Saturday, August 29, 2009

FALTOU ORGANIZAÇÃO NO UNASUL

Lendo a reportagem de Eliana Cantanhêde (Folha de 29/08) sobre a reunião do UNASUL, realizada ontem em Bariloche para discutir a ameaça da renovação e ampliação da assistência militar americana dada à Colômbia por meio de bases militares instaladas nesse País, não resisti e enumerei os parágrafos seguintes:

1. “Para Uribe, a América do Sul está se tornando uma grande consumidora. Para Lula, esse é um problema principalmente dos países ricos” - ambos referindo-se ao consumo de drogas ;

2. “Ao chegar, Uribe falou com jornalistas para expor uma quase exigência: de que os debates fossem transmitidos pela TV para os telões da sala de imprensa. Numa votação simbólica, os demais presidentes concordaram, e apenas um condenou a decisão: Lula “ ;

3. “Alan García, maior aliado de Uribe na região, lançou a idéia de que as decisões passem a ser por maioria, não mais por consenso. Porque, por consenso, nada se conclui de concreto”;

4."As bases dos EUA na Colômbia existem desde 1952 e não solucionaram o problema, então, que outras coisas poderiam ser feitas para resolver?", disse Lula. Uribe corrigiu: "As bases não são dos EUA" ;

5. "Combate ao narcotráfico se faz com inteligência e contra-inteligência. Aviões C-17 ou radares de amplo alcance não me parecem os instrumentos adequados. A base de Palanquero parece mais compatível com guerra convencional", disse Cristina - presidenta da Argentina;

Em outro texto, publicado também na Folha, consta, ainda, “gozação” de Garcia sobre manifestação de Chávez, conforme descreve a enviada especial.

- Chávez disse que a ânsia intervencionista americana agora está centrada no petróleo e provocou Lula: "Ainda bem que você tem bastante petróleo", disse o venezuelano, com o tom de "bem-vindo ao time".

-Na sua vez, García dirigiu-se a Chávez, irônico: "Homem, para que os EUA precisam dominar o petróleo se você vende todo o petróleo que eles precisam?" Resultou na única gargalhada da reunião.

Para encerrar, a Folha afirmou que, em sete horas de reunião, Chávez falou como militar, Uribe como técnico aplicado, respondendo uma a uma as críticas, Rafael Correa agiu como professor universitário, com "power point" e tudo, Cristina Kirchner atuou como advogada, Evo Morales defendeu os direitos indígenas, Lula reagiu como sindicalista, irritado com a falta de objetividade e de resultados. ”De quebra, reclamou da reunião aberta à imprensa, com a possibilidade de a opinião pública receber relatos detalhados do teatro” . Observo eu que somente faltou o ex-bispo católico, Lugo, atual presidente do Paraguai, rezar pela paz e harmonia dos povos da América do Sul.

Para finalizar, pergunto-me: como é possível se organizar uma reunião de Chefes de Estado sem que os seus respectivos ministros de relações exteriores organizem a pauta, discutam entre si os pontos de consenso e de conflito, negociem e, somente após terem chegado ao ponto ideal de convergência de interesses, escrevam um texto de acordo para ser firmado. É óbvio que durante todo esse processo os poderes executivo, legislativo e judiciário de cada País terão sido sondados. Esse trabalho é típico de diplomatas muito bem educados em todos os sentidos dessa palavra. Além de profundo conhecimento dos intrincados sistemas jurídico e político internacionais, com capacidade de articular os diferentes ministérios, bem como entidades privadas de maneira a garantir uma posição de governo que atenda os interesses nacionais, esses diplomatas normalmente são dotados de fineza de trato e ampla cultura para evitar confrontos infantis e manifestações intempestivas, muitas delas recheadas de ignorância.
FIM

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Friday, August 28, 2009

Lógica Sarneysiana

"Quem pediu para apressar foi o juiz, que pediu 60 dias para que terminassem o inquérito”, afirmou Sarney, concluindo: “Então, a ministra pediu uma coisa que a Justiça já tinha pedido. Por isso, acho (sic) que essa reunião não existiu" (Folha, 28/08/09). De acordo com essa respeitável lógica, considerando que Lina jura de pés juntos que esteve em reunião com Dilma e o Palácio do Planalto jura de mãos juntas que ela não esteve, somente resta examinar a hipótese dela ter tido um surto alucinatório e transformado mentalmente o despacho do juiz em reunião com a Chefe da Casa Civil. O que Sarney não sabe é que essa revelação sua joga lenha na fogueira: a reunião, se houve, não teria sido somente para agilizar o que o Juiz, ainda não identificado publicamente, já fizera. Apressar o já apressado com prazo curto de solução determinado por decisão judicial não faz sentido para justificar reunião "quase secreta". Sarney tem razão. E se tivesse sido para pedir ou ordenar algo escuso?. Nessa hipótese, Lina deveria ter revelado naquela época o que acontecera; hoje, ela pode ser denunciada por omissão, tendo compactuado com Dilma Rousseff em seu assédio, ainda que não tenha atendido o pedido dela. Cabe ao Ministério Público descobrir se houve ou não a reunião, já que o governo federal continua alimnetando dúvidas e mais dúvidas ao invés de processar Lina por mentira.E se houve - o que parece verdade - o que realmente ocorreu nela. Se Dilma for enquadrada, não há como não punir Lina, também. Com a revelação de Sarney o "agilizar" perdeu sua força. Haja paciência, brava gente brasileira !

Monday, August 24, 2009

Como Evitar a Gripe Suína

Hoje o fato que mais me chamou a atenção foi Dr. Márcio Bontempo, médico naturalista e sanitarista, residente em Brasília, http://www.drmarciobontempo.com.br/ - que escreveu um excelente artigo sobre a gripe que nos assola, enfatizando a importância das defesas naturais do corpo que podem ser reforçadas ou enfraquecidas, dependendo de nossos hábitos de vida, principalmente da qualidade da alimentação. Recebi esse artigo do eng. Nestor Tupinambá e recomendo sua leitura.Infelizmente para os que não conhecem o inglês o texto está nessa língua. Já enviei e-mail a Dr. Márcio pedindo-lhe a versão em português.Interessante é sua observação sobre o uso de cânfora, colocada em saquinho de gaze sustentado ao redor do pescoço, como faziam os médicos no início do século passado, para defesa contra a contaminaçào da gripe espanhola.

Sunday, August 23, 2009

ELIANE CANTANHÊDE

Casa de Zumbis

Na Presidência, José Sarney não tem condições de presidir sessão nenhuma, arrastando os pés tristemente do gabinete ao plenário sob uma nuvem de ostracismo. Sua voz e sua mão nunca mais vão parar de tremer na tribuna.

Na liderança do PT, Aloizio Mercadante é um fantasma dele mesmo, numa função fantasma. Líder de uma bancada subjugada pelo Planalto e que se desfez em pedaços e em intrigas, ele não fala mais para seus pares petistas, nem para a base aliada, nem para a oposição.

Na liderança do PSDB, o principal partido da oposição, Arthur Virgílio engaveta os seus discursos irados e recheados de um certo lustre intelectual para conviver hoje, amanhã e sempre com o depósito feito por Agaciel Maia para pagar hotel em Paris e com os milhares de reais que saíram do público para financiar o estudo privado de um amigo assessor.

Sarney, Mercadante e Virgílio são zumbis de um Senado zumbi. E não só do Senado, mas da política.

Sarney, o veterano de fala mansa e conversa agradável, não teve mais condições de eleger a filha Roseana ao governo do Maranhão e levou um suadouro de uma delegada negra e estreante nas eleições no Amapá. Enfraquecido em seus três feudos -o Maranhão, o Amapá e o Senado-, vai se agarrar desesperadamente a Lula, ao preço da aliança formal do PMDB com Dilma.

Mercadante, que se regozijava com a condição de senador mais votado do país, hoje já não dá para o gasto. Vêm aí as eleições para o governo de São Paulo, mas ninguém fala no nome do senador mais votado do Estado. Aliás, como veio o governo "do amigo" Lula, mas ninguém falou no seu grande assessor econômico para a Fazenda.
E Virgílio, uma ilha nos mais de 80% de Lula no Amazonas, entrou na política como jovem brilhante e está para sair como neurótico estridente e inconsequente. É um resumo cruel. Mas, infelizmente, verdadeiro.
elianec@uol.com.br
Nota: Transcrito da Folha de domingo, 23/08/09

Saturday, August 22, 2009

FREUD EXPLICA

A renúncia anunciada e proclamada e tão bem concebida moral e politicamente por Mercadante, que o levaria aos píncaros da liderança de petistas insatisfeitos, esvaiu-se num sussurro envergonhado de permanência no cargo, emitido no plenário do Senado na presença de “cinco colegas, dos quais apenas um petista, e de um ex-senador” (Folha, 22/09). Perdeu a grande oportunidade de se tornar um dos maiores políticos do País e demonstrar à nação de que existe um petista preparado a renovar seu partido. Reviver os valores que nortearam seus políticos na luta contra a corrupcão e o fisiologismo no passado, agora tolerados e praticados com a justificativa de manter a governabilidade. Ao caminhar para enfrentar Lula, porém, enfraqueceu-se e caiu na armadilha do Pai que o mandou de volta com uma cartinha na mão cheia de elogios e afagos ao Filho obediente. A sua carreira de líder político independente e coerente se encerra e se inicia a de assessor de Lula: aquele que terá de buscar a obediência dos liderados por meio de uma cansativa tarefa de levar e trazer recados do “Capo”.

Thursday, July 30, 2009

MOTOTAXI
Sempre soube que o serviço de transporte público de passageiros tem de ser concedido (ou autorizado) pelas autoridades públicas visando a garantir qualidade, segurança e preços justos aos usuários. Em outras palavras, o transportador de passageiros tem de demonstrar ao poder público que os veículos e os condutores de sua empresa oferecem as condições acima. E se autorizado, a população entenderá que poderá usar o serviço com tranqüilidade. O mesmo acontece - ou deveria acontecer - com outros produtos e serviços oferecidos no mercado à população.

Ora, todos sabem que a motocicleta não é um veículo seguro para o transporte de passageiros, AINDA QUE O VEÍCULO BEM CONDUZIDO ofereça segurança para o motociclista qualificado e treinado que, no caso, funde em si dois papéis: de condutor qualificado e treinado e o de passageiro qualificado e treinado. Como se pode regulamentar o serviço de mototaxi se o passageiro para usá-lo necessita de possuir condições físicas e psicológicas especiais para ser transportado com segurança? Em outras palavras, o passageiro teria de provar ao motociclista-condutor do mototaxi que não sofre nenhuma restrição para ser um PASSAGEIRO SEGURO. Na realidade, deveria ter uma licença da autoridade pública para utilizar o mototaxi. Caso não a tenha, o motociclista-transportador será responsável por danos físicos e morais causados ao PASSAGEIRO CLANDESTINO, isto é, sem licença para usar esse serviço.

É incrível que seja homologada uma lei em que o PASSAGEIRO DEVA DEMONSTRAR QUE ELE É HABILITADO PARA SER TRANSPORTADO. Caso não o demonstre, em se tratando de um serviço regulamentado pelo poder público, nada impedirá que gestantes, crianças, idosos, portadores de doenças incompatíveis com o mínimo de equilíbrio físico e mental necessário para se manter sentado na moto, e tantas outras restrições que o TORNEM UM PASSAGEIRO INSEGURO PARA SER TRANSPORTADO EM MOTOCICLETA, avaliem inadequadamente sua possibilidade de ser transportado com segurança e corram riscos enormes nesse transporte.

