França-Brasil-Estados Unidos
Artigo da redação da Folha (26/01) sobre ato de Hugo Chávez contra a liberdade de imprensa informa que “o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, voltou a criticar a suspensão dos canais, o que também foi feito pela SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e pelo governo francês.” E, logo adiante, a opinião de Dilma Rousseff: "Não cabe a mim criticar ou não. Se ele [Chávez] faz isso, é em função da problemática dele. O governo Lula jamais pensou em controlar a mídia", Deixando de lado o fato de que a problemática não é “dele” e sim do povo venezuelano, pensávamos que a Aliança Estratégica com a França, tão citada para justificar o mega negócio de compra de materiais e equipamentos militares naquele País, contemplasse, também, o relacionamento do Brasil com seus vizinhos. O que parece, no entanto, é que ela não existe ou, na realidade, é um subproduto de aliança estratégica de fato da França com os Estados Unidos que vem desde a sua independência, até hoje, na luta pela liberdade. Se a nossa defesa também é pela liberdade de nosso País porque não comprar os caças recomendados pelo Comando da Aeronáutica que são os mais baratos? E com os recursos da diferença de preços entre os caças franceses e os suecos acelerar os investimentos federais em saneamento, libertando nosso povo da miséria e das doenças?
Tuesday, January 26, 2010
Sunday, January 24, 2010
MAÇÃ DE TEMER
Segundo reportagem de Simionato (Folha de 24/01), Michel Temer, ao discursar em comício de Rio Claro, SP, fez referência a uma passagem bíblica para elogiar Dilma:"Ela já nos levou ao paraíso administrativamente e agora nos levará politicamente ao paraíso". "A mulher não nos expulsou do paraíso, ela nos levou ao paraíso." Espero que não seja extraída do Gênesis em que a mulher orientada pela serpente comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo levado o homem a fazer o mesmo e obrigando a Deus a expulsá-los do Eden. Realmente, ela não nos expulsou do paraíso. Tampouco, ela nos levou ou nos levará ao paraíso, seja administrativa ou políticamente. Qual a relação do PAC com o paraíso? PACTANTABAJULAÇÃO, deputado Temer? Deixe a Bíblia fora da eleição. Sua vaga para vice na chapa de Dilma já está garantida.
Segundo reportagem de Simionato (Folha de 24/01), Michel Temer, ao discursar em comício de Rio Claro, SP, fez referência a uma passagem bíblica para elogiar Dilma:"Ela já nos levou ao paraíso administrativamente e agora nos levará politicamente ao paraíso". "A mulher não nos expulsou do paraíso, ela nos levou ao paraíso." Espero que não seja extraída do Gênesis em que a mulher orientada pela serpente comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo levado o homem a fazer o mesmo e obrigando a Deus a expulsá-los do Eden. Realmente, ela não nos expulsou do paraíso. Tampouco, ela nos levou ou nos levará ao paraíso, seja administrativa ou políticamente. Qual a relação do PAC com o paraíso? PACTANTABAJULAÇÃO, deputado Temer? Deixe a Bíblia fora da eleição. Sua vaga para vice na chapa de Dilma já está garantida.
POMO DE ADAMS
Entalou no meu gogó a opinião manifestada pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está antecipando a disputa eleitoral prevista para iniciar em meados deste ano. O apoio dele à Dilma Rousseff, de forma aberta, insistente e, até chata, desde 2.008, quando a escolheu para ser sua sucessora, não perdendo uma oportunidade sequer para provocar seus prováveis adversários e enaltecer as qualidades de Dilma para dar continuidade a suas políticas, é considerado normal pelo Dr. Adams. Posso afirmar, contudo, que nas dez eleições democráticas que presenciei nos últimos 65 anos, “nunca antes neste País” houve tamanha antecipação do processo eleitoral e tanta “energia” nele gasta, a ponto de gerar um verdadeiro tornado que suga e destrói indagações e interpretações apartidárias e sérias sobre o futuro desejado pelo nosso povo. Tudo hoje está contido nos limites da disputa eleitoral entre Dilma e seu futuro adversário. Todavia, mais do que grandes obras e prestígio no cenário internacional, necessitamos, também, superar a crise ética e moral na qual sempre estivemos imersos. Somente estadistas, hoje asfixiados pelo oportunismo e pela demagogia prevalecentes, podem liderar uma discussão apartidária de políticas e programas de longo prazo destinados a aprimorar valores que dêem sustentação a novos hábitos e costumes civilizados em nosso País. Ao contrário, nesse clima de “já ganhei”, temos recebido fortes estímulos para degradar, ainda mais, nossos valores, por meio de exemplos de políticos mensaleiros e propineiros que operam em quadrilhas ao estilo do crime organizado. Corruptos e corruptores conseguem se apropriar de recursos públicos, quase sempre impunemente. A maneira chula e insidiosa como isso tem acontecido ultrapassou a nossa imaginação de cidadão responsável. A indignação de nossos eleitores, porém, é limitada, seja porque os escândalos se sucedem a ponto de tornar-nos indiferentes, seja porque a maioria dos que votam é constituída de analfabetos funcionais e ignorantes que não conseguem acompanhar e interpretar corretamente as notícias veiculadas pela mídia. Sem falar naqueles que vendem seus votos para tirar algum proveito pessoal das eleições, já que política para eles é sinônimo de ladroagem.
Entalou no meu gogó a opinião manifestada pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está antecipando a disputa eleitoral prevista para iniciar em meados deste ano. O apoio dele à Dilma Rousseff, de forma aberta, insistente e, até chata, desde 2.008, quando a escolheu para ser sua sucessora, não perdendo uma oportunidade sequer para provocar seus prováveis adversários e enaltecer as qualidades de Dilma para dar continuidade a suas políticas, é considerado normal pelo Dr. Adams. Posso afirmar, contudo, que nas dez eleições democráticas que presenciei nos últimos 65 anos, “nunca antes neste País” houve tamanha antecipação do processo eleitoral e tanta “energia” nele gasta, a ponto de gerar um verdadeiro tornado que suga e destrói indagações e interpretações apartidárias e sérias sobre o futuro desejado pelo nosso povo. Tudo hoje está contido nos limites da disputa eleitoral entre Dilma e seu futuro adversário. Todavia, mais do que grandes obras e prestígio no cenário internacional, necessitamos, também, superar a crise ética e moral na qual sempre estivemos imersos. Somente estadistas, hoje asfixiados pelo oportunismo e pela demagogia prevalecentes, podem liderar uma discussão apartidária de políticas e programas de longo prazo destinados a aprimorar valores que dêem sustentação a novos hábitos e costumes civilizados em nosso País. Ao contrário, nesse clima de “já ganhei”, temos recebido fortes estímulos para degradar, ainda mais, nossos valores, por meio de exemplos de políticos mensaleiros e propineiros que operam em quadrilhas ao estilo do crime organizado. Corruptos e corruptores conseguem se apropriar de recursos públicos, quase sempre impunemente. A maneira chula e insidiosa como isso tem acontecido ultrapassou a nossa imaginação de cidadão responsável. A indignação de nossos eleitores, porém, é limitada, seja porque os escândalos se sucedem a ponto de tornar-nos indiferentes, seja porque a maioria dos que votam é constituída de analfabetos funcionais e ignorantes que não conseguem acompanhar e interpretar corretamente as notícias veiculadas pela mídia. Sem falar naqueles que vendem seus votos para tirar algum proveito pessoal das eleições, já que política para eles é sinônimo de ladroagem.
Monday, January 18, 2010
CIMEIRA OU CIUMEIRA
A urgência do salvamento de vidas no Haiti salta à vista. Todas as autoridades brasileiras envolvidas diretamente no projeto de pacificação do Haiti estavam seriamente preocupadas pela falta de coordenação da ajuda internacional. Os EUA entraram com tudo para participar dessa tarefa humanitária. O Brasil e a França, em sua Aliança Estratégica de gabinete, que ainda não foi revelada para nossa população, manifestaram-se ao estilo de seus líderes: Sarkozy, pedindo uma reunião de cúpula; e Amorim, denunciando risco de assistencialismo unilateral na ação americana. Sem realizar plebiscito no Haiti, consigo ouvir o clamor dos sobreviventes: “Sem cimeira e ciumeira! Brasil e EUA unam-se e nos salvem da morte e da miséria!”. Finalmente, uniram-se. Aí está a Aliança Estratégica que os povos da América Latina e África, inclusive o nosso, estão aguardando. Mais tranquilos, enquanto se faz de tudo para resgatar vidas, podemos esperar as conclusões da reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar da tragédia haitiana. São fatos que se articulam em cenários de longo prazo que dão origem a alianças estratégicas. E não elucubrações ideológicas sobre a realidade que levam a confrontos desnecessários.
A urgência do salvamento de vidas no Haiti salta à vista. Todas as autoridades brasileiras envolvidas diretamente no projeto de pacificação do Haiti estavam seriamente preocupadas pela falta de coordenação da ajuda internacional. Os EUA entraram com tudo para participar dessa tarefa humanitária. O Brasil e a França, em sua Aliança Estratégica de gabinete, que ainda não foi revelada para nossa população, manifestaram-se ao estilo de seus líderes: Sarkozy, pedindo uma reunião de cúpula; e Amorim, denunciando risco de assistencialismo unilateral na ação americana. Sem realizar plebiscito no Haiti, consigo ouvir o clamor dos sobreviventes: “Sem cimeira e ciumeira! Brasil e EUA unam-se e nos salvem da morte e da miséria!”. Finalmente, uniram-se. Aí está a Aliança Estratégica que os povos da América Latina e África, inclusive o nosso, estão aguardando. Mais tranquilos, enquanto se faz de tudo para resgatar vidas, podemos esperar as conclusões da reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar da tragédia haitiana. São fatos que se articulam em cenários de longo prazo que dão origem a alianças estratégicas. E não elucubrações ideológicas sobre a realidade que levam a confrontos desnecessários.
Saturday, January 09, 2010
Aliança Estratégica?
