São Paulo Saturada
O Editorial da Folha com esse título (19/5), que aborda a questão dos corredores de ônibus na Cidade de São Paulo, esqueceu o principal: como está estruturado e é operado o sistema. Por exemplo, o procedimento de pagar as passagens dentro do veículo permanece, não obstante utilizar bilhetes eletrônicos, mantendo aglomerações ou filas na entrada do veículo parado. Catracas e cobradores dentro dos veículos são um dos símbolos do estrangulamento do sistema. Linhas com destinos os mais variados transitam no corredor, com dezenas de pessoas abarrotando a estação de embarque à espera do veículo que as levará para o Jardim X ou Y. Enquanto isso, ônibus bi-articulados, que acomodam mais de uma centena de pessoas, param para embarcar ou desembarcar um único passageiro. Enfim, o sistema de corredores na Cidade de São Paulo não está “metronizado”. Quando o corredor está livre, o ônibus é uma excelente alternativa ao automóvel particular apesar das deficiências acima apontadas. O primeiro passo para dotar a área metropolitana de um sistema confiável, rápido e confortável de transporte de massa é entregar os corredores de ônibus ao Metrô para que os construa, opere e desenvolva como parte de uma rede em que os elos rodoviários e ferroviários seriam integrados visando a atender a crescente demanda de transporte de massa.E deixar aos municípios da área metropolitana os serviços de transporte público locais e de alimentação.
Wednesday, May 19, 2010
Thursday, May 06, 2010
Reajuste de Aposentadorias
Todos sabem que nosso sistema previdenciário tem um rombo financeiro a ser corrigido. Devido à defasagem dos reajustes dos aposentados pelo INSS, Lula encaminhou ao Congresso uma proposta de reajuste de 6,14% como compensação. E Deputados Federais, inclusive do PT e da base aliada, aprovaram 7,7%, rejeitando sua proposta. A respeito disso, os três pré-candidatos à Presidência – Dilma, Serra e Marina – manifestaram-se, afirmando, entre outras coisas, o seguinte:
Candidato 1- “O ministro Guido Mantega [Fazenda] é um homem responsável. O presidente Lula tem prestado muita atenção nisso. Vou apoiar a decisão que o governo federal tomar a esse respeito",respondeu diretamente ao repórter;
Candidato 2- "Imprensa me pergunta o que o presidente Lula deve fazer em relação ao aumento dos aposentados. O presidente tem um forte compromisso social".Essa manifestação foi dada, posteriormente, pelo Twitter, após ter-se esquivado de responder diretamente ao repórter;
Candidato 3- "É preciso saber de onde vêm as receitas, em função do déficit da Previdência", falou diretamente ao repórter.
Após ler essas manifestações, identifique os candidatos que as fizeram, lendo a matéria que foi publicada na Folha de 6/5. E, depois, pense sobre a atitude de cada um. E se quiser, seus comentários serão bem-vindos para publicação neste BLOG.
Todos sabem que nosso sistema previdenciário tem um rombo financeiro a ser corrigido. Devido à defasagem dos reajustes dos aposentados pelo INSS, Lula encaminhou ao Congresso uma proposta de reajuste de 6,14% como compensação. E Deputados Federais, inclusive do PT e da base aliada, aprovaram 7,7%, rejeitando sua proposta. A respeito disso, os três pré-candidatos à Presidência – Dilma, Serra e Marina – manifestaram-se, afirmando, entre outras coisas, o seguinte:
Candidato 1- “O ministro Guido Mantega [Fazenda] é um homem responsável. O presidente Lula tem prestado muita atenção nisso. Vou apoiar a decisão que o governo federal tomar a esse respeito",respondeu diretamente ao repórter;
Candidato 2- "Imprensa me pergunta o que o presidente Lula deve fazer em relação ao aumento dos aposentados. O presidente tem um forte compromisso social".Essa manifestação foi dada, posteriormente, pelo Twitter, após ter-se esquivado de responder diretamente ao repórter;
Candidato 3- "É preciso saber de onde vêm as receitas, em função do déficit da Previdência", falou diretamente ao repórter.
Após ler essas manifestações, identifique os candidatos que as fizeram, lendo a matéria que foi publicada na Folha de 6/5. E, depois, pense sobre a atitude de cada um. E se quiser, seus comentários serão bem-vindos para publicação neste BLOG.
Monday, May 03, 2010
Discurso de Dilma
Ao falar de feitos econômicos e sociais, Dilma Rousseff se apresenta como protagonista do Governo Lula, o que é verdade. Contudo, não dá sequer uma colher de chá para o período de bonança em que a economia e o comércio mundial viveram nesse período. Tampouco, reconhece o trabalho árduo da equipe de Lula que deu continuidade à política econômico-financeira encetada e implantada por FHC em anos turbulentos, até hoje execrada pelo PT e, quem sabe, até por ela, o que não seria de surpreender. Palocci, que manteve a equipe técnica de Malan e Meireles, são os heróis a serem coroados pelo PT. As colunas mestras dessa política são o controle monetário, por meio de taxa de juros, de volume de crédito e de metas de inflação, bem como pelo monitoramento da taxa de câmbio flutuante com intervenções aleatórias sem definição rígida de bandas. A política fiscal operou com porcentagens de superávits primários nos orçamentos públicos federais visando a manter a dívida pública sob controle, tendo se afrouxado, recentemente, em aumentos substanciais dos gastos correntes com pessoal a ponto de comprometer a capacidade de investimento do Governo Federal que tanto prejudica a qualidade da infraestrutura hoje deteriorada. Nos Estados e Municípios, a Lei de Responsabilidade Fiscal, negociada e aprovada no período de FHC, controlou e controla as despesas públicas nessas duas esferas. A reforma do Sistema Financeiro, também no período FHC, expurgou os ativos podres do sistema, reestruturou o sistema bancário e estabeleceu regras para se manter a estrutura de depósitos e empréstimos sólida, com liquidez e confiável. Foi essa reforma, em grande parte responsável pela redução dos efeitos negativos da recente crise financeira mundial na economia brasileira. A demanda de produtos brasileiros no exterior, principalmente de produtos primários, e o excesso de liquidez internacional, não só garantiram o pagamento de nossas importações, como permitiram a constituição de reservas acima de US$ 200 bilhões, proporcionando a nosso País a conquista do chamado “grau de investimento” (investment grade) que representa o sinal verde para a aplicação de recursos de fundos do exterior, especialmente de aposentadorias e pensões. O Brasil vive hoje um circulo virtuoso que foi construído nos últimos 16-17 anos em que predominaram seriedade, competência e responsabilidade na administração de nossa economia. O que os candidatos devem mostrar a nós eleitores são suas credenciais e propostas para continuar nesse caminho aberto por FHC e trilhado por LULA, contrariando os ímpetos socialistas e estatizantes do PT. Se Dilma continuar nessa tecla de que a administração de FHC representou o “Reino da Desigualdade” quando todos nós sabemos que o Brasil foi e continua sendo um dos países com mais concentração de renda do mundo e que somente a longo prazo corrigirá isso por meio de sérias e profundas reformas no ensino básico e técnico-profissional; se ainda insistir, também, que Lula recebeu o País com inflação descontrolada, olvidando da tensão no mercado financeiro gerada antes e depois da eleição de Lula, quando o dólar ultrapassou R$ 4 reais; se continuar na ladainha que o capitalismo de Estado (estatização em sua linguagem) vai substituir o "fantasma do neoliberalismo" herdado de FHC, que na realidade nunca existiu, pois foi mantido por Lula; enfim, se continuar com discursos demagógicos e afirmações sem pé nem cabeça, somente contará com votos de eleitores radicais do PT e de eleitores ignorantes que infelizmente ainda são muitos em nosso eleitorado.
FIM
FIM
Wednesday, April 21, 2010
Crise Alucinatória: Lula versus FHC
Lula não perde oportunidade de se comparar a FHC para demonstrar sua superioridade como Presidente da República. Há momentos de verdadeiro paroxismo quando afirma que “Nunca antes nesse País...”. A negação do passado, a distorção de fatos e a eliminação de contextos históricos são utilizadas corriqueiramente para validar suas afirmações. Seu desejo de continuar no poder é tão grande que gerou sua própria candidata e fantasiou que o candidato do PSDB, José Serra, também foi gerado por FHC. Nada mais lógico, portanto, que Dilma, seja ele, e Serra, seja FHC.
Por incrível que pareça, o País é obrigado a participar dessa verdadeira alucinação pré-eleitoral em que a comparação entre os dois candidatos, Dilma e Serra, não seja entre eles, mas entre Lula e FHC. E que não existirá pós-Lula, como nunca existiu pós-FHC. Lula quer nos congelar na história e na própria vida ao insistir nessa escolha fantasmagórica. Peço a Deus que FHC não faça parte dessa alucinação respondendo às provocações de Lula. Afinal, nós eleitores, temos a responsabilidade real de escolher entre vários candidatos de carne e osso aquele ou aquela que será nosso próximo presidente após tomarmos conhecimento de suas propostas e, especialmente, de sua história e competência para governar e chefiar o Estado brasileiro.
fim
Por incrível que pareça, o País é obrigado a participar dessa verdadeira alucinação pré-eleitoral em que a comparação entre os dois candidatos, Dilma e Serra, não seja entre eles, mas entre Lula e FHC. E que não existirá pós-Lula, como nunca existiu pós-FHC. Lula quer nos congelar na história e na própria vida ao insistir nessa escolha fantasmagórica. Peço a Deus que FHC não faça parte dessa alucinação respondendo às provocações de Lula. Afinal, nós eleitores, temos a responsabilidade real de escolher entre vários candidatos de carne e osso aquele ou aquela que será nosso próximo presidente após tomarmos conhecimento de suas propostas e, especialmente, de sua história e competência para governar e chefiar o Estado brasileiro.
fim
Monday, April 12, 2010
Histórias de Carochinha
Quase oito anos de metáforas do Presidente Lula já foi mais do que suficiente para encher nosso cérebro de fantasias. Essa de “Lobo Mau em Pele de Cordeiro” de Dilma Rousseff nos faz lembrar a história de Chapeuzinho Vermelho. Segundo minha modesta opinião, tanto Dilma como Serra já passaram da idade para representar esses papéis. O que esperamos dos candidatos são discussões e debates sérios sobre Ética e Reforma Política, Segurança, Educação, Saúde, Saneamento, Combate às Drogas, Eficiência e Competência na Administração Pública, Reforma Tributária, Transporte Público, e sobre tantos outros problemas que nos afligem. E que deixem as histórias de carochinha para ninar seus netos.
FIM
Sunday, April 11, 2010
Discurso de Dilma
Em seu discurso ela afirmou que não entregará os recursos naturais e as empresas públicas “a quem quer que seja”, tampouco que destruirá o Estado Brasileiro “a ponto de torná-lo omisso e inexistente”. Acrescentou, ainda, que respeita os movimentos sociais afirmando que “democrata que se preza não agride os movimentos sociais”. Não seria mais fácil ela dizer, simplesmente, que respeitará a Constituição e as Leis de nosso País, esclarecendo, porém, que a admissão de empregados e o preenchimento de cargos de chefias das empresas públicas e do governo serão feitos por critérios de competência e mérito, e não por filiação partidária?
E que o Estado presente e ativo que ela deseja será, também, enxuto, robusto e forte com gastos estritamente necessários para cumprir suas tarefas com eficiência e competência? E que sua primeira medida será diminuir o número e os gastos com cargos de confiança; e com ministérios, também, hoje superior a 40? Quanto aos crimes de entregar bens públicos a qualquer um e agredir pessoas de movimentos sociais afirmar que serão tratados com a polícia e a justiça, tudo dentro da lei é simplesmente ridículo.
fim
E que o Estado presente e ativo que ela deseja será, também, enxuto, robusto e forte com gastos estritamente necessários para cumprir suas tarefas com eficiência e competência? E que sua primeira medida será diminuir o número e os gastos com cargos de confiança; e com ministérios, também, hoje superior a 40? Quanto aos crimes de entregar bens públicos a qualquer um e agredir pessoas de movimentos sociais afirmar que serão tratados com a polícia e a justiça, tudo dentro da lei é simplesmente ridículo.
fim
Friday, April 09, 2010
Ode ao Bigode
Buscando notícias na Folha (9/4) em seu índice geral, deparei-me surpreso com o título acima do artigo semanal do atual Presidente do Senado e ex-Presidente da República, José Sarney. Sempre considerei a televisão instrumento insensível de comunicação ao juntar notícias alegres com tragédias, enunciadas rapidamente e no mesmo tom de voz. Não esperava isso de José Sarney, que além de político é escritor. Escrever artigo sobre bigode, especialmente o seu, enquanto o Brasil passa por uma sucessão de desastres e chora seus mortos e feridos, é demais para mim! Quem sabe para ele, que seguramente choraria a morte de velhos companheiros políticos, os brasileiros mortos nesses desastres são pessoas distantes, rústicas, pobres, cujo desaparecimento se reduz a números abstratos. Espero que a justiça - particularmente dos jovens do Ministério Público - mostre que esse genocídio decorrente de omissão de autoridades públicas não sairá impune. E que Sarney raspe seu bigode como penitência pela sua falta de compaixão.
Buscando notícias na Folha (9/4) em seu índice geral, deparei-me surpreso com o título acima do artigo semanal do atual Presidente do Senado e ex-Presidente da República, José Sarney. Sempre considerei a televisão instrumento insensível de comunicação ao juntar notícias alegres com tragédias, enunciadas rapidamente e no mesmo tom de voz. Não esperava isso de José Sarney, que além de político é escritor. Escrever artigo sobre bigode, especialmente o seu, enquanto o Brasil passa por uma sucessão de desastres e chora seus mortos e feridos, é demais para mim! Quem sabe para ele, que seguramente choraria a morte de velhos companheiros políticos, os brasileiros mortos nesses desastres são pessoas distantes, rústicas, pobres, cujo desaparecimento se reduz a números abstratos. Espero que a justiça - particularmente dos jovens do Ministério Público - mostre que esse genocídio decorrente de omissão de autoridades públicas não sairá impune. E que Sarney raspe seu bigode como penitência pela sua falta de compaixão.
Thursday, April 08, 2010
Direcionamento de Licitação
Está mais do que antecipadamente decidida a escolha dos Caças Rafale da Dassault pelo Presidente Lula. Ela foi anunciada durante a visita de Sarkozy no último dia 7 de Setembro. Não dá para entender, portanto, os malabarismos e tergiversações do Ministro da Defesa, senão como esforço brutal para tornar a escolha de Lula como política com “P” maiúsculo. Apesar disso, a licitação, ou o que seja, começou mal; pois se o objetivo era fugir do veto norte-americano à exportação de caças e outros equipamentos militares de defesa e ataque com componentes e tecnologia daquele país, mesmo que fabricados no Brasil, não se deveria, jamais, ter-se convidado ou consultado a Boeing, tampouco a Saab, pois os técnicos do Ministério da Defesa já sabiam que os Caças Gripen NG da Suécia contêm esses componentes. Quanto a Boeing, até parece piada estar participando do processo de escolha. Se nem os Tucanos da EMBRAER puderam ser exportados para a Venezuela por essa razão, realmente pensou-se, por exemplo, em exportar os F-18 da Boeing que seriam fabricados no Brasil para Cháves ou para Ahmadinejad? É óbvio que essa licitação é de araque. E mais, seu objetivo principal não é a Defesa Nacional simplesmente. Ela visa, principalmente, criar no Brasil um complexo militar-industrial cuja sobrevivência necessitará do mercado externo. Esse complexo ameaçará nossa incipiente e frágil democracia com mecanismos de relacionamento da indústria com o Estado, em que defesa nacional e interesses políticos no País e no exterior se mesclarão em simbiose econômico-financeira fora do controle de uma população pobre e sofrida, ainda imersa na ignorância. Quem não ouviu o “farewell speech” de Eisenhowever sobre isso, que o faça agora em http://www.youtube.com/watch?v=rd8wwMFmCeE&NR=1
FIM
Está mais do que antecipadamente decidida a escolha dos Caças Rafale da Dassault pelo Presidente Lula. Ela foi anunciada durante a visita de Sarkozy no último dia 7 de Setembro. Não dá para entender, portanto, os malabarismos e tergiversações do Ministro da Defesa, senão como esforço brutal para tornar a escolha de Lula como política com “P” maiúsculo. Apesar disso, a licitação, ou o que seja, começou mal; pois se o objetivo era fugir do veto norte-americano à exportação de caças e outros equipamentos militares de defesa e ataque com componentes e tecnologia daquele país, mesmo que fabricados no Brasil, não se deveria, jamais, ter-se convidado ou consultado a Boeing, tampouco a Saab, pois os técnicos do Ministério da Defesa já sabiam que os Caças Gripen NG da Suécia contêm esses componentes. Quanto a Boeing, até parece piada estar participando do processo de escolha. Se nem os Tucanos da EMBRAER puderam ser exportados para a Venezuela por essa razão, realmente pensou-se, por exemplo, em exportar os F-18 da Boeing que seriam fabricados no Brasil para Cháves ou para Ahmadinejad? É óbvio que essa licitação é de araque. E mais, seu objetivo principal não é a Defesa Nacional simplesmente. Ela visa, principalmente, criar no Brasil um complexo militar-industrial cuja sobrevivência necessitará do mercado externo. Esse complexo ameaçará nossa incipiente e frágil democracia com mecanismos de relacionamento da indústria com o Estado, em que defesa nacional e interesses políticos no País e no exterior se mesclarão em simbiose econômico-financeira fora do controle de uma população pobre e sofrida, ainda imersa na ignorância. Quem não ouviu o “farewell speech” de Eisenhowever sobre isso, que o faça agora em http://www.youtube.com/watch?v=rd8wwMFmCeE&NR=1
FIM
Sunday, April 04, 2010
Emprego e Inclusão Social
Não existe melhor forma de se sentir socialmente incluído que a de conseguir-se emprego digno e nele manter-se por mérito. Em consulta "on line" com operadora de celular, copiei duas frases da atendente: "Peço o senhor que aguarde que eles entraram em contato com o senhor. Há mais alguma informação em que posso ajudar?” Seguramente essa funcionária está fazendo um esforço sobre-humano para se manter no emprego; e, no futuro, terá muita dificuldade para ser promovida. Nosso ensino fundamental necessita ser totalmente reformulado para que o princípio da igualdade de oportunidades, coluna mestra em que se apóia qualquer sistema democrático, assegure emprego e renda para os pobres excluídos. Somente assim, suas potencialidades desabrocharão e os levarão a participar ativamente do processo sustentável de desenvolvimento socioeconômico e cultural que desejamos para todos brasileiros, sem distinção. Enquanto isso não acontecer as drogas, lícitas e ilícitas, e a ignorância que mantém a exclusão social, continuarão destruindo a maior riqueza de nosso País: nossas crianças, adolescentes e jovens pobres. Na Ilha da Fantasia, o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal se envolvem em discussões sobre inclusão social por meio de sistema que fere frontalmente o princípio da igualdade dos cidadãos ao se adotarem novas regras de admissão por quotas às universidades. Em suma, não se reforça a coluna principal, hoje rota, da igualdade de oportunidades que promove o emprego dos excluídos; ao contrário, busca-se abalar o princípio constitucional da igualdade de todos os brasileiros perante a lei e estimula-se o desemprego de “universitários”, muitos deles, hoje, exercendo profissões de nível médio ou técnico, para as quais não foram treinados. Isso quando conseguem emprego no Brasil ou no exterior, principalmente! Quousque tandem, Brasília, abutere patientia nostra?
FIM
Monday, March 29, 2010
Educação
O artigo de Niskier, “A Suécia de Olho no Brasil” (Folha 29/3), é de uma clareza e simplicidade escandinavas. Quais são as funções básicas da universidade naquele País? “Formar cientistas, pensadores e professores”, escreve Niskier. A conclusão é óbvia: na universidade, a qualidade do ensino, dos professores e dos alunos deve ser a mais alta possível, pois ali repousa o embrião do futuro de um país. No Brasil, cumpre às faculdades técnicas a formação de nossos profissionais para a execução de serviços de alta complexidade, utilizando as tecnologias disponíveis da melhor forma possível a fim de garantir nosso desenvolvimento. A expansão de nossas fronteiras tecnológicas, de pensamento e de educação dependem, principalmente, dos resultados que forem conseguidos em nossas universidades. Considerando que são poucas as que podem assumir, de fato, esse papel de formação de pesquisadores, especuladores e professores de alto nível, o caminho seria escolher algumas, ou partes delas, para constituírem nossos Institutos do Saber. E transformar as que realmente podem, após fechar as fornecedoras de diplomas à prestação, em Faculdades Técnicas, deixando as pesquisas para os doutores dos novos Institutos do Saber. Seria uma espécie de plano real para eliminar a inflação de títulos de PHD e de pesquisas de baixo nível que acometem a nação e nos confundem com conclusões e propostas bem pouco fundamentadas. Isso acontece, principalmente, em pesquisas e teses nas quais os instrumentos de validação das ciências exatas pouco penetraram.
FIM
O artigo de Niskier, “A Suécia de Olho no Brasil” (Folha 29/3), é de uma clareza e simplicidade escandinavas. Quais são as funções básicas da universidade naquele País? “Formar cientistas, pensadores e professores”, escreve Niskier. A conclusão é óbvia: na universidade, a qualidade do ensino, dos professores e dos alunos deve ser a mais alta possível, pois ali repousa o embrião do futuro de um país. No Brasil, cumpre às faculdades técnicas a formação de nossos profissionais para a execução de serviços de alta complexidade, utilizando as tecnologias disponíveis da melhor forma possível a fim de garantir nosso desenvolvimento. A expansão de nossas fronteiras tecnológicas, de pensamento e de educação dependem, principalmente, dos resultados que forem conseguidos em nossas universidades. Considerando que são poucas as que podem assumir, de fato, esse papel de formação de pesquisadores, especuladores e professores de alto nível, o caminho seria escolher algumas, ou partes delas, para constituírem nossos Institutos do Saber. E transformar as que realmente podem, após fechar as fornecedoras de diplomas à prestação, em Faculdades Técnicas, deixando as pesquisas para os doutores dos novos Institutos do Saber. Seria uma espécie de plano real para eliminar a inflação de títulos de PHD e de pesquisas de baixo nível que acometem a nação e nos confundem com conclusões e propostas bem pouco fundamentadas. Isso acontece, principalmente, em pesquisas e teses nas quais os instrumentos de validação das ciências exatas pouco penetraram.