Especialistas em transportes que conhecem bem as características exigidas para QUALQUER PESSOA USAR O SERVIÇO DE TAXI AGORA REGULAMENTADO PELO PODER PÚBLICO PARA SER EXECUTADO TAMBÉM POR MOTOCICLETAS apresentem sua avaliação por meio de representação junto ao Ministério Público, responsabilizando as autoridades de trânsito do País pelas mortes e acidentes que decorram de tamanha estultice que é a regulamentação do mototaxi. Por que não enfrentar os cartéis que controlam os serviços de taxis em todas nossas cidades, promovendo ociosidade no sistema devido a tarifas elevadas que são acessíveis somente aos grupos sociais com renda bem acima da média da população? Os serviços de taxis na Índia podem ser realizados em veículos leves de três rodas e poderiam ser homologados, também, no Brasil para serviços de passageiros, limitando-se, obviamente, a velocidade deles. É somente um exemplo menos burro que o mototaxi.

Observação: como os municípios serão responsáveis pela regulamentação detalhada do serviço, pela expedição da licença para o transportador e pela fiscalização, essa Lei Federal simplesmente jogou no colo dos prefeitos uma bomba de efeito retardado! Se forem feitas muitas restrições e exigências, O PREFEITO SERÁ CULPADO; se aumentar o número de feridos e mortos, O PREFEITO SERÁ CULPADO. A única saída para os prefeitos será pedir ao Presidente Lula que revogue a LEI, pois aí serão todos eles culpados perante os motociclistas interessados em explorar o serviço de mototaxi.

Friday, June 26, 2009

Já se pode andar a pé com dignidade?

No dia 5 de junho passado a Associação Brasileira de Pedestres – ABRASPE comemorou 28 anos, mantendo suas qualidades de fundação: muita esperança e ânimo. Contudo, a visão política do seu fundador que assina este artigo, engenheiro de formação e com experiência em atividades puramente técnicas, era infantil e, como tal, imediatista: bastaria conscientizarem-se as autoridades públicas das condições inaceitáveis em que o cidadão se encontra na qualidade de pedestre para que as medidas necessárias para dar-lhe conforto e segurança seriam adotadas imediatamente. Afinal, o metro quadrado de calçada e o custo de faixas e de sinalização para as travessias de pedestres custam menos, muito menos, sem dúvida, que a infra-estrutura necessária para o trânsito de veículos automotores que envolvem não só a construção e manutenção das pistas, da sinalização horizontal e vertical, da fiscalização e policiamento, e o custo de toda a parafernália legal e administrativa necessária a manter nosso trânsito seguro e menos agressivo à saúde e integridade física da população. Além disso, o custo da construção e manutenção das calçadas é da responsabilidade dos proprietários dos imóveis em frente delas, sendo, portanto, do interesse deles que sejam belas, seguras e confortáveis; pois não só as atividades econômicas, comerciais. sociais e familiares abrigadas nas casas e edifícios fronteiriços se enobrecem, como se evitam multas da fiscalização e ações na justiça em caso de quedas e ferimentos causados aos pedestres. Esse interesse, todavia, torna-se menor - para não dizer que desaparece de todo - pelo fato da fiscalização pública ser omissa, mesmo quando ativada por denúncias de pedestres prejudicados, e, ainda, devido a procedimentos administrativos e legais inadequados que transformam um simples remendo de calça num processo “kafkiano”. Quanto a ações na justiça – já que nove pedestres em cada mil habitantes da população se ferem caindo em nossas calçadas, segundo pesquisa do IPEA feita na Cidade de São Paulo – elas simplesmente não acontecem. A maioria não acredita que o esforço e gasto eventual da ação produzam resultado financeiro que os compensem. Os poucos que gostariam de acioná-la acham que perderão seu tempo. Realmente há esses riscos, apesar de a justiça ter criado juizado especial para causas até quarenta salários mínimos e, além disso, ter aceitado a prática de indenização por dano moral em situação criada, por exemplo, pelo vexame da queda de um pedestre na calçada. É necessário, porém, que sejam identificadas, no próprio local da queda, testemunhas dispostas a depor no juizado sobre o ocorrido. Celulares oferecem hoje a facilidade de se fotografar a irregularidade que deve ser objeto de imediata reclamação à Prefeitura Municipal que deve avaliar se o defeito, o buraco ou o que seja, é, de fato, uma irregularidade. Com o laudo oficial da prefeitura municipal de que se trata de irregularidade, a foto e o nome, endereço e telefone da testemunha, o pedestre, munido dos recibos de farmácia, taxi, e outros custos de enfermaria ou até mesmo de pronto socorro ortopédico, comparece no juizado especial para pedir compensação pelos danos materiais, pela perda de renda por incapacitação eventual de trabalhar, se for o caso, e pelo dano moral produzido pela queda. No caso das travessias e a correspondente sinalização que, eventualmente, não lhe garantam a necessária segurança e conforto, o pedestre pode e deve fazer uso dos artigos 72 e 73 do novo Código de Trânsito Brasileiro relativos aos direitos do cidadão para solicitar providências e receber resposta, sem delongas.

A ABRASPE continuará insistindo junto às autoridades de trânsito que adote medidas que melhorem o conforto e segurança do pedestre, como se constata em www.pedestre.org.br Em país de tamanho continental como o nosso, porém, é necessário que grupos e indivíduos utilizem os instrumentos de cidadania como os citados acima para pressionar as autoridades locais a melhorar as calçadas e travessias e cobrar indenização pelos prejuízos que tenha sofrido ao andar a pé.

Respondendo à pergunta que encabeça este texto, podemos afirmar que as condições do pedestre estão mudando para melhor, porém muito, mas muito lentamente, ainda tirando, portanto, a dignidade do cidadão que anda a pé.

Saturday, June 13, 2009

USP

Na qualidade de cidadão e leitor da Folha gostaríamos que a Reitoria respondesse às afirmações abaixo, contidas no artigo do Professor de Filosofia Saflate(12/06), a fim de que possamos formar opinião correta sobre o que está ocorrendo na USP. Em relação aos grevistas afirma: a) piquetes e degradações; b) salários menores que de qualquer universidade federal no País; c) gritos e latas; d. 2.000 estudantes “de todas faculdades” participaram , incluindo “alguns de nossos melhores alunos”; e) greve de funcionários (administrativos) no início, envolvendo professores e alunos após a entrada da polícia. Em relação à polícia destaca: a) armada com metralhadoras; b) risco de balas perdidas atingirem crianças; c) incapaz de agir de forma “minimamente adequada diante do cidadão”; d) “polícia bem preparada não reage a gritos e latas com gás lacrimogêneo e) balas de borracha”; e) histórico catastrófico em resolver conflitos sociais de nossa polícia militar.

Sunday, May 31, 2009

Nojentos e Assépticos
Em artigo com o título acima (Folha 31/5), Plínio Fraga esqueceu que não há divisão formal entre esquerda e direita em nosso País. Basta ouvir a propaganda comercial-eleitoral gratuita para constatar que os cansativos bordões são praticamente os mesmos: desenvolvimento com melhoria da qualidade de vida, da distribuição de renda, inclusão social e muito emprego. É após a eleição que surgem as diferenças entre os políticos, e até entre partidos. Elas acontecem quando se definem os meios e as formas de se atingirem os objetivos enunciados. Muitas escolhas inexplicáveis à luz da razão normalmente atendem a interesses escusos ou inconfessáveis. A impressão que nós eleitores temos é que as poucas diferenças ideológicas que poderiam diferenciar os políticos de esquerda e direita, se é que existem, estão sendo tragadas pela sede de poder e dinheiro. A grande agitação de nossa elite política se assemelha a uma corrida permanente no desfrute do poder, acobertada por objetivos nobres enunciados publicamente. “E cosi la nave và ” até que um dia encontremos nosso porto de redenção.

Eduardo José Daros Rua Roque Petrella, 556 04581051 S. Paulo, SP
Tel, 11-84440941 daros@transporte.org.br

Sunday, May 24, 2009

EDUCAÇÃO versus POLÍTICA

Qualquer mudança séria e profunda no sistema político brasileiro esbarra no baixo nível de educação do povo e, especialmente, em sua herança cultural com valores e crenças inadequados a uma convivência social saudável. Infelizmente, essa observação -ou especulação– aplica-se a todos os segmentos, inclusive à elite brasileira. A reportagem de Felipe Seligman sobre terceiro mandato (Folha 24/5) mostra a imaturidade do legislativo na abordagem de assuntos relevantes para o aperfeiçoamento de nosso regime político visando à preservação da democracia. Mudança de partido até seis meses antes das próximas eleições e possibilidade de um terceiro mandato são aberrações que não podem ser tratadas casuisticamente. Se não prevalecer a posição madura do Presidente Lula e o poder moderador assumido pelo Judiciário na defesa da república, nosso País se transformará em gigantesca Venezuela. E daí, que Deus nos acuda.....

Sunday, May 17, 2009

Estado Forte

Para os mais velhos, essa designação é um pleonasmo, pois o Estado deve ser necessariamente forte. Para os jovens, a qualificação “forte” traz consigo uma leve ironia para dizer que alguém está balofo. Se entendermos, porém, como forte, um Estado formado de governos enxutos, eficazes e éticos, agindo, portanto, com rapidez, competência e pleno respeito às leis do País, o Presidente Lula pode contar com nossa aprovação a seu novo mote de campanha eleitoral antecipada. E mais do que isso, tem nosso total e irrestrito apoio para pôr mãos à obra e começar já seu árduo trabalho de reverter o inchaço do Governo Federal (v. Folha 17/5, Gustavo Patu) e dar o bom exemplo às demais instituições do setor público do País para que, no futuro, tenhamos um Estado Forte como ele deseja e prega.

Thursday, May 14, 2009

FGV

A FGV está na berlinda sem que ninguém explique os termos do contrato e quem foram os consultores técnicos contratados para o estudo de reestruturação dos serviços administrativos do Senado. A legislação permite que o setor público a contrate sem licitação, assim como faz com entidades públicas de ensino e pesquisa e outras organizações não-lucrativas. Como nas concorrências do setor público o custo do serviço é fator predominante na escolha, consultores técnicos de alto nível têm dado preferência a prestá-lo a empresas privadas. Nelas, a escolha se faz com base na relação custo/benefício do serviço, que leva em conta, também, os resultados conseguidos com a implantação dos estudos e projetos propostos pelos consultores. Enquanto isso, nos contratos do setor público com entidades sem fins lucrativos tem havido certa liberalidade na aceitação – havendo casos de direcionamento - de subcontratação de serviços administrativos e de consultoria técnica realizados por profissionais não pertencentes ao quadro permanente da instituição contratada. Seria interessante que a Folha, tão alerta em desvendar os intrincados interesses envolvidos no jogo político, também o fosse em relação à contratação de serviços profissionais de técnicos de alto nível pelo setor público. Afinal, um estudo de reestruturação administrativa do Senado Federal visando à sua racionalização que produz uma redução de despesas inferior a 1% exige explicação convincente para que não se pense o pior.
FIM

Wednesday, May 13, 2009

Brasil e Venezuela

Os US$ 200 bilhões de reservas que o Brasil ostenta hoje se deve ao trabalho árduo de nosso povo, à qualidade de nosso empresariado e, muito, muito mesmo, à estabilidade de nossa política econômica e à solidez de nossas instituições. A caricatura que se faz da Venezuela no Brasil se deve à discricionariedade de Chávez no exercício do poder. Transforma suas ameaças em ações, passando por cima das instituições democráticas e da tríade que define o poder do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. A entrevista construída pelos repórteres da Folha (Caso Battisti, 13/5) e “reconstruída” por nós a partir da reportagem, é assustadora.
“Se o STF aprovar a extradição de Batistti o que acontecerá?” perguntamos
Tarso Genro reponde: "Seria perturbador se o Supremo mudasse a jurisprudência por causa do caso Battisti para atender um país que não respeita as autoridades do Brasil (refere-se à Itália)";
Gilmar Mendes responde: “Se a corte (referindo-se ao STF) votar pela extradição, caberá ao presidente Lula respeitar a decisão.”;
Tarso Genro comenta a resposta de Gilmar Mendes: "É bom que o Supremo não faça isso".
FIM

Tuesday, May 12, 2009

Vício de Origem no PARLASUL

Com esse título, Fernando Rodrigues em seu artigo na folha (4/5), alerta-nos sobre o pesadelo que o MERCOSUL pode se transformar para o Brasil ao aceitar que em seu Parlamento, já se defina, que o poder de decisão se distribua fora dos parâmetros democráticos da proporção da população de cada País no conjunto. O que se pretende aprovar vai colocar o Brasil em constante conflito com seus vizinhos, principalmente se o Senado cometer a sandice de autorizar a entrada da Venezuela no sistema. No estágio em que o MERCOSUL está seria melhor evitar formalizações prematuras de sistema de votação e dar um basta à velha tradição brasileira de imitar. Por mais esforço que faça, não consigo separar a imagem do MERCOSUL-PARLASUL da de um papagaio frente à União Européia.