A entidade mais qualificada para se manifestar sobre a importação de caças para a defesa de nosso país, o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, depois de detalhada avaliação comparativa entre as propostas americana, francesa e sueca, optou pela oferta dos suecos. O Presidente Lula, muito antes dessa conclusão, antecipou publicamente sua preferência pelos caças franceses porque a França e o Brasil estão unidos em Aliança Estratégica. No início, Lula justificava sua opção com o argumento da transferência irrestrita de tecnologia de produção a ponto do Brasil poder dividir o mercado mundial com a empresa Dassault, fabricante dos caças, podendo exportá-los para a América Latina. Na realidade iria dividir um mercado que não existe, pois a Dassault não foi capaz, ainda, de exportar seus caças Rafale projetados faz vinte anos (Andrei Netto em Estadão de 7/9). Por outro lado, a oferta dos Suecos mesmo sob esse aspecto é melhor e conta com o apoio e a experiência da EMBRAER que teve sucesso na exportação de aviões de caça desenvolvidos e fabricados em consórcio com empresa italiana: os célebres AMX ou A-1 que prestam serviços desde meados da década dos 80. Permanece, porém, como fator decisivo a tal Aliança Estratégica que já nos impôs a escolha, sem licitação, da empreiteira Odebrecht feita por empresa estatal francesa para construírem juntas (joint venture) um estaleiro no Estado do Rio e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear. Agora, com o objetivo de buscar apoio político à sua escolha dos caças Rafale o Presidente Lula pretende recorrer ao Congresso Nacional que, seguramente, fará valer sua escolha soberana e não a da Aeronáutica. Nós, simples cidadãos, gostaríamos de saber mais sobre essa tão falada Aliança Estratégica com a França que nos custará bilhões de reais a mais. Afinal, não fica bem para dois países importantes como o Brasil e a França se envolverem numa transação bilionária, de 20 anos de duração, que possa alimentar dúvidas na opinião pública de ambos os países sobre o desenvolvimento de equipamentos para defesa nacional mais dispendiosos do que o necessário. Na prática isso representaria um desvio de recursos que poderiam ser empregados no combate à fome e à miséria e, principalmente, na melhoria estratégica da qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante que libertarão nossa população pobre dos grilhões da ignorância.
A entidade mais qualificada para se manifestar sobre a importação de caças para a defesa de nosso país, o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, depois de detalhada avaliação comparativa entre as propostas americana, francesa e sueca, optou pela oferta dos suecos. O Presidente Lula, muito antes dessa conclusão, antecipou publicamente sua preferência pelos caças franceses porque a França e o Brasil estão unidos em Aliança Estratégica. No início, Lula justificava sua opção com o argumento da transferência irrestrita de tecnologia de produção a ponto do Brasil poder dividir o mercado mundial com a empresa Dassault, fabricante dos caças, podendo exportá-los para a América Latina. Na realidade iria dividir um mercado que não existe, pois a Dassault não foi capaz, ainda, de exportar seus caças Rafale projetados faz vinte anos (Andrei Netto em Estadão de 7/9). Por outro lado, a oferta dos Suecos mesmo sob esse aspecto é melhor e conta com o apoio e a experiência da EMBRAER que teve sucesso na exportação de aviões de caça desenvolvidos e fabricados em consórcio com empresa italiana: os célebres AMX ou A-1 que prestam serviços desde meados da década dos 80. Permanece, porém, como fator decisivo a tal Aliança Estratégica que já nos impôs a escolha, sem licitação, da empreiteira Odebrecht feita por empresa estatal francesa para construírem juntas (joint venture) um estaleiro no Estado do Rio e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear. Agora, com o objetivo de buscar apoio político à sua escolha dos caças Rafale o Presidente Lula pretende recorrer ao Congresso Nacional que, seguramente, fará valer sua escolha soberana e não a da Aeronáutica. Nós, simples cidadãos, gostaríamos de saber mais sobre essa tão falada Aliança Estratégica com a França que nos custará bilhões de reais a mais. Afinal, não fica bem para dois países importantes como o Brasil e a França se envolverem numa transação bilionária, de 20 anos de duração, que possa alimentar dúvidas na opinião pública de ambos os países sobre o desenvolvimento de equipamentos para defesa nacional mais dispendiosos do que o necessário. Na prática isso representaria um desvio de recursos que poderiam ser empregados no combate à fome e à miséria e, principalmente, na melhoria estratégica da qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante que libertarão nossa população pobre dos grilhões da ignorância.
Tuesday, December 29, 2009
“Caiu o Sistema”
Há poucas décadas atrás, ninguém sabia do que se tratava essa queda. Era comum se falar em queda de raio, de chuva, de árvores, de pontes, mas de sistema, ninguém ouvira falar. Pior, ainda hoje, sabemos pouco a respeito dele. Ansiosos e angustiados esperamos que o sistema se restabeleça logo. Muitas vezes, a empresa nos informa, gentilmente, quando ele voltará. Quase ninguém tem interesse em saber se é um problema da empresa ou de um serviço utilizado por ela. Por outro lado, nenhuma organização deseja esclarecer o problema havido e assumir a responsabilidade por falha em seu sistema operacional. É melhor deixar a coisa no ar, como se fosse um “diabo ex-machina” da tragédia moderna que surge do nada para punir os usuários do sistema que caiu. Sempre pergunto às jovens atendentes de grandes empresas, como bancos e telefonia celular, por exemplo, se o sistema “caiu” devido a falhas internas. Elas atônitas me olham como se eu fosse um extraterrestre, e respondem como papagaios treinados: “o sistema caiu; nada podemos fazer enquanto ele não voltar”. Seria interessante que as agências governamentais, supervisoras de serviços de bancos, de empresas de telefonia celular, e outros de grande uso pela população, criassem indicadores de tempo de interrupção de seus sistemas operacionais, como já se adotam no setor de energia elétrica, a fim de o consumidor compará-los entre si antes de contratar seus serviços. Não sei se sou azarado, ou se realmente as empresas de telefonia celular possuem péssimos sistemas operacionais: sempre “caem” e mesmo quando estão funcionando, costumam interromper quando se está no meio de escolhas entre múltiplos caminhos, apertando número e mais número escolhidos em diversas séries que se sucedem, na esperança de se obter alguma orientação ou resposta gravada. O processo cansativo e tenso, muitas vezes não se completa, ou porque não identificamos o número correto, ou simplesmente porque se interrompe com o som de linha ocupada. A “via crucis” parece terminar quando finalmente ouvimos a frase salvadora (muitas empresas já eliminaram esse alívio): “aperte o número tal para falar com uma de nossas atendentes”. Nesse momento, a paranóia pode se desencadear em nossa mente com a nítida impressão que existe uma conspiração particular contra a gente: é quando, depois de muitos e muitos minutos de espera da voz humana, a ligação cai e temos de repetir todo o processo. Se as Agências reguladoras não conseguirem nos entender e nos ajudar, ainda resta a esperança que um “deus ex-machina” surja e afaste o “diabo” que perverteu nossos sistemas, deixando-os cair.
Há poucas décadas atrás, ninguém sabia do que se tratava essa queda. Era comum se falar em queda de raio, de chuva, de árvores, de pontes, mas de sistema, ninguém ouvira falar. Pior, ainda hoje, sabemos pouco a respeito dele. Ansiosos e angustiados esperamos que o sistema se restabeleça logo. Muitas vezes, a empresa nos informa, gentilmente, quando ele voltará. Quase ninguém tem interesse em saber se é um problema da empresa ou de um serviço utilizado por ela. Por outro lado, nenhuma organização deseja esclarecer o problema havido e assumir a responsabilidade por falha em seu sistema operacional. É melhor deixar a coisa no ar, como se fosse um “diabo ex-machina” da tragédia moderna que surge do nada para punir os usuários do sistema que caiu. Sempre pergunto às jovens atendentes de grandes empresas, como bancos e telefonia celular, por exemplo, se o sistema “caiu” devido a falhas internas. Elas atônitas me olham como se eu fosse um extraterrestre, e respondem como papagaios treinados: “o sistema caiu; nada podemos fazer enquanto ele não voltar”. Seria interessante que as agências governamentais, supervisoras de serviços de bancos, de empresas de telefonia celular, e outros de grande uso pela população, criassem indicadores de tempo de interrupção de seus sistemas operacionais, como já se adotam no setor de energia elétrica, a fim de o consumidor compará-los entre si antes de contratar seus serviços. Não sei se sou azarado, ou se realmente as empresas de telefonia celular possuem péssimos sistemas operacionais: sempre “caem” e mesmo quando estão funcionando, costumam interromper quando se está no meio de escolhas entre múltiplos caminhos, apertando número e mais número escolhidos em diversas séries que se sucedem, na esperança de se obter alguma orientação ou resposta gravada. O processo cansativo e tenso, muitas vezes não se completa, ou porque não identificamos o número correto, ou simplesmente porque se interrompe com o som de linha ocupada. A “via crucis” parece terminar quando finalmente ouvimos a frase salvadora (muitas empresas já eliminaram esse alívio): “aperte o número tal para falar com uma de nossas atendentes”. Nesse momento, a paranóia pode se desencadear em nossa mente com a nítida impressão que existe uma conspiração particular contra a gente: é quando, depois de muitos e muitos minutos de espera da voz humana, a ligação cai e temos de repetir todo o processo. Se as Agências reguladoras não conseguirem nos entender e nos ajudar, ainda resta a esperança que um “deus ex-machina” surja e afaste o “diabo” que perverteu nossos sistemas, deixando-os cair.
