Friday, March 23, 2007

ATO PACÍFICO
Li hoje a seguinte notícia, publicada em Jornal do Paraná:

"Estudantes pedem passe livre na capital
por Ligia Martoni [23/03/2007]

Estudantes dos colégios Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná e Hildebrando de Araújo participaram ontem, em Curitiba, de um ato realizado simultaneamente em cinco capitais do País pedindo o passe livre. A reivindicação gerou transtorno com a ocupação da canaleta do biarticulado sentido norte-sul na Avenida João Gualberto, em frente ao Colégio Estadual do Paraná, obstruindo a passagem dos ônibus por cerca de 40 minutos. Os manifestantes interditaram também o cruzamento com a Avenida Luiz Leão, atrapalhando o trânsito no local. Apesar do transtorno, não houve maiores tumultos e ninguém saiu ferido. Segundo o primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes) no Paraná, Rafael Clabonde, o movimento - que reuniu estudantes também na Praça Rui Barbosa - tinha por objetivo pressionar o poder público para a gratuidade da passagem de ônibus. “Foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, resumiu Rafael.
Em frente ao Colégio Estadual, o clima ficou um pouco tenso depois que a Patrulha Escolar exigiu a remoção do carro de som que os estudantes usariam para organizar o movimento. “Pretendíamos fazer um ato simbólico como desfecho, como pular a catraca, mas sem o som tivemos dificuldade em mobilizar o pessoal”, contou o estudante. Após uma hora de mobilização, por volta das 8h30, os manifestantes foram para as salas de aula.
Ônibus
Para protestar pelo passe livre, os estudantes impediram a passagem dos biarticulados Santa Cândida - Capão Raso das 7h50 às 8h30, ocasionando congestionamento nos tubos da linha em ambos os sentidos. Quem precisou do transporte teve de ter paciência para esperar o reforço enviado pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e encarar veículos lotados. A Urbs tentou sanar o problema, enviando dez ônibus que iriam recolher para a canaleta norte-sul, desviando o local onde os estudantes estavam. Aos poucos, os tubos foram sendo descongestionados.
Já na Praça Rui Barbosa a manifestação foi mais branda e durou cerca de vinte minutos. A assessoria da Urbs informou que a Prefeitura já oferece como benefício a meia tarifa a estudantes de baixa renda. Somente no ano passado, a companhia atendeu a 25.727 alunos. "

É muito difícil se considerar séria a afirmação do líder estudantil Rafael de que “foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, Basta se ler a reportagem para se ter uma idéia da violência praticada impunemente contra a população curitibana. Além disso, os estudantes de baixa renda já recebem o benefício de pagar meia tarifa. É interessante se constatar que somente 25.727, repito somente 25.727, beneficiam-se desse subsídio. Por que somente esse número numa metrópole que já tem mais de 2 milhões de habitantes? Seguramente porque a maioria dos estudantes pertence a famílias que têm renda suficiente para pagar as tarifas inteiras. Ao tornar a passagem gratuita, como já se faz com os idosos, pobres ou ricos, além de se estar subsidiando pessoas com renda familiar suficiente para pagar as tarifas cobradas, está-se desviando recursos da Prefeitura Municipal de projetos e programas socialmente mais urgentes. Sem falar em onerar os demais usuários quando a prefeitura decide não subsidiar os serviços, gerando todo tipo de dirtorções e problemas para o transporte público. Infelizmente, continuamos a pensar que os recursos públicos vêm do céu. Como dizia um Ministro da Alemanha, quando a população pressionava o governo para obter mais e mais programas sociais gratuitos: “o povo alemão pensa que o governo é uma vaca que se alimenta no céu e solta seu leite na terra”. Ou educamos e alimentamos bem as novas gerações ou vamos gerar clima para manifestações desse tipo em todos os segmentos da sociedade que pensam em "tirar leite da viúva, custe o que custar" .
FIM

Friday, March 09, 2007

POBRES ALUNOS
O tema sobre alunos de escolas públicas tendo aulas em salas de lata foi objeto de intensa discussão política nas últimas eleições para Prefeito da Cidade de São Paulo. Pouco se falou, porém, se o volume mínimo (m3) de espaço por aluno era suficiente para garantir adequada renovação e circulação de ar; tampouco sobre ruídos excessivos; falta de espaço para atividades esportivas; riscos de trânsito no local. Enfim, ignorou-se o ambiente escolar. Mesmo em escolas privadas consideradas de alto padrão, encontram-se aberrações em suas instalações resultantes de adaptações mal feitas em antigas residências e edifícios. Em muitas delas, por exemplo, os alunos estão sendo seriamente penalizados neste verão. Não seria o caso de se fiscalizar também o ambiente escolar, seja ele público ou privado, além de se aferir a qualidade de ensino? É nossa obrigação moral proteger crianças, adolescentes e jovens - de todas classes sociais - de situações estressantes e nocivas a sua saúde, especialmente em nossas escolas. Se o governo não tem vistas para isso, os pais que abram seus olhos!