Socialismo do Século 21

Referimo-nos ao Socialismo Bolivariano em processo de implantação por Chávez. A mais recente iniciativa sua, publicada em reportagem da Folha (12/5), é o telefone celular VERGATÁRIO, cujas peças são importadas da CHINA e a montagem feita pela empresa estatal venezuelana MOLINET. No período das compras que antecedem o Dia das Mães, CHÁVEZ se tornou garoto-propaganda desse produto em aparições feitas em “suas várias cadeias de TV Estatal”. Também, recentemente, fez propaganda do livro "As Veias Abertas da América Latina", aumentando significativamente suas vendas. Perguntamo-nos como os Membros do MERCOSUL se comportarão diante de situações como essas, caso o Senado Federal aprove convite do Governo Lula para a VENEZUELA integrar o bloco? Em tempo: segundo a mesma reportagem, celulares é um dos principais itens de exportação do Brasil para a Venezuela.

Saturday, May 02, 2009

PANDEMÍDIA

"Os telespectadores e ouvintes de rádio apreciam ser informados sobre violências e catástrofes. E essa mídia falada - e a TV com imagens também - esmera-se em assustar a população. Lembro-me de um jornal, muito popular no Rio, de onde se dizia escorrer sangue de suas páginas. Felizmente, os grandes jornais impressos continuam a ser a fonte mais equilibrada de informações. No Brasil, se forem somadas as mortes em acidentes de trânsito com os assassinatos, chega-se a um índice bárbaro de 10 mortes por hora (85.000/8.760). A tal gripe que começou no México, chamada inicialmente de suína, e agora carimbada tecnicamente de H1N1, tem mantido o rádio e a TV histericamente ocupados com ela apesar de ainda não ter matado ninguém e sequer ter chegado ao País. Não obstante, a audiência cresce, dá IBOPE e torna a população brasileira alienada de seus problemas e dos riscos reais de morrer prematuramente ou de vir a contrair doenças graves."

Nota: Este texto foi enviado ontem ao Painel do Leitor da Folha de SP. Seguramente não será publicado e se juntará às dezenas que enviei para esse painel.A partir de hoje vou incorporá-los neste BLOG.

Tuesday, March 31, 2009

LULA NO CHILE
Excelente o Editorial da Folha (31/03) sob esse título contra o Estado forte defendido por Lula. Achávamos que a expressão Estado necessário já tivesse produzido raízes em nosso País. Felizmente, a explicação de Lula do que entendia como tal desanuviou o ambiente, em parte; "Estado democrático, socialmente controlado e eficiente na prestação de serviços". Difícil de entender, porém, que um assessor de alto nível que o acompanha “fez elogios, no dia anterior, ao populismo sul-americano, incorporado em governos como os de Chávez, na Venezuela, Morales, na Bolívia, e Correa, no Equador”, segundo a Folha. Será que Lula acredita que nesses países seus governos, com o apoio eleitoral e “referendal” da maioria da população, estão transformando seus Estados em democráticos e socialmente controlados e mais eficientes na prestação de serviços? Um velho político dizia: “se você quer conhecer o pensamento de uma autoridade pública de alto nível não ouça ou leia discursos seus, converse com seus assessores mais íntimos”. Afinal, quem é o citado assessor?

Sunday, March 29, 2009

DEMOCRACIA E DITADURA DA MAIORIA

Uma das confusões mais perniciosas para o cidadão brasileiro é nossos políticos esquecerem, no dia-a-dia, a diferença entre vontade da maioria com democracia. Ainda que em discursos formais bem elaborados e cuidadosamente revistos eles caracterizem como base fundamental do governo democrático o respeito às minorias, nas atividades correntes se esquecem disso com muita freqüência. E pior, os cidadãos da minoria prejudicada em seus direitos garantidos por lei se omitem diante da ditadura da maioria. Outra dificuldade por má formação intelectual do político é a falta de lógica em seu raciocínio. Quando se juntam essas falhas surgem idéias e propostas de ações e políticas que visam, muitas delas, a objetivos nobres, contudo, os meios irracionalmente escolhidos acabam gerando desperdício de recursos e introduzindo mecanismos e regras administrativas que contrariam os bons princípios democráticos conquistados pela sociedade e assimilados em suas práticas ao longo dos anos.

O exemplo mais notório disso é a insistência com que o atual governo está introduzindo o sistema de cotas nas universidades públicas federais e, agora, a discussão da eficácia do vestibular. Em excelente artigo publicado na Folha do dia 23/3, Vestibular como Anomalia?, Carlos Eduardo Bindi escreve em determinado trecho “O estudante da escola pública de ensino médio nunca questiona o vestibular, alegando ser ele ilícito. Ele reclama é do fato de não ter sido aprovado porque não teve acesso ao conhecimento que deveria ter sido proporcionado a ele”. A falta de lógica no sistema de cotas é tão gritante que dispensa comentários. A eliminação do vestibular no atual estágio de nosso ensino superior, porque não é o instrumento perfeito de seleção, seria o golpe de graça na preservação da qualidade de nossos profissionais de nível superior. Não se deve olvidar que o estreito canal de entrada nas universidades já foi dilatado com a instalação irresponsável e sem controle de entidades de ensino superior, muitas delas com o único objetivo de produzir lucros a seus proprietários. Em muitos casos não é exagero se afirmar que nelas se vendem diplomas a prestações cujo número é estabelecido pelo período que o estudante-comprador deverá “permanecer” como aluno do estabelecimento. No caso do diploma de bacharel em direito, por exemplo, a deterioração do ensino foi tal que a OAB criou um crivo específico para eliminar pessoas completamente inabilitadas para o exercício da profissão. É como se o egresso de uma Escola de Engenharia ou Medicina perdesse o direito de exercer sua profissão depois de ser diplomado, devendo passar por novo exame organizado pelas entidades de suas respectivas classes. O vestibular ao eliminar 95% dos candidatos (número citado por Bindi) gera, também, uma situação muito pouco comentada, qual seja, a de selecionar uma elite de elevada capacidade mental e intelectual que terá condições de avaliar criticamente o próprio ensino superior e tapar os “furos” nele existentes por meio de cursos, seminários e leituras complementares. Quem freqüentou curso superior sabe que a competência dos professores varia muito entre eles e tende a se estagnar, ou até mesmo se deteriorar, em muitos casos, pela falta de estímulos, especialmente de competição, para que se mantenha permanentemente atualizado em sua matéria. Após conseguir o cargo por concurso público, sua estabilidade não é ameaçada. A maior parte dessa elite de estudantes que passou no vestibular vai à luta, preenchendo os vazios deixados no ensino superior e avançando com novas técnicas, práticas e conhecimentos para enfrentar a acirrada competição em seu mercado profissional. Atitude nem sempre adotada pelos maus professores que não cumprem com sua obrigação de manter-se continuamente atualizado.

Em suma, o que mais precisamos no Brasil é de um ensino fundamental e médio de alta qualidade, seja ele público ou privado, que garanta conhecimentos e habilidades para o exercício profissional competente e honesto visando a atender a demanda de nossa sociedade; adequados, obviamente, a uma filosofia de vida compatível com a harmonia social e ambiental, tão necessária em nossos dias. O ensino superior, bem como as pós-graduações, devem ser reservados somente aos estudantes mais qualificados, sem distinção de classe, cor, raça, religião,gênero, ou qualquer outro sectarismo porventura existente. Para que o País não prejudique os mais pobres nessa seleção, pois iniciam seus estudos com bagagem cultural menor, compete ao governo garantir a igualdade de oportunidades, fornecendo-lhes subsídios e atenção especial, inclusive à família, no caso dos mais dotados, para que a igualdade de oportunidades seja real e lhe garanta o acesso até o nível de educação que tiver desejo e qualificação para chegar. Arrombar as portas das universidades com cotas e privilégios, e agora com o questionamento da eficácia do vestibular, mais parece uma revolução em que o governo busca incessantemente a cooptação da maioria negra e parda, bem como daqueles que por deficiência das escolas públicas não têm condições de competir no vestibular. Se a qualidade de nossos “doutores” e técnicos cair, ainda mais,em conseqüência disso,o prejuízo social e econômico do País será avassalador, pois o tempo perdido não poderá ser recuperado. O Brasil já demonstra falta de profissionais competentes de nível médio e superior no estágio atual de desenvolvimento,fazendo com que a melhoria da educação seja aclamada, conclamada e proclamada como prioridade número um por todos especialistas em desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental.

Por outro lado, em recente manifestação sobre a crise financeira e econômica internacional o Presidente Lula afirmou o seguinte: “É uma crise causada, fomentada, por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis, que antes da crise parecia que sabia tudo e que, agora, demonstra não saber nada”. Questionado por jornalista da BBC sobre essa tirada, ele respondeu: “como não conheço nenhum banqueiro negro ou índio, só posso dizer que essa parte da humanidade, que é a mais, eu diria, vítima do mundo, pague por uma crise” (frases publicadas na Revista Época de 28/3. Ora, o que se observa aqui, novamente, é o confronto de cores de pele, esquecendo-se da falta de lógica, pois está implícita a idéia em sua explicação ao jornalista da BBC, que se os banqueiros fossem negros e índios não tinha importância que suas populações fossem vítimas da crise. Esquecendo-se, além disso, que a população branca, inclusive as de olhos azuis, não merece estar sofrendo por uma crise gerada pela irresponsabilidade de agentes do setor financeiro e de incopetencia do governo norte-americano. Essas tiradas sem lógica, prejudicam a imagem do Presidente Lula e o enfraquecem na luta contra o protecionismo no comércio internacional, pela revisão da estrutura do sistema financeiro internacional e do papel do FMI, pela participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, que conta com o respaldo de todos nós brasileiros, brancos, negros, pardos, amarelos, e outras cores de pele.

Enquanto a mídia encara jocosamente as tiradas do Presidente Lula, a falta de lógica do sistema de cotas para negros e pardos e de preferência aos egressos de escolas públicas no acesso às universidades federais deve ser analisado e avaliado com seriedade e preocupação, pois coloca em risco o sistema de mérito cuja immparcialidade e eficácia na seleção dos melhores estudantes não foi colocada em dúvida até hoje.

Thursday, March 26, 2009

BRANCA DE OLHOS AZUIS

O Presidente Lula disse que “a crise (econômico-financeira) foi criada e fomentada por gente branca de olhos azuis.” (Globo News 26/03) À primeira vista, seu sorriso de satisfação e alívio poderia indicar que extravasava algo preso em sua garganta, resultante de mágoas e humilhações pessoais. Isso é impossível, pois Lula se parece fisicamente a um homem do mediterrâneo: àqueles branquelas de olhos pretos e castanhos que colonizaram a África e a América Latina. Será que nessa afirmação ele procura se identificar com nosso povo? Não com os brasileiros pobres em que há muitos brancos e, até mesmo, de olhos azuis. Mas sim com os negros e pardos que, ao contrário do que Lula pensa, adoram a Hebe, a Xuxa, a Angélica, a Maria Braga, bem como os galãs branquelos de olhos azuis que tanto sucesso fazem na TV. Seria bom que ele explicasse melhor para nós cidadãos brasileiros de todas as cores e matizes de pele e olhos quem ele quer colocar para baixo e quem ele quer por para cima com esse extravasamento emocional. Era só o que faltava agora seria o Presidente Lula gerar conflitos oculares e epidérmicos num País que se contorce no meio de todos os tipos de crises imagináveis, além da econômico-financeira, obviamente.

