Sunday, August 23, 2009

ELIANE CANTANHÊDE

Casa de Zumbis

Na Presidência, José Sarney não tem condições de presidir sessão nenhuma, arrastando os pés tristemente do gabinete ao plenário sob uma nuvem de ostracismo. Sua voz e sua mão nunca mais vão parar de tremer na tribuna.

Na liderança do PT, Aloizio Mercadante é um fantasma dele mesmo, numa função fantasma. Líder de uma bancada subjugada pelo Planalto e que se desfez em pedaços e em intrigas, ele não fala mais para seus pares petistas, nem para a base aliada, nem para a oposição.

Na liderança do PSDB, o principal partido da oposição, Arthur Virgílio engaveta os seus discursos irados e recheados de um certo lustre intelectual para conviver hoje, amanhã e sempre com o depósito feito por Agaciel Maia para pagar hotel em Paris e com os milhares de reais que saíram do público para financiar o estudo privado de um amigo assessor.

Sarney, Mercadante e Virgílio são zumbis de um Senado zumbi. E não só do Senado, mas da política.

Sarney, o veterano de fala mansa e conversa agradável, não teve mais condições de eleger a filha Roseana ao governo do Maranhão e levou um suadouro de uma delegada negra e estreante nas eleições no Amapá. Enfraquecido em seus três feudos -o Maranhão, o Amapá e o Senado-, vai se agarrar desesperadamente a Lula, ao preço da aliança formal do PMDB com Dilma.

Mercadante, que se regozijava com a condição de senador mais votado do país, hoje já não dá para o gasto. Vêm aí as eleições para o governo de São Paulo, mas ninguém fala no nome do senador mais votado do Estado. Aliás, como veio o governo "do amigo" Lula, mas ninguém falou no seu grande assessor econômico para a Fazenda.
E Virgílio, uma ilha nos mais de 80% de Lula no Amazonas, entrou na política como jovem brilhante e está para sair como neurótico estridente e inconsequente. É um resumo cruel. Mas, infelizmente, verdadeiro.
elianec@uol.com.br
Nota: Transcrito da Folha de domingo, 23/08/09

Saturday, August 22, 2009

FREUD EXPLICA

A renúncia anunciada e proclamada e tão bem concebida moral e politicamente por Mercadante, que o levaria aos píncaros da liderança de petistas insatisfeitos, esvaiu-se num sussurro envergonhado de permanência no cargo, emitido no plenário do Senado na presença de “cinco colegas, dos quais apenas um petista, e de um ex-senador” (Folha, 22/09). Perdeu a grande oportunidade de se tornar um dos maiores políticos do País e demonstrar à nação de que existe um petista preparado a renovar seu partido. Reviver os valores que nortearam seus políticos na luta contra a corrupcão e o fisiologismo no passado, agora tolerados e praticados com a justificativa de manter a governabilidade. Ao caminhar para enfrentar Lula, porém, enfraqueceu-se e caiu na armadilha do Pai que o mandou de volta com uma cartinha na mão cheia de elogios e afagos ao Filho obediente. A sua carreira de líder político independente e coerente se encerra e se inicia a de assessor de Lula: aquele que terá de buscar a obediência dos liderados por meio de uma cansativa tarefa de levar e trazer recados do “Capo”.

Thursday, July 30, 2009

MOTOTAXI
Sempre soube que o serviço de transporte público de passageiros tem de ser concedido (ou autorizado) pelas autoridades públicas visando a garantir qualidade, segurança e preços justos aos usuários. Em outras palavras, o transportador de passageiros tem de demonstrar ao poder público que os veículos e os condutores de sua empresa oferecem as condições acima. E se autorizado, a população entenderá que poderá usar o serviço com tranqüilidade. O mesmo acontece - ou deveria acontecer - com outros produtos e serviços oferecidos no mercado à população.

Ora, todos sabem que a motocicleta não é um veículo seguro para o transporte de passageiros, AINDA QUE O VEÍCULO BEM CONDUZIDO ofereça segurança para o motociclista qualificado e treinado que, no caso, funde em si dois papéis: de condutor qualificado e treinado e o de passageiro qualificado e treinado. Como se pode regulamentar o serviço de mototaxi se o passageiro para usá-lo necessita de possuir condições físicas e psicológicas especiais para ser transportado com segurança? Em outras palavras, o passageiro teria de provar ao motociclista-condutor do mototaxi que não sofre nenhuma restrição para ser um PASSAGEIRO SEGURO. Na realidade, deveria ter uma licença da autoridade pública para utilizar o mototaxi. Caso não a tenha, o motociclista-transportador será responsável por danos físicos e morais causados ao PASSAGEIRO CLANDESTINO, isto é, sem licença para usar esse serviço.