Sunday, February 04, 2007

TELEFONES PÚBLICOS
Ninguém de sã consciência nega que houve melhoria extraordinária nos serviços de telefonia, após sua privatização. Infelizmente, o processo de privatização não se resume simplesmente a conceder os serviços ao setor privado. A regulamentação, a fiscalização dos serviços e o monitoramento do mercado são essenciais para garantir serviços sempre melhores e a preços competitivos. A economia de mercado não funciona bem sem a presença reguladora do Estado e de consumidores instruídos, isto é, capazes de fazer escolhas inteligentes do binômio preço-qualidade e, principalmente, daquilo que realmente necessitam, sem se deixar influenciar por propagandas mistificadoras. O baixo nível e a falta de objetividade de nosso sistema de ensino, torna os brasileiros presa fácil de novidades. Com certo exagero, imagino que as expressões fisionômicas de jovens ao usar seus celulares devam ser semelhantes a dos índios quando receberam espelhinhos dos colonizadores portugueses cinco séculos atrás. A intensa propaganda, associada a ofertas com complexas combinações de serviços e pagamentos, tumultuaram o mercado da telefonia celular. O ônus disso ao consumidor aparece nas elevadas somas gastas pela classe média. As classes sociais de renda baixa sofreram, também, com os altos custos do uso do celular. Hoje, somente o usam para receber chamadas e fazê-las em casos excepcionais, utilizando o sistema de pagamento pré-pago que lhes garante limite aos gastos nesses serviços. A falta de serviços de telefones públicos que funcionem bem afeta a classe média que é obrigada a usar o celular continuamente quando está fora da residência. São os pobres, porém, que sentem mais essa deficiência. Simplesmente não se comunicam como gostariam de fazê-lo. A ANATEL deveria avaliar e monitorar a relação econômica entre as prestadoras de serviços e os consumidores de serviços de telefonia celular, proporcionando-lhes dados e informações úteis para fazer escolhas corretas.

As empresas concessionárias argumentam que têm sérias dificuldades em manter telefones públicos em nossas cidades. Realmente, é facilmente constatável a depredação desses aparelhos. Outras instalações de uso público também são depredadas, como por exemplo, as Caixas Eletrônicas do sistema bancário. Infelizmente, as características sociais e culturais de nosso povo transformaram nossos espaços públicos em terra de ninguém. É impossível ao sistema policial manter serviços de vigilância que garantam o respeito a equipamentos e instalações de uso público. As praças públicas vão sendo cercadas; e as instalações privadas de uso público vão se adequando à realidade, oferecendo, por exemplo, os serviços de caixa eletrônico em postos de gasolina, supermercados, shopping centers e em locais que exista vigilância contínua. As empresas telefônicas deveriam buscar soluções semelhantes com a ajuda dos governos municipais que regulam as atividades comerciais e de serviços na cidade. Os supermercados e shopping centers poderiam dispô-los em maior número e melhor distribuídos em suas instalações. As bancas de jornais, abrigá-los dentro delas, também, Assim como bares, restaurantes, postos de gasolina, pontos de táxi, e toda e qualquer atividade de prestação de serviços e de comércio. Não adianta nada a existência de telefones públicos em lugares ermos que não funcionam. Hoje, em caso de emergência, sempre existe o celular para substituir o serviço público. O que se necessita, agora, são de telefones de fácil acesso em locais públicos visando a substituir o uso do celular e reduzir os custos da comunicação para a classe média e, especialmente, para os pobres. As concessionárias de serviços de telefonia celular não têm interesse nisso. O que será que a ANATEL tem a dizer sobre isso?

Sunday, January 28, 2007

TELEFÔNICA
Costumo ouvir o Diário da Manhã na Rádio Cultura. Sou obrigado a desligar o aparelho todas as vezes que é apresentada a propaganda institucional da Telefônica sobre seu programa social voltado a crianças e adolescentes, tal a chatice e a longa duração da música e de suas letras repetitivamente apresentadas. Deixo de ouvir boa música e entrevistas interessantes por conta disso. A única diferença com a horrorosa propaganda eleitoral gratuita é que a Telefônica paga o longo tempo utilizado à Rádio Cultura. Muita propaganda, faz-me lembrar da infância em que uma galinha pequena, que também punha ovos minúsculos, cacarejava mais forte e longamente que as outras, despertando risos e chacotas de minha família. Quem sabe algum deputado apresente projeto de lei limitando os gastos em propaganda. No caso de programas sociais, por exemplo, seria estabelecido um percentual máximo do total gasto nesses programas.

Disseram-me que a Companhia Telefônica de São Paulo-TELESP brilha no campeonato de reclamações de usuários de serviços, ocupando o primeiro lugar. No último dia 24, os péssimos serviços dessa empresa estragaram-me o dia. Pela manhã fui ao centro da cidade a fim de comprar um carregador de bateria para meu celular. Aproveitei, também, para pesquisar preços sobre compressores caseiros para pintura. Depois de visitar várias lojas na Florêncio de Abreu, decidi comprá-lo ali mesmo; não antes, porém, de comparar seu preço com o da Le Roy Merlin. Como a bateria do celular estava descarregada, tive de buscar um orelhão para essa consulta telefônica. Comprei um cartão eletrônico com 50 unidades. Após discar várias vezes o serviço de informações gratuito 102, muito ocupado naquele momento, consegui completar a ligação e responder às perguntas de praxe de fita gravada: “telefone comercial ou residencial? etc.”. Foi-me fornecido o número do telefone da MERLIN. Coloquei meu cartão numa ranhura estreita, engendrada para testar nossa paciência. Depois de algumas tentativas frustradas, virando o cartão de um lado para o outro, vibrei com o surgimento do número 50 que me habilitava a comunicar-me. Após toques e mais toques sem resposta ouvi o irritante som de linha ocupada. Tentei novamente e ouvi a surrada e antipática voz gravada: “esse telefone não existe” . Liguei novamente o 102 e consegui um outro número. Colocava o cartão de todos os jeitos possíveis e nada conseguia. Mais algumas tentativas e, finalmente, o aparelho aceitou meu cartão. Antes mesmo do telefone ser atendido, se é que ia ser mesmo, os números que indicavam o crédito do cartão caíram rapidamente de 50 para 49 e 48. Retirei o cartão antes que meu crédito fosse consumido. Desisti dessa ligação para a empresa Le Roy Merlin e segui pelo viaduto Santa Ifigênia em busca do carregador de bateria. Lá entrei numa loja cujo vendedor pegou meu celular e tentou enfiar um pino que não entrava no local previsto para o encaixe. Tirei-lhe da mão o aparelho e retornei para a Florêncio de Abreu, completamente abatido.

