Thursday, October 04, 2018

Dois Candidatos a Presidente

Biografias de Bolsonaro e de Haddad

I . Biografia de Jair Bolsonaro - Candidato a Presidente
                                                                    Por Dilva Frazão
Jair Bolsonaro (1955) é capitão da reserva do Exército e político brasileiro. Exerce seu sétimo mandato de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. É pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2018. 

Jair Messias Bolsonaro nasceu em Campinas, São Paulo, no dia 21 de março de 1955. Filho de Perci Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi, ambos descendentes de famílias italianas. Foi aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, de Campinas. Em 1977 formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Rio de Janeiro. Cursou a Brigada de Paraquedismo do Rio de Janeiro. Em 1983 formou-se no curso de Educação Física do Exército. Chegou a patente de Capitão.

Em 1986 liderou um protesto contra os baixos salários dos militares. Escreveu um artigo para uma revista de grande circulação no país, intitulado “O salário está baixo”. Por infringir o regulamento disciplinar do Exército, foi preso durante 15 dias. No ano seguinte, novos atos de indisciplina foram realizados. A “Operação o sem saída” tinha como objetivos explodir bombas em várias unidades da vila militar da Academia Militar das Agulhas Negras, e em outros quartéis, se o reajuste de salário ficasse abaixo de 60%. O plano foi atribuído a Bolsonaro e ao Capitão Fábio Passos. Em junho de 1988, os militares foram julgados e inocentados. Nesse mesmo ano, Bolsonaro foi para a reserva com a patente de Capitão.
Carreira Política
Em novembro de 1988, Jair Bolsonaro foi eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Em outubro de 1990, foi eleito deputado federal pelo PDC. Renunciou o mandato de vereador e tomou posse na Câmara dos Deputados em 1991. Em 1993, participou da fundação do Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDC e do Partido Democrático Social (PDS).

Ainda em 1993, envolveu-se em uma polêmica ao alegar que a existência de muitas leis atrapalhava o exercício do poder e defendeu o retorno do “regime de exceção” e o fechamento temporário do Congresso Nacional. Declarou que “num regime de exceção, o chefe, que não precisa ser militar, pega uma caneta e risca a lei que está atrapalhando”. O deputado Vital Rego, o Corregedor do Congresso, solicitou ao Procurador-Geral da República, Aristides Junqueira, o início de uma ação penal por crime contra a segurança nacional, ofensa à Constituição e ao regime interno da Câmara.

Em 1994 foi reeleito e voltou a pedir o fechamento do Congresso Nacional e declarou: “Prefiro sobreviver no regime militar a morrer nesta democracia”. Candidato à reeleição, em sua plataforma de campanha incluía a luta pela melhoria salarial para os militares, o fim da estabilidade dos servidores, a defesa do controle da natalidade e a revisão da área dos índios ianomâmis, cuja extensão considerava absurda.  Foi mais uma vez indicado para a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara. Em 1995 filia-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB), resultado da fusão do PPR com o PP.

Em 1998, exercendo seu terceiro mandato de deputado, se candidatou ao cargo para presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, provocando a reação de vários setores da sociedade, uma vez que o político publicou na imprensa que defende a pena de morte, a prisão perpétua, o regime de trabalhos forçados para condenados, a redução da maioridade para 16 anos e o rígido controle da natalidade como maneira eficaz de combate à miséria e à violência.

Em 2002, foi eleito pela quarta vez ao cargo de deputado federal pelo PPB, mas nesse mesmo ano, filia-se ao PTB. No início de 2005 deixa o PTB e filia-se ao PFL. Em abril, deixa o PFL e filia-se ao Partido Progressista (PP). Em 2006 é eleito para seu quinto mandato. Assume a titularidade das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Em 2008, em audiência pública, envolve-se em nova polêmica ao combater a demarcação contínua realizada pelo governo federal na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, que gerou conflitos entre agricultores e indígenas. Alegando que a demarcação seria um risco à integridade nacional, colocou-se contra o ministro da Justiça Tarso Genro (PT). Na ocasião, o representante indígena atirou água no deputado. Em 2009, o PC do B entrou com uma representação contra o parlamentar por quebra de decoro.

Em 2014, Jair Bolsonaro foi reeleito para o seu 7º mandato. Ficou conhecido na mídia por suas declarações polêmicas, intrigas com seus colegas da Câmara e com entidades representantes de negros e homossexuais. Insultou e foi insultado por adversários. Ofendeu a deputada Maria do Rosário dizendo que não a estupraria porque ela não merecia. Tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro. Em 17 de abril, durante a votação do impeachment da presidente Dilma, dedicou seu voto a um torturador da ditadura militar. Em março de 2016, filiou-se ao PSC, mas entrou em conflito com a liderança do partido.
Família
Jair Bolsonaro foi casado com a vereadora Rogéria Nantes Nunes, entre 1993 a 2001. Juntos tiveram três filhos: Carlos Bolsonaro (vereador do Rio de Janeiro), Flávio Bolsonaro (deputado estadual do Rio de Janeiro) e Eduardo Bolsonaro (deputado federal por São Paulo). Foi também casado com Ana Cristina Vale, com quem teve um filho. Em 2013 casou-se com Michelle, e com ela tem uma filha.
Atentado a Bolsonaro
No dia 6 de setembro de 2018, Jair Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen no momento em que estava no meio de uma multidão fazendo campanha eleitoral na cidade mineira de Juiz de Fora. Bolsonaro foi levado para a Casa de Misericórdia, onde se submeteu a uma cirurgia. A facada atingiu o intestino delgado e o intestino grosso. Depois da cirurgia, Bolsonaro foi transferido para o Hospital Albert Einstein em São Paulo. No dia 13, depois de diagnosticado com aderência no intestino, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de emergência e encontra-se em recuperação. O agressor foi preso e levado para a Polícia Federal para prestar esclarecimentos.

Biografias do General Reformado Hamilton Mourão 
Candidato à Vice Presidente na chapa de Bolsonaro,
bem como de seu conhecido pai General Mourão Filho pela sua importante participação no golpe militar de 1.964

Bolsonaro e seu Vice entraram no início de 2018 ano no Partido PSL, criado em 1.998, em Pernambuco, e foram indicados pelo partido como seus candidatos à Presidência em coligação com o PRTB, fundado, em 1997,  pelo projetista do Aero-Trem Levy Filélix.  Este partido apoiou a eleição de Dilma, em 2.010, já tendo acolhido a candidatura de Fernando Collor a Prefeito de São Paulo, em 2.000.
Biografias:

Partidos

         

Observações de E. J. Daros: Desconheço o partido PSL que lhe deu guarida, exceto do criador do partido coligado PRTB, Levy-Felix, que desenvolveu um protótipo de trem elevado circulando em colchão de ar. Desconheço, também, os desígnios de Bolsonaro e sua família.  É realmente surpreendente os três filhos e sua primeira esposa todos eleitos representantes do povo nos legislativos das três esferas de governo.