Tuesday, March 24, 2009

Dilma concebe plano de banda larga para escolas sem coordenação com Estados

Se não tivesse lido o artigo todo de Elvira Lobato e Antônio Góis publicado na Folha (24/3) com o título bombástico "SP recusa internet gratuita do governo federal para escolas", teria concluído que Serra pirou. Nele se informa que “A Secretaria da Educação de São Paulo diz que suas 5.537 escolas já possuem banda larga mais veloz e mais segura”. Em outro trecho, contudo, escreve que “São Paulo foi o único Estado a recusar a banda larga federal.” E esclarece que sete Estados que também possuem rede própria de banda larga (CE, SC, PR, MG, PE, MA e PA) aproveitaram a oferta da União como conexão adicional, “mas criticam a superposição de redes.” Em seguida transcreve opinião de autoridade no assunto: "Não faz sentido implantar banda larga onde ela já existe. É desperdício de recursos para o governo federal e para os Estados", diz Joaquim Costa Júnior, presidente da Abep (entidade que reúne as empresas de tecnologia dos Estados). Qual a razão de tanta confusão? “Ele (o plano) foi costurado pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) com as companhias telefônicas, no ano passado, sem discussão prévia com os Estados”, comenta a reportagem da Folha. Portanto, o título da reportagem deveria ser o que encabeça este nosso comentário e não, a quase acusação, de que SP recusou internet gratuita do governo federal para escolas.

Wednesday, March 11, 2009

"Convergência de Idéias e Valores"

É de estarrecer que o presidente da Abrapp-Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, José de Souza Mendonça, que representa também entidades privadas, tenha afirmado que na escolha dos presidentes de fundos de pensão prevaleça, além da confiança, o critério de "convergência de idéias e valores" com os que detêm o poder de indicá-los, como publicou a Folha . Até hoje, milhões de trabalhadores que contam com os recursos desses fundos para sobreviverem pensavam que o critério adotado seria o da capacidade profissional, independência na gestão e atitudes de respeito à lei e à moralidade, visando a garantir a preservação do patrimônio coletivo com rentabilidade suficiente para atender seus compromissos estatutários. Não acredito que os fundos privados adotem o compadrismo como critério para escolher seus dirigentes. Cabe aos responsáveis pelas escolhas de seus dirigentes, porém, afirmar isso, publicamente, para tranquilizar os trabalhadores do setor privado que contribuem para esses fundos.

Thursday, March 05, 2009

COTAS e PREÇOS IMPOSTOS

Depois de ler reportagem publicada na Folha de 04/03 sob o título "Chávez impõe cotas de produção de alimentos", resta-nos rezar pela paz e bem estar do povo venezuelano seriamente ameaçadas pelo desvario de seu Presidente que odeia a economia de mercado e sua lei maior: a da oferta e da procura. Ainda, assim, o governo de Lula quer sua participação no MERCOSUL. Hoje, 05/03, lendo os artigos "Ditadura à brasileira" e "Crise- o urgente e o básico", escritos, respectivamente, por Marco Antonio Villa e Jorge Wilheim, tomo consciência de que, apesar de tudo que aconteceu e tem acontecido, o povo brasileiro deve se orgulhar da maneira como sua elite respeita os mecanismos da economia de mercado e suas leis. Aperfeiçoa-los, sim; destruí-los nunca. As exceções foram poucas e ridículas, como por exemplo, A caça ao boi gordo, no Governo Sarney e O confisco da poupança, no Governo Collor.

Sunday, February 22, 2009

MAL-ENTENDIDO ou MAL TRADUZIDO?
A Redação da Folha citou trecho do comunicado do Ministério da Justiça de que Tarso usou a palavra inglesa "handicap" para descrever a influência do presidente na campanha de Dilma com a conotação de vantagem. Isso porque o famoso jornal El País, muito elogiado pelo Senador Sarney em sua coluna, traduziu a palavra inglesa "handicap", como obstáculo, na entrevista dada pelo MinistroTarso Genro. Tanto obstáculo, como desvantagem, que seria a tradução mais usada no Brasil, tornariam sua afirmação de que o apoio do Presidente Lula à Dilma Rousseff seria um "handicap", conflitante com seu pensamento, com o contexto da entrevista e, principalmente, com as ações políticas visando às eleições de 2.010. Faltou esclarecer ao leitor, porém, o sentido de "handicap" em inglês como vantagem que se dá à pessoa ou ao time que se julga mais fraco para transformar uma competição esportiva "mais igualitária" e excitante. Nas brincadeiras de criança, lembro-me de que em corridas com os mais novos costumava-se lhes dar vantagem, seja em espaço, seja em tempo. Não seria esse o sentido real que o Ministro quis dar a "handicap"? Afinal, o apoio do Presidente e o início antecipado da campanha, nada mais são que "handicaps" oferecidos à candidata Dilma Rousseff na "corrida à presidência". Acontece que eleição para presidente não é jogo esportivo, tampouco brincadeira de crianças.

Sunday, February 08, 2009

VENEZUELA no MERCOSUL?

De seu jeito, a China vem introduzindo a economia de mercado apesar de manter um monolítico sistema político. Putin não quer nem ouvir falar de reestatização da produção na Rússia. Aí, surge o Cel. Chaves da Venezuela ameaçando empresários e interferindo na economia de mercado de seu país sempre que seu funcionamento o incomoda politicamente. O seu desprezo por regras estáveis de interferência do Estado na economia é notório; e o desembaraço com que usa recursos da estatal petrolífera para fins políticos mostra seu caráter autoritário e poder discricionário. Será que nossos parlamentares vão aprovar a entrada da Venezuela no MERCOSUL? A justificativa de que o Estado Venezuelano é permanente e que Chávez é passageiro não vinga, pois o ilustre líder populista não se cansa de repetir que vai implantar o sistema socialista bolivariano em seu País. Pobre MERCOSUL com Chávez lá dentro. Na melhor das hipóteses ficará paralisado discutindo “ad nauseam” as teses e propostas bolivarianas que jorram de sua mente inquieta. Vamos apoiar Sarney para que tal disparate proposto pelo atual governo não aconteça. Temos certeza que com sua sabedoria e experiência, encontrará meios de postergar o assunto até o fim de seu mandato.

Sunday, November 23, 2008

Lula-aqui, Evo-ali, Obama-lá
O artigo acima de Augusto Franco (Folha, 17/11) compara as eleições de Lula e de outros líderes latino-americanos com a de Obama nos Estado Unidos da América. Esqueceu-se, porém, de ressaltar que este se apresentou como um cidadão inteligente e de excelente formação cultural e acadêmica capaz de liderar os EUA conforme os anseios e desejos dos membros do Partido Democrático que o escolheu como seu candidato. Hillary Clinton, sua adversária na eleição de escolha do candidato, também era altamente qualificada. É de se ressaltar que nenhuma das duas candidaturas, porém, surgiu como reação de mágoa ou de desprezo à elite norte-americana. Obama é filho de mãe branca, com determinante influência dela, e de sua avó materna que lhe deu carinho e transferiu-lhe valores para sua formação saudável. Sem marcas e cicatrizes de agressões e ódios que estimulam a mágoa, a vingança e a confrontação, Obama conseguiu com seus próprios méritos galgar posição socioeconômica invejável na sociedade americana. Em outras palavras, Obama comunga os valores históricos e mais profundos de seu País com a elite americana, vive em seu meio e atua politicamente no velho Partido Democrático. O seu foco é a busca de soluções democráticas para os problemas sociais, econômicos e culturais das camadas mais pobres, entre as quais se encontram os negros, os hispânicos e outras minorias que ainda não conseguiram usufruir, como ele, das oportunidades oferecidas em seu País. É óbvio que a herança genética de seu pai negro, nascido no Quênia, tornou-o mais bem aceito pelos americanos carentes. E para os negros, ele tornou-se o símbolo de que a igualdade conseguida a duras penas em meados do século passado agora se completa com chave de ouro. A democracia americana, que já era forte, torna-se mais robusta ainda com a eleição de Obama

Saturday, November 22, 2008

SEGUNDA LÍNGUA

O povo brasileiro, numa atitude sábia e pragmática, elegeu o inglês como segunda língua. Infelizmente, a falta de recursos torna muito difícil às escolas públicas proporcionar aos mais pobres a oportunidade de aprender a falar, ler e escrever bem essa língua, como já conseguem os grupos sociais de renda mais alta. Se já não lhes bastasse a luta que enfrentam para reaprender a falar e a se comunicar corretamente em português, corrigindo os vícios de linguagem trazidos do lar, terão de aceitar a situação de apenas “arranhar” o inglês; e por isso, perder renda e posições no competitivo mercado de trabalho. O decantado treinamento em informática e o acesso à internet têm de ser acompanhado pelo ensino da língua inglesa, caso contrário seus resultados serão pífios. Aos que pensam como nós, sugerimos que se manifestem a respeito para que a nossa elite política não apóie iniciativas de ensino de outras línguas estrangeiras, dispersando esforços, tempo e recursos que estariam melhor empregados no aprendizado do inglês. Afinal, o ensino fundamental gratuito e de boa qualidade é o principal instrumento público destinado a corrigir as desigualdades socioeconômicas.

Publicada em Cartas do Leitor no Estadão de 28/03/01

Friday, November 07, 2008

TEMPO LIVRE VALIOSO
O rápido desenvolvimento e aplicação de tecnologias de informação na medicina curativa e preventiva tem-nos permitido melhorar as condições de preservação da saúde e da vida. Contudo, essas tecnologias, infelizmente, têm-nas prejudicado, também.

O tempo livre que hoje desfrutamos foi-nos legado por meio de experiências e conhecimentos úteis à nossa sobrevivência, consolidados em centenas de anos de trabalho e sofrimento de nossos antepassados. As milhares de horas desperdiçadas em jogos eletrônicos, em atividades fúteis no celular e na internet, bem como assistindo a programas e filmes que embrutecem o ser humano têm sido o uso que fazemos dele. Para piorar, o sedentarismo inerente a essas atividades é acompanhado pela ingestão de produtos nocivos à saúde. Tudo isso acontece com mais intensidade no período de vida favorável à educação que, segundo especialistas na fisiologia do cérebro, vai até os 25 anos.

Resta-nos, contudo, a esperança de que o livre arbítrio que ainda nos resta sirva para libertar-nos dessa armadilha criada por interesses comerciais apoiados em modernas tecnologias de informação e comunicação. Temos de estar atentos, porém, a outra armadilha. A de alienarmo-nos de nós mesmos e de nosso meio, copiando atitudes e preferências de “socialites” e políticos obtusos que impregnam nossa mídia com seus visuais e pensamentos estapafúrdios.

