Lula-aqui, Evo-ali, Obama-lá
O artigo acima de Augusto Franco (Folha, 17/11) compara as eleições de Lula e de outros líderes latino-americanos com a de Obama nos Estado Unidos da América. Esqueceu-se, porém, de ressaltar que este se apresentou como um cidadão inteligente e de excelente formação cultural e acadêmica capaz de liderar os EUA conforme os anseios e desejos dos membros do Partido Democrático que o escolheu como seu candidato. Hillary Clinton, sua adversária na eleição de escolha do candidato, também era altamente qualificada. É de se ressaltar que nenhuma das duas candidaturas, porém, surgiu como reação de mágoa ou de desprezo à elite norte-americana. Obama é filho de mãe branca, com determinante influência dela, e de sua avó materna que lhe deu carinho e transferiu-lhe valores para sua formação saudável. Sem marcas e cicatrizes de agressões e ódios que estimulam a mágoa, a vingança e a confrontação, Obama conseguiu com seus próprios méritos galgar posição socioeconômica invejável na sociedade americana. Em outras palavras, Obama comunga os valores históricos e mais profundos de seu País com a elite americana, vive em seu meio e atua politicamente no velho Partido Democrático. O seu foco é a busca de soluções democráticas para os problemas sociais, econômicos e culturais das camadas mais pobres, entre as quais se encontram os negros, os hispânicos e outras minorias que ainda não conseguiram usufruir, como ele, das oportunidades oferecidas em seu País. É óbvio que a herança genética de seu pai negro, nascido no Quênia, tornou-o mais bem aceito pelos americanos carentes. E para os negros, ele tornou-se o símbolo de que a igualdade conseguida a duras penas em meados do século passado agora se completa com chave de ouro. A democracia americana, que já era forte, torna-se mais robusta ainda com a eleição de Obama
Sunday, November 23, 2008
Saturday, November 22, 2008
SEGUNDA LÍNGUA
O povo brasileiro, numa atitude sábia e pragmática, elegeu o inglês como segunda língua. Infelizmente, a falta de recursos torna muito difícil às escolas públicas proporcionar aos mais pobres a oportunidade de aprender a falar, ler e escrever bem essa língua, como já conseguem os grupos sociais de renda mais alta. Se já não lhes bastasse a luta que enfrentam para reaprender a falar e a se comunicar corretamente em português, corrigindo os vícios de linguagem trazidos do lar, terão de aceitar a situação de apenas “arranhar” o inglês; e por isso, perder renda e posições no competitivo mercado de trabalho. O decantado treinamento em informática e o acesso à internet têm de ser acompanhado pelo ensino da língua inglesa, caso contrário seus resultados serão pífios. Aos que pensam como nós, sugerimos que se manifestem a respeito para que a nossa elite política não apóie iniciativas de ensino de outras línguas estrangeiras, dispersando esforços, tempo e recursos que estariam melhor empregados no aprendizado do inglês. Afinal, o ensino fundamental gratuito e de boa qualidade é o principal instrumento público destinado a corrigir as desigualdades socioeconômicas.
Publicada em Cartas do Leitor no Estadão de 28/03/01
O povo brasileiro, numa atitude sábia e pragmática, elegeu o inglês como segunda língua. Infelizmente, a falta de recursos torna muito difícil às escolas públicas proporcionar aos mais pobres a oportunidade de aprender a falar, ler e escrever bem essa língua, como já conseguem os grupos sociais de renda mais alta. Se já não lhes bastasse a luta que enfrentam para reaprender a falar e a se comunicar corretamente em português, corrigindo os vícios de linguagem trazidos do lar, terão de aceitar a situação de apenas “arranhar” o inglês; e por isso, perder renda e posições no competitivo mercado de trabalho. O decantado treinamento em informática e o acesso à internet têm de ser acompanhado pelo ensino da língua inglesa, caso contrário seus resultados serão pífios. Aos que pensam como nós, sugerimos que se manifestem a respeito para que a nossa elite política não apóie iniciativas de ensino de outras línguas estrangeiras, dispersando esforços, tempo e recursos que estariam melhor empregados no aprendizado do inglês. Afinal, o ensino fundamental gratuito e de boa qualidade é o principal instrumento público destinado a corrigir as desigualdades socioeconômicas.
Publicada em Cartas do Leitor no Estadão de 28/03/01
Friday, November 07, 2008
TEMPO LIVRE VALIOSO
O rápido desenvolvimento e aplicação de tecnologias de informação na medicina curativa e preventiva tem-nos permitido melhorar as condições de preservação da saúde e da vida. Contudo, essas tecnologias, infelizmente, têm-nas prejudicado, também.
O tempo livre que hoje desfrutamos foi-nos legado por meio de experiências e conhecimentos úteis à nossa sobrevivência, consolidados em centenas de anos de trabalho e sofrimento de nossos antepassados. As milhares de horas desperdiçadas em jogos eletrônicos, em atividades fúteis no celular e na internet, bem como assistindo a programas e filmes que embrutecem o ser humano têm sido o uso que fazemos dele. Para piorar, o sedentarismo inerente a essas atividades é acompanhado pela ingestão de produtos nocivos à saúde. Tudo isso acontece com mais intensidade no período de vida favorável à educação que, segundo especialistas na fisiologia do cérebro, vai até os 25 anos.
Resta-nos, contudo, a esperança de que o livre arbítrio que ainda nos resta sirva para libertar-nos dessa armadilha criada por interesses comerciais apoiados em modernas tecnologias de informação e comunicação. Temos de estar atentos, porém, a outra armadilha. A de alienarmo-nos de nós mesmos e de nosso meio, copiando atitudes e preferências de “socialites” e políticos obtusos que impregnam nossa mídia com seus visuais e pensamentos estapafúrdios.
Ao afirmarmos que tudo que fazemos é importante, estamos afirmando, em outras palavras, que nada daquilo que deixamos de fazer por falta de tempo é mais importante do que já fazemos. É preciso que tomemos consciência desse raciocínio absurdo e abramos nossos próprios olhos sempre que nos perdermos na selva de opções em que vivemos. Devemos dar muito valor ao tempo livre, utilizando-o com muito respeito a nós e ao próximo. E acima de tudo, usando-o bastante para pensar sobre nossa vida e destino. Daros
O rápido desenvolvimento e aplicação de tecnologias de informação na medicina curativa e preventiva tem-nos permitido melhorar as condições de preservação da saúde e da vida. Contudo, essas tecnologias, infelizmente, têm-nas prejudicado, também.
O tempo livre que hoje desfrutamos foi-nos legado por meio de experiências e conhecimentos úteis à nossa sobrevivência, consolidados em centenas de anos de trabalho e sofrimento de nossos antepassados. As milhares de horas desperdiçadas em jogos eletrônicos, em atividades fúteis no celular e na internet, bem como assistindo a programas e filmes que embrutecem o ser humano têm sido o uso que fazemos dele. Para piorar, o sedentarismo inerente a essas atividades é acompanhado pela ingestão de produtos nocivos à saúde. Tudo isso acontece com mais intensidade no período de vida favorável à educação que, segundo especialistas na fisiologia do cérebro, vai até os 25 anos.
Resta-nos, contudo, a esperança de que o livre arbítrio que ainda nos resta sirva para libertar-nos dessa armadilha criada por interesses comerciais apoiados em modernas tecnologias de informação e comunicação. Temos de estar atentos, porém, a outra armadilha. A de alienarmo-nos de nós mesmos e de nosso meio, copiando atitudes e preferências de “socialites” e políticos obtusos que impregnam nossa mídia com seus visuais e pensamentos estapafúrdios.
Ao afirmarmos que tudo que fazemos é importante, estamos afirmando, em outras palavras, que nada daquilo que deixamos de fazer por falta de tempo é mais importante do que já fazemos. É preciso que tomemos consciência desse raciocínio absurdo e abramos nossos próprios olhos sempre que nos perdermos na selva de opções em que vivemos. Devemos dar muito valor ao tempo livre, utilizando-o com muito respeito a nós e ao próximo. E acima de tudo, usando-o bastante para pensar sobre nossa vida e destino. Daros
Wednesday, November 05, 2008
DISPUTA ENTRE PÚBLICO E PRIVADO
É de estarrecer que altas autoridades do executivo estejam preocupadas com o fato do Banco do Brasil cair para o segundo lugar em valor dos ativos após a fusão do Itaú com o Unibanco assegurar-lhes o primeiro posto. É inacreditável o que se lê na Reportagem da Folha de S. Paulo (04/11/08): “ Governo Lula quer que o Banco do Brasil retome a liderança”; “A liderança (do BB) no ranking de bancos do país é simbólica para o PT”; “O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva não gostou de ver o BB perder o posto...” ; “O importante, avaliam os técnicos do governo, é que "agora o BB está no jogo".
É de estarrecer que altas autoridades do executivo estejam preocupadas com o fato do Banco do Brasil cair para o segundo lugar em valor dos ativos após a fusão do Itaú com o Unibanco assegurar-lhes o primeiro posto. É inacreditável o que se lê na Reportagem da Folha de S. Paulo (04/11/08): “ Governo Lula quer que o Banco do Brasil retome a liderança”; “A liderança (do BB) no ranking de bancos do país é simbólica para o PT”; “O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva não gostou de ver o BB perder o posto...” ; “O importante, avaliam os técnicos do governo, é que "agora o BB está no jogo".
Em plena crise, o Governo Federal transforma um evento positivo no mercado financeiro brasileiro em corrida entre os setores Público e Privado.
Concluo da leitura da reportagem que o piloto do PT, Lula, dirigindo o BB, lamenta ter perdido a primeira posição para Setúbal que conduz a nova máquina Itaú-Unibanco; mas está seguro que vai retomar a liderança em breve pisando firme no novo acelerador MP 443. Daros
PS Publicado no Painel do Leitor da Folha de São Paulo de 06/11/08
Sunday, October 19, 2008
MARTA E A SEXUALIDADE -II
Como sempre, as manifestações de nosso Presidente Lula são espontâneas e revelam a qualquer um suas idéias e preconceitos. Ao defender a candidata Marta Suplicy, as seguintes frases merecem destaques: a) "quando todos nós tínhamos preconceito"... b) " uma pergunta difamatória " .. Ou seja, agora que não tem mais preconceito, considera, por comparação com o que perguntam também para êle, que a pergunta feita à Kassab é difamatória. Leia o trecho abaixo e chegue a sua própria conclusão. Daros
"Temos que ter claro que essa mulher tem sido nesses últimos anos vítima de um preconceito raivoso e rançoso aqui na cidade de São Paulo", discursou Lula, para quem a elite considera "imperdoável" que ela tenha construído CEUs (Centro Educacional Unificado) na periferia e não em bairros ricos."Tem um bando de gente, uma minoria, mas influente, que não aceita que pelo teus próprios méritos você tenha as mesmas coisas que ela."Sobre a propaganda da campanha petista que pergunta se Kassab é casado ou tem filhos, Lula saiu em defesa de Marta."Tentaram passar a idéia de que essa mulher tem preconceito contra homossexualismo. Exatamente essa mulher que quando todos nós tínhamos preconceito ela já estava na TV Mulher [na TV Globo, nos anos 80] defendendo as minorias."Ele ironizou a repercussão do caso. "Ah, meu Deus do céu, se a imprensa me defendesse cada vez que fazem uma pergunta difamatória para mim. Ah, se ela me defendesse cada vez que alguém me pergunta: "Ô Lula, sabes falar inglês? Então não podes governar o Brasil". Ou "És casado, tens filho?" Ora, quem é que já não recebeu essa pergunta? Ainda vou criar o "dia da hipocrisia" neste país".
Fonte: Em RANIER BRAGON-em São Paulo e NANCY DUTRA-Colaboração para a Folha de São Paulo - Domingo - 19/10/2008
Wednesday, October 15, 2008
MARTA E A SEXUALIDADE
Todos nós temos muito interesse em nossa sexualidade e na dos outros, especialmente na adolescência. A maioria amadurece e passa a se interessar por outras coisas, também. O Brasil, por tradição cultural, sempre preservou a liberdade de escolha em matéria sexual, condenando, por exemplo, somente abusos como pedofilia e estupro e caçoando do homossexualismo por meio de piadas. A tolerância, em alguns casos, chega a ser exagerada, muitas vezes por ignorância. Não é por acaso que políticos famosos chegaram a produzir frases como: “estupra, mas não mata" ou, diante de falhas nos aeroportos brasileiros que causaram sérios danos físicos e morais a seus usuários, recomendou-se “relaxa e goza”’. A violência é tolerada e associada ao sexo nas duas frases, ainda que de forma velada na segunda.
Marta Suplicy amadureceu, conforme suas próprias palavras, e, segundo nossa modesta observação à distância, sublimou sua eventual curiosidade ao se tornar psicóloga e pesquisadora no campo das práticas sexuais humanas. E, como política, posicionou-se como líder de minorias que fogem do padrão Marido-e-Esposa-com-Filhos, em que as atividades sexuais do casal ficariam circunscritas a eles e somente a eles, e os filhos seriam o resultado natural do casamento monogâmico. Como eleitores, portanto, gostaríamos que a candidata Marta Suplicy nos dissesse com clareza a razão de considerar relevante que saibamos se o seu adversário Kassab é casado e tem filhos. A resposta deste foi de que não é homossexual e que muitas mulheres gostariam de se casar com ele.
Não é difícil para nós brasileiros desvendarmos os objetivos políticos da pergunta a partir da resposta dada. É óbvio que Marta conhece a vida particular de Kassab e fez essa pergunta para tirar-lhe votos. E é também óbvio que ele descobriu sua intenção e respondeu-a para não perdê-los. Não existe nenhuma restrição legal que homossexual ou heterossexual, solteiro ou casado, com filhos ou sem filhos, até mesmo fora do casamento, ocupem cargo público, desde que não tenham praticado atos criminosos regulados por lei. E mais: a transgressão de leis, inclusive no campo da sexualidade, tem sido praticada por políticos casados e com filhos. Não são poucos os que se encontram nessas condições e continuam impunes. A explicação para a pergunta de Marta está contida na cabeça de eleitores ignorantes e pré-conceituosos, particularmente no meio inculto.