II. Biografia de Fernando Haddad – Candidato a Presidente


“O desafio da esquerda é buscar a unidade perdida entre crítica e ação. (...) A esquerda crítica não age e a esquerda que age não é suficientemente crítica” 
Link para matéria: 
https://www.nexojornal.com.br/ expresso/                             


Vice_Presidente – Manuela D’Ávila


Observações de E. J. Daros:

Haddad reúne um conjunto de diplomas no ensino superior de fazer inveja aos estudiosos que buscam entender “intelectualmente” nosso mundo. Extremamente importante para a juventude que disponha de recursos financeiros, inteligência e interesse em desenvolver suas potencialidades.  Ele foi parte da juventude brasileira que viveu durante a ditadura militar. Os estudantes nessa época alimentavam o desejo de tornar a nação brasileira mais humana e igualitária e voltavam suas mentes para os ensinamentos de Marx e sobre a experiência socialista marxista na União Soviética e seus olhos para CUBA de Fidel Castro e Che Guevara.

Haddad, estudioso do marxismo e de tudo em torno de sua evolução e transformação, como ideologia e prática, revela claramente seus interesses por meio dos títulos de suas teses. Em seu mestrado em economia foi “O caráter sócio-econômico do sistema soviético e no de doutorado em filosofia  com o trabalho “De Marx a Habernas...”. É bom lembrar que já era, nessa época, bacharel em Direito. Todos seus diplomas são da USP. Era tamanho o interesse de Haddad como funcionava o sistema soviético que passou pela Universidade Mc Gill, no Canadá, em 1989, como estudante visitante para aprimorar sua tese sobre esse assunto apresentada na Faculdade de Economia e Administração - FEA da USP.

Quem imagina ele ser um marxista radical ao estilo dos bolcheviques engana-se, pois em seus trabalhos relativos a seu doutorado ele se coloca ao lado de intelectuais marxistas interessados em análises entre o socialismo utópico, inspirado por Marx e suas teorias, e o real em que a União Soviética  apresentava como exemplo a violência e o cerceamento da liberdade.  Afinal, foram 15 anos de estudos de graduação, sendo 11 anos girando em torno de Marx e os intelectuais ligados às “boas raízes” do marxismo nos diferentes campos das ciências sociais. Haddad prestou concurso e se tornou professor de Ciência Política na USP, em 1989, com 34 anos.

É estranho, porém, que depois de 35, isto é, desde os 20 anos, até hoje com 55 anos, continuasse no PT, após ter presenciado tantos escândalos, mentiras, ilusões e até alucinações que esse partido sob o comando de Lula e Dilma impuseram às classes sociais carentes de cultura, educação e conhecimentos para viverem melhor e utilizarem o seu voto como forma de sair do círculo vicioso da pobreza e miséria em que ainda se encontram. 

Neste mundo de meias verdades e complexo em que vivemos é necessário muito esforço e competência para distinguir e separar o joio do trigo. Isso ainda falta às classes mais pobres seguidoras de Lula. O exemplo mais notório é a sua incapacidade de comparar os gastos públicos feitos pelo PT em projetos de sentido social com os mais necessitados e as transferências financeiras embutidas em empréstimos subsidiados a empresários somados a operações fraudulentas beneficiando a grupos empresariais participantes de esquemas de propinas criminosas. Ou a escolha feita por Dilma da demagogia de abundância para garantir a “felicidade” de curto prazo com endividamento público crescente, elevação de preços e de adoção de expedientes notoriamente paliativos em detrimento da estabilidade econômica, política e social dela decorrente.  E, o uso do populismo demagógico, utilizando meios de comunicação de massa para divulgar mentiras como já se fez na eleição de Dilma e agora se repete na disputa de votos para Haddad, afirmando que a solução do problema econômico reside em colocar mais dinheiro para circular e “trazer de volta a felicidade a nosso povo desempregado”, como se a crise atual não decorresse dessa política usada por Dilma e Mantega nos seus primeiros dois anos de governo.

Graças a isso Dilma não teve mais condições políticas e de apoio da população para levar adiante suas propostas heterodoxas de controle de gastos públicos e endividamento diante da realidade inflacionária crescente já em torno de dois dígitos e déficit público incontrolável.

O PT não é um partido político ao estilo das democracias ocidentais. Ele reúne um ”popourri de ideias e propostas” que o diferencia dos demais por se considerar um partido com “ideologia e ética no trato da coisa pública (sic)”. Na realidade é um conglomerado de pessoas com ideologias individuais e muitas delas, simplesmente, oportunistas. Provavelmente, resultante do traço do líder carismático e populista Lula, cujo período em que ocupou a presidência o Brasil foi-lhe financeira e economicamente muito favorável para caracterizá-lo como Pai dos Pobres. Não obstante, pouco realizou em reformas necessárias para garantir o desenvolvimento a longo prazo de nosso País. Acolheu a população mais pobre secularmente esquecida. Administrou uma política secreta destinada a grandes empresários, políticos e a países considerados “esquerdistas” concebida nos desvões da intelligentsia  petista, tendo encerrado sua administração com popularidade muito alta. Desprezando nomes de candidatos de seu partido mais apropriados para o cargo, indicou uma “gestora” qualificada para garantir a permanência do PT na presidência. A campanha se resumia no que Lula dizia. Além disso, não foram poupados recursos para se burlar o eleitor por meio de artimanhas de empresa de marketing político cujo único objetivo era tornar sua escolhida eleita.

Novamente, numa situação de completo desastre na gestão política, administrativa  e financeira do País com o próprio ex-presidente Lula recolhido na cadeia, volta a usar seu cacife eleitoral ao indicar seu sucessor um intelectual flexível a sua manobras e mentiras. Basta assistir a promessa de Lula: os oito anos de sua gestão que terminou em 2010 voltarão para a felicidade e gáudio de todos. Dilma foi esquecida e Haddad tornou-se Lula.
                                 
III. PENSE EM QUEM VOTAR por E. J. Daros

ALERTA

Posteriormente ao impedimento de Dilma, seu, atolado em denúncias de envolvimento pessoal em crimes vice-presidente Temer financeiros, após vitórias em aprovar algumas reformas necessárias perdeu a credibilidade e confiança da população.

A herança para o próximo presidente em conduzir reformas básicas de caráter político, financeiro e institucional nas três esferas do setor público e na regulamentação e desenvolvimento do setor privado face às rápidas mudanças causadas pelo mundo digital, é assustadora nesse momento crucial de eleições de Governadores e do Presidente da República e, principalmente de nossos representantes nas câmaras legislativas estaduais e federal, e do Senado Federal, capazes de enfrentá-la.