Ao afirmarmos que tudo que fazemos é importante, estamos afirmando, em outras palavras, que nada daquilo que deixamos de fazer por falta de tempo é mais importante do que já fazemos. É preciso que tomemos consciência desse raciocínio absurdo e abramos nossos próprios olhos sempre que nos perdermos na selva de opções em que vivemos. Devemos dar muito valor ao tempo livre, utilizando-o com muito respeito a nós e ao próximo. E acima de tudo, usando-o bastante para pensar sobre nossa vida e destino. Daros

Wednesday, November 05, 2008

DISPUTA ENTRE PÚBLICO E PRIVADO

É de estarrecer que altas autoridades do executivo estejam preocupadas com o fato do Banco do Brasil cair para o segundo lugar em valor dos ativos após a fusão do Itaú com o Unibanco assegurar-lhes o primeiro posto. É inacreditável o que se lê na Reportagem da Folha de S. Paulo (04/11/08): “ Governo Lula quer que o Banco do Brasil retome a liderança”; “A liderança (do BB) no ranking de bancos do país é simbólica para o PT”; “O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva não gostou de ver o BB perder o posto...” ; “O importante, avaliam os técnicos do governo, é que "agora o BB está no jogo".
Em plena crise, o Governo Federal transforma um evento positivo no mercado financeiro brasileiro em corrida entre os setores Público e Privado.
Concluo da leitura da reportagem que o piloto do PT, Lula, dirigindo o BB, lamenta ter perdido a primeira posição para Setúbal que conduz a nova máquina Itaú-Unibanco; mas está seguro que vai retomar a liderança em breve pisando firme no novo acelerador MP 443. Daros
PS Publicado no Painel do Leitor da Folha de São Paulo de 06/11/08

Sunday, October 19, 2008

MARTA E A SEXUALIDADE -II

Como sempre, as manifestações de nosso Presidente Lula são espontâneas e revelam a qualquer um suas idéias e preconceitos. Ao defender a candidata Marta Suplicy, as seguintes frases merecem destaques: a) "quando todos nós tínhamos preconceito"... b) " uma pergunta difamatória " .. Ou seja, agora que não tem mais preconceito, considera, por comparação com o que perguntam também para êle, que a pergunta feita à Kassab é difamatória. Leia o trecho abaixo e chegue a sua própria conclusão. Daros

"Temos que ter claro que essa mulher tem sido nesses últimos anos vítima de um preconceito raivoso e rançoso aqui na cidade de São Paulo", discursou Lula, para quem a elite considera "imperdoável" que ela tenha construído CEUs (Centro Educacional Unificado) na periferia e não em bairros ricos."Tem um bando de gente, uma minoria, mas influente, que não aceita que pelo teus próprios méritos você tenha as mesmas coisas que ela."Sobre a propaganda da campanha petista que pergunta se Kassab é casado ou tem filhos, Lula saiu em defesa de Marta."Tentaram passar a idéia de que essa mulher tem preconceito contra homossexualismo. Exatamente essa mulher que quando todos nós tínhamos preconceito ela já estava na TV Mulher [na TV Globo, nos anos 80] defendendo as minorias."Ele ironizou a repercussão do caso. "Ah, meu Deus do céu, se a imprensa me defendesse cada vez que fazem uma pergunta difamatória para mim. Ah, se ela me defendesse cada vez que alguém me pergunta: "Ô Lula, sabes falar inglês? Então não podes governar o Brasil". Ou "És casado, tens filho?" Ora, quem é que já não recebeu essa pergunta? Ainda vou criar o "dia da hipocrisia" neste país".

Fonte: Em RANIER BRAGON-em São Paulo e NANCY DUTRA-Colaboração para a Folha de São Paulo - Domingo - 19/10/2008

Wednesday, October 15, 2008

MARTA E A SEXUALIDADE

Todos nós temos muito interesse em nossa sexualidade e na dos outros, especialmente na adolescência. A maioria amadurece e passa a se interessar por outras coisas, também. O Brasil, por tradição cultural, sempre preservou a liberdade de escolha em matéria sexual, condenando, por exemplo, somente abusos como pedofilia e estupro e caçoando do homossexualismo por meio de piadas. A tolerância, em alguns casos, chega a ser exagerada, muitas vezes por ignorância. Não é por acaso que políticos famosos chegaram a produzir frases como: “estupra, mas não mata" ou, diante de falhas nos aeroportos brasileiros que causaram sérios danos físicos e morais a seus usuários, recomendou-se “relaxa e goza”’. A violência é tolerada e associada ao sexo nas duas frases, ainda que de forma velada na segunda.

Marta Suplicy amadureceu, conforme suas próprias palavras, e, segundo nossa modesta observação à distância, sublimou sua eventual curiosidade ao se tornar psicóloga e pesquisadora no campo das práticas sexuais humanas. E, como política, posicionou-se como líder de minorias que fogem do padrão Marido-e-Esposa-com-Filhos, em que as atividades sexuais do casal ficariam circunscritas a eles e somente a eles, e os filhos seriam o resultado natural do casamento monogâmico. Como eleitores, portanto, gostaríamos que a candidata Marta Suplicy nos dissesse com clareza a razão de considerar relevante que saibamos se o seu adversário Kassab é casado e tem filhos. A resposta deste foi de que não é homossexual e que muitas mulheres gostariam de se casar com ele.

Não é difícil para nós brasileiros desvendarmos os objetivos políticos da pergunta a partir da resposta dada. É óbvio que Marta conhece a vida particular de Kassab e fez essa pergunta para tirar-lhe votos. E é também óbvio que ele descobriu sua intenção e respondeu-a para não perdê-los. Não existe nenhuma restrição legal que homossexual ou heterossexual, solteiro ou casado, com filhos ou sem filhos, até mesmo fora do casamento, ocupem cargo público, desde que não tenham praticado atos criminosos regulados por lei. E mais: a transgressão de leis, inclusive no campo da sexualidade, tem sido praticada por políticos casados e com filhos. Não são poucos os que se encontram nessas condições e continuam impunes. A explicação para a pergunta de Marta está contida na cabeça de eleitores ignorantes e pré-conceituosos, particularmente no meio inculto.

Não devemos esquecer a tradição cultural da população ignorante, muitas vezes orientada por religiosos fanáticos que consideram o homossexualismo um desvio que impede a pessoa de ser equilibrada, competente e honesta. E isso acontece quase sempre em grotões eleitorais em que os homens se dividem entre machões – incluídos aí os que praticam o homossexualismo ativo – e os homossexuais. Nesta última categoria, somente são considerados os chamados passivos, normalmente conhecidos como efeminados. Basta uma caminhada pela cidade, principalmente em áreas deterioradas física, social e culturalmente, para se cruzar com homens desequilibrados mentalmente, andando com trejeitos de mulheres e sendo objetos de gracejos e agressões de toda espécie.

Marta Suplicy, que chegou a ser aceita como candidata à psicanalista no Instituto de Psicanálise da conceituada Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, deveria utilizar seu conhecimento profissional e sua posição política de vanguarda junto ao Grupo de Gays, Lésbicas e Simpatizantes - GLS para ajudar o desenvolvimento de nosso povo e não utilizá-lo em sua vertente mais retrógrada. Não nos iludamos. Mesmo nesses grotões atrasados, a cultura está chegando e mudando hábitos e costumes rapidamente. Os poucos votos daqueles que acreditarem na insinuação de Marta, e, por isso, deixarem de votar em Kassab, serão ultrapassados pelos que a repudiarão por essa atitude. Não adiantará dizer-lhes “relaxa e goza porque depois das eleições voltarei a ser profissionalmente coerente“ e que “em política somente há vencedor e perdedor”. Isso é verdade, sim. Porém, há atitudes e erros imperdoáveis que podem acabar com a carreira política de quem os comete. Lula já disse na Espanha, como é de seu estilo, que não podia opinar sobre o assunto porque não conhece o teor da propaganda de Marta. E ela, o que dirá? Esperamos que não entre no caminho pedregoso e perigoso do “voyeurismo” sexual a ponto de estimular alguns simpatizantes seus (“aloprados”), a seguirem e perseguirem Kassab, espionando suas atividades e preferências sexuais. Daros

Friday, September 26, 2008

ALGUNS PENSAMENTOS SOBRE TRABALHO E DISCUSSÃO EM GRUPO

O trabalho ou discussão em grupo não é um jogo de soma zero, em que um debatedor somente ganha, se o outro perde. Ao contrário, deve-se buscar a sinergia que garante que o resultado do trabalho em grupo seja maior e melhor do que a soma de trabalhos individuais;

A discussão em grupo deve se limitar às idéias e propostas feitas e às premissas e razões que lhes dão sustentação. Não é lugar para simpatias, solidariedade e competição. Seja meu amigo, pessoa de minha simpatia ou pessoa frágil, se sua idéia ou proposta não é sustentável deve ser rebatida e rejeitada, educadamente. Se a idéia ou proposta de alguém é melhor do que a minha, seja quem for o participante, devo apoiá-la com base em meu raciocínio e não em minha simpatia.;

O silêncio somente deve ser rompido se realmente tem-se algo importante a dizer. Falar demais, para se manter em evidência, destrói a sinergia do grupo e, ao final, todos perdem com resultados pífios. O que importa é o resultado do trabalho em grupo e não o brilho de cada um;

Jamais se deve avaliar a personalidade, traços de caráter ou outros aspectos pessoais do interlocutor, seja para desmoralizá-lo, seja para exaltá-lo, quando se está trabalhando em grupo. O que importa são suas idéias e propostas que devem ser examinadas à luz da razão e dos conhecimentos dele e dos demais membros do grupo e não das características individuais de cada um. Caso se constate que alguém demonstra incapacidade ou desequilíbrio emocional para trabalho em grupo, agredindo as pessoas com ironias, sarcasmos ou ofensas, a única maneira de não se envolver em conflitos pessoais é simplesmente CALAR-SE, negando-se a participar em grupos do qual essa pessoa venha a fazer parte no futuro. Se a ofensa for grande, PEDIR LICENÇA E SE RETIRAR DO GRUPO POLIDAMENTE;

Ouvir é muito mais difícil do que falar, daí Deus ter-nos proporcionado dois ouvidos e uma só boca. Muita gente ouve, mas não escuta, pois está mais preocupada com seus próprios pensamentos e naquilo que vai dizer do que na fala do interlocutor. Não fique ansioso em aparecer e mostrar sua presença no grupo. Se não tiver nada a dizer é melhor ficar calado. O que importa é o resultado do trabalho no grupo e não o seu brilho e participação na discussão. Sempre que gostar de uma idéia ou proposta ao acrescentar algo repita seu conteúdo inicial para demonstrar que não se preocupa em ser seu autor e sim em aprimorá-la para conseguir melhores resultados para o trabalho em grupo;

Procure nunca levantar a voz. Tampouco, interromper alguém abruptamente. Se alguém o fizer, diga-lhe: " POR FAVOR, DEIXE-ME COMPLETAR O QUE QUERO DIZER". Se desejar interromper alguém, somente o faça se for algo muito importante, cuidando para somente fazê-lo após pedir licença ao interlocutor: " DÁ LICENÇA DE EU INTERROMPE-LO UM INSTANTE?" Normalmente o interlocutor ou deixa a pessoa falar, e essa deve se limitar a uma ou duas frases , ou responderá que se aguarde um pouco até que termine o que está falando. FALAR AO MESMO TEMPO É DESVALORIZAR SUAS IDÉIAS. LEVANTAR A VOZ É PIOR AINDA: É SUBSTITUIR O CONTEÚDO DE SEUS ARGUMENTOS POR EXPANSÃO DE ONDAS SONORAS E DECIBEIS NOS OUVIDOS DOS MEMBROS DO GRUPO;

Olhe para o interlocutor somente com a preocupação de entender o conteúdo de sua fala, pedindo-lhe ao final esclarecimentos se não entendeu a fim de não emitir juízos baseados em compreensão errada. Para evitar isso, sempre é bom repetir o que entendeu antes de emitir sua opinião a respeito, dando nova oportunidade ao interlocutor de corrigir seu pensamento. Se alguém lhe pergunta algo que não entendeu bem, ou quer mais tempo para pensar, peça ao interlocutor para repetir a pergunta, para que a entenda bem;

O senso de humor deve sempre estar presente em qualquer discussão, evitando-se, porém, chistes, piadas ou observações que possam ofender qualquer membro do grupo. Evitar-se, portanto, sectarismos, sejam eles religiosos, filosóficos ou políticos, raciais e de outros matizes (baixinhos, gordos, magros, etc..);

Olhar com descontração e simpatia para todos. Afinal, são membros de um grupo que corresponde a x/ 6,5 bilhões da população mundial em busca de boas idéias e propostas para melhorar a qualidade de vida de todos;

Respirar fundo algumas vezes ajuda a tranqüilizar as emoções e abrir mais espaço para o uso da razão;

Algumas recomendações aos organizadores de grupos de discussão: a. mantenha o número de participantes entre 5 e 7; abaixo de 5 é muito pouco e acima de 7 é demais; b. procure estruturar o grupo com pessoas de níveis de conhecimento e experiências semelhantes e ajustados ao assunto a ser discutido; c. estabeleça um intervalo de dois módulos de 50 minutos cada um com intervalo de 10 minutos para levantar-se e conversar-se livremente, servindo alguma coisa para comer e beber. Reserve 10 minutos no final para decidir se haverá ou não nova reunião. Pela manhã o intervalo entre 9:30 e 11:30 e pela tarde entre 14:30 e 16:30 seriam ideais. d. quem convocou a reunião tem como dever ser o moderador das intervenções e o responsável pela redação de ata ou outros documentos, podendo delegar a algum membro do grupo disposto a assumir essas tarefas; e. estabelecer já na convocação da reunião que os celulares terão de estar desligados durante as discussões.