FIM
Tuesday, March 23, 2010
Metrô de SP Vai Atrasar
São Paulo dá uma lição de democracia e transparência ao resto do País. De um lado, a excelente e detalhada reportagem de Alencar Izidoro na Folha (23/3), revelando atrasos na conclusão de várias linhas e estações previstas em plano de expansão do Metrô de SP divulgado na mídia; de outro lado, a resposta de sua direção sobre as razões disso, acompanhada de várias outras reportagens sobre como será a rede do Metrô de SP e sua integração à rede de trens metronizados da CPTM. Nós, cidadãos desta metrópole em que o trânsito congestionado nos estressa e sufoca, já teremos a oportunidade, neste ano e nos próximos, de contar com alternativas de transporte público rápido. O que me chocou, e ainda me choca, é a total indiferença da opinião pública e da mídia ao que o Presidente Lula falou em discurso pronunciado em Itaboraí (RJ), publicado pela Folha (9/3). Além de afirmar que tem como meta propiciar aos pobres condições para comprar um carro, o que é um direito de todo cidadão em país democrático, acrescentou que “os que defendem investimentos em metrô e trens querem que o pobre deixe a rua livre para eles”. É triste, mas é verdade!
FIM
São Paulo dá uma lição de democracia e transparência ao resto do País. De um lado, a excelente e detalhada reportagem de Alencar Izidoro na Folha (23/3), revelando atrasos na conclusão de várias linhas e estações previstas em plano de expansão do Metrô de SP divulgado na mídia; de outro lado, a resposta de sua direção sobre as razões disso, acompanhada de várias outras reportagens sobre como será a rede do Metrô de SP e sua integração à rede de trens metronizados da CPTM. Nós, cidadãos desta metrópole em que o trânsito congestionado nos estressa e sufoca, já teremos a oportunidade, neste ano e nos próximos, de contar com alternativas de transporte público rápido. O que me chocou, e ainda me choca, é a total indiferença da opinião pública e da mídia ao que o Presidente Lula falou em discurso pronunciado em Itaboraí (RJ), publicado pela Folha (9/3). Além de afirmar que tem como meta propiciar aos pobres condições para comprar um carro, o que é um direito de todo cidadão em país democrático, acrescentou que “os que defendem investimentos em metrô e trens querem que o pobre deixe a rua livre para eles”. É triste, mas é verdade!
FIM
Monday, March 22, 2010
Complexo Militar-Industrial ou Educacional-Comportamental
Como todos sabem, a França, na eventual e futura ampliação do Conselho de Segurança da ONU, defende a presença nele de um país latino-americano. Posteriormente, comprometeu-se em indicar o Brasil ao custo de respeitarmos as condições de nossa “parceria” que prevê as importações do caça Rafale da DASSAULT, conforme entrevista de seu Embaixador no Brasil. O Relatório revisto do Comando da Aeronáutica que originalmente previa o caça Gripen (Suécia) como vencedor da licitação já voltou de maneira a possibilitar a escolha final do caça francês, sem mais especulações da mídia. O que o Ministro Jobim ainda não comentou com o vozeirão que lhe é peculiar, é que o veto dos EUA à exportação da EMBRAER de 26 Super Tucanos para a Venezuela encontra-se ainda atravessado nas gargantas de Garcia-Amorim, responsáveis por reduzir e afastar o poder dos EUA de intervir na América Latina. É bom lembrar que Lei norte-americana proíbe que sejam exportados materiais e componentes estratégicos para a sua segurança, sem cláusula de veto em seu uso. O que nos assusta nisso tudo é que o Brasil não está somente preocupado com uma Estratégia Nacional de Defesa de baixo custo, para a qual o Gripen (Suécia) seria suficiente, mas em criar um Complexo Industrial-Militar independente dos EUA que lhe dê poder não só de defender nosso País, mas de exportar armas para os países que comungam com nossos interesses econômicos, políticos e de outra ordem, como a Venezuela, para citar um exemplo. Nosso povo precisa muito mais do desenvolvimento de técnicas e tecnologias que estruturem um Complexo Educacional-Comportamental eficaz para nos libertar da ignorância, da pobreza, da violência, da falta de saúde e da insalubridade de nosso meio. O atual sistema está falido. Os sintomas disso estão nos fazendo submergir numa onda mortal de drogas legais e ilegais, violência, assassinatos, medo, corrupção, trânsito assassino e, acima de tudo, o desvario de nossa elite, particularmente a política, que não enxerga o que está acontecendo com nossas crianças, adolescentes e jovens.
Como todos sabem, a França, na eventual e futura ampliação do Conselho de Segurança da ONU, defende a presença nele de um país latino-americano. Posteriormente, comprometeu-se em indicar o Brasil ao custo de respeitarmos as condições de nossa “parceria” que prevê as importações do caça Rafale da DASSAULT, conforme entrevista de seu Embaixador no Brasil. O Relatório revisto do Comando da Aeronáutica que originalmente previa o caça Gripen (Suécia) como vencedor da licitação já voltou de maneira a possibilitar a escolha final do caça francês, sem mais especulações da mídia. O que o Ministro Jobim ainda não comentou com o vozeirão que lhe é peculiar, é que o veto dos EUA à exportação da EMBRAER de 26 Super Tucanos para a Venezuela encontra-se ainda atravessado nas gargantas de Garcia-Amorim, responsáveis por reduzir e afastar o poder dos EUA de intervir na América Latina. É bom lembrar que Lei norte-americana proíbe que sejam exportados materiais e componentes estratégicos para a sua segurança, sem cláusula de veto em seu uso. O que nos assusta nisso tudo é que o Brasil não está somente preocupado com uma Estratégia Nacional de Defesa de baixo custo, para a qual o Gripen (Suécia) seria suficiente, mas em criar um Complexo Industrial-Militar independente dos EUA que lhe dê poder não só de defender nosso País, mas de exportar armas para os países que comungam com nossos interesses econômicos, políticos e de outra ordem, como a Venezuela, para citar um exemplo. Nosso povo precisa muito mais do desenvolvimento de técnicas e tecnologias que estruturem um Complexo Educacional-Comportamental eficaz para nos libertar da ignorância, da pobreza, da violência, da falta de saúde e da insalubridade de nosso meio. O atual sistema está falido. Os sintomas disso estão nos fazendo submergir numa onda mortal de drogas legais e ilegais, violência, assassinatos, medo, corrupção, trânsito assassino e, acima de tudo, o desvario de nossa elite, particularmente a política, que não enxerga o que está acontecendo com nossas crianças, adolescentes e jovens.
Rafale X Gripen
O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o caça Rafale (Dassault da França) é melhor que os outros dois tipos oferecidos ao Brasil para realizar as funções previstas na Estratégia Nacional de Defesa de nosso espaço aéreo ao dizer que "está à frente do Gripen NG (SAAB da Suécia) e do F-18 S H ( Boeing do EUA) em transferência de tecnologia, capacitação da indústria nacional e redução de dependência de fornecedores estrangeiros. E que o relatório do Comando da Aeronáutica somente tratou da questão operacional dos três caças. Coincidentemente, ou não, o Presidente Lula antecipou sua escolha do caça Rafale e informou Sarkozy a respeito disso por ocasião de sua visita ao Brasil, no último 7 de Setembro. Posteriormente, houve desmentidos, afirmando-se que ainda se aguardava o relatório de avaliação da aeronáutica, ressalvando-se, contudo, que a escolha final seria do Presidente Lula. Para quem leu os excelentes artigos publicados em nossos jornais sobre isso, a escolha do Rafale para nós cidadãos comuns parece extremamente confusa e controvertida, parecendo até suspeita para os mais desconfiados como eu. Ao afirmar que o Comando da Aeronáutica somente examinou o aspecto operacional dos três tipos de caças, o Ministro Jobim torna a avaliação feita incompleta e, com isso, anula a conclusão de que a proposta da Saab (Caça Gripen) é a melhor segundo os oficiais da aeronáutica. Ficam no ar duas perguntas: 1. quem examinou os outros três itens acima apontados por Jobim e omitidos no exame feito pelo Comando da Aeronáutica a ponto de levá-lo a inverter a avaliação desse Comando que considerou a proposta da Dassault (Caça Rafale) como a pior? 2. Por que não pediu ao Comando da Aeronáutica que examinasse também as três questões apontadas, tendo em vista a larga experiência de nossos engenheiros aeronáuticos, especialistas em tecnologia aérea e sua transferência para o Brasil, tendo desenvolvido o ITA e a EMBRAER, esta última recentemente privatizada com grande sucesso no mercado de aviões civis e militares? Vou reunir textos que publiquei neste BLOG sobre esse assunto para o Deputado Federal em quem votei - felizmente eleito - e pedir-lhe que me ajude a esclarecer o que está acontecendo. É o que posso fazer para merecer o título de cidadão brasileiro que me deram quando nasci.
O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o caça Rafale (Dassault da França) é melhor que os outros dois tipos oferecidos ao Brasil para realizar as funções previstas na Estratégia Nacional de Defesa de nosso espaço aéreo ao dizer que "está à frente do Gripen NG (SAAB da Suécia) e do F-18 S H ( Boeing do EUA) em transferência de tecnologia, capacitação da indústria nacional e redução de dependência de fornecedores estrangeiros. E que o relatório do Comando da Aeronáutica somente tratou da questão operacional dos três caças. Coincidentemente, ou não, o Presidente Lula antecipou sua escolha do caça Rafale e informou Sarkozy a respeito disso por ocasião de sua visita ao Brasil, no último 7 de Setembro. Posteriormente, houve desmentidos, afirmando-se que ainda se aguardava o relatório de avaliação da aeronáutica, ressalvando-se, contudo, que a escolha final seria do Presidente Lula. Para quem leu os excelentes artigos publicados em nossos jornais sobre isso, a escolha do Rafale para nós cidadãos comuns parece extremamente confusa e controvertida, parecendo até suspeita para os mais desconfiados como eu. Ao afirmar que o Comando da Aeronáutica somente examinou o aspecto operacional dos três tipos de caças, o Ministro Jobim torna a avaliação feita incompleta e, com isso, anula a conclusão de que a proposta da Saab (Caça Gripen) é a melhor segundo os oficiais da aeronáutica. Ficam no ar duas perguntas: 1. quem examinou os outros três itens acima apontados por Jobim e omitidos no exame feito pelo Comando da Aeronáutica a ponto de levá-lo a inverter a avaliação desse Comando que considerou a proposta da Dassault (Caça Rafale) como a pior? 2. Por que não pediu ao Comando da Aeronáutica que examinasse também as três questões apontadas, tendo em vista a larga experiência de nossos engenheiros aeronáuticos, especialistas em tecnologia aérea e sua transferência para o Brasil, tendo desenvolvido o ITA e a EMBRAER, esta última recentemente privatizada com grande sucesso no mercado de aviões civis e militares? Vou reunir textos que publiquei neste BLOG sobre esse assunto para o Deputado Federal em quem votei - felizmente eleito - e pedir-lhe que me ajude a esclarecer o que está acontecendo. É o que posso fazer para merecer o título de cidadão brasileiro que me deram quando nasci.
Saturday, March 20, 2010
Ressuscitar?
A candidata Dilma Rousseff teria razão em criticar a atitude da oposição em trazer à tona o Mensalão (Folha, 20/03)? Essa é a questão. Não uso o termo por ela usado, ressuscitar, por soar como blasfêmia nesta época em que se aproxima a data de comemoração da Ressurreição de Cristo. O Mensalão, marco histórico importante da execrável cultura política brasileira em que nossos representantes eleitos pelo povo costumam desviar dinheiro público para fins inconfessáveis, repousa vivo e incômodo, como osso atravessado na garganta de todos nós brasileiros. Para Dilma, porém, o Mensalão já morreu e foi enterrado. Quem sabe um dia todos os crimes de corrupção que empestam a política brasileira sejam rápida e totalmente esclarecidos, e os culpados punidos, indo os processos para o Arquivo Morto, sem risco de “ressurreição”. Não é o caso do Mensalão, Senhora Ministra Dilma Roussef, e de muitos outros processos em julgamento. A memória do povo brasileiro é curta, mas nem tanto.
A candidata Dilma Rousseff teria razão em criticar a atitude da oposição em trazer à tona o Mensalão (Folha, 20/03)? Essa é a questão. Não uso o termo por ela usado, ressuscitar, por soar como blasfêmia nesta época em que se aproxima a data de comemoração da Ressurreição de Cristo. O Mensalão, marco histórico importante da execrável cultura política brasileira em que nossos representantes eleitos pelo povo costumam desviar dinheiro público para fins inconfessáveis, repousa vivo e incômodo, como osso atravessado na garganta de todos nós brasileiros. Para Dilma, porém, o Mensalão já morreu e foi enterrado. Quem sabe um dia todos os crimes de corrupção que empestam a política brasileira sejam rápida e totalmente esclarecidos, e os culpados punidos, indo os processos para o Arquivo Morto, sem risco de “ressurreição”. Não é o caso do Mensalão, Senhora Ministra Dilma Roussef, e de muitos outros processos em julgamento. A memória do povo brasileiro é curta, mas nem tanto.
Saturday, March 13, 2010
Educação
Acabo de ler na Folha (13/02) dois excelentes artigos dos doutores Rudá Ricci e Luiz C. Faria da Silva, respectivamente pró e contra a decisão da justiça de condenar um pai que optou pela educação de seus filhos em casa. Os dois, porém, reconhecem a má qualidade do ensino fundamental público. Conseqüentemente, pais pobres, que não podem pagar altas mensalidades cobradas em escolas particulares de bom nível, são punidos duplamente: por não ter tido a oportunidade de sair da pobreza pela falta de educação e, novamente, por ser obrigado a aceitar que seus filhos tenham o mesmo destino. Pior, ainda, é saber que professores deixaram seus filhos sem aula para marcharem na Avenida Paulista em protesto contra o governo estadual. Segundo li, é uma reação contra o programa de modernização que pretende pagar melhores salários aos professores com mais competência e que obtêm melhores resultados na educação de seus alunos. Seria interessante que se discutisse amplamente na Folha o que eles pretendem com essa greve e qual a proposta do governo estadual em seu plano de modernização do ensino fundamental público. Se possível, em linguagem simples, objetiva e clara para que os pais que sonham com uma boa educação de seus filhos entenderem o que está em jogo.
Acabo de ler na Folha (13/02) dois excelentes artigos dos doutores Rudá Ricci e Luiz C. Faria da Silva, respectivamente pró e contra a decisão da justiça de condenar um pai que optou pela educação de seus filhos em casa. Os dois, porém, reconhecem a má qualidade do ensino fundamental público. Conseqüentemente, pais pobres, que não podem pagar altas mensalidades cobradas em escolas particulares de bom nível, são punidos duplamente: por não ter tido a oportunidade de sair da pobreza pela falta de educação e, novamente, por ser obrigado a aceitar que seus filhos tenham o mesmo destino. Pior, ainda, é saber que professores deixaram seus filhos sem aula para marcharem na Avenida Paulista em protesto contra o governo estadual. Segundo li, é uma reação contra o programa de modernização que pretende pagar melhores salários aos professores com mais competência e que obtêm melhores resultados na educação de seus alunos. Seria interessante que se discutisse amplamente na Folha o que eles pretendem com essa greve e qual a proposta do governo estadual em seu plano de modernização do ensino fundamental público. Se possível, em linguagem simples, objetiva e clara para que os pais que sonham com uma boa educação de seus filhos entenderem o que está em jogo.
Tuesday, March 09, 2010
POPLULISMO
Na política, a pior face da demagogia é o vazio de princípios, conceitos e valores, quando o líder leva a platéia ao paroxismo na exaltação daquilo que ela deseja ter, e terá se lhe der apoio cego e irrestrito. As instituições democráticas tremem na mesma intensidade em que o líder populista cresce. Ontem, diante de 3.000 empregados em inauguração de obra do Comperj(Complexo Petroquímico do Rio), em Itaboraí, Lula disse ter como meta propiciar aos pobres condições para comprar um carro. E acrescentou, ainda, à papagaiada de enrubescer o PT e todos os cidadãos que lutam pela melhoria do trânsito e dos transportes públicos em nossas cidades que “os que defendem investimentos em metrô e trens querem que o pobre deixe a rua livre para eles". Esqueceu-se de seu projeto bilionário de Trem de Alta Velocidade-TAV no sudeste e do desejo dos nordestinos de voar. Em aviões comerciais, obviamente, que são, na realidade, ônibus aéreos (Airbus). No espaço, o equivalente ao automóvel seria o jatinho particular, ainda fora de cogitação, felizmente. Os 3.000 trabalhadores presentes não são ignorantes e muitos deles já possuem automóvel e sofrem no trânsito congestionado. A intenção de Lula, porém,foi outra. A de se dirigir aos ignorantes que acreditam cegamente nele, deixando à mídia a tarefa de divulgar Brasil afora sua proposta excêntrica de automóvel para todos. E quanto mais críticas receber sua proposta, melhor, pois prova sua tese de que os ricos querem a rua somente para si. Assim como o Vaticano informa o momento em que os cardeais escolheram um novo Papa por meio da fumaça branca, nós devemos acelerar nossos carros e aumentar a fumaça negra que empesta nossa atmosfera para informar que neste ano eleitoral Lula se afastou da Presidência. Ele está em campanha para aumentar ainda mais a sua popularidade e, com isso, realizar seu projeto pessoal de poder: o POPLULISMO; com Dilma ou sem ela.
Fonte: Folha de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 09 de março de 2010
"Eu quero que o pobre tenha carro também", diz presidente
DO ENVIADO ESPECIAL A ITABORAÍ (RJ)
DA FOLHA ONLINE, EM ITABORAÍ
Diante de 3.000 empregados da obra do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), em Itaboraí, Lula disse ter como meta propiciar aos pobres condições para comprar um carro, num discurso para causar insatisfação a ambientalistas.
Para o presidente, os que defendem investimentos em metrô e trens querem "que o pobre deixe a rua livre para eles".
Antes, em evento na Rocinha, no Rio, Lula prometeu uma plástica ao jovem Jailson Marinho Nunes, 15, com problema de lábio leporino.
"Vamos dar a esse moleque o direito de ser visto como todos nós. Se pode fazer uma plástica, por que a gente não faz para cuidar desse menino? Se fosse uma pessoa rica, já estava com a boca boa. Como é pobre, não está", disse Lula no palanque.
FIM
Na política, a pior face da demagogia é o vazio de princípios, conceitos e valores, quando o líder leva a platéia ao paroxismo na exaltação daquilo que ela deseja ter, e terá se lhe der apoio cego e irrestrito. As instituições democráticas tremem na mesma intensidade em que o líder populista cresce. Ontem, diante de 3.000 empregados em inauguração de obra do Comperj(Complexo Petroquímico do Rio), em Itaboraí, Lula disse ter como meta propiciar aos pobres condições para comprar um carro. E acrescentou, ainda, à papagaiada de enrubescer o PT e todos os cidadãos que lutam pela melhoria do trânsito e dos transportes públicos em nossas cidades que “os que defendem investimentos em metrô e trens querem que o pobre deixe a rua livre para eles". Esqueceu-se de seu projeto bilionário de Trem de Alta Velocidade-TAV no sudeste e do desejo dos nordestinos de voar. Em aviões comerciais, obviamente, que são, na realidade, ônibus aéreos (Airbus). No espaço, o equivalente ao automóvel seria o jatinho particular, ainda fora de cogitação, felizmente. Os 3.000 trabalhadores presentes não são ignorantes e muitos deles já possuem automóvel e sofrem no trânsito congestionado. A intenção de Lula, porém,foi outra. A de se dirigir aos ignorantes que acreditam cegamente nele, deixando à mídia a tarefa de divulgar Brasil afora sua proposta excêntrica de automóvel para todos. E quanto mais críticas receber sua proposta, melhor, pois prova sua tese de que os ricos querem a rua somente para si. Assim como o Vaticano informa o momento em que os cardeais escolheram um novo Papa por meio da fumaça branca, nós devemos acelerar nossos carros e aumentar a fumaça negra que empesta nossa atmosfera para informar que neste ano eleitoral Lula se afastou da Presidência. Ele está em campanha para aumentar ainda mais a sua popularidade e, com isso, realizar seu projeto pessoal de poder: o POPLULISMO; com Dilma ou sem ela.
Fonte: Folha de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 09 de março de 2010
"Eu quero que o pobre tenha carro também", diz presidente
DO ENVIADO ESPECIAL A ITABORAÍ (RJ)
DA FOLHA ONLINE, EM ITABORAÍ
Diante de 3.000 empregados da obra do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), em Itaboraí, Lula disse ter como meta propiciar aos pobres condições para comprar um carro, num discurso para causar insatisfação a ambientalistas.
Para o presidente, os que defendem investimentos em metrô e trens querem "que o pobre deixe a rua livre para eles".
Antes, em evento na Rocinha, no Rio, Lula prometeu uma plástica ao jovem Jailson Marinho Nunes, 15, com problema de lábio leporino.
"Vamos dar a esse moleque o direito de ser visto como todos nós. Se pode fazer uma plástica, por que a gente não faz para cuidar desse menino? Se fosse uma pessoa rica, já estava com a boca boa. Como é pobre, não está", disse Lula no palanque.
FIM
Sunday, March 07, 2010
A Hora é Agora
Excelente o artigo de FHC com o título acima (Estadão7/03), oferecendo-nos um horizonte rico de opções para avançarmos com muito trabalho e dignidade e não ficarmos olhando para trás e detendo-nos em discussões fúteis, como querem Dilma sobre o papel do Estado e Lula sobre o desempenho de seu governo face ao de FHC. O melhor resumo das funções do Estado é o lema adotado na chamada Segunda República francesa, em 1.848: Liberté, Égalité e Fraternité. Se o Estado brasileiro for eficiente e eficaz na busca da consecução dessa trilogia de forma equilibrada e harmoniosa, o povo brasileiro agradece penhoradamente. E somente marchando para frente podemos cantar nosso Hino Nacional e desfraldar nossa bandeira. E não fazer como um colega nosso no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva – CPOR de Curitiba, que sofria de algum distúrbio e movimentava suas pernas e braços em desarmonia com o pelotão. O apelido que carinhosamente lhe pusemos era PT, ou seja, Passo Triste.