O nível de desemprego e as incertezas sobre a capacidade política e a competência de nossos representantes, bem como de sua honestidade não só na acepção chula do termo, qual seja o de não roubar ou deixar que se roubem recursos públicos em seu benefício político ou pessoal, mas também em não usar meios de lograr nossa população totalmente vulnerável ao populismo demagógico parasitário de nosso sistema político, exigem atenção e ação redobrada da diminuta “elite limpa” de nosso país. 

Importância de Nossos Representantes

Na atual conjuntura de se ter eleito um dos dois candidatos acima e seus vices para Presidência da Repúlblica é crucial que sejam escolhidos Deputados e Senadores da mais alta confiança, ou seja, honestos e competentes para evitar problemas como o que enfrentamos com Dilma e Temer. A primeira, incompetente, e o segundo enrolado em denúncias e sem moral para conduzir congressistas sérios e competentes.

O primeiro candidato, Bolsonaro, sem nenhuma experiência executiva privada ou pública, salvo o de oficial do exército no início de carreira, tendo dele saído como capitão reformado (aposentado),vai ser eleito com o vice General Mourão, filho do Gal. Mourão que saiu de Minas Gerais e invadiu o Rio de Janeiro antes do dia marcado para o levante de 1964.

O segundo candidato, Haddad, com experiência adquirida em administração e ensino superior ao ter sido Ministro de Educação de Lula, com a vice ex-presidente do Partido Comunista do Brasil, sem experiência nenhuma cuja formação superior não completada é de jornalismo.

Caso tenhamos de enfrentar crises como a gerada por Dilma, devemos estar preparados com um Congresso Ficha Limpa e Competente.

Eleitor, não se queixe depois se você votou em Deputado Federal e Senador desonesto e/ou incompetente.

                       Grato pela Atenção









Friday, June 22, 2018

Assessor ou Secretário

Passando por banca de jornal li manchete da Folha “ex-assessor de Alckmin” é preso. Como ainda não decidi em quem votar parei para ler. Qual não foi minha surpresa. Em letras miúdas, logo abaixo da manchete consta o nome do acusado:  “Laurence Laurenço que foi secretário de Transportes no governo de SP”;  e que “tucano”(sic), sem identificação, diz que “prisão não afeta campanha”.

O que entendi inicialmente é que Laurence Laurenço foi preso. E que foi ex-assessor de Alckmin; e que também foi secretário de transportes no governo de São Paulo, sem dizer quando. Finalmente, lendo o resto do texto da primeira página, matei a charada. A Folha usou ex-assessor como sinônimo de ex-secretário. Por que será? São as sutilezas da mídia isenta!

Monday, June 11, 2018

DEMOCRACIA CAMBALEANTE


A democracia brasileira se encontra estressada e cambaleante. A falta de ética enredada e oculta em nossa cultura centenária brotou violentamente no corpo político, principalmente associado a empreiteiros de obras públicas; o tráfico de drogas já atingiu o nível de uso de metralhadoras nas disputas de traficantes entre si e com a polícia na defesa de seus territórios; a ignorância do brasileiro, antes contida em ambientes fechados, hoje circula incontrolável e deletéria com imagens e vozes pipocando em celulares, nova fonte de vício. Nesse quadro assustador, surgem os chamados “caminhoneiros” insatisfeitos com os fretes que recebem e a oscilação dos preços internacionais do Petróleo e seus derivados. Focados no diesel que consomem, paralisaram criminosamente o transporte de mercadorias no País. Na qualidade de reféns assustados e despreparados, membros do Gabinete da Presidência aceitaram inocular no Brasil, de novo, o veneno do controle de preços que destrói a principal base da democracia: a economia de mercado. E pasmem, os que ainda se surpreendem, a Presidência da República se transformou agora em negociadora de fretes entre transportadores de mercadorias e seus clientes em todo nosso território de 8,5 milhões de km2 e população de 207 milhões; bem como do preço do diesel na bomba de centenas de milhares de postos de gasolina. Além disso, em fiscal dos fretes e preços fixados. Que Deus nos acuda! E os economistas com curso superior em universidades confiáveis manifestem-se, pois nossa Democracia se encontra cambaleante.

Thursday, May 31, 2018

Carta a José Simão

Meu caro José Simão,
minha esposa e eu costumamos iniciar o dia rindo das infinitas situações em que seu gênio humorístico encontra em nosso dia a dia de um povo que quer mudar o Brasil sem mudar a si próprio, eu mesmo em processo de mudança, ainda cidadão invisível, pertencendo a essa classe que chega a dezenas de milhões.
 O mais chocante foi ouvir a palavra de ordem de Ulisses Guimarães após ter sido aprovada a nova Constituição, elevando-a em sua mão para o alto e gritando:" Muda Brasil". Hoje tão "PECteada" que está a merecer uma nova Constituinte. Naquele momento, sem ter sua verve humorística, eu gritaria: "Para onde excelência?; só se for para Marte, longe de nós brasileiros !
 Muito obrigado pelos momentos de riso e descontração que você nos proporciona. E.J. Daros
 

PS Não sei se movidos pelas risadas provocadas em seu texto continuamos rindo ao ler na Seção Turismo a reportagem sobre EGITO. Nela consta que foi aprovada uma lei que prevê multas para casos de assédio a turistas. E que, segundo a reportagem, "vale para qualquer um pedindo esmola ou gorgeta". O valor da multa é de 10 mil libras egípcias. Pesquisei o valor em reais hoje seriam R$ 2.088,00 !!!. Como diriam os árabes brasileiros: "os primos egípcios exageraram" No Brasil a polícia põe os infratores meninos e mendigos para correr! 

Saturday, May 05, 2018

Liberdade x Imposição do Estado

Em texto anterior neste BLOG comentou-se que a adoção de técnica de controle do uso de substâncias psicoativas por motoristas deve ser precedida de avaliação feita com competência e seriedade ANTES DE ADOTÁ-LA E GERAR CUSTOS E NOVAS OBRIGAÇÕES. 

Infelizmente, a liberdade de produção e consumo de produtos e serviços no mercado competitivo, principal coluna de sustentação da democracia, é abandonada pelos gestores do Estado brasileiro sem razões convincentes que justifiquem suas medidas impositivas. Existem mecanismos indiretos de mercado visando à redução de uso de substâncias psicoativas por motoristas. Por exemplo, cobrando todos os custos diretos e indiretos decorrentes do acidente pelo setor público, como já fazem os cidadãos prejudicados, motorizados ou não, que incluem danos morais além dos prejuízos materiais que lhe foram causados. O setor público, ao contrário, incorre em gastos substanciais para socorrer as vítimas do acidente, mesmo que se considerem os custos incorridos no Sistema Único de Saúde como gratuitos. Ocorrido o acidente há mobilização de policiais de trânsito, bombeiros, veículos de socorro e de desimpedimento da pista, consertos em estruturas da via e, também, o custo imposto a milhares de pessoas gerado pelo congestionamento. O valor do tempo perdido deveria ser calculado e cobrado e sua receita destinada a um fundo visando a redução de acidentes de trânsito rodoviário. Seria uma multa imposta pelos cidadãos prejudicados pelo acidente. A cobrança do setor público desses custos somados aos cobrados por particulares prejudicados, diretamente ou pelas companhias de seguro, tornaria o acidente de trânsito algo de grande relevância econômica e financeira para seu causador. 

