ALGUNS PENSAMENTOS SOBRE TRABALHO E DISCUSSÃO EM GRUPO
O trabalho ou discussão em grupo não é um jogo de soma zero, em que um debatedor somente ganha, se o outro perde. Ao contrário, deve-se buscar a sinergia que garante que o resultado do trabalho em grupo seja maior e melhor do que a soma de trabalhos individuais;
A discussão em grupo deve se limitar às idéias e propostas feitas e às premissas e razões que lhes dão sustentação. Não é lugar para simpatias, solidariedade e competição. Seja meu amigo, pessoa de minha simpatia ou pessoa frágil, se sua idéia ou proposta não é sustentável deve ser rebatida e rejeitada, educadamente. Se a idéia ou proposta de alguém é melhor do que a minha, seja quem for o participante, devo apoiá-la com base em meu raciocínio e não em minha simpatia.;
O silêncio somente deve ser rompido se realmente tem-se algo importante a dizer. Falar demais, para se manter em evidência, destrói a sinergia do grupo e, ao final, todos perdem com resultados pífios. O que importa é o resultado do trabalho em grupo e não o brilho de cada um;
Jamais se deve avaliar a personalidade, traços de caráter ou outros aspectos pessoais do interlocutor, seja para desmoralizá-lo, seja para exaltá-lo, quando se está trabalhando em grupo. O que importa são suas idéias e propostas que devem ser examinadas à luz da razão e dos conhecimentos dele e dos demais membros do grupo e não das características individuais de cada um. Caso se constate que alguém demonstra incapacidade ou desequilíbrio emocional para trabalho em grupo, agredindo as pessoas com ironias, sarcasmos ou ofensas, a única maneira de não se envolver em conflitos pessoais é simplesmente CALAR-SE, negando-se a participar em grupos do qual essa pessoa venha a fazer parte no futuro. Se a ofensa for grande, PEDIR LICENÇA E SE RETIRAR DO GRUPO POLIDAMENTE;
Ouvir é muito mais difícil do que falar, daí Deus ter-nos proporcionado dois ouvidos e uma só boca. Muita gente ouve, mas não escuta, pois está mais preocupada com seus próprios pensamentos e naquilo que vai dizer do que na fala do interlocutor. Não fique ansioso em aparecer e mostrar sua presença no grupo. Se não tiver nada a dizer é melhor ficar calado. O que importa é o resultado do trabalho no grupo e não o seu brilho e participação na discussão. Sempre que gostar de uma idéia ou proposta ao acrescentar algo repita seu conteúdo inicial para demonstrar que não se preocupa em ser seu autor e sim em aprimorá-la para conseguir melhores resultados para o trabalho em grupo;
Procure nunca levantar a voz. Tampouco, interromper alguém abruptamente. Se alguém o fizer, diga-lhe: " POR FAVOR, DEIXE-ME COMPLETAR O QUE QUERO DIZER". Se desejar interromper alguém, somente o faça se for algo muito importante, cuidando para somente fazê-lo após pedir licença ao interlocutor: " DÁ LICENÇA DE EU INTERROMPE-LO UM INSTANTE?" Normalmente o interlocutor ou deixa a pessoa falar, e essa deve se limitar a uma ou duas frases , ou responderá que se aguarde um pouco até que termine o que está falando. FALAR AO MESMO TEMPO É DESVALORIZAR SUAS IDÉIAS. LEVANTAR A VOZ É PIOR AINDA: É SUBSTITUIR O CONTEÚDO DE SEUS ARGUMENTOS POR EXPANSÃO DE ONDAS SONORAS E DECIBEIS NOS OUVIDOS DOS MEMBROS DO GRUPO;
Olhe para o interlocutor somente com a preocupação de entender o conteúdo de sua fala, pedindo-lhe ao final esclarecimentos se não entendeu a fim de não emitir juízos baseados em compreensão errada. Para evitar isso, sempre é bom repetir o que entendeu antes de emitir sua opinião a respeito, dando nova oportunidade ao interlocutor de corrigir seu pensamento. Se alguém lhe pergunta algo que não entendeu bem, ou quer mais tempo para pensar, peça ao interlocutor para repetir a pergunta, para que a entenda bem;
O senso de humor deve sempre estar presente em qualquer discussão, evitando-se, porém, chistes, piadas ou observações que possam ofender qualquer membro do grupo. Evitar-se, portanto, sectarismos, sejam eles religiosos, filosóficos ou políticos, raciais e de outros matizes (baixinhos, gordos, magros, etc..);
Olhar com descontração e simpatia para todos. Afinal, são membros de um grupo que corresponde a x/ 6,5 bilhões da população mundial em busca de boas idéias e propostas para melhorar a qualidade de vida de todos;
Respirar fundo algumas vezes ajuda a tranqüilizar as emoções e abrir mais espaço para o uso da razão;
Algumas recomendações aos organizadores de grupos de discussão: a. mantenha o número de participantes entre 5 e 7; abaixo de 5 é muito pouco e acima de 7 é demais; b. procure estruturar o grupo com pessoas de níveis de conhecimento e experiências semelhantes e ajustados ao assunto a ser discutido; c. estabeleça um intervalo de dois módulos de 50 minutos cada um com intervalo de 10 minutos para levantar-se e conversar-se livremente, servindo alguma coisa para comer e beber. Reserve 10 minutos no final para decidir se haverá ou não nova reunião. Pela manhã o intervalo entre 9:30 e 11:30 e pela tarde entre 14:30 e 16:30 seriam ideais. d. quem convocou a reunião tem como dever ser o moderador das intervenções e o responsável pela redação de ata ou outros documentos, podendo delegar a algum membro do grupo disposto a assumir essas tarefas; e. estabelecer já na convocação da reunião que os celulares terão de estar desligados durante as discussões.
BOA SORTE!
PS Resolvi divulgar este texto que elaborei faz muito tempo, porque ainda penso que poderá ser útil para quem participa em discussões em grupo. Daros
Friday, September 26, 2008
Sunday, September 21, 2008
DOSSIEGATE E RIOCENTRO
O que têm de comum os dois crimes? O fato dos mandatários não terem atingido os objetivos previstos pelos seus mandantes. No primeiro caso, em plena vigência da democracia, os dois petistas que estavam com R$ 1,7 milhão de reais para comprar um dossiê contra Serra, foram surpreendidos em flagrante pela polícia; e, no segundo, praticado durante o regime militar, a bomba estourou antecipadamente no colo de um dos militares, dentro de carro estacionado, antes de ser colocada no Pavilhão onde se comemorava o primeiro de maio. Julgou-se que não houve crime porque o juiz, segundo reportagem da Folha de São Paulo (21/09) “entendeu que não era possível vincular o dinheiro apreendido à campanha eleitoral, e concluiu que o principal prejudicado com o dossiegate foi Lula”. O caso da bomba todos sabem como terminou. “Os aloprados foram punidos pela própria bomba e o principal prejudicado com isso foi o Presidente Figueiredo” teria dito o mesmo juiz se lhe fosse submetido esse crime, também, para julgamento, penso eu! Será verdade que para a Justiça Brasileira não é crime ter-se R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo de origem não revelada para comprar um dossiê contra candidato a governador ou levar uma bomba para ser ativada em local de grande concentração de pessoas? Daros
Nota: entre a última postagem (dia 8) e a de hoje (dia 21) decorreram 13 dias o que descaracteriza o Blog como registro diário. Assim sendo, vou publicar também cartas que costumo enviar aos jornais e que normalmente não são divulgadas, principalmente devido sua extensão ultrapassar os limites impostos pelos jornais a seus leitores. A carta acima foi enviada à Folha de São Paulo.
O que têm de comum os dois crimes? O fato dos mandatários não terem atingido os objetivos previstos pelos seus mandantes. No primeiro caso, em plena vigência da democracia, os dois petistas que estavam com R$ 1,7 milhão de reais para comprar um dossiê contra Serra, foram surpreendidos em flagrante pela polícia; e, no segundo, praticado durante o regime militar, a bomba estourou antecipadamente no colo de um dos militares, dentro de carro estacionado, antes de ser colocada no Pavilhão onde se comemorava o primeiro de maio. Julgou-se que não houve crime porque o juiz, segundo reportagem da Folha de São Paulo (21/09) “entendeu que não era possível vincular o dinheiro apreendido à campanha eleitoral, e concluiu que o principal prejudicado com o dossiegate foi Lula”. O caso da bomba todos sabem como terminou. “Os aloprados foram punidos pela própria bomba e o principal prejudicado com isso foi o Presidente Figueiredo” teria dito o mesmo juiz se lhe fosse submetido esse crime, também, para julgamento, penso eu! Será verdade que para a Justiça Brasileira não é crime ter-se R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo de origem não revelada para comprar um dossiê contra candidato a governador ou levar uma bomba para ser ativada em local de grande concentração de pessoas? Daros
Nota: entre a última postagem (dia 8) e a de hoje (dia 21) decorreram 13 dias o que descaracteriza o Blog como registro diário. Assim sendo, vou publicar também cartas que costumo enviar aos jornais e que normalmente não são divulgadas, principalmente devido sua extensão ultrapassar os limites impostos pelos jornais a seus leitores. A carta acima foi enviada à Folha de São Paulo.
Monday, September 08, 2008
IMPREVISTOS AGRADÁVEIS
Desenvolvi, faz muitos anos, algumas regras que me poupam de frustrações e sentimentos de indignação e, até mesmo, de ira. Um pouco de YOGA e muita psicanálise me ajudaram nisso. Uma das regras é não criar expectativas fora da realidade. Ao contrário, ser um pouco pessimista. Dessa forma, aumento a probabilidade de ter mais alegrias e menos frustrações. Por exemplo, após um exame médico acompanhado de análises laboratoriais, penso que se algo ruím for detectado, o resultado simplesmente retrata um estado real existente antes do exame. Em outras palavras, ele traz à tona dados e informações de alguma doença escondida que agora poderá ser combatida com mais eficácia. Outro exemplo: se vou receber resposta à alguma solicitação que me traga benefícios, avalio o mais objetivamente possível a situação, de maneira a não criar expectativas irrealizáveis e aceitar a influência negativa de fatores imponderáveis. Na Cidade de São Paulo procuro evitar o estresse de dirigir em ambiente agressivo e cansativo, transformando o congestionamento em oportunidade de ouvir rádio ou música. E as dificuldades em estacionar próximo a meu destino, como oportunidade de caminhar e exercitar-me. Se o tempo é curto, prevejo que vou chegar atrasado ao encontro ou reunião, avisando com antecedência a pessoa ou pessoas com quem tenho compromisso. Sair bem mais cedo e usar o tempo de espera nos encontros para leitura de algo interessante é a saída mais educada. Essa, contudo, ainda não consegui por em prática rotineiramente. Hoje fui surpreendido por três situações imprevistas agradáveis
Dirigi-me ao setor financeiro da Prefeitura Municipal para regularizar uma situação que criei por descuido. Ao invés de pagar a parcela do IPTU vencida no mês, paguei duas vezes a do mês anterior. Conseqüentemente, a parcela paga duas vezes apareceu como "paga" simplesmente e a outra como "não paga". Como o imóvel está no nome de minha esposa, dirigi-me à repartição para que eu fosse orientado sobre como resolver o assunto, já que perdera o registro bancário que provaria que paguei duas vezes a primeira parcela. Já estava preparado para um rol de pedidos de documentos e declarações registrados em cartório quando o funcionário me surpreendeu com a seguinte frase: "vou evitar que o senhor tenha de voltar aqui novamente". Somente pediu-me o RG para anotar no recibo da parcela "não paga" que se tornaria "paga" com o estorno dos recursos sobrantes da primeira parcela paga duplamente. Aí surge um problema inesperado. Minha carteira não estava comigo. Fiquei atônito procurando-a, não mais para mostrar-lhe o RG mas para me assegurar que não a perdera. No meio da confusão criada, ele perguntou simplesmento meu nome e o número do RG e entregou-me uma senha para pegar o recibo da parcela agora "paga" em outro guichê. Resolvi rapida e inesperadamente o assunto que fora pedir simples orientação para outro dia voltar com um saco de documentos. Agora, tentava me concentrar para explicar o fato de não ter a carteira comigo. Finalmente, concluí com segurança razoável - já que a absoluta somente nos cria expectativas que podem ser frustradas - que a carteira ficara no carro. Vem-me à mente, porém, que se lá ficou o manobrista do estacionamento já a afanara. Quanto apresento a papeleta do estacionamento afirmo que irei pegar o dinheiro em minha carteira que se encontra no carro. Depois de verificar várias vezes e não encontrá-la, olho desconfiado para o manobrista e identifico um inocente que me encara. Procuro-a novamente e a encontro entre os dois bancos dianteiros.
No fim da tarde vou pegar uma máquina fotográfica digital que minha filha esquecera numa lanchonete. Faz quinze dias que a recepcionista afirma que vai entregá-la e sempre posterga a devolução. Como sempre, muito desconfiado, porém preparado para um ato inusitado em nosso País, entrego à minha filha uma velha digital em completo desuso para dar-lhe em retribuição à sua honestidade. Estou preparado para dois eventos: o frustrante, em que ela simplesmente diria que a máquina estava com ela para ser entregue e, infelizmente, fora roubada; ou ela devolver a câmera e "agarrar" a retribuição por sua honestidade. Como minha filha estava demorando, quase tinha certeza que a primeira hipótese seria a verdadeira. Depois de algum tempo, lá aparece ela sorrindo com a máquina devolvida em suas mãos. Explicou-me a demora: "a moça não queria receber de jeito nenhum nosso presente. Tive que insistir, e muito, para que ela aceitasse. O único pedido seu é que enviássemos a ela duas fotos que tirara com o namorado e que se encontram no arquivo da máquina devolvida! "Daros
Desenvolvi, faz muitos anos, algumas regras que me poupam de frustrações e sentimentos de indignação e, até mesmo, de ira. Um pouco de YOGA e muita psicanálise me ajudaram nisso. Uma das regras é não criar expectativas fora da realidade. Ao contrário, ser um pouco pessimista. Dessa forma, aumento a probabilidade de ter mais alegrias e menos frustrações. Por exemplo, após um exame médico acompanhado de análises laboratoriais, penso que se algo ruím for detectado, o resultado simplesmente retrata um estado real existente antes do exame. Em outras palavras, ele traz à tona dados e informações de alguma doença escondida que agora poderá ser combatida com mais eficácia. Outro exemplo: se vou receber resposta à alguma solicitação que me traga benefícios, avalio o mais objetivamente possível a situação, de maneira a não criar expectativas irrealizáveis e aceitar a influência negativa de fatores imponderáveis. Na Cidade de São Paulo procuro evitar o estresse de dirigir em ambiente agressivo e cansativo, transformando o congestionamento em oportunidade de ouvir rádio ou música. E as dificuldades em estacionar próximo a meu destino, como oportunidade de caminhar e exercitar-me. Se o tempo é curto, prevejo que vou chegar atrasado ao encontro ou reunião, avisando com antecedência a pessoa ou pessoas com quem tenho compromisso. Sair bem mais cedo e usar o tempo de espera nos encontros para leitura de algo interessante é a saída mais educada. Essa, contudo, ainda não consegui por em prática rotineiramente. Hoje fui surpreendido por três situações imprevistas agradáveis
Dirigi-me ao setor financeiro da Prefeitura Municipal para regularizar uma situação que criei por descuido. Ao invés de pagar a parcela do IPTU vencida no mês, paguei duas vezes a do mês anterior. Conseqüentemente, a parcela paga duas vezes apareceu como "paga" simplesmente e a outra como "não paga". Como o imóvel está no nome de minha esposa, dirigi-me à repartição para que eu fosse orientado sobre como resolver o assunto, já que perdera o registro bancário que provaria que paguei duas vezes a primeira parcela. Já estava preparado para um rol de pedidos de documentos e declarações registrados em cartório quando o funcionário me surpreendeu com a seguinte frase: "vou evitar que o senhor tenha de voltar aqui novamente". Somente pediu-me o RG para anotar no recibo da parcela "não paga" que se tornaria "paga" com o estorno dos recursos sobrantes da primeira parcela paga duplamente. Aí surge um problema inesperado. Minha carteira não estava comigo. Fiquei atônito procurando-a, não mais para mostrar-lhe o RG mas para me assegurar que não a perdera. No meio da confusão criada, ele perguntou simplesmento meu nome e o número do RG e entregou-me uma senha para pegar o recibo da parcela agora "paga" em outro guichê. Resolvi rapida e inesperadamente o assunto que fora pedir simples orientação para outro dia voltar com um saco de documentos. Agora, tentava me concentrar para explicar o fato de não ter a carteira comigo. Finalmente, concluí com segurança razoável - já que a absoluta somente nos cria expectativas que podem ser frustradas - que a carteira ficara no carro. Vem-me à mente, porém, que se lá ficou o manobrista do estacionamento já a afanara. Quanto apresento a papeleta do estacionamento afirmo que irei pegar o dinheiro em minha carteira que se encontra no carro. Depois de verificar várias vezes e não encontrá-la, olho desconfiado para o manobrista e identifico um inocente que me encara. Procuro-a novamente e a encontro entre os dois bancos dianteiros.