Excelente o artigo de FHC com o título acima (Estadão7/03), oferecendo-nos um horizonte rico de opções para avançarmos com muito trabalho e dignidade e não ficarmos olhando para trás e detendo-nos em discussões fúteis, como querem Dilma sobre o papel do Estado e Lula sobre o desempenho de seu governo face ao de FHC. O melhor resumo das funções do Estado é o lema adotado na chamada Segunda República francesa, em 1.848: Liberté, Égalité e Fraternité. Se o Estado brasileiro for eficiente e eficaz na busca da consecução dessa trilogia de forma equilibrada e harmoniosa, o povo brasileiro agradece penhoradamente. E somente marchando para frente podemos cantar nosso Hino Nacional e desfraldar nossa bandeira. E não fazer como um colega nosso no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva – CPOR de Curitiba, que sofria de algum distúrbio e movimentava suas pernas e braços em desarmonia com o pelotão. O apelido que carinhosamente lhe pusemos era PT, ou seja, Passo Triste.
Wednesday, March 03, 2010
Mercado Interno e Exportações
Em recente discurso feito em Sorocaba, a candidata Dilma procurou minimizar a importância das exportações face à pujança do mercado interno brasileiro, fator preponderante, sem dúvida, na incorporação do Brasil no chamado BRIC, bloco econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, em contraposição à defesa da indústria brasileira, feita por Serra, face à queda das exportações de manufaturados, Na realidade não existem mais no mundo globalizado mercados interno e externo separados, salvo na China e em países que não integram a OMC. Tarifas alfandegárias fora de padrões, subsídios às exportações, assim como práticas de “dumping” ou de barreiras não-alfandegárias podem ser denunciados e punidos. É bom saber, portanto, que nosso grande mercado interno, dependendo da taxa de câmbio, pode ser devorado pelos famintos chineses, por exemplo, que arbitram politicamente sua taxa de câmbio, apesar do governo Lula ter reconhecido a economia chinesa, como de mercado. Por outro lado, é nosso grande mercado que garante economias de escala à indústria brasileira para competir no exterior. O problema reside em que as demandas dos setores público e privado tendem a crescer acima da oferta possível, colocando em risco a estabilidade de preços. Infelizmente, o setor público brasileiro não reduz sua demanda e insiste em sua política de gastança e de endividamento, forçando o setor privado a reduzir sua demanda por meio de elevação da taxa de juros. Juros altos atraem moeda estrangeira, valorizam o real, reduzem as exportações e estimulam as importações. Resultado desse imbróglio: preços internos estáveis ao custo da indústria estrangeira tomar de assalto nosso mercado interno e destruir a capacidade de nossa indústria competir no país e no exterior. Recado aos dois candidatos à presidência: um bom projeto é reduzir o chamado Custo Brasil, começando pela modernização e enxugamento do setor público. Um choque de gestão que torne nosso Estado Forte. Capaz de regular e fiscalizar empresas privadas e, se necessário, induzir seus investimentos em certos setores, como afirmou o Presidente Lula, em recente entrevista (Estadão, 19/02) ao ser perguntado sobre o papel do Estado na economia, não obstante o dia-a-dia provar que isso não acontece na prática. Estado sem gorduras, eficiente e capaz de promover o Desenvolvimento Tecnológico e Social e melhorar substancialmente os setores de Educação, Saúde, Saneamento, Segurança, Infra-Estrutura e, acima de tudo, capaz de se regenerar, tornando a prática de corrupção uma execrável exceção, rapidamente punida. Resultado: os juros caem, a taxa de câmbio se acomoda em níveis compatíveis com o equilíbrio entre exportações e importações, e nossa indústria pode competir no país e no exterior em condições de igualdade, estimulando o crescimento e o emprego sustentáveis.
Em recente discurso feito em Sorocaba, a candidata Dilma procurou minimizar a importância das exportações face à pujança do mercado interno brasileiro, fator preponderante, sem dúvida, na incorporação do Brasil no chamado BRIC, bloco econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, em contraposição à defesa da indústria brasileira, feita por Serra, face à queda das exportações de manufaturados, Na realidade não existem mais no mundo globalizado mercados interno e externo separados, salvo na China e em países que não integram a OMC. Tarifas alfandegárias fora de padrões, subsídios às exportações, assim como práticas de “dumping” ou de barreiras não-alfandegárias podem ser denunciados e punidos. É bom saber, portanto, que nosso grande mercado interno, dependendo da taxa de câmbio, pode ser devorado pelos famintos chineses, por exemplo, que arbitram politicamente sua taxa de câmbio, apesar do governo Lula ter reconhecido a economia chinesa, como de mercado. Por outro lado, é nosso grande mercado que garante economias de escala à indústria brasileira para competir no exterior. O problema reside em que as demandas dos setores público e privado tendem a crescer acima da oferta possível, colocando em risco a estabilidade de preços. Infelizmente, o setor público brasileiro não reduz sua demanda e insiste em sua política de gastança e de endividamento, forçando o setor privado a reduzir sua demanda por meio de elevação da taxa de juros. Juros altos atraem moeda estrangeira, valorizam o real, reduzem as exportações e estimulam as importações. Resultado desse imbróglio: preços internos estáveis ao custo da indústria estrangeira tomar de assalto nosso mercado interno e destruir a capacidade de nossa indústria competir no país e no exterior. Recado aos dois candidatos à presidência: um bom projeto é reduzir o chamado Custo Brasil, começando pela modernização e enxugamento do setor público. Um choque de gestão que torne nosso Estado Forte. Capaz de regular e fiscalizar empresas privadas e, se necessário, induzir seus investimentos em certos setores, como afirmou o Presidente Lula, em recente entrevista (Estadão, 19/02) ao ser perguntado sobre o papel do Estado na economia, não obstante o dia-a-dia provar que isso não acontece na prática. Estado sem gorduras, eficiente e capaz de promover o Desenvolvimento Tecnológico e Social e melhorar substancialmente os setores de Educação, Saúde, Saneamento, Segurança, Infra-Estrutura e, acima de tudo, capaz de se regenerar, tornando a prática de corrupção uma execrável exceção, rapidamente punida. Resultado: os juros caem, a taxa de câmbio se acomoda em níveis compatíveis com o equilíbrio entre exportações e importações, e nossa indústria pode competir no país e no exterior em condições de igualdade, estimulando o crescimento e o emprego sustentáveis.
Tuesday, March 02, 2010
VEDETES E PARTIDOS
Ao invés dos partidos possuírem um projeto, ou pelo menos uma visão realista do que a nação brasileira necessita, a começar por uma profunda reforma política, e escolherem democraticamente seus candidatos a cargos eletivos, continuamos purgando o velho estilo da política brasileira: vedetes se manifestando e se movimentando no palco da política com frases de efeito sob os holofotes da mídia, pouco se importando com seus partidos políticos reféns de seus humores e desejos pessoais. E o que é mais triste. A maioria de nosso povo, que adora desfile de escolas de samba e de futebol, vibra com tiradas, dribles verbais e exibicionismo de passarela de nossos políticos, enterrando nossas esperanças de um dia contar com lideranças sérias, honestas e competentes no trato das necessidades de nosso sofrido povo.
Ao invés dos partidos possuírem um projeto, ou pelo menos uma visão realista do que a nação brasileira necessita, a começar por uma profunda reforma política, e escolherem democraticamente seus candidatos a cargos eletivos, continuamos purgando o velho estilo da política brasileira: vedetes se manifestando e se movimentando no palco da política com frases de efeito sob os holofotes da mídia, pouco se importando com seus partidos políticos reféns de seus humores e desejos pessoais. E o que é mais triste. A maioria de nosso povo, que adora desfile de escolas de samba e de futebol, vibra com tiradas, dribles verbais e exibicionismo de passarela de nossos políticos, enterrando nossas esperanças de um dia contar com lideranças sérias, honestas e competentes no trato das necessidades de nosso sofrido povo.
Friday, February 26, 2010
TELEBRÁS
Em excelente artigo (Folha 26/02), o Dep. Eduardo Gomes argumenta ser desnecessária a reativação da Estatal Telebrás para implementar a política de universalização do acesso à internet via banda larga no Brasil e aponta com clareza e objetividade as inconveniências dessa medida cogitada pelo Governo Federal. Depois de ler esse artigo, confesso que manifestação do Presidente Lula de que o papel do governo no processo produtivo é "regular, fiscalizar e induzir", era somente para inglês ler. Salvo, se ele está implantando modelo de competição entre o Estado e empresas privadas, conforme outra manifestação sua na mesma entrevista (Estadão 19/2): “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer se vocês não forem eu vou, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”. Seria interessante que o Governo Federal nos esclarecesse o que está realmente acontecendo no setor: estatização, pura e simples, ou se trata da política “se vocês não forem eu vou”. Afinal, foi assim que os Estados mais antigos e os modernos descobriram novas terras “em mares nunca dantes navegados” e foram para o espaço, também nunca antes navegado. Contudo, é bom lembrar do discurso do General Eisenhower (Farewell Speech, 1961), (http://www.youtube.com/watch?v=8y06NSBBRtY) chamando a atenção para o risco da democracia norte americana diante do complexo industrial-militar que se estruturou naquele País. Ou da fala de nosso Brigadeiro Eduardo Gomes, homônimo ou quem sabe parente do ilustre deputado acima citado, quando afirmava que o preço da democracia é a eterna vigilância. A estatização desnecessária ou a articulação da produção privada com o Estado por meio de mecanismos “por fora do mercado” são modelos certos para o enrijecimento das instituições democráticas e do processo produtivo, trazendo ineficiência generalizada e estimulando intervenções políticas arbitrárias que pioram a situação econômica e social da nação.
Em excelente artigo (Folha 26/02), o Dep. Eduardo Gomes argumenta ser desnecessária a reativação da Estatal Telebrás para implementar a política de universalização do acesso à internet via banda larga no Brasil e aponta com clareza e objetividade as inconveniências dessa medida cogitada pelo Governo Federal. Depois de ler esse artigo, confesso que manifestação do Presidente Lula de que o papel do governo no processo produtivo é "regular, fiscalizar e induzir", era somente para inglês ler. Salvo, se ele está implantando modelo de competição entre o Estado e empresas privadas, conforme outra manifestação sua na mesma entrevista (Estadão 19/2): “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer se vocês não forem eu vou, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”. Seria interessante que o Governo Federal nos esclarecesse o que está realmente acontecendo no setor: estatização, pura e simples, ou se trata da política “se vocês não forem eu vou”. Afinal, foi assim que os Estados mais antigos e os modernos descobriram novas terras “em mares nunca dantes navegados” e foram para o espaço, também nunca antes navegado. Contudo, é bom lembrar do discurso do General Eisenhower (Farewell Speech, 1961), (http://www.youtube.com/watch?v=8y06NSBBRtY) chamando a atenção para o risco da democracia norte americana diante do complexo industrial-militar que se estruturou naquele País. Ou da fala de nosso Brigadeiro Eduardo Gomes, homônimo ou quem sabe parente do ilustre deputado acima citado, quando afirmava que o preço da democracia é a eterna vigilância. A estatização desnecessária ou a articulação da produção privada com o Estado por meio de mecanismos “por fora do mercado” são modelos certos para o enrijecimento das instituições democráticas e do processo produtivo, trazendo ineficiência generalizada e estimulando intervenções políticas arbitrárias que pioram a situação econômica e social da nação.
Sunday, February 21, 2010
Tarifa de Celular no Brasil- A segunda mais alta do mundo
Se não fossem as denúncias de nossa mídia, o escalpelamento dos consumidores brasileiros pelas grandes empresas seria completo. Os representantes eleitos pelo povo para criar leis e fiscalizar as ações do executivo somente se preocupam com a gangorra do poder, deixando-nos completamente indefesos. Executivo e legislativo não exigem da ANATEL que se estruture com pessoas altamente qualificadas nas áreas técnica e econômica e cumpra suas funções na defesa de competição saudável. Ao contrário, sua omissão estimula a inoperância que acaba reforçando a proposta do retorno da Telebrás. O presidente Lula usa e abusa da ignorância e infantilidade de nosso povo, gerando contradições entre o que diz e o que faz. Em entrevista dada a O Estado de São Paulo (19/2) brincou, dizendo que Estadão, somente o jornal, referindo-se à pergunta sobre “Por que mais Estado na economia“, tese do PT e de Dilma. E afirmou, em seguida, com todas as letras, que o papel do governo é regular, fiscalizar e induzir. Por que então ele não aplica sua receita, solicitando que a ANATEL regule, fiscalize e auxilie seu Governo na viabilização de projetos não-rentáveis e socialmente desejáveis sem necessidade do Estado ser empreendedor e gerenciador direto de serviços? Como conciliar a sua idéia sobre o papel do Estado com a ressurreição da Telebrás e a criação de uma “mega empresa de energia’? A resposta é dada por ele mesmo ao afirmar: “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer SE VOCES NÃO FOREM, EU VOU, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”, ou seja, o Estado não regula, não fiscaliza e não induz, como afirmou acima. Age diretamente como empreendedor e realizador de obras, como diz depois. Numa simples frase transborda toda a filosofia sua, do PT e da candidata Dilma: Se vocês (empresários e investidores) não forem, nós vamos. É o fim da economia de mercado regulado, fiscalizado e induzido, já que o “mercado diabólico”, totalmente livre para escalpelar os consumidores é resultado da inoperância dos poderes executivo e legislativo em cobrar da ANATEL o cumprimento das funções para as quais foi criada. Entrega-se o mercado ao diabo, para exterminá-lo em seguida
Se não fossem as denúncias de nossa mídia, o escalpelamento dos consumidores brasileiros pelas grandes empresas seria completo. Os representantes eleitos pelo povo para criar leis e fiscalizar as ações do executivo somente se preocupam com a gangorra do poder, deixando-nos completamente indefesos. Executivo e legislativo não exigem da ANATEL que se estruture com pessoas altamente qualificadas nas áreas técnica e econômica e cumpra suas funções na defesa de competição saudável. Ao contrário, sua omissão estimula a inoperância que acaba reforçando a proposta do retorno da Telebrás. O presidente Lula usa e abusa da ignorância e infantilidade de nosso povo, gerando contradições entre o que diz e o que faz. Em entrevista dada a O Estado de São Paulo (19/2) brincou, dizendo que Estadão, somente o jornal, referindo-se à pergunta sobre “Por que mais Estado na economia“, tese do PT e de Dilma. E afirmou, em seguida, com todas as letras, que o papel do governo é regular, fiscalizar e induzir. Por que então ele não aplica sua receita, solicitando que a ANATEL regule, fiscalize e auxilie seu Governo na viabilização de projetos não-rentáveis e socialmente desejáveis sem necessidade do Estado ser empreendedor e gerenciador direto de serviços? Como conciliar a sua idéia sobre o papel do Estado com a ressurreição da Telebrás e a criação de uma “mega empresa de energia’? A resposta é dada por ele mesmo ao afirmar: “Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer SE VOCES NÃO FOREM, EU VOU, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado”, ou seja, o Estado não regula, não fiscaliza e não induz, como afirmou acima. Age diretamente como empreendedor e realizador de obras, como diz depois. Numa simples frase transborda toda a filosofia sua, do PT e da candidata Dilma: Se vocês (empresários e investidores) não forem, nós vamos. É o fim da economia de mercado regulado, fiscalizado e induzido, já que o “mercado diabólico”, totalmente livre para escalpelar os consumidores é resultado da inoperância dos poderes executivo e legislativo em cobrar da ANATEL o cumprimento das funções para as quais foi criada. Entrega-se o mercado ao diabo, para exterminá-lo em seguida
Thursday, February 18, 2010
Temas da Campanha Presidencial
É surpreendente o descolamento da classe política das reais necessidades de nosso povo. Ninguém se sente seguro em nosso país. Pobres ou ricos, vivemos assustados e buscando nos proteger contra tudo e todos. A droga está tomando nosso povo de assalto, especialmente o CRACK que endoidece e mata, até os mendigos em farrapos que perambulam como zumbis pelas nossas ruas. O ensino fundamental continua péssimo. Estudantes que concluem o ensino médio, especialmente em escolas públicas, não conseguem trabalhar com números, porcentagens, juros, medidas de volume, de áreas e até mesmo lineares. Ler e entender o que leu, somente com muita dificuldade. Escrevem textos que são de fazer os pais, alfabetizados em outras épocas, chorarem de desgosto. O saneamento, a saúde pública, em que a nutrição e os esportes são fundamentais, caminham se arrastando, com prioridades mal fixadas e mal executadas. O transporte, particularmente de passageiros em áreas urbanas, continua péssimo e deve piorar ainda mais com congestionamentos e vícios de uso do espaço público pelos automóveis, cuja frota cresce assustadoramente e sem rumo. Habitação e uso do solo estão mal estruturados. Não obstante esses poucos exemplos de problemas atuais e urgentes, a pauta dos candidatos, tudo indica, irá se referir ao passado que foi palco das realizações feitas nas administrações de FHC e de Lula e que jamais serão alteradas ou contestadas em sua essência pelos atuais candidatos, como sejam, por exemplo, a manutençào do poder aquisitivo da moeda e a transferência de renda para os que não tem emprego ou que não têm condições de sobreviver sem ajuda pública (bolsa família, seguro desemprego, etc). Que tal, senhores candidatos, começar a discutir soluções objetivas para a segurança, educação, saúde, saneamento e habitação? E deixar a inflação e a transferência de renda como conquistas que podem e devem ser aprimoradas, por qualquer candidato? Comparar as administrações de FHC e Lula, como tema da campanha, seria uma forma de ilusionismo e mistificação própria de políticos alienados ou safados que não querem enfrentar o debate dos problemas de nosso dia-a-dia que nos avilta e maltrata. Afinal, a disputa eleitoral não é de FHC com Lula, hoje com popularidade imbatível. É entre sua afilhada política Dilma, que recentemente entrou no PT e somente agora começa a falar sem monitoramento, e José Serra, ex-ministro de FHC que já é conhecido pelos eleitores de longa data. Por último, afirmo que o candidato que merecerá meu voto será aquele que mostrar qualificação, motivação e condições de usar o inflado poder do executivo nacional na liderança de reformas políticas e no judiciário que afastem, de vez, a politicagem e a prática de desvios de recursos públicos. Nós, brasileiros que pagamos impostos, bem como os que não pagam porque o País não lhes ofereceu oportunidades de sair da miséria e pobreza, não aguentamos mais ver sorrisos de trambiqueiros em nossa mídia. A náusea que isso nos causa parece não ter fim: mensaleiros, propineiros e trambiqueiros juntos com políticos corrompidos e com fornecedores sem ética que os alimentam com dinheiro público resultante de sobrepreços, devem pagar pelos crimes. E somente serem absolvidos quando devolverem até o último tostão que roubaram. Não basta cumprir pena e sair rico da cadeia.
É surpreendente o descolamento da classe política das reais necessidades de nosso povo. Ninguém se sente seguro em nosso país. Pobres ou ricos, vivemos assustados e buscando nos proteger contra tudo e todos. A droga está tomando nosso povo de assalto, especialmente o CRACK que endoidece e mata, até os mendigos em farrapos que perambulam como zumbis pelas nossas ruas. O ensino fundamental continua péssimo. Estudantes que concluem o ensino médio, especialmente em escolas públicas, não conseguem trabalhar com números, porcentagens, juros, medidas de volume, de áreas e até mesmo lineares. Ler e entender o que leu, somente com muita dificuldade. Escrevem textos que são de fazer os pais, alfabetizados em outras épocas, chorarem de desgosto. O saneamento, a saúde pública, em que a nutrição e os esportes são fundamentais, caminham se arrastando, com prioridades mal fixadas e mal executadas. O transporte, particularmente de passageiros em áreas urbanas, continua péssimo e deve piorar ainda mais com congestionamentos e vícios de uso do espaço público pelos automóveis, cuja frota cresce assustadoramente e sem rumo. Habitação e uso do solo estão mal estruturados. Não obstante esses poucos exemplos de problemas atuais e urgentes, a pauta dos candidatos, tudo indica, irá se referir ao passado que foi palco das realizações feitas nas administrações de FHC e de Lula e que jamais serão alteradas ou contestadas em sua essência pelos atuais candidatos, como sejam, por exemplo, a manutençào do poder aquisitivo da moeda e a transferência de renda para os que não tem emprego ou que não têm condições de sobreviver sem ajuda pública (bolsa família, seguro desemprego, etc). Que tal, senhores candidatos, começar a discutir soluções objetivas para a segurança, educação, saúde, saneamento e habitação? E deixar a inflação e a transferência de renda como conquistas que podem e devem ser aprimoradas, por qualquer candidato? Comparar as administrações de FHC e Lula, como tema da campanha, seria uma forma de ilusionismo e mistificação própria de políticos alienados ou safados que não querem enfrentar o debate dos problemas de nosso dia-a-dia que nos avilta e maltrata. Afinal, a disputa eleitoral não é de FHC com Lula, hoje com popularidade imbatível. É entre sua afilhada política Dilma, que recentemente entrou no PT e somente agora começa a falar sem monitoramento, e José Serra, ex-ministro de FHC que já é conhecido pelos eleitores de longa data. Por último, afirmo que o candidato que merecerá meu voto será aquele que mostrar qualificação, motivação e condições de usar o inflado poder do executivo nacional na liderança de reformas políticas e no judiciário que afastem, de vez, a politicagem e a prática de desvios de recursos públicos. Nós, brasileiros que pagamos impostos, bem como os que não pagam porque o País não lhes ofereceu oportunidades de sair da miséria e pobreza, não aguentamos mais ver sorrisos de trambiqueiros em nossa mídia. A náusea que isso nos causa parece não ter fim: mensaleiros, propineiros e trambiqueiros juntos com políticos corrompidos e com fornecedores sem ética que os alimentam com dinheiro público resultante de sobrepreços, devem pagar pelos crimes. E somente serem absolvidos quando devolverem até o último tostão que roubaram. Não basta cumprir pena e sair rico da cadeia.
Monday, February 15, 2010
VENEZUELA
O discurso do PT para convencer uma oposição despreparada a aprovar a entrada desse País no MERCOSU foi de que os governos passam e os países ficam. Na Rússia, passaram-se 74 anos entre Lênin e Gobarchev; em Cuba, já se foram quase 50 anos e o socialismo continua; e na Venezuela, a implantação do socialismo bolivariano, com citação tropicalizada da “mais valia” de Marx, começou agora sob a batuta de Chávez e ninguém sabe quanto tempo isso vai durar. Não teria sido mais prudente esperar? Quem sabe o Senado paraguaio tenha mais juízo e não aprove, ainda, a entrada da Venezuela com sua economia regulada pelo arbítrio de Hugo Chávez que seguramente implodirá o moribundo MERCOSUL.