Não devemos esquecer a tradição cultural da população ignorante, muitas vezes orientada por religiosos fanáticos que consideram o homossexualismo um desvio que impede a pessoa de ser equilibrada, competente e honesta. E isso acontece quase sempre em grotões eleitorais em que os homens se dividem entre machões – incluídos aí os que praticam o homossexualismo ativo – e os homossexuais. Nesta última categoria, somente são considerados os chamados passivos, normalmente conhecidos como efeminados. Basta uma caminhada pela cidade, principalmente em áreas deterioradas física, social e culturalmente, para se cruzar com homens desequilibrados mentalmente, andando com trejeitos de mulheres e sendo objetos de gracejos e agressões de toda espécie.
Marta Suplicy, que chegou a ser aceita como candidata à psicanalista no Instituto de Psicanálise da conceituada Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, deveria utilizar seu conhecimento profissional e sua posição política de vanguarda junto ao Grupo de Gays, Lésbicas e Simpatizantes - GLS para ajudar o desenvolvimento de nosso povo e não utilizá-lo em sua vertente mais retrógrada. Não nos iludamos. Mesmo nesses grotões atrasados, a cultura está chegando e mudando hábitos e costumes rapidamente. Os poucos votos daqueles que acreditarem na insinuação de Marta, e, por isso, deixarem de votar em Kassab, serão ultrapassados pelos que a repudiarão por essa atitude. Não adiantará dizer-lhes “relaxa e goza porque depois das eleições voltarei a ser profissionalmente coerente“ e que “em política somente há vencedor e perdedor”. Isso é verdade, sim. Porém, há atitudes e erros imperdoáveis que podem acabar com a carreira política de quem os comete. Lula já disse na Espanha, como é de seu estilo, que não podia opinar sobre o assunto porque não conhece o teor da propaganda de Marta. E ela, o que dirá? Esperamos que não entre no caminho pedregoso e perigoso do “voyeurismo” sexual a ponto de estimular alguns simpatizantes seus (“aloprados”), a seguirem e perseguirem Kassab, espionando suas atividades e preferências sexuais. Daros
Todos nós temos muito interesse em nossa sexualidade e na dos outros, especialmente na adolescência. A maioria amadurece e passa a se interessar por outras coisas, também. O Brasil, por tradição cultural, sempre preservou a liberdade de escolha em matéria sexual, condenando, por exemplo, somente abusos como pedofilia e estupro e caçoando do homossexualismo por meio de piadas. A tolerância, em alguns casos, chega a ser exagerada, muitas vezes por ignorância. Não é por acaso que políticos famosos chegaram a produzir frases como: “estupra, mas não mata" ou, diante de falhas nos aeroportos brasileiros que causaram sérios danos físicos e morais a seus usuários, recomendou-se “relaxa e goza”’. A violência é tolerada e associada ao sexo nas duas frases, ainda que de forma velada na segunda.
Marta Suplicy amadureceu, conforme suas próprias palavras, e, segundo nossa modesta observação à distância, sublimou sua eventual curiosidade ao se tornar psicóloga e pesquisadora no campo das práticas sexuais humanas. E, como política, posicionou-se como líder de minorias que fogem do padrão Marido-e-Esposa-com-Filhos, em que as atividades sexuais do casal ficariam circunscritas a eles e somente a eles, e os filhos seriam o resultado natural do casamento monogâmico. Como eleitores, portanto, gostaríamos que a candidata Marta Suplicy nos dissesse com clareza a razão de considerar relevante que saibamos se o seu adversário Kassab é casado e tem filhos. A resposta deste foi de que não é homossexual e que muitas mulheres gostariam de se casar com ele.
Não é difícil para nós brasileiros desvendarmos os objetivos políticos da pergunta a partir da resposta dada. É óbvio que Marta conhece a vida particular de Kassab e fez essa pergunta para tirar-lhe votos. E é também óbvio que ele descobriu sua intenção e respondeu-a para não perdê-los. Não existe nenhuma restrição legal que homossexual ou heterossexual, solteiro ou casado, com filhos ou sem filhos, até mesmo fora do casamento, ocupem cargo público, desde que não tenham praticado atos criminosos regulados por lei. E mais: a transgressão de leis, inclusive no campo da sexualidade, tem sido praticada por políticos casados e com filhos. Não são poucos os que se encontram nessas condições e continuam impunes. A explicação para a pergunta de Marta está contida na cabeça de eleitores ignorantes e pré-conceituosos, particularmente no meio inculto.
Não devemos esquecer a tradição cultural da população ignorante, muitas vezes orientada por religiosos fanáticos que consideram o homossexualismo um desvio que impede a pessoa de ser equilibrada, competente e honesta. E isso acontece quase sempre em grotões eleitorais em que os homens se dividem entre machões – incluídos aí os que praticam o homossexualismo ativo – e os homossexuais. Nesta última categoria, somente são considerados os chamados passivos, normalmente conhecidos como efeminados. Basta uma caminhada pela cidade, principalmente em áreas deterioradas física, social e culturalmente, para se cruzar com homens desequilibrados mentalmente, andando com trejeitos de mulheres e sendo objetos de gracejos e agressões de toda espécie.
Marta Suplicy, que chegou a ser aceita como candidata à psicanalista no Instituto de Psicanálise da conceituada Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, deveria utilizar seu conhecimento profissional e sua posição política de vanguarda junto ao Grupo de Gays, Lésbicas e Simpatizantes - GLS para ajudar o desenvolvimento de nosso povo e não utilizá-lo em sua vertente mais retrógrada. Não nos iludamos. Mesmo nesses grotões atrasados, a cultura está chegando e mudando hábitos e costumes rapidamente. Os poucos votos daqueles que acreditarem na insinuação de Marta, e, por isso, deixarem de votar em Kassab, serão ultrapassados pelos que a repudiarão por essa atitude. Não adiantará dizer-lhes “relaxa e goza porque depois das eleições voltarei a ser profissionalmente coerente“ e que “em política somente há vencedor e perdedor”. Isso é verdade, sim. Porém, há atitudes e erros imperdoáveis que podem acabar com a carreira política de quem os comete. Lula já disse na Espanha, como é de seu estilo, que não podia opinar sobre o assunto porque não conhece o teor da propaganda de Marta. E ela, o que dirá? Esperamos que não entre no caminho pedregoso e perigoso do “voyeurismo” sexual a ponto de estimular alguns simpatizantes seus (“aloprados”), a seguirem e perseguirem Kassab, espionando suas atividades e preferências sexuais. Daros
Friday, September 26, 2008
ALGUNS PENSAMENTOS SOBRE TRABALHO E DISCUSSÃO EM GRUPO
O trabalho ou discussão em grupo não é um jogo de soma zero, em que um debatedor somente ganha, se o outro perde. Ao contrário, deve-se buscar a sinergia que garante que o resultado do trabalho em grupo seja maior e melhor do que a soma de trabalhos individuais;
A discussão em grupo deve se limitar às idéias e propostas feitas e às premissas e razões que lhes dão sustentação. Não é lugar para simpatias, solidariedade e competição. Seja meu amigo, pessoa de minha simpatia ou pessoa frágil, se sua idéia ou proposta não é sustentável deve ser rebatida e rejeitada, educadamente. Se a idéia ou proposta de alguém é melhor do que a minha, seja quem for o participante, devo apoiá-la com base em meu raciocínio e não em minha simpatia.;
O silêncio somente deve ser rompido se realmente tem-se algo importante a dizer. Falar demais, para se manter em evidência, destrói a sinergia do grupo e, ao final, todos perdem com resultados pífios. O que importa é o resultado do trabalho em grupo e não o brilho de cada um;
Jamais se deve avaliar a personalidade, traços de caráter ou outros aspectos pessoais do interlocutor, seja para desmoralizá-lo, seja para exaltá-lo, quando se está trabalhando em grupo. O que importa são suas idéias e propostas que devem ser examinadas à luz da razão e dos conhecimentos dele e dos demais membros do grupo e não das características individuais de cada um. Caso se constate que alguém demonstra incapacidade ou desequilíbrio emocional para trabalho em grupo, agredindo as pessoas com ironias, sarcasmos ou ofensas, a única maneira de não se envolver em conflitos pessoais é simplesmente CALAR-SE, negando-se a participar em grupos do qual essa pessoa venha a fazer parte no futuro. Se a ofensa for grande, PEDIR LICENÇA E SE RETIRAR DO GRUPO POLIDAMENTE;
Ouvir é muito mais difícil do que falar, daí Deus ter-nos proporcionado dois ouvidos e uma só boca. Muita gente ouve, mas não escuta, pois está mais preocupada com seus próprios pensamentos e naquilo que vai dizer do que na fala do interlocutor. Não fique ansioso em aparecer e mostrar sua presença no grupo. Se não tiver nada a dizer é melhor ficar calado. O que importa é o resultado do trabalho no grupo e não o seu brilho e participação na discussão. Sempre que gostar de uma idéia ou proposta ao acrescentar algo repita seu conteúdo inicial para demonstrar que não se preocupa em ser seu autor e sim em aprimorá-la para conseguir melhores resultados para o trabalho em grupo;
Procure nunca levantar a voz. Tampouco, interromper alguém abruptamente. Se alguém o fizer, diga-lhe: " POR FAVOR, DEIXE-ME COMPLETAR O QUE QUERO DIZER". Se desejar interromper alguém, somente o faça se for algo muito importante, cuidando para somente fazê-lo após pedir licença ao interlocutor: " DÁ LICENÇA DE EU INTERROMPE-LO UM INSTANTE?" Normalmente o interlocutor ou deixa a pessoa falar, e essa deve se limitar a uma ou duas frases , ou responderá que se aguarde um pouco até que termine o que está falando. FALAR AO MESMO TEMPO É DESVALORIZAR SUAS IDÉIAS. LEVANTAR A VOZ É PIOR AINDA: É SUBSTITUIR O CONTEÚDO DE SEUS ARGUMENTOS POR EXPANSÃO DE ONDAS SONORAS E DECIBEIS NOS OUVIDOS DOS MEMBROS DO GRUPO;
Olhe para o interlocutor somente com a preocupação de entender o conteúdo de sua fala, pedindo-lhe ao final esclarecimentos se não entendeu a fim de não emitir juízos baseados em compreensão errada. Para evitar isso, sempre é bom repetir o que entendeu antes de emitir sua opinião a respeito, dando nova oportunidade ao interlocutor de corrigir seu pensamento. Se alguém lhe pergunta algo que não entendeu bem, ou quer mais tempo para pensar, peça ao interlocutor para repetir a pergunta, para que a entenda bem;
O senso de humor deve sempre estar presente em qualquer discussão, evitando-se, porém, chistes, piadas ou observações que possam ofender qualquer membro do grupo. Evitar-se, portanto, sectarismos, sejam eles religiosos, filosóficos ou políticos, raciais e de outros matizes (baixinhos, gordos, magros, etc..);
Olhar com descontração e simpatia para todos. Afinal, são membros de um grupo que corresponde a x/ 6,5 bilhões da população mundial em busca de boas idéias e propostas para melhorar a qualidade de vida de todos;
Respirar fundo algumas vezes ajuda a tranqüilizar as emoções e abrir mais espaço para o uso da razão;
Algumas recomendações aos organizadores de grupos de discussão: a. mantenha o número de participantes entre 5 e 7; abaixo de 5 é muito pouco e acima de 7 é demais; b. procure estruturar o grupo com pessoas de níveis de conhecimento e experiências semelhantes e ajustados ao assunto a ser discutido; c. estabeleça um intervalo de dois módulos de 50 minutos cada um com intervalo de 10 minutos para levantar-se e conversar-se livremente, servindo alguma coisa para comer e beber. Reserve 10 minutos no final para decidir se haverá ou não nova reunião. Pela manhã o intervalo entre 9:30 e 11:30 e pela tarde entre 14:30 e 16:30 seriam ideais. d. quem convocou a reunião tem como dever ser o moderador das intervenções e o responsável pela redação de ata ou outros documentos, podendo delegar a algum membro do grupo disposto a assumir essas tarefas; e. estabelecer já na convocação da reunião que os celulares terão de estar desligados durante as discussões.
BOA SORTE!