No fim da tarde vou pegar uma máquina fotográfica digital que minha filha esquecera numa lanchonete. Faz quinze dias que a recepcionista afirma que vai entregá-la e sempre posterga a devolução. Como sempre, muito desconfiado, porém preparado para um ato inusitado em nosso País, entrego à minha filha uma velha digital em completo desuso para dar-lhe em retribuição à sua honestidade. Estou preparado para dois eventos: o frustrante, em que ela simplesmente diria que a máquina estava com ela para ser entregue e, infelizmente, fora roubada; ou ela devolver a câmera e "agarrar" a retribuição por sua honestidade. Como minha filha estava demorando, quase tinha certeza que a primeira hipótese seria a verdadeira. Depois de algum tempo, lá aparece ela sorrindo com a máquina devolvida em suas mãos. Explicou-me a demora: "a moça não queria receber de jeito nenhum nosso presente. Tive que insistir, e muito, para que ela aceitasse. O único pedido seu é que enviássemos a ela duas fotos que tirara com o namorado e que se encontram no arquivo da máquina devolvida! "Daros
Saturday, September 06, 2008
VENDA DE VEÍCULO E MULTAS
Há alguns anos atrás fui surpreendido com o fato de que na venda de veículos o reconhecimento de firma deveria ser por "autenticidade" , isto é, você e a pessoa envolvidos na transação têm necessariamente de estar presentes no cartório para ter as assinaturas reconhecidas. Depois de vender um Ford Rural a uma senhora cearense e ter assinado o CRV fui surpreendido, no dia seguinte, com sua solicitação para comparecer urgente ao Cartório e reconhecer minha assinatura já que ela estava de passagem marcada para Fortaleza dali a algumas horas. Sem estar presente minha firma não seria reconhecida por autenticidade.
No início de agosto passado, vendi um carro e já sabendo disso compareci com o comprador no cartório e assinamos o documento CRV - Certificado de Registro de Veículos na frente do tabelião. Sem mesmo pedir, ele me forneceu ( e cobrou..) uma cópia autenticada do CRV de transferência preenchido para que eu a enviasse ao DETRAN. Preocupado com eventuais multas de infrações cometidas após a venda elaborara, por minha conta, uma Declaração assinada por mim e pelo comprador que ambos assumiam o compromisso de pagar as multas pelas infrações incorridas antes da venda - no caso eu - e depois da venda - ele, comprador. Preocupei-me de colocar a hora nessa deckaração, já que tanto eu como ele poderíamos ter cometido infração nesse dia, pois no CRV consta simplesmente que o vendedor se exime de responsabilidade "a partir da data acima", ou seja, a partir do dia seguinte da venda. No próprio dia o comprador, se for meu inimigo, pode praticar infrações de todo tipo que eu serei o responsável por elas. Em nota com letras miúdas está escrito que cabe ao comprador fazer "a imediata transferência de registro do veículo para seu nome" . Por outro lado, afirma que essa mesma transferência "poderá ser comunicada pelo vendedor". Atarefado como sempre, não me preocupei em comunicar a transferência ao DETRAN. Em menos de quinze dias recebi três notificações de multas, com meu nome nelas. Achei que bastaria devolvê-las ao DETRAN junto com a cópia de autorização de transferência do CRV que recebera do Tabelião. Já no DETRAN me informaram que teria de fazer a entrega no protocolo. Ali me orientaram que para protocolar deveria me dirigir a informações no primeiro andar do prédio da frente para solicitar duas vias das guias de encaminhamento da comunicação da venda e preenche-las. Fui e peguei as duas vias cujo título é Sistema de Comunicação de Venda de Veículos. Eram umas vinte e cinco perguntas sobre mim, o veículo e o vendedor, quase todas constantes da cópia do CRV que não foi aceito sem esse documento de encaminhamento. As perguntas que não constavam do CRV, relativas ao veículo e ao vendedor, não pude responde-las, obviamente. Por exemplo, o número do Chassi e o bairro e CEP do comprador. Como as duas guias são iguais e não havia papel carbono entre elas, tive de copiar tudo de novo na segunda guia. Voltei ao protocolo para entregar a cópia do CRV, agora com as guias de encaminhamento. Já eram 16:30 e o expediente se encerra às 17:00 horas. Lá chegando, fui surpreendido por mais uma exigência: xerox do meu RG. Tive de sair quase correndo, pois o único xerox é do dono de uma banca de jornal que fica em frente ao DSV. Esse serviço existe alí faz muitas décadas. A fila era grande; então resolvi usar meu direito de furar fila por ser idoso e tirei o xerox na frente de todo mundo. Finalmente, retornei ao protocolo pouco antes das 17:00 e recebi a segunda via da guia de encaminhamento carimbada. Retornei em seguida para saber se isso me eximiria de pagar as multas que vieram em meu nome, porém resultantes de infrações cometidas após a data da venda do veículo. A atendente me respondeu: " todas as multas resultantes de infrações cometidas após a data de hoje o senhor não terá obrigação de pagar."....."Haja coração", pensei eu. Saí sem insistir no fato de que no CRV consta claramente que o vendedor se exime de responsabilidade por infrações cometidas após a data da venda e não como a atendente me informou. Registro aqui em meu BLOG esta chatice toda porque nossa população sem curso superior e pós-graduação como eu, jamais teria o tempo disponível, tampouco a habilidade de descrever em minúcias as "pedras e irracionalidades" que a burocracia sem controle semeia pelo nosso caminho, torturando-nos continuamente. Daros
Há alguns anos atrás fui surpreendido com o fato de que na venda de veículos o reconhecimento de firma deveria ser por "autenticidade" , isto é, você e a pessoa envolvidos na transação têm necessariamente de estar presentes no cartório para ter as assinaturas reconhecidas. Depois de vender um Ford Rural a uma senhora cearense e ter assinado o CRV fui surpreendido, no dia seguinte, com sua solicitação para comparecer urgente ao Cartório e reconhecer minha assinatura já que ela estava de passagem marcada para Fortaleza dali a algumas horas. Sem estar presente minha firma não seria reconhecida por autenticidade.
No início de agosto passado, vendi um carro e já sabendo disso compareci com o comprador no cartório e assinamos o documento CRV - Certificado de Registro de Veículos na frente do tabelião. Sem mesmo pedir, ele me forneceu ( e cobrou..) uma cópia autenticada do CRV de transferência preenchido para que eu a enviasse ao DETRAN. Preocupado com eventuais multas de infrações cometidas após a venda elaborara, por minha conta, uma Declaração assinada por mim e pelo comprador que ambos assumiam o compromisso de pagar as multas pelas infrações incorridas antes da venda - no caso eu - e depois da venda - ele, comprador. Preocupei-me de colocar a hora nessa deckaração, já que tanto eu como ele poderíamos ter cometido infração nesse dia, pois no CRV consta simplesmente que o vendedor se exime de responsabilidade "a partir da data acima", ou seja, a partir do dia seguinte da venda. No próprio dia o comprador, se for meu inimigo, pode praticar infrações de todo tipo que eu serei o responsável por elas. Em nota com letras miúdas está escrito que cabe ao comprador fazer "a imediata transferência de registro do veículo para seu nome" . Por outro lado, afirma que essa mesma transferência "poderá ser comunicada pelo vendedor". Atarefado como sempre, não me preocupei em comunicar a transferência ao DETRAN. Em menos de quinze dias recebi três notificações de multas, com meu nome nelas. Achei que bastaria devolvê-las ao DETRAN junto com a cópia de autorização de transferência do CRV que recebera do Tabelião. Já no DETRAN me informaram que teria de fazer a entrega no protocolo. Ali me orientaram que para protocolar deveria me dirigir a informações no primeiro andar do prédio da frente para solicitar duas vias das guias de encaminhamento da comunicação da venda e preenche-las. Fui e peguei as duas vias cujo título é Sistema de Comunicação de Venda de Veículos. Eram umas vinte e cinco perguntas sobre mim, o veículo e o vendedor, quase todas constantes da cópia do CRV que não foi aceito sem esse documento de encaminhamento. As perguntas que não constavam do CRV, relativas ao veículo e ao vendedor, não pude responde-las, obviamente. Por exemplo, o número do Chassi e o bairro e CEP do comprador. Como as duas guias são iguais e não havia papel carbono entre elas, tive de copiar tudo de novo na segunda guia. Voltei ao protocolo para entregar a cópia do CRV, agora com as guias de encaminhamento. Já eram 16:30 e o expediente se encerra às 17:00 horas. Lá chegando, fui surpreendido por mais uma exigência: xerox do meu RG. Tive de sair quase correndo, pois o único xerox é do dono de uma banca de jornal que fica em frente ao DSV. Esse serviço existe alí faz muitas décadas. A fila era grande; então resolvi usar meu direito de furar fila por ser idoso e tirei o xerox na frente de todo mundo. Finalmente, retornei ao protocolo pouco antes das 17:00 e recebi a segunda via da guia de encaminhamento carimbada. Retornei em seguida para saber se isso me eximiria de pagar as multas que vieram em meu nome, porém resultantes de infrações cometidas após a data da venda do veículo. A atendente me respondeu: " todas as multas resultantes de infrações cometidas após a data de hoje o senhor não terá obrigação de pagar."....."Haja coração", pensei eu. Saí sem insistir no fato de que no CRV consta claramente que o vendedor se exime de responsabilidade por infrações cometidas após a data da venda e não como a atendente me informou. Registro aqui em meu BLOG esta chatice toda porque nossa população sem curso superior e pós-graduação como eu, jamais teria o tempo disponível, tampouco a habilidade de descrever em minúcias as "pedras e irracionalidades" que a burocracia sem controle semeia pelo nosso caminho, torturando-nos continuamente. Daros
Sunday, August 31, 2008
LEVEMENTE PARANÓICO
Ontem à noite lembrei-me de Allan Abouchar que desenvolvia estudos e pesquisas sobre transportes no Brasil em decorrência de convênio entre o Ministério do Planejamento e a Universidade da Califórnia, na qual era professor. Nessa época, eu era o economista-chefe do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes - GEIPOT, recem criado no Rio. Queixava-se ele de ter pago uma exorbitância para consertarem um vazamento surgido no imóvel que ocupava. Depois de explicar-me rapidamente o defeito, concordei com ele que o preço cobrado pelo bombeiro (encanador, em S. Paulo e no sul) fora muito alto. Disse-lhe que a única forma de ele não ser explorado no Brasil seria desenvolver uma leve paranóia do tipo "em compras, acertos de prestação de serviço (em todos os níveis, infelizmente...), em qualquer transação, enfim, deve-se sempre desconfiar e pensar que se está sendo logrado" . Em suma, para se adaptar a nosso ambiente, ele deveria desenvolver uma "leve paranóia persecutória" . Não sei se por predisposição genética ou cultural esse viés psicológico tem me protegido também no espaço público contra assaltos. Contudo, isso pode nos levar a erros grosseiros de avaliação como me aconteceu ontem. Dirigi-me a uma das grandes farmácias que operam em cadeia e solicitei um medicamento genérico de determinado produto em cuja receita constava, além do nome comercial, a identificação química da droga. O farmacêutico voltou e disse: " não tem". Perguntei-lhe se existia o genérico e ele respondeu-me: "sim. Mas faz anos que não recebemos mais" Conversamos, então, sobre o assunto, tendo eu encaminhado a conversa para eventual sabotagem do fabricante que teria feito acordo com o produtor do original, relativamente caro, dividindo entre eles o lucro excedente do monopólio daquela fórmula química. Saí da farmácia e, desconfiado, passei por outra onde se confirmou a existência do genérico pela metade do preço. Todavia, no momento, não dispunha em estoque. Informou-me o nome do laboratório que o fabrica. É uma multinacional francesa muito conhecida. Descobri, em seguida, que o que comprara pelo dobro do preço, também pertencia a um laboratório francês meu desconhecido. Dali, até a próxima farmácia, no caminho de retorno a pé para minha casa, comecei a engendrar um acordo entre os dois laboratórios franceses visando a explorar o pobre e ignorante consumidor brasileiro. Entrei na terceira dograria e lá encontrei o genérico. Decidi voltar ao local em que comprara pelo dobro do preço e no caminho desliguei o sistema paranóico e perguntei-me qual era meu objetivo ? Respondi mentalmente: "Receber o que paguei para comprar na última farmácia visitada, ganhando um valor razoável." Entrei e polidamente disse: "consegui o genérico pela metade do preço que paguei aqui por esse produto. Desejo devolvê-lo". Afinal, consegui economizar e andar um pouco mais do que previra, o que me faz muito bem. Abandonei a idéia de acordo entre multinacionais. O viés paranóico funcionou, mas precisa de controle. Daros
Ontem à noite lembrei-me de Allan Abouchar que desenvolvia estudos e pesquisas sobre transportes no Brasil em decorrência de convênio entre o Ministério do Planejamento e a Universidade da Califórnia, na qual era professor. Nessa época, eu era o economista-chefe do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes - GEIPOT, recem criado no Rio. Queixava-se ele de ter pago uma exorbitância para consertarem um vazamento surgido no imóvel que ocupava. Depois de explicar-me rapidamente o defeito, concordei com ele que o preço cobrado pelo bombeiro (encanador, em S. Paulo e no sul) fora muito alto. Disse-lhe que a única forma de ele não ser explorado no Brasil seria desenvolver uma leve paranóia do tipo "em compras, acertos de prestação de serviço (em todos os níveis, infelizmente...), em qualquer transação, enfim, deve-se sempre desconfiar e pensar que se está sendo logrado" . Em suma, para se adaptar a nosso ambiente, ele deveria desenvolver uma "leve paranóia persecutória" . Não sei se por predisposição genética ou cultural esse viés psicológico tem me protegido também no espaço público contra assaltos. Contudo, isso pode nos levar a erros grosseiros de avaliação como me aconteceu ontem. Dirigi-me a uma das grandes farmácias que operam em cadeia e solicitei um medicamento genérico de determinado produto em cuja receita constava, além do nome comercial, a identificação química da droga. O farmacêutico voltou e disse: " não tem". Perguntei-lhe se existia o genérico e ele respondeu-me: "sim. Mas faz anos que não recebemos mais" Conversamos, então, sobre o assunto, tendo eu encaminhado a conversa para eventual sabotagem do fabricante que teria feito acordo com o produtor do original, relativamente caro, dividindo entre eles o lucro excedente do monopólio daquela fórmula química. Saí da farmácia e, desconfiado, passei por outra onde se confirmou a existência do genérico pela metade do preço. Todavia, no momento, não dispunha em estoque. Informou-me o nome do laboratório que o fabrica. É uma multinacional francesa muito conhecida. Descobri, em seguida, que o que comprara pelo dobro do preço, também pertencia a um laboratório francês meu desconhecido. Dali, até a próxima farmácia, no caminho de retorno a pé para minha casa, comecei a engendrar um acordo entre os dois laboratórios franceses visando a explorar o pobre e ignorante consumidor brasileiro. Entrei na terceira dograria e lá encontrei o genérico. Decidi voltar ao local em que comprara pelo dobro do preço e no caminho desliguei o sistema paranóico e perguntei-me qual era meu objetivo ? Respondi mentalmente: "Receber o que paguei para comprar na última farmácia visitada, ganhando um valor razoável." Entrei e polidamente disse: "consegui o genérico pela metade do preço que paguei aqui por esse produto. Desejo devolvê-lo". Afinal, consegui economizar e andar um pouco mais do que previra, o que me faz muito bem. Abandonei a idéia de acordo entre multinacionais. O viés paranóico funcionou, mas precisa de controle. Daros
Saturday, August 30, 2008
RESPEITO À ORIGEM DO BLOG
PS Visite o Relógio de Estimativa da População Mundial em http://www.netlingo.com/more/poptick.html e reveja sua escala de valores enquanto ainda há tempo.