Saturday, February 13, 2010
Arruda
"Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos", foi assim que o atual Governador do DF, Roberto Arruda, então senador eleito pelo PP de Roriz, em 94, e embarcado, em 1.995, como novo membro do PSDB no trem da vitória de FHC, despediu-se de seus colegas, em 2.001, para não correr o risco de ser cassado por falta de decoro parlamentar. Sua participação na espionagem praticada por ACM no painel eletrônico do Senado tornou-se pública, depois dele ter negado veementemente seu envolvimento, obrigando-o a admiti-la em discurso de despedida. Fui um dos expectadores de sua atuação dramática, lacrimosa, intensa e emocionante. Graças às lágrimas, ou à falta de memória e ignorância dos eleitores, ou ao reatamento de sua “amizade” com Roriz, ele foi eleito deputado federal pelo DEM, já em 2.002, sendo o mais votado entre os demais representantes do Distrito Federal no Congresso Nacional. Em 2.006, ele se elege governador do DF, e Paulo Otávio, seu vice, para felicidade e gáudio do DEM. Com as pesadas e bem documentadas acusações da PF sobre desvio de recursos públicos e recebimento de propinas, pergunto-me se a dose dupla se repetirá: primeiro, nega, o que já aconteceu; depois, admite o crime com choro e vela e renuncia ao cargo para evitar o “impeachment”, garantindo sua eleição para Deputado Federal no próximo ano. Se isso acontecer, sua célebre frase será mais curta e incisiva: “Não matei”. Aliás, esse novo bordão deveria ser escrito em medalha de condecoração a ser ostentada no peito varonil dos demais mensaleiros e propineiros que infestam mortalmente nossas instituições democráticas. Afinal, nosso País não é uma republiqueta e pode se orgulhar de não ter assassinos em seus quadros políticos e nos altos escalões da administração pública. Quanto aos demais desvios de caráter e conduta são herança cultural e histórica que somente se extinguirão quando se proceder profunda reforma política e substituição maciça de políticos “viciados” que emporcalham os partidos políticos, sendo que muitos deles deveriam simplesmente ser extintos.
"Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos", foi assim que o atual Governador do DF, Roberto Arruda, então senador eleito pelo PP de Roriz, em 94, e embarcado, em 1.995, como novo membro do PSDB no trem da vitória de FHC, despediu-se de seus colegas, em 2.001, para não correr o risco de ser cassado por falta de decoro parlamentar. Sua participação na espionagem praticada por ACM no painel eletrônico do Senado tornou-se pública, depois dele ter negado veementemente seu envolvimento, obrigando-o a admiti-la em discurso de despedida. Fui um dos expectadores de sua atuação dramática, lacrimosa, intensa e emocionante. Graças às lágrimas, ou à falta de memória e ignorância dos eleitores, ou ao reatamento de sua “amizade” com Roriz, ele foi eleito deputado federal pelo DEM, já em 2.002, sendo o mais votado entre os demais representantes do Distrito Federal no Congresso Nacional. Em 2.006, ele se elege governador do DF, e Paulo Otávio, seu vice, para felicidade e gáudio do DEM. Com as pesadas e bem documentadas acusações da PF sobre desvio de recursos públicos e recebimento de propinas, pergunto-me se a dose dupla se repetirá: primeiro, nega, o que já aconteceu; depois, admite o crime com choro e vela e renuncia ao cargo para evitar o “impeachment”, garantindo sua eleição para Deputado Federal no próximo ano. Se isso acontecer, sua célebre frase será mais curta e incisiva: “Não matei”. Aliás, esse novo bordão deveria ser escrito em medalha de condecoração a ser ostentada no peito varonil dos demais mensaleiros e propineiros que infestam mortalmente nossas instituições democráticas. Afinal, nosso País não é uma republiqueta e pode se orgulhar de não ter assassinos em seus quadros políticos e nos altos escalões da administração pública. Quanto aos demais desvios de caráter e conduta são herança cultural e histórica que somente se extinguirão quando se proceder profunda reforma política e substituição maciça de políticos “viciados” que emporcalham os partidos políticos, sendo que muitos deles deveriam simplesmente ser extintos.
Monday, February 08, 2010
Brasil no Conselho de Segurança da ONU
Finalmente, alguém foi franco e direto sobre a escolha já feita dos caças Rafale da França. Em resposta à pergunta de Samy Adghirni (Folha, 8/2) ao Embaixador Francês no Brasil, Yves Saint-Geours, como ele reagira “ao relatório de avaliação técnica da FAB que colocou o Rafale na última colocação entre os concorrentes”, ele disse que se tratava de informações da imprensa e que não se deixou levar por isso, afirmando: “É claro que o assunto foi muito comentado do lado francês, mas nem por isso peguei minha bengala e meu chapéu para ir cobrar explicações (sic) do governo brasileiro”. Mais adiante, em resposta a outra pergunta explicou: “Os críticos dizem que nessa parceria um ganha, enquanto o outro desembolsa. Isso não é verdade... Os dois lados ganham. Além disso, essa parceria tem um custo para a França.” “Que custo?”, perguntou o repórter. A resposta foi direta: “Seria muito mais fácil para nós se disséssemos que apoiamos o ingresso de um país latino-americano como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU sem dizer quem é nosso candidato”, referindo-se, obviamente, ao Brasil. Trocando em miúdos (ou em graúdos), gastaremos dezenas de bilhões de reais a mais na compra de navios, submarino nuclear e caças, sem esquecer a escolha, sem licitação, da empresa empreiteira Odebrecht como parceira, feita por empresa estatal francesa para participar de construções e montagens no Brasil. O objetivo estratégico perseguido por Lula, Garcia e Amorim é a França apoiar, explicitamente, nosso ingresso no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, nossas autoridades continuam postergando a decisão final da compra dos caças Rafale, já acertada com a França. Qualquer semelhança com as manobras de nossas novelas é mera coincidência. Recomendo ao Embaixador Saint-Geours que tenha paciência e aguarde o final feliz. Enquanto isso, por mera precaução, deixe sua bengala e chapéu à vista.
Finalmente, alguém foi franco e direto sobre a escolha já feita dos caças Rafale da França. Em resposta à pergunta de Samy Adghirni (Folha, 8/2) ao Embaixador Francês no Brasil, Yves Saint-Geours, como ele reagira “ao relatório de avaliação técnica da FAB que colocou o Rafale na última colocação entre os concorrentes”, ele disse que se tratava de informações da imprensa e que não se deixou levar por isso, afirmando: “É claro que o assunto foi muito comentado do lado francês, mas nem por isso peguei minha bengala e meu chapéu para ir cobrar explicações (sic) do governo brasileiro”. Mais adiante, em resposta a outra pergunta explicou: “Os críticos dizem que nessa parceria um ganha, enquanto o outro desembolsa. Isso não é verdade... Os dois lados ganham. Além disso, essa parceria tem um custo para a França.” “Que custo?”, perguntou o repórter. A resposta foi direta: “Seria muito mais fácil para nós se disséssemos que apoiamos o ingresso de um país latino-americano como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU sem dizer quem é nosso candidato”, referindo-se, obviamente, ao Brasil. Trocando em miúdos (ou em graúdos), gastaremos dezenas de bilhões de reais a mais na compra de navios, submarino nuclear e caças, sem esquecer a escolha, sem licitação, da empresa empreiteira Odebrecht como parceira, feita por empresa estatal francesa para participar de construções e montagens no Brasil. O objetivo estratégico perseguido por Lula, Garcia e Amorim é a França apoiar, explicitamente, nosso ingresso no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, nossas autoridades continuam postergando a decisão final da compra dos caças Rafale, já acertada com a França. Qualquer semelhança com as manobras de nossas novelas é mera coincidência. Recomendo ao Embaixador Saint-Geours que tenha paciência e aguarde o final feliz. Enquanto isso, por mera precaução, deixe sua bengala e chapéu à vista.
Saturday, February 06, 2010
BRASIL SA
"Não queremos estatizar por estatizar. As empresas privadas não fizeram sua parte e o governo vai mostrar que tem bala na agulha, porque senão ninguém quer fazer nada para pobre neste país." Foi isso que Lula disse na inauguração de fábrica estatal de semicondutores, CEITEC S A, ontem, em Porto Alegre. São duas afirmações com críticas implícitas que merecem respostas: a primeira, que a iniciativa privada se omitiu ao não fabricar semicondutores em nosso País;e, a segunda que se não estiver com “bala na agulha” para substituir a empresa privada na produção “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Com relação ao uso de um “balaço na agulha” de R$ 400 milhões na CEITEC SA, cabe às entidades que congregam empresários e investidores privados responder por que o setor privado se omitiu. Sobre o segundo questionamento, o presidente Lula está cansado de saber que pobre sem dinheiro, por definição, não pode comprar nada daquilo que necessita. Nesse caso, cabe ao setor público, que se apropria de 40% do PIB nacional por meio de impostos, prover o mínimo para a sobrevivência de nosso povo, seja em serviços públicos universais gratuitos e de boa qualidade (saúde, segurança, educação, saneamento), seja em dinheiro, como já é feito pelo Bolsa Família. Albergues e outras instituições públicas e privadas assumem, também, a guarda da pessoa necessitada, oferecendo-lhe abrigo, alimentos, roupas e outros produtos e serviços diretamente. Imagino que Lula se refere a estes dois casos quando diz que “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Realmente, nossa elite poderia ser mais caridosa. Principalmente, quando ela envolve políticos, servidores e fornecedores privados, organizados em quadrilha, para desviar dinheiro público por meio de mutretas milionárias. Quando o fazem, não demonstram dó ou piedade dos mais pobres, não devolvem o dinheiro roubado e permanecem impunes. A prioridade, perdoe-me o Presidente Lula, não é o governo ficar com “bala na agulha” para substituir empresas privadas na produção de petróleo do pré-sal, na construção e operação direta de aeroportos, no subsídio a Trem de Alta Velocidade, por exemplo. A “bala na agulha” deveria ser usada contra os que desviam recursos públicos para debaixo de suas roupas íntimas. ou para fins lícitos, porém, de baixa prioridade econômica e social. Ninguém deve ou deveria morrer de fome ou por falta de serviços públicos decentes. E ninguém, tampouco, deve ou deveria sobreviver e passar a vida como pessoa ignorante e desprovida de conhecimento suficiente para exercer uma profissão com eficácia e dignidade, por falta de boa educação pública. Termino esta nota como um vizinho meu costuma responder a críticas que lhe fazem: “cuide de sua casa, que da minha cuido eu!”
"Não queremos estatizar por estatizar. As empresas privadas não fizeram sua parte e o governo vai mostrar que tem bala na agulha, porque senão ninguém quer fazer nada para pobre neste país." Foi isso que Lula disse na inauguração de fábrica estatal de semicondutores, CEITEC S A, ontem, em Porto Alegre. São duas afirmações com críticas implícitas que merecem respostas: a primeira, que a iniciativa privada se omitiu ao não fabricar semicondutores em nosso País;e, a segunda que se não estiver com “bala na agulha” para substituir a empresa privada na produção “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Com relação ao uso de um “balaço na agulha” de R$ 400 milhões na CEITEC SA, cabe às entidades que congregam empresários e investidores privados responder por que o setor privado se omitiu. Sobre o segundo questionamento, o presidente Lula está cansado de saber que pobre sem dinheiro, por definição, não pode comprar nada daquilo que necessita. Nesse caso, cabe ao setor público, que se apropria de 40% do PIB nacional por meio de impostos, prover o mínimo para a sobrevivência de nosso povo, seja em serviços públicos universais gratuitos e de boa qualidade (saúde, segurança, educação, saneamento), seja em dinheiro, como já é feito pelo Bolsa Família. Albergues e outras instituições públicas e privadas assumem, também, a guarda da pessoa necessitada, oferecendo-lhe abrigo, alimentos, roupas e outros produtos e serviços diretamente. Imagino que Lula se refere a estes dois casos quando diz que “ninguém quer fazer nada para pobre neste País”. Realmente, nossa elite poderia ser mais caridosa. Principalmente, quando ela envolve políticos, servidores e fornecedores privados, organizados em quadrilha, para desviar dinheiro público por meio de mutretas milionárias. Quando o fazem, não demonstram dó ou piedade dos mais pobres, não devolvem o dinheiro roubado e permanecem impunes. A prioridade, perdoe-me o Presidente Lula, não é o governo ficar com “bala na agulha” para substituir empresas privadas na produção de petróleo do pré-sal, na construção e operação direta de aeroportos, no subsídio a Trem de Alta Velocidade, por exemplo. A “bala na agulha” deveria ser usada contra os que desviam recursos públicos para debaixo de suas roupas íntimas. ou para fins lícitos, porém, de baixa prioridade econômica e social. Ninguém deve ou deveria morrer de fome ou por falta de serviços públicos decentes. E ninguém, tampouco, deve ou deveria sobreviver e passar a vida como pessoa ignorante e desprovida de conhecimento suficiente para exercer uma profissão com eficácia e dignidade, por falta de boa educação pública. Termino esta nota como um vizinho meu costuma responder a críticas que lhe fazem: “cuide de sua casa, que da minha cuido eu!”
Tuesday, January 26, 2010
França-Brasil-Estados Unidos
Artigo da redação da Folha (26/01) sobre ato de Hugo Chávez contra a liberdade de imprensa informa que “o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, voltou a criticar a suspensão dos canais, o que também foi feito pela SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e pelo governo francês.” E, logo adiante, a opinião de Dilma Rousseff: "Não cabe a mim criticar ou não. Se ele [Chávez] faz isso, é em função da problemática dele. O governo Lula jamais pensou em controlar a mídia", Deixando de lado o fato de que a problemática não é “dele” e sim do povo venezuelano, pensávamos que a Aliança Estratégica com a França, tão citada para justificar o mega negócio de compra de materiais e equipamentos militares naquele País, contemplasse, também, o relacionamento do Brasil com seus vizinhos. O que parece, no entanto, é que ela não existe ou, na realidade, é um subproduto de aliança estratégica de fato da França com os Estados Unidos que vem desde a sua independência, até hoje, na luta pela liberdade. Se a nossa defesa também é pela liberdade de nosso País porque não comprar os caças recomendados pelo Comando da Aeronáutica que são os mais baratos? E com os recursos da diferença de preços entre os caças franceses e os suecos acelerar os investimentos federais em saneamento, libertando nosso povo da miséria e das doenças?
Artigo da redação da Folha (26/01) sobre ato de Hugo Chávez contra a liberdade de imprensa informa que “o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, voltou a criticar a suspensão dos canais, o que também foi feito pela SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e pelo governo francês.” E, logo adiante, a opinião de Dilma Rousseff: "Não cabe a mim criticar ou não. Se ele [Chávez] faz isso, é em função da problemática dele. O governo Lula jamais pensou em controlar a mídia", Deixando de lado o fato de que a problemática não é “dele” e sim do povo venezuelano, pensávamos que a Aliança Estratégica com a França, tão citada para justificar o mega negócio de compra de materiais e equipamentos militares naquele País, contemplasse, também, o relacionamento do Brasil com seus vizinhos. O que parece, no entanto, é que ela não existe ou, na realidade, é um subproduto de aliança estratégica de fato da França com os Estados Unidos que vem desde a sua independência, até hoje, na luta pela liberdade. Se a nossa defesa também é pela liberdade de nosso País porque não comprar os caças recomendados pelo Comando da Aeronáutica que são os mais baratos? E com os recursos da diferença de preços entre os caças franceses e os suecos acelerar os investimentos federais em saneamento, libertando nosso povo da miséria e das doenças?
Sunday, January 24, 2010
MAÇÃ DE TEMER
Segundo reportagem de Simionato (Folha de 24/01), Michel Temer, ao discursar em comício de Rio Claro, SP, fez referência a uma passagem bíblica para elogiar Dilma:"Ela já nos levou ao paraíso administrativamente e agora nos levará politicamente ao paraíso". "A mulher não nos expulsou do paraíso, ela nos levou ao paraíso." Espero que não seja extraída do Gênesis em que a mulher orientada pela serpente comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo levado o homem a fazer o mesmo e obrigando a Deus a expulsá-los do Eden. Realmente, ela não nos expulsou do paraíso. Tampouco, ela nos levou ou nos levará ao paraíso, seja administrativa ou políticamente. Qual a relação do PAC com o paraíso? PACTANTABAJULAÇÃO, deputado Temer? Deixe a Bíblia fora da eleição. Sua vaga para vice na chapa de Dilma já está garantida.
Segundo reportagem de Simionato (Folha de 24/01), Michel Temer, ao discursar em comício de Rio Claro, SP, fez referência a uma passagem bíblica para elogiar Dilma:"Ela já nos levou ao paraíso administrativamente e agora nos levará politicamente ao paraíso". "A mulher não nos expulsou do paraíso, ela nos levou ao paraíso." Espero que não seja extraída do Gênesis em que a mulher orientada pela serpente comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, tendo levado o homem a fazer o mesmo e obrigando a Deus a expulsá-los do Eden. Realmente, ela não nos expulsou do paraíso. Tampouco, ela nos levou ou nos levará ao paraíso, seja administrativa ou políticamente. Qual a relação do PAC com o paraíso? PACTANTABAJULAÇÃO, deputado Temer? Deixe a Bíblia fora da eleição. Sua vaga para vice na chapa de Dilma já está garantida.
POMO DE ADAMS
Entalou no meu gogó a opinião manifestada pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está antecipando a disputa eleitoral prevista para iniciar em meados deste ano. O apoio dele à Dilma Rousseff, de forma aberta, insistente e, até chata, desde 2.008, quando a escolheu para ser sua sucessora, não perdendo uma oportunidade sequer para provocar seus prováveis adversários e enaltecer as qualidades de Dilma para dar continuidade a suas políticas, é considerado normal pelo Dr. Adams. Posso afirmar, contudo, que nas dez eleições democráticas que presenciei nos últimos 65 anos, “nunca antes neste País” houve tamanha antecipação do processo eleitoral e tanta “energia” nele gasta, a ponto de gerar um verdadeiro tornado que suga e destrói indagações e interpretações apartidárias e sérias sobre o futuro desejado pelo nosso povo. Tudo hoje está contido nos limites da disputa eleitoral entre Dilma e seu futuro adversário. Todavia, mais do que grandes obras e prestígio no cenário internacional, necessitamos, também, superar a crise ética e moral na qual sempre estivemos imersos. Somente estadistas, hoje asfixiados pelo oportunismo e pela demagogia prevalecentes, podem liderar uma discussão apartidária de políticas e programas de longo prazo destinados a aprimorar valores que dêem sustentação a novos hábitos e costumes civilizados em nosso País. Ao contrário, nesse clima de “já ganhei”, temos recebido fortes estímulos para degradar, ainda mais, nossos valores, por meio de exemplos de políticos mensaleiros e propineiros que operam em quadrilhas ao estilo do crime organizado. Corruptos e corruptores conseguem se apropriar de recursos públicos, quase sempre impunemente. A maneira chula e insidiosa como isso tem acontecido ultrapassou a nossa imaginação de cidadão responsável. A indignação de nossos eleitores, porém, é limitada, seja porque os escândalos se sucedem a ponto de tornar-nos indiferentes, seja porque a maioria dos que votam é constituída de analfabetos funcionais e ignorantes que não conseguem acompanhar e interpretar corretamente as notícias veiculadas pela mídia. Sem falar naqueles que vendem seus votos para tirar algum proveito pessoal das eleições, já que política para eles é sinônimo de ladroagem.
Entalou no meu gogó a opinião manifestada pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está antecipando a disputa eleitoral prevista para iniciar em meados deste ano. O apoio dele à Dilma Rousseff, de forma aberta, insistente e, até chata, desde 2.008, quando a escolheu para ser sua sucessora, não perdendo uma oportunidade sequer para provocar seus prováveis adversários e enaltecer as qualidades de Dilma para dar continuidade a suas políticas, é considerado normal pelo Dr. Adams. Posso afirmar, contudo, que nas dez eleições democráticas que presenciei nos últimos 65 anos, “nunca antes neste País” houve tamanha antecipação do processo eleitoral e tanta “energia” nele gasta, a ponto de gerar um verdadeiro tornado que suga e destrói indagações e interpretações apartidárias e sérias sobre o futuro desejado pelo nosso povo. Tudo hoje está contido nos limites da disputa eleitoral entre Dilma e seu futuro adversário. Todavia, mais do que grandes obras e prestígio no cenário internacional, necessitamos, também, superar a crise ética e moral na qual sempre estivemos imersos. Somente estadistas, hoje asfixiados pelo oportunismo e pela demagogia prevalecentes, podem liderar uma discussão apartidária de políticas e programas de longo prazo destinados a aprimorar valores que dêem sustentação a novos hábitos e costumes civilizados em nosso País. Ao contrário, nesse clima de “já ganhei”, temos recebido fortes estímulos para degradar, ainda mais, nossos valores, por meio de exemplos de políticos mensaleiros e propineiros que operam em quadrilhas ao estilo do crime organizado. Corruptos e corruptores conseguem se apropriar de recursos públicos, quase sempre impunemente. A maneira chula e insidiosa como isso tem acontecido ultrapassou a nossa imaginação de cidadão responsável. A indignação de nossos eleitores, porém, é limitada, seja porque os escândalos se sucedem a ponto de tornar-nos indiferentes, seja porque a maioria dos que votam é constituída de analfabetos funcionais e ignorantes que não conseguem acompanhar e interpretar corretamente as notícias veiculadas pela mídia. Sem falar naqueles que vendem seus votos para tirar algum proveito pessoal das eleições, já que política para eles é sinônimo de ladroagem.