O acidente de trânsito rodoviário deveria ser considerado como algo ameaçador na mente dos motoristas. Pois mesmo que sobreviva graças à proteção que possa gozar dentro do veículo, ele terá de encarar elevado ônus econômico e financeiro e mesmo prisão no caso de vítimas feridas, aleijadas e mortas por erros e omissões suas. Sob esse prisma, o chamado seguro obrigatório imposto pelo Estado, além de ser um paliativo. gera um estado de espírito no motorista de não se preocupar com o ônus financeiro e os danos morais causados em acidentes. As famílias dos mortos e os próprios feridos e aleijados recebem alguma coisa e tudo se encerra por aí. É uma ilusão, obviamente. Tão do gosto de nossa cultura.   

Muitas empresas transportadoras, sejam elas pequenas ou grandes, já treinam e fiscalizam o comportamento de seus motoristas com grande rigor. Em muitas delas não só por razões econômicas e financeiras aqui apontadas mas também para manter boa imagem no mercado.O exame que permite identificar a presença de substâncias psicoativas até noventa dias depois de seu uso se ajusta como uma luva aos interesses de empresas cujos motoristas são contratados, podendo ser adotado como instrumento para manter seus empregados "limpos", seja para não causarem acidentes, seja por estarem sem indícios de uso de drogas na identificação de responsabilidade quando neles se envolverem.

Cabe à empresa, porém, avaliar se vai utilizar essa extraordinária tecnologia, comparando seus custos ao decréscimo do valor da apólice de seguro que normalmente faz para cobrir os custos de acidentes. E principalmente, decidir como vai integrá-la com outros dispositivos e regras já utilizados na seleção, treinamento e supervisão de seus motoristas. Consta que empresas de transporte nos EUA usam essa tecnologia que se encontra no mercado norte americano faz trinta anos.

A reação do mercado brasileiro a essa tecnologia dependerá de como serão onerados os responsáveis pelos prejuízos inerentes ao acidentes de trânsito. É sob esse aspecto que a realidade deve se impor sobre ilusões. Não se justifica sob qualquer ângulo em que se examine, a subvenção do custo direto e indireto do acidente causado à sociedade como prevalece atualmente.

Espera-se que tenha ficado claro de que o uso, ou não, desse exame que permite identificar até noventa dias após o motorista ter feito uso da substância psicoativa no caso de empresas de transporte deve ser decidido pela empresa e não pelo Estado, reservando-se ainda sua liberdade de organizar a sua integração aos  múltiplos objetivos e formas adotados na sua gestão privada, incluindo essa nova técnica.

Quanto a motoristas que usam o veículo para seu transporte particular e os autônomos que prestam serviços a terceiros com veículo próprio ou alugado, seria simplesmente ridículo impor exames vinculados a eventos administrativos ou a tipo de testes sobre a presença de drogas psicoativas por meio do exame de cabelo. O policial de trânsito em sua abordagem visando prevenir acidentes ou na ocasião de sua ocorrência utiliza métodos simples de constatar se o motorista está ou não sob efeito de substância psicoativa naquele momento que possam afetar sua capacidade de dirigir. Nessa atividade de previsão e controle, o custo desse exame tem sido financiado pelo poder público. Poderia, no entanto, ser pago pelo motorista flagrado com substância psicoativa.

Não se imagina qual o interesse de se saber se mesmo sóbrio o motorista abordado não estivera assim no passado devido a presença de resíduos de substância psicoativa. É mais um problema de família para menores de idade em acompanhamento de tratamento contra uso de drogas; ou em caso de ocorrências criminosas havidas no passado no trânsito ou fora dele para se saber se o envolvido era usuário de droga.

A Folha de São Paulo, utilizando-se de outros termos em seu Editorial de 2/3/2013, reagiu contra a imposição do poder estatal desse exame de cabelo. É nosso entendimento, também, que não compete ao Estado impor a utilização de um método específico de identificar o consumo de substâncias psicoativas em substituição ou complementação aos já aplicados no Brasil.

Desde o início da publicidade e do "lobby" desse tipo de exame tem-se enfatizado a grande vantagem do uso da "nova (sic) tenologia"  por identificar o uso dessas substâncias por um período até noventa dias após o seu consumo. Pergunta-se, qual a prioridade de sua adoção no controle e fiscalização de trânsito no Brasil? Caso seja realmente fundamental para se reduzir o número de acidentes de trânsito em nosso País não seria mais adequado se discutir o assunto com os técnicos e especialistas nesse assunto antes de impor seu uso como está acontecendo?  

                                                       FIM

Friday, May 04, 2018

Na direção errada


É triste constatar-se que o conflito entre o verdadeiro jornalismo da Folha de São Paulo e a propaganda desvirtuadora de seu filhote de nome pomposo EstúdioFolha-projetos patrocinados já pode ser constatado conforme prevíamos em nossa carta enviada à Ombudsman do principal jornal de nosso País. Abaixo, o e-mail que recebemos da Profa. Dra Vilma Leyton, encaminhando-nos texto revelado pelo Médico Dr. Ricardo Fróes Camarão publicado pela Folha em 02/12/2013. São críticas contundentes sobre interferência estatal no mercado de produtos e serviços com propósitos aparentemente saudáveis porém deixando rastros indeléveis do propósito real visando a beneficiar produtores e fornecedores privados. 

Leia-se o e-mail para Vilma Leyton de Dr, Ricardo Fróes Camarão: "muito bom o texto que você publicou sobre os exames toxicológicos de autoria da Associação de Pedestres questionando a postura da Folha de São Paulo. Abaixo vai o editorial da Folha antes de mudar de lado:
02/12/2013 - 03h11 "

É interessante a observação do Dr. Ricardo Fróes Camarão,  "antes de mudar de lado" . Na realidade não se pode afirmar que a Folha mudou de lado pois seu editorial permanece vivo. O texto publicado na Folha é um trabalho do Estúdio Folha - projetos patrocinados, inserido no jornal como mera publicidade. Daí a razão de nossa reação quando fomos surpreendidos por uma peça de propaganda com nomes de pessoas proeminentes com frases e afirmações soltas enredadas com maestria pela equipe de "marketing" do Estúdio em escritos laudatórios do que se pretende "convencer para vender". Não são entrevistas assinadas por jornalistas com perguntas e respostas. Tampouco artigos ou simples manifestações de profissionais diretamente sobre a relação entre o exame toxicológico proposto e o potencial de redução de mortes em acidentes de trânsito.  O verdadeiro jornalismo da Folha de São Paulo é o que se lê em seu Editorial abaixo. 