É incrível que seja homologada uma lei em que o PASSAGEIRO DEVA DEMONSTRAR QUE ELE É HABILITADO PARA SER TRANSPORTADO. Caso não o demonstre, em se tratando de um serviço regulamentado pelo poder público, nada impedirá que gestantes, crianças, idosos, portadores de doenças incompatíveis com o mínimo de equilíbrio físico e mental necessário para se manter sentado na moto, e tantas outras restrições que o TORNEM UM PASSAGEIRO INSEGURO PARA SER TRANSPORTADO EM MOTOCICLETA, avaliem inadequadamente sua possibilidade de ser transportado com segurança e corram riscos enormes nesse transporte.

Especialistas em transportes que conhecem bem as características exigidas para QUALQUER PESSOA USAR O SERVIÇO DE TAXI AGORA REGULAMENTADO PELO PODER PÚBLICO PARA SER EXECUTADO TAMBÉM POR MOTOCICLETAS apresentem sua avaliação por meio de representação junto ao Ministério Público, responsabilizando as autoridades de trânsito do País pelas mortes e acidentes que decorram de tamanha estultice que é a regulamentação do mototaxi. Por que não enfrentar os cartéis que controlam os serviços de taxis em todas nossas cidades, promovendo ociosidade no sistema devido a tarifas elevadas que são acessíveis somente aos grupos sociais com renda bem acima da média da população? Os serviços de taxis na Índia podem ser realizados em veículos leves de três rodas e poderiam ser homologados, também, no Brasil para serviços de passageiros, limitando-se, obviamente, a velocidade deles. É somente um exemplo menos burro que o mototaxi.

Observação: como os municípios serão responsáveis pela regulamentação detalhada do serviço, pela expedição da licença para o transportador e pela fiscalização, essa Lei Federal simplesmente jogou no colo dos prefeitos uma bomba de efeito retardado! Se forem feitas muitas restrições e exigências, O PREFEITO SERÁ CULPADO; se aumentar o número de feridos e mortos, O PREFEITO SERÁ CULPADO. A única saída para os prefeitos será pedir ao Presidente Lula que revogue a LEI, pois aí serão todos eles culpados perante os motociclistas interessados em explorar o serviço de mototaxi.

Friday, June 26, 2009

Já se pode andar a pé com dignidade?

No dia 5 de junho passado a Associação Brasileira de Pedestres – ABRASPE comemorou 28 anos, mantendo suas qualidades de fundação: muita esperança e ânimo. Contudo, a visão política do seu fundador que assina este artigo, engenheiro de formação e com experiência em atividades puramente técnicas, era infantil e, como tal, imediatista: bastaria conscientizarem-se as autoridades públicas das condições inaceitáveis em que o cidadão se encontra na qualidade de pedestre para que as medidas necessárias para dar-lhe conforto e segurança seriam adotadas imediatamente. Afinal, o metro quadrado de calçada e o custo de faixas e de sinalização para as travessias de pedestres custam menos, muito menos, sem dúvida, que a infra-estrutura necessária para o trânsito de veículos automotores que envolvem não só a construção e manutenção das pistas, da sinalização horizontal e vertical, da fiscalização e policiamento, e o custo de toda a parafernália legal e administrativa necessária a manter nosso trânsito seguro e menos agressivo à saúde e integridade física da população. Além disso, o custo da construção e manutenção das calçadas é da responsabilidade dos proprietários dos imóveis em frente delas, sendo, portanto, do interesse deles que sejam belas, seguras e confortáveis; pois não só as atividades econômicas, comerciais. sociais e familiares abrigadas nas casas e edifícios fronteiriços se enobrecem, como se evitam multas da fiscalização e ações na justiça em caso de quedas e ferimentos causados aos pedestres. Esse interesse, todavia, torna-se menor - para não dizer que desaparece de todo - pelo fato da fiscalização pública ser omissa, mesmo quando ativada por denúncias de pedestres prejudicados, e, ainda, devido a procedimentos administrativos e legais inadequados que transformam um simples remendo de calça num processo “kafkiano”. Quanto a ações na justiça – já que nove pedestres em cada mil habitantes da população se ferem caindo em nossas calçadas, segundo pesquisa do IPEA feita na Cidade de São Paulo – elas simplesmente não acontecem. A maioria não acredita que o esforço e gasto eventual da ação produzam resultado financeiro que os compensem. Os poucos que gostariam de acioná-la acham que perderão seu tempo. Realmente há esses riscos, apesar de a justiça ter criado juizado especial para causas até quarenta salários mínimos e, além disso, ter aceitado a prática de indenização por dano moral em situação criada, por exemplo, pelo vexame da queda de um pedestre na calçada. É necessário, porém, que sejam identificadas, no próprio local da queda, testemunhas dispostas a depor no juizado sobre o ocorrido. Celulares oferecem hoje a facilidade de se fotografar a irregularidade que deve ser objeto de imediata reclamação à Prefeitura Municipal que deve avaliar se o defeito, o buraco ou o que seja, é, de fato, uma irregularidade. Com o laudo oficial da prefeitura municipal de que se trata de irregularidade, a foto e o nome, endereço e telefone da testemunha, o pedestre, munido dos recibos de farmácia, taxi, e outros custos de enfermaria ou até mesmo de pronto socorro ortopédico, comparece no juizado especial para pedir compensação pelos danos materiais, pela perda de renda por incapacitação eventual de trabalhar, se for o caso, e pelo dano moral produzido pela queda. No caso das travessias e a correspondente sinalização que, eventualmente, não lhe garantam a necessária segurança e conforto, o pedestre pode e deve fazer uso dos artigos 72 e 73 do novo Código de Trânsito Brasileiro relativos aos direitos do cidadão para solicitar providências e receber resposta, sem delongas.