Sunday, December 27, 2009
DILMA ROUSSEFF
Como raramente se apresenta sem Lula ao lado, para conhecê-la, resta-nos a imaginação. Para mim é a tecnocrata dos números e da lógica marxista enraizada na luta de classes. Ao contrário dos políticos que mentem e mistificam por cultura e tradição, e logo adiante mudam suas versões, ela aprendeu a mentir na dureza da ditadura militar, usando vários nomes e utilizando todas as diatribes possíveis e impossíveis para não ser descoberta pelos militares e sofrer na carne as conseqüências disso. Suas mentiras são definitivas e doloridas. Também, ao contrário dos políticos, ela aprendeu a não perdoar a traição, pois sua integridade física estava em jogo. Para Lula, a grande empresa é o ambiente de grandes jogadas entre trabalhadores e dirigentes, em que aqueles buscam maximizar seus salários, sem por em risco seu emprego e a sobrevivência da empresa em que trabalham. A negociação é a coluna de sustentação do sindicalismo de Lula. A eliminação da expansão do capital privado, especialmente estrangeiro, e sua substituição pela estatização dos investimentos formam a coluna mestra de Dilma, que não comia pizza, não tomava cerveja e tampouco andava de automóvel durante a ditadura, nos privilegiados municípios do ABC. Ao contrário de um Lula da paz e amor que diz e se desdiz, rindo com simpatia e olhar de quem está de bem com a vida, teremos uma Dilma ao estilo de Margaret Thacher, ainda que ideologicamente ao avesso. Pouco riso, muito trabalho e pressão violenta para conseguir seus objetivos. Não é por acaso que aquela se identificou com a imagem da Dama de Ferro ao conseguir liberalizar a economia inglesa engessada pelo estatismo do Partido dos Trabalhadores. E Dilma deseja percorrer o caminho inverso: ser lembrada como a que resgatou as bandeiras nacionalista de Brizola e socialista do PT, conseguindo engessar nossa economia, de novo, com pesadas e poderosas empresas estatais. Vamos ver como nosso País reagirá à verdadeira Dilma que Lula insiste em esconder com o bordão de “Mãe do PAC”. Do brasileiro, obviamente, já que o PAC italiano, de Césare Battisti, Proletários Armados pelo Comunismo, seria um desastre eleitoral para Dilma. O sistema de bancos privados merecerá a “atenção especial” dela no primeiro mandato, se eleita. No segundo, se houver, caso Lula não seja resgatado pelos bancos, será a vez da indústria que ainda mama no governo, particularmente as empreiteiras de grandes obras. Espero que este texto seja mera fantasia de quem somente conhece Dilma Vana Rousseff como “mãe do PAC” e filha política de Lula.
Como raramente se apresenta sem Lula ao lado, para conhecê-la, resta-nos a imaginação. Para mim é a tecnocrata dos números e da lógica marxista enraizada na luta de classes. Ao contrário dos políticos que mentem e mistificam por cultura e tradição, e logo adiante mudam suas versões, ela aprendeu a mentir na dureza da ditadura militar, usando vários nomes e utilizando todas as diatribes possíveis e impossíveis para não ser descoberta pelos militares e sofrer na carne as conseqüências disso. Suas mentiras são definitivas e doloridas. Também, ao contrário dos políticos, ela aprendeu a não perdoar a traição, pois sua integridade física estava em jogo. Para Lula, a grande empresa é o ambiente de grandes jogadas entre trabalhadores e dirigentes, em que aqueles buscam maximizar seus salários, sem por em risco seu emprego e a sobrevivência da empresa em que trabalham. A negociação é a coluna de sustentação do sindicalismo de Lula. A eliminação da expansão do capital privado, especialmente estrangeiro, e sua substituição pela estatização dos investimentos formam a coluna mestra de Dilma, que não comia pizza, não tomava cerveja e tampouco andava de automóvel durante a ditadura, nos privilegiados municípios do ABC. Ao contrário de um Lula da paz e amor que diz e se desdiz, rindo com simpatia e olhar de quem está de bem com a vida, teremos uma Dilma ao estilo de Margaret Thacher, ainda que ideologicamente ao avesso. Pouco riso, muito trabalho e pressão violenta para conseguir seus objetivos. Não é por acaso que aquela se identificou com a imagem da Dama de Ferro ao conseguir liberalizar a economia inglesa engessada pelo estatismo do Partido dos Trabalhadores. E Dilma deseja percorrer o caminho inverso: ser lembrada como a que resgatou as bandeiras nacionalista de Brizola e socialista do PT, conseguindo engessar nossa economia, de novo, com pesadas e poderosas empresas estatais. Vamos ver como nosso País reagirá à verdadeira Dilma que Lula insiste em esconder com o bordão de “Mãe do PAC”. Do brasileiro, obviamente, já que o PAC italiano, de Césare Battisti, Proletários Armados pelo Comunismo, seria um desastre eleitoral para Dilma. O sistema de bancos privados merecerá a “atenção especial” dela no primeiro mandato, se eleita. No segundo, se houver, caso Lula não seja resgatado pelos bancos, será a vez da indústria que ainda mama no governo, particularmente as empreiteiras de grandes obras. Espero que este texto seja mera fantasia de quem somente conhece Dilma Vana Rousseff como “mãe do PAC” e filha política de Lula.
Saturday, December 26, 2009
FUTEBOL E POLÍTICA
É triste se constatar que a maioria de políticos e de analistas da mídia brasileira não consiga ir além de chavões e bordões, e, especialmente, de metáforas futebolísticas para se comunicar com nossa população. Como filho desta amada natureza brasileira, pergunto-me se além dela, tão exuberante e bela, existe vida inteligente em nosso país, que não o papagaio de Maria Braga. A resposta é óbvia que sim. Ainda que frustrada, esquecida e rarefeita neste imenso Brasil. São políticos e jornalistas sem conhecimento e competência para identificar e debater assunto relevante para nosso desenvolvimento político, cultural, social, econômico e ambiental que insistem em se comportar como animadores de torcidas, passando o tempo todo a comparar números e porcentagens de pesquisas eleitorais. E ao fazer prognósticos sobre os resultados da futura eleição presidencial agem como se estivéssemos diante de um campeonato de futebol, esquecendo-se do eleitorado feminino, que também vota e normalmente não entende bem, ou não gosta, da linguagem da bola. Pobre democracia brasileira que não consegue ir muito além do primeiro passo (ou seria, passe?): a votação periódica em urnas eletrônicas de avançada tecnologia.
É triste se constatar que a maioria de políticos e de analistas da mídia brasileira não consiga ir além de chavões e bordões, e, especialmente, de metáforas futebolísticas para se comunicar com nossa população. Como filho desta amada natureza brasileira, pergunto-me se além dela, tão exuberante e bela, existe vida inteligente em nosso país, que não o papagaio de Maria Braga. A resposta é óbvia que sim. Ainda que frustrada, esquecida e rarefeita neste imenso Brasil. São políticos e jornalistas sem conhecimento e competência para identificar e debater assunto relevante para nosso desenvolvimento político, cultural, social, econômico e ambiental que insistem em se comportar como animadores de torcidas, passando o tempo todo a comparar números e porcentagens de pesquisas eleitorais. E ao fazer prognósticos sobre os resultados da futura eleição presidencial agem como se estivéssemos diante de um campeonato de futebol, esquecendo-se do eleitorado feminino, que também vota e normalmente não entende bem, ou não gosta, da linguagem da bola. Pobre democracia brasileira que não consegue ir muito além do primeiro passo (ou seria, passe?): a votação periódica em urnas eletrônicas de avançada tecnologia.
Tuesday, December 15, 2009
Cansei
Cansei,digo eu! Em carta do leitor (13/12), sob esse título, é feita uma crítica contundente à real incapacidade dos partidos de oposição “mobilizar quem quer que seja” para manifestações populares como as que acontecem agora contra os mensaleiros de Arruda no Distrito Federal. Essa crítica responde a outra que pergunta por que não se fez o mesmo contra os mensaleiros liderados por José Dirceu. Ou seja, de acordo com essa resposta, não se trata de combater a corrupção como tal, surja onde surgir. Primeiro, responde-se se ela é de aliados do governo ou não. Identificada de que lado aconteceu a imoralidade, cada grupo partidário que se vire na mobilização de protestos de rua. Essa partidarização, até da imoralidade, está gerando situações perigosas para o Estado brasileiro, pois tende a se alastrar para outros temas, também, como já se pode verificar em manifestações recentes de duas instituições, tradicionalmente despartidarizadas como o Itamaraty e o STF: a intervenção aberta na crise de Honduras e a manutenção da censura ao Estadão. O Brasil, sua cultura e seus princípios podem não ser permanentes, porém mudam muito lentamente. Além disso, determinadas políticas para surtirem os efeitos esperados têm de ser mantidas por prazos longos, normalmente bem acima dos mandatos dos governos eleitos. O Brasil não deve ter sua identidade estruturada ao longo de séculos de existência, desvirtuada por ações irrefletidas de curto prazo que possam gerar dúvidas sobre seus valores e princípios, especialmente na mente dos próprios brasileiros
Cansei,digo eu! Em carta do leitor (13/12), sob esse título, é feita uma crítica contundente à real incapacidade dos partidos de oposição “mobilizar quem quer que seja” para manifestações populares como as que acontecem agora contra os mensaleiros de Arruda no Distrito Federal. Essa crítica responde a outra que pergunta por que não se fez o mesmo contra os mensaleiros liderados por José Dirceu. Ou seja, de acordo com essa resposta, não se trata de combater a corrupção como tal, surja onde surgir. Primeiro, responde-se se ela é de aliados do governo ou não. Identificada de que lado aconteceu a imoralidade, cada grupo partidário que se vire na mobilização de protestos de rua. Essa partidarização, até da imoralidade, está gerando situações perigosas para o Estado brasileiro, pois tende a se alastrar para outros temas, também, como já se pode verificar em manifestações recentes de duas instituições, tradicionalmente despartidarizadas como o Itamaraty e o STF: a intervenção aberta na crise de Honduras e a manutenção da censura ao Estadão. O Brasil, sua cultura e seus princípios podem não ser permanentes, porém mudam muito lentamente. Além disso, determinadas políticas para surtirem os efeitos esperados têm de ser mantidas por prazos longos, normalmente bem acima dos mandatos dos governos eleitos. O Brasil não deve ter sua identidade estruturada ao longo de séculos de existência, desvirtuada por ações irrefletidas de curto prazo que possam gerar dúvidas sobre seus valores e princípios, especialmente na mente dos próprios brasileiros
Friday, December 11, 2009
Lula X FHC
O PT, na propaganda eleitoral obrigatória, apresentou dados sobre o Brasil nos períodos de FHC e Lula na presidência, dando a nítida impressão de que a disputa, no próximo ano, será entre os dois e que o desempenho da economia brasileira depende somente do Presidente da República em exercício. Apesar da oposição destrutiva do PT, chegando ao extremo de empunhar faixas com o célebre bordão “FORA FHC”, em seu governo foram feitas profundas reformas na área fiscal, bancária e monetária; na de telecomunicações se processou uma revolução pacífica; na de petróleo, rompeu-se o monopólio de produção da Petrobrás, sem afetar o monopólio estatal, por meio de concessões; na área social, foram criados instrumentos e programas para aliviar a miséria, destacando-se o programa bolsa-escola, somente para citar alguns exemplos. Resultados colhidos por Lula: seguindo à risca o controle fiscal, monetário e bancário, estruturado no período FHC, e contando com Palocci, Mantega e Meirelles, este último, ex-presidente do Bank of Boston, na presidência do BC, o Brasil conseguiu desenvolvimento sem inflação e, mais recentemente, suportou a recente crise financeira global galhardamente; a satisfação da população e a explosão de telecomunicações que se processou no País graças às reformas introduzidas pelo Ministro Sérgio Motta, tão vilipendiado pelo PT, dispensa comentários; o extraordinário crescimento da produção de petróleo se deveu, em grande parte, ao sistema de concessão, demagogicamente identificado pelo PT como quebra do monopólio do Estado, mesmo sabendo que era somente o da empresa Petrobrás; a transformação e a criação de novos instrumentos de combate à fome e à miséria, destacando-se o bolsa-família com a incorporação do bolsa-escola. Não é necessário se dizer que Lula, em sua administração, também criou novas políticas e aperfeiçoou outras, bem como gerou programas e projetos novos que terão efeitos nos próximos anos. O que o PT não pode é renegar o passado e, além disso, apresentar Lula como filho único do Brasil. Se ele e o PT ainda não sabem, é bom lembrar o seguinte: a disputa eleitoral será, provavelmente, entre Serra e Dilma, duas personalidades marcantes na vida política brasileira que necessitam se apresentar por inteiro à população para disputar a Presidência da República, pois no momento do voto, passado, presente e futuro se fundem num só nome; e os presidentes, durante seus mandatos, não são onipotentes. O Brasil depende do comportamento de seus outros filhos que hoje somam 192 milhões, trabalhando e lutando para sobreviver, na maioria das vezes, em condições extremamente precárias e adversas. E o que dizer da influência dos políticos e partidos que dão sustentação ao governo eleito, bem como da maneira como a Câmara de Deputados, o Senado, o Judiciário e o Executivo funcionam? O que acontece no País também é resultado do que ocorre no resto do mundo e, principalmente, em nosso planeta cuja natureza começa a responder com violência às agressões do homem, inclusive no Brasil. Conclamo o PT a colocar em sua política partidária a eliminação de indivíduos imorais e ineptos que solapam nossa frágil democracia, não esquecendo, também, que nessa categoria se inclui aqueles que usam a mistificação para explorar a ignorância de nossos irmãos filhos do Brasil.