Dado o avançado da hora, decidi ligar para minha casa e novamente enfrento um conjunto de três orelhões justapostos dos quais somente um funcionava. Felizmente, meu cartão foi aceito na primeira tentativa, pois apareceu o número 47. O que não esperava é após discar o número ouvir aquela maldita voz dizendo-me: “esse telefone não existe”. Como era o telefone de minha própria residência, pensei que discara o número errado e tentei novamente, pressionando com muita atenção e esmero cada numero. Ao final, ouvi outra vez: “esse telefone não existe” .
Comentei o fato com alguém que esperava a vez para usar o telefone público e, para surpresa minha, numa demonstração de paciência e gentileza, recomendou-me para insistir mais uma vez. Dessa vez o telefone “inexistente” começou a tocar e minha esposa atendeu. Mal comecei a conversar, a ligação caiu. Irritado, ou melhor, irado, voltei à banca de jornal onde comprei o cartão e quis devolvê-lo. Apercebi-me logo do ridículo e limitei-me a perguntar à vendedora a origem do cartão. Informou-me que eram fornecidos diretamente pela Telefônica. - “O senhor foi azarado pois o aparelho que usou deve ser daqueles que comem cartão” , disse-me com a maior naturalidade. Para um estrangeiro, tal explicação soaria como fantasia de uma vendedora acometida de crise mental. Um surto psicótico. Para mim, brasileiro dos velhos tempos, veio à mente lembranças de experiências do passado quando se usavam fichas metálicas ao invés de cartões eletrônicos. Quantas vezes pude constatar a “gula“ dos aparelhos que as engoliam sem dar a chance de se falar. E, em outras ocasiões, sem ficha na mão, dava-se pancadas no aparelho e era-se premiado, como nas atuais máquinas de jogos eletrônicos, com uma enxurrada de fichas devolvidas.

Contei à minha filha mais velha o que acontecera comigo naquela manhã. Ela confortou-me dizendo que isso ocorre com todo mundo. E que “a melhor propaganda da responsabilidade social da Companhia Telefônica seria oferecer bons serviços a seus usuários e não ficar alardeando sua ação social junto a adolescentes e crianças, com aquelas musiquinhas chatérrimas “, disse-me ela. O que será que a ANATEL acha de tudo isso? Será que ali também nada se vê, se sabe ou se escuta?

Friday, January 12, 2007

ACIDENTE EM CONSTRUÇÃO DO METRÔ EM SÃO PAULO
Lembro-me das intensas discussões havidas após o acidente ocorrido na via elevada Paulo de Frontin durante sua construção no Rio de Janeiro, em 1.971. O vão de uns 20-30 metros simplesmente caiu numa rua que o cruzava, destruindo e matando os que se encontravam ali naquele momento. Coincidentemente, passara naquele local, algumas horas antes, daí a marca deixada em minha memória. Naquela época eu era presidente da empresa Transplan-Engenharia e Planejamento de Transportes depois de ter vivido uma extraordinária experiência de trabalho: participei da criação do GEIPOT, em 1964-65, e fui seu economista-chefe até meados de 1.969. Nesse qüinqüênio foram desenvolvidos planos diretores de transportes e definidas políticas nacionais que envolviam aspectos de engenharia, economia e gestão. O Banco Mundial estava profunda e amplamente envolvido nesse processo de modernização dos transportes brasileiros.

"Licitações, somente após ter sido concluído o projeto executivo, que deveria ser o suficientemente detalhado para garantir qualidade às estimativas de custos e às propostas técnicas de execução das empreiteiras”; “ Supervisão da execução do projeto pela própria projetista para evitar descontinuidade de responsabilidade em relação ao projeto aprovado. Alterações no projeto original somente poderiam ser propostas pela projetista às autoridades públicas e o suficientemente justificadas as razões delas”; “Empreiteiras, obviamente, não poderiam ter participação na propriedade e/ou gestão das projetistas das obras a que concorriam”; “As faturas de execução das diferentes etapas das obras teriam de ser aprovadas pela supervisão da empresa projetista, autora do projeto original”. Esses eram alguns dos princípios que deveriam nortear a gestão do desenvolvimento da infra-estrutura de transportes em nosso País. Lembro-me de empreiteira brasileira ter-se revoltado pelo não pagamento de uma fatura sua de grande valor porque não conseguira a aprovação das obras relativas ao sistema que daria sustentação aos taludes de cortes e aterros feitos. Exagerava-se que pela falta de grama (não de grana!) a fatura ficou presa, com a clara intenção de desmoralizar o processo de modernização da gestão pública.