A ABRASPE continuará insistindo junto às autoridades de trânsito que adote medidas que melhorem o conforto e segurança do pedestre, como se constata em www.pedestre.org.br Em país de tamanho continental como o nosso, porém, é necessário que grupos e indivíduos utilizem os instrumentos de cidadania como os citados acima para pressionar as autoridades locais a melhorar as calçadas e travessias e cobrar indenização pelos prejuízos que tenha sofrido ao andar a pé.

Respondendo à pergunta que encabeça este texto, podemos afirmar que as condições do pedestre estão mudando para melhor, porém muito, mas muito lentamente, ainda tirando, portanto, a dignidade do cidadão que anda a pé.

Saturday, June 13, 2009

USP

Na qualidade de cidadão e leitor da Folha gostaríamos que a Reitoria respondesse às afirmações abaixo, contidas no artigo do Professor de Filosofia Saflate(12/06), a fim de que possamos formar opinião correta sobre o que está ocorrendo na USP. Em relação aos grevistas afirma: a) piquetes e degradações; b) salários menores que de qualquer universidade federal no País; c) gritos e latas; d. 2.000 estudantes “de todas faculdades” participaram , incluindo “alguns de nossos melhores alunos”; e) greve de funcionários (administrativos) no início, envolvendo professores e alunos após a entrada da polícia. Em relação à polícia destaca: a) armada com metralhadoras; b) risco de balas perdidas atingirem crianças; c) incapaz de agir de forma “minimamente adequada diante do cidadão”; d) “polícia bem preparada não reage a gritos e latas com gás lacrimogêneo e) balas de borracha”; e) histórico catastrófico em resolver conflitos sociais de nossa polícia militar.

Sunday, May 31, 2009

Nojentos e Assépticos
Em artigo com o título acima (Folha 31/5), Plínio Fraga esqueceu que não há divisão formal entre esquerda e direita em nosso País. Basta ouvir a propaganda comercial-eleitoral gratuita para constatar que os cansativos bordões são praticamente os mesmos: desenvolvimento com melhoria da qualidade de vida, da distribuição de renda, inclusão social e muito emprego. É após a eleição que surgem as diferenças entre os políticos, e até entre partidos. Elas acontecem quando se definem os meios e as formas de se atingirem os objetivos enunciados. Muitas escolhas inexplicáveis à luz da razão normalmente atendem a interesses escusos ou inconfessáveis. A impressão que nós eleitores temos é que as poucas diferenças ideológicas que poderiam diferenciar os políticos de esquerda e direita, se é que existem, estão sendo tragadas pela sede de poder e dinheiro. A grande agitação de nossa elite política se assemelha a uma corrida permanente no desfrute do poder, acobertada por objetivos nobres enunciados publicamente. “E cosi la nave và ” até que um dia encontremos nosso porto de redenção.