O PT, na propaganda eleitoral obrigatória, apresentou dados sobre o Brasil nos períodos de FHC e Lula na presidência, dando a nítida impressão de que a disputa, no próximo ano, será entre os dois e que o desempenho da economia brasileira depende somente do Presidente da República em exercício. Apesar da oposição destrutiva do PT, chegando ao extremo de empunhar faixas com o célebre bordão “FORA FHC”, em seu governo foram feitas profundas reformas na área fiscal, bancária e monetária; na de telecomunicações se processou uma revolução pacífica; na de petróleo, rompeu-se o monopólio de produção da Petrobrás, sem afetar o monopólio estatal, por meio de concessões; na área social, foram criados instrumentos e programas para aliviar a miséria, destacando-se o programa bolsa-escola, somente para citar alguns exemplos. Resultados colhidos por Lula: seguindo à risca o controle fiscal, monetário e bancário, estruturado no período FHC, e contando com Palocci, Mantega e Meirelles, este último, ex-presidente do Bank of Boston, na presidência do BC, o Brasil conseguiu desenvolvimento sem inflação e, mais recentemente, suportou a recente crise financeira global galhardamente; a satisfação da população e a explosão de telecomunicações que se processou no País graças às reformas introduzidas pelo Ministro Sérgio Motta, tão vilipendiado pelo PT, dispensa comentários; o extraordinário crescimento da produção de petróleo se deveu, em grande parte, ao sistema de concessão, demagogicamente identificado pelo PT como quebra do monopólio do Estado, mesmo sabendo que era somente o da empresa Petrobrás; a transformação e a criação de novos instrumentos de combate à fome e à miséria, destacando-se o bolsa-família com a incorporação do bolsa-escola. Não é necessário se dizer que Lula, em sua administração, também criou novas políticas e aperfeiçoou outras, bem como gerou programas e projetos novos que terão efeitos nos próximos anos. O que o PT não pode é renegar o passado e, além disso, apresentar Lula como filho único do Brasil. Se ele e o PT ainda não sabem, é bom lembrar o seguinte: a disputa eleitoral será, provavelmente, entre Serra e Dilma, duas personalidades marcantes na vida política brasileira que necessitam se apresentar por inteiro à população para disputar a Presidência da República, pois no momento do voto, passado, presente e futuro se fundem num só nome; e os presidentes, durante seus mandatos, não são onipotentes. O Brasil depende do comportamento de seus outros filhos que hoje somam 192 milhões, trabalhando e lutando para sobreviver, na maioria das vezes, em condições extremamente precárias e adversas. E o que dizer da influência dos políticos e partidos que dão sustentação ao governo eleito, bem como da maneira como a Câmara de Deputados, o Senado, o Judiciário e o Executivo funcionam? O que acontece no País também é resultado do que ocorre no resto do mundo e, principalmente, em nosso planeta cuja natureza começa a responder com violência às agressões do homem, inclusive no Brasil. Conclamo o PT a colocar em sua política partidária a eliminação de indivíduos imorais e ineptos que solapam nossa frágil democracia, não esquecendo, também, que nessa categoria se inclui aqueles que usam a mistificação para explorar a ignorância de nossos irmãos filhos do Brasil.
Tuesday, December 08, 2009
Zelaya e seu time
No decorrer destes sete anos de mandato do Presidente Lula, nossa diplomacia, tão bem simbolizada pelo Itamaraty, está deixando de ser instrumento de Estado para se tornar aparelho de execução de política externa estabelecida pelo triarquia formada por Lula, Garcia e Amorim. Sempre houve conflito entre linguagem de diplomata e de Presidente. Este, normalmente, com personalidade afirmativa e autoritária, busca realizar os objetivos políticos de seu governo e aquele, sempre aberto ao diálogo e à negociação, tendo em vista os interesses de Estado. O resultado disso está registrado em excelente artigo de Eliane Cantanhêde – Encantados, mas Críticos (Folha, 8/12),transcrito abaixo. Dos casos por ela citados, destacamos a crise hondurenha que todos acompanharam. A linguagem dura de Lula começou com o bordão “não negocio com golpistas” e se mantém na resposta dada ao novo Presidente, já eleito, que deseja vir ao Brasil para conversar com ele: “não reconheço a eleição havida sem Zelaya”. Nós, cidadãos contribuintes, ainda não sabemos se nossa embaixada em Honduras se transformou em hotel, onde ele se hospeda com seu time de 60 membros, ou se é “refúgio, de onde não tem data para sair”, segundo afirma Amorim em entrevista (Folha, 8/10). Na realidade, porém, a embaixada foi transformada em bastião da democracia onde Zelaya mobilizava seus seguidores visando sua volta à presidência para supervisionar o processo eleitoral. Se permanecer na “trincheira brasileira”, pode-se interpretar que seu objetivo agora é tumultuar o restabelecimento do processo democrático em curso naquele País. Como afirmou Amorim na citada entrevista "Se o Brasil não tivesse dado abrigo ao Zelaya, talvez estivesse tudo parado". Nesse caso, usando o linguajar futebolístico, está na hora do Brasil parar o jogo e tirar o time de Zelaya de campo. Seria recomendável, também, que a conta com as despesas feitas até as 12 horas do dia de sua saída com a numerosa equipe fosse entregue por Amorim, pessoalmente, a Chávez para reembolsá-las.
ELIANE CANTANHÊDE - Transcrito da Folha de São Paulo
Encantados, mas críticos
BRASÍLIA - Conversando daqui e dali com diplomatas estrangeiros em Brasília, confirma-se que, sim, os países ricos, pobres e mais ou menos estão encantados com Lula, mas também acham que ele tenta dar passos maiores do que as pernas na política externa.
No caso de Honduras, o mundo todo condenou o golpe, mas o Brasil se coloca como um herói isolado, o bastião da democracia, e agora se recusa a apoiar o resultado das eleições só para testar forças com os EUA na OEA. Soa infantojuvenil.
Em vez de agarrar-se à defesa de um princípio, a democracia, e de um país, Honduras, o Brasil agarra-se a um personagem: Zelaya. Não quer fechar uma página e abrir outra, acatando Porfírio Lobo e arrancando dele compromissos de um governo de pacificação e respeito ao presidente deposto.
No caso do Irã, as opiniões se dividiram entre os que simplesmente rechaçaram o encontro Lula-Ahmadinejad em Brasília e os que entendem a necessidade de integrar o regime iraniano às normas de convivência internacional. Mas ninguém engoliu o Brasil lavar as mãos no voto de censura da ONU ao Irã por causa da questão nuclear, principalmente depois de Lula dizer que a reação dos opositores em Teerã era chororô de "derrotados".
Além disso, a diplomacia instalada em Brasília vê Lula querendo ser o líder sempre, em toda a parte -hoje, na reunião sul-americana em Montevidéu; depois, na Conferência do Clima em Copenhague. Há um exagero, que gera ciúmes e ironias: "Por que ele não se ocupa mais em combater a corrupção no Brasil?", perguntaram-me ontem.
Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala para a mais pura chacota.