PS Resolvi divulgar este texto que elaborei faz muito tempo, porque ainda penso que poderá ser útil para quem participa em discussões em grupo. Daros
O trabalho ou discussão em grupo não é um jogo de soma zero, em que um debatedor somente ganha, se o outro perde. Ao contrário, deve-se buscar a sinergia que garante que o resultado do trabalho em grupo seja maior e melhor do que a soma de trabalhos individuais;
A discussão em grupo deve se limitar às idéias e propostas feitas e às premissas e razões que lhes dão sustentação. Não é lugar para simpatias, solidariedade e competição. Seja meu amigo, pessoa de minha simpatia ou pessoa frágil, se sua idéia ou proposta não é sustentável deve ser rebatida e rejeitada, educadamente. Se a idéia ou proposta de alguém é melhor do que a minha, seja quem for o participante, devo apoiá-la com base em meu raciocínio e não em minha simpatia.;
O silêncio somente deve ser rompido se realmente tem-se algo importante a dizer. Falar demais, para se manter em evidência, destrói a sinergia do grupo e, ao final, todos perdem com resultados pífios. O que importa é o resultado do trabalho em grupo e não o brilho de cada um;
Jamais se deve avaliar a personalidade, traços de caráter ou outros aspectos pessoais do interlocutor, seja para desmoralizá-lo, seja para exaltá-lo, quando se está trabalhando em grupo. O que importa são suas idéias e propostas que devem ser examinadas à luz da razão e dos conhecimentos dele e dos demais membros do grupo e não das características individuais de cada um. Caso se constate que alguém demonstra incapacidade ou desequilíbrio emocional para trabalho em grupo, agredindo as pessoas com ironias, sarcasmos ou ofensas, a única maneira de não se envolver em conflitos pessoais é simplesmente CALAR-SE, negando-se a participar em grupos do qual essa pessoa venha a fazer parte no futuro. Se a ofensa for grande, PEDIR LICENÇA E SE RETIRAR DO GRUPO POLIDAMENTE;
Ouvir é muito mais difícil do que falar, daí Deus ter-nos proporcionado dois ouvidos e uma só boca. Muita gente ouve, mas não escuta, pois está mais preocupada com seus próprios pensamentos e naquilo que vai dizer do que na fala do interlocutor. Não fique ansioso em aparecer e mostrar sua presença no grupo. Se não tiver nada a dizer é melhor ficar calado. O que importa é o resultado do trabalho no grupo e não o seu brilho e participação na discussão. Sempre que gostar de uma idéia ou proposta ao acrescentar algo repita seu conteúdo inicial para demonstrar que não se preocupa em ser seu autor e sim em aprimorá-la para conseguir melhores resultados para o trabalho em grupo;
Procure nunca levantar a voz. Tampouco, interromper alguém abruptamente. Se alguém o fizer, diga-lhe: " POR FAVOR, DEIXE-ME COMPLETAR O QUE QUERO DIZER". Se desejar interromper alguém, somente o faça se for algo muito importante, cuidando para somente fazê-lo após pedir licença ao interlocutor: " DÁ LICENÇA DE EU INTERROMPE-LO UM INSTANTE?" Normalmente o interlocutor ou deixa a pessoa falar, e essa deve se limitar a uma ou duas frases , ou responderá que se aguarde um pouco até que termine o que está falando. FALAR AO MESMO TEMPO É DESVALORIZAR SUAS IDÉIAS. LEVANTAR A VOZ É PIOR AINDA: É SUBSTITUIR O CONTEÚDO DE SEUS ARGUMENTOS POR EXPANSÃO DE ONDAS SONORAS E DECIBEIS NOS OUVIDOS DOS MEMBROS DO GRUPO;
Olhe para o interlocutor somente com a preocupação de entender o conteúdo de sua fala, pedindo-lhe ao final esclarecimentos se não entendeu a fim de não emitir juízos baseados em compreensão errada. Para evitar isso, sempre é bom repetir o que entendeu antes de emitir sua opinião a respeito, dando nova oportunidade ao interlocutor de corrigir seu pensamento. Se alguém lhe pergunta algo que não entendeu bem, ou quer mais tempo para pensar, peça ao interlocutor para repetir a pergunta, para que a entenda bem;
O senso de humor deve sempre estar presente em qualquer discussão, evitando-se, porém, chistes, piadas ou observações que possam ofender qualquer membro do grupo. Evitar-se, portanto, sectarismos, sejam eles religiosos, filosóficos ou políticos, raciais e de outros matizes (baixinhos, gordos, magros, etc..);
Olhar com descontração e simpatia para todos. Afinal, são membros de um grupo que corresponde a x/ 6,5 bilhões da população mundial em busca de boas idéias e propostas para melhorar a qualidade de vida de todos;
Respirar fundo algumas vezes ajuda a tranqüilizar as emoções e abrir mais espaço para o uso da razão;
Algumas recomendações aos organizadores de grupos de discussão: a. mantenha o número de participantes entre 5 e 7; abaixo de 5 é muito pouco e acima de 7 é demais; b. procure estruturar o grupo com pessoas de níveis de conhecimento e experiências semelhantes e ajustados ao assunto a ser discutido; c. estabeleça um intervalo de dois módulos de 50 minutos cada um com intervalo de 10 minutos para levantar-se e conversar-se livremente, servindo alguma coisa para comer e beber. Reserve 10 minutos no final para decidir se haverá ou não nova reunião. Pela manhã o intervalo entre 9:30 e 11:30 e pela tarde entre 14:30 e 16:30 seriam ideais. d. quem convocou a reunião tem como dever ser o moderador das intervenções e o responsável pela redação de ata ou outros documentos, podendo delegar a algum membro do grupo disposto a assumir essas tarefas; e. estabelecer já na convocação da reunião que os celulares terão de estar desligados durante as discussões.
BOA SORTE!
PS Resolvi divulgar este texto que elaborei faz muito tempo, porque ainda penso que poderá ser útil para quem participa em discussões em grupo. Daros
Sunday, September 21, 2008
DOSSIEGATE E RIOCENTRO
O que têm de comum os dois crimes? O fato dos mandatários não terem atingido os objetivos previstos pelos seus mandantes. No primeiro caso, em plena vigência da democracia, os dois petistas que estavam com R$ 1,7 milhão de reais para comprar um dossiê contra Serra, foram surpreendidos em flagrante pela polícia; e, no segundo, praticado durante o regime militar, a bomba estourou antecipadamente no colo de um dos militares, dentro de carro estacionado, antes de ser colocada no Pavilhão onde se comemorava o primeiro de maio. Julgou-se que não houve crime porque o juiz, segundo reportagem da Folha de São Paulo (21/09) “entendeu que não era possível vincular o dinheiro apreendido à campanha eleitoral, e concluiu que o principal prejudicado com o dossiegate foi Lula”. O caso da bomba todos sabem como terminou. “Os aloprados foram punidos pela própria bomba e o principal prejudicado com isso foi o Presidente Figueiredo” teria dito o mesmo juiz se lhe fosse submetido esse crime, também, para julgamento, penso eu! Será verdade que para a Justiça Brasileira não é crime ter-se R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo de origem não revelada para comprar um dossiê contra candidato a governador ou levar uma bomba para ser ativada em local de grande concentração de pessoas? Daros
Nota: entre a última postagem (dia 8) e a de hoje (dia 21) decorreram 13 dias o que descaracteriza o Blog como registro diário. Assim sendo, vou publicar também cartas que costumo enviar aos jornais e que normalmente não são divulgadas, principalmente devido sua extensão ultrapassar os limites impostos pelos jornais a seus leitores. A carta acima foi enviada à Folha de São Paulo.
O que têm de comum os dois crimes? O fato dos mandatários não terem atingido os objetivos previstos pelos seus mandantes. No primeiro caso, em plena vigência da democracia, os dois petistas que estavam com R$ 1,7 milhão de reais para comprar um dossiê contra Serra, foram surpreendidos em flagrante pela polícia; e, no segundo, praticado durante o regime militar, a bomba estourou antecipadamente no colo de um dos militares, dentro de carro estacionado, antes de ser colocada no Pavilhão onde se comemorava o primeiro de maio. Julgou-se que não houve crime porque o juiz, segundo reportagem da Folha de São Paulo (21/09) “entendeu que não era possível vincular o dinheiro apreendido à campanha eleitoral, e concluiu que o principal prejudicado com o dossiegate foi Lula”. O caso da bomba todos sabem como terminou. “Os aloprados foram punidos pela própria bomba e o principal prejudicado com isso foi o Presidente Figueiredo” teria dito o mesmo juiz se lhe fosse submetido esse crime, também, para julgamento, penso eu! Será verdade que para a Justiça Brasileira não é crime ter-se R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo de origem não revelada para comprar um dossiê contra candidato a governador ou levar uma bomba para ser ativada em local de grande concentração de pessoas? Daros
Nota: entre a última postagem (dia 8) e a de hoje (dia 21) decorreram 13 dias o que descaracteriza o Blog como registro diário. Assim sendo, vou publicar também cartas que costumo enviar aos jornais e que normalmente não são divulgadas, principalmente devido sua extensão ultrapassar os limites impostos pelos jornais a seus leitores. A carta acima foi enviada à Folha de São Paulo.
Monday, September 08, 2008
IMPREVISTOS AGRADÁVEIS
Desenvolvi, faz muitos anos, algumas regras que me poupam de frustrações e sentimentos de indignação e, até mesmo, de ira. Um pouco de YOGA e muita psicanálise me ajudaram nisso. Uma das regras é não criar expectativas fora da realidade. Ao contrário, ser um pouco pessimista. Dessa forma, aumento a probabilidade de ter mais alegrias e menos frustrações. Por exemplo, após um exame médico acompanhado de análises laboratoriais, penso que se algo ruím for detectado, o resultado simplesmente retrata um estado real existente antes do exame. Em outras palavras, ele traz à tona dados e informações de alguma doença escondida que agora poderá ser combatida com mais eficácia. Outro exemplo: se vou receber resposta à alguma solicitação que me traga benefícios, avalio o mais objetivamente possível a situação, de maneira a não criar expectativas irrealizáveis e aceitar a influência negativa de fatores imponderáveis. Na Cidade de São Paulo procuro evitar o estresse de dirigir em ambiente agressivo e cansativo, transformando o congestionamento em oportunidade de ouvir rádio ou música. E as dificuldades em estacionar próximo a meu destino, como oportunidade de caminhar e exercitar-me. Se o tempo é curto, prevejo que vou chegar atrasado ao encontro ou reunião, avisando com antecedência a pessoa ou pessoas com quem tenho compromisso. Sair bem mais cedo e usar o tempo de espera nos encontros para leitura de algo interessante é a saída mais educada. Essa, contudo, ainda não consegui por em prática rotineiramente. Hoje fui surpreendido por três situações imprevistas agradáveis
Dirigi-me ao setor financeiro da Prefeitura Municipal para regularizar uma situação que criei por descuido. Ao invés de pagar a parcela do IPTU vencida no mês, paguei duas vezes a do mês anterior. Conseqüentemente, a parcela paga duas vezes apareceu como "paga" simplesmente e a outra como "não paga". Como o imóvel está no nome de minha esposa, dirigi-me à repartição para que eu fosse orientado sobre como resolver o assunto, já que perdera o registro bancário que provaria que paguei duas vezes a primeira parcela. Já estava preparado para um rol de pedidos de documentos e declarações registrados em cartório quando o funcionário me surpreendeu com a seguinte frase: "vou evitar que o senhor tenha de voltar aqui novamente". Somente pediu-me o RG para anotar no recibo da parcela "não paga" que se tornaria "paga" com o estorno dos recursos sobrantes da primeira parcela paga duplamente. Aí surge um problema inesperado. Minha carteira não estava comigo. Fiquei atônito procurando-a, não mais para mostrar-lhe o RG mas para me assegurar que não a perdera. No meio da confusão criada, ele perguntou simplesmento meu nome e o número do RG e entregou-me uma senha para pegar o recibo da parcela agora "paga" em outro guichê. Resolvi rapida e inesperadamente o assunto que fora pedir simples orientação para outro dia voltar com um saco de documentos. Agora, tentava me concentrar para explicar o fato de não ter a carteira comigo. Finalmente, concluí com segurança razoável - já que a absoluta somente nos cria expectativas que podem ser frustradas - que a carteira ficara no carro. Vem-me à mente, porém, que se lá ficou o manobrista do estacionamento já a afanara. Quanto apresento a papeleta do estacionamento afirmo que irei pegar o dinheiro em minha carteira que se encontra no carro. Depois de verificar várias vezes e não encontrá-la, olho desconfiado para o manobrista e identifico um inocente que me encara. Procuro-a novamente e a encontro entre os dois bancos dianteiros.
No fim da tarde vou pegar uma máquina fotográfica digital que minha filha esquecera numa lanchonete. Faz quinze dias que a recepcionista afirma que vai entregá-la e sempre posterga a devolução. Como sempre, muito desconfiado, porém preparado para um ato inusitado em nosso País, entrego à minha filha uma velha digital em completo desuso para dar-lhe em retribuição à sua honestidade. Estou preparado para dois eventos: o frustrante, em que ela simplesmente diria que a máquina estava com ela para ser entregue e, infelizmente, fora roubada; ou ela devolver a câmera e "agarrar" a retribuição por sua honestidade. Como minha filha estava demorando, quase tinha certeza que a primeira hipótese seria a verdadeira. Depois de algum tempo, lá aparece ela sorrindo com a máquina devolvida em suas mãos. Explicou-me a demora: "a moça não queria receber de jeito nenhum nosso presente. Tive que insistir, e muito, para que ela aceitasse. O único pedido seu é que enviássemos a ela duas fotos que tirara com o namorado e que se encontram no arquivo da máquina devolvida! "Daros
Desenvolvi, faz muitos anos, algumas regras que me poupam de frustrações e sentimentos de indignação e, até mesmo, de ira. Um pouco de YOGA e muita psicanálise me ajudaram nisso. Uma das regras é não criar expectativas fora da realidade. Ao contrário, ser um pouco pessimista. Dessa forma, aumento a probabilidade de ter mais alegrias e menos frustrações. Por exemplo, após um exame médico acompanhado de análises laboratoriais, penso que se algo ruím for detectado, o resultado simplesmente retrata um estado real existente antes do exame. Em outras palavras, ele traz à tona dados e informações de alguma doença escondida que agora poderá ser combatida com mais eficácia. Outro exemplo: se vou receber resposta à alguma solicitação que me traga benefícios, avalio o mais objetivamente possível a situação, de maneira a não criar expectativas irrealizáveis e aceitar a influência negativa de fatores imponderáveis. Na Cidade de São Paulo procuro evitar o estresse de dirigir em ambiente agressivo e cansativo, transformando o congestionamento em oportunidade de ouvir rádio ou música. E as dificuldades em estacionar próximo a meu destino, como oportunidade de caminhar e exercitar-me. Se o tempo é curto, prevejo que vou chegar atrasado ao encontro ou reunião, avisando com antecedência a pessoa ou pessoas com quem tenho compromisso. Sair bem mais cedo e usar o tempo de espera nos encontros para leitura de algo interessante é a saída mais educada. Essa, contudo, ainda não consegui por em prática rotineiramente. Hoje fui surpreendido por três situações imprevistas agradáveis
Dirigi-me ao setor financeiro da Prefeitura Municipal para regularizar uma situação que criei por descuido. Ao invés de pagar a parcela do IPTU vencida no mês, paguei duas vezes a do mês anterior. Conseqüentemente, a parcela paga duas vezes apareceu como "paga" simplesmente e a outra como "não paga". Como o imóvel está no nome de minha esposa, dirigi-me à repartição para que eu fosse orientado sobre como resolver o assunto, já que perdera o registro bancário que provaria que paguei duas vezes a primeira parcela. Já estava preparado para um rol de pedidos de documentos e declarações registrados em cartório quando o funcionário me surpreendeu com a seguinte frase: "vou evitar que o senhor tenha de voltar aqui novamente". Somente pediu-me o RG para anotar no recibo da parcela "não paga" que se tornaria "paga" com o estorno dos recursos sobrantes da primeira parcela paga duplamente. Aí surge um problema inesperado. Minha carteira não estava comigo. Fiquei atônito procurando-a, não mais para mostrar-lhe o RG mas para me assegurar que não a perdera. No meio da confusão criada, ele perguntou simplesmento meu nome e o número do RG e entregou-me uma senha para pegar o recibo da parcela agora "paga" em outro guichê. Resolvi rapida e inesperadamente o assunto que fora pedir simples orientação para outro dia voltar com um saco de documentos. Agora, tentava me concentrar para explicar o fato de não ter a carteira comigo. Finalmente, concluí com segurança razoável - já que a absoluta somente nos cria expectativas que podem ser frustradas - que a carteira ficara no carro. Vem-me à mente, porém, que se lá ficou o manobrista do estacionamento já a afanara. Quanto apresento a papeleta do estacionamento afirmo que irei pegar o dinheiro em minha carteira que se encontra no carro. Depois de verificar várias vezes e não encontrá-la, olho desconfiado para o manobrista e identifico um inocente que me encara. Procuro-a novamente e a encontro entre os dois bancos dianteiros.