Sunday, December 16, 2007
ELETROPAULO
Para quem não sabe, trata-se da empresa concessionária de distribuição de energia elétrica na Cidade de São Paulo. Nos últimos dias, tenho me submetido a diálogos estressantes sobre o que devo fazer para que seja religada a luz em pequeno imóvel comercial de nossa propriedade que se encontra vazio a espera de inquilino interessado nele.Como nossas caixas de correspondência se transformaram em depósito de propagandas comerciais, ficam entupidas de papel e mal deixam espaço para o recebimento de correspondência relevante, como são as contas de luz e água, por exemplo. Resultado: as contas de luz de dois meses seguidos foram extraviadas e a ELETROPAULO seguiu sua rotina: cortou a eletricidade do imóvel, desligando os fios de entrada no poste externo.
Paguei as contas atrasadas e liguei para a empresa informando a respeito na expectativa de que sua rotina fosse semelhante a da Telefônica que confia no cliente e providencia a religação mediante simples informação verbal de que a conta foi paga. No caso da ELTROPAULO tomei conhecimento de uma rotina que ignora todos os meios modernos de comunicação e não confia em seu cliente. Senão vejamos: existem dois tipos de religações: o urgente, a ser feito no máximo em quatro horas, e o de 24 horas. O primeiro custa pouco mais de R$ 5,00; e o segundo, R$ 30,00. Após ter escolhido o mais barato, já que não tenho urgência, fui informado que deveria ficar de plantão na casa com a última conta paga na mão para mostrar aos funcionários encarregados da religação. Rebelei-me, afirmando que não faria isso, pois ninguém tem 24 horas disponíveis continuamente para isso. Informou-se, então, que o prazo seria de 24 horas e não minha permanência no imóvel. Respirei aliviado, pois imaginava que seriam somente 8 horas de expediente comercial. Surpreendi-me que o horário de prontidão seria das 8 da manhã até às 22 horas, sem intervalo. Havia uma outra possibilidade: dirigir-me a uma das 4 agências da ELETROPAULO, com a conta na mão e pedir a religação. Quanto a definir se a religação seria pela manhã, pela tarde ou à noite, mesmo que fosse à agência, não haveria como fazê-lo a não ser se pagasse o serviço especial de urgência.
Finalmente, o atendente abriu-me uma porta: pedir a um vizinho que atendesse a equipe da empresa. Como não conheço vizinhos, pensei em solicitar ao atendente de uma loja próxima que permanece no local das 8 às 12 e, a tarde, das 14 às 18 horas. A probabilidade da equipe chegar nesse horário seria grande e, caso isso não acontecesse, eu estaria disposto a lá permanecer das 18 às 22 horas. Liguei para o serviço de religaçào no dia seguinte, já que conseguira conversar com o rapaz, tendo ele concordado em me fazer esse favor. Insisti novamente na irracionalidade da rotina, pois há fax para se enviar cópia de conta paga. Surpreendi-me, então, com sua resposta: “pode sim enviar um fax” e deu-me o número que o receberia. Aliviado, pensei que não mais precisaria de pessoa lá de plantão, já que a religação é externa. Aí fui surpreendido com nova justificativa. Para desligar isso é possível. Para religar, não, pois há risco de curto circuito e o Serviço de Corpo de Bombeiros exige presença de alguém no local. Disse-lhe que mandaria fax de carta assinada afirmando que desligaria a chave geral e me responsabilizaria por isso. Não houve jeito. Já no final da conversa alertou-me, ainda, para que o imóvel fosse aberto para a equipe fazer a leitura do relógio. Ou seja, deveria deixar a chave com o rapaz indicado, caso fosse impossível ler o relógio do lado de fora. Fui até o imóvel, depois de feita a solicitação de religaçào e confirmei que a leitura podia ser feita de fora. Não obstante, deixei um papel pregado à Caixa de Entrada com os números da leitura. Finalmente, dirigi-me ao rapaz e confirmei a necessidade dele mostrar a última conta aos funcinários da ELETROPAULO. Para que não houvesse nenhuma dúvida, deixei anotado meu telefone, com o 9090 precedendo meu número para que fosse a cobrar. Saí do local às 10:40. Retornei às 18:30 horas e lá encontrei uma fita impressa colada na porta de entrada afirmando que a equipe de religação estivera ali às 11:42 e encontrou o imóvel fechado. Irritado, liguei para o serviço de religação que depois de um ritual de números para identificar o assunto em seus arquivos, informou-me que realmente a equipe estivera lá as 14:20. Deixando de lado a discrepância dos horários, perguntei-lhe porque o imóvel teria de estar aberto. Respondeu-me que se trata de um impresso. O que a equipe quis dizer é que não havia ninguém no local para mostrar a conta paga. Disse-lhe que isso era sabido, pois deixara o número do imóvel próximo em que a pessoa que estava com a conta se encontrava. Perguntou-me se queria solicitar novamente a religação. Quase estourando de raiva lhe disse que no início da próxima semana tentaria novamente, já que não conseguira falar com o rapaz para confirmar se ele se encontrava na loja no horário em que a equipe esteve lá: 11:42, segundo a fita impressa na porta, e 14: 20, segundo os dados da central da ELETROPAULO. HAJA PACIÊNCIA MINHA GENTE.
Wednesday, July 18, 2007
O MAIOR DESASTRE AÉREO DO BRASIL
UM MORTICÍNIO CULPOSO
E. J. Daros
Pode-se afirmar, sem dúvida, que as duas centenas de pessoas que morreram ontem com a batida e incêndio de avião da TAM em seu próprio prédio na Avenida Washington Luís, após derrapar na pista do Aeroporto de Congonhas ao lado, não foram vítimas de terroristas, de assassinos, de piloto ou passageiro suicida ou de psicopata livre atirador a bordo do avião. Também, pode-se dizer que não se trata de acidente, isto é, de desastre resultante de circunstâncias imprevisíveis sobre as quais não temos controle.
Assim como nas mortes causadas em nossas rodovias pode-se agrupar os fatores responsáveis por elas, em três categorias: nós humanos que conduzimos, ocupamos e estamos perto da aeronave; a própria aeronave; a infra-estrutura aérea, envolvendo as pistas, a sinalização e seus controles, bem como as aerovias e também seus controles. Não devemos esquecer, contudo, o que não se considera, ou pouco se fala, a cultura nacional que envolve tudo isso. Nossos valores e maneiras de viver e ser que estão presentes, em maior ou menor medida, na qualidade da segurança em que se formam ou produzem, organizam-se e operam as três categorias acima referidas. Obviamente, na produção da aeronave pouco é nossa influência cultural, salvo em certas escolhas que o próprio fornecedor permite que se façam. Mesmo nelas, a presença de nossa cultura aparece na manutenção e, principalmente, na operação das aeronaves. Ainda que os padrões de segurança na aviação civil estejam se tornando cada vez mais padronizados internacionalmente, a margem de influência da cultura nacional é muito grande.
Depois do desastre, vão ser pesquisadas suas causas cientificamente, pois mesmo que fosse um acidente, isto é, fenômeno decorrente de causas imprevisíveis, a imprevisibilidade desaparece e dá lugar aos fatores que realmente o causaram, isolada ou combinadamente. No Brasil há uma tendência de se exagerar na responsabilidade do chamado fator humano. Se um carro derrapa e tomba, e não ficar bem claro que a velocidade do veículo estava de acordo com a regulamentada; que as ranhuras de seus pneus eram o suficientemente profundas; que as condições climáticas eram boas; somente então se examina com mais rigor a condição da via. Não é por acaso que a maioria dos acidentes no Brasil é atribuída a falhas humanas, até por que em muitos casos o condutor morto não tem condições de se defender.
Na Suécia se adotou a política de ZERO mortes em acidentes de trânsito. O fato de o condutor errar não deve simplesmente tranqüilizar as autoridades de trânsito ao ter um culpado pelo acidente, como se tudo decorresse somente de seu erro. Ao contrário. O objetivo dessa política é compensar os erros do condutor por meio de medidas de segurança na via e no veículo que possam impedir a perda de vidas. A aviação civil persegue esse objetivo e, seguramente, serviu de inspiração para a política adotada na Suécia.
O ocorrido ontem nos parece mais um morticínio culposo que propriamente um acidente. Senão vejamos. Há décadas se fala na inadequação da localização do Aeroporto de Congonhas. Pressões de todos os lados, porém, defenderam e defendem sua permanência e, o que é pior ainda, sua ampliação. Governos Municipal, Estadual e Federal ora se estranham entre si, ora se harmonizam, na grande empreitada de modernização de CONGONHAS. A aviação executiva considera-o imprescindível e a elite empresarial sempre apoiou e exigiu um Congonhas ali no meio do tecido urbano para atender suas necessidades. “Afinal, toda cidade moderna e de características mundiais como São Paulo tem de ter seu aeroporto central”, fala grosso a elite paulistana. Mais recentemente, devido aos congestionamentos e aos riscos de banditismo em nosso meio urbano, essa mesma elite tornou-se responsável pelos vôos de helicópteros que invadem o espaço aéreo da cidade, produzindo poluição sonora e colocando em risco sua população. Nós passageiros temos ojeriza por Guarulhos. E temos razão para isso. Demasiado tempo de acesso por falta de transporte público rápido e barato como nas grandes cidades do mundo. Até o ônibus executivo mantido pelo governo estadual é dispendioso. Sairia mais barato dividir uma corrida de táxi ao velho estilo do lotação. É proibido, porém.
Somente os moradores próximos odeiam o aeroporto cujo barulho afeta toda a população da região e da própria cidade nas rotas de aproximação. O que se pode dizer do Aeroporto de Congonhas é que tudo contribui para sua insegurança face ao tráfego aéreo nele permitido. Já que os aviões são seguros, considerando que sua manutenção é vigiada pelos próprios fabricantes para evitar dúvidas sobre isso, pesa sobre os ombros do piloto e co-piloto e de controladores de vôo, toda a responsabilidade para corrigir a insegurança quase sempre presente em Congonhas. Há poucos dias derraparam várias aeronaves. Liberou-se a pista principal sem estar terminada. Permitem-se pousos e decolagens acima do limite ideal de segurança. Desrespeita-se a lei de silêncio, prejudicando a população da região onde moram, também, velhos, doentes, bebês e crianças em idade escolar. Permite-se a presença de posto de gasolina e de material altamente inflamável a poucos metros das pistas do aeroporto. Liberou-se a construção de prédios para atender as necessidades da aviação executiva na área do próprio aeroporto. Uma rápida visita a essa área e a suas cercanias colocaria o cabelo de especialistas em segurança aérea em pé.
Pode-se afirmar que autoridades municipais, estaduais, federais e amplos segmentos da sociedade civil organizada na Cidade de São Paulo, imersos em nossa cultura fatalista garantidora de que somente se morre quando Deus determina, são responsáveis pela matança de ontem. Trata-se de um morticínio culposo que nos envergonha perante a comunidade internacional civilizada. Vamos aguardar os resultados da investigação sobre as causas do desastre previsível e anunciado por muitos. Infelizmente, nesse caso específico a previsão foi mais segura que a do tempo feita pelos meteorologistas.
FIM
UM MORTICÍNIO CULPOSO
E. J. Daros
Pode-se afirmar, sem dúvida, que as duas centenas de pessoas que morreram ontem com a batida e incêndio de avião da TAM em seu próprio prédio na Avenida Washington Luís, após derrapar na pista do Aeroporto de Congonhas ao lado, não foram vítimas de terroristas, de assassinos, de piloto ou passageiro suicida ou de psicopata livre atirador a bordo do avião. Também, pode-se dizer que não se trata de acidente, isto é, de desastre resultante de circunstâncias imprevisíveis sobre as quais não temos controle.
Assim como nas mortes causadas em nossas rodovias pode-se agrupar os fatores responsáveis por elas, em três categorias: nós humanos que conduzimos, ocupamos e estamos perto da aeronave; a própria aeronave; a infra-estrutura aérea, envolvendo as pistas, a sinalização e seus controles, bem como as aerovias e também seus controles. Não devemos esquecer, contudo, o que não se considera, ou pouco se fala, a cultura nacional que envolve tudo isso. Nossos valores e maneiras de viver e ser que estão presentes, em maior ou menor medida, na qualidade da segurança em que se formam ou produzem, organizam-se e operam as três categorias acima referidas. Obviamente, na produção da aeronave pouco é nossa influência cultural, salvo em certas escolhas que o próprio fornecedor permite que se façam. Mesmo nelas, a presença de nossa cultura aparece na manutenção e, principalmente, na operação das aeronaves. Ainda que os padrões de segurança na aviação civil estejam se tornando cada vez mais padronizados internacionalmente, a margem de influência da cultura nacional é muito grande.
Depois do desastre, vão ser pesquisadas suas causas cientificamente, pois mesmo que fosse um acidente, isto é, fenômeno decorrente de causas imprevisíveis, a imprevisibilidade desaparece e dá lugar aos fatores que realmente o causaram, isolada ou combinadamente. No Brasil há uma tendência de se exagerar na responsabilidade do chamado fator humano. Se um carro derrapa e tomba, e não ficar bem claro que a velocidade do veículo estava de acordo com a regulamentada; que as ranhuras de seus pneus eram o suficientemente profundas; que as condições climáticas eram boas; somente então se examina com mais rigor a condição da via. Não é por acaso que a maioria dos acidentes no Brasil é atribuída a falhas humanas, até por que em muitos casos o condutor morto não tem condições de se defender.
Na Suécia se adotou a política de ZERO mortes em acidentes de trânsito. O fato de o condutor errar não deve simplesmente tranqüilizar as autoridades de trânsito ao ter um culpado pelo acidente, como se tudo decorresse somente de seu erro. Ao contrário. O objetivo dessa política é compensar os erros do condutor por meio de medidas de segurança na via e no veículo que possam impedir a perda de vidas. A aviação civil persegue esse objetivo e, seguramente, serviu de inspiração para a política adotada na Suécia.