"Editorial: Na direção errada"(FOLHA DE SÃO PAULO de 2/12/2013)



Na direção errada
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) reincide na prática de criar normas relativamente inócuas --mas onerosas-- com a sua resolução 460, que entrará em vigor dentro de seis meses.
Ela exigirá que motoristas de caminhões, ônibus e vans sejam aprovados em um teste toxicológico como precondição para obter ou renovar a carteira de habilitação.
A medida lembra a bem mais folclórica obrigatoriedade de portar, em cada veículo, um kit de primeiros socorros com gaze, luvas e outras inutilidades. Enquanto vigorou, de janeiro a abril de 1999, o estojo drenou cerca de R$ 300 milhões dos bolsos de consumidores.
O exame que ora se cogita, para detectar o consumo de drogas nos 90 dias anteriores, tem a aparência de ser mais relevante. Mas é só a aparência. Com um custo unitário de R$ 270 a R$ 290 imposto a quem solicitar ou renovar o documento, haveria que justificar com muita propriedade sua adoção.
O objetivo manifesto é impedir que motoristas de veículos pesados e com responsabilidade sobre passageiros ameacem a segurança alheia ao dirigir sob a influência de substâncias proibidas. À primeira vista, algo de que ninguém poderia discordar. Mas será eficaz na produção do efeito pretendido?
Nem é o caso de discutir se esse exame é confiável. Basta a periodicidade do teste para divergir da obrigatoriedade.
Na prática, ela só garantiria a sobriedade do condutor nos 90 dias anteriores à entrada do pedido de emissão ou renovação da carteira. Não teria efeito algum sobre os 1.735 dias subsequentes, até que o eventual motorista profissional consumidor de drogas se visse obrigado a suspender o uso para passar ileso pelo novo exame, após cinco anos.
É muito pouco para uma imposição que claramente atenta contra liberdades individuais. Se o motorista que consumir drogas (ou álcool) nunca dirigir sob seus efeitos, não há por que a regulamentação de trânsito lhe prever punição --no caso, impedi-lo de conduzir veículos como profissional.
Venda ou posse de drogas são matéria da legislação penal. Às autoridades com jurisdição sobre o trânsito cabe criar condições para que sejam afastados das ruas os motoristas flagrados ao volante após consumir drogas, por exemplo por meio de batidas policiais.
Se insistir na medida, o Contran ficará mais uma vez sob a suspeita de apenas providenciar uma fonte segura de lucros para os fabricantes e comercializadores do exame.
                                                fim

Saturday, April 28, 2018

Tecnologia, Salvando Vidas

Caro Leitor,

Introdução
Irrito-me profundamente com ações, atitudes e comportamentos que busquem iludir, tapear e tripudiar sobre nosso povo constituído de pessoas que não tiveram acesso a uma educação básica de qualidade e sabem disso, bem como dos que pensam que dela usufruíram,  mas ainda não conseguem escapar das armadilhas maldosas, ilegais e criminais que são armadas em nossa incipiente economia de mercado. Os índios, um dia no passado, encantaram-se com os espelhos trazidos pelos portugueses. Depois de mais de quinhentos anos ainda nos distraímos com fotos e blá-blá-bás de celulares. Frases e manifestações pomposas associadas a fotografias e gráficos magistrais, ilusionistas do belo, do saudável, seguro e eficiente circulam em quantidade e velocidade jamais sonhadas no passado, invadindo continuamente nossas mentes por meio de propaganda pura e direta ou infiltrada e camuflada em nossos meios de comunicação.  

Aquele que teve o privilégio de adquirir sólidos conhecimentos científicos e sua aplicação em tecnologias que nos garantem a segurança e o nível de bem estar almejados nas sociedades modernas e consegue sobreviver honestamente neste mundo agitado por grandes transformações, obriga-se, independente de sua vontade, a ocupar a posição dele esperada de vigilante social contra a mentira, e suas mais peçonhentas herdeiras, a meia-mentira, irmã gêmea da meia verdade.  Esteja, ou não, ocupando cargo do setor público, é sua obrigação interferir em favor da verdade e esclarecer aqueles que não a enxergam. 



Esclarecer a verdade é função fundamental de todos  nós cidadãos, colaborando de acordo com nossas possibilidades. É com esse entendimento que apresentamos questionamentos sobre a Tecnologia, Salvando Vidas.     . 

OS FATOS
Grande parte das empresas de marketing que atuam no setor de publicidade,  propaganda e de "lobby" que agem junto a nossos empresários fazem de tudo, e mais um "pouco" para ajudar seus clientes  a atingir seus objetivos imorais de conseguir mais receitas e lucros por meio de alterações em nossas leis e regulamentos, ou simplesmente de medidas que possibilitem a realização de trapaças. 



Do outro lado da linha,  também, atendem políticos que desejam ser eleitos. Compete aos "marqueteiros" atrair e convencer eleitores de que seu cliente tem todas as condições e características desejáveis de ser seu representante no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e na Câmaras de Vereadores, ou ocupar cargos executivos do mais alto nível das três esferas de governo: prefeitos, governadores e até mesmo presidente da república. 




O que se constatou que essa divisão de trabalho em nosso País se fundiu numa só. Nesse caso, as empresas de marketing  colaboram para a eleição de representantes que interessam às empresas particulares e muitas vezes recebem diretamente e em outras indiretamente dos próprios políticos os pagamentos cuja origem dos recursos é a mesma: empresa interessada na eleição do representante no Legislativo ou no Executivo que facilite suas futuras falcatruas. 




A quase completa ausência de compreensão dos instrumentos desenvolvidos pela matemática e de outras ciências exatas, associada a instrumentos de manipulação psicológica, permitem a exploração assustadora de nossa população. Particularmente no mundo probabilístico que nos cerca. E é justamente nessa área em que os "malandros" da propaganda atuam.  




Combinada com a propaganda sem respeito mínimo à ética , parcela significativa de escritórios de advocacia age no sentido de auxiliar esses mesmos clientes e políticos a eles associados, se condenados por seus mal feitos, a evitarem a consequente punição exemplar. Basta acompanhar o que aconteceu e está acontecendo em nosso País para entender esses mecanismos. 




Essa gente nos causa náusea por reunirem pessoas que tiveram acesso a sofisticado conhecimento de como escapar incólume no complicado e ainda ineficiente sistema democrático de justiça. Ao invés de ajudarem na difícil e longa tarefa de elevar os nossos padrões de educação e cultura, trabalhando com afinco em mudanças de atitudes e comportamentos inadequados de nossa população de forma a se garantir que os princípios tão claros e admiráveis defendidos pelo povo francês em sua proclamação da República -: Liberdade, Igualdade e Fraternidade - permeiem nossas instituições democráticas, os referidos  escritórios se concentram na exploração minuciosa de falhas existentes em nossa burocrática e ineficiente legislação para manterem ou  reconduzirem seus clientes livres de punição. 