No fim da tarde vou pegar uma máquina fotográfica digital que minha filha esquecera numa lanchonete. Faz quinze dias que a recepcionista afirma que vai entregá-la e sempre posterga a devolução. Como sempre, muito desconfiado, porém preparado para um ato inusitado em nosso País, entrego à minha filha uma velha digital em completo desuso para dar-lhe em retribuição à sua honestidade. Estou preparado para dois eventos: o frustrante, em que ela simplesmente diria que a máquina estava com ela para ser entregue e, infelizmente, fora roubada; ou ela devolver a câmera e "agarrar" a retribuição por sua honestidade. Como minha filha estava demorando, quase tinha certeza que a primeira hipótese seria a verdadeira. Depois de algum tempo, lá aparece ela sorrindo com a máquina devolvida em suas mãos. Explicou-me a demora: "a moça não queria receber de jeito nenhum nosso presente. Tive que insistir, e muito, para que ela aceitasse. O único pedido seu é que enviássemos a ela duas fotos que tirara com o namorado e que se encontram no arquivo da máquina devolvida! "Daros
Saturday, September 06, 2008
VENDA DE VEÍCULO E MULTAS
Há alguns anos atrás fui surpreendido com o fato de que na venda de veículos o reconhecimento de firma deveria ser por "autenticidade" , isto é, você e a pessoa envolvidos na transação têm necessariamente de estar presentes no cartório para ter as assinaturas reconhecidas. Depois de vender um Ford Rural a uma senhora cearense e ter assinado o CRV fui surpreendido, no dia seguinte, com sua solicitação para comparecer urgente ao Cartório e reconhecer minha assinatura já que ela estava de passagem marcada para Fortaleza dali a algumas horas. Sem estar presente minha firma não seria reconhecida por autenticidade.
No início de agosto passado, vendi um carro e já sabendo disso compareci com o comprador no cartório e assinamos o documento CRV - Certificado de Registro de Veículos na frente do tabelião. Sem mesmo pedir, ele me forneceu ( e cobrou..) uma cópia autenticada do CRV de transferência preenchido para que eu a enviasse ao DETRAN. Preocupado com eventuais multas de infrações cometidas após a venda elaborara, por minha conta, uma Declaração assinada por mim e pelo comprador que ambos assumiam o compromisso de pagar as multas pelas infrações incorridas antes da venda - no caso eu - e depois da venda - ele, comprador. Preocupei-me de colocar a hora nessa deckaração, já que tanto eu como ele poderíamos ter cometido infração nesse dia, pois no CRV consta simplesmente que o vendedor se exime de responsabilidade "a partir da data acima", ou seja, a partir do dia seguinte da venda. No próprio dia o comprador, se for meu inimigo, pode praticar infrações de todo tipo que eu serei o responsável por elas. Em nota com letras miúdas está escrito que cabe ao comprador fazer "a imediata transferência de registro do veículo para seu nome" . Por outro lado, afirma que essa mesma transferência "poderá ser comunicada pelo vendedor". Atarefado como sempre, não me preocupei em comunicar a transferência ao DETRAN. Em menos de quinze dias recebi três notificações de multas, com meu nome nelas. Achei que bastaria devolvê-las ao DETRAN junto com a cópia de autorização de transferência do CRV que recebera do Tabelião. Já no DETRAN me informaram que teria de fazer a entrega no protocolo. Ali me orientaram que para protocolar deveria me dirigir a informações no primeiro andar do prédio da frente para solicitar duas vias das guias de encaminhamento da comunicação da venda e preenche-las. Fui e peguei as duas vias cujo título é Sistema de Comunicação de Venda de Veículos. Eram umas vinte e cinco perguntas sobre mim, o veículo e o vendedor, quase todas constantes da cópia do CRV que não foi aceito sem esse documento de encaminhamento. As perguntas que não constavam do CRV, relativas ao veículo e ao vendedor, não pude responde-las, obviamente. Por exemplo, o número do Chassi e o bairro e CEP do comprador. Como as duas guias são iguais e não havia papel carbono entre elas, tive de copiar tudo de novo na segunda guia. Voltei ao protocolo para entregar a cópia do CRV, agora com as guias de encaminhamento. Já eram 16:30 e o expediente se encerra às 17:00 horas. Lá chegando, fui surpreendido por mais uma exigência: xerox do meu RG. Tive de sair quase correndo, pois o único xerox é do dono de uma banca de jornal que fica em frente ao DSV. Esse serviço existe alí faz muitas décadas. A fila era grande; então resolvi usar meu direito de furar fila por ser idoso e tirei o xerox na frente de todo mundo. Finalmente, retornei ao protocolo pouco antes das 17:00 e recebi a segunda via da guia de encaminhamento carimbada. Retornei em seguida para saber se isso me eximiria de pagar as multas que vieram em meu nome, porém resultantes de infrações cometidas após a data da venda do veículo. A atendente me respondeu: " todas as multas resultantes de infrações cometidas após a data de hoje o senhor não terá obrigação de pagar."....."Haja coração", pensei eu. Saí sem insistir no fato de que no CRV consta claramente que o vendedor se exime de responsabilidade por infrações cometidas após a data da venda e não como a atendente me informou. Registro aqui em meu BLOG esta chatice toda porque nossa população sem curso superior e pós-graduação como eu, jamais teria o tempo disponível, tampouco a habilidade de descrever em minúcias as "pedras e irracionalidades" que a burocracia sem controle semeia pelo nosso caminho, torturando-nos continuamente. Daros
Há alguns anos atrás fui surpreendido com o fato de que na venda de veículos o reconhecimento de firma deveria ser por "autenticidade" , isto é, você e a pessoa envolvidos na transação têm necessariamente de estar presentes no cartório para ter as assinaturas reconhecidas. Depois de vender um Ford Rural a uma senhora cearense e ter assinado o CRV fui surpreendido, no dia seguinte, com sua solicitação para comparecer urgente ao Cartório e reconhecer minha assinatura já que ela estava de passagem marcada para Fortaleza dali a algumas horas. Sem estar presente minha firma não seria reconhecida por autenticidade.
No início de agosto passado, vendi um carro e já sabendo disso compareci com o comprador no cartório e assinamos o documento CRV - Certificado de Registro de Veículos na frente do tabelião. Sem mesmo pedir, ele me forneceu ( e cobrou..) uma cópia autenticada do CRV de transferência preenchido para que eu a enviasse ao DETRAN. Preocupado com eventuais multas de infrações cometidas após a venda elaborara, por minha conta, uma Declaração assinada por mim e pelo comprador que ambos assumiam o compromisso de pagar as multas pelas infrações incorridas antes da venda - no caso eu - e depois da venda - ele, comprador. Preocupei-me de colocar a hora nessa deckaração, já que tanto eu como ele poderíamos ter cometido infração nesse dia, pois no CRV consta simplesmente que o vendedor se exime de responsabilidade "a partir da data acima", ou seja, a partir do dia seguinte da venda. No próprio dia o comprador, se for meu inimigo, pode praticar infrações de todo tipo que eu serei o responsável por elas. Em nota com letras miúdas está escrito que cabe ao comprador fazer "a imediata transferência de registro do veículo para seu nome" . Por outro lado, afirma que essa mesma transferência "poderá ser comunicada pelo vendedor". Atarefado como sempre, não me preocupei em comunicar a transferência ao DETRAN. Em menos de quinze dias recebi três notificações de multas, com meu nome nelas. Achei que bastaria devolvê-las ao DETRAN junto com a cópia de autorização de transferência do CRV que recebera do Tabelião. Já no DETRAN me informaram que teria de fazer a entrega no protocolo. Ali me orientaram que para protocolar deveria me dirigir a informações no primeiro andar do prédio da frente para solicitar duas vias das guias de encaminhamento da comunicação da venda e preenche-las. Fui e peguei as duas vias cujo título é Sistema de Comunicação de Venda de Veículos. Eram umas vinte e cinco perguntas sobre mim, o veículo e o vendedor, quase todas constantes da cópia do CRV que não foi aceito sem esse documento de encaminhamento. As perguntas que não constavam do CRV, relativas ao veículo e ao vendedor, não pude responde-las, obviamente. Por exemplo, o número do Chassi e o bairro e CEP do comprador. Como as duas guias são iguais e não havia papel carbono entre elas, tive de copiar tudo de novo na segunda guia. Voltei ao protocolo para entregar a cópia do CRV, agora com as guias de encaminhamento. Já eram 16:30 e o expediente se encerra às 17:00 horas. Lá chegando, fui surpreendido por mais uma exigência: xerox do meu RG. Tive de sair quase correndo, pois o único xerox é do dono de uma banca de jornal que fica em frente ao DSV. Esse serviço existe alí faz muitas décadas. A fila era grande; então resolvi usar meu direito de furar fila por ser idoso e tirei o xerox na frente de todo mundo. Finalmente, retornei ao protocolo pouco antes das 17:00 e recebi a segunda via da guia de encaminhamento carimbada. Retornei em seguida para saber se isso me eximiria de pagar as multas que vieram em meu nome, porém resultantes de infrações cometidas após a data da venda do veículo. A atendente me respondeu: " todas as multas resultantes de infrações cometidas após a data de hoje o senhor não terá obrigação de pagar."....."Haja coração", pensei eu. Saí sem insistir no fato de que no CRV consta claramente que o vendedor se exime de responsabilidade por infrações cometidas após a data da venda e não como a atendente me informou. Registro aqui em meu BLOG esta chatice toda porque nossa população sem curso superior e pós-graduação como eu, jamais teria o tempo disponível, tampouco a habilidade de descrever em minúcias as "pedras e irracionalidades" que a burocracia sem controle semeia pelo nosso caminho, torturando-nos continuamente. Daros
Sunday, August 31, 2008
LEVEMENTE PARANÓICO
Ontem à noite lembrei-me de Allan Abouchar que desenvolvia estudos e pesquisas sobre transportes no Brasil em decorrência de convênio entre o Ministério do Planejamento e a Universidade da Califórnia, na qual era professor. Nessa época, eu era o economista-chefe do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes - GEIPOT, recem criado no Rio. Queixava-se ele de ter pago uma exorbitância para consertarem um vazamento surgido no imóvel que ocupava. Depois de explicar-me rapidamente o defeito, concordei com ele que o preço cobrado pelo bombeiro (encanador, em S. Paulo e no sul) fora muito alto. Disse-lhe que a única forma de ele não ser explorado no Brasil seria desenvolver uma leve paranóia do tipo "em compras, acertos de prestação de serviço (em todos os níveis, infelizmente...), em qualquer transação, enfim, deve-se sempre desconfiar e pensar que se está sendo logrado" . Em suma, para se adaptar a nosso ambiente, ele deveria desenvolver uma "leve paranóia persecutória" . Não sei se por predisposição genética ou cultural esse viés psicológico tem me protegido também no espaço público contra assaltos. Contudo, isso pode nos levar a erros grosseiros de avaliação como me aconteceu ontem. Dirigi-me a uma das grandes farmácias que operam em cadeia e solicitei um medicamento genérico de determinado produto em cuja receita constava, além do nome comercial, a identificação química da droga. O farmacêutico voltou e disse: " não tem". Perguntei-lhe se existia o genérico e ele respondeu-me: "sim. Mas faz anos que não recebemos mais" Conversamos, então, sobre o assunto, tendo eu encaminhado a conversa para eventual sabotagem do fabricante que teria feito acordo com o produtor do original, relativamente caro, dividindo entre eles o lucro excedente do monopólio daquela fórmula química. Saí da farmácia e, desconfiado, passei por outra onde se confirmou a existência do genérico pela metade do preço. Todavia, no momento, não dispunha em estoque. Informou-me o nome do laboratório que o fabrica. É uma multinacional francesa muito conhecida. Descobri, em seguida, que o que comprara pelo dobro do preço, também pertencia a um laboratório francês meu desconhecido. Dali, até a próxima farmácia, no caminho de retorno a pé para minha casa, comecei a engendrar um acordo entre os dois laboratórios franceses visando a explorar o pobre e ignorante consumidor brasileiro. Entrei na terceira dograria e lá encontrei o genérico. Decidi voltar ao local em que comprara pelo dobro do preço e no caminho desliguei o sistema paranóico e perguntei-me qual era meu objetivo ? Respondi mentalmente: "Receber o que paguei para comprar na última farmácia visitada, ganhando um valor razoável." Entrei e polidamente disse: "consegui o genérico pela metade do preço que paguei aqui por esse produto. Desejo devolvê-lo". Afinal, consegui economizar e andar um pouco mais do que previra, o que me faz muito bem. Abandonei a idéia de acordo entre multinacionais. O viés paranóico funcionou, mas precisa de controle. Daros
Ontem à noite lembrei-me de Allan Abouchar que desenvolvia estudos e pesquisas sobre transportes no Brasil em decorrência de convênio entre o Ministério do Planejamento e a Universidade da Califórnia, na qual era professor. Nessa época, eu era o economista-chefe do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes - GEIPOT, recem criado no Rio. Queixava-se ele de ter pago uma exorbitância para consertarem um vazamento surgido no imóvel que ocupava. Depois de explicar-me rapidamente o defeito, concordei com ele que o preço cobrado pelo bombeiro (encanador, em S. Paulo e no sul) fora muito alto. Disse-lhe que a única forma de ele não ser explorado no Brasil seria desenvolver uma leve paranóia do tipo "em compras, acertos de prestação de serviço (em todos os níveis, infelizmente...), em qualquer transação, enfim, deve-se sempre desconfiar e pensar que se está sendo logrado" . Em suma, para se adaptar a nosso ambiente, ele deveria desenvolver uma "leve paranóia persecutória" . Não sei se por predisposição genética ou cultural esse viés psicológico tem me protegido também no espaço público contra assaltos. Contudo, isso pode nos levar a erros grosseiros de avaliação como me aconteceu ontem. Dirigi-me a uma das grandes farmácias que operam em cadeia e solicitei um medicamento genérico de determinado produto em cuja receita constava, além do nome comercial, a identificação química da droga. O farmacêutico voltou e disse: " não tem". Perguntei-lhe se existia o genérico e ele respondeu-me: "sim. Mas faz anos que não recebemos mais" Conversamos, então, sobre o assunto, tendo eu encaminhado a conversa para eventual sabotagem do fabricante que teria feito acordo com o produtor do original, relativamente caro, dividindo entre eles o lucro excedente do monopólio daquela fórmula química. Saí da farmácia e, desconfiado, passei por outra onde se confirmou a existência do genérico pela metade do preço. Todavia, no momento, não dispunha em estoque. Informou-me o nome do laboratório que o fabrica. É uma multinacional francesa muito conhecida. Descobri, em seguida, que o que comprara pelo dobro do preço, também pertencia a um laboratório francês meu desconhecido. Dali, até a próxima farmácia, no caminho de retorno a pé para minha casa, comecei a engendrar um acordo entre os dois laboratórios franceses visando a explorar o pobre e ignorante consumidor brasileiro. Entrei na terceira dograria e lá encontrei o genérico. Decidi voltar ao local em que comprara pelo dobro do preço e no caminho desliguei o sistema paranóico e perguntei-me qual era meu objetivo ? Respondi mentalmente: "Receber o que paguei para comprar na última farmácia visitada, ganhando um valor razoável." Entrei e polidamente disse: "consegui o genérico pela metade do preço que paguei aqui por esse produto. Desejo devolvê-lo". Afinal, consegui economizar e andar um pouco mais do que previra, o que me faz muito bem. Abandonei a idéia de acordo entre multinacionais. O viés paranóico funcionou, mas precisa de controle. Daros
Saturday, August 30, 2008
RESPEITO À ORIGEM DO BLOG
PS Visite o Relógio de Estimativa da População Mundial em http://www.netlingo.com/more/poptick.html e reveja sua escala de valores enquanto ainda há tempo.