O ocorrido ontem nos parece mais um morticínio culposo que propriamente um acidente. Senão vejamos. Há décadas se fala na inadequação da localização do Aeroporto de Congonhas. Pressões de todos os lados, porém, defenderam e defendem sua permanência e, o que é pior ainda, sua ampliação. Governos Municipal, Estadual e Federal ora se estranham entre si, ora se harmonizam, na grande empreitada de modernização de CONGONHAS. A aviação executiva considera-o imprescindível e a elite empresarial sempre apoiou e exigiu um Congonhas ali no meio do tecido urbano para atender suas necessidades. “Afinal, toda cidade moderna e de características mundiais como São Paulo tem de ter seu aeroporto central”, fala grosso a elite paulistana. Mais recentemente, devido aos congestionamentos e aos riscos de banditismo em nosso meio urbano, essa mesma elite tornou-se responsável pelos vôos de helicópteros que invadem o espaço aéreo da cidade, produzindo poluição sonora e colocando em risco sua população. Nós passageiros temos ojeriza por Guarulhos. E temos razão para isso. Demasiado tempo de acesso por falta de transporte público rápido e barato como nas grandes cidades do mundo. Até o ônibus executivo mantido pelo governo estadual é dispendioso. Sairia mais barato dividir uma corrida de táxi ao velho estilo do lotação. É proibido, porém.
Somente os moradores próximos odeiam o aeroporto cujo barulho afeta toda a população da região e da própria cidade nas rotas de aproximação. O que se pode dizer do Aeroporto de Congonhas é que tudo contribui para sua insegurança face ao tráfego aéreo nele permitido. Já que os aviões são seguros, considerando que sua manutenção é vigiada pelos próprios fabricantes para evitar dúvidas sobre isso, pesa sobre os ombros do piloto e co-piloto e de controladores de vôo, toda a responsabilidade para corrigir a insegurança quase sempre presente em Congonhas. Há poucos dias derraparam várias aeronaves. Liberou-se a pista principal sem estar terminada. Permitem-se pousos e decolagens acima do limite ideal de segurança. Desrespeita-se a lei de silêncio, prejudicando a população da região onde moram, também, velhos, doentes, bebês e crianças em idade escolar. Permite-se a presença de posto de gasolina e de material altamente inflamável a poucos metros das pistas do aeroporto. Liberou-se a construção de prédios para atender as necessidades da aviação executiva na área do próprio aeroporto. Uma rápida visita a essa área e a suas cercanias colocaria o cabelo de especialistas em segurança aérea em pé.
Pode-se afirmar que autoridades municipais, estaduais, federais e amplos segmentos da sociedade civil organizada na Cidade de São Paulo, imersos em nossa cultura fatalista garantidora de que somente se morre quando Deus determina, são responsáveis pela matança de ontem. Trata-se de um morticínio culposo que nos envergonha perante a comunidade internacional civilizada. Vamos aguardar os resultados da investigação sobre as causas do desastre previsível e anunciado por muitos. Infelizmente, nesse caso específico a previsão foi mais segura que a do tempo feita pelos meteorologistas.
FIM
Friday, March 23, 2007
ATO PACÍFICO
Li hoje a seguinte notícia, publicada em Jornal do Paraná:
"Estudantes pedem passe livre na capital
por Ligia Martoni [23/03/2007]
Estudantes dos colégios Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná e Hildebrando de Araújo participaram ontem, em Curitiba, de um ato realizado simultaneamente em cinco capitais do País pedindo o passe livre. A reivindicação gerou transtorno com a ocupação da canaleta do biarticulado sentido norte-sul na Avenida João Gualberto, em frente ao Colégio Estadual do Paraná, obstruindo a passagem dos ônibus por cerca de 40 minutos. Os manifestantes interditaram também o cruzamento com a Avenida Luiz Leão, atrapalhando o trânsito no local. Apesar do transtorno, não houve maiores tumultos e ninguém saiu ferido. Segundo o primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes) no Paraná, Rafael Clabonde, o movimento - que reuniu estudantes também na Praça Rui Barbosa - tinha por objetivo pressionar o poder público para a gratuidade da passagem de ônibus. “Foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, resumiu Rafael.
Em frente ao Colégio Estadual, o clima ficou um pouco tenso depois que a Patrulha Escolar exigiu a remoção do carro de som que os estudantes usariam para organizar o movimento. “Pretendíamos fazer um ato simbólico como desfecho, como pular a catraca, mas sem o som tivemos dificuldade em mobilizar o pessoal”, contou o estudante. Após uma hora de mobilização, por volta das 8h30, os manifestantes foram para as salas de aula.
Ônibus
Para protestar pelo passe livre, os estudantes impediram a passagem dos biarticulados Santa Cândida - Capão Raso das 7h50 às 8h30, ocasionando congestionamento nos tubos da linha em ambos os sentidos. Quem precisou do transporte teve de ter paciência para esperar o reforço enviado pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e encarar veículos lotados. A Urbs tentou sanar o problema, enviando dez ônibus que iriam recolher para a canaleta norte-sul, desviando o local onde os estudantes estavam. Aos poucos, os tubos foram sendo descongestionados.
Já na Praça Rui Barbosa a manifestação foi mais branda e durou cerca de vinte minutos. A assessoria da Urbs informou que a Prefeitura já oferece como benefício a meia tarifa a estudantes de baixa renda. Somente no ano passado, a companhia atendeu a 25.727 alunos. "
É muito difícil se considerar séria a afirmação do líder estudantil Rafael de que “foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, Basta se ler a reportagem para se ter uma idéia da violência praticada impunemente contra a população curitibana. Além disso, os estudantes de baixa renda já recebem o benefício de pagar meia tarifa. É interessante se constatar que somente 25.727, repito somente 25.727, beneficiam-se desse subsídio. Por que somente esse número numa metrópole que já tem mais de 2 milhões de habitantes? Seguramente porque a maioria dos estudantes pertence a famílias que têm renda suficiente para pagar as tarifas inteiras. Ao tornar a passagem gratuita, como já se faz com os idosos, pobres ou ricos, além de se estar subsidiando pessoas com renda familiar suficiente para pagar as tarifas cobradas, está-se desviando recursos da Prefeitura Municipal de projetos e programas socialmente mais urgentes. Sem falar em onerar os demais usuários quando a prefeitura decide não subsidiar os serviços, gerando todo tipo de dirtorções e problemas para o transporte público. Infelizmente, continuamos a pensar que os recursos públicos vêm do céu. Como dizia um Ministro da Alemanha, quando a população pressionava o governo para obter mais e mais programas sociais gratuitos: “o povo alemão pensa que o governo é uma vaca que se alimenta no céu e solta seu leite na terra”. Ou educamos e alimentamos bem as novas gerações ou vamos gerar clima para manifestações desse tipo em todos os segmentos da sociedade que pensam em "tirar leite da viúva, custe o que custar" .
FIM
Li hoje a seguinte notícia, publicada em Jornal do Paraná:
"Estudantes pedem passe livre na capital
por Ligia Martoni [23/03/2007]
Estudantes dos colégios Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná e Hildebrando de Araújo participaram ontem, em Curitiba, de um ato realizado simultaneamente em cinco capitais do País pedindo o passe livre. A reivindicação gerou transtorno com a ocupação da canaleta do biarticulado sentido norte-sul na Avenida João Gualberto, em frente ao Colégio Estadual do Paraná, obstruindo a passagem dos ônibus por cerca de 40 minutos. Os manifestantes interditaram também o cruzamento com a Avenida Luiz Leão, atrapalhando o trânsito no local. Apesar do transtorno, não houve maiores tumultos e ninguém saiu ferido. Segundo o primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes) no Paraná, Rafael Clabonde, o movimento - que reuniu estudantes também na Praça Rui Barbosa - tinha por objetivo pressionar o poder público para a gratuidade da passagem de ônibus. “Foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, resumiu Rafael.
Em frente ao Colégio Estadual, o clima ficou um pouco tenso depois que a Patrulha Escolar exigiu a remoção do carro de som que os estudantes usariam para organizar o movimento. “Pretendíamos fazer um ato simbólico como desfecho, como pular a catraca, mas sem o som tivemos dificuldade em mobilizar o pessoal”, contou o estudante. Após uma hora de mobilização, por volta das 8h30, os manifestantes foram para as salas de aula.
Ônibus
Para protestar pelo passe livre, os estudantes impediram a passagem dos biarticulados Santa Cândida - Capão Raso das 7h50 às 8h30, ocasionando congestionamento nos tubos da linha em ambos os sentidos. Quem precisou do transporte teve de ter paciência para esperar o reforço enviado pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e encarar veículos lotados. A Urbs tentou sanar o problema, enviando dez ônibus que iriam recolher para a canaleta norte-sul, desviando o local onde os estudantes estavam. Aos poucos, os tubos foram sendo descongestionados.
Já na Praça Rui Barbosa a manifestação foi mais branda e durou cerca de vinte minutos. A assessoria da Urbs informou que a Prefeitura já oferece como benefício a meia tarifa a estudantes de baixa renda. Somente no ano passado, a companhia atendeu a 25.727 alunos. "
É muito difícil se considerar séria a afirmação do líder estudantil Rafael de que “foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, Basta se ler a reportagem para se ter uma idéia da violência praticada impunemente contra a população curitibana. Além disso, os estudantes de baixa renda já recebem o benefício de pagar meia tarifa. É interessante se constatar que somente 25.727, repito somente 25.727, beneficiam-se desse subsídio. Por que somente esse número numa metrópole que já tem mais de 2 milhões de habitantes? Seguramente porque a maioria dos estudantes pertence a famílias que têm renda suficiente para pagar as tarifas inteiras. Ao tornar a passagem gratuita, como já se faz com os idosos, pobres ou ricos, além de se estar subsidiando pessoas com renda familiar suficiente para pagar as tarifas cobradas, está-se desviando recursos da Prefeitura Municipal de projetos e programas socialmente mais urgentes. Sem falar em onerar os demais usuários quando a prefeitura decide não subsidiar os serviços, gerando todo tipo de dirtorções e problemas para o transporte público. Infelizmente, continuamos a pensar que os recursos públicos vêm do céu. Como dizia um Ministro da Alemanha, quando a população pressionava o governo para obter mais e mais programas sociais gratuitos: “o povo alemão pensa que o governo é uma vaca que se alimenta no céu e solta seu leite na terra”. Ou educamos e alimentamos bem as novas gerações ou vamos gerar clima para manifestações desse tipo em todos os segmentos da sociedade que pensam em "tirar leite da viúva, custe o que custar" .
FIM
Friday, March 09, 2007
POBRES ALUNOS
O tema sobre alunos de escolas públicas tendo aulas em salas de lata foi objeto de intensa discussão política nas últimas eleições para Prefeito da Cidade de São Paulo. Pouco se falou, porém, se o volume mínimo (m3) de espaço por aluno era suficiente para garantir adequada renovação e circulação de ar; tampouco sobre ruídos excessivos; falta de espaço para atividades esportivas; riscos de trânsito no local. Enfim, ignorou-se o ambiente escolar. Mesmo em escolas privadas consideradas de alto padrão, encontram-se aberrações em suas instalações resultantes de adaptações mal feitas em antigas residências e edifícios. Em muitas delas, por exemplo, os alunos estão sendo seriamente penalizados neste verão. Não seria o caso de se fiscalizar também o ambiente escolar, seja ele público ou privado, além de se aferir a qualidade de ensino? É nossa obrigação moral proteger crianças, adolescentes e jovens - de todas classes sociais - de situações estressantes e nocivas a sua saúde, especialmente em nossas escolas. Se o governo não tem vistas para isso, os pais que abram seus olhos!
O tema sobre alunos de escolas públicas tendo aulas em salas de lata foi objeto de intensa discussão política nas últimas eleições para Prefeito da Cidade de São Paulo. Pouco se falou, porém, se o volume mínimo (m3) de espaço por aluno era suficiente para garantir adequada renovação e circulação de ar; tampouco sobre ruídos excessivos; falta de espaço para atividades esportivas; riscos de trânsito no local. Enfim, ignorou-se o ambiente escolar. Mesmo em escolas privadas consideradas de alto padrão, encontram-se aberrações em suas instalações resultantes de adaptações mal feitas em antigas residências e edifícios. Em muitas delas, por exemplo, os alunos estão sendo seriamente penalizados neste verão. Não seria o caso de se fiscalizar também o ambiente escolar, seja ele público ou privado, além de se aferir a qualidade de ensino? É nossa obrigação moral proteger crianças, adolescentes e jovens - de todas classes sociais - de situações estressantes e nocivas a sua saúde, especialmente em nossas escolas. Se o governo não tem vistas para isso, os pais que abram seus olhos!
Sunday, February 04, 2007
TELEFONES PÚBLICOS
Ninguém de sã consciência nega que houve melhoria extraordinária nos serviços de telefonia, após sua privatização. Infelizmente, o processo de privatização não se resume simplesmente a conceder os serviços ao setor privado. A regulamentação, a fiscalização dos serviços e o monitoramento do mercado são essenciais para garantir serviços sempre melhores e a preços competitivos. A economia de mercado não funciona bem sem a presença reguladora do Estado e de consumidores instruídos, isto é, capazes de fazer escolhas inteligentes do binômio preço-qualidade e, principalmente, daquilo que realmente necessitam, sem se deixar influenciar por propagandas mistificadoras. O baixo nível e a falta de objetividade de nosso sistema de ensino, torna os brasileiros presa fácil de novidades. Com certo exagero, imagino que as expressões fisionômicas de jovens ao usar seus celulares devam ser semelhantes a dos índios quando receberam espelhinhos dos colonizadores portugueses cinco séculos atrás. A intensa propaganda, associada a ofertas com complexas combinações de serviços e pagamentos, tumultuaram o mercado da telefonia celular. O ônus disso ao consumidor aparece nas elevadas somas gastas pela classe média. As classes sociais de renda baixa sofreram, também, com os altos custos do uso do celular. Hoje, somente o usam para receber chamadas e fazê-las em casos excepcionais, utilizando o sistema de pagamento pré-pago que lhes garante limite aos gastos nesses serviços. A falta de serviços de telefones públicos que funcionem bem afeta a classe média que é obrigada a usar o celular continuamente quando está fora da residência. São os pobres, porém, que sentem mais essa deficiência. Simplesmente não se comunicam como gostariam de fazê-lo. A ANATEL deveria avaliar e monitorar a relação econômica entre as prestadoras de serviços e os consumidores de serviços de telefonia celular, proporcionando-lhes dados e informações úteis para fazer escolhas corretas.
As empresas concessionárias argumentam que têm sérias dificuldades em manter telefones públicos em nossas cidades. Realmente, é facilmente constatável a depredação desses aparelhos. Outras instalações de uso público também são depredadas, como por exemplo, as Caixas Eletrônicas do sistema bancário. Infelizmente, as características sociais e culturais de nosso povo transformaram nossos espaços públicos em terra de ninguém. É impossível ao sistema policial manter serviços de vigilância que garantam o respeito a equipamentos e instalações de uso público. As praças públicas vão sendo cercadas; e as instalações privadas de uso público vão se adequando à realidade, oferecendo, por exemplo, os serviços de caixa eletrônico em postos de gasolina, supermercados, shopping centers e em locais que exista vigilância contínua. As empresas telefônicas deveriam buscar soluções semelhantes com a ajuda dos governos municipais que regulam as atividades comerciais e de serviços na cidade. Os supermercados e shopping centers poderiam dispô-los em maior número e melhor distribuídos em suas instalações. As bancas de jornais, abrigá-los dentro delas, também, Assim como bares, restaurantes, postos de gasolina, pontos de táxi, e toda e qualquer atividade de prestação de serviços e de comércio. Não adianta nada a existência de telefones públicos em lugares ermos que não funcionam. Hoje, em caso de emergência, sempre existe o celular para substituir o serviço público. O que se necessita, agora, são de telefones de fácil acesso em locais públicos visando a substituir o uso do celular e reduzir os custos da comunicação para a classe média e, especialmente, para os pobres. As concessionárias de serviços de telefonia celular não têm interesse nisso. O que será que a ANATEL tem a dizer sobre isso?