No decorrer destes sete anos de mandato do Presidente Lula, nossa diplomacia, tão bem simbolizada pelo Itamaraty, está deixando de ser instrumento de Estado para se tornar aparelho de execução de política externa estabelecida pelo triarquia formada por Lula, Garcia e Amorim. Sempre houve conflito entre linguagem de diplomata e de Presidente. Este, normalmente, com personalidade afirmativa e autoritária, busca realizar os objetivos políticos de seu governo e aquele, sempre aberto ao diálogo e à negociação, tendo em vista os interesses de Estado. O resultado disso está registrado em excelente artigo de Eliane Cantanhêde – Encantados, mas Críticos (Folha, 8/12),transcrito abaixo. Dos casos por ela citados, destacamos a crise hondurenha que todos acompanharam. A linguagem dura de Lula começou com o bordão “não negocio com golpistas” e se mantém na resposta dada ao novo Presidente, já eleito, que deseja vir ao Brasil para conversar com ele: “não reconheço a eleição havida sem Zelaya”. Nós, cidadãos contribuintes, ainda não sabemos se nossa embaixada em Honduras se transformou em hotel, onde ele se hospeda com seu time de 60 membros, ou se é “refúgio, de onde não tem data para sair”, segundo afirma Amorim em entrevista (Folha, 8/10). Na realidade, porém, a embaixada foi transformada em bastião da democracia onde Zelaya mobilizava seus seguidores visando sua volta à presidência para supervisionar o processo eleitoral. Se permanecer na “trincheira brasileira”, pode-se interpretar que seu objetivo agora é tumultuar o restabelecimento do processo democrático em curso naquele País. Como afirmou Amorim na citada entrevista "Se o Brasil não tivesse dado abrigo ao Zelaya, talvez estivesse tudo parado". Nesse caso, usando o linguajar futebolístico, está na hora do Brasil parar o jogo e tirar o time de Zelaya de campo. Seria recomendável, também, que a conta com as despesas feitas até as 12 horas do dia de sua saída com a numerosa equipe fosse entregue por Amorim, pessoalmente, a Chávez para reembolsá-las.
ELIANE CANTANHÊDE - Transcrito da Folha de São Paulo
Encantados, mas críticos
BRASÍLIA - Conversando daqui e dali com diplomatas estrangeiros em Brasília, confirma-se que, sim, os países ricos, pobres e mais ou menos estão encantados com Lula, mas também acham que ele tenta dar passos maiores do que as pernas na política externa.
No caso de Honduras, o mundo todo condenou o golpe, mas o Brasil se coloca como um herói isolado, o bastião da democracia, e agora se recusa a apoiar o resultado das eleições só para testar forças com os EUA na OEA. Soa infantojuvenil.
Em vez de agarrar-se à defesa de um princípio, a democracia, e de um país, Honduras, o Brasil agarra-se a um personagem: Zelaya. Não quer fechar uma página e abrir outra, acatando Porfírio Lobo e arrancando dele compromissos de um governo de pacificação e respeito ao presidente deposto.
No caso do Irã, as opiniões se dividiram entre os que simplesmente rechaçaram o encontro Lula-Ahmadinejad em Brasília e os que entendem a necessidade de integrar o regime iraniano às normas de convivência internacional. Mas ninguém engoliu o Brasil lavar as mãos no voto de censura da ONU ao Irã por causa da questão nuclear, principalmente depois de Lula dizer que a reação dos opositores em Teerã era chororô de "derrotados".
Além disso, a diplomacia instalada em Brasília vê Lula querendo ser o líder sempre, em toda a parte -hoje, na reunião sul-americana em Montevidéu; depois, na Conferência do Clima em Copenhague. Há um exagero, que gera ciúmes e ironias: "Por que ele não se ocupa mais em combater a corrupção no Brasil?", perguntaram-me ontem.
Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala para a mais pura chacota.
Sunday, December 06, 2009
MENSALEIROS
Ultimamente, tem-se criticado a presença na mídia de juízes membros de tribunais superiores, dando entrevistas e falando sobre temas políticos, sociais e econômicos, como fazem os políticos por dever de ofício. Realmente, isso contraria o comportamento discreto que se espera deles. Exemplo disso é entrevista do ministro Ricardo Levandowski que afirmou, em certo trecho, que a baderna de “estudantes” em Brasília contra mensaleiros se assemelha à queda da Bastilha. Que eu saiba, não estamos em período pré-revolucionário como o da França de Luiz XVI e, graças a Deus, nenhum Robespierre à vista para decapitar a “corte política” sediada em Brasília e ramificada por todo o País. Não obstante isso, pode, sim, surgir um Napoleão para por ordem no País e “salvar” o Estado Democrático de Direito da sanha de políticos corruptos. Apesar de já ter completado 25 anos, a democracia brasileira ainda gera e mantém impunes propineiros (recebem boladas esporádicas para ações específicas) e mensaleiros (embolsam boladas periódicas pelo engajamento contínuo) em todas as esferas e escalões do governo, associados a corruptores de todos os matizes fora dele. Lula pede que se cumpra o ritual da justiça antes de execrarem-se os mensaleiros e propineiros paridos pelo governo do DF, que se somam às crias predadoras de anos anteriores, não julgadas ainda. Muitos já se preparam para voltar, em 2.010, pois são inocentes até que sejam julgados com sentença definitiva. O que se espera dos não-mensaleiros e não-propineiros, portanto da grande maioria dos que ocupam altos cargos públicos, especialmente no judiciário, é muito trabalho, competência e juízo, para que se façam em nosso país as necessárias reformas em seus respectivos campos de atuação. E que a ética e a eficiência se entranhem nessas reformas de maneira a imunizar e repelir rapidamente os corruptos e ineptos que infestam nosso meio político, bem como os quadros técnico-administrativos das instituições públicas. Somente assim, o setor público terá força e condições morais de enfrentar os desafios de também punir os corruptores que buscam lucros à custa do dinheiro público. A democracia necessita para sobreviver de um processo ininterrupto de democratização. Em outras palavras, ela tem de ser continuamente aperfeiçoada para ter agilidade na eliminação dos responsáveis por atos e atitudes que possam lhe ferir mortalmente.
Ultimamente, tem-se criticado a presença na mídia de juízes membros de tribunais superiores, dando entrevistas e falando sobre temas políticos, sociais e econômicos, como fazem os políticos por dever de ofício. Realmente, isso contraria o comportamento discreto que se espera deles. Exemplo disso é entrevista do ministro Ricardo Levandowski que afirmou, em certo trecho, que a baderna de “estudantes” em Brasília contra mensaleiros se assemelha à queda da Bastilha. Que eu saiba, não estamos em período pré-revolucionário como o da França de Luiz XVI e, graças a Deus, nenhum Robespierre à vista para decapitar a “corte política” sediada em Brasília e ramificada por todo o País. Não obstante isso, pode, sim, surgir um Napoleão para por ordem no País e “salvar” o Estado Democrático de Direito da sanha de políticos corruptos. Apesar de já ter completado 25 anos, a democracia brasileira ainda gera e mantém impunes propineiros (recebem boladas esporádicas para ações específicas) e mensaleiros (embolsam boladas periódicas pelo engajamento contínuo) em todas as esferas e escalões do governo, associados a corruptores de todos os matizes fora dele. Lula pede que se cumpra o ritual da justiça antes de execrarem-se os mensaleiros e propineiros paridos pelo governo do DF, que se somam às crias predadoras de anos anteriores, não julgadas ainda. Muitos já se preparam para voltar, em 2.010, pois são inocentes até que sejam julgados com sentença definitiva. O que se espera dos não-mensaleiros e não-propineiros, portanto da grande maioria dos que ocupam altos cargos públicos, especialmente no judiciário, é muito trabalho, competência e juízo, para que se façam em nosso país as necessárias reformas em seus respectivos campos de atuação. E que a ética e a eficiência se entranhem nessas reformas de maneira a imunizar e repelir rapidamente os corruptos e ineptos que infestam nosso meio político, bem como os quadros técnico-administrativos das instituições públicas. Somente assim, o setor público terá força e condições morais de enfrentar os desafios de também punir os corruptores que buscam lucros à custa do dinheiro público. A democracia necessita para sobreviver de um processo ininterrupto de democratização. Em outras palavras, ela tem de ser continuamente aperfeiçoada para ter agilidade na eliminação dos responsáveis por atos e atitudes que possam lhe ferir mortalmente.
Sunday, November 29, 2009
IPTU
Em nosso país a criatividade para aumentar a participação do setor público na renda disponível do cidadão não tem limites. Cada esfera do governo faz de tudo para incrementar seu “bolo” e o resultado está aí: classe média asfixiada entre sonegadores ricos e pobres isentos. O caso do IPTU, travestido de Imposto de Renda, é simbólico dessa voracidade. Começou com o sistema progressivo de Marta Suplicy para os que moram em imóveis mais valiosos e continua na administração Kassab com a reavaliação do valor dos imóveis em áreas inteiras, antes pobres e deterioradas, em função de transações imobiliárias potenciais. É de estarrecer que isso aconteça. Em vez de o Governo Federal passar toda a receita de lucro imobiliário para o município onde ela foi gerada e determinando que o cálculo do lucro imobiliário seja feito a partir do valor de mercado calculado pelo município para esse fim específico, o que observamos no dia-a-dia é sonegação e mais sonegação desse imposto em que circulam imensas somas de recursos “por fora dos registros cartoriais da transação”. É essa a justiça social que desejamos para nosso País? Afinal, são as autoridades municipais que estão “cara a cara” com os munícipes e necessitam de recursos para suas obras e serviços. Compete ao governo federal evitar essa distorção criada em S. Paulo, pois ela acabará se transformando em paradigma para o resto do País.