Monday, January 18, 2010
CIMEIRA OU CIUMEIRA
A urgência do salvamento de vidas no Haiti salta à vista. Todas as autoridades brasileiras envolvidas diretamente no projeto de pacificação do Haiti estavam seriamente preocupadas pela falta de coordenação da ajuda internacional. Os EUA entraram com tudo para participar dessa tarefa humanitária. O Brasil e a França, em sua Aliança Estratégica de gabinete, que ainda não foi revelada para nossa população, manifestaram-se ao estilo de seus líderes: Sarkozy, pedindo uma reunião de cúpula; e Amorim, denunciando risco de assistencialismo unilateral na ação americana. Sem realizar plebiscito no Haiti, consigo ouvir o clamor dos sobreviventes: “Sem cimeira e ciumeira! Brasil e EUA unam-se e nos salvem da morte e da miséria!”. Finalmente, uniram-se. Aí está a Aliança Estratégica que os povos da América Latina e África, inclusive o nosso, estão aguardando. Mais tranquilos, enquanto se faz de tudo para resgatar vidas, podemos esperar as conclusões da reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar da tragédia haitiana. São fatos que se articulam em cenários de longo prazo que dão origem a alianças estratégicas. E não elucubrações ideológicas sobre a realidade que levam a confrontos desnecessários.
A urgência do salvamento de vidas no Haiti salta à vista. Todas as autoridades brasileiras envolvidas diretamente no projeto de pacificação do Haiti estavam seriamente preocupadas pela falta de coordenação da ajuda internacional. Os EUA entraram com tudo para participar dessa tarefa humanitária. O Brasil e a França, em sua Aliança Estratégica de gabinete, que ainda não foi revelada para nossa população, manifestaram-se ao estilo de seus líderes: Sarkozy, pedindo uma reunião de cúpula; e Amorim, denunciando risco de assistencialismo unilateral na ação americana. Sem realizar plebiscito no Haiti, consigo ouvir o clamor dos sobreviventes: “Sem cimeira e ciumeira! Brasil e EUA unam-se e nos salvem da morte e da miséria!”. Finalmente, uniram-se. Aí está a Aliança Estratégica que os povos da América Latina e África, inclusive o nosso, estão aguardando. Mais tranquilos, enquanto se faz de tudo para resgatar vidas, podemos esperar as conclusões da reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar da tragédia haitiana. São fatos que se articulam em cenários de longo prazo que dão origem a alianças estratégicas. E não elucubrações ideológicas sobre a realidade que levam a confrontos desnecessários.
Saturday, January 09, 2010
Aliança Estratégica?
A entidade mais qualificada para se manifestar sobre a importação de caças para a defesa de nosso país, o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, depois de detalhada avaliação comparativa entre as propostas americana, francesa e sueca, optou pela oferta dos suecos. O Presidente Lula, muito antes dessa conclusão, antecipou publicamente sua preferência pelos caças franceses porque a França e o Brasil estão unidos em Aliança Estratégica. No início, Lula justificava sua opção com o argumento da transferência irrestrita de tecnologia de produção a ponto do Brasil poder dividir o mercado mundial com a empresa Dassault, fabricante dos caças, podendo exportá-los para a América Latina. Na realidade iria dividir um mercado que não existe, pois a Dassault não foi capaz, ainda, de exportar seus caças Rafale projetados faz vinte anos (Andrei Netto em Estadão de 7/9). Por outro lado, a oferta dos Suecos mesmo sob esse aspecto é melhor e conta com o apoio e a experiência da EMBRAER que teve sucesso na exportação de aviões de caça desenvolvidos e fabricados em consórcio com empresa italiana: os célebres AMX ou A-1 que prestam serviços desde meados da década dos 80. Permanece, porém, como fator decisivo a tal Aliança Estratégica que já nos impôs a escolha, sem licitação, da empreiteira Odebrecht feita por empresa estatal francesa para construírem juntas (joint venture) um estaleiro no Estado do Rio e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear. Agora, com o objetivo de buscar apoio político à sua escolha dos caças Rafale o Presidente Lula pretende recorrer ao Congresso Nacional que, seguramente, fará valer sua escolha soberana e não a da Aeronáutica. Nós, simples cidadãos, gostaríamos de saber mais sobre essa tão falada Aliança Estratégica com a França que nos custará bilhões de reais a mais. Afinal, não fica bem para dois países importantes como o Brasil e a França se envolverem numa transação bilionária, de 20 anos de duração, que possa alimentar dúvidas na opinião pública de ambos os países sobre o desenvolvimento de equipamentos para defesa nacional mais dispendiosos do que o necessário. Na prática isso representaria um desvio de recursos que poderiam ser empregados no combate à fome e à miséria e, principalmente, na melhoria estratégica da qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante que libertarão nossa população pobre dos grilhões da ignorância.
A entidade mais qualificada para se manifestar sobre a importação de caças para a defesa de nosso país, o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, depois de detalhada avaliação comparativa entre as propostas americana, francesa e sueca, optou pela oferta dos suecos. O Presidente Lula, muito antes dessa conclusão, antecipou publicamente sua preferência pelos caças franceses porque a França e o Brasil estão unidos em Aliança Estratégica. No início, Lula justificava sua opção com o argumento da transferência irrestrita de tecnologia de produção a ponto do Brasil poder dividir o mercado mundial com a empresa Dassault, fabricante dos caças, podendo exportá-los para a América Latina. Na realidade iria dividir um mercado que não existe, pois a Dassault não foi capaz, ainda, de exportar seus caças Rafale projetados faz vinte anos (Andrei Netto em Estadão de 7/9). Por outro lado, a oferta dos Suecos mesmo sob esse aspecto é melhor e conta com o apoio e a experiência da EMBRAER que teve sucesso na exportação de aviões de caça desenvolvidos e fabricados em consórcio com empresa italiana: os célebres AMX ou A-1 que prestam serviços desde meados da década dos 80. Permanece, porém, como fator decisivo a tal Aliança Estratégica que já nos impôs a escolha, sem licitação, da empreiteira Odebrecht feita por empresa estatal francesa para construírem juntas (joint venture) um estaleiro no Estado do Rio e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear. Agora, com o objetivo de buscar apoio político à sua escolha dos caças Rafale o Presidente Lula pretende recorrer ao Congresso Nacional que, seguramente, fará valer sua escolha soberana e não a da Aeronáutica. Nós, simples cidadãos, gostaríamos de saber mais sobre essa tão falada Aliança Estratégica com a França que nos custará bilhões de reais a mais. Afinal, não fica bem para dois países importantes como o Brasil e a França se envolverem numa transação bilionária, de 20 anos de duração, que possa alimentar dúvidas na opinião pública de ambos os países sobre o desenvolvimento de equipamentos para defesa nacional mais dispendiosos do que o necessário. Na prática isso representaria um desvio de recursos que poderiam ser empregados no combate à fome e à miséria e, principalmente, na melhoria estratégica da qualidade dos ensinos fundamental e profissionalizante que libertarão nossa população pobre dos grilhões da ignorância.
Tuesday, December 29, 2009
“Caiu o Sistema”
Há poucas décadas atrás, ninguém sabia do que se tratava essa queda. Era comum se falar em queda de raio, de chuva, de árvores, de pontes, mas de sistema, ninguém ouvira falar. Pior, ainda hoje, sabemos pouco a respeito dele. Ansiosos e angustiados esperamos que o sistema se restabeleça logo. Muitas vezes, a empresa nos informa, gentilmente, quando ele voltará. Quase ninguém tem interesse em saber se é um problema da empresa ou de um serviço utilizado por ela. Por outro lado, nenhuma organização deseja esclarecer o problema havido e assumir a responsabilidade por falha em seu sistema operacional. É melhor deixar a coisa no ar, como se fosse um “diabo ex-machina” da tragédia moderna que surge do nada para punir os usuários do sistema que caiu. Sempre pergunto às jovens atendentes de grandes empresas, como bancos e telefonia celular, por exemplo, se o sistema “caiu” devido a falhas internas. Elas atônitas me olham como se eu fosse um extraterrestre, e respondem como papagaios treinados: “o sistema caiu; nada podemos fazer enquanto ele não voltar”. Seria interessante que as agências governamentais, supervisoras de serviços de bancos, de empresas de telefonia celular, e outros de grande uso pela população, criassem indicadores de tempo de interrupção de seus sistemas operacionais, como já se adotam no setor de energia elétrica, a fim de o consumidor compará-los entre si antes de contratar seus serviços. Não sei se sou azarado, ou se realmente as empresas de telefonia celular possuem péssimos sistemas operacionais: sempre “caem” e mesmo quando estão funcionando, costumam interromper quando se está no meio de escolhas entre múltiplos caminhos, apertando número e mais número escolhidos em diversas séries que se sucedem, na esperança de se obter alguma orientação ou resposta gravada. O processo cansativo e tenso, muitas vezes não se completa, ou porque não identificamos o número correto, ou simplesmente porque se interrompe com o som de linha ocupada. A “via crucis” parece terminar quando finalmente ouvimos a frase salvadora (muitas empresas já eliminaram esse alívio): “aperte o número tal para falar com uma de nossas atendentes”. Nesse momento, a paranóia pode se desencadear em nossa mente com a nítida impressão que existe uma conspiração particular contra a gente: é quando, depois de muitos e muitos minutos de espera da voz humana, a ligação cai e temos de repetir todo o processo. Se as Agências reguladoras não conseguirem nos entender e nos ajudar, ainda resta a esperança que um “deus ex-machina” surja e afaste o “diabo” que perverteu nossos sistemas, deixando-os cair.
Há poucas décadas atrás, ninguém sabia do que se tratava essa queda. Era comum se falar em queda de raio, de chuva, de árvores, de pontes, mas de sistema, ninguém ouvira falar. Pior, ainda hoje, sabemos pouco a respeito dele. Ansiosos e angustiados esperamos que o sistema se restabeleça logo. Muitas vezes, a empresa nos informa, gentilmente, quando ele voltará. Quase ninguém tem interesse em saber se é um problema da empresa ou de um serviço utilizado por ela. Por outro lado, nenhuma organização deseja esclarecer o problema havido e assumir a responsabilidade por falha em seu sistema operacional. É melhor deixar a coisa no ar, como se fosse um “diabo ex-machina” da tragédia moderna que surge do nada para punir os usuários do sistema que caiu. Sempre pergunto às jovens atendentes de grandes empresas, como bancos e telefonia celular, por exemplo, se o sistema “caiu” devido a falhas internas. Elas atônitas me olham como se eu fosse um extraterrestre, e respondem como papagaios treinados: “o sistema caiu; nada podemos fazer enquanto ele não voltar”. Seria interessante que as agências governamentais, supervisoras de serviços de bancos, de empresas de telefonia celular, e outros de grande uso pela população, criassem indicadores de tempo de interrupção de seus sistemas operacionais, como já se adotam no setor de energia elétrica, a fim de o consumidor compará-los entre si antes de contratar seus serviços. Não sei se sou azarado, ou se realmente as empresas de telefonia celular possuem péssimos sistemas operacionais: sempre “caem” e mesmo quando estão funcionando, costumam interromper quando se está no meio de escolhas entre múltiplos caminhos, apertando número e mais número escolhidos em diversas séries que se sucedem, na esperança de se obter alguma orientação ou resposta gravada. O processo cansativo e tenso, muitas vezes não se completa, ou porque não identificamos o número correto, ou simplesmente porque se interrompe com o som de linha ocupada. A “via crucis” parece terminar quando finalmente ouvimos a frase salvadora (muitas empresas já eliminaram esse alívio): “aperte o número tal para falar com uma de nossas atendentes”. Nesse momento, a paranóia pode se desencadear em nossa mente com a nítida impressão que existe uma conspiração particular contra a gente: é quando, depois de muitos e muitos minutos de espera da voz humana, a ligação cai e temos de repetir todo o processo. Se as Agências reguladoras não conseguirem nos entender e nos ajudar, ainda resta a esperança que um “deus ex-machina” surja e afaste o “diabo” que perverteu nossos sistemas, deixando-os cair.
Sunday, December 27, 2009
DILMA ROUSSEFF
Como raramente se apresenta sem Lula ao lado, para conhecê-la, resta-nos a imaginação. Para mim é a tecnocrata dos números e da lógica marxista enraizada na luta de classes. Ao contrário dos políticos que mentem e mistificam por cultura e tradição, e logo adiante mudam suas versões, ela aprendeu a mentir na dureza da ditadura militar, usando vários nomes e utilizando todas as diatribes possíveis e impossíveis para não ser descoberta pelos militares e sofrer na carne as conseqüências disso. Suas mentiras são definitivas e doloridas. Também, ao contrário dos políticos, ela aprendeu a não perdoar a traição, pois sua integridade física estava em jogo. Para Lula, a grande empresa é o ambiente de grandes jogadas entre trabalhadores e dirigentes, em que aqueles buscam maximizar seus salários, sem por em risco seu emprego e a sobrevivência da empresa em que trabalham. A negociação é a coluna de sustentação do sindicalismo de Lula. A eliminação da expansão do capital privado, especialmente estrangeiro, e sua substituição pela estatização dos investimentos formam a coluna mestra de Dilma, que não comia pizza, não tomava cerveja e tampouco andava de automóvel durante a ditadura, nos privilegiados municípios do ABC. Ao contrário de um Lula da paz e amor que diz e se desdiz, rindo com simpatia e olhar de quem está de bem com a vida, teremos uma Dilma ao estilo de Margaret Thacher, ainda que ideologicamente ao avesso. Pouco riso, muito trabalho e pressão violenta para conseguir seus objetivos. Não é por acaso que aquela se identificou com a imagem da Dama de Ferro ao conseguir liberalizar a economia inglesa engessada pelo estatismo do Partido dos Trabalhadores. E Dilma deseja percorrer o caminho inverso: ser lembrada como a que resgatou as bandeiras nacionalista de Brizola e socialista do PT, conseguindo engessar nossa economia, de novo, com pesadas e poderosas empresas estatais. Vamos ver como nosso País reagirá à verdadeira Dilma que Lula insiste em esconder com o bordão de “Mãe do PAC”. Do brasileiro, obviamente, já que o PAC italiano, de Césare Battisti, Proletários Armados pelo Comunismo, seria um desastre eleitoral para Dilma. O sistema de bancos privados merecerá a “atenção especial” dela no primeiro mandato, se eleita. No segundo, se houver, caso Lula não seja resgatado pelos bancos, será a vez da indústria que ainda mama no governo, particularmente as empreiteiras de grandes obras. Espero que este texto seja mera fantasia de quem somente conhece Dilma Vana Rousseff como “mãe do PAC” e filha política de Lula.
Como raramente se apresenta sem Lula ao lado, para conhecê-la, resta-nos a imaginação. Para mim é a tecnocrata dos números e da lógica marxista enraizada na luta de classes. Ao contrário dos políticos que mentem e mistificam por cultura e tradição, e logo adiante mudam suas versões, ela aprendeu a mentir na dureza da ditadura militar, usando vários nomes e utilizando todas as diatribes possíveis e impossíveis para não ser descoberta pelos militares e sofrer na carne as conseqüências disso. Suas mentiras são definitivas e doloridas. Também, ao contrário dos políticos, ela aprendeu a não perdoar a traição, pois sua integridade física estava em jogo. Para Lula, a grande empresa é o ambiente de grandes jogadas entre trabalhadores e dirigentes, em que aqueles buscam maximizar seus salários, sem por em risco seu emprego e a sobrevivência da empresa em que trabalham. A negociação é a coluna de sustentação do sindicalismo de Lula. A eliminação da expansão do capital privado, especialmente estrangeiro, e sua substituição pela estatização dos investimentos formam a coluna mestra de Dilma, que não comia pizza, não tomava cerveja e tampouco andava de automóvel durante a ditadura, nos privilegiados municípios do ABC. Ao contrário de um Lula da paz e amor que diz e se desdiz, rindo com simpatia e olhar de quem está de bem com a vida, teremos uma Dilma ao estilo de Margaret Thacher, ainda que ideologicamente ao avesso. Pouco riso, muito trabalho e pressão violenta para conseguir seus objetivos. Não é por acaso que aquela se identificou com a imagem da Dama de Ferro ao conseguir liberalizar a economia inglesa engessada pelo estatismo do Partido dos Trabalhadores. E Dilma deseja percorrer o caminho inverso: ser lembrada como a que resgatou as bandeiras nacionalista de Brizola e socialista do PT, conseguindo engessar nossa economia, de novo, com pesadas e poderosas empresas estatais. Vamos ver como nosso País reagirá à verdadeira Dilma que Lula insiste em esconder com o bordão de “Mãe do PAC”. Do brasileiro, obviamente, já que o PAC italiano, de Césare Battisti, Proletários Armados pelo Comunismo, seria um desastre eleitoral para Dilma. O sistema de bancos privados merecerá a “atenção especial” dela no primeiro mandato, se eleita. No segundo, se houver, caso Lula não seja resgatado pelos bancos, será a vez da indústria que ainda mama no governo, particularmente as empreiteiras de grandes obras. Espero que este texto seja mera fantasia de quem somente conhece Dilma Vana Rousseff como “mãe do PAC” e filha política de Lula.
Saturday, December 26, 2009
FUTEBOL E POLÍTICA
É triste se constatar que a maioria de políticos e de analistas da mídia brasileira não consiga ir além de chavões e bordões, e, especialmente, de metáforas futebolísticas para se comunicar com nossa população. Como filho desta amada natureza brasileira, pergunto-me se além dela, tão exuberante e bela, existe vida inteligente em nosso país, que não o papagaio de Maria Braga. A resposta é óbvia que sim. Ainda que frustrada, esquecida e rarefeita neste imenso Brasil. São políticos e jornalistas sem conhecimento e competência para identificar e debater assunto relevante para nosso desenvolvimento político, cultural, social, econômico e ambiental que insistem em se comportar como animadores de torcidas, passando o tempo todo a comparar números e porcentagens de pesquisas eleitorais. E ao fazer prognósticos sobre os resultados da futura eleição presidencial agem como se estivéssemos diante de um campeonato de futebol, esquecendo-se do eleitorado feminino, que também vota e normalmente não entende bem, ou não gosta, da linguagem da bola. Pobre democracia brasileira que não consegue ir muito além do primeiro passo (ou seria, passe?): a votação periódica em urnas eletrônicas de avançada tecnologia.
É triste se constatar que a maioria de políticos e de analistas da mídia brasileira não consiga ir além de chavões e bordões, e, especialmente, de metáforas futebolísticas para se comunicar com nossa população. Como filho desta amada natureza brasileira, pergunto-me se além dela, tão exuberante e bela, existe vida inteligente em nosso país, que não o papagaio de Maria Braga. A resposta é óbvia que sim. Ainda que frustrada, esquecida e rarefeita neste imenso Brasil. São políticos e jornalistas sem conhecimento e competência para identificar e debater assunto relevante para nosso desenvolvimento político, cultural, social, econômico e ambiental que insistem em se comportar como animadores de torcidas, passando o tempo todo a comparar números e porcentagens de pesquisas eleitorais. E ao fazer prognósticos sobre os resultados da futura eleição presidencial agem como se estivéssemos diante de um campeonato de futebol, esquecendo-se do eleitorado feminino, que também vota e normalmente não entende bem, ou não gosta, da linguagem da bola. Pobre democracia brasileira que não consegue ir muito além do primeiro passo (ou seria, passe?): a votação periódica em urnas eletrônicas de avançada tecnologia.
Tuesday, December 15, 2009
Cansei
Cansei,digo eu! Em carta do leitor (13/12), sob esse título, é feita uma crítica contundente à real incapacidade dos partidos de oposição “mobilizar quem quer que seja” para manifestações populares como as que acontecem agora contra os mensaleiros de Arruda no Distrito Federal. Essa crítica responde a outra que pergunta por que não se fez o mesmo contra os mensaleiros liderados por José Dirceu. Ou seja, de acordo com essa resposta, não se trata de combater a corrupção como tal, surja onde surgir. Primeiro, responde-se se ela é de aliados do governo ou não. Identificada de que lado aconteceu a imoralidade, cada grupo partidário que se vire na mobilização de protestos de rua. Essa partidarização, até da imoralidade, está gerando situações perigosas para o Estado brasileiro, pois tende a se alastrar para outros temas, também, como já se pode verificar em manifestações recentes de duas instituições, tradicionalmente despartidarizadas como o Itamaraty e o STF: a intervenção aberta na crise de Honduras e a manutenção da censura ao Estadão. O Brasil, sua cultura e seus princípios podem não ser permanentes, porém mudam muito lentamente. Além disso, determinadas políticas para surtirem os efeitos esperados têm de ser mantidas por prazos longos, normalmente bem acima dos mandatos dos governos eleitos. O Brasil não deve ter sua identidade estruturada ao longo de séculos de existência, desvirtuada por ações irrefletidas de curto prazo que possam gerar dúvidas sobre seus valores e princípios, especialmente na mente dos próprios brasileiros
Cansei,digo eu! Em carta do leitor (13/12), sob esse título, é feita uma crítica contundente à real incapacidade dos partidos de oposição “mobilizar quem quer que seja” para manifestações populares como as que acontecem agora contra os mensaleiros de Arruda no Distrito Federal. Essa crítica responde a outra que pergunta por que não se fez o mesmo contra os mensaleiros liderados por José Dirceu. Ou seja, de acordo com essa resposta, não se trata de combater a corrupção como tal, surja onde surgir. Primeiro, responde-se se ela é de aliados do governo ou não. Identificada de que lado aconteceu a imoralidade, cada grupo partidário que se vire na mobilização de protestos de rua. Essa partidarização, até da imoralidade, está gerando situações perigosas para o Estado brasileiro, pois tende a se alastrar para outros temas, também, como já se pode verificar em manifestações recentes de duas instituições, tradicionalmente despartidarizadas como o Itamaraty e o STF: a intervenção aberta na crise de Honduras e a manutenção da censura ao Estadão. O Brasil, sua cultura e seus princípios podem não ser permanentes, porém mudam muito lentamente. Além disso, determinadas políticas para surtirem os efeitos esperados têm de ser mantidas por prazos longos, normalmente bem acima dos mandatos dos governos eleitos. O Brasil não deve ter sua identidade estruturada ao longo de séculos de existência, desvirtuada por ações irrefletidas de curto prazo que possam gerar dúvidas sobre seus valores e princípios, especialmente na mente dos próprios brasileiros
Friday, December 11, 2009
Lula X FHC
O PT, na propaganda eleitoral obrigatória, apresentou dados sobre o Brasil nos períodos de FHC e Lula na presidência, dando a nítida impressão de que a disputa, no próximo ano, será entre os dois e que o desempenho da economia brasileira depende somente do Presidente da República em exercício. Apesar da oposição destrutiva do PT, chegando ao extremo de empunhar faixas com o célebre bordão “FORA FHC”, em seu governo foram feitas profundas reformas na área fiscal, bancária e monetária; na de telecomunicações se processou uma revolução pacífica; na de petróleo, rompeu-se o monopólio de produção da Petrobrás, sem afetar o monopólio estatal, por meio de concessões; na área social, foram criados instrumentos e programas para aliviar a miséria, destacando-se o programa bolsa-escola, somente para citar alguns exemplos. Resultados colhidos por Lula: seguindo à risca o controle fiscal, monetário e bancário, estruturado no período FHC, e contando com Palocci, Mantega e Meirelles, este último, ex-presidente do Bank of Boston, na presidência do BC, o Brasil conseguiu desenvolvimento sem inflação e, mais recentemente, suportou a recente crise financeira global galhardamente; a satisfação da população e a explosão de telecomunicações que se processou no País graças às reformas introduzidas pelo Ministro Sérgio Motta, tão vilipendiado pelo PT, dispensa comentários; o extraordinário crescimento da produção de petróleo se deveu, em grande parte, ao sistema de concessão, demagogicamente identificado pelo PT como quebra do monopólio do Estado, mesmo sabendo que era somente o da empresa Petrobrás; a transformação e a criação de novos instrumentos de combate à fome e à miséria, destacando-se o bolsa-família com a incorporação do bolsa-escola. Não é necessário se dizer que Lula, em sua administração, também criou novas políticas e aperfeiçoou outras, bem como gerou programas e projetos novos que terão efeitos nos próximos anos. O que o PT não pode é renegar o passado e, além disso, apresentar Lula como filho único do Brasil. Se ele e o PT ainda não sabem, é bom lembrar o seguinte: a disputa eleitoral será, provavelmente, entre Serra e Dilma, duas personalidades marcantes na vida política brasileira que necessitam se apresentar por inteiro à população para disputar a Presidência da República, pois no momento do voto, passado, presente e futuro se fundem num só nome; e os presidentes, durante seus mandatos, não são onipotentes. O Brasil depende do comportamento de seus outros filhos que hoje somam 192 milhões, trabalhando e lutando para sobreviver, na maioria das vezes, em condições extremamente precárias e adversas. E o que dizer da influência dos políticos e partidos que dão sustentação ao governo eleito, bem como da maneira como a Câmara de Deputados, o Senado, o Judiciário e o Executivo funcionam? O que acontece no País também é resultado do que ocorre no resto do mundo e, principalmente, em nosso planeta cuja natureza começa a responder com violência às agressões do homem, inclusive no Brasil. Conclamo o PT a colocar em sua política partidária a eliminação de indivíduos imorais e ineptos que solapam nossa frágil democracia, não esquecendo, também, que nessa categoria se inclui aqueles que usam a mistificação para explorar a ignorância de nossos irmãos filhos do Brasil.