Ninguém de sã consciência nega que houve melhoria extraordinária nos serviços de telefonia, após sua privatização. Infelizmente, o processo de privatização não se resume simplesmente a conceder os serviços ao setor privado. A regulamentação, a fiscalização dos serviços e o monitoramento do mercado são essenciais para garantir serviços sempre melhores e a preços competitivos. A economia de mercado não funciona bem sem a presença reguladora do Estado e de consumidores instruídos, isto é, capazes de fazer escolhas inteligentes do binômio preço-qualidade e, principalmente, daquilo que realmente necessitam, sem se deixar influenciar por propagandas mistificadoras. O baixo nível e a falta de objetividade de nosso sistema de ensino, torna os brasileiros presa fácil de novidades. Com certo exagero, imagino que as expressões fisionômicas de jovens ao usar seus celulares devam ser semelhantes a dos índios quando receberam espelhinhos dos colonizadores portugueses cinco séculos atrás. A intensa propaganda, associada a ofertas com complexas combinações de serviços e pagamentos, tumultuaram o mercado da telefonia celular. O ônus disso ao consumidor aparece nas elevadas somas gastas pela classe média. As classes sociais de renda baixa sofreram, também, com os altos custos do uso do celular. Hoje, somente o usam para receber chamadas e fazê-las em casos excepcionais, utilizando o sistema de pagamento pré-pago que lhes garante limite aos gastos nesses serviços. A falta de serviços de telefones públicos que funcionem bem afeta a classe média que é obrigada a usar o celular continuamente quando está fora da residência. São os pobres, porém, que sentem mais essa deficiência. Simplesmente não se comunicam como gostariam de fazê-lo. A ANATEL deveria avaliar e monitorar a relação econômica entre as prestadoras de serviços e os consumidores de serviços de telefonia celular, proporcionando-lhes dados e informações úteis para fazer escolhas corretas.
As empresas concessionárias argumentam que têm sérias dificuldades em manter telefones públicos em nossas cidades. Realmente, é facilmente constatável a depredação desses aparelhos. Outras instalações de uso público também são depredadas, como por exemplo, as Caixas Eletrônicas do sistema bancário. Infelizmente, as características sociais e culturais de nosso povo transformaram nossos espaços públicos em terra de ninguém. É impossível ao sistema policial manter serviços de vigilância que garantam o respeito a equipamentos e instalações de uso público. As praças públicas vão sendo cercadas; e as instalações privadas de uso público vão se adequando à realidade, oferecendo, por exemplo, os serviços de caixa eletrônico em postos de gasolina, supermercados, shopping centers e em locais que exista vigilância contínua. As empresas telefônicas deveriam buscar soluções semelhantes com a ajuda dos governos municipais que regulam as atividades comerciais e de serviços na cidade. Os supermercados e shopping centers poderiam dispô-los em maior número e melhor distribuídos em suas instalações. As bancas de jornais, abrigá-los dentro delas, também, Assim como bares, restaurantes, postos de gasolina, pontos de táxi, e toda e qualquer atividade de prestação de serviços e de comércio. Não adianta nada a existência de telefones públicos em lugares ermos que não funcionam. Hoje, em caso de emergência, sempre existe o celular para substituir o serviço público. O que se necessita, agora, são de telefones de fácil acesso em locais públicos visando a substituir o uso do celular e reduzir os custos da comunicação para a classe média e, especialmente, para os pobres. As concessionárias de serviços de telefonia celular não têm interesse nisso. O que será que a ANATEL tem a dizer sobre isso?
Sunday, January 28, 2007
TELEFÔNICA
Costumo ouvir o Diário da Manhã na Rádio Cultura. Sou obrigado a desligar o aparelho todas as vezes que é apresentada a propaganda institucional da Telefônica sobre seu programa social voltado a crianças e adolescentes, tal a chatice e a longa duração da música e de suas letras repetitivamente apresentadas. Deixo de ouvir boa música e entrevistas interessantes por conta disso. A única diferença com a horrorosa propaganda eleitoral gratuita é que a Telefônica paga o longo tempo utilizado à Rádio Cultura. Muita propaganda, faz-me lembrar da infância em que uma galinha pequena, que também punha ovos minúsculos, cacarejava mais forte e longamente que as outras, despertando risos e chacotas de minha família. Quem sabe algum deputado apresente projeto de lei limitando os gastos em propaganda. No caso de programas sociais, por exemplo, seria estabelecido um percentual máximo do total gasto nesses programas.
Disseram-me que a Companhia Telefônica de São Paulo-TELESP brilha no campeonato de reclamações de usuários de serviços, ocupando o primeiro lugar. No último dia 24, os péssimos serviços dessa empresa estragaram-me o dia. Pela manhã fui ao centro da cidade a fim de comprar um carregador de bateria para meu celular. Aproveitei, também, para pesquisar preços sobre compressores caseiros para pintura. Depois de visitar várias lojas na Florêncio de Abreu, decidi comprá-lo ali mesmo; não antes, porém, de comparar seu preço com o da Le Roy Merlin. Como a bateria do celular estava descarregada, tive de buscar um orelhão para essa consulta telefônica. Comprei um cartão eletrônico com 50 unidades. Após discar várias vezes o serviço de informações gratuito 102, muito ocupado naquele momento, consegui completar a ligação e responder às perguntas de praxe de fita gravada: “telefone comercial ou residencial? etc.”. Foi-me fornecido o número do telefone da MERLIN. Coloquei meu cartão numa ranhura estreita, engendrada para testar nossa paciência. Depois de algumas tentativas frustradas, virando o cartão de um lado para o outro, vibrei com o surgimento do número 50 que me habilitava a comunicar-me. Após toques e mais toques sem resposta ouvi o irritante som de linha ocupada. Tentei novamente e ouvi a surrada e antipática voz gravada: “esse telefone não existe” . Liguei novamente o 102 e consegui um outro número. Colocava o cartão de todos os jeitos possíveis e nada conseguia. Mais algumas tentativas e, finalmente, o aparelho aceitou meu cartão. Antes mesmo do telefone ser atendido, se é que ia ser mesmo, os números que indicavam o crédito do cartão caíram rapidamente de 50 para 49 e 48. Retirei o cartão antes que meu crédito fosse consumido. Desisti dessa ligação para a empresa Le Roy Merlin e segui pelo viaduto Santa Ifigênia em busca do carregador de bateria. Lá entrei numa loja cujo vendedor pegou meu celular e tentou enfiar um pino que não entrava no local previsto para o encaixe. Tirei-lhe da mão o aparelho e retornei para a Florêncio de Abreu, completamente abatido.
Dado o avançado da hora, decidi ligar para minha casa e novamente enfrento um conjunto de três orelhões justapostos dos quais somente um funcionava. Felizmente, meu cartão foi aceito na primeira tentativa, pois apareceu o número 47. O que não esperava é após discar o número ouvir aquela maldita voz dizendo-me: “esse telefone não existe”. Como era o telefone de minha própria residência, pensei que discara o número errado e tentei novamente, pressionando com muita atenção e esmero cada numero. Ao final, ouvi outra vez: “esse telefone não existe” .
Comentei o fato com alguém que esperava a vez para usar o telefone público e, para surpresa minha, numa demonstração de paciência e gentileza, recomendou-me para insistir mais uma vez. Dessa vez o telefone “inexistente” começou a tocar e minha esposa atendeu. Mal comecei a conversar, a ligação caiu. Irritado, ou melhor, irado, voltei à banca de jornal onde comprei o cartão e quis devolvê-lo. Apercebi-me logo do ridículo e limitei-me a perguntar à vendedora a origem do cartão. Informou-me que eram fornecidos diretamente pela Telefônica. - “O senhor foi azarado pois o aparelho que usou deve ser daqueles que comem cartão” , disse-me com a maior naturalidade. Para um estrangeiro, tal explicação soaria como fantasia de uma vendedora acometida de crise mental. Um surto psicótico. Para mim, brasileiro dos velhos tempos, veio à mente lembranças de experiências do passado quando se usavam fichas metálicas ao invés de cartões eletrônicos. Quantas vezes pude constatar a “gula“ dos aparelhos que as engoliam sem dar a chance de se falar. E, em outras ocasiões, sem ficha na mão, dava-se pancadas no aparelho e era-se premiado, como nas atuais máquinas de jogos eletrônicos, com uma enxurrada de fichas devolvidas.
Contei à minha filha mais velha o que acontecera comigo naquela manhã. Ela confortou-me dizendo que isso ocorre com todo mundo. E que “a melhor propaganda da responsabilidade social da Companhia Telefônica seria oferecer bons serviços a seus usuários e não ficar alardeando sua ação social junto a adolescentes e crianças, com aquelas musiquinhas chatérrimas “, disse-me ela. O que será que a ANATEL acha de tudo isso? Será que ali também nada se vê, se sabe ou se escuta?
Costumo ouvir o Diário da Manhã na Rádio Cultura. Sou obrigado a desligar o aparelho todas as vezes que é apresentada a propaganda institucional da Telefônica sobre seu programa social voltado a crianças e adolescentes, tal a chatice e a longa duração da música e de suas letras repetitivamente apresentadas. Deixo de ouvir boa música e entrevistas interessantes por conta disso. A única diferença com a horrorosa propaganda eleitoral gratuita é que a Telefônica paga o longo tempo utilizado à Rádio Cultura. Muita propaganda, faz-me lembrar da infância em que uma galinha pequena, que também punha ovos minúsculos, cacarejava mais forte e longamente que as outras, despertando risos e chacotas de minha família. Quem sabe algum deputado apresente projeto de lei limitando os gastos em propaganda. No caso de programas sociais, por exemplo, seria estabelecido um percentual máximo do total gasto nesses programas.
Disseram-me que a Companhia Telefônica de São Paulo-TELESP brilha no campeonato de reclamações de usuários de serviços, ocupando o primeiro lugar. No último dia 24, os péssimos serviços dessa empresa estragaram-me o dia. Pela manhã fui ao centro da cidade a fim de comprar um carregador de bateria para meu celular. Aproveitei, também, para pesquisar preços sobre compressores caseiros para pintura. Depois de visitar várias lojas na Florêncio de Abreu, decidi comprá-lo ali mesmo; não antes, porém, de comparar seu preço com o da Le Roy Merlin. Como a bateria do celular estava descarregada, tive de buscar um orelhão para essa consulta telefônica. Comprei um cartão eletrônico com 50 unidades. Após discar várias vezes o serviço de informações gratuito 102, muito ocupado naquele momento, consegui completar a ligação e responder às perguntas de praxe de fita gravada: “telefone comercial ou residencial? etc.”. Foi-me fornecido o número do telefone da MERLIN. Coloquei meu cartão numa ranhura estreita, engendrada para testar nossa paciência. Depois de algumas tentativas frustradas, virando o cartão de um lado para o outro, vibrei com o surgimento do número 50 que me habilitava a comunicar-me. Após toques e mais toques sem resposta ouvi o irritante som de linha ocupada. Tentei novamente e ouvi a surrada e antipática voz gravada: “esse telefone não existe” . Liguei novamente o 102 e consegui um outro número. Colocava o cartão de todos os jeitos possíveis e nada conseguia. Mais algumas tentativas e, finalmente, o aparelho aceitou meu cartão. Antes mesmo do telefone ser atendido, se é que ia ser mesmo, os números que indicavam o crédito do cartão caíram rapidamente de 50 para 49 e 48. Retirei o cartão antes que meu crédito fosse consumido. Desisti dessa ligação para a empresa Le Roy Merlin e segui pelo viaduto Santa Ifigênia em busca do carregador de bateria. Lá entrei numa loja cujo vendedor pegou meu celular e tentou enfiar um pino que não entrava no local previsto para o encaixe. Tirei-lhe da mão o aparelho e retornei para a Florêncio de Abreu, completamente abatido.
Dado o avançado da hora, decidi ligar para minha casa e novamente enfrento um conjunto de três orelhões justapostos dos quais somente um funcionava. Felizmente, meu cartão foi aceito na primeira tentativa, pois apareceu o número 47. O que não esperava é após discar o número ouvir aquela maldita voz dizendo-me: “esse telefone não existe”. Como era o telefone de minha própria residência, pensei que discara o número errado e tentei novamente, pressionando com muita atenção e esmero cada numero. Ao final, ouvi outra vez: “esse telefone não existe” .
Comentei o fato com alguém que esperava a vez para usar o telefone público e, para surpresa minha, numa demonstração de paciência e gentileza, recomendou-me para insistir mais uma vez. Dessa vez o telefone “inexistente” começou a tocar e minha esposa atendeu. Mal comecei a conversar, a ligação caiu. Irritado, ou melhor, irado, voltei à banca de jornal onde comprei o cartão e quis devolvê-lo. Apercebi-me logo do ridículo e limitei-me a perguntar à vendedora a origem do cartão. Informou-me que eram fornecidos diretamente pela Telefônica. - “O senhor foi azarado pois o aparelho que usou deve ser daqueles que comem cartão” , disse-me com a maior naturalidade. Para um estrangeiro, tal explicação soaria como fantasia de uma vendedora acometida de crise mental. Um surto psicótico. Para mim, brasileiro dos velhos tempos, veio à mente lembranças de experiências do passado quando se usavam fichas metálicas ao invés de cartões eletrônicos. Quantas vezes pude constatar a “gula“ dos aparelhos que as engoliam sem dar a chance de se falar. E, em outras ocasiões, sem ficha na mão, dava-se pancadas no aparelho e era-se premiado, como nas atuais máquinas de jogos eletrônicos, com uma enxurrada de fichas devolvidas.
Contei à minha filha mais velha o que acontecera comigo naquela manhã. Ela confortou-me dizendo que isso ocorre com todo mundo. E que “a melhor propaganda da responsabilidade social da Companhia Telefônica seria oferecer bons serviços a seus usuários e não ficar alardeando sua ação social junto a adolescentes e crianças, com aquelas musiquinhas chatérrimas “, disse-me ela. O que será que a ANATEL acha de tudo isso? Será que ali também nada se vê, se sabe ou se escuta?
Friday, January 12, 2007
ACIDENTE EM CONSTRUÇÃO DO METRÔ EM SÃO PAULO
Lembro-me das intensas discussões havidas após o acidente ocorrido na via elevada Paulo de Frontin durante sua construção no Rio de Janeiro, em 1.971. O vão de uns 20-30 metros simplesmente caiu numa rua que o cruzava, destruindo e matando os que se encontravam ali naquele momento. Coincidentemente, passara naquele local, algumas horas antes, daí a marca deixada em minha memória. Naquela época eu era presidente da empresa Transplan-Engenharia e Planejamento de Transportes depois de ter vivido uma extraordinária experiência de trabalho: participei da criação do GEIPOT, em 1964-65, e fui seu economista-chefe até meados de 1.969. Nesse qüinqüênio foram desenvolvidos planos diretores de transportes e definidas políticas nacionais que envolviam aspectos de engenharia, economia e gestão. O Banco Mundial estava profunda e amplamente envolvido nesse processo de modernização dos transportes brasileiros.