Sunday, December 16, 2007
ELETROPAULO
Para quem não sabe, trata-se da empresa concessionária de distribuição de energia elétrica na Cidade de São Paulo. Nos últimos dias, tenho me submetido a diálogos estressantes sobre o que devo fazer para que seja religada a luz em pequeno imóvel comercial de nossa propriedade que se encontra vazio a espera de inquilino interessado nele.Como nossas caixas de correspondência se transformaram em depósito de propagandas comerciais, ficam entupidas de papel e mal deixam espaço para o recebimento de correspondência relevante, como são as contas de luz e água, por exemplo. Resultado: as contas de luz de dois meses seguidos foram extraviadas e a ELETROPAULO seguiu sua rotina: cortou a eletricidade do imóvel, desligando os fios de entrada no poste externo.
Paguei as contas atrasadas e liguei para a empresa informando a respeito na expectativa de que sua rotina fosse semelhante a da Telefônica que confia no cliente e providencia a religação mediante simples informação verbal de que a conta foi paga. No caso da ELTROPAULO tomei conhecimento de uma rotina que ignora todos os meios modernos de comunicação e não confia em seu cliente. Senão vejamos: existem dois tipos de religações: o urgente, a ser feito no máximo em quatro horas, e o de 24 horas. O primeiro custa pouco mais de R$ 5,00; e o segundo, R$ 30,00. Após ter escolhido o mais barato, já que não tenho urgência, fui informado que deveria ficar de plantão na casa com a última conta paga na mão para mostrar aos funcionários encarregados da religação. Rebelei-me, afirmando que não faria isso, pois ninguém tem 24 horas disponíveis continuamente para isso. Informou-se, então, que o prazo seria de 24 horas e não minha permanência no imóvel. Respirei aliviado, pois imaginava que seriam somente 8 horas de expediente comercial. Surpreendi-me que o horário de prontidão seria das 8 da manhã até às 22 horas, sem intervalo. Havia uma outra possibilidade: dirigir-me a uma das 4 agências da ELETROPAULO, com a conta na mão e pedir a religação. Quanto a definir se a religação seria pela manhã, pela tarde ou à noite, mesmo que fosse à agência, não haveria como fazê-lo a não ser se pagasse o serviço especial de urgência.
Finalmente, o atendente abriu-me uma porta: pedir a um vizinho que atendesse a equipe da empresa. Como não conheço vizinhos, pensei em solicitar ao atendente de uma loja próxima que permanece no local das 8 às 12 e, a tarde, das 14 às 18 horas. A probabilidade da equipe chegar nesse horário seria grande e, caso isso não acontecesse, eu estaria disposto a lá permanecer das 18 às 22 horas. Liguei para o serviço de religaçào no dia seguinte, já que conseguira conversar com o rapaz, tendo ele concordado em me fazer esse favor. Insisti novamente na irracionalidade da rotina, pois há fax para se enviar cópia de conta paga. Surpreendi-me, então, com sua resposta: “pode sim enviar um fax” e deu-me o número que o receberia. Aliviado, pensei que não mais precisaria de pessoa lá de plantão, já que a religação é externa. Aí fui surpreendido com nova justificativa. Para desligar isso é possível. Para religar, não, pois há risco de curto circuito e o Serviço de Corpo de Bombeiros exige presença de alguém no local. Disse-lhe que mandaria fax de carta assinada afirmando que desligaria a chave geral e me responsabilizaria por isso. Não houve jeito. Já no final da conversa alertou-me, ainda, para que o imóvel fosse aberto para a equipe fazer a leitura do relógio. Ou seja, deveria deixar a chave com o rapaz indicado, caso fosse impossível ler o relógio do lado de fora. Fui até o imóvel, depois de feita a solicitação de religaçào e confirmei que a leitura podia ser feita de fora. Não obstante, deixei um papel pregado à Caixa de Entrada com os números da leitura. Finalmente, dirigi-me ao rapaz e confirmei a necessidade dele mostrar a última conta aos funcinários da ELETROPAULO. Para que não houvesse nenhuma dúvida, deixei anotado meu telefone, com o 9090 precedendo meu número para que fosse a cobrar. Saí do local às 10:40. Retornei às 18:30 horas e lá encontrei uma fita impressa colada na porta de entrada afirmando que a equipe de religação estivera ali às 11:42 e encontrou o imóvel fechado. Irritado, liguei para o serviço de religação que depois de um ritual de números para identificar o assunto em seus arquivos, informou-me que realmente a equipe estivera lá as 14:20. Deixando de lado a discrepância dos horários, perguntei-lhe porque o imóvel teria de estar aberto. Respondeu-me que se trata de um impresso. O que a equipe quis dizer é que não havia ninguém no local para mostrar a conta paga. Disse-lhe que isso era sabido, pois deixara o número do imóvel próximo em que a pessoa que estava com a conta se encontrava. Perguntou-me se queria solicitar novamente a religação. Quase estourando de raiva lhe disse que no início da próxima semana tentaria novamente, já que não conseguira falar com o rapaz para confirmar se ele se encontrava na loja no horário em que a equipe esteve lá: 11:42, segundo a fita impressa na porta, e 14: 20, segundo os dados da central da ELETROPAULO. HAJA PACIÊNCIA MINHA GENTE.
Wednesday, July 18, 2007
O MAIOR DESASTRE AÉREO DO BRASIL
UM MORTICÍNIO CULPOSO
E. J. Daros
Pode-se afirmar, sem dúvida, que as duas centenas de pessoas que morreram ontem com a batida e incêndio de avião da TAM em seu próprio prédio na Avenida Washington Luís, após derrapar na pista do Aeroporto de Congonhas ao lado, não foram vítimas de terroristas, de assassinos, de piloto ou passageiro suicida ou de psicopata livre atirador a bordo do avião. Também, pode-se dizer que não se trata de acidente, isto é, de desastre resultante de circunstâncias imprevisíveis sobre as quais não temos controle.
Assim como nas mortes causadas em nossas rodovias pode-se agrupar os fatores responsáveis por elas, em três categorias: nós humanos que conduzimos, ocupamos e estamos perto da aeronave; a própria aeronave; a infra-estrutura aérea, envolvendo as pistas, a sinalização e seus controles, bem como as aerovias e também seus controles. Não devemos esquecer, contudo, o que não se considera, ou pouco se fala, a cultura nacional que envolve tudo isso. Nossos valores e maneiras de viver e ser que estão presentes, em maior ou menor medida, na qualidade da segurança em que se formam ou produzem, organizam-se e operam as três categorias acima referidas. Obviamente, na produção da aeronave pouco é nossa influência cultural, salvo em certas escolhas que o próprio fornecedor permite que se façam. Mesmo nelas, a presença de nossa cultura aparece na manutenção e, principalmente, na operação das aeronaves. Ainda que os padrões de segurança na aviação civil estejam se tornando cada vez mais padronizados internacionalmente, a margem de influência da cultura nacional é muito grande.
Depois do desastre, vão ser pesquisadas suas causas cientificamente, pois mesmo que fosse um acidente, isto é, fenômeno decorrente de causas imprevisíveis, a imprevisibilidade desaparece e dá lugar aos fatores que realmente o causaram, isolada ou combinadamente. No Brasil há uma tendência de se exagerar na responsabilidade do chamado fator humano. Se um carro derrapa e tomba, e não ficar bem claro que a velocidade do veículo estava de acordo com a regulamentada; que as ranhuras de seus pneus eram o suficientemente profundas; que as condições climáticas eram boas; somente então se examina com mais rigor a condição da via. Não é por acaso que a maioria dos acidentes no Brasil é atribuída a falhas humanas, até por que em muitos casos o condutor morto não tem condições de se defender.
Na Suécia se adotou a política de ZERO mortes em acidentes de trânsito. O fato de o condutor errar não deve simplesmente tranqüilizar as autoridades de trânsito ao ter um culpado pelo acidente, como se tudo decorresse somente de seu erro. Ao contrário. O objetivo dessa política é compensar os erros do condutor por meio de medidas de segurança na via e no veículo que possam impedir a perda de vidas. A aviação civil persegue esse objetivo e, seguramente, serviu de inspiração para a política adotada na Suécia.
O ocorrido ontem nos parece mais um morticínio culposo que propriamente um acidente. Senão vejamos. Há décadas se fala na inadequação da localização do Aeroporto de Congonhas. Pressões de todos os lados, porém, defenderam e defendem sua permanência e, o que é pior ainda, sua ampliação. Governos Municipal, Estadual e Federal ora se estranham entre si, ora se harmonizam, na grande empreitada de modernização de CONGONHAS. A aviação executiva considera-o imprescindível e a elite empresarial sempre apoiou e exigiu um Congonhas ali no meio do tecido urbano para atender suas necessidades. “Afinal, toda cidade moderna e de características mundiais como São Paulo tem de ter seu aeroporto central”, fala grosso a elite paulistana. Mais recentemente, devido aos congestionamentos e aos riscos de banditismo em nosso meio urbano, essa mesma elite tornou-se responsável pelos vôos de helicópteros que invadem o espaço aéreo da cidade, produzindo poluição sonora e colocando em risco sua população. Nós passageiros temos ojeriza por Guarulhos. E temos razão para isso. Demasiado tempo de acesso por falta de transporte público rápido e barato como nas grandes cidades do mundo. Até o ônibus executivo mantido pelo governo estadual é dispendioso. Sairia mais barato dividir uma corrida de táxi ao velho estilo do lotação. É proibido, porém.
Somente os moradores próximos odeiam o aeroporto cujo barulho afeta toda a população da região e da própria cidade nas rotas de aproximação. O que se pode dizer do Aeroporto de Congonhas é que tudo contribui para sua insegurança face ao tráfego aéreo nele permitido. Já que os aviões são seguros, considerando que sua manutenção é vigiada pelos próprios fabricantes para evitar dúvidas sobre isso, pesa sobre os ombros do piloto e co-piloto e de controladores de vôo, toda a responsabilidade para corrigir a insegurança quase sempre presente em Congonhas. Há poucos dias derraparam várias aeronaves. Liberou-se a pista principal sem estar terminada. Permitem-se pousos e decolagens acima do limite ideal de segurança. Desrespeita-se a lei de silêncio, prejudicando a população da região onde moram, também, velhos, doentes, bebês e crianças em idade escolar. Permite-se a presença de posto de gasolina e de material altamente inflamável a poucos metros das pistas do aeroporto. Liberou-se a construção de prédios para atender as necessidades da aviação executiva na área do próprio aeroporto. Uma rápida visita a essa área e a suas cercanias colocaria o cabelo de especialistas em segurança aérea em pé.
Pode-se afirmar que autoridades municipais, estaduais, federais e amplos segmentos da sociedade civil organizada na Cidade de São Paulo, imersos em nossa cultura fatalista garantidora de que somente se morre quando Deus determina, são responsáveis pela matança de ontem. Trata-se de um morticínio culposo que nos envergonha perante a comunidade internacional civilizada. Vamos aguardar os resultados da investigação sobre as causas do desastre previsível e anunciado por muitos. Infelizmente, nesse caso específico a previsão foi mais segura que a do tempo feita pelos meteorologistas.
FIM
UM MORTICÍNIO CULPOSO
E. J. Daros
Pode-se afirmar, sem dúvida, que as duas centenas de pessoas que morreram ontem com a batida e incêndio de avião da TAM em seu próprio prédio na Avenida Washington Luís, após derrapar na pista do Aeroporto de Congonhas ao lado, não foram vítimas de terroristas, de assassinos, de piloto ou passageiro suicida ou de psicopata livre atirador a bordo do avião. Também, pode-se dizer que não se trata de acidente, isto é, de desastre resultante de circunstâncias imprevisíveis sobre as quais não temos controle.
Assim como nas mortes causadas em nossas rodovias pode-se agrupar os fatores responsáveis por elas, em três categorias: nós humanos que conduzimos, ocupamos e estamos perto da aeronave; a própria aeronave; a infra-estrutura aérea, envolvendo as pistas, a sinalização e seus controles, bem como as aerovias e também seus controles. Não devemos esquecer, contudo, o que não se considera, ou pouco se fala, a cultura nacional que envolve tudo isso. Nossos valores e maneiras de viver e ser que estão presentes, em maior ou menor medida, na qualidade da segurança em que se formam ou produzem, organizam-se e operam as três categorias acima referidas. Obviamente, na produção da aeronave pouco é nossa influência cultural, salvo em certas escolhas que o próprio fornecedor permite que se façam. Mesmo nelas, a presença de nossa cultura aparece na manutenção e, principalmente, na operação das aeronaves. Ainda que os padrões de segurança na aviação civil estejam se tornando cada vez mais padronizados internacionalmente, a margem de influência da cultura nacional é muito grande.