Eduardo José Daros Rua Roque Petrella, 556 04581051 S. Paulo, SP
Tel, 11-84440941 daros@transporte.org.br

Sunday, May 24, 2009

EDUCAÇÃO versus POLÍTICA

Qualquer mudança séria e profunda no sistema político brasileiro esbarra no baixo nível de educação do povo e, especialmente, em sua herança cultural com valores e crenças inadequados a uma convivência social saudável. Infelizmente, essa observação -ou especulação– aplica-se a todos os segmentos, inclusive à elite brasileira. A reportagem de Felipe Seligman sobre terceiro mandato (Folha 24/5) mostra a imaturidade do legislativo na abordagem de assuntos relevantes para o aperfeiçoamento de nosso regime político visando à preservação da democracia. Mudança de partido até seis meses antes das próximas eleições e possibilidade de um terceiro mandato são aberrações que não podem ser tratadas casuisticamente. Se não prevalecer a posição madura do Presidente Lula e o poder moderador assumido pelo Judiciário na defesa da república, nosso País se transformará em gigantesca Venezuela. E daí, que Deus nos acuda.....

Sunday, May 17, 2009

Estado Forte

Para os mais velhos, essa designação é um pleonasmo, pois o Estado deve ser necessariamente forte. Para os jovens, a qualificação “forte” traz consigo uma leve ironia para dizer que alguém está balofo. Se entendermos, porém, como forte, um Estado formado de governos enxutos, eficazes e éticos, agindo, portanto, com rapidez, competência e pleno respeito às leis do País, o Presidente Lula pode contar com nossa aprovação a seu novo mote de campanha eleitoral antecipada. E mais do que isso, tem nosso total e irrestrito apoio para pôr mãos à obra e começar já seu árduo trabalho de reverter o inchaço do Governo Federal (v. Folha 17/5, Gustavo Patu) e dar o bom exemplo às demais instituições do setor público do País para que, no futuro, tenhamos um Estado Forte como ele deseja e prega.

Thursday, May 14, 2009

FGV

A FGV está na berlinda sem que ninguém explique os termos do contrato e quem foram os consultores técnicos contratados para o estudo de reestruturação dos serviços administrativos do Senado. A legislação permite que o setor público a contrate sem licitação, assim como faz com entidades públicas de ensino e pesquisa e outras organizações não-lucrativas. Como nas concorrências do setor público o custo do serviço é fator predominante na escolha, consultores técnicos de alto nível têm dado preferência a prestá-lo a empresas privadas. Nelas, a escolha se faz com base na relação custo/benefício do serviço, que leva em conta, também, os resultados conseguidos com a implantação dos estudos e projetos propostos pelos consultores. Enquanto isso, nos contratos do setor público com entidades sem fins lucrativos tem havido certa liberalidade na aceitação – havendo casos de direcionamento - de subcontratação de serviços administrativos e de consultoria técnica realizados por profissionais não pertencentes ao quadro permanente da instituição contratada. Seria interessante que a Folha, tão alerta em desvendar os intrincados interesses envolvidos no jogo político, também o fosse em relação à contratação de serviços profissionais de técnicos de alto nível pelo setor público. Afinal, um estudo de reestruturação administrativa do Senado Federal visando à sua racionalização que produz uma redução de despesas inferior a 1% exige explicação convincente para que não se pense o pior.
FIM

Wednesday, May 13, 2009

Brasil e Venezuela

Os US$ 200 bilhões de reservas que o Brasil ostenta hoje se deve ao trabalho árduo de nosso povo, à qualidade de nosso empresariado e, muito, muito mesmo, à estabilidade de nossa política econômica e à solidez de nossas instituições. A caricatura que se faz da Venezuela no Brasil se deve à discricionariedade de Chávez no exercício do poder. Transforma suas ameaças em ações, passando por cima das instituições democráticas e da tríade que define o poder do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. A entrevista construída pelos repórteres da Folha (Caso Battisti, 13/5) e “reconstruída” por nós a partir da reportagem, é assustadora.
“Se o STF aprovar a extradição de Batistti o que acontecerá?” perguntamos
Tarso Genro reponde: "Seria perturbador se o Supremo mudasse a jurisprudência por causa do caso Battisti para atender um país que não respeita as autoridades do Brasil (refere-se à Itália)";
Gilmar Mendes responde: “Se a corte (referindo-se ao STF) votar pela extradição, caberá ao presidente Lula respeitar a decisão.”;
Tarso Genro comenta a resposta de Gilmar Mendes: "É bom que o Supremo não faça isso".
FIM

Tuesday, May 12, 2009

Vício de Origem no PARLASUL

Com esse título, Fernando Rodrigues em seu artigo na folha (4/5), alerta-nos sobre o pesadelo que o MERCOSUL pode se transformar para o Brasil ao aceitar que em seu Parlamento, já se defina, que o poder de decisão se distribua fora dos parâmetros democráticos da proporção da população de cada País no conjunto. O que se pretende aprovar vai colocar o Brasil em constante conflito com seus vizinhos, principalmente se o Senado cometer a sandice de autorizar a entrada da Venezuela no sistema. No estágio em que o MERCOSUL está seria melhor evitar formalizações prematuras de sistema de votação e dar um basta à velha tradição brasileira de imitar. Por mais esforço que faça, não consigo separar a imagem do MERCOSUL-PARLASUL da de um papagaio frente à União Européia.