BOA SORTE!
PS Resolvi divulgar este texto que elaborei faz muito tempo, porque ainda penso que poderá ser útil para quem participa em discussões em grupo. Daros

Sunday, September 21, 2008

DOSSIEGATE E RIOCENTRO

O que têm de comum os dois crimes? O fato dos mandatários não terem atingido os objetivos previstos pelos seus mandantes. No primeiro caso, em plena vigência da democracia, os dois petistas que estavam com R$ 1,7 milhão de reais para comprar um dossiê contra Serra, foram surpreendidos em flagrante pela polícia; e, no segundo, praticado durante o regime militar, a bomba estourou antecipadamente no colo de um dos militares, dentro de carro estacionado, antes de ser colocada no Pavilhão onde se comemorava o primeiro de maio. Julgou-se que não houve crime porque o juiz, segundo reportagem da Folha de São Paulo (21/09) “entendeu que não era possível vincular o dinheiro apreendido à campanha eleitoral, e concluiu que o principal prejudicado com o dossiegate foi Lula”. O caso da bomba todos sabem como terminou. “Os aloprados foram punidos pela própria bomba e o principal prejudicado com isso foi o Presidente Figueiredo” teria dito o mesmo juiz se lhe fosse submetido esse crime, também, para julgamento, penso eu! Será verdade que para a Justiça Brasileira não é crime ter-se R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo de origem não revelada para comprar um dossiê contra candidato a governador ou levar uma bomba para ser ativada em local de grande concentração de pessoas? Daros

Nota: entre a última postagem (dia 8) e a de hoje (dia 21) decorreram 13 dias o que descaracteriza o Blog como registro diário. Assim sendo, vou publicar também cartas que costumo enviar aos jornais e que normalmente não são divulgadas, principalmente devido sua extensão ultrapassar os limites impostos pelos jornais a seus leitores. A carta acima foi enviada à Folha de São Paulo.

Monday, September 08, 2008

IMPREVISTOS AGRADÁVEIS

Desenvolvi, faz muitos anos, algumas regras que me poupam de frustrações e sentimentos de indignação e, até mesmo, de ira. Um pouco de YOGA e muita psicanálise me ajudaram nisso. Uma das regras é não criar expectativas fora da realidade. Ao contrário, ser um pouco pessimista. Dessa forma, aumento a probabilidade de ter mais alegrias e menos frustrações. Por exemplo, após um exame médico acompanhado de análises laboratoriais, penso que se algo ruím for detectado, o resultado simplesmente retrata um estado real existente antes do exame. Em outras palavras, ele traz à tona dados e informações de alguma doença escondida que agora poderá ser combatida com mais eficácia. Outro exemplo: se vou receber resposta à alguma solicitação que me traga benefícios, avalio o mais objetivamente possível a situação, de maneira a não criar expectativas irrealizáveis e aceitar a influência negativa de fatores imponderáveis. Na Cidade de São Paulo procuro evitar o estresse de dirigir em ambiente agressivo e cansativo, transformando o congestionamento em oportunidade de ouvir rádio ou música. E as dificuldades em estacionar próximo a meu destino, como oportunidade de caminhar e exercitar-me. Se o tempo é curto, prevejo que vou chegar atrasado ao encontro ou reunião, avisando com antecedência a pessoa ou pessoas com quem tenho compromisso. Sair bem mais cedo e usar o tempo de espera nos encontros para leitura de algo interessante é a saída mais educada. Essa, contudo, ainda não consegui por em prática rotineiramente. Hoje fui surpreendido por três situações imprevistas agradáveis

Dirigi-me ao setor financeiro da Prefeitura Municipal para regularizar uma situação que criei por descuido. Ao invés de pagar a parcela do IPTU vencida no mês, paguei duas vezes a do mês anterior. Conseqüentemente, a parcela paga duas vezes apareceu como "paga" simplesmente e a outra como "não paga". Como o imóvel está no nome de minha esposa, dirigi-me à repartição para que eu fosse orientado sobre como resolver o assunto, já que perdera o registro bancário que provaria que paguei duas vezes a primeira parcela. Já estava preparado para um rol de pedidos de documentos e declarações registrados em cartório quando o funcionário me surpreendeu com a seguinte frase: "vou evitar que o senhor tenha de voltar aqui novamente". Somente pediu-me o RG para anotar no recibo da parcela "não paga" que se tornaria "paga" com o estorno dos recursos sobrantes da primeira parcela paga duplamente. Aí surge um problema inesperado. Minha carteira não estava comigo. Fiquei atônito procurando-a, não mais para mostrar-lhe o RG mas para me assegurar que não a perdera. No meio da confusão criada, ele perguntou simplesmento meu nome e o número do RG e entregou-me uma senha para pegar o recibo da parcela agora "paga" em outro guichê. Resolvi rapida e inesperadamente o assunto que fora pedir simples orientação para outro dia voltar com um saco de documentos. Agora, tentava me concentrar para explicar o fato de não ter a carteira comigo. Finalmente, concluí com segurança razoável - já que a absoluta somente nos cria expectativas que podem ser frustradas - que a carteira ficara no carro. Vem-me à mente, porém, que se lá ficou o manobrista do estacionamento já a afanara. Quanto apresento a papeleta do estacionamento afirmo que irei pegar o dinheiro em minha carteira que se encontra no carro. Depois de verificar várias vezes e não encontrá-la, olho desconfiado para o manobrista e identifico um inocente que me encara. Procuro-a novamente e a encontro entre os dois bancos dianteiros.

No fim da tarde vou pegar uma máquina fotográfica digital que minha filha esquecera numa lanchonete. Faz quinze dias que a recepcionista afirma que vai entregá-la e sempre posterga a devolução. Como sempre, muito desconfiado, porém preparado para um ato inusitado em nosso País, entrego à minha filha uma velha digital em completo desuso para dar-lhe em retribuição à sua honestidade. Estou preparado para dois eventos: o frustrante, em que ela simplesmente diria que a máquina estava com ela para ser entregue e, infelizmente, fora roubada; ou ela devolver a câmera e "agarrar" a retribuição por sua honestidade. Como minha filha estava demorando, quase tinha certeza que a primeira hipótese seria a verdadeira. Depois de algum tempo, lá aparece ela sorrindo com a máquina devolvida em suas mãos. Explicou-me a demora: "a moça não queria receber de jeito nenhum nosso presente. Tive que insistir, e muito, para que ela aceitasse. O único pedido seu é que enviássemos a ela duas fotos que tirara com o namorado e que se encontram no arquivo da máquina devolvida! "Daros

Saturday, September 06, 2008

VENDA DE VEÍCULO E MULTAS
Há alguns anos atrás fui surpreendido com o fato de que na venda de veículos o reconhecimento de firma deveria ser por "autenticidade" , isto é, você e a pessoa envolvidos na transação têm necessariamente de estar presentes no cartório para ter as assinaturas reconhecidas. Depois de vender um Ford Rural a uma senhora cearense e ter assinado o CRV fui surpreendido, no dia seguinte, com sua solicitação para comparecer urgente ao Cartório e reconhecer minha assinatura já que ela estava de passagem marcada para Fortaleza dali a algumas horas. Sem estar presente minha firma não seria reconhecida por autenticidade.

No início de agosto passado, vendi um carro e já sabendo disso compareci com o comprador no cartório e assinamos o documento CRV - Certificado de Registro de Veículos na frente do tabelião. Sem mesmo pedir, ele me forneceu ( e cobrou..) uma cópia autenticada do CRV de transferência preenchido para que eu a enviasse ao DETRAN. Preocupado com eventuais multas de infrações cometidas após a venda elaborara, por minha conta, uma Declaração assinada por mim e pelo comprador que ambos assumiam o compromisso de pagar as multas pelas infrações incorridas antes da venda - no caso eu - e depois da venda - ele, comprador. Preocupei-me de colocar a hora nessa deckaração, já que tanto eu como ele poderíamos ter cometido infração nesse dia, pois no CRV consta simplesmente que o vendedor se exime de responsabilidade "a partir da data acima", ou seja, a partir do dia seguinte da venda. No próprio dia o comprador, se for meu inimigo, pode praticar infrações de todo tipo que eu serei o responsável por elas. Em nota com letras miúdas está escrito que cabe ao comprador fazer "a imediata transferência de registro do veículo para seu nome" . Por outro lado, afirma que essa mesma transferência "poderá ser comunicada pelo vendedor". Atarefado como sempre, não me preocupei em comunicar a transferência ao DETRAN. Em menos de quinze dias recebi três notificações de multas, com meu nome nelas. Achei que bastaria devolvê-las ao DETRAN junto com a cópia de autorização de transferência do CRV que recebera do Tabelião. Já no DETRAN me informaram que teria de fazer a entrega no protocolo. Ali me orientaram que para protocolar deveria me dirigir a informações no primeiro andar do prédio da frente para solicitar duas vias das guias de encaminhamento da comunicação da venda e preenche-las. Fui e peguei as duas vias cujo título é Sistema de Comunicação de Venda de Veículos. Eram umas vinte e cinco perguntas sobre mim, o veículo e o vendedor, quase todas constantes da cópia do CRV que não foi aceito sem esse documento de encaminhamento. As perguntas que não constavam do CRV, relativas ao veículo e ao vendedor, não pude responde-las, obviamente. Por exemplo, o número do Chassi e o bairro e CEP do comprador. Como as duas guias são iguais e não havia papel carbono entre elas, tive de copiar tudo de novo na segunda guia. Voltei ao protocolo para entregar a cópia do CRV, agora com as guias de encaminhamento. Já eram 16:30 e o expediente se encerra às 17:00 horas. Lá chegando, fui surpreendido por mais uma exigência: xerox do meu RG. Tive de sair quase correndo, pois o único xerox é do dono de uma banca de jornal que fica em frente ao DSV. Esse serviço existe alí faz muitas décadas. A fila era grande; então resolvi usar meu direito de furar fila por ser idoso e tirei o xerox na frente de todo mundo. Finalmente, retornei ao protocolo pouco antes das 17:00 e recebi a segunda via da guia de encaminhamento carimbada. Retornei em seguida para saber se isso me eximiria de pagar as multas que vieram em meu nome, porém resultantes de infrações cometidas após a data da venda do veículo. A atendente me respondeu: " todas as multas resultantes de infrações cometidas após a data de hoje o senhor não terá obrigação de pagar."....."Haja coração", pensei eu. Saí sem insistir no fato de que no CRV consta claramente que o vendedor se exime de responsabilidade por infrações cometidas após a data da venda e não como a atendente me informou. Registro aqui em meu BLOG esta chatice toda porque nossa população sem curso superior e pós-graduação como eu, jamais teria o tempo disponível, tampouco a habilidade de descrever em minúcias as "pedras e irracionalidades" que a burocracia sem controle semeia pelo nosso caminho, torturando-nos continuamente. Daros