No caso do vão que caiu houve descontinuidade no processo de projetar, executar e supervisionar a execução da obra. No velho estilo brasileiro, a fiscalização pública aceitava mudanças no projeto original sem o consentimento da projetista, normalmente desligada do processo de construção a partir da licitação. Tampouco o projeto executivo que dera origem à licitação era o suficientemente detalhado para evitar contínuas dúvidas alimentadas pelas empreiteiras junto aos órgãos públicos fiscalizadores. Muitas delas válidas, e outras tantas não, pois seu objetivo era o de conduzir a soluções que melhor atendessem a seus interesses comerciais. Quais foram os resultados práticos de sindicâncias e investigações havidas, simplesmente os desconheço, tal a confusão legal e administrativa gerada após o acidente.

O desabamento de parte de futura Estação do Metrô de São Paulo junto à Marginal do Rio Pinheiros, hoje, 12 de janeiro de 2.007, 36 anos após o acidente no Paulo de Frontin, vai por à prova se o processo de concepção, projetação, execução e supervisão da obra do metrô de São Paulo respeitou os princípios supracitados que garantem a continuidade de autoridade e responsabilidade no processo de construção de obras públicas.

Friday, December 22, 2006

“Nenhum Privilégio”
Graças à mídia e à repulsa da sociedade não se efetivou o aumento inoportuno da remuneração de nossos congressistas, tão desejada pela maioria deles. Após as acintosas absolvições dos envolvidos em escândalos de corrupção, a população brasileira não agüenta mais manobras feitas por políticos em benefício próprio. Hoje, pude ouvir de Ney Suassuna, ou alguém com sua voz, pois de onde estava não via as imagens da TV, sua crítica à idéia de se solicitar ao executivo transporte aéreo especial para os congressistas visando a poupá-los dos atrasos de vôos e confusões correlatas no Aeroporto de Brasília. Também pude ouvir o argumento de um político a favor dessa idéia que afirmou não se tratar de privilégio, já que se prevê a redução dos subsídios do congressista que se utilizar de avião do governo no mesmo valor da tarifa que seria paga à companhia comercial. Terminou dizendo que assim não haveria nenhum privilégio. O que irrita qualquer pessoa de raciocínio mediano é o descaramento e primarismo como nossos políticos argumentam em favor de seus privilégios, em que o maior deles é trabalhar poucos dias da semana. E quando o fazem, salvo as honrosas exceções que felizmente ainda existem, somente se dedicam a interesses pessoais e eleitoreiros. Para tristeza nossa, as duas alternativas que se apresentam para julgarmos o caráter do político defensor dessa proposta, tornam-no execrável em qualquer uma delas: a primeira, é que se trata de malandro que sabe bem o que é privilégio e tenta desviar a atenção para o pagamento da passagem; a segunda, é que se trata de pessoa de parco raciocínio, pois a simples leitura do significado de privilégio - “vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem...” – o levaria a pensar na população que sofre em nossos aeroportos em conseqüência da crise causada pela incompetência do Governo Federal e do Congresso Nacional. Além disso, do ponto de vista da segurança nacional não seria recomendável que congressistas lotassem vários aviões do governo, pois em caso de acidente com um deles o País poderia sofrer perdas irreparáveis. A população brasileira quer que nossos representantes trabalhem com afinco e competência; e por isso mesmo deseja que viajem com segurança. Feliz Natal e Próspero Ano Novo é o que desejamos a nossos congressistas, inclusive aos que esqueceram de seu papel na sociedade. Sempre é tempo de se redimir.

Monday, December 18, 2006

JANELAS
Windows em inglês, revolucionou o sistema operacional de computação ao nos permitir trabalhar com vários sub-sistemas, mantendo-os abertos e prontos para atender a nossas necessidades. O espírito do WINDOWS, porém, não vinga na mente da elite de nosso País. Hoje, ao saber das vitórias de nossa juventude nos esportes e na música – para quem não sabe, Arnaldo Cohen, veio de Nova York para tocar com a orquestra de Heliópolis, formada por jovens dessa extensa favela paulistana – ao invés de me regozijar com os feitos, fiquei triste. Os esportes e a música têm sido as frestas que nossa sociedade monoliticamente ignorante deixa abertas para o desenvolvimento e expressão das crianças e jovens pobres. O ensino público fundamental continua enterrando talentos e frustrando expectativas ao invés de ser um instrumento de criação de oportunidades que aproveitem a energia e a criatividade da população em atividades produtivas e úteis, hoje perdidas nos meandros da ignorância, violência e sofrimento. A elite política não consegue destravar o país, simplesmente porque está mais preocupada com seus próprios interesses, sejam eles materiais ou de outra ordem, como por exemplo, salvar a pátria, sem esquecer de "cacarejar" por qualquer coisa boa que faça, o mais irrelevante que seja. Essa vaidade, ou carência afetiva, tem sido responsável pela atitude dos detentores do poder somente se cercarem de pessoas incompetentes e bajuladoras. Quem não se lembra da disputa sobre a paternidade do plano real? E das frases repetitivas do atual presidente de que “ nunca na história deste país......” Se o Presidente Lula amadureceu, e está mesmo interessado no bem de nossa população pobre, convide seu ex-correligionário Cristovam Buarque, ou alguém de sua envergadura, para ser o Ministro da Educação e dê-lhe apoio e sustentação política como o fez para Palocci e Meirelles em seu primeiro mandato. Escancare a janela da educação, afastando dela disputas político-partidárias ou ideológicas. E continue trabalhando, e muito, para que as demais que travam o desenvolvimento sustentado de nosso País também se abram. Encerre sua carreira política como estatista e se mantenha como tal; como reserva de sabedoria e discernimento para os momentos difíceis de nosso país. De políticos, politiqueiros e líderes populistas o Brasil está cheio. Faltam-nos estadistas.