Em nosso país a criatividade para aumentar a participação do setor público na renda disponível do cidadão não tem limites. Cada esfera do governo faz de tudo para incrementar seu “bolo” e o resultado está aí: classe média asfixiada entre sonegadores ricos e pobres isentos. O caso do IPTU, travestido de Imposto de Renda, é simbólico dessa voracidade. Começou com o sistema progressivo de Marta Suplicy para os que moram em imóveis mais valiosos e continua na administração Kassab com a reavaliação do valor dos imóveis em áreas inteiras, antes pobres e deterioradas, em função de transações imobiliárias potenciais. É de estarrecer que isso aconteça. Em vez de o Governo Federal passar toda a receita de lucro imobiliário para o município onde ela foi gerada e determinando que o cálculo do lucro imobiliário seja feito a partir do valor de mercado calculado pelo município para esse fim específico, o que observamos no dia-a-dia é sonegação e mais sonegação desse imposto em que circulam imensas somas de recursos “por fora dos registros cartoriais da transação”. É essa a justiça social que desejamos para nosso País? Afinal, são as autoridades municipais que estão “cara a cara” com os munícipes e necessitam de recursos para suas obras e serviços. Compete ao governo federal evitar essa distorção criada em S. Paulo, pois ela acabará se transformando em paradigma para o resto do País.
Friday, November 20, 2009
PAC
Césare Battisti toma espaço da mídia com seu PAC que deveria ser de nosso PAC. Isso se deve ao STF que demonstrou ter habilidade para dar nó em pingo d’água. Conseguiu evitar confronto ao decidir que Battisti deve ser extraditado se o Presidente levar em conta somente o aspecto constitucional. Contudo, cabe a ele a última palavra, ou seja, ele tem a autoridade e o poder de agir por razões que não estritamente constitucionais. Prevendo a sinuca de bico, Lula antecipou-se, afirmando, na Itália, que respeitaria a decisão do STF, ou seja, poderá “extraditar ou não” Battisti sem contrariar a Suprema Corte brasileira. Agora, já no Brasil, revela sua intenção de mantê-lo em nosso país, porém “legalmente”. Em outras palavras, vamos dar outro nó em pingo d’água, deixando o mundo boquiaberto, especialmente os Italianos. Afinal, nossa habilidade para criar e praticar dribles está embutida em nossa cultura em que o futebol é uma de suas manifestações. O Brasil pode ainda ter falta de recursos para o PAC, mas os recursos abundam para Battisti. Em tempo: nosso PAC é o Plano de Aceleração do Crescimento, e o outro, é o Proletários Armados pelo Comunismo. E mais: os recursos no caso de Battisti são jurídicos, já conhecidos em nosso País pela sua extrema abundância.
Césare Battisti toma espaço da mídia com seu PAC que deveria ser de nosso PAC. Isso se deve ao STF que demonstrou ter habilidade para dar nó em pingo d’água. Conseguiu evitar confronto ao decidir que Battisti deve ser extraditado se o Presidente levar em conta somente o aspecto constitucional. Contudo, cabe a ele a última palavra, ou seja, ele tem a autoridade e o poder de agir por razões que não estritamente constitucionais. Prevendo a sinuca de bico, Lula antecipou-se, afirmando, na Itália, que respeitaria a decisão do STF, ou seja, poderá “extraditar ou não” Battisti sem contrariar a Suprema Corte brasileira. Agora, já no Brasil, revela sua intenção de mantê-lo em nosso país, porém “legalmente”. Em outras palavras, vamos dar outro nó em pingo d’água, deixando o mundo boquiaberto, especialmente os Italianos. Afinal, nossa habilidade para criar e praticar dribles está embutida em nossa cultura em que o futebol é uma de suas manifestações. O Brasil pode ainda ter falta de recursos para o PAC, mas os recursos abundam para Battisti. Em tempo: nosso PAC é o Plano de Aceleração do Crescimento, e o outro, é o Proletários Armados pelo Comunismo. E mais: os recursos no caso de Battisti são jurídicos, já conhecidos em nosso País pela sua extrema abundância.
Friday, November 13, 2009
TREM DE ALTA VELOCIDADE - TAV
O projeto sumariamente apresentado abaixo é colírio refrescante para nossos olhos e gera expectativas prazeirosas quando nos imaginarmos sentados em trem de alta velocidade percorrendo a região mais desenvolvida do País no eixo Rio-São Paulo-Campinas. Contudo, chato como sou, e não tendo pés chatos, costumo fincá-los no chão para pensar melhor e imaginar, também, esse trem nos deixando em suas estações, expostos a balas perdidas, ao assédio de mendigos e aos olhares de pessoas mal encaradas nos observando como se fossemos presas para o próximo assalto, ou, na melhor das hipóteses, estaremos caminhando no meio de barraquinhas e mesinhas espalhadas para venda de bugigangas nas saídas das estações. E já no espaço público, enfrentando as poluições sonora e atmosférica geradas por trânsito congestionado e caótico associado a transporte público desengonçado (exceto o de nossa querida Curitiba!). Sem falar na expressão sofrida de cariocas e paulistanos, bem como de paulistas e fluminenses pobres que buscam sobreviver trabalhando honestamente, ainda que vivendo em ambiente degradado e desregrado pela presença ostensiva de viciados em álcool e outras drogas. Se nossas casas estiverem em locais sujeitos a enchentes e deslizamentos de terra, e se for verão, não há TAV que alivie nossa preocupação com novas chuvas e tempestados. Enfim, com o TAV, ou sem ele, o Brasil continuará o mesmo. Crescendo e se desenvolvendo em clima de auto-engano e alienação. Nada mudará na política sem-vergonha, demagógica, populista e corrupta, na ineficiência de serviços públicos, especialmente na JBV - Justiça de Baixa Velocidade, no mau cheiro de nossas cidades causado por falta de saneamento, na presença de jovens egressos de nossas instituições de ensino que não conseguem escrever e calcular, nas filas de hospitais públicos sem capacidade para atender nossa população cuja falta de saúde é notória, no tráfico instalado em seus terrítórios inexpugnáveis dentro das cidades, e em muitos outros aspectos que degradam nossa vida social e cultural. Vou parar por aqui para não estragar meu dia. Em resumo, não vejo o TAV como um projeto responsável POIS NECESSITARÁ DE RECURSOS PÚBLICOS ESCASSOS PARA SE TORNAR VIÁVEL E ATRAENTE PARA O SETOR PRIVADO ASSUMIR A CONCESSÃ0 POR QUARENTA ANOS. Aliás, ganhará a concessão a empresa que exigir o menor aporte de recursos públicos. Em outras palavras, o governo pagará um preço por antecipar a execução de um projeto inviável hoje por falta de demanda, que o seria no futuro, sem necessidade de apoio econômico-financeiro público. Esses recursos desviados para antecipação do TAV PODERIAM SER USADOS PARA AMENIZAR ALGUNS DOS PROBLEMAS QUE ENUMERAMOS ACIMA. É uma dose virtual de cocaína no ARRAIAL PRÉ-ELEITORAL QUE O BRASIL SE TRANSFORMOU. PARA COMPROVAR ISSO BASTA ANALISAR O CRONOGRAMA PREVISTO NO ÚLTIMO QUADRO DA APRESENTAÇÃO DO PROJETO QUE PREVÊ A HOMOLOGAÇÃO DA CONCESSÃO EM JUNHO DE 2.010, ENSEJANDO, PORTANTO, QUE TRENS VIRTUAIS EM MOVIMENTO APAREÇAM EM NOSSO VÍDEO DURANTE O HORÁRIO POLÍTICO OBRIGATÓRIO.
Nota: Clique em http://www.pedestre.org.br/downloads e, aberta a página, clique novamente no último item Trem de Alta Velocidade-TAV para ler o resumo do projeto.
O projeto sumariamente apresentado abaixo é colírio refrescante para nossos olhos e gera expectativas prazeirosas quando nos imaginarmos sentados em trem de alta velocidade percorrendo a região mais desenvolvida do País no eixo Rio-São Paulo-Campinas. Contudo, chato como sou, e não tendo pés chatos, costumo fincá-los no chão para pensar melhor e imaginar, também, esse trem nos deixando em suas estações, expostos a balas perdidas, ao assédio de mendigos e aos olhares de pessoas mal encaradas nos observando como se fossemos presas para o próximo assalto, ou, na melhor das hipóteses, estaremos caminhando no meio de barraquinhas e mesinhas espalhadas para venda de bugigangas nas saídas das estações. E já no espaço público, enfrentando as poluições sonora e atmosférica geradas por trânsito congestionado e caótico associado a transporte público desengonçado (exceto o de nossa querida Curitiba!). Sem falar na expressão sofrida de cariocas e paulistanos, bem como de paulistas e fluminenses pobres que buscam sobreviver trabalhando honestamente, ainda que vivendo em ambiente degradado e desregrado pela presença ostensiva de viciados em álcool e outras drogas. Se nossas casas estiverem em locais sujeitos a enchentes e deslizamentos de terra, e se for verão, não há TAV que alivie nossa preocupação com novas chuvas e tempestados. Enfim, com o TAV, ou sem ele, o Brasil continuará o mesmo. Crescendo e se desenvolvendo em clima de auto-engano e alienação. Nada mudará na política sem-vergonha, demagógica, populista e corrupta, na ineficiência de serviços públicos, especialmente na JBV - Justiça de Baixa Velocidade, no mau cheiro de nossas cidades causado por falta de saneamento, na presença de jovens egressos de nossas instituições de ensino que não conseguem escrever e calcular, nas filas de hospitais públicos sem capacidade para atender nossa população cuja falta de saúde é notória, no tráfico instalado em seus terrítórios inexpugnáveis dentro das cidades, e em muitos outros aspectos que degradam nossa vida social e cultural. Vou parar por aqui para não estragar meu dia. Em resumo, não vejo o TAV como um projeto responsável POIS NECESSITARÁ DE RECURSOS PÚBLICOS ESCASSOS PARA SE TORNAR VIÁVEL E ATRAENTE PARA O SETOR PRIVADO ASSUMIR A CONCESSÃ0 POR QUARENTA ANOS. Aliás, ganhará a concessão a empresa que exigir o menor aporte de recursos públicos. Em outras palavras, o governo pagará um preço por antecipar a execução de um projeto inviável hoje por falta de demanda, que o seria no futuro, sem necessidade de apoio econômico-financeiro público. Esses recursos desviados para antecipação do TAV PODERIAM SER USADOS PARA AMENIZAR ALGUNS DOS PROBLEMAS QUE ENUMERAMOS ACIMA. É uma dose virtual de cocaína no ARRAIAL PRÉ-ELEITORAL QUE O BRASIL SE TRANSFORMOU. PARA COMPROVAR ISSO BASTA ANALISAR O CRONOGRAMA PREVISTO NO ÚLTIMO QUADRO DA APRESENTAÇÃO DO PROJETO QUE PREVÊ A HOMOLOGAÇÃO DA CONCESSÃO EM JUNHO DE 2.010, ENSEJANDO, PORTANTO, QUE TRENS VIRTUAIS EM MOVIMENTO APAREÇAM EM NOSSO VÍDEO DURANTE O HORÁRIO POLÍTICO OBRIGATÓRIO.
