era chororô de "derrotados".
Além disso, a diplomacia instalada em Brasília vê Lula querendo ser o líder sempre, em toda a parte -hoje, na reunião sul-americana em Montevidéu; depois, na Conferência do Clima em Copenhague. Há um exagero, que gera ciúmes e ironias: "Por que ele não se ocupa mais em combater a corrupção no Brasil?", perguntaram-me ontem.
Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala para a mais pura chacota.
Sunday, December 06, 2009
MENSALEIROS
Ultimamente, tem-se criticado a presença na mídia de juízes membros de tribunais superiores, dando entrevistas e falando sobre temas políticos, sociais e econômicos, como fazem os políticos por dever de ofício. Realmente, isso contraria o comportamento discreto que se espera deles. Exemplo disso é entrevista do ministro Ricardo Levandowski que afirmou, em certo trecho, que a baderna de “estudantes” em Brasília contra mensaleiros se assemelha à queda da Bastilha. Que eu saiba, não estamos em período pré-revolucionário como o da França de Luiz XVI e, graças a Deus, nenhum Robespierre à vista para decapitar a “corte política” sediada em Brasília e ramificada por todo o País. Não obstante isso, pode, sim, surgir um Napoleão para por ordem no País e “salvar” o Estado Democrático de Direito da sanha de políticos corruptos. Apesar de já ter completado 25 anos, a democracia brasileira ainda gera e mantém impunes propineiros (recebem boladas esporádicas para ações específicas) e mensaleiros (embolsam boladas periódicas pelo engajamento contínuo) em todas as esferas e escalões do governo, associados a corruptores de todos os matizes fora dele. Lula pede que se cumpra o ritual da justiça antes de execrarem-se os mensaleiros e propineiros paridos pelo governo do DF, que se somam às crias predadoras de anos anteriores, não julgadas ainda. Muitos já se preparam para voltar, em 2.010, pois são inocentes até que sejam julgados com sentença definitiva. O que se espera dos não-mensaleiros e não-propineiros, portanto da grande maioria dos que ocupam altos cargos públicos, especialmente no judiciário, é muito trabalho, competência e juízo, para que se façam em nosso país as necessárias reformas em seus respectivos campos de atuação. E que a ética e a eficiência se entranhem nessas reformas de maneira a imunizar e repelir rapidamente os corruptos e ineptos que infestam nosso meio político, bem como os quadros técnico-administrativos das instituições públicas. Somente assim, o setor público terá força e condições morais de enfrentar os desafios de também punir os corruptores que buscam lucros à custa do dinheiro público. A democracia necessita para sobreviver de um processo ininterrupto de democratização. Em outras palavras, ela tem de ser continuamente aperfeiçoada para ter agilidade na eliminação dos responsáveis por atos e atitudes que possam lhe ferir mortalmente.