Sunday, December 17, 2006

DETERMINAÇÃO
Todos nós sabemos do que se trata. E também já passamos por experiências em que ela nos faltou. Ontem, porém, pude avaliar, em termos físicos, isto é, de força, sua influência. Como não conseguia desatarraxar as uniões que prendiam uma bomba elétrica aos canos de entrada e saída de água comprei uma chave inglesa com 14” (cerca de 36 cm). Ao aplicá-la à união de 1” (2,54cm) preocupei-me em não usar todo o torque propiciado pelo longo braço da chave com medo de quebrar essa união. Além disso, na união de PVC marrom de 3”( 7,62cm) a chave não abria o suficiente e o trabalho teria de ser feito com minhas próprias mãos. Tentei várias vezes, inclusive colocando um pano para que elas não escorregassem no cano, e não consegui. Um detalhe: ora tentava girar a união de um lado, ora de outro, pois não tinha certeza de que lado ela desatarraxava. Com a ajuda de um encanador, retiramos o conjunto, soltando outra união mais acima, pois aquela ele também não conseguiu. Constatei, ainda, que o próprio encanador (pedreiro que sabe de tudo, na realidade!) não tinha certeza do lado certo para girar. Já na oficina em que deixei a bomba para consertar, expliquei ter levado um pedaço desnecessário de cano por não ter conseguido soltar a união que o prendia à bomba. Quem a recebeu, era um senhor mais idoso que eu. Riu e a retirou com facilidade. Disse-lhe que me julgava com pouca força nas mãos diante dele. Respondeu-me que me faltou determinação, pois não tinha certeza de que lado devia girar a união. Após me explicar como identificar o lado que gira – muito fácil de entender, aliás - afirmou que tinha certeza de que na próxima vez a desatarraxarei, pois teria a determinação necessária para fazê-lo. Em outras palavras, a dúvida é a maior inimiga da determinação.

Hoje ouço no rádio que o Internacional ganhou do Barcelona porque jogou com garra. E que faltou determinação no Barcelona, especialmente por parte de Ronaldinho Gaúcho. É surpreendente que um time de futebol milionário não possua em seu quadro psicólogos que sugerissem à direção do time a liberação de Ronaldinho Gaúcho do jogo de hoje. É óbvio que os jogadores conseguem se mobilizar para jogar com garra e buscar a vitória de seu time. Nesse caso, porém, é mais do que simples mudança de time. Trata-se do Internacional, time do Brasil, e do estado que lhe deu o cognome Ronaldinho Gaúcho. E mais: Ronaldinho Gaúcho jogou no Grêmio e viveu, ainda que por pouco tempo, a rivalidade com o Internacional. Como mobilizar, portanto, sua determinação, se seu coração estiver dividido? E, por isso, com dúvidas, mesmo que inconscientes, de que se o Barcelona derrotasse o Internacional devido a sua atuação seria ele o causador da tristeza e do abatimento de sua gente; justamente na região em que nasceu, cresceu e aprendeu a jogar futebol com a alegria que conquistou o mundo?

Sunday, December 10, 2006

DESGASTADO
Foi assim que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno se referiu ao equipamento de controle de vôo Cindacta 1, em entrevista que ouvi na quinta-feira última. Segundo notícia da Folha de São Paulo, publicada hoje “ ...o comandante chegou a admitir que o equipamento do Cindacta 1 estava "desgastado". Logo em seguida, ao ser questionado por um jornalista, voltou atrás. "Houve falha de comunicação, eu não quis dizer isso. Esse equipamento tem seis anos, tem características desgastadas, mas cumpre sua finalidade com segurança", afirmou. Confesso que me assustei, e com razão, pois em todas as definições sobre o termo no Dicionário Aurélio que podem se aplicar a equipamentos, trata-se de situação irreversível. Ou se troca, ou se corre riscos em função do nível de desgaste. Pode ser que o comandante Bueno cometeu um “lapsus linguae”, dando opinião técnica responsável contra a sua própria vontade; ou quis, conscientemente, afirmar o que pensava e, para não ser punido por seu superior, ironicamente se desdisse: ou, finalmente, ele é que está desgastado. Não o equipamento. É difícil aceitar que se referia a características desgastadas, quando poderia simplesmente dizer, o que todo mundo entenderia: características obsoletas.

Friday, November 24, 2006

Canadá busca mão-de-obra especializada no Paraná
Ligia Martoni de O Estado do Paraná