Sunday, August 31, 2008

LEVEMENTE PARANÓICO

Ontem à noite lembrei-me de Allan Abouchar que desenvolvia estudos e pesquisas sobre transportes no Brasil em decorrência de convênio entre o Ministério do Planejamento e a Universidade da Califórnia, na qual era professor. Nessa época, eu era o economista-chefe do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes - GEIPOT, recem criado no Rio. Queixava-se ele de ter pago uma exorbitância para consertarem um vazamento surgido no imóvel que ocupava. Depois de explicar-me rapidamente o defeito, concordei com ele que o preço cobrado pelo bombeiro (encanador, em S. Paulo e no sul) fora muito alto. Disse-lhe que a única forma de ele não ser explorado no Brasil seria desenvolver uma leve paranóia do tipo "em compras, acertos de prestação de serviço (em todos os níveis, infelizmente...), em qualquer transação, enfim, deve-se sempre desconfiar e pensar que se está sendo logrado" . Em suma, para se adaptar a nosso ambiente, ele deveria desenvolver uma "leve paranóia persecutória" . Não sei se por predisposição genética ou cultural esse viés psicológico tem me protegido também no espaço público contra assaltos. Contudo, isso pode nos levar a erros grosseiros de avaliação como me aconteceu ontem. Dirigi-me a uma das grandes farmácias que operam em cadeia e solicitei um medicamento genérico de determinado produto em cuja receita constava, além do nome comercial, a identificação química da droga. O farmacêutico voltou e disse: " não tem". Perguntei-lhe se existia o genérico e ele respondeu-me: "sim. Mas faz anos que não recebemos mais" Conversamos, então, sobre o assunto, tendo eu encaminhado a conversa para eventual sabotagem do fabricante que teria feito acordo com o produtor do original, relativamente caro, dividindo entre eles o lucro excedente do monopólio daquela fórmula química. Saí da farmácia e, desconfiado, passei por outra onde se confirmou a existência do genérico pela metade do preço. Todavia, no momento, não dispunha em estoque. Informou-me o nome do laboratório que o fabrica. É uma multinacional francesa muito conhecida. Descobri, em seguida, que o que comprara pelo dobro do preço, também pertencia a um laboratório francês meu desconhecido. Dali, até a próxima farmácia, no caminho de retorno a pé para minha casa, comecei a engendrar um acordo entre os dois laboratórios franceses visando a explorar o pobre e ignorante consumidor brasileiro. Entrei na terceira dograria e lá encontrei o genérico. Decidi voltar ao local em que comprara pelo dobro do preço e no caminho desliguei o sistema paranóico e perguntei-me qual era meu objetivo ? Respondi mentalmente: "Receber o que paguei para comprar na última farmácia visitada, ganhando um valor razoável." Entrei e polidamente disse: "consegui o genérico pela metade do preço que paguei aqui por esse produto. Desejo devolvê-lo". Afinal, consegui economizar e andar um pouco mais do que previra, o que me faz muito bem. Abandonei a idéia de acordo entre multinacionais. O viés paranóico funcionou, mas precisa de controle. Daros

Saturday, August 30, 2008

RESPEITO À ORIGEM DO BLOG
Iniciei a edição e divulgação de meu BLOG como parte de terapia ocupacional. Aposentado após décadas de atividades públicas e privadas, senti-me como um caminhão cheio de boas idéias e boas intenções sem lugar onde descarregá-las, e tampouco armazená-las, a fim de dar espaço para a incessante produção de minha mente viva e atenta. Apesar do dito popular que o inferno está cheio de pessoas como eu, cujas boas intenções produziram resultados nefastos para muitos, estou seguro que agora idoso e sem ocupar cargos de poder, ou capaz de influir sobre os rumos e estilo da vida social, econômica, política, cultural, ambiental, religiosa, enfim, sobre a vida dos outros, posso escrever à vontade. Quase me arrisco a dizer que este BLOG, de acesso aberto a qualquer um dos 6,8 bilhões de habitantes da terra, será, apesar disso, um diário quase secreto; o seria completamente se a WEB não estivesse cheia de bisbilhoteiros que poderão ler algum conteúdo dele por mera curiosidade. Assim sendo, este BLOG crescerá continuamente com a adição de notas e notícias sobre a minha vida de observador do meio em que vivo e com o qual interajo. Crítico e reclamador contumaz do que acontece no dia-a-dia, prometo fazê-lo com senso de humor, já que admiro muito esse estilo que nos torna a vida aprazível. Perdôo-me, desde já, por momentos de irritação e até raiva, já que não sou de ferro! O otimismo, espero eu, jamais me abandonará, porém. Daros

PS Visite o Relógio de Estimativa da População Mundial em http://www.netlingo.com/more/poptick.html e reveja sua escala de valores enquanto ainda há tempo.

Sunday, December 16, 2007

ELETROPAULO
Para quem não sabe, trata-se da empresa concessionária de distribuição de energia elétrica na Cidade de São Paulo. Nos últimos dias, tenho me submetido a diálogos estressantes sobre o que devo fazer para que seja religada a luz em pequeno imóvel comercial de nossa propriedade que se encontra vazio a espera de inquilino interessado nele.

Como nossas caixas de correspondência se transformaram em depósito de propagandas comerciais, ficam entupidas de papel e mal deixam espaço para o recebimento de correspondência relevante, como são as contas de luz e água, por exemplo. Resultado: as contas de luz de dois meses seguidos foram extraviadas e a ELETROPAULO seguiu sua rotina: cortou a eletricidade do imóvel, desligando os fios de entrada no poste externo.

Paguei as contas atrasadas e liguei para a empresa informando a respeito na expectativa de que sua rotina fosse semelhante a da Telefônica que confia no cliente e providencia a religação mediante simples informação verbal de que a conta foi paga. No caso da ELTROPAULO tomei conhecimento de uma rotina que ignora todos os meios modernos de comunicação e não confia em seu cliente. Senão vejamos: existem dois tipos de religações: o urgente, a ser feito no máximo em quatro horas, e o de 24 horas. O primeiro custa pouco mais de R$ 5,00; e o segundo, R$ 30,00. Após ter escolhido o mais barato, já que não tenho urgência, fui informado que deveria ficar de plantão na casa com a última conta paga na mão para mostrar aos funcionários encarregados da religação. Rebelei-me, afirmando que não faria isso, pois ninguém tem 24 horas disponíveis continuamente para isso. Informou-se, então, que o prazo seria de 24 horas e não minha permanência no imóvel. Respirei aliviado, pois imaginava que seriam somente 8 horas de expediente comercial. Surpreendi-me que o horário de prontidão seria das 8 da manhã até às 22 horas, sem intervalo. Havia uma outra possibilidade: dirigir-me a uma das 4 agências da ELETROPAULO, com a conta na mão e pedir a religação. Quanto a definir se a religação seria pela manhã, pela tarde ou à noite, mesmo que fosse à agência, não haveria como fazê-lo a não ser se pagasse o serviço especial de urgência.

Finalmente, o atendente abriu-me uma porta: pedir a um vizinho que atendesse a equipe da empresa. Como não conheço vizinhos, pensei em solicitar ao atendente de uma loja próxima que permanece no local das 8 às 12 e, a tarde, das 14 às 18 horas. A probabilidade da equipe chegar nesse horário seria grande e, caso isso não acontecesse, eu estaria disposto a lá permanecer das 18 às 22 horas. Liguei para o serviço de religaçào no dia seguinte, já que conseguira conversar com o rapaz, tendo ele concordado em me fazer esse favor. Insisti novamente na irracionalidade da rotina, pois há fax para se enviar cópia de conta paga. Surpreendi-me, então, com sua resposta: “pode sim enviar um fax” e deu-me o número que o receberia. Aliviado, pensei que não mais precisaria de pessoa lá de plantão, já que a religação é externa. Aí fui surpreendido com nova justificativa. Para desligar isso é possível. Para religar, não, pois há risco de curto circuito e o Serviço de Corpo de Bombeiros exige presença de alguém no local. Disse-lhe que mandaria fax de carta assinada afirmando que desligaria a chave geral e me responsabilizaria por isso. Não houve jeito. Já no final da conversa alertou-me, ainda, para que o imóvel fosse aberto para a equipe fazer a leitura do relógio. Ou seja, deveria deixar a chave com o rapaz indicado, caso fosse impossível ler o relógio do lado de fora. Fui até o imóvel, depois de feita a solicitação de religaçào e confirmei que a leitura podia ser feita de fora. Não obstante, deixei um papel pregado à Caixa de Entrada com os números da leitura. Finalmente, dirigi-me ao rapaz e confirmei a necessidade dele mostrar a última conta aos funcinários da ELETROPAULO. Para que não houvesse nenhuma dúvida, deixei anotado meu telefone, com o 9090 precedendo meu número para que fosse a cobrar. Saí do local às 10:40. Retornei às 18:30 horas e lá encontrei uma fita impressa colada na porta de entrada afirmando que a equipe de religação estivera ali às 11:42 e encontrou o imóvel fechado. Irritado, liguei para o serviço de religação que depois de um ritual de números para identificar o assunto em seus arquivos, informou-me que realmente a equipe estivera lá as 14:20. Deixando de lado a discrepância dos horários, perguntei-lhe porque o imóvel teria de estar aberto. Respondeu-me que se trata de um impresso. O que a equipe quis dizer é que não havia ninguém no local para mostrar a conta paga. Disse-lhe que isso era sabido, pois deixara o número do imóvel próximo em que a pessoa que estava com a conta se encontrava. Perguntou-me se queria solicitar novamente a religação. Quase estourando de raiva lhe disse que no início da próxima semana tentaria novamente, já que não conseguira falar com o rapaz para confirmar se ele se encontrava na loja no horário em que a equipe esteve lá: 11:42, segundo a fita impressa na porta, e 14: 20, segundo os dados da central da ELETROPAULO. HAJA PACIÊNCIA MINHA GENTE.

Wednesday, July 18, 2007

O MAIOR DESASTRE AÉREO DO BRASIL

UM MORTICÍNIO CULPOSO

E. J. Daros

Pode-se afirmar, sem dúvida, que as duas centenas de pessoas que morreram ontem com a batida e incêndio de avião da TAM em seu próprio prédio na Avenida Washington Luís, após derrapar na pista do Aeroporto de Congonhas ao lado, não foram vítimas de terroristas, de assassinos, de piloto ou passageiro suicida ou de psicopata livre atirador a bordo do avião. Também, pode-se dizer que não se trata de acidente, isto é, de desastre resultante de circunstâncias imprevisíveis sobre as quais não temos controle.

Assim como nas mortes causadas em nossas rodovias pode-se agrupar os fatores responsáveis por elas, em três categorias: nós humanos que conduzimos, ocupamos e estamos perto da aeronave; a própria aeronave; a infra-estrutura aérea, envolvendo as pistas, a sinalização e seus controles, bem como as aerovias e também seus controles. Não devemos esquecer, contudo, o que não se considera, ou pouco se fala, a cultura nacional que envolve tudo isso. Nossos valores e maneiras de viver e ser que estão presentes, em maior ou menor medida, na qualidade da segurança em que se formam ou produzem, organizam-se e operam as três categorias acima referidas. Obviamente, na produção da aeronave pouco é nossa influência cultural, salvo em certas escolhas que o próprio fornecedor permite que se façam. Mesmo nelas, a presença de nossa cultura aparece na manutenção e, principalmente, na operação das aeronaves. Ainda que os padrões de segurança na aviação civil estejam se tornando cada vez mais padronizados internacionalmente, a margem de influência da cultura nacional é muito grande.

Depois do desastre, vão ser pesquisadas suas causas cientificamente, pois mesmo que fosse um acidente, isto é, fenômeno decorrente de causas imprevisíveis, a imprevisibilidade desaparece e dá lugar aos fatores que realmente o causaram, isolada ou combinadamente. No Brasil há uma tendência de se exagerar na responsabilidade do chamado fator humano. Se um carro derrapa e tomba, e não ficar bem claro que a velocidade do veículo estava de acordo com a regulamentada; que as ranhuras de seus pneus eram o suficientemente profundas; que as condições climáticas eram boas; somente então se examina com mais rigor a condição da via. Não é por acaso que a maioria dos acidentes no Brasil é atribuída a falhas humanas, até por que em muitos casos o condutor morto não tem condições de se defender.