"Licitações, somente após ter sido concluído o projeto executivo, que deveria ser o suficientemente detalhado para garantir qualidade às estimativas de custos e às propostas técnicas de execução das empreiteiras”; “ Supervisão da execução do projeto pela própria projetista para evitar descontinuidade de responsabilidade em relação ao projeto aprovado. Alterações no projeto original somente poderiam ser propostas pela projetista às autoridades públicas e o suficientemente justificadas as razões delas”; “Empreiteiras, obviamente, não poderiam ter participação na propriedade e/ou gestão das projetistas das obras a que concorriam”; “As faturas de execução das diferentes etapas das obras teriam de ser aprovadas pela supervisão da empresa projetista, autora do projeto original”. Esses eram alguns dos princípios que deveriam nortear a gestão do desenvolvimento da infra-estrutura de transportes em nosso País. Lembro-me de empreiteira brasileira ter-se revoltado pelo não pagamento de uma fatura sua de grande valor porque não conseguira a aprovação das obras relativas ao sistema que daria sustentação aos taludes de cortes e aterros feitos. Exagerava-se que pela falta de grama (não de grana!) a fatura ficou presa, com a clara intenção de desmoralizar o processo de modernização da gestão pública.
No caso do vão que caiu houve descontinuidade no processo de projetar, executar e supervisionar a execução da obra. No velho estilo brasileiro, a fiscalização pública aceitava mudanças no projeto original sem o consentimento da projetista, normalmente desligada do processo de construção a partir da licitação. Tampouco o projeto executivo que dera origem à licitação era o suficientemente detalhado para evitar contínuas dúvidas alimentadas pelas empreiteiras junto aos órgãos públicos fiscalizadores. Muitas delas válidas, e outras tantas não, pois seu objetivo era o de conduzir a soluções que melhor atendessem a seus interesses comerciais. Quais foram os resultados práticos de sindicâncias e investigações havidas, simplesmente os desconheço, tal a confusão legal e administrativa gerada após o acidente.
O desabamento de parte de futura Estação do Metrô de São Paulo junto à Marginal do Rio Pinheiros, hoje, 12 de janeiro de 2.007, 36 anos após o acidente no Paulo de Frontin, vai por à prova se o processo de concepção, projetação, execução e supervisão da obra do metrô de São Paulo respeitou os princípios supracitados que garantem a continuidade de autoridade e responsabilidade no processo de construção de obras públicas.
Lembro-me das intensas discussões havidas após o acidente ocorrido na via elevada Paulo de Frontin durante sua construção no Rio de Janeiro, em 1.971. O vão de uns 20-30 metros simplesmente caiu numa rua que o cruzava, destruindo e matando os que se encontravam ali naquele momento. Coincidentemente, passara naquele local, algumas horas antes, daí a marca deixada em minha memória. Naquela época eu era presidente da empresa Transplan-Engenharia e Planejamento de Transportes depois de ter vivido uma extraordinária experiência de trabalho: participei da criação do GEIPOT, em 1964-65, e fui seu economista-chefe até meados de 1.969. Nesse qüinqüênio foram desenvolvidos planos diretores de transportes e definidas políticas nacionais que envolviam aspectos de engenharia, economia e gestão. O Banco Mundial estava profunda e amplamente envolvido nesse processo de modernização dos transportes brasileiros.
"Licitações, somente após ter sido concluído o projeto executivo, que deveria ser o suficientemente detalhado para garantir qualidade às estimativas de custos e às propostas técnicas de execução das empreiteiras”; “ Supervisão da execução do projeto pela própria projetista para evitar descontinuidade de responsabilidade em relação ao projeto aprovado. Alterações no projeto original somente poderiam ser propostas pela projetista às autoridades públicas e o suficientemente justificadas as razões delas”; “Empreiteiras, obviamente, não poderiam ter participação na propriedade e/ou gestão das projetistas das obras a que concorriam”; “As faturas de execução das diferentes etapas das obras teriam de ser aprovadas pela supervisão da empresa projetista, autora do projeto original”. Esses eram alguns dos princípios que deveriam nortear a gestão do desenvolvimento da infra-estrutura de transportes em nosso País. Lembro-me de empreiteira brasileira ter-se revoltado pelo não pagamento de uma fatura sua de grande valor porque não conseguira a aprovação das obras relativas ao sistema que daria sustentação aos taludes de cortes e aterros feitos. Exagerava-se que pela falta de grama (não de grana!) a fatura ficou presa, com a clara intenção de desmoralizar o processo de modernização da gestão pública.
No caso do vão que caiu houve descontinuidade no processo de projetar, executar e supervisionar a execução da obra. No velho estilo brasileiro, a fiscalização pública aceitava mudanças no projeto original sem o consentimento da projetista, normalmente desligada do processo de construção a partir da licitação. Tampouco o projeto executivo que dera origem à licitação era o suficientemente detalhado para evitar contínuas dúvidas alimentadas pelas empreiteiras junto aos órgãos públicos fiscalizadores. Muitas delas válidas, e outras tantas não, pois seu objetivo era o de conduzir a soluções que melhor atendessem a seus interesses comerciais. Quais foram os resultados práticos de sindicâncias e investigações havidas, simplesmente os desconheço, tal a confusão legal e administrativa gerada após o acidente.
O desabamento de parte de futura Estação do Metrô de São Paulo junto à Marginal do Rio Pinheiros, hoje, 12 de janeiro de 2.007, 36 anos após o acidente no Paulo de Frontin, vai por à prova se o processo de concepção, projetação, execução e supervisão da obra do metrô de São Paulo respeitou os princípios supracitados que garantem a continuidade de autoridade e responsabilidade no processo de construção de obras públicas.
Friday, December 22, 2006
“Nenhum Privilégio”
Graças à mídia e à repulsa da sociedade não se efetivou o aumento inoportuno da remuneração de nossos congressistas, tão desejada pela maioria deles. Após as acintosas absolvições dos envolvidos em escândalos de corrupção, a população brasileira não agüenta mais manobras feitas por políticos em benefício próprio. Hoje, pude ouvir de Ney Suassuna, ou alguém com sua voz, pois de onde estava não via as imagens da TV, sua crítica à idéia de se solicitar ao executivo transporte aéreo especial para os congressistas visando a poupá-los dos atrasos de vôos e confusões correlatas no Aeroporto de Brasília. Também pude ouvir o argumento de um político a favor dessa idéia que afirmou não se tratar de privilégio, já que se prevê a redução dos subsídios do congressista que se utilizar de avião do governo no mesmo valor da tarifa que seria paga à companhia comercial. Terminou dizendo que assim não haveria nenhum privilégio. O que irrita qualquer pessoa de raciocínio mediano é o descaramento e primarismo como nossos políticos argumentam em favor de seus privilégios, em que o maior deles é trabalhar poucos dias da semana. E quando o fazem, salvo as honrosas exceções que felizmente ainda existem, somente se dedicam a interesses pessoais e eleitoreiros. Para tristeza nossa, as duas alternativas que se apresentam para julgarmos o caráter do político defensor dessa proposta, tornam-no execrável em qualquer uma delas: a primeira, é que se trata de malandro que sabe bem o que é privilégio e tenta desviar a atenção para o pagamento da passagem; a segunda, é que se trata de pessoa de parco raciocínio, pois a simples leitura do significado de privilégio - “vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem...” – o levaria a pensar na população que sofre em nossos aeroportos em conseqüência da crise causada pela incompetência do Governo Federal e do Congresso Nacional. Além disso, do ponto de vista da segurança nacional não seria recomendável que congressistas lotassem vários aviões do governo, pois em caso de acidente com um deles o País poderia sofrer perdas irreparáveis. A população brasileira quer que nossos representantes trabalhem com afinco e competência; e por isso mesmo deseja que viajem com segurança. Feliz Natal e Próspero Ano Novo é o que desejamos a nossos congressistas, inclusive aos que esqueceram de seu papel na sociedade. Sempre é tempo de se redimir.
Graças à mídia e à repulsa da sociedade não se efetivou o aumento inoportuno da remuneração de nossos congressistas, tão desejada pela maioria deles. Após as acintosas absolvições dos envolvidos em escândalos de corrupção, a população brasileira não agüenta mais manobras feitas por políticos em benefício próprio. Hoje, pude ouvir de Ney Suassuna, ou alguém com sua voz, pois de onde estava não via as imagens da TV, sua crítica à idéia de se solicitar ao executivo transporte aéreo especial para os congressistas visando a poupá-los dos atrasos de vôos e confusões correlatas no Aeroporto de Brasília. Também pude ouvir o argumento de um político a favor dessa idéia que afirmou não se tratar de privilégio, já que se prevê a redução dos subsídios do congressista que se utilizar de avião do governo no mesmo valor da tarifa que seria paga à companhia comercial. Terminou dizendo que assim não haveria nenhum privilégio. O que irrita qualquer pessoa de raciocínio mediano é o descaramento e primarismo como nossos políticos argumentam em favor de seus privilégios, em que o maior deles é trabalhar poucos dias da semana. E quando o fazem, salvo as honrosas exceções que felizmente ainda existem, somente se dedicam a interesses pessoais e eleitoreiros. Para tristeza nossa, as duas alternativas que se apresentam para julgarmos o caráter do político defensor dessa proposta, tornam-no execrável em qualquer uma delas: a primeira, é que se trata de malandro que sabe bem o que é privilégio e tenta desviar a atenção para o pagamento da passagem; a segunda, é que se trata de pessoa de parco raciocínio, pois a simples leitura do significado de privilégio - “vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem...” – o levaria a pensar na população que sofre em nossos aeroportos em conseqüência da crise causada pela incompetência do Governo Federal e do Congresso Nacional. Além disso, do ponto de vista da segurança nacional não seria recomendável que congressistas lotassem vários aviões do governo, pois em caso de acidente com um deles o País poderia sofrer perdas irreparáveis. A população brasileira quer que nossos representantes trabalhem com afinco e competência; e por isso mesmo deseja que viajem com segurança. Feliz Natal e Próspero Ano Novo é o que desejamos a nossos congressistas, inclusive aos que esqueceram de seu papel na sociedade. Sempre é tempo de se redimir.
Monday, December 18, 2006
JANELAS
Windows em inglês, revolucionou o sistema operacional de computação ao nos permitir trabalhar com vários sub-sistemas, mantendo-os abertos e prontos para atender a nossas necessidades. O espírito do WINDOWS, porém, não vinga na mente da elite de nosso País. Hoje, ao saber das vitórias de nossa juventude nos esportes e na música – para quem não sabe, Arnaldo Cohen, veio de Nova York para tocar com a orquestra de Heliópolis, formada por jovens dessa extensa favela paulistana – ao invés de me regozijar com os feitos, fiquei triste. Os esportes e a música têm sido as frestas que nossa sociedade monoliticamente ignorante deixa abertas para o desenvolvimento e expressão das crianças e jovens pobres. O ensino público fundamental continua enterrando talentos e frustrando expectativas ao invés de ser um instrumento de criação de oportunidades que aproveitem a energia e a criatividade da população em atividades produtivas e úteis, hoje perdidas nos meandros da ignorância, violência e sofrimento. A elite política não consegue destravar o país, simplesmente porque está mais preocupada com seus próprios interesses, sejam eles materiais ou de outra ordem, como por exemplo, salvar a pátria, sem esquecer de "cacarejar" por qualquer coisa boa que faça, o mais irrelevante que seja. Essa vaidade, ou carência afetiva, tem sido responsável pela atitude dos detentores do poder somente se cercarem de pessoas incompetentes e bajuladoras. Quem não se lembra da disputa sobre a paternidade do plano real? E das frases repetitivas do atual presidente de que “ nunca na história deste país......” Se o Presidente Lula amadureceu, e está mesmo interessado no bem de nossa população pobre, convide seu ex-correligionário Cristovam Buarque, ou alguém de sua envergadura, para ser o Ministro da Educação e dê-lhe apoio e sustentação política como o fez para Palocci e Meirelles em seu primeiro mandato. Escancare a janela da educação, afastando dela disputas político-partidárias ou ideológicas. E continue trabalhando, e muito, para que as demais que travam o desenvolvimento sustentado de nosso País também se abram. Encerre sua carreira política como estatista e se mantenha como tal; como reserva de sabedoria e discernimento para os momentos difíceis de nosso país. De políticos, politiqueiros e líderes populistas o Brasil está cheio. Faltam-nos estadistas.
Windows em inglês, revolucionou o sistema operacional de computação ao nos permitir trabalhar com vários sub-sistemas, mantendo-os abertos e prontos para atender a nossas necessidades. O espírito do WINDOWS, porém, não vinga na mente da elite de nosso País. Hoje, ao saber das vitórias de nossa juventude nos esportes e na música – para quem não sabe, Arnaldo Cohen, veio de Nova York para tocar com a orquestra de Heliópolis, formada por jovens dessa extensa favela paulistana – ao invés de me regozijar com os feitos, fiquei triste. Os esportes e a música têm sido as frestas que nossa sociedade monoliticamente ignorante deixa abertas para o desenvolvimento e expressão das crianças e jovens pobres. O ensino público fundamental continua enterrando talentos e frustrando expectativas ao invés de ser um instrumento de criação de oportunidades que aproveitem a energia e a criatividade da população em atividades produtivas e úteis, hoje perdidas nos meandros da ignorância, violência e sofrimento. A elite política não consegue destravar o país, simplesmente porque está mais preocupada com seus próprios interesses, sejam eles materiais ou de outra ordem, como por exemplo, salvar a pátria, sem esquecer de "cacarejar" por qualquer coisa boa que faça, o mais irrelevante que seja. Essa vaidade, ou carência afetiva, tem sido responsável pela atitude dos detentores do poder somente se cercarem de pessoas incompetentes e bajuladoras. Quem não se lembra da disputa sobre a paternidade do plano real? E das frases repetitivas do atual presidente de que “ nunca na história deste país......” Se o Presidente Lula amadureceu, e está mesmo interessado no bem de nossa população pobre, convide seu ex-correligionário Cristovam Buarque, ou alguém de sua envergadura, para ser o Ministro da Educação e dê-lhe apoio e sustentação política como o fez para Palocci e Meirelles em seu primeiro mandato. Escancare a janela da educação, afastando dela disputas político-partidárias ou ideológicas. E continue trabalhando, e muito, para que as demais que travam o desenvolvimento sustentado de nosso País também se abram. Encerre sua carreira política como estatista e se mantenha como tal; como reserva de sabedoria e discernimento para os momentos difíceis de nosso país. De políticos, politiqueiros e líderes populistas o Brasil está cheio. Faltam-nos estadistas.
Sunday, December 17, 2006
DETERMINAÇÃO
Todos nós sabemos do que se trata. E também já passamos por experiências em que ela nos faltou. Ontem, porém, pude avaliar, em termos físicos, isto é, de força, sua influência. Como não conseguia desatarraxar as uniões que prendiam uma bomba elétrica aos canos de entrada e saída de água comprei uma chave inglesa com 14” (cerca de 36 cm). Ao aplicá-la à união de 1” (2,54cm) preocupei-me em não usar todo o torque propiciado pelo longo braço da chave com medo de quebrar essa união. Além disso, na união de PVC marrom de 3”( 7,62cm) a chave não abria o suficiente e o trabalho teria de ser feito com minhas próprias mãos. Tentei várias vezes, inclusive colocando um pano para que elas não escorregassem no cano, e não consegui. Um detalhe: ora tentava girar a união de um lado, ora de outro, pois não tinha certeza de que lado ela desatarraxava. Com a ajuda de um encanador, retiramos o conjunto, soltando outra união mais acima, pois aquela ele também não conseguiu. Constatei, ainda, que o próprio encanador (pedreiro que sabe de tudo, na realidade!) não tinha certeza do lado certo para girar. Já na oficina em que deixei a bomba para consertar, expliquei ter levado um pedaço desnecessário de cano por não ter conseguido soltar a união que o prendia à bomba. Quem a recebeu, era um senhor mais idoso que eu. Riu e a retirou com facilidade. Disse-lhe que me julgava com pouca força nas mãos diante dele. Respondeu-me que me faltou determinação, pois não tinha certeza de que lado devia girar a união. Após me explicar como identificar o lado que gira – muito fácil de entender, aliás - afirmou que tinha certeza de que na próxima vez a desatarraxarei, pois teria a determinação necessária para fazê-lo. Em outras palavras, a dúvida é a maior inimiga da determinação.