O PT, na propaganda eleitoral obrigatória, apresentou dados sobre o Brasil nos períodos de FHC e Lula na presidência, dando a nítida impressão de que a disputa, no próximo ano, será entre os dois e que o desempenho da economia brasileira depende somente do Presidente da República em exercício. Apesar da oposição destrutiva do PT, chegando ao extremo de empunhar faixas com o célebre bordão “FORA FHC”, em seu governo foram feitas profundas reformas na área fiscal, bancária e monetária; na de telecomunicações se processou uma revolução pacífica; na de petróleo, rompeu-se o monopólio de produção da Petrobrás, sem afetar o monopólio estatal, por meio de concessões; na área social, foram criados instrumentos e programas para aliviar a miséria, destacando-se o programa bolsa-escola, somente para citar alguns exemplos. Resultados colhidos por Lula: seguindo à risca o controle fiscal, monetário e bancário, estruturado no período FHC, e contando com Palocci, Mantega e Meirelles, este último, ex-presidente do Bank of Boston, na presidência do BC, o Brasil conseguiu desenvolvimento sem inflação e, mais recentemente, suportou a recente crise financeira global galhardamente; a satisfação da população e a explosão de telecomunicações que se processou no País graças às reformas introduzidas pelo Ministro Sérgio Motta, tão vilipendiado pelo PT, dispensa comentários; o extraordinário crescimento da produção de petróleo se deveu, em grande parte, ao sistema de concessão, demagogicamente identificado pelo PT como quebra do monopólio do Estado, mesmo sabendo que era somente o da empresa Petrobrás; a transformação e a criação de novos instrumentos de combate à fome e à miséria, destacando-se o bolsa-família com a incorporação do bolsa-escola. Não é necessário se dizer que Lula, em sua administração, também criou novas políticas e aperfeiçoou outras, bem como gerou programas e projetos novos que terão efeitos nos próximos anos. O que o PT não pode é renegar o passado e, além disso, apresentar Lula como filho único do Brasil. Se ele e o PT ainda não sabem, é bom lembrar o seguinte: a disputa eleitoral será, provavelmente, entre Serra e Dilma, duas personalidades marcantes na vida política brasileira que necessitam se apresentar por inteiro à população para disputar a Presidência da República, pois no momento do voto, passado, presente e futuro se fundem num só nome; e os presidentes, durante seus mandatos, não são onipotentes. O Brasil depende do comportamento de seus outros filhos que hoje somam 192 milhões, trabalhando e lutando para sobreviver, na maioria das vezes, em condições extremamente precárias e adversas. E o que dizer da influência dos políticos e partidos que dão sustentação ao governo eleito, bem como da maneira como a Câmara de Deputados, o Senado, o Judiciário e o Executivo funcionam? O que acontece no País também é resultado do que ocorre no resto do mundo e, principalmente, em nosso planeta cuja natureza começa a responder com violência às agressões do homem, inclusive no Brasil. Conclamo o PT a colocar em sua política partidária a eliminação de indivíduos imorais e ineptos que solapam nossa frágil democracia, não esquecendo, também, que nessa categoria se inclui aqueles que usam a mistificação para explorar a ignorância de nossos irmãos filhos do Brasil.
Tuesday, December 08, 2009
Zelaya e seu time
No decorrer destes sete anos de mandato do Presidente Lula, nossa diplomacia, tão bem simbolizada pelo Itamaraty, está deixando de ser instrumento de Estado para se tornar aparelho de execução de política externa estabelecida pelo triarquia formada por Lula, Garcia e Amorim. Sempre houve conflito entre linguagem de diplomata e de Presidente. Este, normalmente, com personalidade afirmativa e autoritária, busca realizar os objetivos políticos de seu governo e aquele, sempre aberto ao diálogo e à negociação, tendo em vista os interesses de Estado. O resultado disso está registrado em excelente artigo de Eliane Cantanhêde – Encantados, mas Críticos (Folha, 8/12),transcrito abaixo. Dos casos por ela citados, destacamos a crise hondurenha que todos acompanharam. A linguagem dura de Lula começou com o bordão “não negocio com golpistas” e se mantém na resposta dada ao novo Presidente, já eleito, que deseja vir ao Brasil para conversar com ele: “não reconheço a eleição havida sem Zelaya”. Nós, cidadãos contribuintes, ainda não sabemos se nossa embaixada em Honduras se transformou em hotel, onde ele se hospeda com seu time de 60 membros, ou se é “refúgio, de onde não tem data para sair”, segundo afirma Amorim em entrevista (Folha, 8/10). Na realidade, porém, a embaixada foi transformada em bastião da democracia onde Zelaya mobilizava seus seguidores visando sua volta à presidência para supervisionar o processo eleitoral. Se permanecer na “trincheira brasileira”, pode-se interpretar que seu objetivo agora é tumultuar o restabelecimento do processo democrático em curso naquele País. Como afirmou Amorim na citada entrevista "Se o Brasil não tivesse dado abrigo ao Zelaya, talvez estivesse tudo parado". Nesse caso, usando o linguajar futebolístico, está na hora do Brasil parar o jogo e tirar o time de Zelaya de campo. Seria recomendável, também, que a conta com as despesas feitas até as 12 horas do dia de sua saída com a numerosa equipe fosse entregue por Amorim, pessoalmente, a Chávez para reembolsá-las.
ELIANE CANTANHÊDE - Transcrito da Folha de São Paulo
Encantados, mas críticos
BRASÍLIA - Conversando daqui e dali com diplomatas estrangeiros em Brasília, confirma-se que, sim, os países ricos, pobres e mais ou menos estão encantados com Lula, mas também acham que ele tenta dar passos maiores do que as pernas na política externa.
No caso de Honduras, o mundo todo condenou o golpe, mas o Brasil se coloca como um herói isolado, o bastião da democracia, e agora se recusa a apoiar o resultado das eleições só para testar forças com os EUA na OEA. Soa infantojuvenil.
Em vez de agarrar-se à defesa de um princípio, a democracia, e de um país, Honduras, o Brasil agarra-se a um personagem: Zelaya. Não quer fechar uma página e abrir outra, acatando Porfírio Lobo e arrancando dele compromissos de um governo de pacificação e respeito ao presidente deposto.
No caso do Irã, as opiniões se dividiram entre os que simplesmente rechaçaram o encontro Lula-Ahmadinejad em Brasília e os que entendem a necessidade de integrar o regime iraniano às normas de convivência internacional. Mas ninguém engoliu o Brasil lavar as mãos no voto de censura da ONU ao Irã por causa da questão nuclear, principalmente depois de Lula dizer que a reação dos opositores em Teerã era chororô de "derrotados".
Além disso, a diplomacia instalada em Brasília vê Lula querendo ser o líder sempre, em toda a parte -hoje, na reunião sul-americana em Montevidéu; depois, na Conferência do Clima em Copenhague. Há um exagero, que gera ciúmes e ironias: "Por que ele não se ocupa mais em combater a corrupção no Brasil?", perguntaram-me ontem.
Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala para a mais pura chacota.
No decorrer destes sete anos de mandato do Presidente Lula, nossa diplomacia, tão bem simbolizada pelo Itamaraty, está deixando de ser instrumento de Estado para se tornar aparelho de execução de política externa estabelecida pelo triarquia formada por Lula, Garcia e Amorim. Sempre houve conflito entre linguagem de diplomata e de Presidente. Este, normalmente, com personalidade afirmativa e autoritária, busca realizar os objetivos políticos de seu governo e aquele, sempre aberto ao diálogo e à negociação, tendo em vista os interesses de Estado. O resultado disso está registrado em excelente artigo de Eliane Cantanhêde – Encantados, mas Críticos (Folha, 8/12),transcrito abaixo. Dos casos por ela citados, destacamos a crise hondurenha que todos acompanharam. A linguagem dura de Lula começou com o bordão “não negocio com golpistas” e se mantém na resposta dada ao novo Presidente, já eleito, que deseja vir ao Brasil para conversar com ele: “não reconheço a eleição havida sem Zelaya”. Nós, cidadãos contribuintes, ainda não sabemos se nossa embaixada em Honduras se transformou em hotel, onde ele se hospeda com seu time de 60 membros, ou se é “refúgio, de onde não tem data para sair”, segundo afirma Amorim em entrevista (Folha, 8/10). Na realidade, porém, a embaixada foi transformada em bastião da democracia onde Zelaya mobilizava seus seguidores visando sua volta à presidência para supervisionar o processo eleitoral. Se permanecer na “trincheira brasileira”, pode-se interpretar que seu objetivo agora é tumultuar o restabelecimento do processo democrático em curso naquele País. Como afirmou Amorim na citada entrevista "Se o Brasil não tivesse dado abrigo ao Zelaya, talvez estivesse tudo parado". Nesse caso, usando o linguajar futebolístico, está na hora do Brasil parar o jogo e tirar o time de Zelaya de campo. Seria recomendável, também, que a conta com as despesas feitas até as 12 horas do dia de sua saída com a numerosa equipe fosse entregue por Amorim, pessoalmente, a Chávez para reembolsá-las.
ELIANE CANTANHÊDE - Transcrito da Folha de São Paulo
Encantados, mas críticos
BRASÍLIA - Conversando daqui e dali com diplomatas estrangeiros em Brasília, confirma-se que, sim, os países ricos, pobres e mais ou menos estão encantados com Lula, mas também acham que ele tenta dar passos maiores do que as pernas na política externa.
No caso de Honduras, o mundo todo condenou o golpe, mas o Brasil se coloca como um herói isolado, o bastião da democracia, e agora se recusa a apoiar o resultado das eleições só para testar forças com os EUA na OEA. Soa infantojuvenil.
Em vez de agarrar-se à defesa de um princípio, a democracia, e de um país, Honduras, o Brasil agarra-se a um personagem: Zelaya. Não quer fechar uma página e abrir outra, acatando Porfírio Lobo e arrancando dele compromissos de um governo de pacificação e respeito ao presidente deposto.
No caso do Irã, as opiniões se dividiram entre os que simplesmente rechaçaram o encontro Lula-Ahmadinejad em Brasília e os que entendem a necessidade de integrar o regime iraniano às normas de convivência internacional. Mas ninguém engoliu o Brasil lavar as mãos no voto de censura da ONU ao Irã por causa da questão nuclear, principalmente depois de Lula dizer que a reação dos opositores em Teerã era chororô de "derrotados".
Além disso, a diplomacia instalada em Brasília vê Lula querendo ser o líder sempre, em toda a parte -hoje, na reunião sul-americana em Montevidéu; depois, na Conferência do Clima em Copenhague. Há um exagero, que gera ciúmes e ironias: "Por que ele não se ocupa mais em combater a corrupção no Brasil?", perguntaram-me ontem.
Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala para a mais pura chacota.
Sunday, December 06, 2009
MENSALEIROS
Ultimamente, tem-se criticado a presença na mídia de juízes membros de tribunais superiores, dando entrevistas e falando sobre temas políticos, sociais e econômicos, como fazem os políticos por dever de ofício. Realmente, isso contraria o comportamento discreto que se espera deles. Exemplo disso é entrevista do ministro Ricardo Levandowski que afirmou, em certo trecho, que a baderna de “estudantes” em Brasília contra mensaleiros se assemelha à queda da Bastilha. Que eu saiba, não estamos em período pré-revolucionário como o da França de Luiz XVI e, graças a Deus, nenhum Robespierre à vista para decapitar a “corte política” sediada em Brasília e ramificada por todo o País. Não obstante isso, pode, sim, surgir um Napoleão para por ordem no País e “salvar” o Estado Democrático de Direito da sanha de políticos corruptos. Apesar de já ter completado 25 anos, a democracia brasileira ainda gera e mantém impunes propineiros (recebem boladas esporádicas para ações específicas) e mensaleiros (embolsam boladas periódicas pelo engajamento contínuo) em todas as esferas e escalões do governo, associados a corruptores de todos os matizes fora dele. Lula pede que se cumpra o ritual da justiça antes de execrarem-se os mensaleiros e propineiros paridos pelo governo do DF, que se somam às crias predadoras de anos anteriores, não julgadas ainda. Muitos já se preparam para voltar, em 2.010, pois são inocentes até que sejam julgados com sentença definitiva. O que se espera dos não-mensaleiros e não-propineiros, portanto da grande maioria dos que ocupam altos cargos públicos, especialmente no judiciário, é muito trabalho, competência e juízo, para que se façam em nosso país as necessárias reformas em seus respectivos campos de atuação. E que a ética e a eficiência se entranhem nessas reformas de maneira a imunizar e repelir rapidamente os corruptos e ineptos que infestam nosso meio político, bem como os quadros técnico-administrativos das instituições públicas. Somente assim, o setor público terá força e condições morais de enfrentar os desafios de também punir os corruptores que buscam lucros à custa do dinheiro público. A democracia necessita para sobreviver de um processo ininterrupto de democratização. Em outras palavras, ela tem de ser continuamente aperfeiçoada para ter agilidade na eliminação dos responsáveis por atos e atitudes que possam lhe ferir mortalmente.
Ultimamente, tem-se criticado a presença na mídia de juízes membros de tribunais superiores, dando entrevistas e falando sobre temas políticos, sociais e econômicos, como fazem os políticos por dever de ofício. Realmente, isso contraria o comportamento discreto que se espera deles. Exemplo disso é entrevista do ministro Ricardo Levandowski que afirmou, em certo trecho, que a baderna de “estudantes” em Brasília contra mensaleiros se assemelha à queda da Bastilha. Que eu saiba, não estamos em período pré-revolucionário como o da França de Luiz XVI e, graças a Deus, nenhum Robespierre à vista para decapitar a “corte política” sediada em Brasília e ramificada por todo o País. Não obstante isso, pode, sim, surgir um Napoleão para por ordem no País e “salvar” o Estado Democrático de Direito da sanha de políticos corruptos. Apesar de já ter completado 25 anos, a democracia brasileira ainda gera e mantém impunes propineiros (recebem boladas esporádicas para ações específicas) e mensaleiros (embolsam boladas periódicas pelo engajamento contínuo) em todas as esferas e escalões do governo, associados a corruptores de todos os matizes fora dele. Lula pede que se cumpra o ritual da justiça antes de execrarem-se os mensaleiros e propineiros paridos pelo governo do DF, que se somam às crias predadoras de anos anteriores, não julgadas ainda. Muitos já se preparam para voltar, em 2.010, pois são inocentes até que sejam julgados com sentença definitiva. O que se espera dos não-mensaleiros e não-propineiros, portanto da grande maioria dos que ocupam altos cargos públicos, especialmente no judiciário, é muito trabalho, competência e juízo, para que se façam em nosso país as necessárias reformas em seus respectivos campos de atuação. E que a ética e a eficiência se entranhem nessas reformas de maneira a imunizar e repelir rapidamente os corruptos e ineptos que infestam nosso meio político, bem como os quadros técnico-administrativos das instituições públicas. Somente assim, o setor público terá força e condições morais de enfrentar os desafios de também punir os corruptores que buscam lucros à custa do dinheiro público. A democracia necessita para sobreviver de um processo ininterrupto de democratização. Em outras palavras, ela tem de ser continuamente aperfeiçoada para ter agilidade na eliminação dos responsáveis por atos e atitudes que possam lhe ferir mortalmente.
Sunday, November 29, 2009
IPTU
Em nosso país a criatividade para aumentar a participação do setor público na renda disponível do cidadão não tem limites. Cada esfera do governo faz de tudo para incrementar seu “bolo” e o resultado está aí: classe média asfixiada entre sonegadores ricos e pobres isentos. O caso do IPTU, travestido de Imposto de Renda, é simbólico dessa voracidade. Começou com o sistema progressivo de Marta Suplicy para os que moram em imóveis mais valiosos e continua na administração Kassab com a reavaliação do valor dos imóveis em áreas inteiras, antes pobres e deterioradas, em função de transações imobiliárias potenciais. É de estarrecer que isso aconteça. Em vez de o Governo Federal passar toda a receita de lucro imobiliário para o município onde ela foi gerada e determinando que o cálculo do lucro imobiliário seja feito a partir do valor de mercado calculado pelo município para esse fim específico, o que observamos no dia-a-dia é sonegação e mais sonegação desse imposto em que circulam imensas somas de recursos “por fora dos registros cartoriais da transação”. É essa a justiça social que desejamos para nosso País? Afinal, são as autoridades municipais que estão “cara a cara” com os munícipes e necessitam de recursos para suas obras e serviços. Compete ao governo federal evitar essa distorção criada em S. Paulo, pois ela acabará se transformando em paradigma para o resto do País.
Em nosso país a criatividade para aumentar a participação do setor público na renda disponível do cidadão não tem limites. Cada esfera do governo faz de tudo para incrementar seu “bolo” e o resultado está aí: classe média asfixiada entre sonegadores ricos e pobres isentos. O caso do IPTU, travestido de Imposto de Renda, é simbólico dessa voracidade. Começou com o sistema progressivo de Marta Suplicy para os que moram em imóveis mais valiosos e continua na administração Kassab com a reavaliação do valor dos imóveis em áreas inteiras, antes pobres e deterioradas, em função de transações imobiliárias potenciais. É de estarrecer que isso aconteça. Em vez de o Governo Federal passar toda a receita de lucro imobiliário para o município onde ela foi gerada e determinando que o cálculo do lucro imobiliário seja feito a partir do valor de mercado calculado pelo município para esse fim específico, o que observamos no dia-a-dia é sonegação e mais sonegação desse imposto em que circulam imensas somas de recursos “por fora dos registros cartoriais da transação”. É essa a justiça social que desejamos para nosso País? Afinal, são as autoridades municipais que estão “cara a cara” com os munícipes e necessitam de recursos para suas obras e serviços. Compete ao governo federal evitar essa distorção criada em S. Paulo, pois ela acabará se transformando em paradigma para o resto do País.
Friday, November 20, 2009
PAC
Césare Battisti toma espaço da mídia com seu PAC que deveria ser de nosso PAC. Isso se deve ao STF que demonstrou ter habilidade para dar nó em pingo d’água. Conseguiu evitar confronto ao decidir que Battisti deve ser extraditado se o Presidente levar em conta somente o aspecto constitucional. Contudo, cabe a ele a última palavra, ou seja, ele tem a autoridade e o poder de agir por razões que não estritamente constitucionais. Prevendo a sinuca de bico, Lula antecipou-se, afirmando, na Itália, que respeitaria a decisão do STF, ou seja, poderá “extraditar ou não” Battisti sem contrariar a Suprema Corte brasileira. Agora, já no Brasil, revela sua intenção de mantê-lo em nosso país, porém “legalmente”. Em outras palavras, vamos dar outro nó em pingo d’água, deixando o mundo boquiaberto, especialmente os Italianos. Afinal, nossa habilidade para criar e praticar dribles está embutida em nossa cultura em que o futebol é uma de suas manifestações. O Brasil pode ainda ter falta de recursos para o PAC, mas os recursos abundam para Battisti. Em tempo: nosso PAC é o Plano de Aceleração do Crescimento, e o outro, é o Proletários Armados pelo Comunismo. E mais: os recursos no caso de Battisti são jurídicos, já conhecidos em nosso País pela sua extrema abundância.