Socialismo do Século 21

Referimo-nos ao Socialismo Bolivariano em processo de implantação por Chávez. A mais recente iniciativa sua, publicada em reportagem da Folha (12/5), é o telefone celular VERGATÁRIO, cujas peças são importadas da CHINA e a montagem feita pela empresa estatal venezuelana MOLINET. No período das compras que antecedem o Dia das Mães, CHÁVEZ se tornou garoto-propaganda desse produto em aparições feitas em “suas várias cadeias de TV Estatal”. Também, recentemente, fez propaganda do livro "As Veias Abertas da América Latina", aumentando significativamente suas vendas. Perguntamo-nos como os Membros do MERCOSUL se comportarão diante de situações como essas, caso o Senado Federal aprove convite do Governo Lula para a VENEZUELA integrar o bloco? Em tempo: segundo a mesma reportagem, celulares é um dos principais itens de exportação do Brasil para a Venezuela.

Saturday, May 02, 2009

PANDEMÍDIA

"Os telespectadores e ouvintes de rádio apreciam ser informados sobre violências e catástrofes. E essa mídia falada - e a TV com imagens também - esmera-se em assustar a população. Lembro-me de um jornal, muito popular no Rio, de onde se dizia escorrer sangue de suas páginas. Felizmente, os grandes jornais impressos continuam a ser a fonte mais equilibrada de informações. No Brasil, se forem somadas as mortes em acidentes de trânsito com os assassinatos, chega-se a um índice bárbaro de 10 mortes por hora (85.000/8.760). A tal gripe que começou no México, chamada inicialmente de suína, e agora carimbada tecnicamente de H1N1, tem mantido o rádio e a TV histericamente ocupados com ela apesar de ainda não ter matado ninguém e sequer ter chegado ao País. Não obstante, a audiência cresce, dá IBOPE e torna a população brasileira alienada de seus problemas e dos riscos reais de morrer prematuramente ou de vir a contrair doenças graves."

Nota: Este texto foi enviado ontem ao Painel do Leitor da Folha de SP. Seguramente não será publicado e se juntará às dezenas que enviei para esse painel.A partir de hoje vou incorporá-los neste BLOG.

Tuesday, March 31, 2009

LULA NO CHILE
Excelente o Editorial da Folha (31/03) sob esse título contra o Estado forte defendido por Lula. Achávamos que a expressão Estado necessário já tivesse produzido raízes em nosso País. Felizmente, a explicação de Lula do que entendia como tal desanuviou o ambiente, em parte; "Estado democrático, socialmente controlado e eficiente na prestação de serviços". Difícil de entender, porém, que um assessor de alto nível que o acompanha “fez elogios, no dia anterior, ao populismo sul-americano, incorporado em governos como os de Chávez, na Venezuela, Morales, na Bolívia, e Correa, no Equador”, segundo a Folha. Será que Lula acredita que nesses países seus governos, com o apoio eleitoral e “referendal” da maioria da população, estão transformando seus Estados em democráticos e socialmente controlados e mais eficientes na prestação de serviços? Um velho político dizia: “se você quer conhecer o pensamento de uma autoridade pública de alto nível não ouça ou leia discursos seus, converse com seus assessores mais íntimos”. Afinal, quem é o citado assessor?

Sunday, March 29, 2009

DEMOCRACIA E DITADURA DA MAIORIA

Uma das confusões mais perniciosas para o cidadão brasileiro é nossos políticos esquecerem, no dia-a-dia, a diferença entre vontade da maioria com democracia. Ainda que em discursos formais bem elaborados e cuidadosamente revistos eles caracterizem como base fundamental do governo democrático o respeito às minorias, nas atividades correntes se esquecem disso com muita freqüência. E pior, os cidadãos da minoria prejudicada em seus direitos garantidos por lei se omitem diante da ditadura da maioria. Outra dificuldade por má formação intelectual do político é a falta de lógica em seu raciocínio. Quando se juntam essas falhas surgem idéias e propostas de ações e políticas que visam, muitas delas, a objetivos nobres, contudo, os meios irracionalmente escolhidos acabam gerando desperdício de recursos e introduzindo mecanismos e regras administrativas que contrariam os bons princípios democráticos conquistados pela sociedade e assimilados em suas práticas ao longo dos anos.