Não sou médico, tampouco especialista em exames toxicológicos. A razão de escrever a carta abaixo foi simplesmente demonstrar que existem olhos e cabeça de quem não gosta de ser iludido e tapeado pelo texto do Estúdio Folha publicado na Folha de São Paulo no dia 04/04/2018. Participo como membro do Conselho Estadual de Redução de Acidentes de Transporte e Trânsito- CEDATT como representante da Associação Brasileira de Pedestres, criada em 1.981 (www.pedestre.org.br) . A convivência com representantes de entidades públicas, privadas e não-governamentais no CEDATT trouxe minha atenção para a questão fundamental do trânsito rodoviário: evitar mortes e ferimentos graves causados em nosso trânsito. Nesse ambiente, sempre aparecem medidas salvadoras. Os recursos humanos, financeiros e administrativos para sua implantação oneram o orçamento público, bem como o particular. 

Além disso, no complexo ambiente físico e humano brasileiro em que vivemos no trânsito seria um disparate atribuir a uma determinada ação específica, no presente caso o teste obrigatório do cabelo sobre uso de drogas já aprovado em Lei,  a diminuição de acidentes e mortes no trânsito, quando se sabe que o acidente decorre de múltiplas causas, em que a velocidade é a principal. Bêbado ou drogado não mata se estiver sentado ao volante de carro parado. É mais do que óbvio, porém, o fato de estar intoxicado com drogas aumentar extraordinariamente a probabilidade dele abusar da velocidade, bem como praticar imprudências, tornando-os causadores de vítimas e mortes, seja no interior do  veículo ou fora dele ao atingir pedestres. Qual a porcentagem de motoristas punidos preventivamente por excesso de álcool quando na direção de veículos? Qual a porcentagem de motoristas alcoolizados sobre o total de acidentes ocorridos no trânsito com vítimas e sem vítimas? Qual a relativa importância das substâncias psicoativas em comparação com o álcool nos acidentes de trânsito no Brasil e em outros países? Faltam-nos estatísticas. E quando se apresentam são pouco confiáveis

A forma de se introduzir alteração na legislação visando a reduzir os acidentes de trânsito e suas consequências deve ser resultado de pesquisas científicas abrangentes, principalmente em nosso País que não dispõe de recursos públicos e tampouco privados para novidades. Nos EUA grandes empresas de transporte rodoviário utilizam o teste do cabelo, pois é fundamental para essas empresas que tenham segurança de que um motorista seu empregado não se envolva em acidentes que lhes causem elevados prejuízos financeiros. Nesses casos são elas que tomam a iniciativa de realizar ou exigir de seu empregado que façam esses testes. 

Seria utópico pensar que o Estado brasileiro por meio de legislação e regulamentação detalhadas, como se está implantando pelo Governo federal,  possa criar as rotinas de coleta e análise dos testes a serem feitos por motoristas que lhes garantam sua segurança e a de terceiros. Além disso, exigir deles que paguem os custos dos testes com seus próprios recursos. Mais esdrúxulo, ainda, impor regras às empresas operadoras com motoristas nelas empregados sobre como garantir-se de que eles não usam drogas, utilizando testes dispendiosos impostos pelo Governo.  

Considerando que o custo de cada análise implica gastos de centenas de reais e que a competição entre motoristas autônomos já cresceu e deve crescer ainda mais com a terceirização dos serviços, a despesa com essas análises na forma como está sendo implantada, trará para o Governo Federal um foco de conflitos de difícil solução. A pressão para que não se faça esse teste será muito grande. Caso surja alguma nova "greve" de caminhoneiros diante dessa imposição estatal de um sistema questionável técnica e economicamente a ser pago pelo motorista para evitar acidentes de trânsito, dificultará toda e qualquer iniciativa racional que fuja do modelo paternalista-estatizante que predomina em nosso País no setor rodoviário com sérios prejuízos sociais e econômicos a nossa população de baixa renda. Em outras palavras, ao invés de nosso modelo econômico e social competitivo e de economia de mercado se aprimorar no transporte e transito rodoviário com vistas a reduzir os acidentes e mortes no trânsito, o sistema que se pretende criar é estatizante, ineficiente e gerador de conflitos desnecessários.

O caminho certo é de se atualizar nossa legislação que transfira para o motorista usuário da via, ao fabricante do veículo, ao operador da via e a outros fatores causais corretamente identificados, todos os custos dos danos avaliados em decorrência do acidente. Nesses danos deverão estar incluídos materiais, humanos e demais prejuízos decorrentes do acidente como o congestionamento, por exemplo, decorrente do demorado atendimento dos serviços de emergência cujos custos serão todos ressarcidos pelos responsáveis.  

Dados os elevados custos e riscos envolvidos em acidentes no transporte rodoviário em nosso País, haverá um aumento extraordinário de serviços de seguro e de especialistas em avaliação técnica, envolvendo medicina, advocacia e engenharia, por exemplo, para quantificar os prejuízos e seu ressarcimento a quem de direito, incluindo hospitais, sejam eles públicos ou privados.   

Se não se faz isso ainda no Brasil, nos EUA ou em outros países, já que gostamos de nos inspirar em países desenvolvidos, deve-se simplesmente à legislação deficiente que não pune o responsável dos danos e perdas causados pelos acidentes de trânsito rodoviário É ela, portanto, que teria de ser revista e ampliada, pois todos os prejuízos diretos e indiretos devem ser atribuídos a quem os causou. Não compete ao Governo gerar obrigações e regrinhas de conduta que, na prática, possam até mesmo desobrigar o causador do acidente de suas responsabilidades, sob o argumento de que cumpriu a burocracia do Estado e com isso deixar em aberto danos e prejuízos causados a terceiros não protegidos pela burocracia estatal. O DPVAT é um bom exemplo disso. Por ser um seguro pago por todos proprietários, gera a falsa impressão de que todos os custos acima citados foram cobertos, o que seguramente é falso. O volume de recursos públicos envolvidos na cobertura desses danos deve atingir cifras elevadíssimas, reduzindo as disponibilidades para serviços públicos prioritários. 

O resultado de uma nova política de se cobrar pelos danos causará uma verdadeira revolução no transporte e trânsito rodoviário em matéria de segurança e fluidez. O custo de operar um veículo rodoviário em nossas vias públicas aumentará de acordo com a avaliação de risco das companhias seguradoras sobre a maneira mais ou menos correta em que ele será operado. Tanto transportadoras com motoristas seus empregados, veículos próprios (UBER) ou alugado (TAXIS), assim  como os motoristas do velho sistema de caminhoneiro têm de ter definida claramente a responsabilidade pela propriedade do veículo e sua operação, já que a responsabilidade por defeitos do veículo, tão freqüentes em ônibus e caminhões, é do proprietário do veículo. O processo de identificação de responsabilidade vai ser positivo também em relação a oficinas de manutenção e seus mecânicos que terão de ser identificados como responsáveis por defeitos em consertos feitos. E até mesmo os fornecedores de peças a essas oficinas. 