Depois do desastre, vão ser pesquisadas suas causas cientificamente, pois mesmo que fosse um acidente, isto é, fenômeno decorrente de causas imprevisíveis, a imprevisibilidade desaparece e dá lugar aos fatores que realmente o causaram, isolada ou combinadamente. No Brasil há uma tendência de se exagerar na responsabilidade do chamado fator humano. Se um carro derrapa e tomba, e não ficar bem claro que a velocidade do veículo estava de acordo com a regulamentada; que as ranhuras de seus pneus eram o suficientemente profundas; que as condições climáticas eram boas; somente então se examina com mais rigor a condição da via. Não é por acaso que a maioria dos acidentes no Brasil é atribuída a falhas humanas, até por que em muitos casos o condutor morto não tem condições de se defender.
Na Suécia se adotou a política de ZERO mortes em acidentes de trânsito. O fato de o condutor errar não deve simplesmente tranqüilizar as autoridades de trânsito ao ter um culpado pelo acidente, como se tudo decorresse somente de seu erro. Ao contrário. O objetivo dessa política é compensar os erros do condutor por meio de medidas de segurança na via e no veículo que possam impedir a perda de vidas. A aviação civil persegue esse objetivo e, seguramente, serviu de inspiração para a política adotada na Suécia.
O ocorrido ontem nos parece mais um morticínio culposo que propriamente um acidente. Senão vejamos. Há décadas se fala na inadequação da localização do Aeroporto de Congonhas. Pressões de todos os lados, porém, defenderam e defendem sua permanência e, o que é pior ainda, sua ampliação. Governos Municipal, Estadual e Federal ora se estranham entre si, ora se harmonizam, na grande empreitada de modernização de CONGONHAS. A aviação executiva considera-o imprescindível e a elite empresarial sempre apoiou e exigiu um Congonhas ali no meio do tecido urbano para atender suas necessidades. “Afinal, toda cidade moderna e de características mundiais como São Paulo tem de ter seu aeroporto central”, fala grosso a elite paulistana. Mais recentemente, devido aos congestionamentos e aos riscos de banditismo em nosso meio urbano, essa mesma elite tornou-se responsável pelos vôos de helicópteros que invadem o espaço aéreo da cidade, produzindo poluição sonora e colocando em risco sua população. Nós passageiros temos ojeriza por Guarulhos. E temos razão para isso. Demasiado tempo de acesso por falta de transporte público rápido e barato como nas grandes cidades do mundo. Até o ônibus executivo mantido pelo governo estadual é dispendioso. Sairia mais barato dividir uma corrida de táxi ao velho estilo do lotação. É proibido, porém.
Somente os moradores próximos odeiam o aeroporto cujo barulho afeta toda a população da região e da própria cidade nas rotas de aproximação. O que se pode dizer do Aeroporto de Congonhas é que tudo contribui para sua insegurança face ao tráfego aéreo nele permitido. Já que os aviões são seguros, considerando que sua manutenção é vigiada pelos próprios fabricantes para evitar dúvidas sobre isso, pesa sobre os ombros do piloto e co-piloto e de controladores de vôo, toda a responsabilidade para corrigir a insegurança quase sempre presente em Congonhas. Há poucos dias derraparam várias aeronaves. Liberou-se a pista principal sem estar terminada. Permitem-se pousos e decolagens acima do limite ideal de segurança. Desrespeita-se a lei de silêncio, prejudicando a população da região onde moram, também, velhos, doentes, bebês e crianças em idade escolar. Permite-se a presença de posto de gasolina e de material altamente inflamável a poucos metros das pistas do aeroporto. Liberou-se a construção de prédios para atender as necessidades da aviação executiva na área do próprio aeroporto. Uma rápida visita a essa área e a suas cercanias colocaria o cabelo de especialistas em segurança aérea em pé.
Pode-se afirmar que autoridades municipais, estaduais, federais e amplos segmentos da sociedade civil organizada na Cidade de São Paulo, imersos em nossa cultura fatalista garantidora de que somente se morre quando Deus determina, são responsáveis pela matança de ontem. Trata-se de um morticínio culposo que nos envergonha perante a comunidade internacional civilizada. Vamos aguardar os resultados da investigação sobre as causas do desastre previsível e anunciado por muitos. Infelizmente, nesse caso específico a previsão foi mais segura que a do tempo feita pelos meteorologistas.
FIM
Friday, March 23, 2007
ATO PACÍFICO
Li hoje a seguinte notícia, publicada em Jornal do Paraná:
"Estudantes pedem passe livre na capital
por Ligia Martoni [23/03/2007]
Estudantes dos colégios Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná e Hildebrando de Araújo participaram ontem, em Curitiba, de um ato realizado simultaneamente em cinco capitais do País pedindo o passe livre. A reivindicação gerou transtorno com a ocupação da canaleta do biarticulado sentido norte-sul na Avenida João Gualberto, em frente ao Colégio Estadual do Paraná, obstruindo a passagem dos ônibus por cerca de 40 minutos. Os manifestantes interditaram também o cruzamento com a Avenida Luiz Leão, atrapalhando o trânsito no local. Apesar do transtorno, não houve maiores tumultos e ninguém saiu ferido. Segundo o primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes) no Paraná, Rafael Clabonde, o movimento - que reuniu estudantes também na Praça Rui Barbosa - tinha por objetivo pressionar o poder público para a gratuidade da passagem de ônibus. “Foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, resumiu Rafael.
Em frente ao Colégio Estadual, o clima ficou um pouco tenso depois que a Patrulha Escolar exigiu a remoção do carro de som que os estudantes usariam para organizar o movimento. “Pretendíamos fazer um ato simbólico como desfecho, como pular a catraca, mas sem o som tivemos dificuldade em mobilizar o pessoal”, contou o estudante. Após uma hora de mobilização, por volta das 8h30, os manifestantes foram para as salas de aula.
Ônibus
Para protestar pelo passe livre, os estudantes impediram a passagem dos biarticulados Santa Cândida - Capão Raso das 7h50 às 8h30, ocasionando congestionamento nos tubos da linha em ambos os sentidos. Quem precisou do transporte teve de ter paciência para esperar o reforço enviado pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e encarar veículos lotados. A Urbs tentou sanar o problema, enviando dez ônibus que iriam recolher para a canaleta norte-sul, desviando o local onde os estudantes estavam. Aos poucos, os tubos foram sendo descongestionados.
Já na Praça Rui Barbosa a manifestação foi mais branda e durou cerca de vinte minutos. A assessoria da Urbs informou que a Prefeitura já oferece como benefício a meia tarifa a estudantes de baixa renda. Somente no ano passado, a companhia atendeu a 25.727 alunos. "
É muito difícil se considerar séria a afirmação do líder estudantil Rafael de que “foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, Basta se ler a reportagem para se ter uma idéia da violência praticada impunemente contra a população curitibana. Além disso, os estudantes de baixa renda já recebem o benefício de pagar meia tarifa. É interessante se constatar que somente 25.727, repito somente 25.727, beneficiam-se desse subsídio. Por que somente esse número numa metrópole que já tem mais de 2 milhões de habitantes? Seguramente porque a maioria dos estudantes pertence a famílias que têm renda suficiente para pagar as tarifas inteiras. Ao tornar a passagem gratuita, como já se faz com os idosos, pobres ou ricos, além de se estar subsidiando pessoas com renda familiar suficiente para pagar as tarifas cobradas, está-se desviando recursos da Prefeitura Municipal de projetos e programas socialmente mais urgentes. Sem falar em onerar os demais usuários quando a prefeitura decide não subsidiar os serviços, gerando todo tipo de dirtorções e problemas para o transporte público. Infelizmente, continuamos a pensar que os recursos públicos vêm do céu. Como dizia um Ministro da Alemanha, quando a população pressionava o governo para obter mais e mais programas sociais gratuitos: “o povo alemão pensa que o governo é uma vaca que se alimenta no céu e solta seu leite na terra”. Ou educamos e alimentamos bem as novas gerações ou vamos gerar clima para manifestações desse tipo em todos os segmentos da sociedade que pensam em "tirar leite da viúva, custe o que custar" .
FIM
Li hoje a seguinte notícia, publicada em Jornal do Paraná:
"Estudantes pedem passe livre na capital
por Ligia Martoni [23/03/2007]
Estudantes dos colégios Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná e Hildebrando de Araújo participaram ontem, em Curitiba, de um ato realizado simultaneamente em cinco capitais do País pedindo o passe livre. A reivindicação gerou transtorno com a ocupação da canaleta do biarticulado sentido norte-sul na Avenida João Gualberto, em frente ao Colégio Estadual do Paraná, obstruindo a passagem dos ônibus por cerca de 40 minutos. Os manifestantes interditaram também o cruzamento com a Avenida Luiz Leão, atrapalhando o trânsito no local. Apesar do transtorno, não houve maiores tumultos e ninguém saiu ferido. Segundo o primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes) no Paraná, Rafael Clabonde, o movimento - que reuniu estudantes também na Praça Rui Barbosa - tinha por objetivo pressionar o poder público para a gratuidade da passagem de ônibus. “Foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, resumiu Rafael.
Em frente ao Colégio Estadual, o clima ficou um pouco tenso depois que a Patrulha Escolar exigiu a remoção do carro de som que os estudantes usariam para organizar o movimento. “Pretendíamos fazer um ato simbólico como desfecho, como pular a catraca, mas sem o som tivemos dificuldade em mobilizar o pessoal”, contou o estudante. Após uma hora de mobilização, por volta das 8h30, os manifestantes foram para as salas de aula.
Ônibus
Para protestar pelo passe livre, os estudantes impediram a passagem dos biarticulados Santa Cândida - Capão Raso das 7h50 às 8h30, ocasionando congestionamento nos tubos da linha em ambos os sentidos. Quem precisou do transporte teve de ter paciência para esperar o reforço enviado pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e encarar veículos lotados. A Urbs tentou sanar o problema, enviando dez ônibus que iriam recolher para a canaleta norte-sul, desviando o local onde os estudantes estavam. Aos poucos, os tubos foram sendo descongestionados.
Já na Praça Rui Barbosa a manifestação foi mais branda e durou cerca de vinte minutos. A assessoria da Urbs informou que a Prefeitura já oferece como benefício a meia tarifa a estudantes de baixa renda. Somente no ano passado, a companhia atendeu a 25.727 alunos. "
É muito difícil se considerar séria a afirmação do líder estudantil Rafael de que “foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, Basta se ler a reportagem para se ter uma idéia da violência praticada impunemente contra a população curitibana. Além disso, os estudantes de baixa renda já recebem o benefício de pagar meia tarifa. É interessante se constatar que somente 25.727, repito somente 25.727, beneficiam-se desse subsídio. Por que somente esse número numa metrópole que já tem mais de 2 milhões de habitantes? Seguramente porque a maioria dos estudantes pertence a famílias que têm renda suficiente para pagar as tarifas inteiras. Ao tornar a passagem gratuita, como já se faz com os idosos, pobres ou ricos, além de se estar subsidiando pessoas com renda familiar suficiente para pagar as tarifas cobradas, está-se desviando recursos da Prefeitura Municipal de projetos e programas socialmente mais urgentes. Sem falar em onerar os demais usuários quando a prefeitura decide não subsidiar os serviços, gerando todo tipo de dirtorções e problemas para o transporte público. Infelizmente, continuamos a pensar que os recursos públicos vêm do céu. Como dizia um Ministro da Alemanha, quando a população pressionava o governo para obter mais e mais programas sociais gratuitos: “o povo alemão pensa que o governo é uma vaca que se alimenta no céu e solta seu leite na terra”. Ou educamos e alimentamos bem as novas gerações ou vamos gerar clima para manifestações desse tipo em todos os segmentos da sociedade que pensam em "tirar leite da viúva, custe o que custar" .
FIM
Friday, March 09, 2007
POBRES ALUNOS
O tema sobre alunos de escolas públicas tendo aulas em salas de lata foi objeto de intensa discussão política nas últimas eleições para Prefeito da Cidade de São Paulo. Pouco se falou, porém, se o volume mínimo (m3) de espaço por aluno era suficiente para garantir adequada renovação e circulação de ar; tampouco sobre ruídos excessivos; falta de espaço para atividades esportivas; riscos de trânsito no local. Enfim, ignorou-se o ambiente escolar. Mesmo em escolas privadas consideradas de alto padrão, encontram-se aberrações em suas instalações resultantes de adaptações mal feitas em antigas residências e edifícios. Em muitas delas, por exemplo, os alunos estão sendo seriamente penalizados neste verão. Não seria o caso de se fiscalizar também o ambiente escolar, seja ele público ou privado, além de se aferir a qualidade de ensino? É nossa obrigação moral proteger crianças, adolescentes e jovens - de todas classes sociais - de situações estressantes e nocivas a sua saúde, especialmente em nossas escolas. Se o governo não tem vistas para isso, os pais que abram seus olhos!
O tema sobre alunos de escolas públicas tendo aulas em salas de lata foi objeto de intensa discussão política nas últimas eleições para Prefeito da Cidade de São Paulo. Pouco se falou, porém, se o volume mínimo (m3) de espaço por aluno era suficiente para garantir adequada renovação e circulação de ar; tampouco sobre ruídos excessivos; falta de espaço para atividades esportivas; riscos de trânsito no local. Enfim, ignorou-se o ambiente escolar. Mesmo em escolas privadas consideradas de alto padrão, encontram-se aberrações em suas instalações resultantes de adaptações mal feitas em antigas residências e edifícios. Em muitas delas, por exemplo, os alunos estão sendo seriamente penalizados neste verão. Não seria o caso de se fiscalizar também o ambiente escolar, seja ele público ou privado, além de se aferir a qualidade de ensino? É nossa obrigação moral proteger crianças, adolescentes e jovens - de todas classes sociais - de situações estressantes e nocivas a sua saúde, especialmente em nossas escolas. Se o governo não tem vistas para isso, os pais que abram seus olhos!