Imigrar para o Canadá pode ser mais fácil do que muita gente pensa. Segundo especialistas, o país tem um dos processos mais rápidos do mundo para recepção de estrangeiros qualificados e aptos a contribuir para o desenvolvimento da economia local. Além disso, está de olho nos brasileiros devido a sua facilidade de integração e oferece oportunidade de trabalho nas mais diversas áreas, com salários promissores.
É justamente essa possibilidade que o departamento de imigração da Província do Quebec explica em suas palestras - em Curitiba, a próxima deve acontecer entre março e abril do ano que vem e as inscrições já estão abertas pelo site www.imigracao-quebec.ca. Com uma política de imigração aberta, o país tem carência de mão de obra especializada e baixos índices de natalidade. Além disso, o governo acredita que a imigração contribui para a diversidade cultural e para manutenção da língua oficial - o francês - na província.
Soraia Tandel, agente do departamento de imigração, explica que vagas existem para todos aqueles que fizerem uma pontuação mínima dentro do perfil esperado. Jovens com até 35 anos estão na faixa etária mais bem posicionada, não importa se solteiros, casados, divorciados, com ou sem filhos. A formação deve ser universitária. Mais recentemente, a demanda tem sido maior ainda por profissionais com capacitação tecnológica. “Não importa a área de formação, exatas, humanas ou biológicas. O importante é que a pessoa tenha certa experiência profissional e disposição para aprender francês antes de imigrar”, acrescenta.
O primeiro passo é ir às palestras. Decidido, o candidato tem de estudar a língua e preparar os documentos necessários para a solicitação do visto de residente permanente, que permite morar e trabalhar legalmente no país, com direito a atendimento de saúde e educação até o ensino médio gratuitos. “Esse dossiê é enviado ao escritório do Québec em Buenos Aires e, quatro meses depois, é feita uma entrevista para checar a documentação, saber o porquê da vontade em migrar e avaliar o francês”, explica Soraia. Se a pessoa for aceita, recebe em seguida um certificado de seleção, solicita autenticação do visto junto ao consulado e aguarda a verificação dos documentos por parte do governo canadense. O processo todo leva cerca de um ano e tem custos considerados razoáveis no que concerne a imigração.
“Enquanto isso, a pessoa vai se preparando, já que é preciso ter uma reserva ao se instalar no país. No entanto, ao chegar ao Québec, o governo oferece mil horas/aulas gratuitas de francês e ajuda o imigrante a inserir-se no mercado de trabalho”, afirma a agente. Segundo Soraia, pode demorar um, dois ou até seis meses, mas fatalmente o emprego aparece. “E enquanto não sai trabalho na área de atuação, a pessoa pode atuar em outros ramos apenas para ganhar dinheiro rápido”, diz. Contente com o salário - que em geral varia entre US$ 25 mil e US$ 50 mil -, depois de três anos no país o imigrante pode solicitar a cidadania canadense.

Adriane e Alexandre estão ansiosos com a partida para o Canadá. A fonoaudióloga curitibana Adriane Andrigheto, 33 anos, já está na última etapa do processo e aguarda para logo o chamado do governo canadense. Junto com o marido, o administrador Alexandre Lemes, 36, ela espera finalmente atuar em sua área de formação com um salário digno do investimento que fez na faculdade. “Pesquisamos bastante sobre o país e, quando fomos à palestra, apenas confirmamos nosso interesse.” A motivação principal, ela diz, foi a falta de qualidade de vida no Brasil e a oportunidade de ganhos justos. “Tive de sair da minha área de atuação porque era impossível viver apenas com o que ganhava como fonoaudióloga.”
O marido pretende atuar com marcenaria, hobby que pratica nas horas vagas em Curitiba, mas que, no Canadá, rende excelentes salários. “Claro que ele terá de estudar, assim como eu, mas estaremos investindo em um futuro certo”, acredita. Quanto ao francês, o primeiro contato com a língua foi depois de tomada a decisão. “E o melhor é que foi paixão à primeira vista. Agora, já conseguimos nos comunicar razoavelmente bem”, diz Adriane, que aproveita o tempo de espera para investir ainda mais na língua e no pé-de-meia para recomeçar em outro país.

COMENTÁRIO MEU
No mundo globalizado, até gente qualificada tem preço e se importa e se exporta. Daí eu ser contra qualquer subsídio à qualificação superior. SOMENTE NA PRÉ-ESCOLA E ESCOLA FUNDAMENTAL o ensino público deve ser universal e gratuito. Ensino médio profissionalizante, faculdades tecnológicas e universidades deveriam ser pagas: públicas e privadas. Nesse caso, os pobres talentosos receberiam financiamento a longo prazo para freqüentá-las. No caso acima, da fonoaudióloga e do administrador, por exemplo, que vão de vez para o Canadá, caso não tivessem ainda pago eventual empréstimo feito pelo governo para que realizassem seus cursos de nível superior, somente deixariam o país se assinassem um compromisso de fazê-lo, remetendo recursos do exterior. Acho injusto que outros brasileiros tenham de viver em mercado de mão de obra competitivo sem ter tido a oportunidade de receber educação fundamental de qualidade por falta de verbas públicas, hoje em grande parte direcionadas para o ensino superior gratuito. Nossas escolas públicas fundamentais deveriam ensinar para valer o português e, também, deveriam habilitar qualquer cidadão brasileiro que as freqüentassem, a falar, ler e até escrever o básico no latim deste milênio: a língua inglesa. Os professores e professoras de Inglês deveriam ser importados numa primeira fase para garantir elevada qualidade no ensino. Não foi assim que se estruturou a USP para formar a elite profissional de São Paulo de graça? Nosso conhecido Deputado Federal Paulo Salim Maluf chegava de automóvel com chofer para assistir às aulas na Escola Politécnica, segundo relato de colegas seus. Por que não assegurar aos alunos de escolas públicas fundamentais também o acesso que as classes econômicas mais altas propiciam a todos seus filhos: o conhecimento do Inglês? Empanturrar nossa população pobre de computadores e informática com acesso à INTERNET serve muito pouco se ela desconhece o Inglês.