Conclusão

Em suma, o setor público e seus governantes em nome da sociedade brasileira representada no Congresso Nacional e na Presidência da República deve demonstrar a  nós cidadãos que os custos desses exames proporcionados pela nova Tecnologia, Salvando Vidas, impostos ao cidadão brasileiro são justificáveis. Caso contrário, deve ser revisto e substituídos por métodos consentâneos com as políticas adotadas em termos de prevenção de acidentes numa sociedade de livre iniciativa organizada em mercado competitivo. 

Em Estado Democrático de Direito cuja sustentação advém da livre iniciativa empresarial e liberdade de escolha de produtos e serviços pelos seus habitantes, a criação de regulamentos que gerem impostos , taxas e outras obrigações do consumidor deve ter plena justificação econômica e social e conte com amplo apoio técnico das instituições envolvidas em segurança de trânsito. Sua implantação somente deve se fazer após discussões e debates na sociedade civil e no Congresso Nacional com base em estudos e propostas técnicas. Isso não aconteceu na aprovação da Lei atual que se limita a motoristas de caminhões e ônibus. E nada indica que vai acontecer em relação a outras classes de motoristas indicadas na propaganda. Ao contrário, há preocupação exagerada do "lobby" em gerar demanda de testes obrigatórios a serem brevemente impostos a novas categorias visando utilizar a capacidade ociosa do "maior laboratório do mundo"* implantado em São Paulo. 

*Observação: Na publicação de 27/4/18 na Folha de São Paulo, consta entre outros argumentos o seguinte: "Exemplo dessa inovação é a sociedade estabelecida entre a QUEST - maior laboratório do mundo - e a Labet , que acabam (sic) de construir o mais moderno laboratório de toxicologia do planeta em São Paulo."   


Somente soube dessa Tecnologia, Salvando Vidas, no dia 4/4/2018, cuja Lei e Decreto de Regulamentação que criou e regulou a obrigação de motoristas de caminhões fazerem esse teste foi sancionada e regulamentada pela Presidente Dilma Rousseff. Não me lembro de nenhum debate e discussão desse assunto noticiado pela mídia. 

Numa velocidade de marketing-lobby invejável,  a mesma peça publicada na Folha apareceu em outro fórum realizado em Brasília e publicado no Jornal Brasiliense. Logo depois, em vários jornais, foi divulgada a realização de fórum semelhante em Nova Iorque, nas Nações Unidas, promovido pelo nosso representante permanente na ONU, convidando interessados no evento. Finalmente, foi publicada a notícia desse fórum na ONU na última Sexta Feira, dia 27/04, conforme relata a nova propaganda-lobby publicada na página A9 da Folha de São Paulo. Nessa publicação reduzida a uma só página foram feitas algumas alterações tópicas, como tirar a palavra que indica o Setor Poder no cabeçalho da Folha( 4/2/2018), e apresentar novos gráficos com o cabeçalho: DADOS POSITIVOS DESDE QUE O EXAME PASSOU A SER OBRIGATÓRIO, indicando como Fonte: IPEA, POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, DPVAT 

Na informação consta que a Abertura foi feita pelo representante permanente da Missão Brasileira na ONU, Mauro Vieira, e o presidente do Instituto de Tecnologias para o Trânsito Seguro - ITTS, Márcio Liberbaun, promotor do evento, realizado no DDR-Delegates Dining Room do Prédio da ONU, muito usado por clientes interessados em divulgar produtos e serviços em alto estilo.

E, no título da propaganda feita constam em letras garrafais: "ITTS leva à ONU experiência que salva vidas no trânsito do Brasil" e no subtítulo "Ex-Presidente FHC e especialistas analisam resultados do exame toxicológico para motoristas profissionais". Citanto-se ainda no final " O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi presidente da Comissão Global de Drogas da ONU, foi destaque do evento." É inimaginável que o ex-Presidente FHC tenha se envolvido em discussão da experiência com o exame toxicológico específico proposto e já aprovado e em operação parcial pelo Governo Federal. 

As observações e juízos que fizemos acima visou a demonstrar o contexto socioeconômico, político, social e cultural  em que vivemos e que me levaram a enviar a carta abaixo a Onbudsman da Folha de São Paulo antes mesmo que fatos aqui narrados tenham ocorrido. A partir de agora espero que a provocação da propaganda-lobby agressiva desencadeada pelo Estúdio Folha tenha despertado profissionais pertencentes a instituições brasileiras públicas, privadas e não-governamentais,  ligadas direta ou indiretamente ao sistema nacional de trânsito, manifestem-se sobre o assunto, objeto desta nossa avaliação. 



"Sra. Paula Cesarina Costa
DD. Ombudsman da Folha de São Paulo
Alameda Barão de Limeira, 425 - Santa Cecilia,
01202-900 São Paulo - SP,
                                    Assunto: Tecnologia, Salvando Vidas
Prezada senhora,
Reiteramos aqui nosso pedido para que V. S. manifeste sua opinião em relação ao assunto tratado em nosso e-mail de 10/04/2018, sem resposta, até hoje cujo texto transcrevemos abaixo com pequenas correções, enviado dia 26/04/2018 em Carta com Aviso de Recebimento (v. anexo) .

“A Folha de São Paulo, no dia 4/2/2018, domingo, usou uma forma de publicidade travestida de necessidade social urgente (Poder-9, 10 e 11). Trata-se de peça de “marketing–lobby” oculta sob o título Tecnologia Salvando Vidas do “Estúdio Folha – projetos patrocinados”, publicada na Seção Poder, espaço nobre normalmente ocupado por jornalistas profissionais e colaboradores convidados cujos textos são aceitos e respeitados pelos leitores pela sua seriedade e competência. Mais recentemente, parte desse espaço vem sendo utilizado, também, para divulgar matéria contendo dados, informações e juízos laudatórios a projetos, produtos e serviços, gerando conflito entre o verdadeiro jornalismo e a propaganda desvirtuadora.

Na referida peça – Tecnologia Salvando Vidas – foram publicadas entrevistas e manifestações de ocupantes de altos cargos nos setores privado e público cujos textos foram organizados harmoniosamente pelo "Estúdio Folha- projetos patrocinados" com o objetivo de apresentar uma nova tecnologia destinada a reduzir os acidentes de trânsito responsáveis por tantas mortes e ferimentos graves em nosso País.

Trata-se de incluir a obrigação de motoristas submeterem cabelos ou pelos seus a exames que permitam identificar o uso de produtos tóxicos que afetem negativamente sua capacidade de dirigir, não só no momento em que foi colhida a amostra, como em período anterior, envolvendo até duas semanas, ou mais, caso tenha usado droga. Essa permanência longa de vestígios decorre da capacidade da raiz de inserção do pelo na pele manter vestígios de tóxicos mais tempo que exames de urina e sangue.