Sunday, February 04, 2007
TELEFONES PÚBLICOS
Ninguém de sã consciência nega que houve melhoria extraordinária nos serviços de telefonia, após sua privatização. Infelizmente, o processo de privatização não se resume simplesmente a conceder os serviços ao setor privado. A regulamentação, a fiscalização dos serviços e o monitoramento do mercado são essenciais para garantir serviços sempre melhores e a preços competitivos. A economia de mercado não funciona bem sem a presença reguladora do Estado e de consumidores instruídos, isto é, capazes de fazer escolhas inteligentes do binômio preço-qualidade e, principalmente, daquilo que realmente necessitam, sem se deixar influenciar por propagandas mistificadoras. O baixo nível e a falta de objetividade de nosso sistema de ensino, torna os brasileiros presa fácil de novidades. Com certo exagero, imagino que as expressões fisionômicas de jovens ao usar seus celulares devam ser semelhantes a dos índios quando receberam espelhinhos dos colonizadores portugueses cinco séculos atrás. A intensa propaganda, associada a ofertas com complexas combinações de serviços e pagamentos, tumultuaram o mercado da telefonia celular. O ônus disso ao consumidor aparece nas elevadas somas gastas pela classe média. As classes sociais de renda baixa sofreram, também, com os altos custos do uso do celular. Hoje, somente o usam para receber chamadas e fazê-las em casos excepcionais, utilizando o sistema de pagamento pré-pago que lhes garante limite aos gastos nesses serviços. A falta de serviços de telefones públicos que funcionem bem afeta a classe média que é obrigada a usar o celular continuamente quando está fora da residência. São os pobres, porém, que sentem mais essa deficiência. Simplesmente não se comunicam como gostariam de fazê-lo. A ANATEL deveria avaliar e monitorar a relação econômica entre as prestadoras de serviços e os consumidores de serviços de telefonia celular, proporcionando-lhes dados e informações úteis para fazer escolhas corretas.
As empresas concessionárias argumentam que têm sérias dificuldades em manter telefones públicos em nossas cidades. Realmente, é facilmente constatável a depredação desses aparelhos. Outras instalações de uso público também são depredadas, como por exemplo, as Caixas Eletrônicas do sistema bancário. Infelizmente, as características sociais e culturais de nosso povo transformaram nossos espaços públicos em terra de ninguém. É impossível ao sistema policial manter serviços de vigilância que garantam o respeito a equipamentos e instalações de uso público. As praças públicas vão sendo cercadas; e as instalações privadas de uso público vão se adequando à realidade, oferecendo, por exemplo, os serviços de caixa eletrônico em postos de gasolina, supermercados, shopping centers e em locais que exista vigilância contínua. As empresas telefônicas deveriam buscar soluções semelhantes com a ajuda dos governos municipais que regulam as atividades comerciais e de serviços na cidade. Os supermercados e shopping centers poderiam dispô-los em maior número e melhor distribuídos em suas instalações. As bancas de jornais, abrigá-los dentro delas, também, Assim como bares, restaurantes, postos de gasolina, pontos de táxi, e toda e qualquer atividade de prestação de serviços e de comércio. Não adianta nada a existência de telefones públicos em lugares ermos que não funcionam. Hoje, em caso de emergência, sempre existe o celular para substituir o serviço público. O que se necessita, agora, são de telefones de fácil acesso em locais públicos visando a substituir o uso do celular e reduzir os custos da comunicação para a classe média e, especialmente, para os pobres. As concessionárias de serviços de telefonia celular não têm interesse nisso. O que será que a ANATEL tem a dizer sobre isso?
Ninguém de sã consciência nega que houve melhoria extraordinária nos serviços de telefonia, após sua privatização. Infelizmente, o processo de privatização não se resume simplesmente a conceder os serviços ao setor privado. A regulamentação, a fiscalização dos serviços e o monitoramento do mercado são essenciais para garantir serviços sempre melhores e a preços competitivos. A economia de mercado não funciona bem sem a presença reguladora do Estado e de consumidores instruídos, isto é, capazes de fazer escolhas inteligentes do binômio preço-qualidade e, principalmente, daquilo que realmente necessitam, sem se deixar influenciar por propagandas mistificadoras. O baixo nível e a falta de objetividade de nosso sistema de ensino, torna os brasileiros presa fácil de novidades. Com certo exagero, imagino que as expressões fisionômicas de jovens ao usar seus celulares devam ser semelhantes a dos índios quando receberam espelhinhos dos colonizadores portugueses cinco séculos atrás. A intensa propaganda, associada a ofertas com complexas combinações de serviços e pagamentos, tumultuaram o mercado da telefonia celular. O ônus disso ao consumidor aparece nas elevadas somas gastas pela classe média. As classes sociais de renda baixa sofreram, também, com os altos custos do uso do celular. Hoje, somente o usam para receber chamadas e fazê-las em casos excepcionais, utilizando o sistema de pagamento pré-pago que lhes garante limite aos gastos nesses serviços. A falta de serviços de telefones públicos que funcionem bem afeta a classe média que é obrigada a usar o celular continuamente quando está fora da residência. São os pobres, porém, que sentem mais essa deficiência. Simplesmente não se comunicam como gostariam de fazê-lo. A ANATEL deveria avaliar e monitorar a relação econômica entre as prestadoras de serviços e os consumidores de serviços de telefonia celular, proporcionando-lhes dados e informações úteis para fazer escolhas corretas.
As empresas concessionárias argumentam que têm sérias dificuldades em manter telefones públicos em nossas cidades. Realmente, é facilmente constatável a depredação desses aparelhos. Outras instalações de uso público também são depredadas, como por exemplo, as Caixas Eletrônicas do sistema bancário. Infelizmente, as características sociais e culturais de nosso povo transformaram nossos espaços públicos em terra de ninguém. É impossível ao sistema policial manter serviços de vigilância que garantam o respeito a equipamentos e instalações de uso público. As praças públicas vão sendo cercadas; e as instalações privadas de uso público vão se adequando à realidade, oferecendo, por exemplo, os serviços de caixa eletrônico em postos de gasolina, supermercados, shopping centers e em locais que exista vigilância contínua. As empresas telefônicas deveriam buscar soluções semelhantes com a ajuda dos governos municipais que regulam as atividades comerciais e de serviços na cidade. Os supermercados e shopping centers poderiam dispô-los em maior número e melhor distribuídos em suas instalações. As bancas de jornais, abrigá-los dentro delas, também, Assim como bares, restaurantes, postos de gasolina, pontos de táxi, e toda e qualquer atividade de prestação de serviços e de comércio. Não adianta nada a existência de telefones públicos em lugares ermos que não funcionam. Hoje, em caso de emergência, sempre existe o celular para substituir o serviço público. O que se necessita, agora, são de telefones de fácil acesso em locais públicos visando a substituir o uso do celular e reduzir os custos da comunicação para a classe média e, especialmente, para os pobres. As concessionárias de serviços de telefonia celular não têm interesse nisso. O que será que a ANATEL tem a dizer sobre isso?
Sunday, January 28, 2007
TELEFÔNICA
Costumo ouvir o Diário da Manhã na Rádio Cultura. Sou obrigado a desligar o aparelho todas as vezes que é apresentada a propaganda institucional da Telefônica sobre seu programa social voltado a crianças e adolescentes, tal a chatice e a longa duração da música e de suas letras repetitivamente apresentadas. Deixo de ouvir boa música e entrevistas interessantes por conta disso. A única diferença com a horrorosa propaganda eleitoral gratuita é que a Telefônica paga o longo tempo utilizado à Rádio Cultura. Muita propaganda, faz-me lembrar da infância em que uma galinha pequena, que também punha ovos minúsculos, cacarejava mais forte e longamente que as outras, despertando risos e chacotas de minha família. Quem sabe algum deputado apresente projeto de lei limitando os gastos em propaganda. No caso de programas sociais, por exemplo, seria estabelecido um percentual máximo do total gasto nesses programas.
Disseram-me que a Companhia Telefônica de São Paulo-TELESP brilha no campeonato de reclamações de usuários de serviços, ocupando o primeiro lugar. No último dia 24, os péssimos serviços dessa empresa estragaram-me o dia. Pela manhã fui ao centro da cidade a fim de comprar um carregador de bateria para meu celular. Aproveitei, também, para pesquisar preços sobre compressores caseiros para pintura. Depois de visitar várias lojas na Florêncio de Abreu, decidi comprá-lo ali mesmo; não antes, porém, de comparar seu preço com o da Le Roy Merlin. Como a bateria do celular estava descarregada, tive de buscar um orelhão para essa consulta telefônica. Comprei um cartão eletrônico com 50 unidades. Após discar várias vezes o serviço de informações gratuito 102, muito ocupado naquele momento, consegui completar a ligação e responder às perguntas de praxe de fita gravada: “telefone comercial ou residencial? etc.”. Foi-me fornecido o número do telefone da MERLIN. Coloquei meu cartão numa ranhura estreita, engendrada para testar nossa paciência. Depois de algumas tentativas frustradas, virando o cartão de um lado para o outro, vibrei com o surgimento do número 50 que me habilitava a comunicar-me. Após toques e mais toques sem resposta ouvi o irritante som de linha ocupada. Tentei novamente e ouvi a surrada e antipática voz gravada: “esse telefone não existe” . Liguei novamente o 102 e consegui um outro número. Colocava o cartão de todos os jeitos possíveis e nada conseguia. Mais algumas tentativas e, finalmente, o aparelho aceitou meu cartão. Antes mesmo do telefone ser atendido, se é que ia ser mesmo, os números que indicavam o crédito do cartão caíram rapidamente de 50 para 49 e 48. Retirei o cartão antes que meu crédito fosse consumido. Desisti dessa ligação para a empresa Le Roy Merlin e segui pelo viaduto Santa Ifigênia em busca do carregador de bateria. Lá entrei numa loja cujo vendedor pegou meu celular e tentou enfiar um pino que não entrava no local previsto para o encaixe. Tirei-lhe da mão o aparelho e retornei para a Florêncio de Abreu, completamente abatido.
Dado o avançado da hora, decidi ligar para minha casa e novamente enfrento um conjunto de três orelhões justapostos dos quais somente um funcionava. Felizmente, meu cartão foi aceito na primeira tentativa, pois apareceu o número 47. O que não esperava é após discar o número ouvir aquela maldita voz dizendo-me: “esse telefone não existe”. Como era o telefone de minha própria residência, pensei que discara o número errado e tentei novamente, pressionando com muita atenção e esmero cada numero. Ao final, ouvi outra vez: “esse telefone não existe” .
Comentei o fato com alguém que esperava a vez para usar o telefone público e, para surpresa minha, numa demonstração de paciência e gentileza, recomendou-me para insistir mais uma vez. Dessa vez o telefone “inexistente” começou a tocar e minha esposa atendeu. Mal comecei a conversar, a ligação caiu. Irritado, ou melhor, irado, voltei à banca de jornal onde comprei o cartão e quis devolvê-lo. Apercebi-me logo do ridículo e limitei-me a perguntar à vendedora a origem do cartão. Informou-me que eram fornecidos diretamente pela Telefônica. - “O senhor foi azarado pois o aparelho que usou deve ser daqueles que comem cartão” , disse-me com a maior naturalidade. Para um estrangeiro, tal explicação soaria como fantasia de uma vendedora acometida de crise mental. Um surto psicótico. Para mim, brasileiro dos velhos tempos, veio à mente lembranças de experiências do passado quando se usavam fichas metálicas ao invés de cartões eletrônicos. Quantas vezes pude constatar a “gula“ dos aparelhos que as engoliam sem dar a chance de se falar. E, em outras ocasiões, sem ficha na mão, dava-se pancadas no aparelho e era-se premiado, como nas atuais máquinas de jogos eletrônicos, com uma enxurrada de fichas devolvidas.
Contei à minha filha mais velha o que acontecera comigo naquela manhã. Ela confortou-me dizendo que isso ocorre com todo mundo. E que “a melhor propaganda da responsabilidade social da Companhia Telefônica seria oferecer bons serviços a seus usuários e não ficar alardeando sua ação social junto a adolescentes e crianças, com aquelas musiquinhas chatérrimas “, disse-me ela. O que será que a ANATEL acha de tudo isso? Será que ali também nada se vê, se sabe ou se escuta?
Costumo ouvir o Diário da Manhã na Rádio Cultura. Sou obrigado a desligar o aparelho todas as vezes que é apresentada a propaganda institucional da Telefônica sobre seu programa social voltado a crianças e adolescentes, tal a chatice e a longa duração da música e de suas letras repetitivamente apresentadas. Deixo de ouvir boa música e entrevistas interessantes por conta disso. A única diferença com a horrorosa propaganda eleitoral gratuita é que a Telefônica paga o longo tempo utilizado à Rádio Cultura. Muita propaganda, faz-me lembrar da infância em que uma galinha pequena, que também punha ovos minúsculos, cacarejava mais forte e longamente que as outras, despertando risos e chacotas de minha família. Quem sabe algum deputado apresente projeto de lei limitando os gastos em propaganda. No caso de programas sociais, por exemplo, seria estabelecido um percentual máximo do total gasto nesses programas.
Disseram-me que a Companhia Telefônica de São Paulo-TELESP brilha no campeonato de reclamações de usuários de serviços, ocupando o primeiro lugar. No último dia 24, os péssimos serviços dessa empresa estragaram-me o dia. Pela manhã fui ao centro da cidade a fim de comprar um carregador de bateria para meu celular. Aproveitei, também, para pesquisar preços sobre compressores caseiros para pintura. Depois de visitar várias lojas na Florêncio de Abreu, decidi comprá-lo ali mesmo; não antes, porém, de comparar seu preço com o da Le Roy Merlin. Como a bateria do celular estava descarregada, tive de buscar um orelhão para essa consulta telefônica. Comprei um cartão eletrônico com 50 unidades. Após discar várias vezes o serviço de informações gratuito 102, muito ocupado naquele momento, consegui completar a ligação e responder às perguntas de praxe de fita gravada: “telefone comercial ou residencial? etc.”. Foi-me fornecido o número do telefone da MERLIN. Coloquei meu cartão numa ranhura estreita, engendrada para testar nossa paciência. Depois de algumas tentativas frustradas, virando o cartão de um lado para o outro, vibrei com o surgimento do número 50 que me habilitava a comunicar-me. Após toques e mais toques sem resposta ouvi o irritante som de linha ocupada. Tentei novamente e ouvi a surrada e antipática voz gravada: “esse telefone não existe” . Liguei novamente o 102 e consegui um outro número. Colocava o cartão de todos os jeitos possíveis e nada conseguia. Mais algumas tentativas e, finalmente, o aparelho aceitou meu cartão. Antes mesmo do telefone ser atendido, se é que ia ser mesmo, os números que indicavam o crédito do cartão caíram rapidamente de 50 para 49 e 48. Retirei o cartão antes que meu crédito fosse consumido. Desisti dessa ligação para a empresa Le Roy Merlin e segui pelo viaduto Santa Ifigênia em busca do carregador de bateria. Lá entrei numa loja cujo vendedor pegou meu celular e tentou enfiar um pino que não entrava no local previsto para o encaixe. Tirei-lhe da mão o aparelho e retornei para a Florêncio de Abreu, completamente abatido.