Ultimamente, tem-se criticado a presença na mídia de juízes membros de tribunais superiores, dando entrevistas e falando sobre temas políticos, sociais e econômicos, como fazem os políticos por dever de ofício. Realmente, isso contraria o comportamento discreto que se espera deles. Exemplo disso é entrevista do ministro Ricardo Levandowski que afirmou, em certo trecho, que a baderna de “estudantes” em Brasília contra mensaleiros se assemelha à queda da Bastilha. Que eu saiba, não estamos em período pré-revolucionário como o da França de Luiz XVI e, graças a Deus, nenhum Robespierre à vista para decapitar a “corte política” sediada em Brasília e ramificada por todo o País. Não obstante isso, pode, sim, surgir um Napoleão para por ordem no País e “salvar” o Estado Democrático de Direito da sanha de políticos corruptos. Apesar de já ter completado 25 anos, a democracia brasileira ainda gera e mantém impunes propineiros (recebem boladas esporádicas para ações específicas) e mensaleiros (embolsam boladas periódicas pelo engajamento contínuo) em todas as esferas e escalões do governo, associados a corruptores de todos os matizes fora dele. Lula pede que se cumpra o ritual da justiça antes de execrarem-se os mensaleiros e propineiros paridos pelo governo do DF, que se somam às crias predadoras de anos anteriores, não julgadas ainda. Muitos já se preparam para voltar, em 2.010, pois são inocentes até que sejam julgados com sentença definitiva. O que se espera dos não-mensaleiros e não-propineiros, portanto da grande maioria dos que ocupam altos cargos públicos, especialmente no judiciário, é muito trabalho, competência e juízo, para que se façam em nosso país as necessárias reformas em seus respectivos campos de atuação. E que a ética e a eficiência se entranhem nessas reformas de maneira a imunizar e repelir rapidamente os corruptos e ineptos que infestam nosso meio político, bem como os quadros técnico-administrativos das instituições públicas. Somente assim, o setor público terá força e condições morais de enfrentar os desafios de também punir os corruptores que buscam lucros à custa do dinheiro público. A democracia necessita para sobreviver de um processo ininterrupto de democratização. Em outras palavras, ela tem de ser continuamente aperfeiçoada para ter agilidade na eliminação dos responsáveis por atos e atitudes que possam lhe ferir mortalmente.
Sunday, November 29, 2009
IPTU
Em nosso país a criatividade para aumentar a participação do setor público na renda disponível do cidadão não tem limites. Cada esfera do governo faz de tudo para incrementar seu “bolo” e o resultado está aí: classe média asfixiada entre sonegadores ricos e pobres isentos. O caso do IPTU, travestido de Imposto de Renda, é simbólico dessa voracidade. Começou com o sistema progressivo de Marta Suplicy para os que moram em imóveis mais valiosos e continua na administração Kassab com a reavaliação do valor dos imóveis em áreas inteiras, antes pobres e deterioradas, em função de transações imobiliárias potenciais. É de estarrecer que isso aconteça. Em vez de o Governo Federal passar toda a receita de lucro imobiliário para o município onde ela foi gerada e determinando que o cálculo do lucro imobiliário seja feito a partir do valor de mercado calculado pelo município para esse fim específico, o que observamos no dia-a-dia é sonegação e mais sonegação desse imposto em que circulam imensas somas de recursos “por fora dos registros cartoriais da transação”. É essa a justiça social que desejamos para nosso País? Afinal, são as autoridades municipais que estão “cara a cara” com os munícipes e necessitam de recursos para suas obras e serviços. Compete ao governo federal evitar essa distorção criada em S. Paulo, pois ela acabará se transformando em paradigma para o resto do País.
Em nosso país a criatividade para aumentar a participação do setor público na renda disponível do cidadão não tem limites. Cada esfera do governo faz de tudo para incrementar seu “bolo” e o resultado está aí: classe média asfixiada entre sonegadores ricos e pobres isentos. O caso do IPTU, travestido de Imposto de Renda, é simbólico dessa voracidade. Começou com o sistema progressivo de Marta Suplicy para os que moram em imóveis mais valiosos e continua na administração Kassab com a reavaliação do valor dos imóveis em áreas inteiras, antes pobres e deterioradas, em função de transações imobiliárias potenciais. É de estarrecer que isso aconteça. Em vez de o Governo Federal passar toda a receita de lucro imobiliário para o município onde ela foi gerada e determinando que o cálculo do lucro imobiliário seja feito a partir do valor de mercado calculado pelo município para esse fim específico, o que observamos no dia-a-dia é sonegação e mais sonegação desse imposto em que circulam imensas somas de recursos “por fora dos registros cartoriais da transação”. É essa a justiça social que desejamos para nosso País? Afinal, são as autoridades municipais que estão “cara a cara” com os munícipes e necessitam de recursos para suas obras e serviços. Compete ao governo federal evitar essa distorção criada em S. Paulo, pois ela acabará se transformando em paradigma para o resto do País.
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