Esse tipo de teste já é feito em hospitais e clínicas destinados a controlar o uso de droga na fase final de tratamento quando o paciente está liberado da internação, porém com a obrigação de comparecer ao posto de saúde para provar que não fez uso dela enquanto esteve livre. No caso de acidentes de trânsito, considerando que o álcool é a droga predominante e que a Lei prevê sanções preventivas e punitivas ao motorista por ocasião da infração e/ou acidente causado, o Código de Trânsito somente considera o momento em que o abuso ocorreu com o motorista no direção do veículo como relevante. Se o motorista estava  drogado ou não antes desse momento não interessa à segurança do trânsito em nossa legislação.

Na publicação feita na Folha pelo seu “Estúdio Folha- projetos patrocinados” existem dados, informações e afirmações questionáveis sobre os quais a própria Folha de São Paulo obviamente não se responsabiliza. Tampouco os entrevistados ocupantes de altos cargos e seus eventuais entrevistadores, estes últimos, sequer são identificados.  A mais gritante inverdade delas é quando se afirma em letras garrafais na página A11, “PREVENÇÃO SEM CUSTO PARA A SOCIEDADE”, como se o dinheiro que seria pago por nós, indivíduos, para fazer o tal do exame do cabelo, não representasse custo para a sociedade. Se isso não fosse suficiente, há recomendações no bojo da peça de marketing-lobby, como deverá se fixar o preço desse serviço em mercado aparentemente monopolista. Mais estranho, ainda, são os dados fornecidos sobre redução de acidentes devido ao uso desse exame. O sr. Rizzotto, coordenador de programa de redução de acidentes ao louvar a lei que obriga o exame do cabelo para detecção de uso de drogas afirma ...
”que não estamos falando em números, estamos falando em vidas humanas” e  relata o seguinte: “Em 2.014, antes da lei entrar em vigor, o Brasil viu 52.226 pessoas perderem a vida em acidentes de trânsito. Em 2016, já com a nova legislação, o total de mortos foi de 33.547”. São dados sem indicação de fonte. E, o que é mais grave, contabilizar toda essa redução exagerada de mortos em acidentes de trânsito a um exame de cabelo recém aprovado em Lei de março de 2015 e ainda limitado a motoristas de caminhões de carga !.

Conseguir redução de 35,8% em menos de dois anos é uma solução que escapa a compreensão de qualquer técnico ou pessoa razoavelmente informada sobre o trânsito. 

As irregularidades são tantas que a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego- ABRAMET já entrou com ação de revogação da Lei  13.103 de 02/03/2015; enquanto isso, a Folha de São Paulo por meio de seu “Estúdio  Folha  - Projetos Patrocinados” dá guarida a tal aberração.

Como assinante recente da Folha de São Paulo, senti-me ludibriado pela apresentação de propaganda-lobby, travestida de matéria técnica e social de alta relevância nas Páginas Poder - 9, 10 e 11 da Folha de São Paulo. 

Gostaria de conhecer sua opinião na qualidade de Ombudsman da Folha de São Paulo sobre o aqui descrito pelo leitor que esta subscreve.
                             Atenciosamente,
Eduardo José Daros
RG 7881695  SSP/SP
Rua Roque Petrella, 556  SP/SP"
                                              FIM

Monday, April 02, 2018

Caros leitores de meu modesto e mal alimentado blog. Desejo-lhes feliz páscoa junto a seus familiares, transmitindo-lhes as palavras sábias de Albert Einstein que tomei conhecimento ao receber de amigo sua saudação pascal. 
    

Devemos lembrar que foi EINSTEIN quem nos deu a ferramenta que possibilitou demonstrar ser a velocidade combinada com a massa do veículo automotor, em sua celebre equação F= mv2, a força que mata e destrói os seres humanos. Como destacaram e corroboraram médicos presentes em reunião recente havida para se discutir o que fazer para se reduzir as mortes e ferimentos graves em acidentes de trânsito, a velocidade elevada dos veículos é totalmente incompatível com a fragilidade dos seres humanos envolvidos em acidentes de trânsito, particularmente quando estão a pé. 

Por isso endosso as palavras de EINSTEIN  que a Páscoa é mais do que ciência e do que fé, é amor que nós seres civilizados devemos expressar por meio de conhecimento científico e de sua materialização em tecnologias que preservem nossas vidas e saúde. 

Não podemos calar diante de tantas mortes e aleijamentos, sabendo que a velocidade é sua causa principal em acidentes de trânsito. Na Europa muitos países já estabeleceram os limites de 50 km/h nas vias arteriais e 30 km/hora nas locais. Infelizmente, tenho conhecimento que somente na Cidade de São Paulo, o Prefeito Haddad adotou esses limites. Contudo, ao contrário das vias arteriais, não adotou sinalização e regulamentação efetiva nas vias locais. Espera-se que as associações de bairro pressionem o próximo prefeito para manter esses limites e tornar efetivo o controle de 30 km/h nas vias locais. 
                                                FIM

Sunday, August 20, 2017

Ministro Gilmar Mendes

O Ministro Gilmar Mendes se expõe muito à mídia e, consequentemente, acaba sendo obrigado a manifestar pensamentos e a adotar posturas improvisadas pouco consentâneas com os cargos que ocupa em órgãos da mais alta magistratura do País. No caso recente em que retirou pessoas recém presas sob suspeita de corrupção no relacionamento de suas empresas privadas de transporte público com o setor público carioca, fiquei surpreso com a seguinte afirmação sua. " Não sou amigo de........ Fui simplesmente padrinho de casamento de sua filha" . E acrescentou que teria sido o único contato que teve com o pai da noiva, pessoa cuja suspeição de corrupção levou-o à prisão e, posteriormente, solto por ato do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. 

Ao invés de justificar clara e objetivamente a razão de não ter se declarado impedido de julgar esse caso, lançou em nossas mentes tantas dúvidas mais que melhor seria não ter falado nada. Chamar, indiretamente, juízes que evitam controvérsias públicas sobre suas posições de isenção em julgamentos de pessoas íntimas e de seu relacionamento social, de covardes, apresentando-se como corajoso e imune a situações de constrangimento social, somente se justificaria diante de um julgamento de alta relevância para o País que pudesse afetar o respeito à nossa Constituição por pessoa amiga, conhecido ou parente seu, mesmo que próximo, em que seu voto fosse decisivo para garantir o respeito a nossa lei maior. No caso em foco, além de ato de pouco importância,  para não dizer corriqueiro, somente gerou confusão e desgaste de sua imagem perante a opinião pública e afetou negativamente o conceito da população sobre os juízes da mais alta corte em momento crítico de que ela mais precisa demonstrar sobriedade e recato.