Nota: Clique em http://www.pedestre.org.br/downloads e, aberta a página, clique novamente no último item Trem de Alta Velocidade-TAV para ler o resumo do projeto.
Thursday, November 12, 2009
TORNADO ELEITORAL
Ao invés de serem debatidas as diferenças abismais que existem entre a ampliação do poder direto do Estado - já que o indireto ninguém de sã consciência propôs abandonar - sobre o processo produtivo, iniciada por Vargas, acentuada no regime militar e, agora, sendo re-implantada por Lula no vácuo da solução da crise econômica mundial, em contraposição à política de FHC, o País se transformou em imenso arraial eleitoral que nem o “apagão” consegue interromper. Durante 24 horas por dia somos bombardeados por embates, bem pouco inteligentes e educados, entre os que apóiam e os que não apóiam Lula. O vazio mental criado pela ignorância e intensidade desse processo, funciona como tornado que nos traga e nos tira a capacidade de raciocinar. Como cidadão, consciente do tamanho e da complexidade de nossa economia e de nossa sociedade, com desafios enormes nos campos de educação, segurança pública, saúde e saneamento, meio ambiente, transporte, energia, desenvolvimento urbano, previdência pública, e, principalmente, na política e na melhoria da gestão em todas as esferas do setor público, peço aos ocupantes de altos cargos públicos que respeitem a nação e trabalhem com afinco e responsabilidade. Carnaval e eleições têm o seu tempo no calendário. Ao invés de discutirmos o “micro-acidente” da falta de energia elétrica – para o Ministro da Justiça, obviamente, que já devia estar dormindo – deveríamos, sim, debater o apagão mental que paira sobre os poucos brasileiros que ainda conseguem pensar. Que Deus e a mídia nos ajudem!
Ao invés de serem debatidas as diferenças abismais que existem entre a ampliação do poder direto do Estado - já que o indireto ninguém de sã consciência propôs abandonar - sobre o processo produtivo, iniciada por Vargas, acentuada no regime militar e, agora, sendo re-implantada por Lula no vácuo da solução da crise econômica mundial, em contraposição à política de FHC, o País se transformou em imenso arraial eleitoral que nem o “apagão” consegue interromper. Durante 24 horas por dia somos bombardeados por embates, bem pouco inteligentes e educados, entre os que apóiam e os que não apóiam Lula. O vazio mental criado pela ignorância e intensidade desse processo, funciona como tornado que nos traga e nos tira a capacidade de raciocinar. Como cidadão, consciente do tamanho e da complexidade de nossa economia e de nossa sociedade, com desafios enormes nos campos de educação, segurança pública, saúde e saneamento, meio ambiente, transporte, energia, desenvolvimento urbano, previdência pública, e, principalmente, na política e na melhoria da gestão em todas as esferas do setor público, peço aos ocupantes de altos cargos públicos que respeitem a nação e trabalhem com afinco e responsabilidade. Carnaval e eleições têm o seu tempo no calendário. Ao invés de discutirmos o “micro-acidente” da falta de energia elétrica – para o Ministro da Justiça, obviamente, que já devia estar dormindo – deveríamos, sim, debater o apagão mental que paira sobre os poucos brasileiros que ainda conseguem pensar. Que Deus e a mídia nos ajudem!
Sunday, November 08, 2009
INVASÃO DE ÁREAS PÚBLICAS
É nossa tradição não proteger áreas públicas de invasões que desvirtuam os fins a que se destinam. A gama de interesses que as motivam é muito ampla. Nas áreas urbanas, dois exemplos sobressaem: construção de favelas e outros tipos de moradias, inclusive algumas de alto nível, e exploração comercial do espaço invadido, nessa categoria destacando-se as calçadas. Li reportagem de José Ernesto Credendio (Folha 7/11) sobre a retirada de moradores das encostas da Serra do Mar junto às rodovias do Sistema Anchieta –Imigrantes, deslocando-os para outras áreas mais seguras. É óbvio que muitos deles se sentem insatisfeitos com isso a ponto de perguntar, o que todos nós gostaríamos de saber também: “por que se deixou construir moradias nessas encostas e depois de décadas, quando os moradores já criaram raízes nelas, resolve-se mudá-los dali?” A resposta está no Brasil de governantes permissivos que preferem corrigir e punir, quando não há mais jeito. Fazer vistas grossas, ou não, a ilegalidades faz parte do jogo político brasileiro no balanço entre prós e contras de se garantir o cumprimento da lei. Em outras palavras, o sistema de fiscalização é tão mal estruturado e ineficiente a ponto de criar bolsões de desobediência coletiva, gerando clima de incerteza para o cidadão e de arbítrio para as autoridades políticas. Anistias, perdões e outras benesses, de um lado, e punições de outro, são dosados e utilizados discricionariamente. Por isso, é necessário que aplaudamos os atos destinados a garantir o cumprimento da lei para que as autoridades se sintam prestigiadas e fortes para enfrentar os interesses contrariados. É o que eu faço agora, humildemente, sobre a decisão de se recuperar área de preservação na Serra do Mar e de se proteger vidas inocentes ameaçadas em épocas de chuvas intensas pelo deslizamento de terras.
É nossa tradição não proteger áreas públicas de invasões que desvirtuam os fins a que se destinam. A gama de interesses que as motivam é muito ampla. Nas áreas urbanas, dois exemplos sobressaem: construção de favelas e outros tipos de moradias, inclusive algumas de alto nível, e exploração comercial do espaço invadido, nessa categoria destacando-se as calçadas. Li reportagem de José Ernesto Credendio (Folha 7/11) sobre a retirada de moradores das encostas da Serra do Mar junto às rodovias do Sistema Anchieta –Imigrantes, deslocando-os para outras áreas mais seguras. É óbvio que muitos deles se sentem insatisfeitos com isso a ponto de perguntar, o que todos nós gostaríamos de saber também: “por que se deixou construir moradias nessas encostas e depois de décadas, quando os moradores já criaram raízes nelas, resolve-se mudá-los dali?” A resposta está no Brasil de governantes permissivos que preferem corrigir e punir, quando não há mais jeito. Fazer vistas grossas, ou não, a ilegalidades faz parte do jogo político brasileiro no balanço entre prós e contras de se garantir o cumprimento da lei. Em outras palavras, o sistema de fiscalização é tão mal estruturado e ineficiente a ponto de criar bolsões de desobediência coletiva, gerando clima de incerteza para o cidadão e de arbítrio para as autoridades políticas. Anistias, perdões e outras benesses, de um lado, e punições de outro, são dosados e utilizados discricionariamente. Por isso, é necessário que aplaudamos os atos destinados a garantir o cumprimento da lei para que as autoridades se sintam prestigiadas e fortes para enfrentar os interesses contrariados. É o que eu faço agora, humildemente, sobre a decisão de se recuperar área de preservação na Serra do Mar e de se proteger vidas inocentes ameaçadas em épocas de chuvas intensas pelo deslizamento de terras.
Monday, November 02, 2009
Uma Visão do Brasil
Transcrevo abaixo artigo que merece ser lido. Publicado no NYTimes e traduzido e transcrito pela Folha (2/10/09). “A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira.”, afirma Roger Cohen em seu texto abaixo.
O Brasil chegou. Mas onde?
Não há marca mais quente no mercado mundial que o Brasil. Riqueza em matérias-primas, reservas de petróleo, algumas empresas de classe mundial e um presidente com uma séria reivindicação a ser o político mais hábil do mundo despertam paixão global. Não mais considerado uma terra flagelada de samba e futebol, o Brasil é a potência do século 21 que todos querem cortejar. Vejam a concessão da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Confesso que estou esfregando os olhos. Desde que morei no Brasil, na década de 1980, fui otimista sobre as perspectivas brasileiras.Argumentei que o país deveria ser considerado uns EUA tropicais, e não apenas mais um país latino-americano. Seu tamanho, sua capacidade de absorver imigrantes e sua cultura empreendedora o distinguem de seus vizinhos. Mas seus problemas -principalmente a pobreza e a violência- pareciam impedir uma reformulação radical da marca. Esses problemas persistem. O recente tiroteio que deixou 40 mortos no Rio de Janeiro e derrubou um helicóptero da polícia foi dramático o suficiente para chamar a atenção à violência entre facções, que acaba com milhares de vidas todos os anos. A pobreza e a grande riqueza estão lado a lado, com uma proximidade particular em muitas cidades brasileiras: o dinheiro da droga compra as armas que são as ferramentas (e símbolos de status) do negócio e corrompe a polícia mal paga. Mas o capital internacional, intercambiável e móvel, ignora esse aspecto do Brasil. Ele se concentra em outra realidade: a política estável sob Luiz Inácio Lula da Silva, uma economia que cresce 5% ao ano, um mercado de ações florescente, uma potência emergente do petróleo, um país rico em energia hidráulica e solar e pioneiro nos biocombustíveis. O real avançou cerca de 35% em relação ao dólar neste ano. A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira. O Brasil chegou, é o lugar aonde todos querem ir -e as crianças das favelas ainda morrem todos os dias em brigas por um par de tênis. Em certo sentido, o risco social foi descontado. Os administradores de fundos mundiais decidiram que o progresso do Brasil, sua "história de sucesso", não será desfeita pelas crianças das favelas com armas antiaéreas. Dado que a passividade social parece ser uma condição contemporânea -a crise mundial não produziu grande rebelião social-, eles têm motivos para estar confiantes. A tecnologia amortece a raiva: ela isola e distrai. Mas eu me preocupo. A crise global teve a ver com riscos subavaliados. Teve a ver com o contágio da dívida negociada em escala global. Teve a ver com cobiça enlouquecida entre aqueles com os meios para enlouquecer. Foi sobre a compensação destinada a recompensar o retorno em curto prazo. Foi sobre dois mundos desconexos: o do árbitro de Wall Street e o do trabalhador de Detroit. Um ano depois do início da crise, os mercados se recuperaram, e o capital flui novamente ao Brasil. Mas as divisões sociais são tão grandes como sempre. Principalmente, nenhuma nova ideia sobre a economia global e suas inequidades ganhou força. Até certo ponto, acho que o sucesso da Copa e da Olimpíada no Brasil dependerá do surgimento de um pensamento econômico factível e inovador -ou o mundo, em suas paixões, seguirá adiante cegamente.