O exemplo mais notório disso é a insistência com que o atual governo está introduzindo o sistema de cotas nas universidades públicas federais e, agora, a discussão da eficácia do vestibular. Em excelente artigo publicado na Folha do dia 23/3, Vestibular como Anomalia?, Carlos Eduardo Bindi escreve em determinado trecho “O estudante da escola pública de ensino médio nunca questiona o vestibular, alegando ser ele ilícito. Ele reclama é do fato de não ter sido aprovado porque não teve acesso ao conhecimento que deveria ter sido proporcionado a ele”. A falta de lógica no sistema de cotas é tão gritante que dispensa comentários. A eliminação do vestibular no atual estágio de nosso ensino superior, porque não é o instrumento perfeito de seleção, seria o golpe de graça na preservação da qualidade de nossos profissionais de nível superior. Não se deve olvidar que o estreito canal de entrada nas universidades já foi dilatado com a instalação irresponsável e sem controle de entidades de ensino superior, muitas delas com o único objetivo de produzir lucros a seus proprietários. Em muitos casos não é exagero se afirmar que nelas se vendem diplomas a prestações cujo número é estabelecido pelo período que o estudante-comprador deverá “permanecer” como aluno do estabelecimento. No caso do diploma de bacharel em direito, por exemplo, a deterioração do ensino foi tal que a OAB criou um crivo específico para eliminar pessoas completamente inabilitadas para o exercício da profissão. É como se o egresso de uma Escola de Engenharia ou Medicina perdesse o direito de exercer sua profissão depois de ser diplomado, devendo passar por novo exame organizado pelas entidades de suas respectivas classes. O vestibular ao eliminar 95% dos candidatos (número citado por Bindi) gera, também, uma situação muito pouco comentada, qual seja, a de selecionar uma elite de elevada capacidade mental e intelectual que terá condições de avaliar criticamente o próprio ensino superior e tapar os “furos” nele existentes por meio de cursos, seminários e leituras complementares. Quem freqüentou curso superior sabe que a competência dos professores varia muito entre eles e tende a se estagnar, ou até mesmo se deteriorar, em muitos casos, pela falta de estímulos, especialmente de competição, para que se mantenha permanentemente atualizado em sua matéria. Após conseguir o cargo por concurso público, sua estabilidade não é ameaçada. A maior parte dessa elite de estudantes que passou no vestibular vai à luta, preenchendo os vazios deixados no ensino superior e avançando com novas técnicas, práticas e conhecimentos para enfrentar a acirrada competição em seu mercado profissional. Atitude nem sempre adotada pelos maus professores que não cumprem com sua obrigação de manter-se continuamente atualizado.

Em suma, o que mais precisamos no Brasil é de um ensino fundamental e médio de alta qualidade, seja ele público ou privado, que garanta conhecimentos e habilidades para o exercício profissional competente e honesto visando a atender a demanda de nossa sociedade; adequados, obviamente, a uma filosofia de vida compatível com a harmonia social e ambiental, tão necessária em nossos dias. O ensino superior, bem como as pós-graduações, devem ser reservados somente aos estudantes mais qualificados, sem distinção de classe, cor, raça, religião,gênero, ou qualquer outro sectarismo porventura existente. Para que o País não prejudique os mais pobres nessa seleção, pois iniciam seus estudos com bagagem cultural menor, compete ao governo garantir a igualdade de oportunidades, fornecendo-lhes subsídios e atenção especial, inclusive à família, no caso dos mais dotados, para que a igualdade de oportunidades seja real e lhe garanta o acesso até o nível de educação que tiver desejo e qualificação para chegar. Arrombar as portas das universidades com cotas e privilégios, e agora com o questionamento da eficácia do vestibular, mais parece uma revolução em que o governo busca incessantemente a cooptação da maioria negra e parda, bem como daqueles que por deficiência das escolas públicas não têm condições de competir no vestibular. Se a qualidade de nossos “doutores” e técnicos cair, ainda mais,em conseqüência disso,o prejuízo social e econômico do País será avassalador, pois o tempo perdido não poderá ser recuperado. O Brasil já demonstra falta de profissionais competentes de nível médio e superior no estágio atual de desenvolvimento,fazendo com que a melhoria da educação seja aclamada, conclamada e proclamada como prioridade número um por todos especialistas em desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental.