Hoje ouço no rádio que o Internacional ganhou do Barcelona porque jogou com garra. E que faltou determinação no Barcelona, especialmente por parte de Ronaldinho Gaúcho. É surpreendente que um time de futebol milionário não possua em seu quadro psicólogos que sugerissem à direção do time a liberação de Ronaldinho Gaúcho do jogo de hoje. É óbvio que os jogadores conseguem se mobilizar para jogar com garra e buscar a vitória de seu time. Nesse caso, porém, é mais do que simples mudança de time. Trata-se do Internacional, time do Brasil, e do estado que lhe deu o cognome Ronaldinho Gaúcho. E mais: Ronaldinho Gaúcho jogou no Grêmio e viveu, ainda que por pouco tempo, a rivalidade com o Internacional. Como mobilizar, portanto, sua determinação, se seu coração estiver dividido? E, por isso, com dúvidas, mesmo que inconscientes, de que se o Barcelona derrotasse o Internacional devido a sua atuação seria ele o causador da tristeza e do abatimento de sua gente; justamente na região em que nasceu, cresceu e aprendeu a jogar futebol com a alegria que conquistou o mundo?
Todos nós sabemos do que se trata. E também já passamos por experiências em que ela nos faltou. Ontem, porém, pude avaliar, em termos físicos, isto é, de força, sua influência. Como não conseguia desatarraxar as uniões que prendiam uma bomba elétrica aos canos de entrada e saída de água comprei uma chave inglesa com 14” (cerca de 36 cm). Ao aplicá-la à união de 1” (2,54cm) preocupei-me em não usar todo o torque propiciado pelo longo braço da chave com medo de quebrar essa união. Além disso, na união de PVC marrom de 3”( 7,62cm) a chave não abria o suficiente e o trabalho teria de ser feito com minhas próprias mãos. Tentei várias vezes, inclusive colocando um pano para que elas não escorregassem no cano, e não consegui. Um detalhe: ora tentava girar a união de um lado, ora de outro, pois não tinha certeza de que lado ela desatarraxava. Com a ajuda de um encanador, retiramos o conjunto, soltando outra união mais acima, pois aquela ele também não conseguiu. Constatei, ainda, que o próprio encanador (pedreiro que sabe de tudo, na realidade!) não tinha certeza do lado certo para girar. Já na oficina em que deixei a bomba para consertar, expliquei ter levado um pedaço desnecessário de cano por não ter conseguido soltar a união que o prendia à bomba. Quem a recebeu, era um senhor mais idoso que eu. Riu e a retirou com facilidade. Disse-lhe que me julgava com pouca força nas mãos diante dele. Respondeu-me que me faltou determinação, pois não tinha certeza de que lado devia girar a união. Após me explicar como identificar o lado que gira – muito fácil de entender, aliás - afirmou que tinha certeza de que na próxima vez a desatarraxarei, pois teria a determinação necessária para fazê-lo. Em outras palavras, a dúvida é a maior inimiga da determinação.
Hoje ouço no rádio que o Internacional ganhou do Barcelona porque jogou com garra. E que faltou determinação no Barcelona, especialmente por parte de Ronaldinho Gaúcho. É surpreendente que um time de futebol milionário não possua em seu quadro psicólogos que sugerissem à direção do time a liberação de Ronaldinho Gaúcho do jogo de hoje. É óbvio que os jogadores conseguem se mobilizar para jogar com garra e buscar a vitória de seu time. Nesse caso, porém, é mais do que simples mudança de time. Trata-se do Internacional, time do Brasil, e do estado que lhe deu o cognome Ronaldinho Gaúcho. E mais: Ronaldinho Gaúcho jogou no Grêmio e viveu, ainda que por pouco tempo, a rivalidade com o Internacional. Como mobilizar, portanto, sua determinação, se seu coração estiver dividido? E, por isso, com dúvidas, mesmo que inconscientes, de que se o Barcelona derrotasse o Internacional devido a sua atuação seria ele o causador da tristeza e do abatimento de sua gente; justamente na região em que nasceu, cresceu e aprendeu a jogar futebol com a alegria que conquistou o mundo?
Sunday, December 10, 2006
DESGASTADO
Foi assim que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno se referiu ao equipamento de controle de vôo Cindacta 1, em entrevista que ouvi na quinta-feira última. Segundo notícia da Folha de São Paulo, publicada hoje “ ...o comandante chegou a admitir que o equipamento do Cindacta 1 estava "desgastado". Logo em seguida, ao ser questionado por um jornalista, voltou atrás. "Houve falha de comunicação, eu não quis dizer isso. Esse equipamento tem seis anos, tem características desgastadas, mas cumpre sua finalidade com segurança", afirmou. Confesso que me assustei, e com razão, pois em todas as definições sobre o termo no Dicionário Aurélio que podem se aplicar a equipamentos, trata-se de situação irreversível. Ou se troca, ou se corre riscos em função do nível de desgaste. Pode ser que o comandante Bueno cometeu um “lapsus linguae”, dando opinião técnica responsável contra a sua própria vontade; ou quis, conscientemente, afirmar o que pensava e, para não ser punido por seu superior, ironicamente se desdisse: ou, finalmente, ele é que está desgastado. Não o equipamento. É difícil aceitar que se referia a características desgastadas, quando poderia simplesmente dizer, o que todo mundo entenderia: características obsoletas.
Foi assim que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno se referiu ao equipamento de controle de vôo Cindacta 1, em entrevista que ouvi na quinta-feira última. Segundo notícia da Folha de São Paulo, publicada hoje “ ...o comandante chegou a admitir que o equipamento do Cindacta 1 estava "desgastado". Logo em seguida, ao ser questionado por um jornalista, voltou atrás. "Houve falha de comunicação, eu não quis dizer isso. Esse equipamento tem seis anos, tem características desgastadas, mas cumpre sua finalidade com segurança", afirmou. Confesso que me assustei, e com razão, pois em todas as definições sobre o termo no Dicionário Aurélio que podem se aplicar a equipamentos, trata-se de situação irreversível. Ou se troca, ou se corre riscos em função do nível de desgaste. Pode ser que o comandante Bueno cometeu um “lapsus linguae”, dando opinião técnica responsável contra a sua própria vontade; ou quis, conscientemente, afirmar o que pensava e, para não ser punido por seu superior, ironicamente se desdisse: ou, finalmente, ele é que está desgastado. Não o equipamento. É difícil aceitar que se referia a características desgastadas, quando poderia simplesmente dizer, o que todo mundo entenderia: características obsoletas.
Friday, November 24, 2006
Canadá busca mão-de-obra especializada no Paraná
Ligia Martoni de O Estado do Paraná
Imigrar para o Canadá pode ser mais fácil do que muita gente pensa. Segundo especialistas, o país tem um dos processos mais rápidos do mundo para recepção de estrangeiros qualificados e aptos a contribuir para o desenvolvimento da economia local. Além disso, está de olho nos brasileiros devido a sua facilidade de integração e oferece oportunidade de trabalho nas mais diversas áreas, com salários promissores.
É justamente essa possibilidade que o departamento de imigração da Província do Quebec explica em suas palestras - em Curitiba, a próxima deve acontecer entre março e abril do ano que vem e as inscrições já estão abertas pelo site www.imigracao-quebec.ca. Com uma política de imigração aberta, o país tem carência de mão de obra especializada e baixos índices de natalidade. Além disso, o governo acredita que a imigração contribui para a diversidade cultural e para manutenção da língua oficial - o francês - na província.
Soraia Tandel, agente do departamento de imigração, explica que vagas existem para todos aqueles que fizerem uma pontuação mínima dentro do perfil esperado. Jovens com até 35 anos estão na faixa etária mais bem posicionada, não importa se solteiros, casados, divorciados, com ou sem filhos. A formação deve ser universitária. Mais recentemente, a demanda tem sido maior ainda por profissionais com capacitação tecnológica. “Não importa a área de formação, exatas, humanas ou biológicas. O importante é que a pessoa tenha certa experiência profissional e disposição para aprender francês antes de imigrar”, acrescenta.
O primeiro passo é ir às palestras. Decidido, o candidato tem de estudar a língua e preparar os documentos necessários para a solicitação do visto de residente permanente, que permite morar e trabalhar legalmente no país, com direito a atendimento de saúde e educação até o ensino médio gratuitos. “Esse dossiê é enviado ao escritório do Québec em Buenos Aires e, quatro meses depois, é feita uma entrevista para checar a documentação, saber o porquê da vontade em migrar e avaliar o francês”, explica Soraia. Se a pessoa for aceita, recebe em seguida um certificado de seleção, solicita autenticação do visto junto ao consulado e aguarda a verificação dos documentos por parte do governo canadense. O processo todo leva cerca de um ano e tem custos considerados razoáveis no que concerne a imigração.
“Enquanto isso, a pessoa vai se preparando, já que é preciso ter uma reserva ao se instalar no país. No entanto, ao chegar ao Québec, o governo oferece mil horas/aulas gratuitas de francês e ajuda o imigrante a inserir-se no mercado de trabalho”, afirma a agente. Segundo Soraia, pode demorar um, dois ou até seis meses, mas fatalmente o emprego aparece. “E enquanto não sai trabalho na área de atuação, a pessoa pode atuar em outros ramos apenas para ganhar dinheiro rápido”, diz. Contente com o salário - que em geral varia entre US$ 25 mil e US$ 50 mil -, depois de três anos no país o imigrante pode solicitar a cidadania canadense.
Adriane e Alexandre estão ansiosos com a partida para o Canadá. A fonoaudióloga curitibana Adriane Andrigheto, 33 anos, já está na última etapa do processo e aguarda para logo o chamado do governo canadense. Junto com o marido, o administrador Alexandre Lemes, 36, ela espera finalmente atuar em sua área de formação com um salário digno do investimento que fez na faculdade. “Pesquisamos bastante sobre o país e, quando fomos à palestra, apenas confirmamos nosso interesse.” A motivação principal, ela diz, foi a falta de qualidade de vida no Brasil e a oportunidade de ganhos justos. “Tive de sair da minha área de atuação porque era impossível viver apenas com o que ganhava como fonoaudióloga.”
O marido pretende atuar com marcenaria, hobby que pratica nas horas vagas em Curitiba, mas que, no Canadá, rende excelentes salários. “Claro que ele terá de estudar, assim como eu, mas estaremos investindo em um futuro certo”, acredita. Quanto ao francês, o primeiro contato com a língua foi depois de tomada a decisão. “E o melhor é que foi paixão à primeira vista. Agora, já conseguimos nos comunicar razoavelmente bem”, diz Adriane, que aproveita o tempo de espera para investir ainda mais na língua e no pé-de-meia para recomeçar em outro país.
COMENTÁRIO MEU
No mundo globalizado, até gente qualificada tem preço e se importa e se exporta. Daí eu ser contra qualquer subsídio à qualificação superior. SOMENTE NA PRÉ-ESCOLA E ESCOLA FUNDAMENTAL o ensino público deve ser universal e gratuito. Ensino médio profissionalizante, faculdades tecnológicas e universidades deveriam ser pagas: públicas e privadas. Nesse caso, os pobres talentosos receberiam financiamento a longo prazo para freqüentá-las. No caso acima, da fonoaudióloga e do administrador, por exemplo, que vão de vez para o Canadá, caso não tivessem ainda pago eventual empréstimo feito pelo governo para que realizassem seus cursos de nível superior, somente deixariam o país se assinassem um compromisso de fazê-lo, remetendo recursos do exterior. Acho injusto que outros brasileiros tenham de viver em mercado de mão de obra competitivo sem ter tido a oportunidade de receber educação fundamental de qualidade por falta de verbas públicas, hoje em grande parte direcionadas para o ensino superior gratuito. Nossas escolas públicas fundamentais deveriam ensinar para valer o português e, também, deveriam habilitar qualquer cidadão brasileiro que as freqüentassem, a falar, ler e até escrever o básico no latim deste milênio: a língua inglesa. Os professores e professoras de Inglês deveriam ser importados numa primeira fase para garantir elevada qualidade no ensino. Não foi assim que se estruturou a USP para formar a elite profissional de São Paulo de graça? Nosso conhecido Deputado Federal Paulo Salim Maluf chegava de automóvel com chofer para assistir às aulas na Escola Politécnica, segundo relato de colegas seus. Por que não assegurar aos alunos de escolas públicas fundamentais também o acesso que as classes econômicas mais altas propiciam a todos seus filhos: o conhecimento do Inglês? Empanturrar nossa população pobre de computadores e informática com acesso à INTERNET serve muito pouco se ela desconhece o Inglês.
Ligia Martoni de O Estado do Paraná
Imigrar para o Canadá pode ser mais fácil do que muita gente pensa. Segundo especialistas, o país tem um dos processos mais rápidos do mundo para recepção de estrangeiros qualificados e aptos a contribuir para o desenvolvimento da economia local. Além disso, está de olho nos brasileiros devido a sua facilidade de integração e oferece oportunidade de trabalho nas mais diversas áreas, com salários promissores.
É justamente essa possibilidade que o departamento de imigração da Província do Quebec explica em suas palestras - em Curitiba, a próxima deve acontecer entre março e abril do ano que vem e as inscrições já estão abertas pelo site www.imigracao-quebec.ca. Com uma política de imigração aberta, o país tem carência de mão de obra especializada e baixos índices de natalidade. Além disso, o governo acredita que a imigração contribui para a diversidade cultural e para manutenção da língua oficial - o francês - na província.
Soraia Tandel, agente do departamento de imigração, explica que vagas existem para todos aqueles que fizerem uma pontuação mínima dentro do perfil esperado. Jovens com até 35 anos estão na faixa etária mais bem posicionada, não importa se solteiros, casados, divorciados, com ou sem filhos. A formação deve ser universitária. Mais recentemente, a demanda tem sido maior ainda por profissionais com capacitação tecnológica. “Não importa a área de formação, exatas, humanas ou biológicas. O importante é que a pessoa tenha certa experiência profissional e disposição para aprender francês antes de imigrar”, acrescenta.
O primeiro passo é ir às palestras. Decidido, o candidato tem de estudar a língua e preparar os documentos necessários para a solicitação do visto de residente permanente, que permite morar e trabalhar legalmente no país, com direito a atendimento de saúde e educação até o ensino médio gratuitos. “Esse dossiê é enviado ao escritório do Québec em Buenos Aires e, quatro meses depois, é feita uma entrevista para checar a documentação, saber o porquê da vontade em migrar e avaliar o francês”, explica Soraia. Se a pessoa for aceita, recebe em seguida um certificado de seleção, solicita autenticação do visto junto ao consulado e aguarda a verificação dos documentos por parte do governo canadense. O processo todo leva cerca de um ano e tem custos considerados razoáveis no que concerne a imigração.