FIM
Transcrevo abaixo artigo que merece ser lido. Publicado no NYTimes e traduzido e transcrito pela Folha (2/10/09). “A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira.”, afirma Roger Cohen em seu texto abaixo.
O Brasil chegou. Mas onde?
Não há marca mais quente no mercado mundial que o Brasil. Riqueza em matérias-primas, reservas de petróleo, algumas empresas de classe mundial e um presidente com uma séria reivindicação a ser o político mais hábil do mundo despertam paixão global. Não mais considerado uma terra flagelada de samba e futebol, o Brasil é a potência do século 21 que todos querem cortejar. Vejam a concessão da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Confesso que estou esfregando os olhos. Desde que morei no Brasil, na década de 1980, fui otimista sobre as perspectivas brasileiras.Argumentei que o país deveria ser considerado uns EUA tropicais, e não apenas mais um país latino-americano. Seu tamanho, sua capacidade de absorver imigrantes e sua cultura empreendedora o distinguem de seus vizinhos. Mas seus problemas -principalmente a pobreza e a violência- pareciam impedir uma reformulação radical da marca. Esses problemas persistem. O recente tiroteio que deixou 40 mortos no Rio de Janeiro e derrubou um helicóptero da polícia foi dramático o suficiente para chamar a atenção à violência entre facções, que acaba com milhares de vidas todos os anos. A pobreza e a grande riqueza estão lado a lado, com uma proximidade particular em muitas cidades brasileiras: o dinheiro da droga compra as armas que são as ferramentas (e símbolos de status) do negócio e corrompe a polícia mal paga. Mas o capital internacional, intercambiável e móvel, ignora esse aspecto do Brasil. Ele se concentra em outra realidade: a política estável sob Luiz Inácio Lula da Silva, uma economia que cresce 5% ao ano, um mercado de ações florescente, uma potência emergente do petróleo, um país rico em energia hidráulica e solar e pioneiro nos biocombustíveis. O real avançou cerca de 35% em relação ao dólar neste ano. A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira. O Brasil chegou, é o lugar aonde todos querem ir -e as crianças das favelas ainda morrem todos os dias em brigas por um par de tênis. Em certo sentido, o risco social foi descontado. Os administradores de fundos mundiais decidiram que o progresso do Brasil, sua "história de sucesso", não será desfeita pelas crianças das favelas com armas antiaéreas. Dado que a passividade social parece ser uma condição contemporânea -a crise mundial não produziu grande rebelião social-, eles têm motivos para estar confiantes. A tecnologia amortece a raiva: ela isola e distrai. Mas eu me preocupo. A crise global teve a ver com riscos subavaliados. Teve a ver com o contágio da dívida negociada em escala global. Teve a ver com cobiça enlouquecida entre aqueles com os meios para enlouquecer. Foi sobre a compensação destinada a recompensar o retorno em curto prazo. Foi sobre dois mundos desconexos: o do árbitro de Wall Street e o do trabalhador de Detroit. Um ano depois do início da crise, os mercados se recuperaram, e o capital flui novamente ao Brasil. Mas as divisões sociais são tão grandes como sempre. Principalmente, nenhuma nova ideia sobre a economia global e suas inequidades ganhou força. Até certo ponto, acho que o sucesso da Copa e da Olimpíada no Brasil dependerá do surgimento de um pensamento econômico factível e inovador -ou o mundo, em suas paixões, seguirá adiante cegamente.
FIM
Saturday, October 31, 2009
HONDURAS
Excelente o Editorial da Folha (31/10) sobre a solução da crise nesse país. Dele destacamos o seguinte: “Ao negar-se, desde cedo, a dialogar com Micheletti, o Itamaraty ignorou sua tradição de pautar-se pela não ingerência e pela solução mediada de conflitos.”; ”... deixar que a embaixada em Tegucigalpa se transformasse em sede de um comitê de agitação política, o governo brasileiro demonstrou amadorismo”. São fatos indiscutíveis, já conhecidos de todos, que caracterizam desvio de conduta no âmbito da mais tradicional e respeitada instituição brasileira: o Ministério de Relações Exteriores. Seus símbolos – o belo casarão do Itamaraty no Rio e o Patrono do Diplomata, Barão do Rio Branco – são ícones respeitados no Brasil e no mundo, como reconhecimento da maturidade e eficácia de nossa diplomacia. O “imbróglio” de Honduras, que envolveu o Brasil e nossa embaixada nesse país, representam um golpe violento na boa imagem do Itamaraty, construída pacientemente em mais de um século de atuação responsável de nossos bem formados diplomatas. Cabe agora ao Congresso pedir explicações a Celso Amorim, em reunião secreta para não envolver o assunto na campanha eleitoral conduzida pelo Presidente Lula, abalando, ainda mais, a confiança e a credibilidade em nossa diplomacia, estremecidas pelo que aconteceu na crise de Honduras.
Excelente o Editorial da Folha (31/10) sobre a solução da crise nesse país. Dele destacamos o seguinte: “Ao negar-se, desde cedo, a dialogar com Micheletti, o Itamaraty ignorou sua tradição de pautar-se pela não ingerência e pela solução mediada de conflitos.”; ”... deixar que a embaixada em Tegucigalpa se transformasse em sede de um comitê de agitação política, o governo brasileiro demonstrou amadorismo”. São fatos indiscutíveis, já conhecidos de todos, que caracterizam desvio de conduta no âmbito da mais tradicional e respeitada instituição brasileira: o Ministério de Relações Exteriores. Seus símbolos – o belo casarão do Itamaraty no Rio e o Patrono do Diplomata, Barão do Rio Branco – são ícones respeitados no Brasil e no mundo, como reconhecimento da maturidade e eficácia de nossa diplomacia. O “imbróglio” de Honduras, que envolveu o Brasil e nossa embaixada nesse país, representam um golpe violento na boa imagem do Itamaraty, construída pacientemente em mais de um século de atuação responsável de nossos bem formados diplomatas. Cabe agora ao Congresso pedir explicações a Celso Amorim, em reunião secreta para não envolver o assunto na campanha eleitoral conduzida pelo Presidente Lula, abalando, ainda mais, a confiança e a credibilidade em nossa diplomacia, estremecidas pelo que aconteceu na crise de Honduras.
Tuesday, October 27, 2009
Agora, o Irã
Em região das mais conturbadas do planeta, o Presidente Lula escolheu um dos países que mais gera conflitos com a Europa e os EUA para amansá-lo (Folha 27/09) ao afirmar:"Defendo para o Irã a mesma coisa que eu defendo para o Brasil em relação à energia nuclear". E, ainda, relata a reportagem, que essa afirmação se deu “após encontro de duas horas com Ahmadinejad em um hotel de Nova York. O brasileiro afirmou ter recebido do colega iraniano garantias (sic) de que Teerã não quer a bomba”. A única coisa que podemos pensar sobre isso é que vivemos momento surrealista em nosso País.Enquanto “explodem” a violência e o tráfico de drogas que ameaçam a segurança e a saúde de nosso povo, o Presidente Lula resolveu imbricar nosso País em armadilhas criadas pela política internacional como a de Honduras e, agora, a do Irã. Sem falar no elevado ônus de aliança estratégica com a França, cujos termos ainda são desconhecidos. De prático, ela já gerou o imbróglio do “asilo político” de Battisti no Brasil, contrariando a justiça italiana que teve apoio da comunidade européia para extraditá-lo. Mais recentemente, surgiram os contratos de compras de helicópteros, navios – sendo um nuclear - e de estaleiro a ser construído sem licitação pela Odebrecht no Rio. E, em breve, deverá ser assinado contrato de compra de aviões franceses, contrariando escolha feita pela aeronáutica de caças suecos pela metade do preço. E così la nave và.....
Em região das mais conturbadas do planeta, o Presidente Lula escolheu um dos países que mais gera conflitos com a Europa e os EUA para amansá-lo (Folha 27/09) ao afirmar:"Defendo para o Irã a mesma coisa que eu defendo para o Brasil em relação à energia nuclear". E, ainda, relata a reportagem, que essa afirmação se deu “após encontro de duas horas com Ahmadinejad em um hotel de Nova York. O brasileiro afirmou ter recebido do colega iraniano garantias (sic) de que Teerã não quer a bomba”. A única coisa que podemos pensar sobre isso é que vivemos momento surrealista em nosso País.Enquanto “explodem” a violência e o tráfico de drogas que ameaçam a segurança e a saúde de nosso povo, o Presidente Lula resolveu imbricar nosso País em armadilhas criadas pela política internacional como a de Honduras e, agora, a do Irã. Sem falar no elevado ônus de aliança estratégica com a França, cujos termos ainda são desconhecidos. De prático, ela já gerou o imbróglio do “asilo político” de Battisti no Brasil, contrariando a justiça italiana que teve apoio da comunidade européia para extraditá-lo. Mais recentemente, surgiram os contratos de compras de helicópteros, navios – sendo um nuclear - e de estaleiro a ser construído sem licitação pela Odebrecht no Rio. E, em breve, deverá ser assinado contrato de compra de aviões franceses, contrariando escolha feita pela aeronáutica de caças suecos pela metade do preço. E così la nave và.....
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