Dado o avançado da hora, decidi ligar para minha casa e novamente enfrento um conjunto de três orelhões justapostos dos quais somente um funcionava. Felizmente, meu cartão foi aceito na primeira tentativa, pois apareceu o número 47. O que não esperava é após discar o número ouvir aquela maldita voz dizendo-me: “esse telefone não existe”. Como era o telefone de minha própria residência, pensei que discara o número errado e tentei novamente, pressionando com muita atenção e esmero cada numero. Ao final, ouvi outra vez: “esse telefone não existe” .
Comentei o fato com alguém que esperava a vez para usar o telefone público e, para surpresa minha, numa demonstração de paciência e gentileza, recomendou-me para insistir mais uma vez. Dessa vez o telefone “inexistente” começou a tocar e minha esposa atendeu. Mal comecei a conversar, a ligação caiu. Irritado, ou melhor, irado, voltei à banca de jornal onde comprei o cartão e quis devolvê-lo. Apercebi-me logo do ridículo e limitei-me a perguntar à vendedora a origem do cartão. Informou-me que eram fornecidos diretamente pela Telefônica. - “O senhor foi azarado pois o aparelho que usou deve ser daqueles que comem cartão” , disse-me com a maior naturalidade. Para um estrangeiro, tal explicação soaria como fantasia de uma vendedora acometida de crise mental. Um surto psicótico. Para mim, brasileiro dos velhos tempos, veio à mente lembranças de experiências do passado quando se usavam fichas metálicas ao invés de cartões eletrônicos. Quantas vezes pude constatar a “gula“ dos aparelhos que as engoliam sem dar a chance de se falar. E, em outras ocasiões, sem ficha na mão, dava-se pancadas no aparelho e era-se premiado, como nas atuais máquinas de jogos eletrônicos, com uma enxurrada de fichas devolvidas.
Contei à minha filha mais velha o que acontecera comigo naquela manhã. Ela confortou-me dizendo que isso ocorre com todo mundo. E que “a melhor propaganda da responsabilidade social da Companhia Telefônica seria oferecer bons serviços a seus usuários e não ficar alardeando sua ação social junto a adolescentes e crianças, com aquelas musiquinhas chatérrimas “, disse-me ela. O que será que a ANATEL acha de tudo isso? Será que ali também nada se vê, se sabe ou se escuta?
Friday, January 12, 2007
ACIDENTE EM CONSTRUÇÃO DO METRÔ EM SÃO PAULO
Lembro-me das intensas discussões havidas após o acidente ocorrido na via elevada Paulo de Frontin durante sua construção no Rio de Janeiro, em 1.971. O vão de uns 20-30 metros simplesmente caiu numa rua que o cruzava, destruindo e matando os que se encontravam ali naquele momento. Coincidentemente, passara naquele local, algumas horas antes, daí a marca deixada em minha memória. Naquela época eu era presidente da empresa Transplan-Engenharia e Planejamento de Transportes depois de ter vivido uma extraordinária experiência de trabalho: participei da criação do GEIPOT, em 1964-65, e fui seu economista-chefe até meados de 1.969. Nesse qüinqüênio foram desenvolvidos planos diretores de transportes e definidas políticas nacionais que envolviam aspectos de engenharia, economia e gestão. O Banco Mundial estava profunda e amplamente envolvido nesse processo de modernização dos transportes brasileiros.
"Licitações, somente após ter sido concluído o projeto executivo, que deveria ser o suficientemente detalhado para garantir qualidade às estimativas de custos e às propostas técnicas de execução das empreiteiras”; “ Supervisão da execução do projeto pela própria projetista para evitar descontinuidade de responsabilidade em relação ao projeto aprovado. Alterações no projeto original somente poderiam ser propostas pela projetista às autoridades públicas e o suficientemente justificadas as razões delas”; “Empreiteiras, obviamente, não poderiam ter participação na propriedade e/ou gestão das projetistas das obras a que concorriam”; “As faturas de execução das diferentes etapas das obras teriam de ser aprovadas pela supervisão da empresa projetista, autora do projeto original”. Esses eram alguns dos princípios que deveriam nortear a gestão do desenvolvimento da infra-estrutura de transportes em nosso País. Lembro-me de empreiteira brasileira ter-se revoltado pelo não pagamento de uma fatura sua de grande valor porque não conseguira a aprovação das obras relativas ao sistema que daria sustentação aos taludes de cortes e aterros feitos. Exagerava-se que pela falta de grama (não de grana!) a fatura ficou presa, com a clara intenção de desmoralizar o processo de modernização da gestão pública.
No caso do vão que caiu houve descontinuidade no processo de projetar, executar e supervisionar a execução da obra. No velho estilo brasileiro, a fiscalização pública aceitava mudanças no projeto original sem o consentimento da projetista, normalmente desligada do processo de construção a partir da licitação. Tampouco o projeto executivo que dera origem à licitação era o suficientemente detalhado para evitar contínuas dúvidas alimentadas pelas empreiteiras junto aos órgãos públicos fiscalizadores. Muitas delas válidas, e outras tantas não, pois seu objetivo era o de conduzir a soluções que melhor atendessem a seus interesses comerciais. Quais foram os resultados práticos de sindicâncias e investigações havidas, simplesmente os desconheço, tal a confusão legal e administrativa gerada após o acidente.
O desabamento de parte de futura Estação do Metrô de São Paulo junto à Marginal do Rio Pinheiros, hoje, 12 de janeiro de 2.007, 36 anos após o acidente no Paulo de Frontin, vai por à prova se o processo de concepção, projetação, execução e supervisão da obra do metrô de São Paulo respeitou os princípios supracitados que garantem a continuidade de autoridade e responsabilidade no processo de construção de obras públicas.
Lembro-me das intensas discussões havidas após o acidente ocorrido na via elevada Paulo de Frontin durante sua construção no Rio de Janeiro, em 1.971. O vão de uns 20-30 metros simplesmente caiu numa rua que o cruzava, destruindo e matando os que se encontravam ali naquele momento. Coincidentemente, passara naquele local, algumas horas antes, daí a marca deixada em minha memória. Naquela época eu era presidente da empresa Transplan-Engenharia e Planejamento de Transportes depois de ter vivido uma extraordinária experiência de trabalho: participei da criação do GEIPOT, em 1964-65, e fui seu economista-chefe até meados de 1.969. Nesse qüinqüênio foram desenvolvidos planos diretores de transportes e definidas políticas nacionais que envolviam aspectos de engenharia, economia e gestão. O Banco Mundial estava profunda e amplamente envolvido nesse processo de modernização dos transportes brasileiros.
"Licitações, somente após ter sido concluído o projeto executivo, que deveria ser o suficientemente detalhado para garantir qualidade às estimativas de custos e às propostas técnicas de execução das empreiteiras”; “ Supervisão da execução do projeto pela própria projetista para evitar descontinuidade de responsabilidade em relação ao projeto aprovado. Alterações no projeto original somente poderiam ser propostas pela projetista às autoridades públicas e o suficientemente justificadas as razões delas”; “Empreiteiras, obviamente, não poderiam ter participação na propriedade e/ou gestão das projetistas das obras a que concorriam”; “As faturas de execução das diferentes etapas das obras teriam de ser aprovadas pela supervisão da empresa projetista, autora do projeto original”. Esses eram alguns dos princípios que deveriam nortear a gestão do desenvolvimento da infra-estrutura de transportes em nosso País. Lembro-me de empreiteira brasileira ter-se revoltado pelo não pagamento de uma fatura sua de grande valor porque não conseguira a aprovação das obras relativas ao sistema que daria sustentação aos taludes de cortes e aterros feitos. Exagerava-se que pela falta de grama (não de grana!) a fatura ficou presa, com a clara intenção de desmoralizar o processo de modernização da gestão pública.
No caso do vão que caiu houve descontinuidade no processo de projetar, executar e supervisionar a execução da obra. No velho estilo brasileiro, a fiscalização pública aceitava mudanças no projeto original sem o consentimento da projetista, normalmente desligada do processo de construção a partir da licitação. Tampouco o projeto executivo que dera origem à licitação era o suficientemente detalhado para evitar contínuas dúvidas alimentadas pelas empreiteiras junto aos órgãos públicos fiscalizadores. Muitas delas válidas, e outras tantas não, pois seu objetivo era o de conduzir a soluções que melhor atendessem a seus interesses comerciais. Quais foram os resultados práticos de sindicâncias e investigações havidas, simplesmente os desconheço, tal a confusão legal e administrativa gerada após o acidente.
O desabamento de parte de futura Estação do Metrô de São Paulo junto à Marginal do Rio Pinheiros, hoje, 12 de janeiro de 2.007, 36 anos após o acidente no Paulo de Frontin, vai por à prova se o processo de concepção, projetação, execução e supervisão da obra do metrô de São Paulo respeitou os princípios supracitados que garantem a continuidade de autoridade e responsabilidade no processo de construção de obras públicas.
Friday, December 22, 2006
“Nenhum Privilégio”
Graças à mídia e à repulsa da sociedade não se efetivou o aumento inoportuno da remuneração de nossos congressistas, tão desejada pela maioria deles. Após as acintosas absolvições dos envolvidos em escândalos de corrupção, a população brasileira não agüenta mais manobras feitas por políticos em benefício próprio. Hoje, pude ouvir de Ney Suassuna, ou alguém com sua voz, pois de onde estava não via as imagens da TV, sua crítica à idéia de se solicitar ao executivo transporte aéreo especial para os congressistas visando a poupá-los dos atrasos de vôos e confusões correlatas no Aeroporto de Brasília. Também pude ouvir o argumento de um político a favor dessa idéia que afirmou não se tratar de privilégio, já que se prevê a redução dos subsídios do congressista que se utilizar de avião do governo no mesmo valor da tarifa que seria paga à companhia comercial. Terminou dizendo que assim não haveria nenhum privilégio. O que irrita qualquer pessoa de raciocínio mediano é o descaramento e primarismo como nossos políticos argumentam em favor de seus privilégios, em que o maior deles é trabalhar poucos dias da semana. E quando o fazem, salvo as honrosas exceções que felizmente ainda existem, somente se dedicam a interesses pessoais e eleitoreiros. Para tristeza nossa, as duas alternativas que se apresentam para julgarmos o caráter do político defensor dessa proposta, tornam-no execrável em qualquer uma delas: a primeira, é que se trata de malandro que sabe bem o que é privilégio e tenta desviar a atenção para o pagamento da passagem; a segunda, é que se trata de pessoa de parco raciocínio, pois a simples leitura do significado de privilégio - “vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem...” – o levaria a pensar na população que sofre em nossos aeroportos em conseqüência da crise causada pela incompetência do Governo Federal e do Congresso Nacional. Além disso, do ponto de vista da segurança nacional não seria recomendável que congressistas lotassem vários aviões do governo, pois em caso de acidente com um deles o País poderia sofrer perdas irreparáveis. A população brasileira quer que nossos representantes trabalhem com afinco e competência; e por isso mesmo deseja que viajem com segurança. Feliz Natal e Próspero Ano Novo é o que desejamos a nossos congressistas, inclusive aos que esqueceram de seu papel na sociedade. Sempre é tempo de se redimir.
Graças à mídia e à repulsa da sociedade não se efetivou o aumento inoportuno da remuneração de nossos congressistas, tão desejada pela maioria deles. Após as acintosas absolvições dos envolvidos em escândalos de corrupção, a população brasileira não agüenta mais manobras feitas por políticos em benefício próprio. Hoje, pude ouvir de Ney Suassuna, ou alguém com sua voz, pois de onde estava não via as imagens da TV, sua crítica à idéia de se solicitar ao executivo transporte aéreo especial para os congressistas visando a poupá-los dos atrasos de vôos e confusões correlatas no Aeroporto de Brasília. Também pude ouvir o argumento de um político a favor dessa idéia que afirmou não se tratar de privilégio, já que se prevê a redução dos subsídios do congressista que se utilizar de avião do governo no mesmo valor da tarifa que seria paga à companhia comercial. Terminou dizendo que assim não haveria nenhum privilégio. O que irrita qualquer pessoa de raciocínio mediano é o descaramento e primarismo como nossos políticos argumentam em favor de seus privilégios, em que o maior deles é trabalhar poucos dias da semana. E quando o fazem, salvo as honrosas exceções que felizmente ainda existem, somente se dedicam a interesses pessoais e eleitoreiros. Para tristeza nossa, as duas alternativas que se apresentam para julgarmos o caráter do político defensor dessa proposta, tornam-no execrável em qualquer uma delas: a primeira, é que se trata de malandro que sabe bem o que é privilégio e tenta desviar a atenção para o pagamento da passagem; a segunda, é que se trata de pessoa de parco raciocínio, pois a simples leitura do significado de privilégio - “vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem...” – o levaria a pensar na população que sofre em nossos aeroportos em conseqüência da crise causada pela incompetência do Governo Federal e do Congresso Nacional. Além disso, do ponto de vista da segurança nacional não seria recomendável que congressistas lotassem vários aviões do governo, pois em caso de acidente com um deles o País poderia sofrer perdas irreparáveis. A população brasileira quer que nossos representantes trabalhem com afinco e competência; e por isso mesmo deseja que viajem com segurança. Feliz Natal e Próspero Ano Novo é o que desejamos a nossos congressistas, inclusive aos que esqueceram de seu papel na sociedade. Sempre é tempo de se redimir.
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