Monday, November 20, 2006

MAIS CONFUSÃO
Confesso que quanto mais leio sobre discriminação contra negros e pardos no Brasil, menos entendo o que está acontecendo. Desconheço as causas dela e suas conseqüências e, por isso mesmo, acho difícil aceitar as soluções que se discutem. Trata-se de um assunto extremamente politizado em que dados e avaliações científicos são apresentados de forma improvisada pela mídia, gerando mais confusão do que esclarecimento. Até pouco tempo usava-se, indiferentemente, a designação de preto ou negro aos indivíduos de cor muito escura e de mulato aos mais claros. Mais recentemente, tornou-se ofensivo referir-se a alguém como preto; o correto seria negro. Diga-se de passagem, o inverso do que acontece nos EUA. Também, até pouco tempo, costumava-se chamar os imigrantes de acordo com o país ou região de origem – muitas vezes agregando-os erroneamente, como o caso de sírios, libaneses e turcos, chamados todos de turcos; a primeira geração de descendentes, nascida no Brasil, era tratada como brasileiros filhos de imigrantes. A partir da segunda geração, porém, ignorava-se simplesmente a origem, devido à forte miscigenação presente no Brasil. Hoje, contudo, o negro deixou de ser brasileiro negro para se tornar um afro-descendente, não importa o número de gerações que o separa do escravo (imigrante) africano que lhe deu origem. Já se fala, em alguns círculos, em ítalo-brasileiros, teuto-brasileiros e toda uma segmentação importada dos EUA para descendentes de europeus. Como a cor de nossa pele nunca serviu, não serve e não servirá para classificar nossa população, devido aos infinitos matizes entre o branco e preto, introduziu-se uma classe intermediária conhecida como parda. Se houvesse algum sistema científico que pudesse medir corretamente o grau de presença das cores preta e branca na pele do brasileiro poderíamos separar nossa população em quatro categorias, quais sejam: preta, pardo-preta, pardo-branca e branca. Qual o propósito científico disso para análises de políticas públicas, confesso minha total e completa ignorância. Cada vez maior, diga-se de passagem. Como isso não foi possível - ou pelo menos sequer foi cogitado - escolheu-se uma solução genial: as próprias pessoas declaram suas cores e, com isso, criam-se três classes: preta, parda e branca. Posso imaginar o drama de um mulato claro que é tratado como branco e que tem plena consciência que sua avó ou avô era negro. Ou do brasileiro que mal conhece a origem de seus avós e nasceu branco para todos os efeitos, mas que nota em algum tio ou parente próximo traços de mulato. Hoje é o dia da consciência negra. Acho muito bom que busquemos tirar do porão e trazer à luz os crimes e as injustiças praticados contra negros. Mas, também, contra índios e, porque não, brasileiros miscigenados, ou não, que também foram explorados e injustiçados e que ainda sofrem em decorrência de um sistema político, social, econômico e cultural que lhes negou e ainda lhes nega igualdade de oportunidades. Feito isso teremos de buscar formas de corrigir a perpetuação dessa situação, de forma democrática, transparente e universal. E sob esse aspecto, ainda que os negros e os autodenominados pardos constituam o maior contingente da população sacrificada pela ausência de oportunidades para seu desenvolvimento sócio-econômico e cultural, não devemos esquecer, também, dos autodenominados brancos que também sofrem com isso e por isso. Em outras palavras, necessitamos políticas que envolvam todos brasileiros que não conseguiram, ainda, romper os grilhões da ignorância e da miséria devido a discriminações e omissões de toda espécie nos campos da saúde, saneamento, educação fundamental, treinamento profissionalizante, segurança, habitação, bem como devido a estruturas obsoletas do governo que não consegue proporcionar ao cidadão comum o mínimo necessário de segurança e justiça para que possa ser livre e exercer plenamente sua cidadania. Nós brasileiros somos todos iguais perante a lei e contamos com igualdade de oportunidades para nossa ascensão profissional e integração sócio-econômica e política no País sob o ângulo dos preceitos constitucionais e legais vigentes no País. No Brasil discriminação é crime e como tal deve ser tratada. Se na prática não é verdade, cumpre a todos e a cada um de nós lutarmos para que se torne real. E não será por meio de novas políticas estruturadas em estudos, pesquisas e avaliações caricatas de nossa realidade que conseguiremos progredir e proporcionar a nós brasileiros e nossos descendentes oportunidades cada vez maiores para sua auto-realização.

Hoje, leio na primeira página da Folha de São Paulo o seguinte título de notícia: “Cresce o número de negros nas Universidades”. Ontem, li no Estado de São Paulo, artigo sobre o mesmo assunto com o seguinte título: “Desigualdades raciais (sic) persistem na educação e no trabalho”, seguido do subtítulo “IBGE revela que no acesso à universidade, por exemplo, diferença entre brancos e negros é maior hoje que há quatro anos”. A leitura desses dois artigos não me esclareceu nada. Só me confundiu.

Saturday, October 28, 2006

DOSSIÊ
Lula não cansa de repetir que foi prejudicado pelo dossiê e por isso não pode ser acusado de ter se interessado nele. É óbvio que qualquer maracutaia ao ser descoberta prejudica seus autores. Porém, se a denúncia tivesse êxito, nocauteava-se, de uma só vez, Alckmin e Serra. Por que o PT ao tomar conhecimento do dossiê não o levou à polícia federal? Foi isso o que fez Rosely Souza Pantaleão, identificada pela PF como fundadora e integrante do PSDB em Pouso Alegre, MG, ao ter em mãos a revelação da origem do dinheiro do dossiê. O que se estranha, neste caso, é o primarismo da história urdida em Varginha, MG. Ao invés de uma bomba, transformou-se, em menos de 24 horas, num traque, ou seja, numa farsa. Continua, portanto, o mistério sobre a origem do dinheiro encontrado com os petistas flagrados no Hotel Ibis, em São Paulo, na madrugada de 15 de setembro, com US$ 248,8 mil e R$ 1,75 milhão, destinados a compra do dossiê. Somente Freud para explicar essa neurose que acomete o PT de não querer revelar de onde veio essa dinheirama, jogando para baixo do tapete do inconsciente a lembrança desse ato criminoso.