“Enquanto isso, a pessoa vai se preparando, já que é preciso ter uma reserva ao se instalar no país. No entanto, ao chegar ao Québec, o governo oferece mil horas/aulas gratuitas de francês e ajuda o imigrante a inserir-se no mercado de trabalho”, afirma a agente. Segundo Soraia, pode demorar um, dois ou até seis meses, mas fatalmente o emprego aparece. “E enquanto não sai trabalho na área de atuação, a pessoa pode atuar em outros ramos apenas para ganhar dinheiro rápido”, diz. Contente com o salário - que em geral varia entre US$ 25 mil e US$ 50 mil -, depois de três anos no país o imigrante pode solicitar a cidadania canadense.
Adriane e Alexandre estão ansiosos com a partida para o Canadá. A fonoaudióloga curitibana Adriane Andrigheto, 33 anos, já está na última etapa do processo e aguarda para logo o chamado do governo canadense. Junto com o marido, o administrador Alexandre Lemes, 36, ela espera finalmente atuar em sua área de formação com um salário digno do investimento que fez na faculdade. “Pesquisamos bastante sobre o país e, quando fomos à palestra, apenas confirmamos nosso interesse.” A motivação principal, ela diz, foi a falta de qualidade de vida no Brasil e a oportunidade de ganhos justos. “Tive de sair da minha área de atuação porque era impossível viver apenas com o que ganhava como fonoaudióloga.”
O marido pretende atuar com marcenaria, hobby que pratica nas horas vagas em Curitiba, mas que, no Canadá, rende excelentes salários. “Claro que ele terá de estudar, assim como eu, mas estaremos investindo em um futuro certo”, acredita. Quanto ao francês, o primeiro contato com a língua foi depois de tomada a decisão. “E o melhor é que foi paixão à primeira vista. Agora, já conseguimos nos comunicar razoavelmente bem”, diz Adriane, que aproveita o tempo de espera para investir ainda mais na língua e no pé-de-meia para recomeçar em outro país.
COMENTÁRIO MEU
No mundo globalizado, até gente qualificada tem preço e se importa e se exporta. Daí eu ser contra qualquer subsídio à qualificação superior. SOMENTE NA PRÉ-ESCOLA E ESCOLA FUNDAMENTAL o ensino público deve ser universal e gratuito. Ensino médio profissionalizante, faculdades tecnológicas e universidades deveriam ser pagas: públicas e privadas. Nesse caso, os pobres talentosos receberiam financiamento a longo prazo para freqüentá-las. No caso acima, da fonoaudióloga e do administrador, por exemplo, que vão de vez para o Canadá, caso não tivessem ainda pago eventual empréstimo feito pelo governo para que realizassem seus cursos de nível superior, somente deixariam o país se assinassem um compromisso de fazê-lo, remetendo recursos do exterior. Acho injusto que outros brasileiros tenham de viver em mercado de mão de obra competitivo sem ter tido a oportunidade de receber educação fundamental de qualidade por falta de verbas públicas, hoje em grande parte direcionadas para o ensino superior gratuito. Nossas escolas públicas fundamentais deveriam ensinar para valer o português e, também, deveriam habilitar qualquer cidadão brasileiro que as freqüentassem, a falar, ler e até escrever o básico no latim deste milênio: a língua inglesa. Os professores e professoras de Inglês deveriam ser importados numa primeira fase para garantir elevada qualidade no ensino. Não foi assim que se estruturou a USP para formar a elite profissional de São Paulo de graça? Nosso conhecido Deputado Federal Paulo Salim Maluf chegava de automóvel com chofer para assistir às aulas na Escola Politécnica, segundo relato de colegas seus. Por que não assegurar aos alunos de escolas públicas fundamentais também o acesso que as classes econômicas mais altas propiciam a todos seus filhos: o conhecimento do Inglês? Empanturrar nossa população pobre de computadores e informática com acesso à INTERNET serve muito pouco se ela desconhece o Inglês.
Monday, November 20, 2006
MAIS CONFUSÃO
Confesso que quanto mais leio sobre discriminação contra negros e pardos no Brasil, menos entendo o que está acontecendo. Desconheço as causas dela e suas conseqüências e, por isso mesmo, acho difícil aceitar as soluções que se discutem. Trata-se de um assunto extremamente politizado em que dados e avaliações científicos são apresentados de forma improvisada pela mídia, gerando mais confusão do que esclarecimento. Até pouco tempo usava-se, indiferentemente, a designação de preto ou negro aos indivíduos de cor muito escura e de mulato aos mais claros. Mais recentemente, tornou-se ofensivo referir-se a alguém como preto; o correto seria negro. Diga-se de passagem, o inverso do que acontece nos EUA. Também, até pouco tempo, costumava-se chamar os imigrantes de acordo com o país ou região de origem – muitas vezes agregando-os erroneamente, como o caso de sírios, libaneses e turcos, chamados todos de turcos; a primeira geração de descendentes, nascida no Brasil, era tratada como brasileiros filhos de imigrantes. A partir da segunda geração, porém, ignorava-se simplesmente a origem, devido à forte miscigenação presente no Brasil. Hoje, contudo, o negro deixou de ser brasileiro negro para se tornar um afro-descendente, não importa o número de gerações que o separa do escravo (imigrante) africano que lhe deu origem. Já se fala, em alguns círculos, em ítalo-brasileiros, teuto-brasileiros e toda uma segmentação importada dos EUA para descendentes de europeus. Como a cor de nossa pele nunca serviu, não serve e não servirá para classificar nossa população, devido aos infinitos matizes entre o branco e preto, introduziu-se uma classe intermediária conhecida como parda. Se houvesse algum sistema científico que pudesse medir corretamente o grau de presença das cores preta e branca na pele do brasileiro poderíamos separar nossa população em quatro categorias, quais sejam: preta, pardo-preta, pardo-branca e branca. Qual o propósito científico disso para análises de políticas públicas, confesso minha total e completa ignorância. Cada vez maior, diga-se de passagem. Como isso não foi possível - ou pelo menos sequer foi cogitado - escolheu-se uma solução genial: as próprias pessoas declaram suas cores e, com isso, criam-se três classes: preta, parda e branca. Posso imaginar o drama de um mulato claro que é tratado como branco e que tem plena consciência que sua avó ou avô era negro. Ou do brasileiro que mal conhece a origem de seus avós e nasceu branco para todos os efeitos, mas que nota em algum tio ou parente próximo traços de mulato. Hoje é o dia da consciência negra. Acho muito bom que busquemos tirar do porão e trazer à luz os crimes e as injustiças praticados contra negros. Mas, também, contra índios e, porque não, brasileiros miscigenados, ou não, que também foram explorados e injustiçados e que ainda sofrem em decorrência de um sistema político, social, econômico e cultural que lhes negou e ainda lhes nega igualdade de oportunidades. Feito isso teremos de buscar formas de corrigir a perpetuação dessa situação, de forma democrática, transparente e universal. E sob esse aspecto, ainda que os negros e os autodenominados pardos constituam o maior contingente da população sacrificada pela ausência de oportunidades para seu desenvolvimento sócio-econômico e cultural, não devemos esquecer, também, dos autodenominados brancos que também sofrem com isso e por isso. Em outras palavras, necessitamos políticas que envolvam todos brasileiros que não conseguiram, ainda, romper os grilhões da ignorância e da miséria devido a discriminações e omissões de toda espécie nos campos da saúde, saneamento, educação fundamental, treinamento profissionalizante, segurança, habitação, bem como devido a estruturas obsoletas do governo que não consegue proporcionar ao cidadão comum o mínimo necessário de segurança e justiça para que possa ser livre e exercer plenamente sua cidadania. Nós brasileiros somos todos iguais perante a lei e contamos com igualdade de oportunidades para nossa ascensão profissional e integração sócio-econômica e política no País sob o ângulo dos preceitos constitucionais e legais vigentes no País. No Brasil discriminação é crime e como tal deve ser tratada. Se na prática não é verdade, cumpre a todos e a cada um de nós lutarmos para que se torne real. E não será por meio de novas políticas estruturadas em estudos, pesquisas e avaliações caricatas de nossa realidade que conseguiremos progredir e proporcionar a nós brasileiros e nossos descendentes oportunidades cada vez maiores para sua auto-realização.
Hoje, leio na primeira página da Folha de São Paulo o seguinte título de notícia: “Cresce o número de negros nas Universidades”. Ontem, li no Estado de São Paulo, artigo sobre o mesmo assunto com o seguinte título: “Desigualdades raciais (sic) persistem na educação e no trabalho”, seguido do subtítulo “IBGE revela que no acesso à universidade, por exemplo, diferença entre brancos e negros é maior hoje que há quatro anos”. A leitura desses dois artigos não me esclareceu nada. Só me confundiu.
Confesso que quanto mais leio sobre discriminação contra negros e pardos no Brasil, menos entendo o que está acontecendo. Desconheço as causas dela e suas conseqüências e, por isso mesmo, acho difícil aceitar as soluções que se discutem. Trata-se de um assunto extremamente politizado em que dados e avaliações científicos são apresentados de forma improvisada pela mídia, gerando mais confusão do que esclarecimento. Até pouco tempo usava-se, indiferentemente, a designação de preto ou negro aos indivíduos de cor muito escura e de mulato aos mais claros. Mais recentemente, tornou-se ofensivo referir-se a alguém como preto; o correto seria negro. Diga-se de passagem, o inverso do que acontece nos EUA. Também, até pouco tempo, costumava-se chamar os imigrantes de acordo com o país ou região de origem – muitas vezes agregando-os erroneamente, como o caso de sírios, libaneses e turcos, chamados todos de turcos; a primeira geração de descendentes, nascida no Brasil, era tratada como brasileiros filhos de imigrantes. A partir da segunda geração, porém, ignorava-se simplesmente a origem, devido à forte miscigenação presente no Brasil. Hoje, contudo, o negro deixou de ser brasileiro negro para se tornar um afro-descendente, não importa o número de gerações que o separa do escravo (imigrante) africano que lhe deu origem. Já se fala, em alguns círculos, em ítalo-brasileiros, teuto-brasileiros e toda uma segmentação importada dos EUA para descendentes de europeus. Como a cor de nossa pele nunca serviu, não serve e não servirá para classificar nossa população, devido aos infinitos matizes entre o branco e preto, introduziu-se uma classe intermediária conhecida como parda. Se houvesse algum sistema científico que pudesse medir corretamente o grau de presença das cores preta e branca na pele do brasileiro poderíamos separar nossa população em quatro categorias, quais sejam: preta, pardo-preta, pardo-branca e branca. Qual o propósito científico disso para análises de políticas públicas, confesso minha total e completa ignorância. Cada vez maior, diga-se de passagem. Como isso não foi possível - ou pelo menos sequer foi cogitado - escolheu-se uma solução genial: as próprias pessoas declaram suas cores e, com isso, criam-se três classes: preta, parda e branca. Posso imaginar o drama de um mulato claro que é tratado como branco e que tem plena consciência que sua avó ou avô era negro. Ou do brasileiro que mal conhece a origem de seus avós e nasceu branco para todos os efeitos, mas que nota em algum tio ou parente próximo traços de mulato. Hoje é o dia da consciência negra. Acho muito bom que busquemos tirar do porão e trazer à luz os crimes e as injustiças praticados contra negros. Mas, também, contra índios e, porque não, brasileiros miscigenados, ou não, que também foram explorados e injustiçados e que ainda sofrem em decorrência de um sistema político, social, econômico e cultural que lhes negou e ainda lhes nega igualdade de oportunidades. Feito isso teremos de buscar formas de corrigir a perpetuação dessa situação, de forma democrática, transparente e universal. E sob esse aspecto, ainda que os negros e os autodenominados pardos constituam o maior contingente da população sacrificada pela ausência de oportunidades para seu desenvolvimento sócio-econômico e cultural, não devemos esquecer, também, dos autodenominados brancos que também sofrem com isso e por isso. Em outras palavras, necessitamos políticas que envolvam todos brasileiros que não conseguiram, ainda, romper os grilhões da ignorância e da miséria devido a discriminações e omissões de toda espécie nos campos da saúde, saneamento, educação fundamental, treinamento profissionalizante, segurança, habitação, bem como devido a estruturas obsoletas do governo que não consegue proporcionar ao cidadão comum o mínimo necessário de segurança e justiça para que possa ser livre e exercer plenamente sua cidadania. Nós brasileiros somos todos iguais perante a lei e contamos com igualdade de oportunidades para nossa ascensão profissional e integração sócio-econômica e política no País sob o ângulo dos preceitos constitucionais e legais vigentes no País. No Brasil discriminação é crime e como tal deve ser tratada. Se na prática não é verdade, cumpre a todos e a cada um de nós lutarmos para que se torne real. E não será por meio de novas políticas estruturadas em estudos, pesquisas e avaliações caricatas de nossa realidade que conseguiremos progredir e proporcionar a nós brasileiros e nossos descendentes oportunidades cada vez maiores para sua auto-realização.
Hoje, leio na primeira página da Folha de São Paulo o seguinte título de notícia: “Cresce o número de negros nas Universidades”. Ontem, li no Estado de São Paulo, artigo sobre o mesmo assunto com o seguinte título: “Desigualdades raciais (sic) persistem na educação e no trabalho”, seguido do subtítulo “IBGE revela que no acesso à universidade, por exemplo, diferença entre brancos e negros é maior hoje que há quatro anos”. A leitura desses dois artigos não me esclareceu nada. Só me confundiu.
Saturday, October 28, 2006
DOSSIÊ
Lula não cansa de repetir que foi prejudicado pelo dossiê e por isso não pode ser acusado de ter se interessado nele. É óbvio que qualquer maracutaia ao ser descoberta prejudica seus autores. Porém, se a denúncia tivesse êxito, nocauteava-se, de uma só vez, Alckmin e Serra. Por que o PT ao tomar conhecimento do dossiê não o levou à polícia federal? Foi isso o que fez Rosely Souza Pantaleão, identificada pela PF como fundadora e integrante do PSDB em Pouso Alegre, MG, ao ter em mãos a revelação da origem do dinheiro do dossiê. O que se estranha, neste caso, é o primarismo da história urdida em Varginha, MG. Ao invés de uma bomba, transformou-se, em menos de 24 horas, num traque, ou seja, numa farsa. Continua, portanto, o mistério sobre a origem do dinheiro encontrado com os petistas flagrados no Hotel Ibis, em São Paulo, na madrugada de 15 de setembro, com US$ 248,8 mil e R$ 1,75 milhão, destinados a compra do dossiê. Somente Freud para explicar essa neurose que acomete o PT de não querer revelar de onde veio essa dinheirama, jogando para baixo do tapete do inconsciente a lembrança desse ato criminoso.
Lula não cansa de repetir que foi prejudicado pelo dossiê e por isso não pode ser acusado de ter se interessado nele. É óbvio que qualquer maracutaia ao ser descoberta prejudica seus autores. Porém, se a denúncia tivesse êxito, nocauteava-se, de uma só vez, Alckmin e Serra. Por que o PT ao tomar conhecimento do dossiê não o levou à polícia federal? Foi isso o que fez Rosely Souza Pantaleão, identificada pela PF como fundadora e integrante do PSDB em Pouso Alegre, MG, ao ter em mãos a revelação da origem do dinheiro do dossiê. O que se estranha, neste caso, é o primarismo da história urdida em Varginha, MG. Ao invés de uma bomba, transformou-se, em menos de 24 horas, num traque, ou seja, numa farsa. Continua, portanto, o mistério sobre a origem do dinheiro encontrado com os petistas flagrados no Hotel Ibis, em São Paulo, na madrugada de 15 de setembro, com US$ 248,8 mil e R$ 1,75 milhão, destinados a compra do dossiê. Somente Freud para explicar essa neurose que acomete o PT de não querer revelar de onde veio essa dinheirama, jogando para baixo do tapete do inconsciente a lembrança desse ato criminoso.
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