Por outro lado, em recente manifestação sobre a crise financeira e econômica internacional o Presidente Lula afirmou o seguinte: “É uma crise causada, fomentada, por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis, que antes da crise parecia que sabia tudo e que, agora, demonstra não saber nada”. Questionado por jornalista da BBC sobre essa tirada, ele respondeu: “como não conheço nenhum banqueiro negro ou índio, só posso dizer que essa parte da humanidade, que é a mais, eu diria, vítima do mundo, pague por uma crise” (frases publicadas na Revista Época de 28/3. Ora, o que se observa aqui, novamente, é o confronto de cores de pele, esquecendo-se da falta de lógica, pois está implícita a idéia em sua explicação ao jornalista da BBC, que se os banqueiros fossem negros e índios não tinha importância que suas populações fossem vítimas da crise. Esquecendo-se, além disso, que a população branca, inclusive as de olhos azuis, não merece estar sofrendo por uma crise gerada pela irresponsabilidade de agentes do setor financeiro e de incopetencia do governo norte-americano. Essas tiradas sem lógica, prejudicam a imagem do Presidente Lula e o enfraquecem na luta contra o protecionismo no comércio internacional, pela revisão da estrutura do sistema financeiro internacional e do papel do FMI, pela participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, que conta com o respaldo de todos nós brasileiros, brancos, negros, pardos, amarelos, e outras cores de pele.

Enquanto a mídia encara jocosamente as tiradas do Presidente Lula, a falta de lógica do sistema de cotas para negros e pardos e de preferência aos egressos de escolas públicas no acesso às universidades federais deve ser analisado e avaliado com seriedade e preocupação, pois coloca em risco o sistema de mérito cuja immparcialidade e eficácia na seleção dos melhores estudantes não foi colocada em dúvida até hoje.

Thursday, March 26, 2009

BRANCA DE OLHOS AZUIS

O Presidente Lula disse que “a crise (econômico-financeira) foi criada e fomentada por gente branca de olhos azuis.” (Globo News 26/03) À primeira vista, seu sorriso de satisfação e alívio poderia indicar que extravasava algo preso em sua garganta, resultante de mágoas e humilhações pessoais. Isso é impossível, pois Lula se parece fisicamente a um homem do mediterrâneo: àqueles branquelas de olhos pretos e castanhos que colonizaram a África e a América Latina. Será que nessa afirmação ele procura se identificar com nosso povo? Não com os brasileiros pobres em que há muitos brancos e, até mesmo, de olhos azuis. Mas sim com os negros e pardos que, ao contrário do que Lula pensa, adoram a Hebe, a Xuxa, a Angélica, a Maria Braga, bem como os galãs branquelos de olhos azuis que tanto sucesso fazem na TV. Seria bom que ele explicasse melhor para nós cidadãos brasileiros de todas as cores e matizes de pele e olhos quem ele quer colocar para baixo e quem ele quer por para cima com esse extravasamento emocional. Era só o que faltava agora seria o Presidente Lula gerar conflitos oculares e epidérmicos num País que se contorce no meio de todos os tipos de crises imagináveis, além da econômico-financeira, obviamente.

Tuesday, March 24, 2009

Dilma concebe plano de banda larga para escolas sem coordenação com Estados

Se não tivesse lido o artigo todo de Elvira Lobato e Antônio Góis publicado na Folha (24/3) com o título bombástico "SP recusa internet gratuita do governo federal para escolas", teria concluído que Serra pirou. Nele se informa que “A Secretaria da Educação de São Paulo diz que suas 5.537 escolas já possuem banda larga mais veloz e mais segura”. Em outro trecho, contudo, escreve que “São Paulo foi o único Estado a recusar a banda larga federal.” E esclarece que sete Estados que também possuem rede própria de banda larga (CE, SC, PR, MG, PE, MA e PA) aproveitaram a oferta da União como conexão adicional, “mas criticam a superposição de redes.” Em seguida transcreve opinião de autoridade no assunto: "Não faz sentido implantar banda larga onde ela já existe. É desperdício de recursos para o governo federal e para os Estados", diz Joaquim Costa Júnior, presidente da Abep (entidade que reúne as empresas de tecnologia dos Estados). Qual a razão de tanta confusão? “Ele (o plano) foi costurado pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) com as companhias telefônicas, no ano passado, sem discussão prévia com os Estados”, comenta a reportagem da Folha. Portanto, o título da reportagem deveria ser o que encabeça este nosso comentário e não, a quase acusação, de que SP recusou internet gratuita do governo federal para escolas.