Tuesday, October 24, 2006

DOUTOR SEM EMPREGO
Segundo dados veiculados pela mídia, um em cada quatro brasileiros, que se formaram entre 1.992 e 2.002, não consegue emprego. Afirma-se, ainda, que o diploma universitário deixou de ser fator determinante na conquista de renda e emprego. A desejada inclusão social de grupos de baixa renda poderia ser conseguida por meio de ensino básico e médio profissionalizante de boa qualidade. Além de garantir-lhes profissão e renda, conseguiria proporcionar-lhes conhecimento suficiente para competir nos exames vestibulares, caso desejassem continuar seus estudos. Contudo, o Governo Federal escolheu um atalho: criar quotas que permitam o ingresso em universidades de candidatos menos qualificados. Vamos rezar para que os “quotistas” do governo se tornem profissionais competentes, apesar de sua formação básica ter sido deficiente. E mais tarde não sofram, já com diploma universitário debaixo do braço, as conseqüências de ter de competir, em mercado trabalho já saturado, com outros doutores mais qualificados.
DOUTORES
No Brasil, todo homem posudo e bem vestido é chamado de doutor. Os flanelinhas dão o título de doutor “honoris carro” aos mais afluentes. Como combater o Tsunami de doutores e doutoras que nos afogará com a criação de uma universidade em cada "cidade-polo" (sic), como promete Lula? Em pouco tempo seremos a república dos doutores sem emprego e sem renda; e o que é pior, sem competência. O que o Brasil necessita para seu desenvolvimento econômico e social é de gente qualificada em todos os níveis de educação profissional. Segundo especialistas em ensino superior já temos universidades demais e qualidade de menos. Com a facilidade criada pelo MERCOSUL, se Lula cumprir sua promessa, importaremos doutores argentinos competentes e exportaremos doutores brasileiros incompetentes para trabalhar em hotéis e restaurantes de Buenos Aires. A globalização é cruel com a incompetência.

Sunday, October 22, 2006

Muitos jornalistas

não contribuem para o fortalecimento da democracia ao agirem como o cidadão comum que transforma eleição em jogo de futebol. Ao invés de avaliar, em profundidade, as diferenças e as inconsistências das alternativas políticas apresentadas e discutidas para assegurar nosso desenvolvimento econômico e social, empanturram-nos com placares e análises de pesquisas eleitorais. Alckmin disse o seguinte: 1. quem cria emprego são empresas privadas; 2. para haver investimentos, além de juros baixos e demanda crescente, é preciso haver demonstração clara do comprometimento do Estado brasileiro com o sistema capitalista competitivo (é o choque capitalista a que se referia Covas); 3. para baixar os juros sem inflação e abrir espaço para o investimento privado é imprescindível que se reduza o tamanho e a voracidade do setor público brasileiro; 4. o aumento de produtividade do trabalhador, que eleva salários e cria empregos sem inflação, depende de melhoria notável na qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante e do aproveitamento pleno das novas oportunidades criadas; 5. para que isso aconteça é necessário investir em saneamento, saúde, educação, habitação e segurança pública e mobilizar o setor privado, dando-lhe condições para que realize os necessários investimentos na infra-estrutura econômica. Como nem todos brasileiros conseguirão uma renda mínima para viver, compete ao Estado transferir recursos para sua sobrevivência. Nas palavras de Alckmin: deve-se dar o peixe ao mesmo tempo em que se ensina a pescar. Por acreditar nessa política é que votarei nele e espero que outros o façam, também.

Friday, October 20, 2006

O "sindicato" está de volta!

Excelente artigo de Fernando Rodrigues, publicado na Folha (18.10) com o título acima. Acrescentaria, porém, que o maior mal de nosso País é a falência do sistema jurídico. Maluf foi absolvido no processo sobre doação de automóveis a jogadores de futebol, trinta anos depois. Os demais continuam em andamento, permitindo que se vanglorie que nunca foi condenado. É a indústria de recursos, exercida por grandes advogados. que protela as sentenças finais. Os candidatos Lula e Alckmin deveriam dizer o que cada um fará, se eleito, para que ladrão, seja ele quem for, vá para a cadeia. De preferência, antes de morrer!

Thursday, October 19, 2006


FOTO DO BLOGUISTA
OCTAETÉRIDE FERNANDISTA

O Prof. Delfim Netto, em seu artigo Lógica e Nietzsche, publicado na Folha (8/10), observa nosso País e sua economia sob ângulos novos e elucidativos. Como todo político que se preza, porém, esquece aquilo que lhe convém: a aguerrida e destrutiva forma de oposição do PT durante o governo FHC. Pergunto-me qual é o objetivo de seu artigo “nesta altura do campeonato“? Eleitor declarado de Lula, Delfim Netto simplesmente contribuiu para a sua estratégia de campanha eleitoral que é comparar a octaetéride fernandista com a tetraetéride lulista. Todavia, para mim e para a maioria dos eleitores brasileiros o adversário de Lula nesta eleição é Geraldo Alckmin. E se Lula continuar insistindo que é FHC, o TSE pode caçar sua candidatura por incapacidade de identificar seu adversário!