Césare Battisti toma espaço da mídia com seu PAC que deveria ser de nosso PAC. Isso se deve ao STF que demonstrou ter habilidade para dar nó em pingo d’água. Conseguiu evitar confronto ao decidir que Battisti deve ser extraditado se o Presidente levar em conta somente o aspecto constitucional. Contudo, cabe a ele a última palavra, ou seja, ele tem a autoridade e o poder de agir por razões que não estritamente constitucionais. Prevendo a sinuca de bico, Lula antecipou-se, afirmando, na Itália, que respeitaria a decisão do STF, ou seja, poderá “extraditar ou não” Battisti sem contrariar a Suprema Corte brasileira. Agora, já no Brasil, revela sua intenção de mantê-lo em nosso país, porém “legalmente”. Em outras palavras, vamos dar outro nó em pingo d’água, deixando o mundo boquiaberto, especialmente os Italianos. Afinal, nossa habilidade para criar e praticar dribles está embutida em nossa cultura em que o futebol é uma de suas manifestações. O Brasil pode ainda ter falta de recursos para o PAC, mas os recursos abundam para Battisti. Em tempo: nosso PAC é o Plano de Aceleração do Crescimento, e o outro, é o Proletários Armados pelo Comunismo. E mais: os recursos no caso de Battisti são jurídicos, já conhecidos em nosso País pela sua extrema abundância.
Friday, November 13, 2009
TREM DE ALTA VELOCIDADE - TAV
O projeto sumariamente apresentado abaixo é colírio refrescante para nossos olhos e gera expectativas prazeirosas quando nos imaginarmos sentados em trem de alta velocidade percorrendo a região mais desenvolvida do País no eixo Rio-São Paulo-Campinas. Contudo, chato como sou, e não tendo pés chatos, costumo fincá-los no chão para pensar melhor e imaginar, também, esse trem nos deixando em suas estações, expostos a balas perdidas, ao assédio de mendigos e aos olhares de pessoas mal encaradas nos observando como se fossemos presas para o próximo assalto, ou, na melhor das hipóteses, estaremos caminhando no meio de barraquinhas e mesinhas espalhadas para venda de bugigangas nas saídas das estações. E já no espaço público, enfrentando as poluições sonora e atmosférica geradas por trânsito congestionado e caótico associado a transporte público desengonçado (exceto o de nossa querida Curitiba!). Sem falar na expressão sofrida de cariocas e paulistanos, bem como de paulistas e fluminenses pobres que buscam sobreviver trabalhando honestamente, ainda que vivendo em ambiente degradado e desregrado pela presença ostensiva de viciados em álcool e outras drogas. Se nossas casas estiverem em locais sujeitos a enchentes e deslizamentos de terra, e se for verão, não há TAV que alivie nossa preocupação com novas chuvas e tempestados. Enfim, com o TAV, ou sem ele, o Brasil continuará o mesmo. Crescendo e se desenvolvendo em clima de auto-engano e alienação. Nada mudará na política sem-vergonha, demagógica, populista e corrupta, na ineficiência de serviços públicos, especialmente na JBV - Justiça de Baixa Velocidade, no mau cheiro de nossas cidades causado por falta de saneamento, na presença de jovens egressos de nossas instituições de ensino que não conseguem escrever e calcular, nas filas de hospitais públicos sem capacidade para atender nossa população cuja falta de saúde é notória, no tráfico instalado em seus terrítórios inexpugnáveis dentro das cidades, e em muitos outros aspectos que degradam nossa vida social e cultural. Vou parar por aqui para não estragar meu dia. Em resumo, não vejo o TAV como um projeto responsável POIS NECESSITARÁ DE RECURSOS PÚBLICOS ESCASSOS PARA SE TORNAR VIÁVEL E ATRAENTE PARA O SETOR PRIVADO ASSUMIR A CONCESSÃ0 POR QUARENTA ANOS. Aliás, ganhará a concessão a empresa que exigir o menor aporte de recursos públicos. Em outras palavras, o governo pagará um preço por antecipar a execução de um projeto inviável hoje por falta de demanda, que o seria no futuro, sem necessidade de apoio econômico-financeiro público. Esses recursos desviados para antecipação do TAV PODERIAM SER USADOS PARA AMENIZAR ALGUNS DOS PROBLEMAS QUE ENUMERAMOS ACIMA. É uma dose virtual de cocaína no ARRAIAL PRÉ-ELEITORAL QUE O BRASIL SE TRANSFORMOU. PARA COMPROVAR ISSO BASTA ANALISAR O CRONOGRAMA PREVISTO NO ÚLTIMO QUADRO DA APRESENTAÇÃO DO PROJETO QUE PREVÊ A HOMOLOGAÇÃO DA CONCESSÃO EM JUNHO DE 2.010, ENSEJANDO, PORTANTO, QUE TRENS VIRTUAIS EM MOVIMENTO APAREÇAM EM NOSSO VÍDEO DURANTE O HORÁRIO POLÍTICO OBRIGATÓRIO.
Nota: Clique em http://www.pedestre.org.br/downloads e, aberta a página, clique novamente no último item Trem de Alta Velocidade-TAV para ler o resumo do projeto.
O projeto sumariamente apresentado abaixo é colírio refrescante para nossos olhos e gera expectativas prazeirosas quando nos imaginarmos sentados em trem de alta velocidade percorrendo a região mais desenvolvida do País no eixo Rio-São Paulo-Campinas. Contudo, chato como sou, e não tendo pés chatos, costumo fincá-los no chão para pensar melhor e imaginar, também, esse trem nos deixando em suas estações, expostos a balas perdidas, ao assédio de mendigos e aos olhares de pessoas mal encaradas nos observando como se fossemos presas para o próximo assalto, ou, na melhor das hipóteses, estaremos caminhando no meio de barraquinhas e mesinhas espalhadas para venda de bugigangas nas saídas das estações. E já no espaço público, enfrentando as poluições sonora e atmosférica geradas por trânsito congestionado e caótico associado a transporte público desengonçado (exceto o de nossa querida Curitiba!). Sem falar na expressão sofrida de cariocas e paulistanos, bem como de paulistas e fluminenses pobres que buscam sobreviver trabalhando honestamente, ainda que vivendo em ambiente degradado e desregrado pela presença ostensiva de viciados em álcool e outras drogas. Se nossas casas estiverem em locais sujeitos a enchentes e deslizamentos de terra, e se for verão, não há TAV que alivie nossa preocupação com novas chuvas e tempestados. Enfim, com o TAV, ou sem ele, o Brasil continuará o mesmo. Crescendo e se desenvolvendo em clima de auto-engano e alienação. Nada mudará na política sem-vergonha, demagógica, populista e corrupta, na ineficiência de serviços públicos, especialmente na JBV - Justiça de Baixa Velocidade, no mau cheiro de nossas cidades causado por falta de saneamento, na presença de jovens egressos de nossas instituições de ensino que não conseguem escrever e calcular, nas filas de hospitais públicos sem capacidade para atender nossa população cuja falta de saúde é notória, no tráfico instalado em seus terrítórios inexpugnáveis dentro das cidades, e em muitos outros aspectos que degradam nossa vida social e cultural. Vou parar por aqui para não estragar meu dia. Em resumo, não vejo o TAV como um projeto responsável POIS NECESSITARÁ DE RECURSOS PÚBLICOS ESCASSOS PARA SE TORNAR VIÁVEL E ATRAENTE PARA O SETOR PRIVADO ASSUMIR A CONCESSÃ0 POR QUARENTA ANOS. Aliás, ganhará a concessão a empresa que exigir o menor aporte de recursos públicos. Em outras palavras, o governo pagará um preço por antecipar a execução de um projeto inviável hoje por falta de demanda, que o seria no futuro, sem necessidade de apoio econômico-financeiro público. Esses recursos desviados para antecipação do TAV PODERIAM SER USADOS PARA AMENIZAR ALGUNS DOS PROBLEMAS QUE ENUMERAMOS ACIMA. É uma dose virtual de cocaína no ARRAIAL PRÉ-ELEITORAL QUE O BRASIL SE TRANSFORMOU. PARA COMPROVAR ISSO BASTA ANALISAR O CRONOGRAMA PREVISTO NO ÚLTIMO QUADRO DA APRESENTAÇÃO DO PROJETO QUE PREVÊ A HOMOLOGAÇÃO DA CONCESSÃO EM JUNHO DE 2.010, ENSEJANDO, PORTANTO, QUE TRENS VIRTUAIS EM MOVIMENTO APAREÇAM EM NOSSO VÍDEO DURANTE O HORÁRIO POLÍTICO OBRIGATÓRIO.
Nota: Clique em http://www.pedestre.org.br/downloads e, aberta a página, clique novamente no último item Trem de Alta Velocidade-TAV para ler o resumo do projeto.
Thursday, November 12, 2009
TORNADO ELEITORAL
Ao invés de serem debatidas as diferenças abismais que existem entre a ampliação do poder direto do Estado - já que o indireto ninguém de sã consciência propôs abandonar - sobre o processo produtivo, iniciada por Vargas, acentuada no regime militar e, agora, sendo re-implantada por Lula no vácuo da solução da crise econômica mundial, em contraposição à política de FHC, o País se transformou em imenso arraial eleitoral que nem o “apagão” consegue interromper. Durante 24 horas por dia somos bombardeados por embates, bem pouco inteligentes e educados, entre os que apóiam e os que não apóiam Lula. O vazio mental criado pela ignorância e intensidade desse processo, funciona como tornado que nos traga e nos tira a capacidade de raciocinar. Como cidadão, consciente do tamanho e da complexidade de nossa economia e de nossa sociedade, com desafios enormes nos campos de educação, segurança pública, saúde e saneamento, meio ambiente, transporte, energia, desenvolvimento urbano, previdência pública, e, principalmente, na política e na melhoria da gestão em todas as esferas do setor público, peço aos ocupantes de altos cargos públicos que respeitem a nação e trabalhem com afinco e responsabilidade. Carnaval e eleições têm o seu tempo no calendário. Ao invés de discutirmos o “micro-acidente” da falta de energia elétrica – para o Ministro da Justiça, obviamente, que já devia estar dormindo – deveríamos, sim, debater o apagão mental que paira sobre os poucos brasileiros que ainda conseguem pensar. Que Deus e a mídia nos ajudem!
Ao invés de serem debatidas as diferenças abismais que existem entre a ampliação do poder direto do Estado - já que o indireto ninguém de sã consciência propôs abandonar - sobre o processo produtivo, iniciada por Vargas, acentuada no regime militar e, agora, sendo re-implantada por Lula no vácuo da solução da crise econômica mundial, em contraposição à política de FHC, o País se transformou em imenso arraial eleitoral que nem o “apagão” consegue interromper. Durante 24 horas por dia somos bombardeados por embates, bem pouco inteligentes e educados, entre os que apóiam e os que não apóiam Lula. O vazio mental criado pela ignorância e intensidade desse processo, funciona como tornado que nos traga e nos tira a capacidade de raciocinar. Como cidadão, consciente do tamanho e da complexidade de nossa economia e de nossa sociedade, com desafios enormes nos campos de educação, segurança pública, saúde e saneamento, meio ambiente, transporte, energia, desenvolvimento urbano, previdência pública, e, principalmente, na política e na melhoria da gestão em todas as esferas do setor público, peço aos ocupantes de altos cargos públicos que respeitem a nação e trabalhem com afinco e responsabilidade. Carnaval e eleições têm o seu tempo no calendário. Ao invés de discutirmos o “micro-acidente” da falta de energia elétrica – para o Ministro da Justiça, obviamente, que já devia estar dormindo – deveríamos, sim, debater o apagão mental que paira sobre os poucos brasileiros que ainda conseguem pensar. Que Deus e a mídia nos ajudem!
Sunday, November 08, 2009
INVASÃO DE ÁREAS PÚBLICAS
É nossa tradição não proteger áreas públicas de invasões que desvirtuam os fins a que se destinam. A gama de interesses que as motivam é muito ampla. Nas áreas urbanas, dois exemplos sobressaem: construção de favelas e outros tipos de moradias, inclusive algumas de alto nível, e exploração comercial do espaço invadido, nessa categoria destacando-se as calçadas. Li reportagem de José Ernesto Credendio (Folha 7/11) sobre a retirada de moradores das encostas da Serra do Mar junto às rodovias do Sistema Anchieta –Imigrantes, deslocando-os para outras áreas mais seguras. É óbvio que muitos deles se sentem insatisfeitos com isso a ponto de perguntar, o que todos nós gostaríamos de saber também: “por que se deixou construir moradias nessas encostas e depois de décadas, quando os moradores já criaram raízes nelas, resolve-se mudá-los dali?” A resposta está no Brasil de governantes permissivos que preferem corrigir e punir, quando não há mais jeito. Fazer vistas grossas, ou não, a ilegalidades faz parte do jogo político brasileiro no balanço entre prós e contras de se garantir o cumprimento da lei. Em outras palavras, o sistema de fiscalização é tão mal estruturado e ineficiente a ponto de criar bolsões de desobediência coletiva, gerando clima de incerteza para o cidadão e de arbítrio para as autoridades políticas. Anistias, perdões e outras benesses, de um lado, e punições de outro, são dosados e utilizados discricionariamente. Por isso, é necessário que aplaudamos os atos destinados a garantir o cumprimento da lei para que as autoridades se sintam prestigiadas e fortes para enfrentar os interesses contrariados. É o que eu faço agora, humildemente, sobre a decisão de se recuperar área de preservação na Serra do Mar e de se proteger vidas inocentes ameaçadas em épocas de chuvas intensas pelo deslizamento de terras.
É nossa tradição não proteger áreas públicas de invasões que desvirtuam os fins a que se destinam. A gama de interesses que as motivam é muito ampla. Nas áreas urbanas, dois exemplos sobressaem: construção de favelas e outros tipos de moradias, inclusive algumas de alto nível, e exploração comercial do espaço invadido, nessa categoria destacando-se as calçadas. Li reportagem de José Ernesto Credendio (Folha 7/11) sobre a retirada de moradores das encostas da Serra do Mar junto às rodovias do Sistema Anchieta –Imigrantes, deslocando-os para outras áreas mais seguras. É óbvio que muitos deles se sentem insatisfeitos com isso a ponto de perguntar, o que todos nós gostaríamos de saber também: “por que se deixou construir moradias nessas encostas e depois de décadas, quando os moradores já criaram raízes nelas, resolve-se mudá-los dali?” A resposta está no Brasil de governantes permissivos que preferem corrigir e punir, quando não há mais jeito. Fazer vistas grossas, ou não, a ilegalidades faz parte do jogo político brasileiro no balanço entre prós e contras de se garantir o cumprimento da lei. Em outras palavras, o sistema de fiscalização é tão mal estruturado e ineficiente a ponto de criar bolsões de desobediência coletiva, gerando clima de incerteza para o cidadão e de arbítrio para as autoridades políticas. Anistias, perdões e outras benesses, de um lado, e punições de outro, são dosados e utilizados discricionariamente. Por isso, é necessário que aplaudamos os atos destinados a garantir o cumprimento da lei para que as autoridades se sintam prestigiadas e fortes para enfrentar os interesses contrariados. É o que eu faço agora, humildemente, sobre a decisão de se recuperar área de preservação na Serra do Mar e de se proteger vidas inocentes ameaçadas em épocas de chuvas intensas pelo deslizamento de terras.
Monday, November 02, 2009
Uma Visão do Brasil
Transcrevo abaixo artigo que merece ser lido. Publicado no NYTimes e traduzido e transcrito pela Folha (2/10/09). “A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira.”, afirma Roger Cohen em seu texto abaixo.
O Brasil chegou. Mas onde?
Não há marca mais quente no mercado mundial que o Brasil. Riqueza em matérias-primas, reservas de petróleo, algumas empresas de classe mundial e um presidente com uma séria reivindicação a ser o político mais hábil do mundo despertam paixão global. Não mais considerado uma terra flagelada de samba e futebol, o Brasil é a potência do século 21 que todos querem cortejar. Vejam a concessão da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Confesso que estou esfregando os olhos. Desde que morei no Brasil, na década de 1980, fui otimista sobre as perspectivas brasileiras.Argumentei que o país deveria ser considerado uns EUA tropicais, e não apenas mais um país latino-americano. Seu tamanho, sua capacidade de absorver imigrantes e sua cultura empreendedora o distinguem de seus vizinhos. Mas seus problemas -principalmente a pobreza e a violência- pareciam impedir uma reformulação radical da marca. Esses problemas persistem. O recente tiroteio que deixou 40 mortos no Rio de Janeiro e derrubou um helicóptero da polícia foi dramático o suficiente para chamar a atenção à violência entre facções, que acaba com milhares de vidas todos os anos. A pobreza e a grande riqueza estão lado a lado, com uma proximidade particular em muitas cidades brasileiras: o dinheiro da droga compra as armas que são as ferramentas (e símbolos de status) do negócio e corrompe a polícia mal paga. Mas o capital internacional, intercambiável e móvel, ignora esse aspecto do Brasil. Ele se concentra em outra realidade: a política estável sob Luiz Inácio Lula da Silva, uma economia que cresce 5% ao ano, um mercado de ações florescente, uma potência emergente do petróleo, um país rico em energia hidráulica e solar e pioneiro nos biocombustíveis. O real avançou cerca de 35% em relação ao dólar neste ano. A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira. O Brasil chegou, é o lugar aonde todos querem ir -e as crianças das favelas ainda morrem todos os dias em brigas por um par de tênis. Em certo sentido, o risco social foi descontado. Os administradores de fundos mundiais decidiram que o progresso do Brasil, sua "história de sucesso", não será desfeita pelas crianças das favelas com armas antiaéreas. Dado que a passividade social parece ser uma condição contemporânea -a crise mundial não produziu grande rebelião social-, eles têm motivos para estar confiantes. A tecnologia amortece a raiva: ela isola e distrai. Mas eu me preocupo. A crise global teve a ver com riscos subavaliados. Teve a ver com o contágio da dívida negociada em escala global. Teve a ver com cobiça enlouquecida entre aqueles com os meios para enlouquecer. Foi sobre a compensação destinada a recompensar o retorno em curto prazo. Foi sobre dois mundos desconexos: o do árbitro de Wall Street e o do trabalhador de Detroit. Um ano depois do início da crise, os mercados se recuperaram, e o capital flui novamente ao Brasil. Mas as divisões sociais são tão grandes como sempre. Principalmente, nenhuma nova ideia sobre a economia global e suas inequidades ganhou força. Até certo ponto, acho que o sucesso da Copa e da Olimpíada no Brasil dependerá do surgimento de um pensamento econômico factível e inovador -ou o mundo, em suas paixões, seguirá adiante cegamente.
FIM
Transcrevo abaixo artigo que merece ser lido. Publicado no NYTimes e traduzido e transcrito pela Folha (2/10/09). “A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira.”, afirma Roger Cohen em seu texto abaixo.
O Brasil chegou. Mas onde?
Não há marca mais quente no mercado mundial que o Brasil. Riqueza em matérias-primas, reservas de petróleo, algumas empresas de classe mundial e um presidente com uma séria reivindicação a ser o político mais hábil do mundo despertam paixão global. Não mais considerado uma terra flagelada de samba e futebol, o Brasil é a potência do século 21 que todos querem cortejar. Vejam a concessão da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Confesso que estou esfregando os olhos. Desde que morei no Brasil, na década de 1980, fui otimista sobre as perspectivas brasileiras.Argumentei que o país deveria ser considerado uns EUA tropicais, e não apenas mais um país latino-americano. Seu tamanho, sua capacidade de absorver imigrantes e sua cultura empreendedora o distinguem de seus vizinhos. Mas seus problemas -principalmente a pobreza e a violência- pareciam impedir uma reformulação radical da marca. Esses problemas persistem. O recente tiroteio que deixou 40 mortos no Rio de Janeiro e derrubou um helicóptero da polícia foi dramático o suficiente para chamar a atenção à violência entre facções, que acaba com milhares de vidas todos os anos. A pobreza e a grande riqueza estão lado a lado, com uma proximidade particular em muitas cidades brasileiras: o dinheiro da droga compra as armas que são as ferramentas (e símbolos de status) do negócio e corrompe a polícia mal paga. Mas o capital internacional, intercambiável e móvel, ignora esse aspecto do Brasil. Ele se concentra em outra realidade: a política estável sob Luiz Inácio Lula da Silva, uma economia que cresce 5% ao ano, um mercado de ações florescente, uma potência emergente do petróleo, um país rico em energia hidráulica e solar e pioneiro nos biocombustíveis. O real avançou cerca de 35% em relação ao dólar neste ano. A enxurrada de dinheiro do exterior para fundos brasileiros é tal que o governo recentemente aprovou imposto de 2% sobre esse fluxo. O imposto e as mortes do tráfico coincidiram em uma clara ilustração da condição brasileira. O Brasil chegou, é o lugar aonde todos querem ir -e as crianças das favelas ainda morrem todos os dias em brigas por um par de tênis. Em certo sentido, o risco social foi descontado. Os administradores de fundos mundiais decidiram que o progresso do Brasil, sua "história de sucesso", não será desfeita pelas crianças das favelas com armas antiaéreas. Dado que a passividade social parece ser uma condição contemporânea -a crise mundial não produziu grande rebelião social-, eles têm motivos para estar confiantes. A tecnologia amortece a raiva: ela isola e distrai. Mas eu me preocupo. A crise global teve a ver com riscos subavaliados. Teve a ver com o contágio da dívida negociada em escala global. Teve a ver com cobiça enlouquecida entre aqueles com os meios para enlouquecer. Foi sobre a compensação destinada a recompensar o retorno em curto prazo. Foi sobre dois mundos desconexos: o do árbitro de Wall Street e o do trabalhador de Detroit. Um ano depois do início da crise, os mercados se recuperaram, e o capital flui novamente ao Brasil. Mas as divisões sociais são tão grandes como sempre. Principalmente, nenhuma nova ideia sobre a economia global e suas inequidades ganhou força. Até certo ponto, acho que o sucesso da Copa e da Olimpíada no Brasil dependerá do surgimento de um pensamento econômico factível e inovador -ou o mundo, em suas paixões, seguirá adiante cegamente.
FIM
Saturday, October 31, 2009
HONDURAS
Excelente o Editorial da Folha (31/10) sobre a solução da crise nesse país. Dele destacamos o seguinte: “Ao negar-se, desde cedo, a dialogar com Micheletti, o Itamaraty ignorou sua tradição de pautar-se pela não ingerência e pela solução mediada de conflitos.”; ”... deixar que a embaixada em Tegucigalpa se transformasse em sede de um comitê de agitação política, o governo brasileiro demonstrou amadorismo”. São fatos indiscutíveis, já conhecidos de todos, que caracterizam desvio de conduta no âmbito da mais tradicional e respeitada instituição brasileira: o Ministério de Relações Exteriores. Seus símbolos – o belo casarão do Itamaraty no Rio e o Patrono do Diplomata, Barão do Rio Branco – são ícones respeitados no Brasil e no mundo, como reconhecimento da maturidade e eficácia de nossa diplomacia. O “imbróglio” de Honduras, que envolveu o Brasil e nossa embaixada nesse país, representam um golpe violento na boa imagem do Itamaraty, construída pacientemente em mais de um século de atuação responsável de nossos bem formados diplomatas. Cabe agora ao Congresso pedir explicações a Celso Amorim, em reunião secreta para não envolver o assunto na campanha eleitoral conduzida pelo Presidente Lula, abalando, ainda mais, a confiança e a credibilidade em nossa diplomacia, estremecidas pelo que aconteceu na crise de Honduras.