Na Suécia se adotou a política de ZERO mortes em acidentes de trânsito. O fato de o condutor errar não deve simplesmente tranqüilizar as autoridades de trânsito ao ter um culpado pelo acidente, como se tudo decorresse somente de seu erro. Ao contrário. O objetivo dessa política é compensar os erros do condutor por meio de medidas de segurança na via e no veículo que possam impedir a perda de vidas. A aviação civil persegue esse objetivo e, seguramente, serviu de inspiração para a política adotada na Suécia.

O ocorrido ontem nos parece mais um morticínio culposo que propriamente um acidente. Senão vejamos. Há décadas se fala na inadequação da localização do Aeroporto de Congonhas. Pressões de todos os lados, porém, defenderam e defendem sua permanência e, o que é pior ainda, sua ampliação. Governos Municipal, Estadual e Federal ora se estranham entre si, ora se harmonizam, na grande empreitada de modernização de CONGONHAS. A aviação executiva considera-o imprescindível e a elite empresarial sempre apoiou e exigiu um Congonhas ali no meio do tecido urbano para atender suas necessidades. “Afinal, toda cidade moderna e de características mundiais como São Paulo tem de ter seu aeroporto central”, fala grosso a elite paulistana. Mais recentemente, devido aos congestionamentos e aos riscos de banditismo em nosso meio urbano, essa mesma elite tornou-se responsável pelos vôos de helicópteros que invadem o espaço aéreo da cidade, produzindo poluição sonora e colocando em risco sua população. Nós passageiros temos ojeriza por Guarulhos. E temos razão para isso. Demasiado tempo de acesso por falta de transporte público rápido e barato como nas grandes cidades do mundo. Até o ônibus executivo mantido pelo governo estadual é dispendioso. Sairia mais barato dividir uma corrida de táxi ao velho estilo do lotação. É proibido, porém.

Somente os moradores próximos odeiam o aeroporto cujo barulho afeta toda a população da região e da própria cidade nas rotas de aproximação. O que se pode dizer do Aeroporto de Congonhas é que tudo contribui para sua insegurança face ao tráfego aéreo nele permitido. Já que os aviões são seguros, considerando que sua manutenção é vigiada pelos próprios fabricantes para evitar dúvidas sobre isso, pesa sobre os ombros do piloto e co-piloto e de controladores de vôo, toda a responsabilidade para corrigir a insegurança quase sempre presente em Congonhas. Há poucos dias derraparam várias aeronaves. Liberou-se a pista principal sem estar terminada. Permitem-se pousos e decolagens acima do limite ideal de segurança. Desrespeita-se a lei de silêncio, prejudicando a população da região onde moram, também, velhos, doentes, bebês e crianças em idade escolar. Permite-se a presença de posto de gasolina e de material altamente inflamável a poucos metros das pistas do aeroporto. Liberou-se a construção de prédios para atender as necessidades da aviação executiva na área do próprio aeroporto. Uma rápida visita a essa área e a suas cercanias colocaria o cabelo de especialistas em segurança aérea em pé.

Pode-se afirmar que autoridades municipais, estaduais, federais e amplos segmentos da sociedade civil organizada na Cidade de São Paulo, imersos em nossa cultura fatalista garantidora de que somente se morre quando Deus determina, são responsáveis pela matança de ontem. Trata-se de um morticínio culposo que nos envergonha perante a comunidade internacional civilizada. Vamos aguardar os resultados da investigação sobre as causas do desastre previsível e anunciado por muitos. Infelizmente, nesse caso específico a previsão foi mais segura que a do tempo feita pelos meteorologistas.

FIM

Friday, March 23, 2007

ATO PACÍFICO
Li hoje a seguinte notícia, publicada em Jornal do Paraná:

"Estudantes pedem passe livre na capital
por Ligia Martoni [23/03/2007]

Estudantes dos colégios Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná e Hildebrando de Araújo participaram ontem, em Curitiba, de um ato realizado simultaneamente em cinco capitais do País pedindo o passe livre. A reivindicação gerou transtorno com a ocupação da canaleta do biarticulado sentido norte-sul na Avenida João Gualberto, em frente ao Colégio Estadual do Paraná, obstruindo a passagem dos ônibus por cerca de 40 minutos. Os manifestantes interditaram também o cruzamento com a Avenida Luiz Leão, atrapalhando o trânsito no local. Apesar do transtorno, não houve maiores tumultos e ninguém saiu ferido. Segundo o primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes) no Paraná, Rafael Clabonde, o movimento - que reuniu estudantes também na Praça Rui Barbosa - tinha por objetivo pressionar o poder público para a gratuidade da passagem de ônibus. “Foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, resumiu Rafael.
Em frente ao Colégio Estadual, o clima ficou um pouco tenso depois que a Patrulha Escolar exigiu a remoção do carro de som que os estudantes usariam para organizar o movimento. “Pretendíamos fazer um ato simbólico como desfecho, como pular a catraca, mas sem o som tivemos dificuldade em mobilizar o pessoal”, contou o estudante. Após uma hora de mobilização, por volta das 8h30, os manifestantes foram para as salas de aula.
Ônibus
Para protestar pelo passe livre, os estudantes impediram a passagem dos biarticulados Santa Cândida - Capão Raso das 7h50 às 8h30, ocasionando congestionamento nos tubos da linha em ambos os sentidos. Quem precisou do transporte teve de ter paciência para esperar o reforço enviado pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e encarar veículos lotados. A Urbs tentou sanar o problema, enviando dez ônibus que iriam recolher para a canaleta norte-sul, desviando o local onde os estudantes estavam. Aos poucos, os tubos foram sendo descongestionados.
Já na Praça Rui Barbosa a manifestação foi mais branda e durou cerca de vinte minutos. A assessoria da Urbs informou que a Prefeitura já oferece como benefício a meia tarifa a estudantes de baixa renda. Somente no ano passado, a companhia atendeu a 25.727 alunos. "

É muito difícil se considerar séria a afirmação do líder estudantil Rafael de que “foi apenas um ato pacífico com a nossa cara”, Basta se ler a reportagem para se ter uma idéia da violência praticada impunemente contra a população curitibana. Além disso, os estudantes de baixa renda já recebem o benefício de pagar meia tarifa. É interessante se constatar que somente 25.727, repito somente 25.727, beneficiam-se desse subsídio. Por que somente esse número numa metrópole que já tem mais de 2 milhões de habitantes? Seguramente porque a maioria dos estudantes pertence a famílias que têm renda suficiente para pagar as tarifas inteiras. Ao tornar a passagem gratuita, como já se faz com os idosos, pobres ou ricos, além de se estar subsidiando pessoas com renda familiar suficiente para pagar as tarifas cobradas, está-se desviando recursos da Prefeitura Municipal de projetos e programas socialmente mais urgentes. Sem falar em onerar os demais usuários quando a prefeitura decide não subsidiar os serviços, gerando todo tipo de dirtorções e problemas para o transporte público. Infelizmente, continuamos a pensar que os recursos públicos vêm do céu. Como dizia um Ministro da Alemanha, quando a população pressionava o governo para obter mais e mais programas sociais gratuitos: “o povo alemão pensa que o governo é uma vaca que se alimenta no céu e solta seu leite na terra”. Ou educamos e alimentamos bem as novas gerações ou vamos gerar clima para manifestações desse tipo em todos os segmentos da sociedade que pensam em "tirar leite da viúva, custe o que custar" .
FIM

Friday, March 09, 2007

POBRES ALUNOS
O tema sobre alunos de escolas públicas tendo aulas em salas de lata foi objeto de intensa discussão política nas últimas eleições para Prefeito da Cidade de São Paulo. Pouco se falou, porém, se o volume mínimo (m3) de espaço por aluno era suficiente para garantir adequada renovação e circulação de ar; tampouco sobre ruídos excessivos; falta de espaço para atividades esportivas; riscos de trânsito no local. Enfim, ignorou-se o ambiente escolar. Mesmo em escolas privadas consideradas de alto padrão, encontram-se aberrações em suas instalações resultantes de adaptações mal feitas em antigas residências e edifícios. Em muitas delas, por exemplo, os alunos estão sendo seriamente penalizados neste verão. Não seria o caso de se fiscalizar também o ambiente escolar, seja ele público ou privado, além de se aferir a qualidade de ensino? É nossa obrigação moral proteger crianças, adolescentes e jovens - de todas classes sociais - de situações estressantes e nocivas a sua saúde, especialmente em nossas escolas. Se o governo não tem vistas para isso, os pais que abram seus olhos!

Sunday, February 04, 2007

TELEFONES PÚBLICOS
Ninguém de sã consciência nega que houve melhoria extraordinária nos serviços de telefonia, após sua privatização. Infelizmente, o processo de privatização não se resume simplesmente a conceder os serviços ao setor privado. A regulamentação, a fiscalização dos serviços e o monitoramento do mercado são essenciais para garantir serviços sempre melhores e a preços competitivos. A economia de mercado não funciona bem sem a presença reguladora do Estado e de consumidores instruídos, isto é, capazes de fazer escolhas inteligentes do binômio preço-qualidade e, principalmente, daquilo que realmente necessitam, sem se deixar influenciar por propagandas mistificadoras. O baixo nível e a falta de objetividade de nosso sistema de ensino, torna os brasileiros presa fácil de novidades. Com certo exagero, imagino que as expressões fisionômicas de jovens ao usar seus celulares devam ser semelhantes a dos índios quando receberam espelhinhos dos colonizadores portugueses cinco séculos atrás. A intensa propaganda, associada a ofertas com complexas combinações de serviços e pagamentos, tumultuaram o mercado da telefonia celular. O ônus disso ao consumidor aparece nas elevadas somas gastas pela classe média. As classes sociais de renda baixa sofreram, também, com os altos custos do uso do celular. Hoje, somente o usam para receber chamadas e fazê-las em casos excepcionais, utilizando o sistema de pagamento pré-pago que lhes garante limite aos gastos nesses serviços. A falta de serviços de telefones públicos que funcionem bem afeta a classe média que é obrigada a usar o celular continuamente quando está fora da residência. São os pobres, porém, que sentem mais essa deficiência. Simplesmente não se comunicam como gostariam de fazê-lo. A ANATEL deveria avaliar e monitorar a relação econômica entre as prestadoras de serviços e os consumidores de serviços de telefonia celular, proporcionando-lhes dados e informações úteis para fazer escolhas corretas.

As empresas concessionárias argumentam que têm sérias dificuldades em manter telefones públicos em nossas cidades. Realmente, é facilmente constatável a depredação desses aparelhos. Outras instalações de uso público também são depredadas, como por exemplo, as Caixas Eletrônicas do sistema bancário. Infelizmente, as características sociais e culturais de nosso povo transformaram nossos espaços públicos em terra de ninguém. É impossível ao sistema policial manter serviços de vigilância que garantam o respeito a equipamentos e instalações de uso público. As praças públicas vão sendo cercadas; e as instalações privadas de uso público vão se adequando à realidade, oferecendo, por exemplo, os serviços de caixa eletrônico em postos de gasolina, supermercados, shopping centers e em locais que exista vigilância contínua. As empresas telefônicas deveriam buscar soluções semelhantes com a ajuda dos governos municipais que regulam as atividades comerciais e de serviços na cidade. Os supermercados e shopping centers poderiam dispô-los em maior número e melhor distribuídos em suas instalações. As bancas de jornais, abrigá-los dentro delas, também, Assim como bares, restaurantes, postos de gasolina, pontos de táxi, e toda e qualquer atividade de prestação de serviços e de comércio. Não adianta nada a existência de telefones públicos em lugares ermos que não funcionam. Hoje, em caso de emergência, sempre existe o celular para substituir o serviço público. O que se necessita, agora, são de telefones de fácil acesso em locais públicos visando a substituir o uso do celular e reduzir os custos da comunicação para a classe média e, especialmente, para os pobres. As concessionárias de serviços de telefonia celular não têm interesse nisso. O que será que a ANATEL tem a dizer sobre isso?