Wednesday, March 11, 2009

"Convergência de Idéias e Valores"

É de estarrecer que o presidente da Abrapp-Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, José de Souza Mendonça, que representa também entidades privadas, tenha afirmado que na escolha dos presidentes de fundos de pensão prevaleça, além da confiança, o critério de "convergência de idéias e valores" com os que detêm o poder de indicá-los, como publicou a Folha . Até hoje, milhões de trabalhadores que contam com os recursos desses fundos para sobreviverem pensavam que o critério adotado seria o da capacidade profissional, independência na gestão e atitudes de respeito à lei e à moralidade, visando a garantir a preservação do patrimônio coletivo com rentabilidade suficiente para atender seus compromissos estatutários. Não acredito que os fundos privados adotem o compadrismo como critério para escolher seus dirigentes. Cabe aos responsáveis pelas escolhas de seus dirigentes, porém, afirmar isso, publicamente, para tranquilizar os trabalhadores do setor privado que contribuem para esses fundos.

Thursday, March 05, 2009

COTAS e PREÇOS IMPOSTOS

Depois de ler reportagem publicada na Folha de 04/03 sob o título "Chávez impõe cotas de produção de alimentos", resta-nos rezar pela paz e bem estar do povo venezuelano seriamente ameaçadas pelo desvario de seu Presidente que odeia a economia de mercado e sua lei maior: a da oferta e da procura. Ainda, assim, o governo de Lula quer sua participação no MERCOSUL. Hoje, 05/03, lendo os artigos "Ditadura à brasileira" e "Crise- o urgente e o básico", escritos, respectivamente, por Marco Antonio Villa e Jorge Wilheim, tomo consciência de que, apesar de tudo que aconteceu e tem acontecido, o povo brasileiro deve se orgulhar da maneira como sua elite respeita os mecanismos da economia de mercado e suas leis. Aperfeiçoa-los, sim; destruí-los nunca. As exceções foram poucas e ridículas, como por exemplo, A caça ao boi gordo, no Governo Sarney e O confisco da poupança, no Governo Collor.

Sunday, February 22, 2009

MAL-ENTENDIDO ou MAL TRADUZIDO?
A Redação da Folha citou trecho do comunicado do Ministério da Justiça de que Tarso usou a palavra inglesa "handicap" para descrever a influência do presidente na campanha de Dilma com a conotação de vantagem. Isso porque o famoso jornal El País, muito elogiado pelo Senador Sarney em sua coluna, traduziu a palavra inglesa "handicap", como obstáculo, na entrevista dada pelo MinistroTarso Genro. Tanto obstáculo, como desvantagem, que seria a tradução mais usada no Brasil, tornariam sua afirmação de que o apoio do Presidente Lula à Dilma Rousseff seria um "handicap", conflitante com seu pensamento, com o contexto da entrevista e, principalmente, com as ações políticas visando às eleições de 2.010. Faltou esclarecer ao leitor, porém, o sentido de "handicap" em inglês como vantagem que se dá à pessoa ou ao time que se julga mais fraco para transformar uma competição esportiva "mais igualitária" e excitante. Nas brincadeiras de criança, lembro-me de que em corridas com os mais novos costumava-se lhes dar vantagem, seja em espaço, seja em tempo. Não seria esse o sentido real que o Ministro quis dar a "handicap"? Afinal, o apoio do Presidente e o início antecipado da campanha, nada mais são que "handicaps" oferecidos à candidata Dilma Rousseff na "corrida à presidência". Acontece que eleição para presidente não é jogo esportivo, tampouco brincadeira de crianças.

Sunday, February 08, 2009

VENEZUELA no MERCOSUL?

De seu jeito, a China vem introduzindo a economia de mercado apesar de manter um monolítico sistema político. Putin não quer nem ouvir falar de reestatização da produção na Rússia. Aí, surge o Cel. Chaves da Venezuela ameaçando empresários e interferindo na economia de mercado de seu país sempre que seu funcionamento o incomoda politicamente. O seu desprezo por regras estáveis de interferência do Estado na economia é notório; e o desembaraço com que usa recursos da estatal petrolífera para fins políticos mostra seu caráter autoritário e poder discricionário. Será que nossos parlamentares vão aprovar a entrada da Venezuela no MERCOSUL? A justificativa de que o Estado Venezuelano é permanente e que Chávez é passageiro não vinga, pois o ilustre líder populista não se cansa de repetir que vai implantar o sistema socialista bolivariano em seu País. Pobre MERCOSUL com Chávez lá dentro. Na melhor das hipóteses ficará paralisado discutindo “ad nauseam” as teses e propostas bolivarianas que jorram de sua mente inquieta. Vamos apoiar Sarney para que tal disparate proposto pelo atual governo não aconteça. Temos certeza que com sua sabedoria e experiência, encontrará meios de postergar o assunto até o fim de seu mandato.