Excelente o Editorial da Folha (31/10) sobre a solução da crise nesse país. Dele destacamos o seguinte: “Ao negar-se, desde cedo, a dialogar com Micheletti, o Itamaraty ignorou sua tradição de pautar-se pela não ingerência e pela solução mediada de conflitos.”; ”... deixar que a embaixada em Tegucigalpa se transformasse em sede de um comitê de agitação política, o governo brasileiro demonstrou amadorismo”. São fatos indiscutíveis, já conhecidos de todos, que caracterizam desvio de conduta no âmbito da mais tradicional e respeitada instituição brasileira: o Ministério de Relações Exteriores. Seus símbolos – o belo casarão do Itamaraty no Rio e o Patrono do Diplomata, Barão do Rio Branco – são ícones respeitados no Brasil e no mundo, como reconhecimento da maturidade e eficácia de nossa diplomacia. O “imbróglio” de Honduras, que envolveu o Brasil e nossa embaixada nesse país, representam um golpe violento na boa imagem do Itamaraty, construída pacientemente em mais de um século de atuação responsável de nossos bem formados diplomatas. Cabe agora ao Congresso pedir explicações a Celso Amorim, em reunião secreta para não envolver o assunto na campanha eleitoral conduzida pelo Presidente Lula, abalando, ainda mais, a confiança e a credibilidade em nossa diplomacia, estremecidas pelo que aconteceu na crise de Honduras.
Tuesday, October 27, 2009
Agora, o Irã
Em região das mais conturbadas do planeta, o Presidente Lula escolheu um dos países que mais gera conflitos com a Europa e os EUA para amansá-lo (Folha 27/09) ao afirmar:"Defendo para o Irã a mesma coisa que eu defendo para o Brasil em relação à energia nuclear". E, ainda, relata a reportagem, que essa afirmação se deu “após encontro de duas horas com Ahmadinejad em um hotel de Nova York. O brasileiro afirmou ter recebido do colega iraniano garantias (sic) de que Teerã não quer a bomba”. A única coisa que podemos pensar sobre isso é que vivemos momento surrealista em nosso País.Enquanto “explodem” a violência e o tráfico de drogas que ameaçam a segurança e a saúde de nosso povo, o Presidente Lula resolveu imbricar nosso País em armadilhas criadas pela política internacional como a de Honduras e, agora, a do Irã. Sem falar no elevado ônus de aliança estratégica com a França, cujos termos ainda são desconhecidos. De prático, ela já gerou o imbróglio do “asilo político” de Battisti no Brasil, contrariando a justiça italiana que teve apoio da comunidade européia para extraditá-lo. Mais recentemente, surgiram os contratos de compras de helicópteros, navios – sendo um nuclear - e de estaleiro a ser construído sem licitação pela Odebrecht no Rio. E, em breve, deverá ser assinado contrato de compra de aviões franceses, contrariando escolha feita pela aeronáutica de caças suecos pela metade do preço. E così la nave và.....
Em região das mais conturbadas do planeta, o Presidente Lula escolheu um dos países que mais gera conflitos com a Europa e os EUA para amansá-lo (Folha 27/09) ao afirmar:"Defendo para o Irã a mesma coisa que eu defendo para o Brasil em relação à energia nuclear". E, ainda, relata a reportagem, que essa afirmação se deu “após encontro de duas horas com Ahmadinejad em um hotel de Nova York. O brasileiro afirmou ter recebido do colega iraniano garantias (sic) de que Teerã não quer a bomba”. A única coisa que podemos pensar sobre isso é que vivemos momento surrealista em nosso País.Enquanto “explodem” a violência e o tráfico de drogas que ameaçam a segurança e a saúde de nosso povo, o Presidente Lula resolveu imbricar nosso País em armadilhas criadas pela política internacional como a de Honduras e, agora, a do Irã. Sem falar no elevado ônus de aliança estratégica com a França, cujos termos ainda são desconhecidos. De prático, ela já gerou o imbróglio do “asilo político” de Battisti no Brasil, contrariando a justiça italiana que teve apoio da comunidade européia para extraditá-lo. Mais recentemente, surgiram os contratos de compras de helicópteros, navios – sendo um nuclear - e de estaleiro a ser construído sem licitação pela Odebrecht no Rio. E, em breve, deverá ser assinado contrato de compra de aviões franceses, contrariando escolha feita pela aeronáutica de caças suecos pela metade do preço. E così la nave và.....
Sunday, October 25, 2009
CHINA
Em seu artigo sobre o que o Brasil deveria imitar da China (Folha, 25/09) Emílio Odebrecht escreve: “Uma delas é a forte parceria entre Estado e empresas, uma equação virtuosa na qual o governo é forte e as empresas também são fortes”. O milagre brasileiro, durante o regime militar, em que grandes empresas apoiadas por “governos fortes” cresceram juntas com o País a taxas elevadíssimas, tornando-se fortes também, resultou de um modelo bem mais humano que o chinês, pois se apoiava no mercado interno e na criação de sólida infra-estrutura para seu desenvolvimento. Dessa época, contudo, lembro-me de observação de profissional de alto nível do Banco Mundial: “sem competição os custos de construção rodoviária no Brasil são o dobro do internacional”. As empreiteiras começavam a sair de sua “casca” regional – quase sempre estadual - para se tornarem nacionais, iniciando-se um processo de rompimento de seus “feudos’, normalmente protegidos pelos governos locais. A grande diferença do passado na proposta de Odebrecht é que agora devem se tornar exportadoras sob o comando do Estado brasileiro. Esquece-se o articulista que o modelo Chinês sobreviveu até hoje porque os EUA importavam acima de suas possibilidades, não se preocupando com seus déficits crescentes gerados pelo Yuan subvalorizado. Tampouco davam atenção ao desrespeito de direitos humanos na China e a nocivos efeitos ambientais de sua indústria. Afinal, agora estamos no limiar de um novo século em que se busca desenvolvimento econômico e social sustentável, bem diferente do ultrapassado modelo Chinês que terá de mudar, também.
Em seu artigo sobre o que o Brasil deveria imitar da China (Folha, 25/09) Emílio Odebrecht escreve: “Uma delas é a forte parceria entre Estado e empresas, uma equação virtuosa na qual o governo é forte e as empresas também são fortes”. O milagre brasileiro, durante o regime militar, em que grandes empresas apoiadas por “governos fortes” cresceram juntas com o País a taxas elevadíssimas, tornando-se fortes também, resultou de um modelo bem mais humano que o chinês, pois se apoiava no mercado interno e na criação de sólida infra-estrutura para seu desenvolvimento. Dessa época, contudo, lembro-me de observação de profissional de alto nível do Banco Mundial: “sem competição os custos de construção rodoviária no Brasil são o dobro do internacional”. As empreiteiras começavam a sair de sua “casca” regional – quase sempre estadual - para se tornarem nacionais, iniciando-se um processo de rompimento de seus “feudos’, normalmente protegidos pelos governos locais. A grande diferença do passado na proposta de Odebrecht é que agora devem se tornar exportadoras sob o comando do Estado brasileiro. Esquece-se o articulista que o modelo Chinês sobreviveu até hoje porque os EUA importavam acima de suas possibilidades, não se preocupando com seus déficits crescentes gerados pelo Yuan subvalorizado. Tampouco davam atenção ao desrespeito de direitos humanos na China e a nocivos efeitos ambientais de sua indústria. Afinal, agora estamos no limiar de um novo século em que se busca desenvolvimento econômico e social sustentável, bem diferente do ultrapassado modelo Chinês que terá de mudar, também.
Sunday, October 18, 2009
Lina X Dilma
Sabe-se agora que Lina achou sua agenda particular em que registrou o célebre encontro com Dilma em que esta lhe pediu que “agilizasse” o processo da Receita Federal contra o filho de Sarney. Foi no dia 9 de Outubro de 2.008, às 11 horas, ocasião em que as câmaras de segurança do Palácio do Planalto comprovam que Lina esteve lá. Para mim, e para os poucos eleitores que têm condições e interesse em acompanhar os desmandos praticados em nosso processo político, tal revelação nada acrescenta, pois já sabíamos que Dilma mentira. O próprio Presidente Lula demonstrou, posteriormente, que faria - e fez - de tudo para manter Sarney na presidência do senado federal. Basta lembrar-nos que para protegê-lo, encerrou, na prática, a promissora carreira política de Mercadante. Pergunte-se, porém, aos que apóiam Lula em pesquisas de opinião o que acham disso tudo? A grande maioria dirá que não sabe de nada ou acha que são mentiras urdidas contra ele e sua candidata. E a minoria que consegue ler jornais e acompanha os “imbróglios” gerados em seu governo, dá nós cegos em suas mentes para desenvolver racionalizações que justifiquem falhas éticas e morais, seja culpando terceiros ou, simplesmente, o sistema político brasileiro, como se Lula e o PT dele ainda não fizessem parte.
Sabe-se agora que Lina achou sua agenda particular em que registrou o célebre encontro com Dilma em que esta lhe pediu que “agilizasse” o processo da Receita Federal contra o filho de Sarney. Foi no dia 9 de Outubro de 2.008, às 11 horas, ocasião em que as câmaras de segurança do Palácio do Planalto comprovam que Lina esteve lá. Para mim, e para os poucos eleitores que têm condições e interesse em acompanhar os desmandos praticados em nosso processo político, tal revelação nada acrescenta, pois já sabíamos que Dilma mentira. O próprio Presidente Lula demonstrou, posteriormente, que faria - e fez - de tudo para manter Sarney na presidência do senado federal. Basta lembrar-nos que para protegê-lo, encerrou, na prática, a promissora carreira política de Mercadante. Pergunte-se, porém, aos que apóiam Lula em pesquisas de opinião o que acham disso tudo? A grande maioria dirá que não sabe de nada ou acha que são mentiras urdidas contra ele e sua candidata. E a minoria que consegue ler jornais e acompanha os “imbróglios” gerados em seu governo, dá nós cegos em suas mentes para desenvolver racionalizações que justifiquem falhas éticas e morais, seja culpando terceiros ou, simplesmente, o sistema político brasileiro, como se Lula e o PT dele ainda não fizessem parte.
Tuesday, October 13, 2009
Viva a Liberdade e a Diversidade
A liberdade e a diversidade de escolhas de nossos adolescentes e jovens relativamente às características de seus uniformes escolares a serem “doados” pelo Governo Federal estão sendo ameaçadas. Se acontecer o que está planejado (Folha 13/10) passarei a olhá-los com a mesma piedade e tristeza com que observo aqueles que hoje carregam em seu corpo, ainda em formação, as “vestimentas doadas” por políticos e empresas que os transformaram em objetos móveis de propaganda. Diga-se NÃO aos “logotipos do governo federal, do Ministério da Educação e do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação)“ e SIM aos milhares de emblemas das escolas que são símbolos do orgulho e da união de seus estudantes. Nossos adolescentes e jovens de escolas públicas podem ser, em sua maioria, pobres; mas não querem e não devem ser tratados como objetos móveis de propaganda de empresas e de governos.
A liberdade e a diversidade de escolhas de nossos adolescentes e jovens relativamente às características de seus uniformes escolares a serem “doados” pelo Governo Federal estão sendo ameaçadas. Se acontecer o que está planejado (Folha 13/10) passarei a olhá-los com a mesma piedade e tristeza com que observo aqueles que hoje carregam em seu corpo, ainda em formação, as “vestimentas doadas” por políticos e empresas que os transformaram em objetos móveis de propaganda. Diga-se NÃO aos “logotipos do governo federal, do Ministério da Educação e do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação)“ e SIM aos milhares de emblemas das escolas que são símbolos do orgulho e da união de seus estudantes. Nossos adolescentes e jovens de escolas públicas podem ser, em sua maioria, pobres; mas não querem e não devem ser tratados como objetos móveis de propaganda de empresas e de governos.
Sunday, October 11, 2009
Ranking de Universidades
Clóvis Rossi (Folha 11/10) afirma que nosso País não conseguiu “colocar umazinha só, no ranking das 200 melhores do mundo”. O U.S. News & World Report's (Junho de 2.009) coloca a Universidade de São Paulo logo acima da Universidade de Buenos Aires – respectivamente, 196º. e 197º lugares – e bem abaixo da Universidade Nacional Autônoma do México (150º), completando as três universidades latino-americanas incluídas entre as 200 melhores do mundo. Campinas deu um verdadeiro salto e já ocupa o 249º. lugar, 10 pontos abaixo da Sorbonne (239º). Apesar dessa escala negar sua afirmação, não invalida a tese implícita nela de que nosso ensino superior e a qualidade das pesquisas em nossas universidades vão muito mal.
Clóvis Rossi (Folha 11/10) afirma que nosso País não conseguiu “colocar umazinha só, no ranking das 200 melhores do mundo”. O U.S. News & World Report's (Junho de 2.009) coloca a Universidade de São Paulo logo acima da Universidade de Buenos Aires – respectivamente, 196º. e 197º lugares – e bem abaixo da Universidade Nacional Autônoma do México (150º), completando as três universidades latino-americanas incluídas entre as 200 melhores do mundo. Campinas deu um verdadeiro salto e já ocupa o 249º. lugar, 10 pontos abaixo da Sorbonne (239º). Apesar dessa escala negar sua afirmação, não invalida a tese implícita nela de que nosso ensino superior e a qualidade das pesquisas em nossas universidades vão muito mal.
Saturday, October 10, 2009
“Não Negocio com Golpistas”
O presidente Lula e as duas maiores autoridades de seu estado maior para assuntos internacionais - o Ministro Celso Amorim e o Assessor Marco Aurélio Garcia – entupiram nossa mídia com o adjetivo golpista(s), que logo se tornou bordão, ao se referirem ao atual governo de Honduras. Sabiam, desde o início, que não se tratava de um golpe de estado no velho estilo e sim de uma deposição prevista na Constituição, porém mal conduzida na prática.Isso ficou demonstrado por Dalmo Dallari (Folha, 03/10), professor emérito da Faculdade de Direito da USP, ao explicar didaticamente o que ocorreu em Honduras à luz do direito com base nos fatos divulgados pela imprensa. Como todo bom professor, livrou-nos da ignorância contida em juízos simplórios e caricaturais. Resta agora ao Presidente Lula explicar à nação qual a proposta de nosso País para restabelecer a paz naquele pequeno País, considerando que afirmou não negociar com "golpistas", logo após receber Zelaya e sessenta acompanhantes em nossa embaixada, várias vezes utilizada por ele como quartel-general dos insurretos para conclamar o povo hondurenho a apoiá-lo em manifestações de rua.
O presidente Lula e as duas maiores autoridades de seu estado maior para assuntos internacionais - o Ministro Celso Amorim e o Assessor Marco Aurélio Garcia – entupiram nossa mídia com o adjetivo golpista(s), que logo se tornou bordão, ao se referirem ao atual governo de Honduras. Sabiam, desde o início, que não se tratava de um golpe de estado no velho estilo e sim de uma deposição prevista na Constituição, porém mal conduzida na prática.Isso ficou demonstrado por Dalmo Dallari (Folha, 03/10), professor emérito da Faculdade de Direito da USP, ao explicar didaticamente o que ocorreu em Honduras à luz do direito com base nos fatos divulgados pela imprensa. Como todo bom professor, livrou-nos da ignorância contida em juízos simplórios e caricaturais. Resta agora ao Presidente Lula explicar à nação qual a proposta de nosso País para restabelecer a paz naquele pequeno País, considerando que afirmou não negociar com "golpistas", logo após receber Zelaya e sessenta acompanhantes em nossa embaixada, várias vezes utilizada por ele como quartel-general dos insurretos para conclamar o povo hondurenho a apoiá-lo em manifestações de rua.
Saturday, October 03, 2009
“Puxa eu não sabia disso”
Como é bom ler artigo de Eliane Cantanhêde (Folha, 3/10) que traz fatos importantes para o leitor ao invés de enxurrada de adjetivos e advérbios em torno de hipóteses e divagações. Sobre a famigerada escolha dos aviões de caça ela afirma: UM FILME DE 5 MINUTOS FOI "CONTRABANDEADO" PARA LULA POR OFICIAIS DA AERONÁUTICA, QUE VÊEM VANTAGENS NO GRIPEN NG POR SER UM PROJETO EM DESENVOLVIMENTO QUE JÁ CONTA COM A PARTICIPAÇÃO DE TÉCNICOS BRASILEIROS. Segundo sua reportagem, Lula teria dito que não sabia dos fatos revelados no filme sobre os aviões suecos fabricados pela Saab. Afinal, o que está acontecendo em nosso País? O Ministro da Defesa não informa o Presidente sobre fatos relevantes sabendo que a decisão final é dele? Por que a provável escolha de aviões franceses se escuda atrás de uma aliança estratégica com a França que poderá nos levar a compras onerosas e menos recomendáveis em matéria de disseminação de tecnologia no País, além de já ter-nos imposta estranha escolha de uma empreiteira brasileira, feita sem licitação por empresa estatal francesa, para construir estaleiro de R$ 5 bilhões no Rio? Pergunto se nossos representantes no Congresso tiveram acesso ao documento – se é que existe - que reúne os estudos sobre as razões e as implicações dessa aliança estratégica? Se Lula pode afirmar “Puxa eu não sabia disso” sobre as vantagens dos caças suecos, o que diremos nós, simples cidadãos, pessimamente representados no Congresso Nacional em que deputados e senadores aceitam mansamente o cabresto do Executivo?
Como é bom ler artigo de Eliane Cantanhêde (Folha, 3/10) que traz fatos importantes para o leitor ao invés de enxurrada de adjetivos e advérbios em torno de hipóteses e divagações. Sobre a famigerada escolha dos aviões de caça ela afirma: UM FILME DE 5 MINUTOS FOI "CONTRABANDEADO" PARA LULA POR OFICIAIS DA AERONÁUTICA, QUE VÊEM VANTAGENS NO GRIPEN NG POR SER UM PROJETO EM DESENVOLVIMENTO QUE JÁ CONTA COM A PARTICIPAÇÃO DE TÉCNICOS BRASILEIROS. Segundo sua reportagem, Lula teria dito que não sabia dos fatos revelados no filme sobre os aviões suecos fabricados pela Saab. Afinal, o que está acontecendo em nosso País? O Ministro da Defesa não informa o Presidente sobre fatos relevantes sabendo que a decisão final é dele? Por que a provável escolha de aviões franceses se escuda atrás de uma aliança estratégica com a França que poderá nos levar a compras onerosas e menos recomendáveis em matéria de disseminação de tecnologia no País, além de já ter-nos imposta estranha escolha de uma empreiteira brasileira, feita sem licitação por empresa estatal francesa, para construir estaleiro de R$ 5 bilhões no Rio? Pergunto se nossos representantes no Congresso tiveram acesso ao documento – se é que existe - que reúne os estudos sobre as razões e as implicações dessa aliança estratégica? Se Lula pode afirmar “Puxa eu não sabia disso” sobre as vantagens dos caças suecos, o que diremos nós, simples cidadãos, pessimamente representados no Congresso Nacional em que deputados e senadores aceitam mansamente o cabresto do Executivo?
Friday, October 02, 2009
MERCOSUL
Venezuela é a terceira economia da América do Sul. O Brasil tem um superávit extraordinário no comércio com esse País, dependente da exportação de petróleo para sobreviver. Sua entrada no MERCOSUL representaria um avanço na formação de um mercado comum sob a liderança de nosso País. Nada mais lógico, portanto, do que aprovar sua entrada no MERCOSUL. Todavia, cabem duas perguntinhas nesse quadro surrealista: primeira, como vai o MERCOSUL hoje, graças às políticas argentinas de comércio com nosso País? Segunda, como ele melhoraria com a presença da Venezuela sob a liderança de Chávez que pretende implantar o socialismo bolivariano no continente e está sempre buscando encrencas e ateando fogo onde menos se espera? Já esquecemos do "imbroglio" em Honduras? É triste ver o PT separando a economia da política. A nova bandeira do PT é: economia, de um lado, e política, de outro, num País como o nosso em que o governo tem a pequena participação de quase 40% no PIB. E se esquece, ainda, que o maior problema da Venezuela é diversificar sua economia, hoje totalmente dependente do petróleo. Chávez está de olho na escala de nosso mercado para viabilizar essa diversificação. Além disso, o projeto do pré-sal vai bater de frente com a Venezuela. Abra os olhos Lula! Nem Pedro Simon, com sua larga experiência política, enxergou isso (Folha, 2/10).
Venezuela é a terceira economia da América do Sul. O Brasil tem um superávit extraordinário no comércio com esse País, dependente da exportação de petróleo para sobreviver. Sua entrada no MERCOSUL representaria um avanço na formação de um mercado comum sob a liderança de nosso País. Nada mais lógico, portanto, do que aprovar sua entrada no MERCOSUL. Todavia, cabem duas perguntinhas nesse quadro surrealista: primeira, como vai o MERCOSUL hoje, graças às políticas argentinas de comércio com nosso País? Segunda, como ele melhoraria com a presença da Venezuela sob a liderança de Chávez que pretende implantar o socialismo bolivariano no continente e está sempre buscando encrencas e ateando fogo onde menos se espera? Já esquecemos do "imbroglio" em Honduras? É triste ver o PT separando a economia da política. A nova bandeira do PT é: economia, de um lado, e política, de outro, num País como o nosso em que o governo tem a pequena participação de quase 40% no PIB. E se esquece, ainda, que o maior problema da Venezuela é diversificar sua economia, hoje totalmente dependente do petróleo. Chávez está de olho na escala de nosso mercado para viabilizar essa diversificação. Além disso, o projeto do pré-sal vai bater de frente com a Venezuela. Abra os olhos Lula! Nem Pedro Simon, com sua larga experiência política, enxergou isso (Folha, 2/10).
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